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sexta-feira, 20 de maio de 2016

Roberto Nasser - De carro por aí

Coluna 2116 - 20.Maio.2016 - edita@rnasser.com.br


O que ? Quid, aliás Kwid
Renault e sua aliada Nissan sugerem estar inspiradas em criadores de animais, batizando cada geração ou família com letra inicial comum. Na Nissan próximo SAV, moda mundial, será o Kicks, trocadilho com o significado inglês deRápido. Na Renault, de raízes latinas, Kwid. Sonoramente Quid é O Que em latim.

Em exíguo comunicado a Renault confirmou o sabido aos do ramo: o pequeno SAV – Sport Athletic Vehicle -, virá. Acróstico indica ser veículo para aventuras urbanas, com jeito de utilitário e implícita posição superior de dirigir, tão ao agrado dos compradores atuais – e tração em apenas um eixo.

Renault utilizou como referência o parente do Kwid, em produção e vendas iniciais pela marca na Índia. Produto nacional terá parte da essência e da morfologia, entretanto com muitas diferenças. Primeira, por enquadramento legal, portará almofadas de ar e freios com ABS. Depois, por características de uso, e submissão a regras bio dinâmicas, sofrerá sensível aposição de reforços estruturais para resistir às tentativas de deformações impostas pelos buracos nacionais, e aos testes de impacto, como o consumo oficial, crescente argumento de vendas. Terceiro, motor será maior e, nas mudanças, o tanque de combustível com maior capacidade – e autonomia. No carro indiano, 28 litros. Aqui, entre 45 e 50. E, justificativa maior, Renault criou área de engenharia e pesquisa na América do Sul: 1050 engenheiros distribuídos entre Brasil, Argentina, Chile e Colômbia para fazer adequações aos meio ambiente e consumidores da região. 

Na prática
Deve-se imaginar o Kwid a ser feito no Brasil seja uns 200 quilos mais pesado sobre a versão de origem, cujo mercado dispensa testes de impacto, almofadas de ar, e ABS nos freios. Aqui, reforços, equipamentos, acessórios, tanque de combustível e motor maior serão mandatórios e autores do ganho de peso, imaginando-se tê-lo em condições de marcha, com 800 kg. Na Índia 600 kg. Lá concorre com o VW up!:

                     VW up!
Renault Kwid
Comprimento
3,605m
3,679m
Largura
1,645m
1,579m
Altura
1,504m
1,478m
Entre eixos
2,421m
2,422m
Peso
médios   900 kg
projetados   800 kg

Motor será novo. Indiano se desloca com 800 cm3 de cilindrada. Aqui as distâncias continentais e os compradores exigem maior rendimento. Assim, por razões fiscais, arranhará os 1.000 cm3 deslocados em três cilindros, duplo comando com 12 válvulas, bloco, carter e cabeçote em alumínio.
Diferenças

Fonte acreditada diz, apesar de ser produto da Aliança Renault-Nissan, nada aproveita ao recém apresentado Nissan Kicks. A plataforma é de nova geração, e o motor, dito SCe, de projeto posterior ao trazido do México para o Nissan.
Projeto mais recente, apesar de genericamente assemelhados em material, número de cilindros e deslocamento, sendo geração mais evoluída deve oferecer mais potência, torque e menor consumo relativamente ao motor 1.0 aqui aplicados nos Nissan March e Versa, com 77 cv e 10 m.kgf de torque.

Novidade no cenário, aclarado pela mesma fonte, respeita à motorização: serão Renault. Marca irá substituir os atuais motores 1,0 e 1,6 por outros de tecnologia atualizada, e desta forma, quando a Nissan iniciar produzir o Kicks brasileiro trocará os motores pelos novos Renault. Ossatura mecânica quase padrão: suspensão frontal Mc Pherson, traseira por eixo torcional; câmbio mecânico de 5 velocidades. Freios a discos frontais e por tambor no eixo posterior.

Lançamento sem pressa. Apresentação no Salão do Automóvel, 10 a 20.novembro, e expectativa de vende-lo sob pressão de demanda para garantir volume e fluxo de vendas como o principal produto da empresa – hoje é o Sandero. Com a mudança de Governo, há esperanças de estabilização, e consequentemente a confiança fará crescer vendas. Resultados inicialmente mensuráveis pelas medidas para acertar a economia, daqui a uns 60 dias.

Dúvida a ser respondida pelo mercado é o convívio entre Kwid e Clio, o mais barato dos Renault, dependerá de preço. Não haverá disputa de espaço industrial. O Clio é feito na Argentina e o Kwid será paranaense.

De novo, Araxá, o pico do antigomobilismo
Próximo e longo final de semana, dias 25 a 29, incluindo o feriado de Corpus Christi, o XXII Encontro Nacional de Automóveis Antigos na estância termal de Araxá, Triângulo Mineiro. A disposição dos veículos à frente do monumental Grande Hotel é espetáculo cênico.

Mais refinado destes eventos, marca-se pela qualidade e raridade dos veículos expostos. Dentre as atrações do evento, alguns automóveis pouco conhecidos, como o anteriormente desaparecido e ora restaurado Packard com carroceria especial da francesa Sautchik produzido em 1931; raro e extenso Lincoln Coupé com motor V 12, carroceria especial Le Baron, de 1936; raridade dentre os Rolls-Royce, Phanton V de 1965 do colecionador de Mercedes Nelson Rigotto, e ampla coleção de Porsches do paulista Sérgio Magalhães, com ênfase nos modelos 356; e grupo de Alfas comandado pelo Alfa Romeo Club/MG, e no grupo duas estrelas raras, os modelos 33 e Alfetta.

Insólito, o único exemplar no Brasil de Vanden Plas – a grosso modo dito o Rolls-Royce da Jaguar. Marca é paralela à Daimler (a da Jaguar, não a ligada à Mercedes-Benz) e se distingue pelos refinamentos mecânicos, como a suspensão hidro pneumática, e de decoração. Epicurismo vai ao ponto de mãos e braços dos usuários não tocar em plástico ou vinil, mas apenas em madeira raiz de nogueira e couro Connolly. Este, considerado o mais fino do mundo, provém de gado suíço Fleckvieh, criado especialmente para fornecê-lo. Tapetes em pelos longos de carneiro, e bancos em forma de poltrona para quatro ocupantes.

Atração paralela, a ser apresentado como Barn Find, termo universal para carros encontrados em galpão. No caso, um Lancia Asturia, do pós II Guerra, resgatado à coleção do pioneiro antigomobilista Angelo Bonomi, e levado pelos paulistanos irmãos Marx, agitados no meio. Maurício, um dos Marx, pilotará a parte histórica do leilão.

Otávio Carvalho, um dos organizadores, acredita, a importância do evento releva a crise de imobilidade do país. Informação se baseia no fato de 10 dias antes do evento, 300 veículos ter sido inscritos. A capacidade, sempre selecionando os melhores, é pouco superior a este número.

Neste ano a Mercedes-Benz será co patrocinadora, projetando-se um núcleo de estelar – sem trocadilho - qualidade a representantes da marca.

E sorteio de passagem aos expositores para ida à Autoclasica, Buenos Aires, outubro, maior evento do segmento na América do Sul.No evento, feira de peças e acessórios, e o único leilão de veículos antigos

Roda-a-Roda
Fila – Abriu-se lista de encomendas para o novo Giulia, da ressurgente Alfa Romeo. Principia com a First Edition, assim rotulada para dar mais charme à novidade. Versões Giulia, Super, Business, Business Sport e a Quadrifoglio, com mais de 500 cv. Tema, a emoção volta à estrada. E vero. Sem previsão de vinda ao Brasil.

Bom gosto – Início da aragem de abertura em Cuba permitiu feito importante para a Mercedes-Benz. Delegação comercial foi à ilha e vendeu 199 unidades de automóveis da marca: 135 Classe C 200 e 64 Classe E 200 CGI, nova geração lá estreando. Serão utilizados em turismo e locação.

Cinquentão – Motor boxer da Subaru festeja 50 anos de produção. Bom em potência, torque, consumo e equilíbrio, colocação baixa, alinha o virabrequim com o eixo de engrenagens da caixa de marchas e, com a tração nas quatro rodas, distribuindo forças igualmente, tem resultado de excepcional estabilidade, equilíbrio e reduzido gastos em pneus.

Mais – Atualmente a configuração Boxer, de cilindros horizontais e contrapostos, é utilizada apenas por Porsche e Subaru. Dela é o único diesel Boxer. A corporação Fuji, de amplo espectro, produzindo de navios a aviões, adotará o nome Subaru, de expressão mundial.

Ocasião – Única dentre as dezenas de marcas de veículos operando no Brasil a se manifestar saudando o novo governo federal foi a Kia – a importadora de maiores perdas volumétricas no mercado.

Na veia - Domingo passado, anúncio de página dupla nos jornais paulistanos – com certeza lidos pelo Presidente Temer – e página inteira nos das maiores capitais. Mensagem no tema do discurso de posse: trabalho. Kia e importadores precisam abrir necessário e democrático canal de diálogo com o governo.

Foco – Governos anteriores tinham muita intimidade com a CAOA Montadora, vendedora de Hyundais, concorrentes diretos da Kia. Assim não havia diálogo e a imposição do programa Inovar-Auto segregou os carros importados e não os utilizou como parâmetro de conteúdo e preço para o consumidor.

Dança – A intimidade entre os ex ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel e Mauro Borges com a CAOA Montadora, é descrita pela Operação Acrônimo, e dentre os acusados, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, o dr CAOA, dono do negócio, e Antônio Maciel Neto, presidente.

Ciclo – Passou o general Adelbert de Queiroz, 93. Ex-diretor da Mercedes, e último remanescente da pioneira turma de engenheiros automobilísticos formados pela ETE, a Escola Técnica do Exército, no distante 1955.

Insólito -Incrível iniciativa, formar engenheiros de automóveis em país onde meia dúzia de empresas apenas agregava partes importadas das matrizes. Coisas do Brasil, um sonho para o futuro.

Importância – Entretanto, com a chegada da indústria automobilística, quase todos os formandos foram contratados como interface com gentes com outras formações e informações, necessitados de conhecimento do tema, e da ordem dos fundamentos militares.

Desafio - Fazer o correto, a tempo, dar exemplo e colocar ordem na multi variada feição da mão de obra sem vivência ou experiência, integram o desafio de construir carros sem existir auto peças. Mais, ajudar viabilizar o sonho nacionalista de implantar a indústria da mobilidade no país.

Nacionalidade – Todas as fabricantes tinham um engenheiro militar da ETE, de fundamental importância no desenvolver fornecedores, ante a dificuldade monumental de cumprir índices de nacionalização em apenas três anos.

Base – Muitas pequenas oficinas e fundições receberam visão de negócios, orientações técnicas, funcionais, de lay out operacional para dar um salto: deixar, por exemplo, de ser torneiro para ser fornecedor de auto peças.

Queiroz – Foi contratado pela Mercedes nos primeiros anos e, com a Revolução em 1964, quase todos os ex-ETE se transformaram em diretores, ampliando funções para incluir o relacionamento com os colegas militares exercendo comando, burocracia do país, e falando verde-oliva.

Aula – Casual, didático, Luiz Alberto Veiga, 63, diretor de Design da Volkswagen falou a lotado e atento auditório no II Mopar, encontro de Dodges em Brasília, último final de semana. Contou casos, exibiu propostas de modelos nunca adotados, mostrou exemplos e tirou numerosas dúvidas. Larga experiência em Chrysler, VW Caminhões e de automóveis, falou por duas horas, instruiu e fez amigos.

Fé – Nem a chuva, responsável por duas transferências de data, inibiu participantes e visitantes à Expo Auto Argentino, Moreno, beiradas de Buenos Aires, domingo passado.

Encontro – É para festejar e manter vivo o orgulho pelos veículos argentinos, e neste ano comemorava meio século do Ika Torino, melhor carro do continente à época – e assim eleito na exposição, em votação popular. Foco cultural, educativo, cresce de importância a cada ano.

Gente – Richard Christian Schwarzwald, 47, carioca, engenheiro, novo diretor de qualidade da FCA – Fiat Chrysler Automobile América Latina. OOOO Larga experiência no Brasil, na Fiat SpA e amizade com o CEO da empresa. OOOO Trabalharam juntos na VW do Brasil na fase Demel e na Fiat Itália.   OOOO Fama de detalhista o precede. OOOO Rodrigo Borer, CEO do Buscapé, sítio de comparação de preços, mudança. OOOO Idêntica função no Webmotors, maior sítio de classificados de veículos do país. OOOO

Actros, o caminhão-do-patrão,
Melhor dotado em evolução, tecnologia e confortos, o Actros é chamado Caminhão-do-Patrão, um reconhecimento não apenas às suas características e conteúdo, mas ao fato de as grandes transportadoras nacionais terem começado e crescido com motoristas que se tornaram empresários. Bem dotado, o Actros é para condutores no topo da escala profissional.

Habilidades tem ganho novos operadores, e sua característica de ambientar-se às estradas permite uso em asfalto e nas vias de terra do agro negócio.

Transportadoras de referencia, como a Budel Transportes, Grupo Cereal e Lontano Transportes, passaram a utilizar o extra pesado em versão 2651, no topo da linha de produtos Mercedes-Benz, todas ligadas ao agro negócio, onde se demanda estiradas de grandes distâncias, oferecendo excelente desempenho e produtividade, aliado a elevado conforto e segurança para o motorista.

Roberto Leoncini, Vice Presidente de Vendas, trata o Actros como Gigante de Tecnologia, e explica, “o Actros foi desenvolvido para enfrentar as características das estradas brasileiras e atender ao atual perfil do transporte, o mais preparado para enfrentar qualquer percurso”. Philipp Schiemer, presidente da Mercedes no Brasil e CEO para a América Latina, conduzindo a companhia com forte dedicação a alterar os produtos a partir da indicação dos clientes, sintetiza as boas vendas em meio à pior crise já vista no setor: “As estradas falam, a Mercedes-Benz ouve.“



quarta-feira, 4 de março de 2015

Roberto Nasser - De carro por aí

Coluna 1015 - 04.03.2015 -edita@rnasser.com.br


Genebra, Salão do Futuro
Mostra anual, bem firmou-se no cenário destas ao focar pequenos construtores e buscar soluções tecnológicas. Para a imprensa é o melhor. Fácil de percorrer, num dia liquida-se a agenda. Noutro, pente fino para os pequenos expositores sem direito a agenda e lançamento oficiais. Dia de abertura, informados 10 mil jornalistas visitantes. Como no Brasil, muita gente sem sê-lo, e uma tropa de espiões chineses fotografando detalhes dos carros europeus. Um deles, com formulário à mão, respondia questões mandadas da China para análise pontual de cada veículo de interesse. Chineses são peculiares – sem o menor senso de noção. Muitas presenças, CEOs de indústrias, mas Simonetta Sommaruga, presidente da Confederação Helvética, não foi, causando arrepio político.

Em tecnologia, a de maior impacto foi a da nanoflowcell. 

Corporificada em dois veículos, um Sport Limousine, quatro portas bem disfarçadas, baixa altura de esportivo, e outro, o QUANTiNO, tamanho de VW Fox, também baixo, quatro lugares. O esportivo tem 800 km de autonomia, o menor, mais de 1.000.

Não vendem produto, mas tecnologia. Elétricos, sem baterias de lítio, extremamente caras, de caótico e poluente processo produtivo, nem células de combustível, transformando hidrogênio. Faz coisa simples: dois tanques, um com líquido de carga positiva, outro negativa ao se encontrar reagem gerando energia, armazenada por baterias e transferidas às quatro rodas. 

O sistema é mais simples e o maior peso dos tanques é compensado pela potência superior e pela economia de partes no motor. Nunzio La Vecchia, chefe técnico, diz-se aberto a negociações. Revolucionária tecnologia é aplicável a veículos em geral. Lembrou a mudança operada pelo Solar Impulse, avião movido a energia solar.

Caminho inverso, em tempos de busca por alternativas energéticas e aplicação de conectividade aos veículos, Dieter Zetsche, da Mercedes, disse não se preocupar – ao contrário de outras indústrias –, com as ações da Google e da Apple para construir automóveis. Foi ao óbvio, dizendo ter tecnologia para fazer a parte rolante dos automóveis e fornecer aos industriais das telecomunicações. Automóvel tende a virar iPhone com rodas...

Em negócios Sergio Marchionne, no. 1 da FCA, anunciou estudar fusão com outra marca - exceto Volkswagen. Mercado acredita em Suzuki ou, em especial Honda, vivendo problemas facilitadores a negócios.

Maioria dos veículos se orgulha de consumos baixos – esportivo mais de 10 km/litro, híbridos em torno de 50 km/l, poluindo pouco. Um dos caminhos é a redução de peso, e por isto Porsche se associou à sua fornecedora de fibra de carbono Capricorn Composite. Exibiu atração maior, o Cayman GT4, motor seis cilindros contrapostos, 380 cv. É o Porsche de melhor comportamento.

Fonte da empresa confirmou informação da Coluna. Marca terá escritório no Brasil para importação e representação. Hoje importador é distribuidor.

Bentley, inglesa conduzida pela VW, terá SUV extra luxuoso, o Bentayga, à venda em 2016, e fará super esportivo para concorrer no topo do mercado com Ferrari e Aston Martin. Fabricantes investem nos segmentos de maior demanda, como os utilitários esportivos, e em superesportivos, de larga rentabilidade. Para este, plataforma fornecida pela Porsche, também sob a árvore da VW.

Frustração, Christian, neto de Carl Borgward, industrial criador da marca, das maiores da Alemanha nos anos ’50, anunciou lançar veículo revivendo-a meio século pós fechamento. Não o fez, apenas a logo, releitura da original e avisou ter o automóvel na mostra de Frankfurt, em setembro. Fruto do imponderável, a proposta de sedã pela Italdesign/Giugiaro não chegou ao Salão para ser exposto: amassou a traseira no transporte, foi reparado e chegou 24h atrasado.

Novo protótipo utilitário esportivo Infiniti QX 30, com possível lançamento ao mesmo Salão de Frankfurt. Curioso é basear-se em plataforma Mercedes CLA/GLA e utilizar motor do sedã C 200, dois litros e turbo.

Brasil
Muitas novidades, poucas a migrar ao Brasil. De importados, o SsagnYong Tivoli, SAV pequeno, motor 1.6 de 126 cv, novo caminho da marca. Na Mitshubishi, novo picape L200 Triton. Honda exibiu o Civic Type R e reapresentou o esportivo NSX, a ser trazido ao Brasil. É evolução do original, da década de ’90, conceito sugerido por Ayrton Senna: carro forte, mas de reações adequadas ao motorista e prazer ao dirigir. Motor V6, bi turbo, longitudinal central traseiro, e abusa da eletricidade – na direção, dois motores, um para cada roda, filtram tração e precisão na direção. É híbrido.
O Civic R emprega L4 2.0 injetados e com turbo: faz 310 cv e tração dianteira.

De maior interesse, o alemão Opel Viva, motor 1.0 de três cilindros. Virão ao Brasil, motor será produzido em Joinville, SC. Desta turma é o mais avançado até o momento, com eixo contra rotante dentro do carter de óleo para anular as vibrações naturais do número ímpar de cilindros. É o Projeto Phoenix, substituto do Celta, a ser feito na Argentina. Praça natural seria São José dos Campos, SP, mas a sequência de abrasões entre a fabricante e o sindicato dos metalúrgicos local, interrompendo produção, forçou o gradual sair do município.

Roda-a-Roda

Do Ano - Volkswagen Passat foi escolhido Carro do Ano para Europa, a láurea das mais desejadas pelos fabricantes.

Futuro – Também exibiu o Sport Coupé, releitura do CC. Elegante mescla de hatch, cupê e sedã. É conceito mas será produzido.

Reação – Providências de lançamento do Jeep Renegade, 4/4, e do Honda HR-V aos 9/4 fez Renault correr a apresentar o Duster com mudanças na frente e grupo óptico. Ford, líder no setor, dotará EcoSport com grupo motor/transmissão do Fiesta.

Conjuntura – No cenário de queda de vendas, a VW cancelou o projeto do Taigun, o menor SAV da marca, a ser construído sobre a plataforma do up!.

Quanto – Nissan anuncia preços antes de lançar o veículo. Caso do Versa, três volumes sobre plataforma do March. De R$ 41.990 para 1.0 simplificado a R$ 54.990 a 1.6 equipado.

Retífica RN – Leitor Ricardo Lima alerta: Coluna  passada se enganou. Em nota sobre mudança de CEO mundial. Takanobu Ito, saindo, e Takahiro Hakahiro, assumindo, são da Honda.

Gente – Leandro Teixeira, 32, administrador pela FGV, mudança. OOOO Após Unilever, Pepsico e Ambev, diretor de marketing e RP na Volvo Cars.OOOO Pedreira. Sem fábrica ou projeto no Brasil, os carros Volvo pagam 35% de imposto de importação e IPI + 30 pontos. OOOO Suzana Vieira, jornalista, mesa nova. OOOO Deixou a da Volkswagen, agora senta na Mercedes, também assessoria de imprensa. OOOO Boa conquista. OOOO

E o automóvel começou por mãos femininas
Visões machistas separam os automóveis e a mulheres. Dizem-nas sem compromisso com o uso, desconhecedoras do funcionamento. Entretanto, e talvez pelo desconhecimento e inexistência de tal preconceito ao final do Século XIX, é bom lembrar nestes dias de comemoração às mulheres que, se Dona Berta Benz tão tivesse praticado, cometido, o ato de independência: fazer, dirigindo, a primeira viagem de automóvel, a história do objeto mais importante do Século XX teria sido diferente.

Foi assim. Dona Berta era casada com Karl Frederich Benz, engenheiro, produtor de motores a gás, e tenaz perseguidor da ideia de fazer carruagens com motor. Conseguiu, patenteou, mas as reações da população, prefeitura e polícia de Manhein contra o funcionar da máquina, assustando animais e pessoas com seu barulho e fumaça, proibiram-na de circular. O objeto do sonho e orgulho pela invenção, foi imobilizado pela ignorância.

A invenção de Benz, o primeiro registro de patente para veículo a motor, poderia ter-se perdido por abandono na cocheira da família, não fosse Dona Berta, então aos 33 anos naquela nascer do amanhã em agosto de 1888. Difícil ver o sonho de toda a família e o produto de tanta dedicação encostado na cocheira. O Patent Motor Wagen estava ali, em semi abandono, há quase três anos. Decidiu-se ir à casa de seus pais, em Pforzheim, a distantes 120 km, via Floresta Negra.

Ao nascer a manhã com dois de seus quatro filhos, Eugen, 15, e Richard, 13, tiraram o pioneiro veículo da cocheira e o empurraram a distância segura, evitando o ruído do funcionar do motor não acordasse o patriarca Benz. Os três puxaram com vigor a grande polia horizontal, fazendo o motor funcionar. Da. Berta e os pequenos Benz iniciaram a primeira viagem em veículo movido por motor de combustão interna. O efeito demonstração aos pais, sempre socorrendo a sobrevivência dos Benz, virou história.

A viagem
A charrete sem varais e sem cavalo, com uma roda dianteira comandada por haste metálica, leve, estrutura metálica e rodas raiadas como bicicletas, era equipada com pequeno motor monocilíndrico, 900 cm3 e 3 de hp, pesando 96 kg. Em conta simples, deslocar seu peso acrescido de Da. Berta, Eugen e Richard, equivaleria a grosso modo, e para se manter na consequência desta viagem, mover um grande caminhão Mercedes com um motorzinho do Smart.

Embicaram a Pforzheim. A viagem, na linguagem popular seria um cala-boca, aos pais, financiadores sempre críticos, polícia e das pessoas contrárias ao transporte sem tração a sangue ou vapor.E mostrar, a invenção do engenheiro Benz, daria autonomia superior a cavalos e charretes.

Na prática foi mais: teste e oportunidade a novos negócios e instituições. Descobriram, por exemplo, ser o motorzinho fraco. Nas subidas, após Heildelberg, com Richard ao comando da direção e da alavanca comandando a cinta de transmissão, Da. Berta e Richard empurravam. Outro desenvolvimento foi aumentar a capacidade do sistema de refrigeração. O Patent exigia completar água a cada 20 km. Idem para o sistema de freio, mecânico, por abrasão. Dona Berta pediu a um sapateiro para revesti-la em couro, melhorando a eficiência. Percebeu-se, também, a necessidade de lugares para vender o combustível Ligroin, um limpador doméstico vendido em farmácias – todo farmacêutico seria, em futuro próximo, o dono do posto de gasolina...

A corrente de bicicleta colocada como transmissora de movimento, mostrou-se fraca. Quebrada, exigiu caminhada dos meninos a um ferreiro refazer um elo. Era o primeiro mecânico de estrada, capaz de improvisar.

Outro tropeço, o motor morre e descobre-se não passar Ligroin pelo arremedo de carburador, permeando um ajuntamento de fibras. Dona Berta resolveu com o alfinete do chapéu, e logo usou uma liga das meias para a função de mola.

À noite, descendo o morro, a barulhenta novidade foi interceptada pela Polícia, mas acompanhou-os ao Correio, aberto para passar um telegrama tranquilizador a Benz, e à casa da família. 

No total, ida e volta foram 194 km, e hoje a estrada, em reverência, se chama Berta Benz Memorial Route.

Depois
O efeito-demonstração obteve larga cobertura jornalística no percurso, e necessário resultado. Era um meio de transporte, fácil de conduzir – uma senhora poderia faze-lo –, era útil, ia muito mais longe que cavalos e charretes.
Benz focou melhor o negócio e aproveitou as observações dos pilotos de teste. 

Um mês depois tinha pronto outro automóvel para a Exposição de Máquinas e Motores de Força e Trabalho, em Munique. Pela insólita invenção volta para casa com a Grande Medalha de Ouro e encomendas. Começou aí. O resto, você sabe. Ou, se quiser desprezar todas as consequências paralelas ao ato, incluindo o desenvolvimento tecnológico levando à criação do avião e das experiências interplanetárias, forçosamente chegará a outra via, óbvia e simplória: nada como somar uma mulher peituda, dois meninos em férias com a criação de um engenheiro brilhante e obter resultado nunca imaginado, a entrada em uma nova era.