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terça-feira, 19 de junho de 2018

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

Wagner Gonzalez

Eric Bouiller e Zak Brown podem perder lugar para Martin Withmarsh

A possibilidade de a McLaren sofrer nova reviravolta interna ganhou corpo ontem (18) quando o nome de Martin Withmarsh começou a circular como possível substituto de Eric Bouiller e Zak Brown. De acordo com o site grandprix.com o inglês, que gerenciou a operação de F-1 na marca por cerca de 25 anos, teria sido procurado por um grupo de engenheiros da McLaren para voltar à equipe e trabalhar para recolocá-la entre as grandes. Withmarsh, que antes da McLaren foi executivo da British Aerospace, admitiu que a aproximação aconteceu e que o assunto progrediu:

"Algumas pessoas sugeriram me enviar uma carta pedindo que eu voltasse. Eu respondi que o destinatário dessa carta deveria ser Mansur Ojjeh (executivo maior do grupo McLaren), a quem já expliquei minha visão sobre a situação, onde vejo que alguns nomes devem partir. Agora cabe a ele e aos acionistas decidirem o que fazer.”

Não é necessário ler nas entrelinhas que a gestão de Eric Bouiller à frente do time e a política de Zak Brown em levar a McLaren para disputar outras categorias (como a F-Indy e a Endurance) em paralelo estão diluindo a capacidade do time, até então focado exclusivamente na F-1. 

Bouiller é considerado um homem com temperamento difícil e a recente demissão de Tim Goss teria sido a gota d’água para a rebelião interna. Zak Brwon, por seu lado, tem uma filosofia de trabalho praticamente avessa à escola de Ron Dennis, que ficou famoso pela maneira contida com que se relacionava com a imprensa e pelo seu linguajar empolado, o famoso “Ron Speak” (Discurso do Ron). Há anos a equipe não vence uma prova, não vê um piloto no pódio e está sem um patrocinador principal, algo ainda hoje inconcebível para uma das maiores vencedoras da história da F-1.

Na Red Bull sai Renault, entra Honda
No próximo fim de semana, quando o circuito de Paul Ricard e o GP da França retornam ao calendário da categoria, a decisão da Red Bull interromper 12 anos de aliança com a Renault será outro assunto bastante comentado. Com essa mudança a maior beneficiada será exatamente a McLaren, que se tornaria o principal cliente da Renault no ano que vem.

Le Mans: Toyota ganhou, Negrão herdou
A corrida dura 24 horas, mas a preparação se arrasta por cerca de um ano e o resultado da pista nem sempre resiste ao dia seguinte. Na edição 2018 das 24 Horas de Le Mans a Toyota que lhe escapou por anos a fio e a equipe G-Drive Racing foi desclassificada da vitória na classe LMP2. Com isso o brasileiro Guto Negrão foi declarado vencedor já que ele e seus companheiros Nicolas Lapierre e Pierre Thiriet terminaram em segundo na classe.

Se para a Toyota e, particularmente Fernando Alonso, foi o primeiro triunfo na clássica prova francesa, para o Brasil foi a segunda vitória: no ano passado Daniel Serra venceu na classe LMGTE Pro, com Daniel Serra (Aston Martin Vantage GTE).

O Signatech-Alpine-Gibson do brasileiro André Negrão, vencedor na categoria LMP2 (Alpine)

A conquista veio após a verificação técnica realizada ontem e que apontou alterações no sistema de reabastecimento no Oreca-Gibson do trio Roman Rusinov/Andrea Pizzitola/Jean-Eric Vergne. A equipe russa já anunciou que vai recorrer da desclassificação dentro do prazo regulamentar de 96 definido pelo Automobile Club de l’Ouest para apresentar seu apelo. Dessa forma o resultado da prova mantém o caráter provisório até a próxima quinta-feira.

Ganhador na categoria LMGTE Pro derrotou Aston Martin, BMW, Corvette, Ferrari e Ford GT (ACO)

Se a Toyota dominou a competição sem sustos ou imprevistos, a vitória da Porsche nas classes LMGT Pro (Michel Christensen/Kevin Estre/Laurens Vanthoor) e AM (Matt Campbel/Christian Ried/Julien Andlauer) foi das mais disputadas. Na classe Pro chegou a surpreender o ritmo da prova: ainda na primeira meia hora de prova um Ford GT, uma Ferrari, dois Porsches, um Corvette, um BMW M8 e um Aston Martin disputavam roda a roda como se não houvesse uma curva até a bandeirada de chegada. Sem dúvida, uma amostra do que deve e pode ser a receita para colocar o Mundial de Endurance no seu devido lugar.

O resultado completo das 24 Horas de Le Mans você encontra clicando aqui.

Enzo Fittipaldi, novo líder do Campeonato Italiano de F-1 ( Italia F4)
Depois de um fim de semana pouco produtivo e marcado por acidentes na etapa de Monza, Enzo Fittipaldi recuperou-se com categoria e simplesmente dominou a quarta rodada do Campeonato Italiano de F-4. Enzo iniciou o fim de semana em terceiro lugar e 103 pontos no torneio, atrás de Leonardo Lorandi (143) e Olli Caldwell (120) mas com três vitórias nas provas disputadas no fim de semana em Misano, deixou a pista situada à beira do mar Adriático como novo líder, um ponto à frente de Lorandi (177). Ainda restam três rodadas para definir o título, a próxima delas dua 29 de julho , em Imola.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

McLAREN: REI MORTO, REI POSTO


Afastado da presidência da McLaren há poucos dias, Ron Dennis já foi substituído por Zak Brown.

Empresa confirmou que houve negociações com a Apple, algo até então negado. Rei morto, rei posto…



O mundo da F-1, em particular a McLaren especificamente, acaba de demonstrar que é uma atividade tão mundana quanto qualquer outra onde o dinheiro é a mola-mestra. Ou seja, como praticamente qualquer outra atividade humana. Semana passada o empresário Mansour Ojjeh e o fundo de investimentos barenita Mumtalakat usaram os 75% de ações em seu poder para afastar Ron Dennis do comando executivo do grupo. Ontem (21/9) foi anunciado que o americano Zak Brown assumirá o posto de diretor-executivo do Grupo Tecnológico McLaren e parte significativa das atribuições até então a cargo do inglês no organograma da operação. O informe  ocorreu praticamente ao mesmo tempo que Mike Flewitt, executivo-chefe da McLaren Automotive, admitiu que houve negociações com a Apple, informação que circulou em setembro e que até então havia sido negada pela empresa:

“Eles vieram, conheceram a fábrica e nós conversamos, mas não houve nenhuma proposta formal,” foi a declaração de Flewitt a jornais ingleses. Flewitt lembrou Bill Clinton quando admitiu que fumou maconha… mas não tragou.

A leitura desses dois episódios mostra que os acionistas majoritários Ojjeh (que detém 25% das ações do Grupo McLaren) e o fundo Mumtalakat (detentor de 50%) estão dispostos a manter Dennis cada vez mais afastado da empresa, que atua no segmento de carros esportivos de luxo e desempenho, eletrônica e serviços industriais de alta tecnologia. 

O destino de Dennis, que detém os restantes 25% das ações, ainda é incerto, mas a julgar pelos últimos acontecimentos é pouco provável que haja uma reconciliação com seus sócios. Afinal, o site do fundo deixa claro a premissa de seus investimentos: “alinhamento sólido de interesses entre a companhia e seus acionistas.” Resta saber como será sua participação na empresa, cujo faturamento anual está em torno de US$ 1 bilhão.

Que ninguém espere ver Ron Dennis se dedicando a cuidar do jardim ou pescar salmão, hobbies típicos de aposentados britânicos…

Não bastasse o movimento na McLaren, o automobilismo inglês foi sacudido pela notícia que um consórcio russo está em negociações avançadas para adquirir o circuito de Silverstone, cujo leasing está em poder do British Racing Drivers Club, o BRDC. Apesar de extremamente movimentado dentro e fora das pistas — o local abriga várias empresas voltadas ao automobilismo de competição e aviação civil — aparentemente o resultado dos últimos cinco anos aponta o prejuízo de £ 55,2 milhões (R$ 230 milhões). Nos últimos meses a Jaguar Land Rover e os empresários Lawrence Tomlinson (dono da  Ginetta e várias outras empresas) e Jonathan Palmer (ex-piloto de F-1) fizeram ofertas que, por motivos diversos, não prosperaram. No caso da Jaguar Land Rover o empecilho foi o fato de a Porsche manter uma pista de testes no antigo aeródromo de Northamptonshire.

F-1 em fim de temporada
O GP de Abu Dhabi, neste domingo, encerra a temporada 2016 da categoria em grande estilo, cortesia da disputa entre os dois pilotos da equipe Mercedes: Nico Rosberg (líder com 367 pontos) e Lewis Hamilton (355). As combinações mais simples para definir o novo campeão indicam que um terceiro lugar garante o título ao alemão, enquanto o inglês precisa vencer e torcer para seu adversário termine no máximo em quarto.

A corrida de Yas Marina terá 55 voltas pelo circuito de 5.554 metros, traçado famoso pelo asfalto liso e relativamente pouco abrasivo e que exige 75 trocas de marcha a cada giro. O desenho destaca curvas rápidas, o que equivale a usar o motor em regime máximo em 56% do tempo de cada volta. O recorde atual, registrado em 2009 por Sebastian Vettel, é de 1’40”279 e logo após o ponto de velocidade mais alta (cerca de 340 km/h no final da reta principal) é preciso reduzir para primeira marcha antes de fazer a curva mais fechada do circuito, pouco antes do segundo trecho onde é permitido o uso da asa móvel.

Felipe Massa faz sua última largada na categoria e Felipe Nasr faz sua última prova com o apoio do Banco do Brasil: a instituição financeira governamental não renovou seu apoio e o brasiliense fica em situação mais complicada para prosseguir na categoria. Ontem a Sauber confirmou a renovação do contrato de Marcus Ericsson por mais uma temporada; segundo o mesmo comunicado, “o segundo piloto será anunciado oportunamente”.

Audi sai pelo pódio mais alto
A Audi se despediu do Campeonato Mundial de Resistência (WEC) com uma dobradinha na 6 Horas do Bahrein, sábado, com o carro tripulado por Lucas di Grassi, Loïc Duval e Oliver Jarvis em primeiro e outro, comandado por Marcel Fässler, Andre Lotterer e Benoît Tréluyer em segundo. O pódio foi completado pelo Porsche de Brendon Hartley, Timo Bernhard e Mark Webber.

Os promotores da categoria anunciaram que o regulamento de motores da categoria LMP1, a mais importante do WEC, estão congeladas até dezembro de 2019, porém alterações aerodinâmicas deverão entrar em vigor após homologação que deverá acontecer na próxima reunião do Conselho Mundial do Esporte a Motor, em dezembro.

Domingo, as principais equipes do campeonato promoveram vários testes de equipamento e o brasileiro Pipo Derani marcou o terceiro tempo a bordo de um Toyota de fábrica. O mais rápido foi o americano Gustavo Menezes, que conquistou o título de pilotos na categoria LMP2 com um Renault Alpine. 

A surpresa do teste foi a participação do polonês Robert Kubica, que andou com um CLM-ERA e marcou tempos melhores que os pilotos habituais da equipe liderada por Romulus e Colin Kolles, pai e filho. Colin já esteve envolvido com seis diferentes equipes de F-1: Jordan, Midland, Spyker, Force India, HRT e Caterham.

Os melhores tempos do treino foram estes:
1) Gustavo Menezes, Porsche 919 Híbrido, 1m43,626s
2) Paul-Loup Chatin, Audi R18 e-tron, 1m43,910s
3) Pipo Derani Toyota TS050 Híbrido, 1m44,292s
4) Robert Kubica, ByKolles CLM-AER P1/01, 1m47,222s
5) Alex Lynn, Aston Martin Vantage GTE, 1m58,774s
6) Ross Gunn, AMR Aston Martin, 1m59,292s

Johnson, Petty e Earnhardt
Jimmie Johnson entrou definitivamente para a história da Nascar ao conquistar seu sétimo título de campeão da mais popular categoria de automobilismo dos Estados Unidos. Com o triunfo, obtido no último no fim de semana em Homestead, na Flórida, ele se iguala a Richard Petty e Dale Earnhardt. Ao final da temporada Johnson somou 5.040 pontos contra 5.037 de Joey Logano e 5.035 de Kyle Busch.