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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

FORD MOSTRA COMO VEÍCULOS CONECTADOS E BIG DATA PODEM EVITAR OS ACIDENTES DE TRÂNSITO NO FUTURO


O uso combinado de veículos conectados e big data permitirá, no futuro, evitar os acidentes de trânsito, identificando os locais onde eles são mais prováveis e adotando medidas preventivas. Esta é a conclusão de um estudo de dois anos realizado pela Ford na Europa, por meio da sua subsidiária Ford Mobility.

Durante um ano, especialistas em mobilidade da equipe City Insights da Ford (antes chamada City Data Solutions) registraram situações de quase-acidente, como freadas e manobras bruscas, em veículos conectados rodando em Londres. Eles também pesquisaram boletins de ocorrência para identificar os trechos das vias com maior probabilidade de acidentes.  

Para entender melhor por que certos pontos tinham um número maior de ocorrências, a Ford trabalhou com a Traffic Watch UK, empresa líder em gerenciamento de tráfego do Reino Unido, para registrar e analisar o comportamento dos motoristas, ciclistas e pedestres em oito pontos considerados críticos. 

Os principais problemas identificados foram:
Travessia de motoristas e ciclistas no sinal vermelho;
Sinais de trânsito encobertos por vegetação ou mal posicionados;
Pistas mal conservadas, incluindo tampas de bueiro rebaixadas; e
Ruas estreitas que geram conflito entre os usuários.

Agora, a Ford está compartilhando os dados da pesquisa com as autoridades locais de trânsito, mostrando que melhorias relativamente simples nas ruas e cruzamentos podem ajudar a aumentar a segurança. As sugestões incluem o uso de câmeras para evitar que motoristas passem no sinal vermelho, podar a vegetação para tornar a sinalização visível, o recapeamento de ruas, o nivelamento de bueiros e a revisão do projeto de cruzamentos para que as faixas de rodagem tenham a largura adequada.

A análise de dados em tempo real também permitirá que, no futuro, problemas como um semáforo apagado sejam resolvidos rapidamente. A Ford também trabalha com outras cidades, como Valência, na Espanha, e Colônia, na Alemanha, para identificar outras oportunidades de uso desses dados.

quarta-feira, 20 de março de 2019

TARCÍSIO DIAS em MECÂNICA ONLINE

Tecnologia digital, conectividade, dados na nuvem, Big Data e Internet das Coisas: os pilares da Indústria 4.0 na prática

Continuamos o assunto iniciado na coluna passada sobre a Indústria 4.0 e a relação entre o trabalho das máquinas e os seres humanos, na busca por soluções colaborativas. Foram duas visitas que permitiram conhecer “in-loco” a evolução da indústria brasileira no tocante a produção de veículos e caminhões.
Estive em Betim, Minas Gerais, para conhecer a evolução dos processos na busca pelo aumento da qualidade e competitividade no Polo Automotivo Fiat, destacados na coluna do dia 10 de março.

Depois foi a vez da fábrica da Mercedes-Benz para conhecer na prática a tecnologia digital, conectividade, dados na nuvem, Big Data e Internet das Coisas que já estão presentes na Linha de Cabinas na fábrica de São Bernardo do Campo, em São Paulo, que vamos abordar com mais detalhes agora.

A Indústria 4.0 nada mais é que a 4ª Revolução Industrial.]

Temos um conjunto de tecnologias que se beneficiam da redução dos limites ou barreiras entre as pessoas e os mundos digital e físico, permitindo que as máquinas e os seres humanos trabalhem e se comuniquem de maneira colaborativa, o que promove a eficiência, minimiza a ociosidade e o desperdício, além de possibilitar a criação de processos e mercados.

Ela chegou para ficar. Essas mudanças foram impulsionadas pelo acesso maciço da sociedade ao mundo digital, que passou a influenciar todos os mercados.

No contexto da Indústria 4.0, esse conjunto de tecnologias, chamadas habilitadoras, possibilita que as linhas de produção sejam ágeis e atendam o consumidor final de maneira personalizada, sem prejudicar sua produtividade.
Do ponto de vista do consumidor, a Indústria 4.0 adequa sua linha de produção para a customização em massa com bens ou produtos que atendam aos desejos e necessidades de cada consumidor, com custos semelhantes aos dos produtos não customizados e com prazo de entrega relativamente curto.

É uma nova indústria automotiva que nasce conectada a sistemas como Internet das Coisas, Realidade Aumentada, Big Data, entre outras soluções.

Outro diferencial desse modelo, agora do ponto de vista da empresa, é a rastreabilidade que possibilita acompanhar um produto, desde a fabricação até a entrega ao consumidor.

Permite, ainda, que a empresa analise o comportamento dos produtos durante o uso pelo consumidor e implemente, automaticamente, melhorias decorrentes desta análise, por meio de um processo ágil.


Os pilares da quarta revolução industrial já estão presentes na Linha de Cabinas de caminhões da fábrica da Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo (SP).

“Há pouco menos de um ano, inauguramos nesta planta a nova Linha de Montagem de Caminhões, trazendo grande impacto para o setor de veículos comerciais no País, com a implantação pioneira e efetiva de conceitos da Indústria 4.0”, ressalta Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina.

“Agora, com a Linha de Cabinas, estamos dando mais um passo histórico e decisivo, que terá continuidade, porque iremos avançar para a produção de agregados, como motores, câmbios e eixos, e também de chassis de ônibus”.

Com um novo ambiente de trabalho na produção de cabinas, a Mercedes-Benz projeta ganhos de 15% em eficiência e 20% em logística em relação a processos anteriores. Para tanto, além de tecnologias, processos e recursos avançados, a nova Indústria 4.0 que cresce cada vez mais dentro na Empresa também dedica atenção muito especial aos colaboradores.

A nova Linha de Cabinas 4.0 vem desenvolvendo e testando, por exemplo, o uso de avançadas soluções – inéditas na Empresa, na Daimler Trucks e em veículos comerciais no País – como óculos de realidade aumentada, robô colaborativo e exoesqueleto, ferramentas inovadoras para uma nova realidade nas linhas de produção. Essas tecnologias trazem ganhos importantes de ergonomia, qualidade de vida e segurança no ambiente de trabalho para os colaboradores.

“Com a nova Linha de Cabinas, seguimos entregando investimentos no Brasil, dentro do aporte de R$ 2,4 bilhões programado entre 2018 e 2022”, informa Philipp Schiemer. “Ou seja, a Mercedes-Benz segue confiando no potencial do mercado brasileiro”.

Uma nova era da interação entre homens e a tecnologia - A nova Linha de Montagem de Caminhões da Mercedes-Benz inicia uma nova era da interação entre homens e tecnologia.

Os colaboradores estão no seu comando na Indústria 4.0, assegurando altos padrões de qualidade, produtividade e flexibilidade para atendimento aos clientes.

“A Linha de Cabinas também é resultado do aprimoramento do processo ergonômico nas células de trabalho e do investimento contínuo na qualidade de vida dos colaboradores, com participação da área de Medicina e Segurança do Trabalho”, diz Carlos Santiago, vice-presidente de Operações da Mercedes-Benz do Brasil.

“Nosso foco é a evolução do ambiente de trabalho, contribuindo para o desenvolvimento das equipes”.

O diversificado universo de equipamentos, ferramentas e tecnologias de última geração está totalmente conectado na atual Linha de Cabinas. A alta tecnologia aplicada por toda linha permite disponibilizar dados em tempo real para diversas áreas da fábrica.

Um App permite acompanhar 100% da produção pelo celular e de qualquer lugar. Essa ferramenta tem interface com a planta de Juiz de Fora (MG), em que ocorre a pintura das cabinas, e com diversas áreas de São Bernardo do Campo.
Dados gerados por equipamentos como as apertadeiras eletrônicas, robôs e AGVs (Automatic Guided Vehicle ou Veículo Guiado Automaticamente) são armazenados em um Data Lake e alimentam sistemas de inteligência artificial e Big Data.

Utilizando recursos de Analytics, pode-se monitorar a qualidade de todos os produtos, detectar falhas e até fazer uma correlação com as informações de Vendas, flexibilizando o mix de produção.

Realidade aumentada é pioneira na produção de caminhões - O uso da realidade aumentada é uma iniciativa pioneira na Mercedes-Benz do Brasil e na Daimler Trucks.

Com testes ao longo de 2018, está sendo utilizada, a partir deste ano, no início do processo de montagem inferior da cabina para manutenção preventiva.

O óculos de Realidade Aumentada possibilita visualizar imagens com parâmetros e informações dos sensores de um determinado equipamento ou do processo produtivo.

Permite ao operador ou inspetor que atue de forma rápida e com as mãos livres, tendo o suporte de áudio, vídeo e outros documentos que auxiliam o processo de manutenção, garantindo redução no tempo de atendimento e qualidade na execução da tarefa.

Robô auxilia os operadores em ações repetitivas - O robô colaborativo trabalha em total sintonia com os operadores, aliviando esforços em atividades repetitivas, contribuindo para maior assertividade e qualidade. Na Mercedes-Benz do Brasil, o primeiro robô colaborativo atua na montagem da chave geral do caminhão.

De braço duplo e mãos flexíveis, o robô colaborativo manuseia qualquer objeto, com alto nível de precisão. Graças a seu design compacto e ao controle preciso, não exige barreiras, gaiolas ou grades para utilização, nem zonas restritas de uso, garantindo a segurança dos colaboradores e das pessoas à sua volta.

Exoesqueleto, novidade que privilegia a ergonomia dos colaboradores - Agregando mais novidades à Linha de Cabinas, o exoesqueleto é uma evolução do posto de trabalho com foco na ergonomia, saúde ocupacional e segurança para os colaboradores.

Já são mais de três meses de estudos e testes, realizados em parceria com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – Poli-USP em um laboratório montado dentro da própria Empresa. Esta solução moderna e avançada é inédita na montagem de cabinas no País e na Mercedes-Benz do Brasil.

O exoesqueleto é uma estrutura de suporte ao colaborador projetada ergonomicamente para ajudar nas realizações de movimentos repetitivos. Conforme o modelo, pode diminuir esforços nos ombros, coluna, quadril e pernas. Não aumenta a força do colaborador, mas reduz a fadiga muscular e o risco de lesões.

https://youtu.be/kYLG5eXNh5I
Tecnologias avançadas ganham evidência na nova Linha de Cabinas
· AGV (Automatic Guided Vehicle ou Veículo Guiado Automaticamente)
· AIV (Autonomous Intelligent Vehicle ou Veículo Autônomo Inteligente)
· Transelevadores
· EOM (Electrical Overhead Monorail), sistema de transporte aéreo
· Elevadores automáticos
· Célula robotizada
· Novas botoeiras
· Monitores touch screen de tela ampla.


Coluna Mecânica Online® - Aborda aspectos de manutenção, tecnologias e inovações mecânicas nos transportes em geral. Menção honrosa na categoria internet do 7º Prêmio SAE Brasil de Jornalismo, promovido pela Sociedade de Engenheiros da Mobilidade. Distribuída gratuitamente todos os dias 10, 20 e 30 do mês.
http://mecanicaonline.com.br/wordpress/category/colunistas/tarcisio_dias/

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

FORD MOSTRA COMO O “BIG DATA” PODE AJUDAR A MELHORAR O TRÂNSITO NO FUTURO



A Ford apresentou um estudo que mostra como o “big data” (análise de grande volume de dados) pode ajudar as cidades a identificar os locais mais sujeitos a futuros acidentes de trânsito e adotar medidas para preveni-los. A pesquisa realizada pela Ford Smart Mobility registrou o comportamento de veículos e motoristas durante um ano em Londres e arredores, totalizando 1 milhão de quilômetros.

A empresa rastreou os veículos na cidade e coletou dados detalhados de direção, incluindo a frequência e intensidade das frenagens e acionamento das luzes de emergência para identificar os “quase acidentes”. Essa informação então foi cruzada com os registros de acidentes, o que permitiu a criação de um algoritmo para determinar a probabilidade de ocorrência de acidentes futuros.

O relatório “Ford City Data Report” usou dados de 160 vans conectadas que rodaram mais de 15.000 dias na cidade, com o consentimento dos participantes. A frota percorreu mais de 1 milhão de quilômetros, o equivalente a 20 voltas ao redor da Terra, e gerou 500 milhões de apontamentos.

Cada veículo foi equipado com um dispositivo que registrava os dados da viagem e depois os enviava à nuvem para análise de especialistas. O relatório também investigou outras oportunidades, como se a programação das vans no início do dia, antes dos horários de pico, poderia beneficiar os usuários e os melhores pontos para recarga de veículos elétricos.

“Esse relatório é uma demonstração de como a Ford pode utilizar os dados de veículos conectados, da infraestrutura inteligente e recursos analíticos para resolver problemas coletivamente e tornar as cidades lugares melhores para se viver e trabalhar”, diz Sarah-Jayne Williams, diretora da Ford Smart Mobility na Ford Europa.

A Ford entende que qualquer solução baseada em dados depende da disposição dos motoristas em compartilhá-los, mas os consumidores se tornam mais abertos a apoiar essas iniciativas quando há um benefício claro. O relatório completo com animações, vídeos e entrevistas em inglês está disponível em citydatareport.fordmedia.eu. 

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Fernando Calmon - Alta Roda - Conectividade gera valor

Alta Roda nº 974/324 30– 0414 023– 0oda nº852/0111508– 2oda nº851/2018

Fernando Calmon
Há grandes interesses ligados à conectividade de veículos. Correlação de dados em tempo real entre carros, seus usuários e o meio ambiente vão se transformar em novos negócios para toda a cadeia automobilística. Nos últimos três anos cresceu significativamente o número de carros conectados nas estradas: mais de 5,5 milhões no mundo e cada um deles gera 25 GB de dados por dia.


Esse valioso volume de informações não se restringe ao veículo, sua rota, velocidade, desgaste de peças e componentes, mas também a fatores externos como o ambiente em torno e as condições do tempo. Esse conjunto conhecido como “Big Data” vai trazer alternativas reais aos negócios do setor. 

A prioridade atual dos fabricantes é direcionar a aquisição de dados para aumentar a segurança. Ninguém, porém, desconhece a possibilidade de que possam ser correlacionados e utilizados de forma a melhorar o relacionamento com os clientes. Por outro lado, a cadeia de serviços em que se incluem as concessionárias terão novas oportunidades de aumentar seu faturamento no mercado de pós-venda. 

O faturamento mundial da indústria automobilística é de aproximadamente US$ 3,5 trilhões (R$ 11 trilhões) por ano, dos quais 80% vêm das vendas de veículos e 20% de serviços de manutenção (aftermarket). Segundo o site inglês Just-Auto, a crescente aceitação de automóveis conectados, semiautônomos e, em futuro mais distante, autônomos se transformará em novas receitas para o setor. Especialistas chamam essa fonte de “monetização de dados”. 

Alguns analistas consideram que se trata de um segmento à parte, com valor próprio estimado em US$ 1 trilhão nos próximos 10 anos. Esse novo modelo de negócio colocará foco em todos os aspectos da mobilidade desde compartilhamento de carros, novos aplicativos, monitoramento e diagnósticos remotos (essencial para que oficinas se preparem previamente para melhor atender os clientes), navegação mais precisa em tempo real, até formas de entretenimento a bordo de alta sofisticação. 

Estarão abertas, assim, oportunidades também para os setores de telecomunicações, companhias de seguro, locadoras e outros que gravitam em torno dos veículos. Todos vão querer morder um pedaço dessa maçã. 

Monetização de dados é o que levou a indústria automobilística a acordar, ainda em tempo, para os avanços dos gigantes da telemática na seara alheia. Google, Apple e um pouco atrás a Microsoft não se contentaram em adquirir, praticamente sem custos, as informações valiosas de seus clientes individuais. Dentro de um automóvel as possibilidades aumentam exponencialmente, como visto acima. 

Ao partir da premissa de que a massa de dados obtida de um carro conectado tem enorme valor, cooperação será a palavra-chave para exprimir melhor as novas experiências. Por enquanto, as conexões com smartphones por meio de sistemas como Android Auto (Google) e CarPlay (Apple) são atraentes, mas no futuro chegarão mais alternativas. É esperar para ver.


PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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