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quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Após 4º lugar em Macau, Augusto Farfus disputa final do IGTC na África do Sul

Campeão em 2018, Augusto Farfus mostrou novamente uma grande performance durante o FIA GT World Cup, a Copa do Mundo do GT, em Macau, no último fim de semana. O brasileiro correu pelo terceiro ano consecutivo com a BMW M6 GT3 da equipe BMW Team Schnitzer, e fez ótimas corridas no Circuito da Guia, uma das mais tradicionais e lendárias pistas de rua do automobilismo internacional, e bateu na trave do pódio, ao fechar a disputa com o 4° lugar.

Além do grid de alto nível técnico, por conta da nova equalização de balanço de performance dos carros, Farfus e a equipe BMW tiveram um começo difícil nos treinos e na classificação, garantindo apenas o 12º lugar no grid de largada. Porém, na corrida classificatória, disputada no sábado, Augusto mostrou grande poder de reação e aproveitou-se das confusões da prova e das relargadas, após períodos de safety-car, para escalar o pelotão e conquistar o 4º lugar.

Já no domingo, na corrida decisiva, largando da segunda fila, o objetivo do
brasileiro era de buscar um lugar no pódio. Ele chegou a alcançar o 3º lugar durante a prova, mas não contou com o mesmo ritmo dos ponteiros e completou as 18 voltas na 4ª posição. A vitória ficou com o italiano Raffaelle Marciello.

IGTC: 9 Horas de Kyalami: Agora, Augusto não terá descanso, e segue direto para a África do Sul, onde disputa a quinta e última etapa do Intercontinental GT Challenge, as 9 Horas de Kyalami. O campeonato já passou por Bathurst (Austrália), Califórnia (EUA), Spa-Francorchamps (Bélgica) e Suzuka (Japão). O curitibano correrá novamente com a equipe Team Schnitzer, ao lado de Martin Tomcyk e Sheldon van der Linde, também a bordo de uma BMW M6 GT3.

As atividades de pista na etapa começam na quinta-feira, com três sessões de treinos livres. No dia seguinte, acontece a definição do grid de largada, com a
média dos tempos dos três pilotos e uma fase final que engloba apenas os 10 melhores do treino. No sábado, a corrida final do campeonato será realizada a partir das 13h no horário local - 8h no horário de Brasília.

Augusto Farfus:
“Não tínhamos muito o que fazer em Macau. Por conta do novo balanço de performance, nosso ritmo era bem diferente dos ponteiros, então o 4º lugar foi bem satisfatório, e o máximo que a gente poderia ter conseguido, e muito positivo considerando da onde largamos na corrida classificatória. 

O fim de semana foi intenso, e agora sigo para África do Sul nessa reta final da temporada de longa duração com a BMW, essa será nossa última prova no ano juntos. No nosso último compromisso pelo campeonato, no Japão, fizemos a pole position e lideramos boa parte da corrida, então a expectativa é muito boa e o objetivo é fechar o ano com chave de ouro com um bom resultado lá”

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

De volta a Macau, Augusto Farfus defende título do FIA GT World Cup


A reta final da temporada 2019 de Augusto Farfus tem como próximo compromisso uma das provas preferidas do brasileiro, neste fim de semana, na disputa do FIA GT World Cup, a Copa do Mundo de GT, no lendário circuito de rua de Macau. Farfus encara o desafio com uma grande responsabilidade e motivação, para defender o título conquistado de forma dominante no ano passado, buscando o bicampeonato.

Essa será sua quarta participação na principal prova sprint do Gran Turismo mundial - a terceira consecutiva com a equipe BMW Team Schnitzer. Em 2018, Augusto andou na frente desde os primeiros treinos, largou na primeira fila na corrida classificatória, e venceu a prova classificatória e principal de ponta a ponta. Apesar do bom histórico, o piloto, que compete a bordo da BMW
M6 GT3 #42, destaca as dificuldades do traçado temporário de 6,2 quilômetros de extensão. O Circuito da Guia é considerado um dos mais técnicos do mundo, por sua longa reta, com mais de dois quilômetros, que é sucedida por muitas curvas estreitas e travadas na área das montanhas, em uma pista que passa por praticamente todo o país, exigindo um carro muito bem equilibrado.

No mesmo evento em Macau, além do tradicional GP de F3, será realizada a nona e penúltima etapa do FIA WTCR, campeonato que Farfus vem disputando
regularmente neste ano pela Hyundai. Porém, por conta do regulamento particular da prova, que não permite que pilotos corram em mais de uma categoria no evento - assim como ele fez em Nürburgring -, ele estará ausente do grid, sendo substituído pontualmente pelo alemão Luca Engstler.

As atividades de pista do FIA GT World Cup em Macau começaram na quinta-feira, com uma sessão de treinos livres. Na sexta, os pilotos participam de mais um treino e da tomada de tempos. No sábado, acontece uma corrida classificatória de 12 voltas, para definição do grid de largada da grande final. A prova decisiva está marcada para domingo, e tem 18 voltas de duração.

Augusto Farfus:
“Essa é uma das provas mais importantes do calendário, e a principal prova sprint de GT3 do mundo, e é uma responsabilidade grande defender o título, mas estou muito motivado. É uma missão longe de ser fácil, o grid está muito forte, mas nos preparamos da melhor forma possível e com certeza podemos aproveitar da experiência que ganhamos nos últimos dois anos correndo com a mesma equipe. Por causa do regulamento particular, não vou poder disputar a etapa do WTCR, mas volto para a rodada final em Sepang. E, logo na sequência de Macau, viajo para a África do Sul, para o encerramento do Intercontinental GT Challenge, no meu último desafio do ano com a BMW, então o objetivo é fechar a temporada com chave de ouro nessas duas provas”.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Wagner Gonzalez em Conversa de pista


Circuitos de rua: Macau em destaque
Todo o empenho em promover o esporte e explorar todas as possibilidades que um evento de grandes possibilidades oferece é sempre trucidado pela opinião pública quando o inevitável dá as caras. O acidente envolvendo a alemã Sophia Flörsch na quarta volta do GP de F-3 de Macau, há anos a corrida mais importante da categoria em todo o mundo, foi o estopim para que temas como segurança e circuitos de rua fossem novamente explorados em viés nem sempre sensato. O que merece atenção neste momento, além da óbvia recuperação daqueles fisicamente atingidos, são a investigação da dinâmica do acidente e trabalhar para que futuras situações semelhantes tenham consequências menores em todos os sentidos.

Antigo enclave português situado em uma ilha bastante próxima a Hong Kong, Macau ganhou notoriedade internacional graças a Teddy Yip (1907-2003), um empresário do ramo de entretenimento que era fanático pelo automobilismo a ponto de financiar a carreira de vários pilotos e ter tido sua própria equipe de F-1, a Theodore Racing. Seu entusiasmo sempre foi a mola mestra para o governo local promover um festival de que reúne carros das categorias Fórmula, GT e Turismo, além de motos, para disputas no peculiar Circuito da Guia. Traçado que mede 6,2 km por avenidas largas e ruas incrivelmente estreitas, sua maior característica é a curva Melco, tão fechada que, não raramente, vê-se pilotos dando marcha-a-ré para poder seguir viagem.

Apesar de todo o esforço e empenho dos seus organizadores, as condições gerais não podem ser consideradas como de “estado da arte”, reflexo das possibilidades financeiras de Macau e da própria topografia local. É lícito comparar o Circuito da Guia ao da Ilha de Mann, o verdadeiro graal dos motociclistas puros. Da mesma forma, isso não dá em hipótese alguma carta branca para que a segurança de competidores, espectadores e profissionais do esporte sejam expostos a condições de segurança de menor nível.

Dentro desse quadro, o que merece ser repensado com muita atenção é a exploração cada vez maior do uso da aerodinâmica em automóveis de alto desempenho, sejam ele de competição ou de uso nas ruas e estradas abertas ao público. Projetados para explorar tal ciência quando operados em pisos ideais – ou seja, lisos e planos como uma mesa de bilhar -, a aderência ao solo desses veículos pode se transformar em catapulta em consequência dos desníveis e ondulações que permeiam as vias de trânsito. Em um mundo onde o funcionamento de carros semiautônomos depende da padronização de marcações das faixas de rolamento e dimensões e instalações de sinais de trânsito até mesmo em países ditos do primeiro mundo é difícil encontrar tal cenário de maneira abrangente. 

Encontrar o piso adequado para desfrutar o desempenho de super GTs por motoristas licenciados apenas pelo poder aquisitivo é tarefa que se torna cada vez mais difícil quando se nota que os fabricantes não hesitam em disponibilizar seus modelos de alta prestação onde
quer que o consumidor queira desfruta-los. Ensinar seu consumidor a desfrutar das qualidades de tais produtos seria uma atitude que, se adotada mandatoriamente e não como um sub-produto de caráter opcional, seria algo muito bem-vindo.

Em um mundo onde até mesmo eventos de F-1 tornam-se inviáveis por exigências cada vez maiores, fica mais fácil entender que adequar os carros, sejam eles de competição ou de uso diário, às condições do mundo enfrentado por condutores do dia a dia seja mais viável e consequente do que o inverso. Se adotada de maneira sensata esta solução não vai aniquilar o automobilismo esportivo, muito menos a emoção que caracteriza o esporte.

Sophia Flörsch se recupera 
Jovem alemã que este ano emigrou da F-4 para a F-3, Sophia Flörsch foi submetida a uma cirurgia de sete horas realizada para reparar as consequências de um choque contra um palanque que servia posto de trabalho para comissários de pista e fotógrafos. A operação para reparar a fratura da coluna vertebral foi considerada um sucesso e sua recuperação deve durar cerca de 20 dias até que ela possa retornar ao seu país. A instalação montada na curva do Hotel Lisboa foi atingida pelo monoposto de Florsch a uma velocidade estimada de 276 km/h depois que seu carro chocou-se contra o de dois adversários.

As causas do acidente ainda não ficaram claras, porém pode-se estudar neste vídeo, nestee neste outro  a dinâmica do acidente. Sabe-se que ela chocou-se contra a traseira do carro de Jehah Daruvala na reta principal do circuito; o piloto indiano teria reduzido demasiadamente a velocidade ao notar bandeiras amarelas. Como consequência, seu carro perdeu as duas rodas do lado esquerdo, rodou e chocou-se contra o guard-rail do lado direito da pista. Uma zebra instalada no local para mitigar disputas arriscadas de carros de turismo e grã-turismo na tomada de curva provocou a decolagem do F-3 de Florsch, que em seguida chocou-se contra o santântonio do carro do japonês Sho Tsuboi e alçou voo contra a barraca onde estavam o comissário de pista Chan Cha In e os fotógrafos Chan Weng Wang e Hiroyoki Minami, todos feridos pelos destroços do Dallara-Mercedes número 25 inscrito pela equipe holandesa Van Amersfoort, além de outros profissionais.

A condição relativamente frágil dessa instalação absorveu boa parte do impacto e colaborou diretamente para diminuir as consequências do impacto. Tivesse ido de encontro ao guard-rail ou em direção a uma construção em concreto o choque teria causado danos físicos imensamente maiores. O britânico Tom Ticktum venceu a corrida pelo segundo ano consecutivo, resultado que consolida seu potencial como próximo inglês a aportar no universo da F-1.

Farfus volta a vencer
Dias após anunciar sua mudança do DTM para a categoria GT, o brasileiro Augusto Farfus (BMW M6 GT3) voltou a vencer: ele largou na pole-position e dominou a corrida onde o italiano Rafaelle Marciello (Mercedes AMG GT3) foi seu principal adversário. Foi a segunda vitória do paranaense no Circuito da Guia, onde triunfou em 2009 e marca a história esportiva da marca bávara: além de confirmar Farfus como um dos seus pilotos de primeira linha na categoria GT, também foi a última aparição de Charly Lamm como chefe da Schnitzer, empresa que cuida de boa parte do programa esportivo da BMW. Seu posto será ocupado por Herbert Schnitzer Junior, filho do fundador da empresa.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

Wagner Gonzalez

LAVOISIER SEMPRE PRESENTE

Ainda que em seus tempos terrenos a Fórmula 1 fosse algo tão impensável quanto as novidades que a internet nos traz atualmente, Antoine Laurent de Lavoisier (1743-1794) nunca esteve tão presente na F-1 atual. Após meses de bate-boca e carros sujos lavados no paddock, Renault e Red Bull parecem ter reciclado a última crise de um casamento que já foi exemplo de felizes para sempre e ganha novo fôlego.
Nas temporadas de 2010 a 2013 não teve para ninguém: o triunvirato Red Bull/Renault/Vettel dominou a F-1 com asas, queijos e cervejas da melhor qualidade. Tudo ia bem até que a ideia de Jean Todt vingou e tornou-se mandatório o uso de motores híbridos, aqueles que usam motores a combustão ligados a sistemas recuperadores de energia. Ninguém se preparou melhor para isso do que a Mercedes-Benz, que desde 2014 assumiu o papel de protagonista total e absoluta da categoria, triunfo que trincou e até fraturou as bases do relacionamento entre a Red Bull e a Renault. Quanto decisão de Sebastian Vettel deixar a equipe após um ano de resultados pífios, pouco a ver: seu contrato com a Ferrari estava assinado há anos.
Após um ano desastroso, especialmente se comparado à conquista de quatro títulos consecutivos, as acusações entre Red Bull e Renault cresceram como o suspense de uma ópera e quando tudo indicava que uma tragédia se abateria sobre Dietrich Mateschitz, eis que a paz voltou a pairar sobre o reino do senhor dos energéticos. A Renault deverá anunciar em breve que a relação não está acabada, a Red Bull dirá que as ofensas não passaram de uma crise digna de qualquer matrimônio, etc. e tal. Só que a partir de agora não será bem como antes: a equipe terá que pagar pelos motores e o contrato deve durar uma, no máximo duas temporadas.
A FIA assiste impávida essa confusão, onde o resumo da ópera é deveras conhecido: impedir que a Red Bull tenha um protagonismo que atrapalhe os negócios e crie confusão tanto para os interesses de Bernie Ecclestone quanto para os fabricantes de motores. Para a Renault interessa reformular seus gastos e ter uma equipe de ponta para desenvolver seu V-6 e manter a condição de fabricante de motor com mais vitórias na categoria enquanto define e implementa seus planos para a Lotus. Para não passar recibo de mãezona, a marca francesa deixará de equipar a Toro Rosso, que será impulsionada por motores Ferrari, muito provavelmente rebatizados como Alfa Romeo. Ou seja, até mesmo na F-1, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma…
Mallya condenado na India
Nome que comanda a equipe Sahara Force India, o empresário indiano Vijay Mallya foi considerado inapto pela Suprema Corte da índia para obter empréstimos em seu nome nesse país. A ação foi movida pelo State Bank of India e outros que emprestaram cerca de U$$ 1 bilhão a Mallya, há pouco mais de três anos, com o objetivo de reerguer a Kingfisher Airlines. A empresa aérea já deixou de voar e seus credores se mobilizam para leiloar os bens móveis e imóveis na esperança de recuperar o capital investido. A decisão deverá afetar o futuro da equipe de F-1, cujo futuro parece estar em sua incorporação pela holding Diageo e uma possível associação com a Aston Martin, solução que agradaria a Bernie Ecclestone e à Mercedes-Benz.
A FIA (Federação Internacional do Automóvel) encerrou ontem o prazo para que interessados em fabricar um motor de F-1 alternativo, tanto em termos de potência quanto de custos. As já conhecidas Cosworth e Ilmor e a ADR, fabricante de motores da GP3 e Endurance, categoria de onde derivará o motor P66 destinado à F-1. A decisão de permitir um motor com menos restrições de desenvolvimento e maior potência absoluta pode soar como uma solução interessante para as equipes pequenas, mas tem potencial nefasto em relação às grandes marcas envolvidas na categoria. Entre estas possibilidades estão a decisão de assumir de vez a categoria, ou até mesmo debandar e investir em outras modalidades.
Londrina não coincide
Uma das provas mais tradicionais do automobilismo brasileiro de resistência, a competição 500 Milhas de Londrina deste ano ganhou proeminência no cenário nacional ao ser realizada em data não coincidente com a 12 Horas de Tarumã. Com isso espera-se um grid bastante competitivo e numeroso para a corrida, que acontece sábado no autódromo dessa cidade. Mais detalhes no site www.500milhasdelondrina.com.br.
Camara brilha em Macau
O mineiro Sérgio Sette Camara se destacou na disputa do GP de Macau, a prova mais complexa do calendário internacional da F-3, graças às peculiaridades do circuito local: demasiado estreito e ondulado, sem áreas de escape e com curvas tão fechadas que em uma delas é proibido ultrapassar. Após uma largada cautelosa o brasileiro recuperou-se e chegou a ocupar o quinto lugar, quando um pneu furado pôs fim às esperanças de terminar no pódio. De volta à pista, Sette Camera aproveitou os pneus menos desgastados instalados em seu carro e abaixou em seis décimos o recorde anterior, estabelecido pelo suíço Edoardo Mortara em 2009, ao marcar 1’10”186. O sueco Felix Rosenqvist obteve sua segunda vitória consecutiva no traçado chinês.
WG