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quarta-feira, 17 de abril de 2019

Museu da Imprensa Automotiva promove a exposição Manuais do Proprietário: Futura Espécie em Extinção


O MIAU – Museu da Imprensa Automotiva promove a partir da sexta-feira, 19, em sua sede em São Paulo, uma nova e inédita exposição. O tema, dessa vez, são os manuais do proprietário.

Nos veículos mais modernos os livretos de papel foram substituídos por versões eletrônicas que podem ser consultadas em celulares ou pelo sistema multimídia do carro – em alguns casos funcionam até por meio de inteligência artificial. “Com isso nos parece bastante óbvio que o manual do proprietário em seu formato tradicional está com os dias contados, tornando-se uma futura espécie em extinção. Por isso decidimos montar uma exposição em sua homenagem, mostrando as peças históricas mais relevantes de nosso acervo”, explica Marcos Rozen, CEO do MIAU.

A mostra traz ao todo mais de duzentos manuais do proprietário originais, dos anos 60 a 2000, com foco principal em modelos vendidos no mercado brasileiro. O mais antigo é do Jeep Willys 1961 e o mais novo do Ford Fusion 2006. Há várias peças raras, como os manuais do DKW-Vemag Fissore, Willys Itamaraty, VW SP1/SP2, Chrysler Esplanada GTX, MP Lafer, Gurgel X-12, Dardo, VW Variant II, VW Gol GT, VW Santana Executivo e muitos outros. Há também manuais de modelos estrangeiros como BMW 2000, Ford Granada e Vauxhall Cavalier, além de manuais de motos, caminhões e tratores antigos.

Um dos grandes diferenciais da exposição é que todos os manuais podem ser consultados livremente pelos visitantes. “Os museus de todo o mundo estão cada vez mais deixando de ser locais de mera contemplação para se tornarem verdadeiras fontes de contato com os temas que abrangem, permitindo aos visitantes interagirem de forma mais concreta com seus acervos. Essa sempre foi uma marca das exposições do MIAU, que permanece agora com a mostra dos manuais do proprietário”, afirma Rozen.

Curiosidades sobre os manuais
Um dos maiores sonhos dos colecionadores é encontrar um manual do proprietário ‘virgem’, ou seja, sem os dados do comprador preenchidos ou carimbos de entrega ou revisões. Pois esta é a condição de cerca de 75% dos materiais da exposição do MIAU: Rozen explica que “antigamente era comum jornalistas furtarem os manuais de carros de teste cedidos pelas montadoras para avaliação, seja para consultas futuras ou por travessura mesmo. Esta é a origem da maior parte dos manuais do nosso acervo, que por isso estão em branco ou têm apenas carimbos das próprias fábricas e não de alguma concessionária em suas páginas”.

Além disso os manuais trazem, por vezes, informações curiosas ou estranhas sobre os veículos. O do Ford Corcel II 1981, por exemplo, ao explicar o funcionamento do câmbio, ensinava ao motorista pular direto da terceira para a quinta marcha, evitando usar a quarta para assim, segundo o manual, economizar combustível.

Os manuais, afirma o CEO do museu, têm uma ligação profunda com o jornalismo automotivo: antes do advento da internet eram a única fonte prática, rápida e confiável para busca de dados técnicos dos veículos. “Hoje esse hábito caiu em desuso, mas foi largamente aplicado por profissionais da imprensa automotiva por mais de 40 anos. A exposição também é uma forma de recordar e homenagear esse período.”

Abertura no feriado
A exposição Manuais do Proprietário: Futura Espécie em Extinção abrirá as portas na sexta-feira, 19/4, feriado, das 12h às 17h. No sábado, 20/4, e domingo, 21/4, estará aberta das 13h às 17h.

Após essas datas a exposição poderá ser visitada nos dias de funcionamento do MIAU, ou seja, sempre aos sábados e domingos das 13h às 17h. Em dias de semana o museu funciona apenas para visitas de grupos fechados e pré-agendados.

Os visitantes da exposição também têm direito a conhecer as outras áreas do museu, que conta com exposição permanente a respeito da história da imprensa automotiva no Brasil e um acervo de livre consulta com mais de mil revistas, livros, catálogos e materiais exclusivos para jornalistas que abordam praticamente todas as fabricantes de veículos do Brasil e do mundo.

A mostra ficará em cartaz até o início do segundo semestre. Os ingressos, em promoção de meia entrada para todos, custam R$ 15 e o valor é totalmente revertido para manutenção do museu.

O MIAU – Museu da Imprensa Automotiva fica na R. Marcelina, 108, no bairro da Vila Romana, na zona oeste de São Paulo.

Serviço
Exposição Manuais do Proprietário: Futura Espécie em Extinção
Local: MIAU – Museu da Imprensa Automotiva
R. Marcelina, 108
Vila Romana, São Paulo SP
Telefone: (11) 98815.7467
Inauguração da exposição em horário especial: 19/4, das 12h às 17h
Horário regular do museu: sábados e domingos, das 13h às 17h
Ingressos: R$ 15, em promoção de meia entrada para todos

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Fernando Calmon - Alta Roda - Equinox surge equilibrado em tudo

Alta Roda nº 964/314 30– 2614 023– 0oda nº852/1011508– 2oda nº851/2017

Fernando Calmon
A participação dos SUVs no mercado brasileiro subiu de 6,8% em 2012 para nada menos de 17,4% em 2017. Do alto desses números, nenhum fabricante pode deixar de atacar com mais e mais produtos. Foi exatamente o que a GM fez. Para defender sua liderança, fechou a lacuna existente entre o Tracker e o Trailblazer ao decidir importar do México o médio Chevrolet Equinox em sua versão de topo, a Premier.

Esse segmento inclui mais de 15 competidores, desde os nacionais Jeep Compass (este o líder em vendas destacado), Hyundai ix35 e New Tucson e até modelos mais caros da Volvo e Land Rover. No entanto, a marca americana mirou na faixa central de preço médio ponderado por vendas, que representa 50% do mercado. 

A primeira surpresa é justamente o preço único de R$ 149.900. Substitui com vantagem o descontinuado Captiva por oferecer nível de equipamentos bem superior. Mesmo isento de imposto de importação, seu preço parece subsidiado pelo fabricante. Para se ter ideia, o mesmo modelo, com todos os opcionais, é vendido nos Estados Unidos por cerca de R$ 120.000 (em conversão direta). Com a carga fiscal muito maior no Brasil, o preço sugerido deveria superar R$ 160.000. 

Seu estilo atrai, mesmo sem ousadias. A cabine tem acabamento similar ao do Cruze, com o qual partilha arquitetura. Por isso, à exceção dos bancos de couro mais requintados, há plásticos duros em excesso, porém a “pobreza” para por aí. Oferece teto solar panorâmico com abertura até o banco de trás, controle de ruído feito com cancelamento por ondas sonoras (mediante uso dos alto-falantes), duas memórias de regulagem elétrica do banco do motorista, vedação tripla das portas, central multimídia de oito polegadas com Android Auto e Apple Car Play, além de carregamento de celulares (compatíveis) por indução. Tampa do porta-malas pode ser aberta ao passar o pé por baixo do para-choque. 

Apresenta um bom pacote de itens de segurança. Além de seis airbags e assistência de frenagem de emergência, há alertas de colisão frontal, ponto cego, esquecimento de pessoas ou objetos no banco traseiro e de tráfego transversal ao dar ré. Interessante é o assoalho traseiro plano, apesar de vir com tração integral. Esse sistema, acionado por botão, pode variar de zero a 100% a distribuição de torque não só entre os eixos como também entre os lados direito e esquerdo. 

Motor 2-litros turbo com injeção direta de gasolina entrega 262 cv, 37 kgfm e se integra de forma perfeita a um câmbio automático de nove marchas do tipo de dupla embreagem (primeiro desse tipo fabricado pela GM). Esse conjunto permite acelerar de zero a 100 km/h em 7,6 segundos, mais rápido que a maioria dos concorrentes. A potência flui de forma contínua, com troca de marchas pouco perceptíveis. A 120 km/h o motor quase sussurra a apenas 1.600 rpm. Por isso, o ótimo consumo anunciado de 10,1 km/l na estrada e 8,4 km/l na cidade. 

Direção e suspensões muito bem calibradas conseguem lidar bem com 1.693 kg de massa total e 4,65 m de comprimento. O Equinox, apesar de altura típica de um SUV, tem dirigibilidade próxima à de um automóvel. Pena o freio de estacionamento elétrico não ter acionamento automático nas paradas. 

RODA VIVA

APESAR de nova rodada de pressões das concessionárias Fiat para lançamento de um SUV de maior porte com base na picape Toro, está difícil a marca italiana ceder. Alega que no Grupo FCA cabem à Jeep os utilitários esporte e não haveria razão para dividir mercado com o Compass. Na Itália, porém, Jeep Renegade e Fiat 500 X saem da mesma linha de montagem. 

DURANTE Fórum Brasil-Alemanha de Mobilidade Elétrica, semana passada em São Paulo, afloraram novas dificuldades para implantação no País: custo alto das estações de recarga rápida (R$ 200.000), legislação para permitir “varejo” de abastecimento em eletropostos, falta de padronização dos plugues de recarga e transição para veículos elétricos lenta demais. 

DESTAQUE para o motor Booster Jet do Suzuki Vitara e sua integração com câmbio automático tradicional de seis marchas. Trata-se de um 1,4-L turbo de 146 cv e 23,5 kgfm que assegura grande agilidade ao garantir relação peso-potência de 8 kg/cv. Pareamento de telefones por wi-fi é muito prático, sem fios para atrapalhar e ótima tela multimídia central de 10 polegadas. 

PRIMEIRO Congresso Brasileiro do Mecânico, organizado pela Infini Mídia (revistas O Mecânico e Carro), em São Paulo, mostrou público-alvo bastante interessado em novas tecnologias e de se aproximar do corpo técnico dos fabricantes de autopeças. Palestrantes abordaram todo o setor e houve até “desentendimentos” em certos aspectos mais polêmicos. 

INAUGURADO em São Paulo o Museu da Imprensa Automobilística (Miau), de responsabilidade do jornalista Marcos Rozen. Ambiente aconchegante e de muito cuidado com detalhes, inclusive cafeteria temática, promove verdadeira viagem no tempo sobre a história do setor pelo lado da comunicação especializada. Entrada a R$ 15, por tempo limitado. Contato: miau.museu@gmail.com. 


PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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