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quinta-feira, 16 de julho de 2020

Coluna do FERNANDO CALMON


Fernando Calmon
Strada Volcano vai atrair novo público

A espera foi longa, mas a Fiat Strada tinha que mudar depois de duas décadas na liderança. Mesmo sem ameaças à vista, a nova versão topo de linha Volcano de cabine dupla, quatro portas e cinco lugares vai seduzir um comprador que não cogitava utilizar uma picape no dia a dia sem levar carga. A geração anterior de cabine dupla, além de levar um passageiro a menos, representava apenas 5% das vendas e a dirigibilidade não era tão boa.



Além do estilo atraente, a Volcano traz entre várias novidades faróis de LED e direção eletroassistida que fazem toda a diferença. Seu comportamento em curvas surpreende, mesmo com 1,6 cm a mais de vão livre e é tão bom no asfalto quanto na terra. O motor de 1,33 L de 109 cv (etanol) tem 21 cv a mais que o antigo 1,4 L, ainda disponível na versão intermediária. Com 79 kg a menos que a Strada Adventure anterior com motor de 1,8 L, o novo modelo só vai sentir redução de desempenho com carga total. Em rodovias a relação final de transmissão aumenta o nível de ruído (a 120 km/h, 3.900 rpm), apesar da melhora no isolamento acústico da cabine.

A posição de dirigir ficou melhor e até as saídas de ar-condicionado foram realocadas (antes o fluxo incomodava as mãos). Volante e quadro de instrumentos são do Mobi (sem regulagem de distância do volante), mas a nova central multimídia permite pareamento sem fio para qualquer marca de celular. A câmera traseira facilita as manobras, pois a caçamba é alta. O espaço para pernas e cabeça no banco traseiro é bom para quem tem até 1,80 m de altura, além do acesso facilitado pelo ângulo de abertura das portas.

A caçamba tem volume de 844 litros, 24% maior que a Strada anterior. A carga útil de 650 kg não mudou. Sua tampa, porém, ficou agora muito mais leve de operar.


OS MAIS VENDIDOS NO PRIMEIRO SEMESTRE
O ranking semestral de vendas por segmentos, que organizo há mais de 20 anos, foi o primeiro afetado pela pandemia da Covid-19. Naturalmente houve distorções com a paralisação dos emplacamentos. Outra mudança foi o aumento porcentual de vendas de modelos caros em razão da alta do dólar, para aproveitar estoques a preços mais baixos.



Os SUVs compactos e grandes, além das picapes médias, tiveram quedas porcentuais menores sobre o primeiro semestre de 2019. No primeiro caso trata-se de tendência de avanço que se consolida e, no segundo, pelo crescimento do agronegócio no País.

Entre os 16 segmentos apenas dois tiveram novos líderes: BMW Série 7 (72% com apenas mais dois concorrentes) e Porsche 911 (57%, entre 15 concorrentes). Houve, praticamente, dois empates técnicos: Jeep Renegade superou o VW T-Cross por 112 unidades (0,1 p.p.) e o Toyota SW4 bateu o VW Tiguan por apenas 23 unidades (0,2 p.p.).

Nosso ranking tem base técnica com classificação por silhuetas. A referência principal é distância entre eixos, além de outros parâmetros. O enquadramento às vezes implica dúvidas e a escolha, em pouquíssimos casos, torna-se subjetiva. Base de pesquisa é o Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam). Citados apenas os modelos mais representativos (mínimo de três) e em função da importância do segmento. Compilação de Paulo Garbossa, da consultoria ADK.

Hatch subcompacto: Kwid, 53%; Mobi, 38%; up!, 9%. Liderança consolidada.

Hatch compacto: Onix+Joy, 25%; Ka, 13%; HB20/X, 12%; Gol, 11%; Argo, 10%; Polo, 9%; Sandero/R.S./Stepway, 6%; Yaris, 4%; Fox, 3,7%; Uno, 2,5%; Etios, 2,1%. Sem ameaças ao Onix.

Sedã compacto: Onix Plus+Joy, 30%; HB20S, 13%; Virtus, 10,3%; Ka, 10%; Cronos, 6,2%; Voyage, 5,7%; Versa, 5,4%; Logan, 5,2%; Yaris, 5%; Grand Siena, 4%, City, 2,7%; Etios, 2,1%. Onix Plus com mais folga.

Sedã médio-compacto: Corolla, 48%; Civic, 21%; Cruze, 16%; Jetta, 9%. Líder de praxe.

Sedã médio-grande: BMW Série 3/4, 52%; Mercedes Classe C, 30%; Audi A5, 5%. BMW deu salto à frente.

Sedã grande: BMW Série 5/6, 29%; Mercedes Classe E/CLS, 20%; Panamera, 17%. Série 5 ainda firme.

Sedã de topo: BMW Série 7, 72%; Mercedes Classe S, 19%; Jaguar XJ, 9%. Novo líder e com grande folga.

Cupê esportivo: Mustang, 67%; BMW M2, 14%; Camaro, 8%. Mustang amplia vantagem.

Cupê esporte: 911, 57%; 718 Boxster/Cayman, 24%; BMW Z4, 11%. 911 voltou a liderar.

SUV compacto: Renegade, 15,4%; T-Cross, 15,3%; Creta, 12,4%; Kicks, 12,1%; HR-V, 9,7%; Tracker, 8,3%; EcoSport, 7,3%; Duster, 5%; Captur, 3,8%, C4 Cactus, 3,7%. Empate técnico.

SUV médio-compacto: Compass, 59%; ix35/Tucson, 35,7%; RAV4, 5%. Compass inabalável.

SUV médio-grande: SW4, 26,9%; Tiguan, 26,7%; Equinox, 14%. Outro impacto técnico.

SUV grande: Trailblazer, 28%; Range Rover/Sport, 11%; Cayenne, 10%. Trailblazer manteve.

Monovolume: Fit/WR-V, 59%; Spin, 39%; C3 Aircross, 2%. Fit continua seu domínio.

Picape pequena: Strada, 56%; Saveiro, 31%; Montana, 8%. Strada imbatível.

Picape média: Toro, 30%; Hilux, 22%; S10, 15%. Toro ainda destacada.


NOVO DEFENDER UNE TRADIÇÃO À MODERNIDADE

Novo Land Rover Defender com toda a tradição de robustez e desempenho nos piores terrenos chegou ao Brasil. Inicialmente, virá uma de duas opções de distância entre eixos. Há oferta agora de duas ou três fileiras de bancos, além do tradicional aparato de tração 4x4 e capacidade de submersão de até 90 cm. Essa é a quinta geração do SUV que surgiu em 1948.


Monobloco inteiramente em alumínio tornou-se um desafio à parte e tem 10 vezes mais resistência à torção que o modelo anterior. Câmbio é automático epicíclico de oito marchas com diferencial central de travamento ativo. Suspensão a ar, de série, pode elevar a carroceria de modo ativo em até 14,5 cm. Motor a gasolina, 2 litros turbo, 300 cv e 40,8 kgfm. Preços: R$ 400.750 a 461.150.

PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmofernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2 





quinta-feira, 9 de julho de 2020

Coluna do FERNANDO CALMON


Fernando Calmon
Dirigibilidade do Volkswagen Nivos é um ponto marcante.
No mês passado a Volkswagen assumiu pela primeira vez em dez anos a liderança no mercado de automóveis e comerciais leves (não no acumulado do ano) e o Nivus reúne tudo para ajudar a marca nessa batalha. Ele atrai pelo estilo único de SUV compacto cupê no segmento mais disputado, hoje, do mercado brasileiro. Sua base é a do Polo, mas à exceção das portas, tudo é novo. Vão livre do solo 27 mm maior que o do hatch e 15 mm menor que o do T-Cross permite passar por valetas e lombadas, sem retirar praticamente nada do prazer de dirigir. O trabalho de ajustes da suspensão ficou muito bem feito.

Avaliei a versão de topo Highline. Chama atenção o isolamento acústico. Também dá para notar o acerto melhor entre motor e câmbio, em especial quando se desloca a alavanca da posição N para D e se observava antes um pequeno tranco à frente ao retirar o pé do freio. Aceleração de 0 a 100 km/h informada pela VW é de 10 s, coerente por pesar 50 kg a mais que o Polo e 100 kg a menos que o T-Cross, todos com o motor de 1 litro turbo de 128 cv (etanol). O volante é novo e a direção, eletroassistida, precisa e comunicativa. Há vários comandos a partir do volante. Ainda bem que a VW manteve um manual impresso no porta-luvas com 2/3 menos páginas para quem estranhar as orientações por voz e imagem.

A nova central multimídia de 10,1 pol. tem resolução de tela impressionante e vários aplicativos úteis já instalados. Pareamento do celular com sistema iOS é sem fio, mas Android o exige. Porém, se o telefone tiver roteador Wi-Fi é possível conectar-se com o Waze pré-instalado na central e seguir a rota na tela grande usando plano de dados do celular.

O espaço interno do Nivus, inclusive no banco traseiro para pernas e cabeça, é praticamente o mesmo do Polo, incluindo a saída de ar-condicionado atrás. Porta-malas de 415 litros é 115 litros maior do que o do hatch e tem 42 litros a mais que o T-Cross.

ESTATÍSTICAS DE VENDAS SUBVERTIDAS PELA CRISE

Os números são conflitantes por razões conhecidas. Com o fechamento dos Detrans e das concessionárias (que continuaram a vender por meios digitais), as vendas de veículos leves e pesados sofreram um grande efeito de represamento em maio. Assim, em junho houve aumento de 129,1% sobre maio, mas em relação a junho de 2019 a queda foi de 57,7%. Na comparação dos primeiros semestres, 2020 encolheu 50,5% sobre 2019.

Projeções da Anfavea estimam o ritmo efetivo de vendas diárias em torno de apenas 5.000 unidades em junho e o estoque nas fábricas e concessionárias de 46 dias (normal seria de 30 a 35 dias), apesar da paralisação da produção. O que mais preocupa é a possibilidade de demissões quando se esgotarem os efeitos dos acordos de redução de jornadas de trabalho. A entidade manteve a estimativa de queda de 40% nas vendas em relação a 2019 (divulgada um mês atrás) e agora revisou para baixo também a produção (queda de 45%) e as exportações (retração de 53%), com base no encolhimento do PIB brasileiro em torno de 7%.

No entanto, há previsões um pouco menos pessimistas. Maior banco privado do País, o Itaú prevê queda do PIB de 4,5% e, se confirmada, efetivamente vai amortecer um pouco a queda do mercado. A Bright Consulting estima que as vendas caiam 29% este ano e os números de 2019 só voltarão em 2024. A consultoria avalia que os SUVs começarão a avançar também sobre o mercado de hatches em razão da perda de poder aquisitivo.

O setor tem esperança de alguma medida de estímulo ao consumo por parte do Governo Federal, a exemplo do que acontece na Europa e nos Estados Unidos. A indústria automobilística representa 5% do PIB e gera, direta e indiretamente, cerca de 1 milhão de empregos.

SISTEMA ANTIDERRAPAGEM COMPLETA 25 ANOS

Um dos mais úteis e eficientes recursos de segurança ativa para qualquer tipo de veículo surgiu em 1995. Trata-se do ESP (Programa Eletrônico de Estabilidade, em inglês) para evitar derrapagens. As primeiras pesquisas começaram nos anos 1980 por iniciativas individuais da Bosch e da Daimler-Benz (hoje, Daimler).

A partir de 1992, as duas trabalharam em conjunto, mas a empresa de autopeças tinha liberdade de entregar o produto a qualquer interessado. Na época era um dispositivo caro. Em 1995 o Mercedes-Benz Classe S e o BMW Série 7 ofereceram o ESP quase simultaneamente. Em 1997, um Mercedes-Benz Classe A capotou durante teste de desvio de obstáculo de uma revista sueca. A fabricante decidiu, então, tornar o ESP equipamento de série para todos os seus modelos.

O ESP combina controle de tração (TC) e antibloqueio dos freios (ABS). É particularmente útil em pistas escorregadias, mas pode evitar até 80% das derrapagens. Estima-se que na União Europeia 15 mil vidas foram poupadas em 25 anos. Só a Bosch já produziu 250 milhões de unidades.

O sistema tem nome genérico ESC (Controle Eletrônico de Estabilidade), produzido também por outros fornecedores, e está em 82% dos automóveis novos no mundo. No Brasil, desde o início de 2020, é equipamento de série nos novos projetos e em 2022 passará a ser obrigatório em todos os automóveis e comerciais leves vendidos no País.

PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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quinta-feira, 11 de junho de 2020

Coluna do FERNANDO CALMON




FCA E TIM fecham acordo para internet a bordo.
Fernando Calmon

Depois de negociações longamente amadurecidas, a FCA e a operadora de telefonia celular TIM fizeram um acordo para que a nova central multimídia de 7 polegadas Uconnect receba um chip para internet com Wi-Fi a bordo. Essa informação ainda não se tornou pública. Segundo minha fonte, isso deve ocorrer em outubro para as marcas Fiat e Jeep.

A central Uconnect, a primeira no Brasil que permite conexão sem fio para celulares e que facilita o uso de aplicativos de rotas como Waze, Google Maps ou Here tanto para telefones com o sistema operacional Android quanto iOS (Apple), foi anunciada como exclusividade da nova picape Strada. Outra vantagem desse sistema é que uma vez feita a primeira conexão, as posteriores são automáticas. Então, se você esqueceu ou extraviou o cabo, não há problema para usar os aplicativos de rota, tão úteis.

A pandemia, no entanto, atrasou os planos de produção da Fiat Strada. O SUV cupê Volkswagen Nivus, cuja produção começou na semana passada, poderia chegar às concessionárias alguns dias antes e a nova central VW Play oferece a mesma facilidade. Mas a Fiat já começou a oferecer a Uconnect também na Fiat Toro, garantindo a primazia.

A GM foi a primeira no Brasil a oferecer internet a bordo no Cruze, Onix, Onix Plus e Tracker. O chip tem custo de utilização, cobrado à parte pela operadora.


Confiança, bolsa e dólar aliviam pessimismo geral
O balanço de vendas, produção e exportações, como se esperava, foi bastante negativo em maio. As quedas em relação ao período de janeiro a maio de 2019 alcançaram, respectivamente, 37,7%, 49,2% e 44,9%. Além de grande parte das concessionárias com seus departamentos de vendas presenciais fechados, os principais Detrans do País continuaram sem executar os emplacamentos em razão da pandemia de Covid-19.


No entanto, um dado interessante não passou despercebido na videoconferência mensal da Anfavea com os jornalistas. Pesquisa do índice de confiança do consumidor, no contexto de macroeconomia, inverteu a curva de queda pela primeira vez desde que começou a cair fortemente no início do ano.

Para o presidente da entidade, Luiz Carlos Moraes, “as primeiras autorizações para reabertura parcial do comércio e das concessionárias juntaram-se à esperança da volta gradativa do trabalho e da produção. A impressão é de que se chegou ao fundo do poço. Muda a percepção da sociedade em relação ao futuro. A economia de um país vive também de expectativas”.

Os estoques na soma de concessionárias e pátios dos fabricantes, ainda muito altos, diminuíram bem de 119 para 97 dias, ainda assim quase três vezes superiores ao normal.

Outros dois indicadores econômicos, porém, mostram surpresas animadoras. As quedas na bolsa de valores de São Paulo em 2020 reduziram-se para 15% (depois de afundar cerca de 50% no começo da pandemia); em relação a um ano atrás as perdas foram zeradas. O valor do dólar recuou de quase R$ 6,00, no pico do pessimismo, para R$ 4,90 no começo desta semana, aliviando pressões de custos que vêm sendo repassados parcialmente para os preços dos veículos.

Uma linha de crédito especial negociada entre o governo e os bancos ligados aos fabricantes de veículos também dará suporte a prazos mais elásticos de financiamento ao consumidor e às concessionárias. Deve continuar a tendência de postergação das primeiras prestações, em alguns casos por seis meses ou mais. Isso dá tempo ao comprador para reorganizar seu orçamento.

A Anfavea também reviu sua projeção de venda anual. Estimou a queda em 2020 sobre 2019 em 40%, ainda sem previsões sobre produção e exportação por depender da reação do mercado dos países clientes do Brasil.


Mercado mundial de carros elétricos
O coronavírus também impactou as perspectivas de curto prazo para veículos elétricos puros (VEs), aqueles movidos só a bateria. A queda brutal do preço do petróleo (agora em recuperação) tirou competividade de fontes alternativas limpas a partir das energias solar e eólica.

De janeiro a abril, o maior mercado de VEs do mundo, o chinês, caiu 50%, enquanto a venda geral encolheu 35%. Os dados são da LMC Automotive, parceira da consultoria brasileira Carcon. Mas para esse ponto negativo há outros positivos. Na Europa, por exemplo, enquanto o mercado geral de veículos caiu no mesmo período 36% (quase igual ao Brasil de janeiro a maio), os elétricos subiram 38%, embora a partir de números muito baixos de participação, o que gera distorções estatísticas.

Muitos governos europeus estão subsidiando a compra de um VE. O governo francês, por exemplo, aumentou o incentivo para 7.000 euros (R$ 40.000) para pessoas físicas, o que além de elevado não parece sustentável. Outro resultado positivo foi na América do Norte: a queda de venda dos elétricos de 17% foi um pouco menor que o encolhimento total do mercado (21%).

Mas a consultoria não mudou sua projeção para 2032. Estima que serão vendidos 18 milhões de carros elétricos em todo o mundo, aproximadamente 16% do mercado global anual, sem incluir os híbridos.

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Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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quinta-feira, 4 de junho de 2020

Coluna do FERNANDO CALMON



Fernando  Calmon

FILOSA, DA FCA, AFIRMA MANTER INVESTIMENTOS
A previsão de como estará o mercado brasileiro de veículos, depois que todas as concessionárias puderem reiniciar vendas presenciais, é de uma queda anual de até 40% em relação a 2019. Conversei com os presidentes das três maiores fabricantes, FCA, GM e VW, sobre o presente e o futuro. Em meio a tantas declarações de desânimo, ainda há espaço para algum viés positivo? Vamos descobrir nesta e nas próximas duas semanas. Começo com Antonio Filosa, da FCA.

O que vai mudar depois da pandemia?
“O comportamento das pessoas e da própria sociedade. Vendas online devem ganhar força. A jornada de compra será cada vez mais digital, e isto exige novas estratégias de atendimento e pós-vendas. Consumidores terão que adiar a compra do carro. Mas haverá muitas pessoas que se sentirão inseguras em meio a multidões. Estas desejarão o carro próprio e conectado, como pagamento de combustível e de produtos sem precisar sair do veículo. Vejo uma tendência a maior demanda de veículos de entrada, de menor preço. Mas o segmento de SUVs é o que mais cresce e continuará assim.”

Antonio Filosa, da FCA
“O mercado brasileiro continuará a ser um dos maiores e mais atraentes do mundo. Já pudemos observar em crises anteriores a tendência de recuperação rápida. Agora espero que em três anos voltemos ao número de 2019. A taxa de motorização mostra que a frota brasileira ainda tem muito espaço para crescer, pois está abaixo da de outros países com nível equivalente de renda ao nosso. A velocidade da recuperação dependerá do controle do Covid-19 no país e da confiança na economia. Mas é consenso que todos querem retomar a atividade e voltar a crescer. Cria um cenário potencialmente positivo à frente.”

Que lições tirar dessa crise?
“Os aprendizados. Nossos processos produtivos e administrativos moldaram-se à nova realidade com nível ainda mais alto de atenção à saúde e à segurança. A velocidade de adaptação e aceleração da digitalização tende a perdurar. O conselho global de administração da FCA, que eu integro, admira o Brasil. Nosso principal acionista, John Elkann, viveu aqui. Conhece bem o País e sua capacidade de se reinventar. A isto se soma o histórico de bons resultados na região que resultam em forte confiança no Brasil. Nossos investimentos estão mantidos, com prazos um pouco alongados. Trabalharemos muito para ampliar nossa linha de produtos e surpreender o consumidor com soluções inovadoras.”

VW NIVUS CRIA UM SEGMENTO PRÓPRIO

O plano de revelar o Nivus em etapas completou mais uma fase. Agora sem disfarces, o primeiro SUV cupê compacto do mercado brasileiro, projetado e desenvolvido aqui, também será produzido na Espanha para o mercado europeu e de outros continentes. A versão europeia estreia só no segundo semestre de 2021 e terá pormenores diferentes que a VW ainda não revelou, embora seja o mesmo carro.

Sua personalidade é o ponto forte, sem semelhanças de estilo com o T-Cross e o Polo. Deste herdou as principais dimensões de chassi, com distância entre eixos (256 cm) e largura (175 cm) praticamente iguais, além de portas, para-brisa, caixas de rodas e as colunas dianteiras e centrais. Vão livre do solo, 2,7 cm maior que o do hatch (17,6 cm x 14,9 cm), mostra que não houve exagero. Para ter outra referência o Nivus é 8 cm mais baixo (149 cm) que o T-Cross (157 cm), para garantir silhueta elegante em harmonia ao conceito do projeto.

A inclinação das linhas do teto (pintado de preto) é um dos pormenores atraentes e inclui defletor também preto. Cresceu em comprimento 7 cm (426 cm) em relação ao T-Cross (419 cm). Os racks de teto são discretos. O porta-malas do novo modelo, de 415 litros, ficou maior do que o T-Cross que tem 373 litros, na posição normal do encosto do banco traseiro (na posição vertical aumenta para 420 litros, mas é incômodo). As rodas de liga leve são exclusivas e têm desenho arrojado.

Outro destaque de estilo: conjunto de faróis, luzes diurnas e de neblina, além das lanternas traseiras. Nas versões mais caras tudo em LED. Internamente o painel e o quadro de instrumentos digital são do Polo, embora a nova central multimídia VW Play e o volante (igual ao do novo Golf) sejam diferenças marcantes. O suporte para celular foi eliminado. Os materiais de acabamento são simples demais, inclusive sua textura. No apoio de braço nas portas há apenas uma pequena faixa de tecido. Atrás, o espaço para pernas e cabeças dos passageiros será igual ao do Polo.

O motor será sempre o 1-litro de 128 cv/20,4 kgfm (etanol) e câmbio automático epicíclico de seis marchas. Espera-se que a fábrica tenha feito um ajuste fino no câmbio para evitar os atuais pequenos trancos na arrancada.
A VW iniciará pré-vendas em junho. Entregas das primeiras unidades devem ficar para o final de julho ou mesmo agosto. Ainda não anunciou preços, mas a gama de versões será enxuta. Na média (com alguma superposição) ficará entre Polo e T-Cross, na faixa de R$ 70.000 a 100.000.


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Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).

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quinta-feira, 19 de março de 2020

Coluna do FERNANDO CALMON


Fernando Calmon
Novo Chevrolet Tracker está muito bem posicionado.

Os efeitos do novo coronavírus no mercado brasileiro de veículos serão perversos, mas ainda não dá para dimensioná-los. Mesmo porque o trabalho remoto instaurado por muitas empresas ameniza, em parte, a crise e pode ajudar na recuperação econômica.

Até agora o ano estava indo muito bem. A média diária de vendas de veículos leves e pesados atingiu 10.716 unidades de 1º de janeiro até segunda-feira, dia 16 (6,4% superior a 2019). Neste dia, porém, a média recuou 8%, para 9.861 unidades. A comercialização de usados também refletiu a insegurança sobre os rumos da economia e tinha caído cerca de 10%, segundo estimativas.

Problema da Covid-19 é mundial e teme-se falta de autopeças vindas do exterior. A Fenabrave ressalvou que os estoques nas concessionárias vão de 45 a 60 dias incluindo motos, máquinas e implementos. Então, daria para cobrir eventuais paradas das linhas de montagem e, avalio, sem atingir de forma homogênea todas as marcas. Cenário ruim, embora não desesperador, por se desconhecer o grau de retomada após esperados três meses de prostração.

Outro fator de incerteza – dólar no patamar de R$ 5 – pode atormentar as fabricantes de forma diferente. Antes devo ressalvar, ao contrário do pensamento corriqueiro, que há décadas o Brasil não exige índice mínimo de conteúdo de peças locais nos produtos aqui fabricados. A exceção ocorreu no período do programa Inovar-Auto (2012-2017), mas o motivo implícito foi segregar os modelos importados em época de real supervalorizado.

É difícil calcular hoje o conteúdo importado em razão de as autopeças também conterem itens vindos do exterior, principalmente na eletrônica de bordo. No geral estimo algo entre 40% (modelos recentes e alta incidência de eletrônicos) e 10% (aqueles há tempos no mercado). Quanto se repassará para o preço dependerá do conteúdo local do modelo e da estratégia de cada fabricante. Nessas circunstâncias, o impacto não será linear nem integral.

A GM sofreu o primeiro impacto da crise. Seu principal lançamento do ano, o novo SUV compacto Chevrolet Tracker, não teve lançamento presencial para concessionárias e imprensa (a empresa optou por streaming de vídeo). No entanto, anunciou preços tão competitivos quanto os dos Onix/Onix Plus, em 2019 (embora estes já tenham até sido majorados).

O Tracker começa em R$ 82 mil e chega a R$ 112 mil. Motores, só tricilindros turboflex, desde o atual 1-L dos Onix (116 cv/16,8 kgfm) ao novo 1,2-L (132 cv/21,4 kgfm), como antecipei no ano passado. Nos dois casos, potência e torque são inferiores aos modelo que se despediu. Apesar de o novo SUV ser, em média, 160 kg mais leve que o anterior, na relação peso-potência a versão de menor cilindrada fica em posição inferior (10,6 kg/cv) e a mais potente quase iguala (9,3 kg/cv, agora; antes 9,1 kg/cv). Isso será avaliado na próxima coluna.

Espaço interno melhorou um pouco: o novo modelo é 1,5 cm maior tanto na largura (179 cm) quanto na distância entre eixos (257 cm). Apesar de o carro ser mais baixo, o espaço para cabeça foi ampliado. Grande avanço foi no porta-malas, que passou a 393 litros (antes, 306 litros) ou 28% superior ao acanhado volume anterior.


ALTA ROTAÇÃO


NO MOMENTO, não há notícias de atrasos em lançamentos. Volkswagen ainda não marcou data para o esperado Nivus (SUV compacto com teto que lembra cupês), mas produção está prevista para 1º de junho. Já seu SUV médio argentino, só em 1º de janeiro de 2021. Picape Amarok (272 cv) deve chegar em maio, pois acaba de estrear na Argentina.

APRESENTAÇÕES presenciais, porém, vêm sendo canceladas, uma atrás da outra. No caso de produto inteiramente novo, como a picape Fiat Strada, em abril, haverá transmissão ao vivo pela internet. Fabricantes sabem que impacto é menor do que uma convenção. Contudo, evitar reunir grande número de pessoas e viagens de avião atendem a recomendações do ministério da Saúde.

CAOA CHERY lançou o sedã anabolizado Arrizo 5, modelo 2021, com câmbio CVT de nove marchas (antes, sete) e aumento de 10% no torque (19,4 para 21,4 kgfm). São nítidas as diferenças na arrancada inicial e menos ruído em velocidades de estrada (a 120 km/h, apenas 1.900 rpm). Versão mais cara tem teto solar e rodas de 17 polegadas. Preços subiram: R$ 74.590 a R$ 83.590.

RENAULT apresentou na Europa o veículo conceitual elétrico Morphoz, inovador em um ponto bem interessante. A distância entre eixos pode ser ampliada em até 20 cm, passando de 2,73 m para impressionantes 2,93 m, o que melhora sobremaneira o conforto em viagens. Não há pormenores sobre a viabilidade técnica, porém esteticamente a solução ficou boa.

SOLUÇÃO atraente está sendo proposta pela ZF. Trata-se do primeiro freio de estacionamento eletromecânico dianteiro, no lugar da aplicação universal nas rodas traseiras. Além de ampliar o espaço interno, em especial nos carros compactos, trata-se de solução mais econômica e segura. Ideia vem sendo oferecida a fabricantes de veículos e espera encontrar interessados.

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Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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quinta-feira, 12 de março de 2020

Coluna do FERNANDO CALMON


Fernando Calmon
Duster se reinventa sem alterar preços
O mercado de SUVs no mundo não para de crescer. A onda se originou nos Estados Unidos e se transformou em maremoto ao responder por 55% do mercado total de modelos leves. Os que mais sofreram foram os sedãs. Na Europa, utilitários para lazer e quotidiano já representam cerca de um terço de todas as vendas.


São veículos mais pesados e o aumento no consumo de combustível da frota de novos é relevante. Num momento em que todos os fabricantes enfrentam o rigor de regulamentações de emissões e economia. Esse problema afeta em especial modelos europeus. A hibridização tem ajudado e versões elétricas também, mas não será fácil evitar multas a fabricantes “faltosos”.

No Brasil, o fenômeno se repete. Em 2003 o Ford EcoSport foi o primeiro SUV compacto e o sucesso, crescente. O conjunto de todos os utilitários passou de 2% do total comercializado naquele ano para 20% em 2019. Se retiradas as picapes e acrescentados os “aventureiros”, que não passam de hatches enfeitados, os SUVs no Brasil chegarão a 23% em 2020. E a tendência é aumentar nos próximos anos para perto de 30%.

Essa reviravolta nas escolhas de consumidor e o aumento da oferta de novos modelos “altinhos” levaram ao acirramento da concorrência. Isso explica os investimentos da Renault no seu SUV de entrada, o Duster, que acaba de chegar às lojas. Ele enfrentará nada menos de 13 concorrentes, incluindo a nova geração do Chevrolet Tracker agora em março e o inédito VW Nivus em maio.

O Duster passou por profunda remodelação, na prática uma nova geração, ao se considerar que nenhuma peça externa se manteve sem alteração. A maior inclinação do para-brisa suavizou suas linhas, ainda inconfundíveis e robustas. Faróis e lanternas dianteiras e traseiras são novos. O capô ficou mais alto. Único pormenor destoante, o conjunto de faróis de longo alcance no pacote Outsider peca por excesso.

O interior está todo renovado com certo grau de refinamento: central multimídia de 8 polegadas, ar-condicionado de comando digital, apliques de tecido nas laterais de porta, volante com regulagem de altura (sem a incômoda queda-livre ao se liberar a trava) e agora também de distância. A vedação de portas aprimorada ajuda muito na redução de ruído.

Novos equipamentos estão disponíveis: sistema ESC, sensores de pontos cegos e crepuscular, além de quatro câmeras. Permanecem apenas dois airbags obrigatórios. Não há portas USB atrás e a tomada para 12 volts está mal localizada. O motor de 1,6 L/120 cv (etanol) não mudou e se ressente um pouco dos 40 kg extras do novo Duster. O motor de 2 L foi descontinuado. O 1,3-L turbo tricilindro chegará, porém antes no irmão mais sofisticado, Captur. O câmbio automático CVT é o único disponível nas versões intermediária e de topo (manual, só no modelo de entrada).

A assistência elétrica da direção diminuiu o esforço em manobras e melhorou o prazer de dirigir, em razão também de maior rigidez da carroceria e suspensões recalibradas. Bancos dianteiros mais confortáveis dão boa sustentação lateral. O Duster tem nada menos de 23,7 cm de altura livre do solo e o maior porta-malas do segmento, 475 litros.

Outro ponto a destacar são os preços sem alteração: de R$ 71.790 a 87.490.

ALTA RODA

Anfavea, associação dos fabricantes de veículos, mantém sua aposta de que este ano o mercado de veículos leves e pesados vai passar a barreira dos 3 milhões de unidades ou 9,4% acima de 2019. As vendas acumuladas em 2020, de 1º de janeiro a 5 de março, em comparação a igual período do ano passado, subiram 7,4%. Isso indica cenário alinhado ao quarto ano seguido de recuperação.

Entidade sugeriu revisão do IOF no financiamento de veículos, pois se trata de imposto regulatório e não arrecadatório. Dentro da penúria fiscal do governo central será difícil abrir mão de qualquer tipo de receita. A Anfavea também observou ligeiro aumento nos juros cobrados por bancos, apesar da redução na inadimplência e na taxa básica Selic, o que sempre atrapalha.

Polo GTS devolve cada real de seu alto preço em termos de equipamentos (vários deles importados), além de respostas de motor (1,4 L turboflex, 150 cv e 25,5 kgfm), direção e suspensões. Ideal seria altura de rodagem mais baixa tanto em termos estéticos quanto desempenho ainda melhor em curvas. Bancos dianteiros do Volkswagen aliam estética e ótima sustentação lateral.

Salão do Automóvel de São Paulo mal foi adiado para 2021 e já surgiu a primeira desistência. General Motors alegou não participar mais de eventos em “formato analógico”. Interessante de ver como será a organização do Salão de Detroit deste ano (7 a 20 de junho), pois a empresa confirmou participação. Ótima oportunidade para descobrir as reais diferenças e até copiar, se possível...

Lâmpadas de LED para faróis da Osram introduzem novidades. Unidade de controle CAN BUS evita mensagens falsas de lâmpada queimada para o computador de bordo do veículo. A empresa desenvolveu um sistema de arrefecimento passivo a fim de diminuir a temperatura do ar dentro do farol, o que melhora desempenho e vida útil do produto.

PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Coluna do FERNANDO CALMON


Fernando Calmon
Trocar de carro continua a  atrair
Faltam poucos dias para terminar o ano e o mercado de veículos leves e pesados deve crescer entre 9% e 10%, pouco abaixo das previsões de 2019 feitas em janeiro. No mês passado, as vendas caíram 4,4% ante outubro, mas essa comparação é inadequada por efeito de sazonalidades como o número de dias úteis. A referência que importa são as 12.116 unidades vendidas por dia útil em novembro. É o melhor resultado mensal desde dezembro de 2014 e ajudou a diminuir os estoques totais (em concessionárias e fabricantes) de 45 para 41 dias.


O Brasil precisará de mais três ou quatro anos de bons resultados para igualar os números de 2012/2013. Sem esquecer que as referências do passado vieram de incentivos fiscais válidos, mas não por períodos tão longos e mal-administrados. Para em 2023 o mercado voltar aos 3,8 milhões de unidades vendidas em 2012 é necessário que a demanda por veículos continue em alta e autossustentável.

Em busca de respostas, a Anfavea divulgou uma pesquisa sobre intenção de compra em 2020. O próximo ano será importante do ponto de vista econômico, pois há indicações de que o crescimento do PIB deve dobrar de 1,2% em 2019 para 2,4% ou até um pouco mais. Foram 6.727 entrevistas em todo o País agora em novembro, mas sem recortes de localização e renda dos entrevistados.

Do total, 88% afirmaram pretender trocar de carro por um novo ou usado. Entre os que não possuem automóvel a intenção de compra em 2020 atinge 93%, patamar surpreendente. Estes são os principais motivos (mais de um podia ser apontado) para a troca:

• O carro atual já está velho (35%);
• Troco o carro de tempo em tempo (34%);
• Família cresceu e preciso de mais espaço (14%);
• Vou usar para outras finalidades: aplicativo, táxi etc. (6%);
• Preciso de um carro menor (4%);
• Resolvi vender e não quero mais ter carro (1%);
• Outro motivo (17%).

Nessa pesquisa entre os que consultam anúncios de compra e venda na internet, apenas 1% não quer mais ter carro. Trata-se de um resultado surpreendente para quem acha que possuir um veículo é algo superado ou deixou de empolgar. Os motivos para não trocar de carro: 38%, situação financeira; 5%, outras formas de mobilidade; e 5%, sustentabilidade. Também perguntou por que não comprar um carro: 46%, situação financeira; 18%, outras formas de mobilidade; e 10%, usa o veículo de parentes e amigos.

A interpretação dos dados demonstra o desejo muito forte de possuir um carro. Entre as ressalvas, os entrevistados disseram que andam a pé, de trem, ônibus, metrô, moto e bicicleta, pegam caronas, apelam para carros de aplicativos/táxis ou têm apreço pelo meio ambiente para evitar a compra de um carro.

O balanço final mostra que todas as alternativas não apresentam massa crítica capaz de diminuir muito o interesse de comprar ou trocar de carro.

ALTA RODA
PRIMEIRO SUV cupê da VW se chamará Nivus, terá mesmo entre-eixos do Polo, como o T-Cross europeu (o feito aqui tem entre-eixos maior, do Virtus). Lançamento será entre março e abril de 2020. O SUV médio e a picape intermediária, ambos fabricados na Argentina, ficaram para o início de 2021 e de 2022, respectivamente.

NOVO Chevrolet Tracker, previsto para estrear em março próximo, ajudará a alavancar as exportações da marca juntamente com os novos Onix. A subsidiária mexicana deixará de exportar o Tracker e passará a receber o modelo brasileiro. Segundo Carlos Zarlenga, presidente da empresa, as exportações da GM a partir do Brasil vão crescer 35% em 2020.

RELAÇÃO entre preço e desempenho das mais atraentes no Renault Sandero R.S. Sem custar muito (RS 70.000), o modelo oferece ao motorista desempenho honesto para a proposta, ótimo comportamento em curvas, câmbio manual de seis marchas, freios bem dimensionados, bons bancos e ronco instigante do motor. Direção assistida eletro-hidráulica é precisa e rápida, mas um tanto pesada.

CHEVROLET EQUINOX ganhou motor 1,5 turbo de 172 cv (só gasolina), câmbio automático de seis marchas e assim oferece agora preço competitivo, a partir de R$ 129.990. O SUV médio destaca-se pelo bom espaço interno e porta-malas amplo (468 litros). Desempenho está entre os melhores do segmento. Versão Midnight (tudo preto) por R$ 131.990 com rodas de aro 18 pol.

CAOA CHERY crescerá em ritmo mais forte em 2020. Dos cinco lançamentos, dois serão revitalizações – Tiggo 5x e Tiggo 2 – e três totalmente novos: Tiggo 8, Arrizo 6 e outro produto não revelado que pode ficar para 2021. O grupo investirá mais no mercado de locação veicular. Por sua vez, Caoa praticamente desistiu de comprar a fábrica fechada da Ford em São Bernardo do Campo (SP).

T60 completa linha de SUVs da JAC a preço competitivo: R$ 99.990. Dimensões não estão entre as maiores do segmento, mas o motor 1,5 turbo a gasolina, 168 cv, garante bom desempenho, embora o câmbio automático CVT de seis marchas virtuais tenha limitações de praxe. Tela multimídia muito boa de 10,2 pol. Porta-malas razoável, mas longe dos 650 litros informados.

PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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