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quinta-feira, 2 de julho de 2020

Coluna do FERNANDO CALMON


Fernando Calmon
Strada será líder cada vez mais 
Picapes são veículos comerciais e, assim, costumam mudar pouco. A Fiat lidera há 20 anos o segmento e chegou a hora de evoluir inclusive em razão da legislação de segurança. E o fez com grande competência na segunda geração da Strada. Não é a primeira compacta com cabine dupla, quatro portas e cinco ocupantes (a Renault Duster Oroch é de 2015). No entanto, criou um veículo novo de para-choque a para-choque e pretende ampliar o seu uso em lazer de 5% para 25% das vendas.

Inspiração estilística na picape média Toro deu bom resultado. Dimensões principais tiveram poucas alterações. O espaço interno aumentou, em especial no banco traseiro, adequado para dois adultos e uma criança. As portas traseiras abrem-se num ótimo ângulo de 80 graus. Houve ganho no volume da caçamba (não tanto na cabine dupla), agora com tampa bem leve de manusear. O peso em ordem de marcha não aumentou e a carga útil subiu 20 kg.

A nova Strada ganhou em ângulo de entrada e distância livre ao solo, o que faz diferença no uso para trabalho. Ergonomia melhorou e recebeu elementos do Uno e Mobi. Central multimídia de 7 pol. é a primeira que permite conexão sem fio com qualquer tipo de celular (iOS ou Android). Além do obrigatório controle de estabilidade há quatro airbags de série. Grande evolução na dirigibilidade e no desempenho graças à direção eletroassistida apenas quando utiliza o motor Firefly de 1,3 L e 109 cv (etanol). São 21 cv a mais que o veterano de 1,4 L, ainda oferecido nas versões de entrada com direção hidráulica.

Preços começam em R$ 63.590 para a cabine Plus (estendida) e vão a R$ 79.900, cabine dupla, que inclui faróis de LED. Para a Strada faltam apenas sete anos para se igualar ao VW Gol, modelo que permaneceu líder por mais tempo.

NIVUS INFLAMA SEGMENTO DOS SUVS COMPACTOS
Um dos lançamentos mais aguardados do ano foi muito bem planejado. A Volkswagen o dividiu em várias etapas até a revelação do preço na semana passada. O Nivus traz apenas duas versões: Comfortline, R$ 85.890, e Highline, R$ 98.290. As três primeiras revisões (R$ 1.600) são grátis. Só há um pacote de opcionais para a Comfortline por R$ 3.520: central multimídia VW Play, controle de velocidade adaptativo (ACC, em inglês), frenagem autônoma de emergência (AEB, em inglês) e volante em couro.

Primeiro SUV cupê compacto projetado no Brasil, o estilo é um dos pontos altos, inclusive bem diferente do seu irmão de segmento o T-Cross, a começar pelo número de janelas laterais: três contra duas. O T-Cross já andou disputando em alguns meses a liderança com o Jeep Renegade, o mais vendido ao longo de 2019.

O Nivus é um produto até certo ponto sofisticado. Pode ser guiado com alguma esportividade mesmo com o vão livre do solo aumentado em quase 3 cm em relação ao Polo, que usa a mesma arquitetura. A posição ao volante não é tão alta como a do T-Cross e outros 13 concorrentes. Oferece porta-malas de 415 litros, volume próximo aos do Honda HR-V, Nissan Kicks e Hyundai Creta.

Com o motor turbo de 1 L e 128 cv (etanol), câmbio automático de 6 marchas e aceleração de 0 a 100 km/h em 10 s, perde para o Chevrolet Tracker, que tem 1,2 L e 133 cv. A VW, no entanto, deixará reservado o motor de 1,4 L e 150 cv para o T-Cross, o que faz todo o sentido. Embora não seja o modelo de menor consumo, o tanque de 52 litros permite autonomia, pelo ciclo de aferição Inmetro, de 556 km (urbano) e 686 km (rodoviário) com gasolina.

A central multimídia VW Play é uma das melhores do mercado pelo tamanho (10,1 pol.), qualidade da tela e aplicativos incluídos. Conexão sem fio só para Apple Car Play, o Android Auto exige cabo. O Nivus deve tirar mercado do T-Cross, mas a soma dos dois produtos talvez leve a VW a liderar o segmento.

ESTILO E PORTA-MALAS DESTACAM-SE NO ARRIZO 6
Um sedã de silhueta no estilo fastback, coeficiente aerodinâmico (Cx) de 0,28 e maior porta-malas do segmento (570 litros). Assim é o Arrizo 6, da Caoa Chery, em versão única e completa por preço competitivo de R$ 108.750. À exceção do comprimento maior (4,67 m) e altura (irrisórios 6 mm de diferença), distância entre-eixos, largura, conjunto de motor (1,5 L turboflex de 150 cv, sem injeção direta) e câmbio CVT de 9 marchas são os mesmos do Arrizo 5, porém o novo modelo tem estilo bem atraente. Entre os concorrentes estão Toyota Corolla, Honda Civic, Chevrolet Cruze e VW Jetta.

Destacam-se saídas de ar-condicionado horizontais bem largas e estreitas com comando eletrônico duplo, incluindo também o banco traseiro. Há duas portas USB dianteiras, uma traseira e tomada de 12 volts. Sistema multimídia de 9 pol. tem conexão direta com Apple CarPlay, mas Android Auto exige programa de espelhamento. Câmeras com visão de 360° e indicador de fadiga são de série.

Manteve o freio de estacionamento elétrico e função de autoacionamento bastante útil no dia a dia. A coluna de direção tem regulagem de altura, mas não de distância. Diferença de peso de apenas 8 kg em relação ao Arrizo 5 garante o mesmo bom desempenho: aceleração de 0 a 100 km/h em 9,98 s, de acordo com a fabricante.

PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmofernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2


quinta-feira, 25 de junho de 2020

Chegou o Nivus, o novo carro da Volkswagen


"O Nivus é o coração da Nova Volkswagen. Daqui do Brasil, projetamos um carro global, para fazer sucesso nos mercados mais competitivos do mundo", destaca Pablo Di Si, Presidente e CEO da Volkswagen América Latina. "Por isso, a chegada às concessionárias no Brasil, programada para o início de agosto é motivo de orgulho e otimismo para todos nós", completa. Fabricado na planta da Volkswagen na Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), o Nivus é um personagem fundamental na maior ofensiva de produtos da Volkswagen na América Latina.


Gama simplificada e preços competitivos. Primeiro ‘smart car’ do País, o Nivus tem uma oferta enxuta e de baixa complexidade, tanto de versões quanto de opcionais. O seu ‘New Volkswagen’ será oferecido nas versões Comfortline 200 TSI por R$ 85.890 e na versão Highline 200 TSI por R$ 98.290. Ambas equipadas com elevado nível de itens de série voltados para o conforto, comodidade e segurança, sem abrir mão das características visuais marcantes do modelo..

Muito conteúdo desde a versão de entrada. Além do consagrado motor 200 TSI e da transmissão automática de seis marchas, o Nivus traz de série em todas as configurações direção com assistência elétrica, seis airbags (dois frontais, dois laterais e dois de cortina), auxílio de partida em rampa (Hill Hold Control), controle eletrônico de estabilidade (ESC) e de tração (ASR), faróis de LED com função ‘Coming & Leaving home’ e DRL em LED integrado, lanternas traseiras de LED, câmera de ré, volante multifuncional, ISOFIX e top tether para fixação de cadeirinha infantil, sensor de estacionamento traseiro (Park Pilot), freios a disco nas quatro rodas, espelhos retrovisores externos eletricamente ajustáveis com função tiltdown no lado direito, saídas traseiras do ar-condicionado e USB para passageiros do banco traseiro, entre muitos outros equipamentos.


Para a versão topo de linha Highline, que chega completa, oferecendo apenas a cor como opcional, o nível de features impressiona, colocando o Nivus como referência em conteúdo. Ela traz de série o controle de cruzeiro adaptativo ACC (Adaptive Cruise Control), um item exclusivo nessa classe de veículo no Brasil. Também é equipado com sistemas de frenagem autônoma de emergência AEB (City Emergency Brake), Front Assist, Post Collision Brake, ar-condicionado com controle eletrônico de temperatura ‘Climatronic’, faróis de neblina em LED com função ‘Cornering Light’, revestimento dos bancos com revestimento sintético ‘Native’, rodas de liga leve de 17 polegadas, sensores de chuva e crepuscular, sensores de estacionamento traseiros e dianteiros (Park Pilot), detector de fadiga, sistema KESSY (acesso ao veículo sem o uso da chave e botão para partida do motor), entrada USB no console central dianteiro e novo volante multifuncional revestido em couro e com ‘shift-paddles’, o mesmo utilizado pelo Novo Golf na Alemanha.

Ilha digital - A cereja do bolo fica por conta da "Ilha digital", a combinação do painel de instrumentos configurável Active Info Display de 10,25 polegadas e da
nova central de infotainment VW Play, totalmente desenvolvida no Brasil com foco no consumidor local. E itens de série no Nivus Highline. O VW Play é uma incrível tela temperada anti-risco de altíssima resolução, de 10,1 polegadas sensível ao toque, com funcionamento semelhante ao de um tablet ou smartphone, estabelecendo um novo patamar de conectividade, streaming e serviços no mercado. Destaque para a conexão de internet via celular, manual cognitivo, APP ‘Meu VW’ pré-instalado (possibilitando o agendamento de revisões periódicas, por exemplo), e a inédita VW Play Apps, uma loja virtual exclusiva de aplicativos que podem ser baixados na memória interna de 10GB, como iFood, Deezer, Estapar, Porto Seguro, Waze, Ubook, entre outros. É uma experiência inédita de uso do infotainment como um tablet a bordo.



O lineup do Nivus contará com seis opções de cores: Branco Cristal, Preto Ninja, Prata Sirius, Cinza Platinum, Vermelho Sunset e Cinza Moonstone. Estas duas últimas criadas exclusivamente para o modelo.

Performance e dirigibilidade. Confiável, eficiente o motor 200 TSI Total Flex equipa as duas versões do Volkswagen Nivus, proporcionando acelerações e retomadas vigorosas. Com turbocompressor e injeção direta de combustível, este propulsor gera até 128 cv (94 kW) de potência e excelente torque de 20,4 kgfm (200 Nm) já a partir de 2.000 rpm. O resultado é um Nivus extremamente ágil e esperto a todo momento. O motor 200 TSI está acoplado à consagrada transmissão automática de seis marchas (AQ250).

Em números, o Nivus acelera de 0 a 100 km/h em apenas 10 segundos e atinge a velocidade máxima de 189 km/h, com etanol. Com relação ao consumo
de combustível, o seu ‘New Volkswagen’ obteve, conforme normas do INMETRO, 10,7 km/l (gasolina) e 7,7 km/l (etanol) no ciclo urbano, enquanto no rodoviário os dados foram de 13,2 km/l (gasolina) e 9,4 km/l (etanol).

A grande novidade é o controle de cruzeiro adaptativo ACC (Adaptive Cruise Control), que permite ao motorista determinar a velocidade que deseja trafegar e a distância que quer manter em relação ao veículo à frente. A partir destes parâmetros, o Nivus acelera e freia automaticamente em função do tráfego.

Atrelado ao ACC está o monitoramento frontal de veículos e o sistema de frenagem autônoma de emergência AEB (City Emergency Brake), que evita uma colisão frontal a até 50 km/h, freando automaticamente (sem qualquer interferência do motorista) o veículo ao identificar um risco iminente de acidente. Em velocidades superior, o sistema também atua com o propósito de evitar danos físicos maiores aos ocupantes.


Versatilidade única e design funcional. O Nivus é produzido sobre a multifacetada Estratégia Modular MQB, presente nos modelos Polo, Virtus, T-Cross, Jetta, Passat e Tiguan Allspace. Sua incrível flexibilidade é um dos vários recursos que tornam o Nivus um veículo de versatilidade única no mercado brasileiro. Destaque para o porta-malas, com capacidade para 415 litros, número superior ao dos hatches médios e até mesmo de alguns sedãs. Suas medidas permitem o transporte de cargas volumosas, assim como a amplitude da abertura de sua tampa facilita o acesso ao compartimento com grandes objetos. O espaço interno é outra virtude do Nivus. Com 4.266 mm de comprimento, 2.566 mm de distância entre-eixos, 1.757 mm de largura e 1.493 mm de altura, o crossover coupé de personalidade única e marcante transporta até cinco ocupantes com muito conforto para pernas, joelhos, ombros e cabeças. 

quinta-feira, 19 de março de 2020

Coluna do FERNANDO CALMON


Fernando Calmon
Novo Chevrolet Tracker está muito bem posicionado.

Os efeitos do novo coronavírus no mercado brasileiro de veículos serão perversos, mas ainda não dá para dimensioná-los. Mesmo porque o trabalho remoto instaurado por muitas empresas ameniza, em parte, a crise e pode ajudar na recuperação econômica.

Até agora o ano estava indo muito bem. A média diária de vendas de veículos leves e pesados atingiu 10.716 unidades de 1º de janeiro até segunda-feira, dia 16 (6,4% superior a 2019). Neste dia, porém, a média recuou 8%, para 9.861 unidades. A comercialização de usados também refletiu a insegurança sobre os rumos da economia e tinha caído cerca de 10%, segundo estimativas.

Problema da Covid-19 é mundial e teme-se falta de autopeças vindas do exterior. A Fenabrave ressalvou que os estoques nas concessionárias vão de 45 a 60 dias incluindo motos, máquinas e implementos. Então, daria para cobrir eventuais paradas das linhas de montagem e, avalio, sem atingir de forma homogênea todas as marcas. Cenário ruim, embora não desesperador, por se desconhecer o grau de retomada após esperados três meses de prostração.

Outro fator de incerteza – dólar no patamar de R$ 5 – pode atormentar as fabricantes de forma diferente. Antes devo ressalvar, ao contrário do pensamento corriqueiro, que há décadas o Brasil não exige índice mínimo de conteúdo de peças locais nos produtos aqui fabricados. A exceção ocorreu no período do programa Inovar-Auto (2012-2017), mas o motivo implícito foi segregar os modelos importados em época de real supervalorizado.

É difícil calcular hoje o conteúdo importado em razão de as autopeças também conterem itens vindos do exterior, principalmente na eletrônica de bordo. No geral estimo algo entre 40% (modelos recentes e alta incidência de eletrônicos) e 10% (aqueles há tempos no mercado). Quanto se repassará para o preço dependerá do conteúdo local do modelo e da estratégia de cada fabricante. Nessas circunstâncias, o impacto não será linear nem integral.

A GM sofreu o primeiro impacto da crise. Seu principal lançamento do ano, o novo SUV compacto Chevrolet Tracker, não teve lançamento presencial para concessionárias e imprensa (a empresa optou por streaming de vídeo). No entanto, anunciou preços tão competitivos quanto os dos Onix/Onix Plus, em 2019 (embora estes já tenham até sido majorados).

O Tracker começa em R$ 82 mil e chega a R$ 112 mil. Motores, só tricilindros turboflex, desde o atual 1-L dos Onix (116 cv/16,8 kgfm) ao novo 1,2-L (132 cv/21,4 kgfm), como antecipei no ano passado. Nos dois casos, potência e torque são inferiores aos modelo que se despediu. Apesar de o novo SUV ser, em média, 160 kg mais leve que o anterior, na relação peso-potência a versão de menor cilindrada fica em posição inferior (10,6 kg/cv) e a mais potente quase iguala (9,3 kg/cv, agora; antes 9,1 kg/cv). Isso será avaliado na próxima coluna.

Espaço interno melhorou um pouco: o novo modelo é 1,5 cm maior tanto na largura (179 cm) quanto na distância entre eixos (257 cm). Apesar de o carro ser mais baixo, o espaço para cabeça foi ampliado. Grande avanço foi no porta-malas, que passou a 393 litros (antes, 306 litros) ou 28% superior ao acanhado volume anterior.


ALTA ROTAÇÃO


NO MOMENTO, não há notícias de atrasos em lançamentos. Volkswagen ainda não marcou data para o esperado Nivus (SUV compacto com teto que lembra cupês), mas produção está prevista para 1º de junho. Já seu SUV médio argentino, só em 1º de janeiro de 2021. Picape Amarok (272 cv) deve chegar em maio, pois acaba de estrear na Argentina.

APRESENTAÇÕES presenciais, porém, vêm sendo canceladas, uma atrás da outra. No caso de produto inteiramente novo, como a picape Fiat Strada, em abril, haverá transmissão ao vivo pela internet. Fabricantes sabem que impacto é menor do que uma convenção. Contudo, evitar reunir grande número de pessoas e viagens de avião atendem a recomendações do ministério da Saúde.

CAOA CHERY lançou o sedã anabolizado Arrizo 5, modelo 2021, com câmbio CVT de nove marchas (antes, sete) e aumento de 10% no torque (19,4 para 21,4 kgfm). São nítidas as diferenças na arrancada inicial e menos ruído em velocidades de estrada (a 120 km/h, apenas 1.900 rpm). Versão mais cara tem teto solar e rodas de 17 polegadas. Preços subiram: R$ 74.590 a R$ 83.590.

RENAULT apresentou na Europa o veículo conceitual elétrico Morphoz, inovador em um ponto bem interessante. A distância entre eixos pode ser ampliada em até 20 cm, passando de 2,73 m para impressionantes 2,93 m, o que melhora sobremaneira o conforto em viagens. Não há pormenores sobre a viabilidade técnica, porém esteticamente a solução ficou boa.

SOLUÇÃO atraente está sendo proposta pela ZF. Trata-se do primeiro freio de estacionamento eletromecânico dianteiro, no lugar da aplicação universal nas rodas traseiras. Além de ampliar o espaço interno, em especial nos carros compactos, trata-se de solução mais econômica e segura. Ideia vem sendo oferecida a fabricantes de veículos e espera encontrar interessados.

PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Coluna do FERNANDO CALMON


Fernando Calmon
Trocar de carro continua a  atrair
Faltam poucos dias para terminar o ano e o mercado de veículos leves e pesados deve crescer entre 9% e 10%, pouco abaixo das previsões de 2019 feitas em janeiro. No mês passado, as vendas caíram 4,4% ante outubro, mas essa comparação é inadequada por efeito de sazonalidades como o número de dias úteis. A referência que importa são as 12.116 unidades vendidas por dia útil em novembro. É o melhor resultado mensal desde dezembro de 2014 e ajudou a diminuir os estoques totais (em concessionárias e fabricantes) de 45 para 41 dias.


O Brasil precisará de mais três ou quatro anos de bons resultados para igualar os números de 2012/2013. Sem esquecer que as referências do passado vieram de incentivos fiscais válidos, mas não por períodos tão longos e mal-administrados. Para em 2023 o mercado voltar aos 3,8 milhões de unidades vendidas em 2012 é necessário que a demanda por veículos continue em alta e autossustentável.

Em busca de respostas, a Anfavea divulgou uma pesquisa sobre intenção de compra em 2020. O próximo ano será importante do ponto de vista econômico, pois há indicações de que o crescimento do PIB deve dobrar de 1,2% em 2019 para 2,4% ou até um pouco mais. Foram 6.727 entrevistas em todo o País agora em novembro, mas sem recortes de localização e renda dos entrevistados.

Do total, 88% afirmaram pretender trocar de carro por um novo ou usado. Entre os que não possuem automóvel a intenção de compra em 2020 atinge 93%, patamar surpreendente. Estes são os principais motivos (mais de um podia ser apontado) para a troca:

• O carro atual já está velho (35%);
• Troco o carro de tempo em tempo (34%);
• Família cresceu e preciso de mais espaço (14%);
• Vou usar para outras finalidades: aplicativo, táxi etc. (6%);
• Preciso de um carro menor (4%);
• Resolvi vender e não quero mais ter carro (1%);
• Outro motivo (17%).

Nessa pesquisa entre os que consultam anúncios de compra e venda na internet, apenas 1% não quer mais ter carro. Trata-se de um resultado surpreendente para quem acha que possuir um veículo é algo superado ou deixou de empolgar. Os motivos para não trocar de carro: 38%, situação financeira; 5%, outras formas de mobilidade; e 5%, sustentabilidade. Também perguntou por que não comprar um carro: 46%, situação financeira; 18%, outras formas de mobilidade; e 10%, usa o veículo de parentes e amigos.

A interpretação dos dados demonstra o desejo muito forte de possuir um carro. Entre as ressalvas, os entrevistados disseram que andam a pé, de trem, ônibus, metrô, moto e bicicleta, pegam caronas, apelam para carros de aplicativos/táxis ou têm apreço pelo meio ambiente para evitar a compra de um carro.

O balanço final mostra que todas as alternativas não apresentam massa crítica capaz de diminuir muito o interesse de comprar ou trocar de carro.

ALTA RODA
PRIMEIRO SUV cupê da VW se chamará Nivus, terá mesmo entre-eixos do Polo, como o T-Cross europeu (o feito aqui tem entre-eixos maior, do Virtus). Lançamento será entre março e abril de 2020. O SUV médio e a picape intermediária, ambos fabricados na Argentina, ficaram para o início de 2021 e de 2022, respectivamente.

NOVO Chevrolet Tracker, previsto para estrear em março próximo, ajudará a alavancar as exportações da marca juntamente com os novos Onix. A subsidiária mexicana deixará de exportar o Tracker e passará a receber o modelo brasileiro. Segundo Carlos Zarlenga, presidente da empresa, as exportações da GM a partir do Brasil vão crescer 35% em 2020.

RELAÇÃO entre preço e desempenho das mais atraentes no Renault Sandero R.S. Sem custar muito (RS 70.000), o modelo oferece ao motorista desempenho honesto para a proposta, ótimo comportamento em curvas, câmbio manual de seis marchas, freios bem dimensionados, bons bancos e ronco instigante do motor. Direção assistida eletro-hidráulica é precisa e rápida, mas um tanto pesada.

CHEVROLET EQUINOX ganhou motor 1,5 turbo de 172 cv (só gasolina), câmbio automático de seis marchas e assim oferece agora preço competitivo, a partir de R$ 129.990. O SUV médio destaca-se pelo bom espaço interno e porta-malas amplo (468 litros). Desempenho está entre os melhores do segmento. Versão Midnight (tudo preto) por R$ 131.990 com rodas de aro 18 pol.

CAOA CHERY crescerá em ritmo mais forte em 2020. Dos cinco lançamentos, dois serão revitalizações – Tiggo 5x e Tiggo 2 – e três totalmente novos: Tiggo 8, Arrizo 6 e outro produto não revelado que pode ficar para 2021. O grupo investirá mais no mercado de locação veicular. Por sua vez, Caoa praticamente desistiu de comprar a fábrica fechada da Ford em São Bernardo do Campo (SP).

T60 completa linha de SUVs da JAC a preço competitivo: R$ 99.990. Dimensões não estão entre as maiores do segmento, mas o motor 1,5 turbo a gasolina, 168 cv, garante bom desempenho, embora o câmbio automático CVT de seis marchas virtuais tenha limitações de praxe. Tela multimídia muito boa de 10,2 pol. Porta-malas razoável, mas longe dos 650 litros informados.

PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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