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quinta-feira, 12 de março de 2020

Coluna do FERNANDO CALMON


Fernando Calmon
Duster se reinventa sem alterar preços
O mercado de SUVs no mundo não para de crescer. A onda se originou nos Estados Unidos e se transformou em maremoto ao responder por 55% do mercado total de modelos leves. Os que mais sofreram foram os sedãs. Na Europa, utilitários para lazer e quotidiano já representam cerca de um terço de todas as vendas.


São veículos mais pesados e o aumento no consumo de combustível da frota de novos é relevante. Num momento em que todos os fabricantes enfrentam o rigor de regulamentações de emissões e economia. Esse problema afeta em especial modelos europeus. A hibridização tem ajudado e versões elétricas também, mas não será fácil evitar multas a fabricantes “faltosos”.

No Brasil, o fenômeno se repete. Em 2003 o Ford EcoSport foi o primeiro SUV compacto e o sucesso, crescente. O conjunto de todos os utilitários passou de 2% do total comercializado naquele ano para 20% em 2019. Se retiradas as picapes e acrescentados os “aventureiros”, que não passam de hatches enfeitados, os SUVs no Brasil chegarão a 23% em 2020. E a tendência é aumentar nos próximos anos para perto de 30%.

Essa reviravolta nas escolhas de consumidor e o aumento da oferta de novos modelos “altinhos” levaram ao acirramento da concorrência. Isso explica os investimentos da Renault no seu SUV de entrada, o Duster, que acaba de chegar às lojas. Ele enfrentará nada menos de 13 concorrentes, incluindo a nova geração do Chevrolet Tracker agora em março e o inédito VW Nivus em maio.

O Duster passou por profunda remodelação, na prática uma nova geração, ao se considerar que nenhuma peça externa se manteve sem alteração. A maior inclinação do para-brisa suavizou suas linhas, ainda inconfundíveis e robustas. Faróis e lanternas dianteiras e traseiras são novos. O capô ficou mais alto. Único pormenor destoante, o conjunto de faróis de longo alcance no pacote Outsider peca por excesso.

O interior está todo renovado com certo grau de refinamento: central multimídia de 8 polegadas, ar-condicionado de comando digital, apliques de tecido nas laterais de porta, volante com regulagem de altura (sem a incômoda queda-livre ao se liberar a trava) e agora também de distância. A vedação de portas aprimorada ajuda muito na redução de ruído.

Novos equipamentos estão disponíveis: sistema ESC, sensores de pontos cegos e crepuscular, além de quatro câmeras. Permanecem apenas dois airbags obrigatórios. Não há portas USB atrás e a tomada para 12 volts está mal localizada. O motor de 1,6 L/120 cv (etanol) não mudou e se ressente um pouco dos 40 kg extras do novo Duster. O motor de 2 L foi descontinuado. O 1,3-L turbo tricilindro chegará, porém antes no irmão mais sofisticado, Captur. O câmbio automático CVT é o único disponível nas versões intermediária e de topo (manual, só no modelo de entrada).

A assistência elétrica da direção diminuiu o esforço em manobras e melhorou o prazer de dirigir, em razão também de maior rigidez da carroceria e suspensões recalibradas. Bancos dianteiros mais confortáveis dão boa sustentação lateral. O Duster tem nada menos de 23,7 cm de altura livre do solo e o maior porta-malas do segmento, 475 litros.

Outro ponto a destacar são os preços sem alteração: de R$ 71.790 a 87.490.

ALTA RODA

Anfavea, associação dos fabricantes de veículos, mantém sua aposta de que este ano o mercado de veículos leves e pesados vai passar a barreira dos 3 milhões de unidades ou 9,4% acima de 2019. As vendas acumuladas em 2020, de 1º de janeiro a 5 de março, em comparação a igual período do ano passado, subiram 7,4%. Isso indica cenário alinhado ao quarto ano seguido de recuperação.

Entidade sugeriu revisão do IOF no financiamento de veículos, pois se trata de imposto regulatório e não arrecadatório. Dentro da penúria fiscal do governo central será difícil abrir mão de qualquer tipo de receita. A Anfavea também observou ligeiro aumento nos juros cobrados por bancos, apesar da redução na inadimplência e na taxa básica Selic, o que sempre atrapalha.

Polo GTS devolve cada real de seu alto preço em termos de equipamentos (vários deles importados), além de respostas de motor (1,4 L turboflex, 150 cv e 25,5 kgfm), direção e suspensões. Ideal seria altura de rodagem mais baixa tanto em termos estéticos quanto desempenho ainda melhor em curvas. Bancos dianteiros do Volkswagen aliam estética e ótima sustentação lateral.

Salão do Automóvel de São Paulo mal foi adiado para 2021 e já surgiu a primeira desistência. General Motors alegou não participar mais de eventos em “formato analógico”. Interessante de ver como será a organização do Salão de Detroit deste ano (7 a 20 de junho), pois a empresa confirmou participação. Ótima oportunidade para descobrir as reais diferenças e até copiar, se possível...

Lâmpadas de LED para faróis da Osram introduzem novidades. Unidade de controle CAN BUS evita mensagens falsas de lâmpada queimada para o computador de bordo do veículo. A empresa desenvolveu um sistema de arrefecimento passivo a fim de diminuir a temperatura do ar dentro do farol, o que melhora desempenho e vida útil do produto.

PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmofernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2           

                                

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Coluna do FERNANDO CALMON

Alta Roda nº 1065/365– 03/10/2019

Fernando Calmon
Segurança essencial no trânsito 
Um balanço da tradicional Semana Nacional do Trânsito, este ano realizada de 18 a 25 de setembro, mostra pouco a comemorar. Há de se reconhecer os esforços do Contran ao estimular campanhas de segurança e motes sempre criativos. O deste ano foi “No trânsito, o sentido é a vida”.

Estatísticas da Seguradora Líder divulgadas naquela semana apontam que, em 2018, foram pagas 18 indenizações por morte a cada 100.000 habitantes. Significa algo em torno de 36.000 vidas perdidas. Ao considerar que o Brasil é o quinto país mais populoso do mundo, tem a sexta maior frota efetiva circulante e o quinto com maior número de acidentes fatais (segundo a Organização Mundial de Saúde), não estamos muito afastados da média internacional. Ainda assim bem preocupante. Alguns avanços foram alcançados, mas ainda há muito a fazer.

No Estado de São Paulo, onde circulam 35% da frota brasileira, a taxa de acidentes e de mortalidade é até razoável, embora distante de países centrais. Entretanto, pesquisa divulgada pela agência de transporte estadual aponta que 27% dos passageiros no banco traseiro, 6% dos motoristas e 9% dos viajantes no banco dianteiro não usam cinto de segurança. Isso apenas nas rodovias pedagiadas. Pode-se concluir que no restante das estradas esses números são piores.

O Brasil apresenta um fator de risco adicional para a letalidade no trânsito. Acidentes com motocicletas acontecem em proporção muito maior que os demais veículos e a mortalidade também pela vulnerabilidade do condutor e do passageiro, mesmo protegidos com capacete. Além de menos visíveis aos motoristas, virou regra a circulação entre as faixas de rolamento, muitas vezes em velocidade incompatível com a segurança.

No dia 10 de setembro, pouco antes do início da Semana Nacional do Trânsito, uma decisão da Justiça liberou o serviço de táxi e aplicativos para motocicletas na maior cidade do País, São Paulo. Havia uma lei municipal que proibia em razão do número de acidentes, feridos e mortes desproporcionais à frota. A prefeitura vai recorrer.

Há sugestões, porém, para conter o dano coletivo. Uma das empresas de aplicativos já avisou que aceitará motocicletas com até 10 anos de uso e motor acima de 100 cm³ de cilindrada. Uma alternativa seria endurecer exigências: veículos com no máximo três anos de uso, condutores com mais de cinco anos de habilitação e motores acima de 300 cm³ para dificultar a circulação de motos de maior porte entre os veículos. Isso encareceria tarifas e atratividade do serviço.

Outra decisão, com potencial de tornar ruas e estradas menos seguras, são as mudanças no processo de habilitação de motoristas que passaram a valer, por coincidência, na Semana Nacional do Trânsito. Simuladores de direção, que relativamente poucos países adotam, agora são opcionais e a carga horária de aulas práticas diminuiu.

Há o aspecto do custo menor para se obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), mas teria de vir acompanhado de uma avaliação mais rigorosa da qualidade de ensino das autoescolas. Outra possibilidade seria aumentar o prazo de avaliação, antes de converter a CNH de provisória em definitiva.

ALTA RODA

SERÁ que a solução dos congestionamentos passa pelos carros voadores? Há várias empresas estudando o assunto, entre elas Uber, Volocopter, Terrafugia, Kitty Hawk, além de Airbus, Boeing e Embraer. Na realidade, trata-se de derivação de helicópteros leves. Hyundai é um dos primeiros fabricantes de automóveis a anunciar planos para mobilidade aérea urbana.

VERSÃO praticamente final do Polo GTS pôde ser avaliada no Autódromo Capuava, em Indaiatuba (SP). Traz o conhecido 1,4-L turbo flex de 150 cv. Respostas são convincentes e, no modo Sport, há amplificação digitalizada do som do motor. Comportamento firme e preciso em curvas. Quadro de instrumentos é novo e inclui cronômetro no painel. Chega em janeiro próximo.

CAOA anunciou que o Chery Arrizo 5e, primeiro sedã elétrico no mercado, começa a ser vendido no início de 2020. Grade dianteira e rodas são as únicas mudanças externas. Internamente há uma tela multimídia vertical de 10 pol. específica para o modelo. Assoalho atrás é um pouco mais elevado. Apesar do baixo custo de rodagem, preço previsivelmente desanima: R$ 159.900.

CONECTIVIDADE 1. Sistema de roteamento Wi-Fi Vivo Car de conexão à internet já está disponível, para até cinco celulares a bordo, em automóveis fabricados a partir de 2010. Modem se acopla à porta de diagnósticos (OBD) para monitorar o funcionamento do carro e tem antena própria. Custa R$ 718,90 em 12 vezes e depois R$ 59,00/mês por 40 GB de dados móveis.

CONECTIVIDADE 2. Mobil Delvac equipou 10 caminhões para rotear Wi-Fi, na rede 4G, para até 30 usuários simultâneos de forma gratuita durante um ano. Ideia da empresa de lubrificantes é atender, prioritariamente, caminhoneiros em postos de combustível. Poderão usar a internet ou fazer chamadas por aplicativos e, assim, sentirem-se menos solitários.

PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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