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terça-feira, 26 de julho de 2016

Wagner Gonzalez em Conversa de pista


Wagner Gonzalez
UMA NOVA ESPERANÇA GANHA CORPO
Fotos: Rodrigo Ruiz

Praticar automobilismo no Brasil é uma atividade que já passou por fases das mais variadas, sempre marcadas por sacrifício, paixão e, em vários momentos, decepção. O empresário Marcos Galassi, pouco conhecido no meio até poucos anos atrás, parece ter nas mãos e na cabeça as condições para criar uma nova era positiva no esporte e, se os dirigentes não atrapalharem, e fazer uma nova esperança ganhar corpo. 

Foto: Rodrigo Berton
Se tudo correr bem, ele vai proporcionar o surgimento de uma nova geração de pilotos em condição de repetir a era iniciada pelos irmãos Fittipaldi e José Carlos Pace. Galassi é responsável pela criação da F-Inter, categoria que pouco a pouco se transforma de semente em árvore: na semana passada os primeiros monopostos construídos por José Minelli andaram juntos pela primeira vez durante uma apresentação formal no Autódromo de Piracicaba, no interior de São Paulo.

Chiquinho Lameirão e Angi Munhoz
Além de ter seus primeiros monopostos batizados por nomes como Alfredo Guaraná, Angi Munhoz, Artur Bragantini, Chiquinho Lameirão, Dito Gianetti, Luciano Zangirolami e Roberto Moreno, cujos currículos e páginas no automobilismo brasileiro dispensam detalhes, a categoria mostrou que seu fim não termina na formação de pilotos. Ao lançar sua categoria em Piracicaba, numa praça construída pela família Gianetti fora da zona de desconforto que Interlagos representa hoje, e reunir nomes que sempre levantaram a bandeira do automobilismo de raiz, Galassi mostrou que é um empresário calculista, mas jamais frio.

Alfredo Guaraná Menezes
Uma parceria com a Bosch gerou a criação da Academia Técnica Motorpsort, que vai utilizar a nova fórmula para como plataforma didática para a formação de técnicos especializados no automobilismo de competição. O curso será aberto a estudantes de engenharia e profissionais do setor e deverá ter seu custo subsidiado pela multinacional alemã. Haverá aulas presenciais no Centro de Treinamento Automotivo da Bosch, em Campinas,  e espera-se uma ampla participação dos alunos nas competições. Paralelamente, a categoria se encarrega de formar sua própria equipe de manutenção e apoio nas pistas, abrindo mais postos de trabalho em setores que raramente recebem atenção dos dirigentes e promotores.

Se a iniciativa junto à Bosch explica o alcance da proposta da F-Inter, a complexidade da promoção do campeonato traz à tona os entraves que um promotor enfrenta para criar uma nova categoria no Brasil. Para evitar a burocracia de ter uma categoria homologada pela Confederação Brasileira de Automobilismo, o calendário terá caráter regional e será disputado inicialmente apenas em São Paulo. Como todo o projeto tem um único dono e administrador e não há vínculo com nenhuma fábrica, nada impede que as competições sejam de caráter particular usando como circuitos as pistas de Interlagos, Piracicaba e Velo Città.

De qualquer forma, a Federação de Automobilismo de São Paulo já aprovou tacitamente o projeto, uma vez que o sucesso do empreendimento renderá mais pilotos filiados e, consequentemente, maior faturamento à entidade. Caso um promotor de outra praça tenha interesse em promover a categoria em outro estado, Galassi admite a possibilidade de faze-lo pelo sistema de franquia. Não deixa de ser interessante, por exemplo, para os organizadores do Circuito dos Cristais, em Curvelo (MG).

Marcos Galassi
Disputar uma temporada da F-Inter terá o custo aproximado de R$ 14 mil por etapa em um calendário de 11 provas. Nesse preço estão todos os custos de preparação, revisão, combustível, pneus, transporte, apoio na pista, treinamento de mídia, espaço reservado para apoiadores e patrocinadores e todas as possibilidades de aprendizado na incubadora de pilotos montada por Galassi, o que inclui até mesmo o uso de um simulador em escala 1:1.

Artur Bragantini
O carro projetado e construído por José Minelli utiliza um motor nacional de quatro cilindros e dois litros, com 191 cv de potência e 21 m·kgf de torque, instalado em um chassi tubular e acoplado a um câmbio de cinco marchas, construído pelo mesmo Minelli, ex-piloto e eterno apaixonado pelo esporte. As rodas de aro 13 têm tala de 8” (dianteira) e 11” (traseira), associadas a pneus Pirelli PZero VR 225/40VR13 e 265/540VR13, respectivamente. Até o momento nove pilotos já confirmaram participação na primeira temporada da F-Inter, cuja primeira competição deverá se realizar ainda este ano.

CAVALO CORRE ATRÁS DO TOURO
A renovação do contrato de Nico Rosberg com a Mercedes por mais dois anos — os dois ficam juntos até o final de 2018 —, parece ter trazido assopros de paz na equipe alemã: ao final do GP da Hungria ele e o vencedor Lewis Hamilton voltaram a se cumprimentar ao final da corrida. O australiano Daniel Ricciardo completou o pódio e assistiu, certamente surpreso, a tal demonstração de estima e consideração, particularmente porque o resultado inverteu a classificação do campeonato de pilotos, agora liderado pelo inglês.

No andar de baixo da antessala do pódio, porém, a atmosfera era bem mais agitada, a começar pelo box da Ferrari: mais uma vez os carros de Maranello não conseguiram superar os da Red Bull. O progresso da Scuderia não acontece no galope esperado e os touros da RBR mantém as quatro patas no chão para andar mais rápido. O saldo positivo dessa história foi a boa briga entre o novato Max Verstappen e o já veterano Kimi Räikkönen. Apesar de todos os esforços do finlandês, desta vez quem não derreteu foi o jovem holandês, que soube manter-se à frente do rival até o final da prova.

Decepção por decepção, a Williams (equipe que mais perto ficou da Scuderia nas duas últimas temporadas), amargou mais uma corrida nas trevas. Não seria exagero afirmar que nem mesmo a propalada contratação de Jenson Button, já acertado como sucessor de Felipe Massa segundo a imprensa inglesa, serviu para amenizar a ressaca de um fim de semana digno de vinho de garrafão. Na Hungria, até mesmo Fernando Alonso andou à frente dos carros de Grove.

Interlagos terá menos assentos para o GP
A crise econômica do País, o preço dos ingressos, o domínio da equipe Mercedes e as poucas chances de Felipe Massa e Felipe Nasr em disputar as principais posições fizeram diminuir a capacidade de público para o próximo Grande Prêmio do Brasil. A previsão dos organizadores é de reduzir em 10 mil lugares os assentos das arquibancadas descobertas, onde o ingresso mais barato custa R$ 570 para os três dias do evento. O ingresso mais caro (R$ 2.860) garante lugar na arquibancada premium em frente aos boxes, com direito a serviço de bar e lanches incluído no preço.



WG

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Nova categoria no automobilismo brasileiro: Nasce a Fórmula Inter

O automobilismo brasileiro voltará a contar com uma categoria de monopostos para kartistas que desejam seguir carreira nas grandes categorias nacionais e internacionais, dar condições para que pilotos de todas as idades e experiências possam se profissionalizar e viver do "negócio" competição, e democratizar o acesso ao automobilismo através de uma oferta baseada em uma excelente relação custo-benefício. 

Estes são os objetivos da Fórmula Inter, a mais inovadora modalidade de Fórmula do país, que terá início em janeiro de 2016, através do Campeonato Paulista de Automobilismo, administrado pela Federação de Automobilismo de São Paulo (FASP).

A categoria adota o modelo "seat and drive", ou seja, o piloto paga pelo aluguel do equipamento e dos serviços, e ao chegar à pista para competir encontra o carro pronto para sentar e pilotar. O valor promocional de lançamento para a locação antecipada por prova é de R$ 11.990,00. Todos os monopostos são propriedades da Formula Inter, e portando, serão mantidos pela mesma, garantindo qualidade, segurança e competitividade. 

Além disso, a categoria irá oferecer a todos os seus participantes acesso à Academia F.Inter, que irá ministrar aulas de mecânica, dados, pilotagem, media training, marketing, entre outras disciplinas complementares para quem deseja se aprimorar na profissão, tudo sob a supervisão do ‘reitor’ Roberto Pupo Moreno, ex-piloto de Fórmula 1 e Fórmula Indy. A primeira turma com 10 selecionados já está formada.

O F-Inter MG-15 foi desenvolvido graças a experiência de mais de 45 anos de quem já fez história no automobilismo brasileiro, e certificado por engenheiros de universidades nacional, que se valeram das melhores práticas construtivas, dos mesmos softwares utilizados pelos principais fabricantes de veículos de competição em todo o mundo, e dos mais resistentes e avançados materiais, privilegiando a segurança, performance e competitividade. 

O nome Fórmula Inter é uma homenagem à Interlagos, um dos circuitos mais famosos do mundo. Lugar onde tantos fizeram história, onde tantos sonhos e paixões marcaram para sempre a nossa memória. 

O Fórmula Inter foi projetado e construído em São Paulo, nos arredores do Autódromo de Interlagos. Seu projeto de engenharia foi testado, validado e certificado em testes nos melhores softwares de simulação, que asseguram o atendimento às melhores normas de segurança, resistência e eficiência torcional. 

Cerca de 95% dos componentes do carro foram desenvolvidos e são produzidos na fábrica da Formula Inter. Além disso, foram adotadas soluções sustentáveis como combustível etanol e tinta a base de água.

O carro tem um desenho inovador de grandes dimensões, e sua aerodinâmica foi projetada utilizando os mesmos softwares (Computer Fluid Design) utilizados por uma das principais equipes de Fórmula 1. A carenagem e as asas foram produzidas pioneiramente no Brasil por controle numérico computadorizado (CNC), em compostos de fibra de carbono, o que garante qualidade e elevado padrão de acabamento. 

Além de ter crash box dianteiro e traseiro, os destaques para a segurança vão para os side pods estruturais em plano inclinado - que evitam que o piloto seja atingido por impacto lateral -, e pelo habitáculo em fibra de carbono, com extrator de banco e anel de segurança para a cabeça do piloto. O volante é em fibra de carbono, com painel eletrônico "on-board".

O Fórmula Inter vai utilizar rodas de fabricação própria em magnésio de aro 13 polegadas, com tala 8" na dianteira e 11" na traseira, que recebem pneus Pirelli PZero Slick, 225/40 VR13 dianteiros e 265/540 VR13 traseiros.

O Power train é composto por motor 2.0, quatro cilindros, 16 válvulas, injeção direta, que gera 191 hp e torque máximo de 21 kgfm a 6.000 rpm, acoplado a caixa de câmbio nacional com 4 marchas em "h". A velocidade máxima projetada em Interlagos é de 245 km/h. 

O modelo de participação será o de locação, através de uma organização única, e compreende uma série de entregáveis que vão muito além da disponibilidade do carro propriamente, e serão oferecidos imediatamente no fechamento do contrato para toda a temporada. Trata-se de uma oferta completa para quem quer começar ou permanecer no automobilismo.

Inclusos no pacote estão pneus e combustível necessários ao cumprimento dos treinos oficiais, classificações e corridas, de acordo com o regulamento técnico e desportivo a ser publicado ainda em 2015. 

O valor da locação por prova para a temporada de 2016 é de R$ 13.990,00. E como promoção de lançamento, o preço para a contratação antecipada será de R$ 11.990,00 neste mês de agosto.

Muito mais que pilotar, o profissional do automobilismo deve estar preparado para todos os desafios de uma carreira extremamente competitiva. A missão da Formula Inter é oferecer os meios e a experiência de quem já chegou lá para criar oportunidade de capacitação profissional dos pilotos.

Tendo como patrono Francisco Lameirão, ex-campeão de Fórmula Super Vê, e como ‘reitor’ Roberto Pupo Moreno, ex-piloto de Fórmula 1 e Fórmula Indy, a Academia irá formar pilotos em disciplinas como Marketing e Vendas, Media Training, Comportamento, Mecânica, Tecnologia de Dados, Preparação Física e Psicológica, Técnicas de Pilotagem, entre outras. 

A Incubadora de pilotos Fórmula Inter, iniciativa inédita no Brasil, é um programa que visa formar jovens que sonham em ser piloto de automobilismo através de um programa subsidiado. 

Os pilotos foram selecionados através de um concurso realizado no facebook (www.facebook.com/formulainter), que mobilizou mais de 80 mil pessoas. Os 10 mais votados formam a primeira turma da Incubadora de Pilotos Fórmula Inter: os paulistas Nikolas Gaigalas, Leandro Montalvão, Luiz Menezes Júnior e Luan Giraldi, os catarinenses João Antonio Bedin, André Lúcio Giotto e Joel Mendes Junior, os cariocas Daniel Mageste e Thiago Izequiel, e o gaúcho Silvano Fernandes.

Além de participar de palestras e cursos ministrados na Academia Fórmula Inter, bem como ter suporte comercial para venda de patrocínio, os escolhidos terão direito a fazer uma corrida no campeonato de Fórmula Inter com o carro da Incubadora.

O desempenho dos pilotos será medido regularmente e os cinco que atingirem as maiores pontuações concorrerão a uma segunda corrida. O piloto que obter a maior pontuação ao final da primeira turma ganhará a temporada de 2017 gratuitamente.





FICHA TÉCNICA - FÓMULA INTER

Monoposto: F-Inter MG-15
Construtor: Minelli Racing
Chassis: Construção tubular semi-monocoque, crash box frontal removível e side pods laterais estruturais em plano inclinado
Suspensão dianteira: ‘push rod’ mono shock, triangulo superior e inferior com uniballs e rótulas Aurora espec Race e barra estabilizadora.
Suspensão traseira: ‘push rod’ bishock, triangulo superior e inferior com uniballs e rótulas Aurora espec Race e barra estabilizadora.
Amortecedores e molas: Com bump e rebound fixos, molas com carga variável.
Freios: 4 discos ventilados, calipers espec race de 4 embolos, distribuição de carga dianteira e traseira regulável no cockpit.
Mangas de eixo: em magnésio com cubo rápido.
Rodas: Fabricação própria em magnésio, aro 13, tala 8" dianteira e 11" traseira
Pneus: Pirelli PZero Slick - 225/40 VR13 dianteiros e 265/540 VR13 traseiros
Caixa de Direção: Minelli Racing
Tanque de combustível: de borracha, capacidade 30 litros
Pintura: Sherwin Williams à base d’água
Habitáculo: em fibra de carbono, extrator de banco 
Banco de segurança: em fibra de carbono, removível
Anel de segurança: Protetor de cabeça em material compósito
Volante: Fibra de carbono com sistema de retirada rápida e painel eletrônico embutido
Carenagem: Fibra de vidro em vacuum bag, 8 peças
Aerofólio: Fibra de carbono, com 1.000mm regulável de 0 a 11 graus.
Asa: Fibra de carbono, com 1.800mm externo fixo em 11 graus 
Flaps: em fibra de carbono, dianteiro 4 unidades reguláveis de O a 35 graus, traseiro com 1.000mm regulável de 0 a 35 graus.
Extrator Traseiro: em fibra de vidro, fixo
Dimensões: 
Comprimento total: 4.320mm
Largura total: 1.800mm
Altura máxima: 1.000mm
Entre eixos: 2.465mm
Bitola dianteira externa aos pneus: 1.800mm
Bitola traseira externa aos pneus: 1.750mm. 
Peso: 520 kg sem combustível.

Motor: 2 litros, 4 cilindros em linha, 16válvulas
Coletor de admissão e escape: Minelli Racing
Refrigeração: 2 radiadores laterais de alumínio para água
Sistema de Gerenciamento Eletrônico: Pro Tune Eletronic Systems
Potência: 191 hp a 6000 rpm
Torque: 21 kgfm a 6000 rpm
Câmbio: 4 marchas em H

Maiores detalhes em www.formulainter.com.br