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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

MASSA É CHAVE PARA BOTTAS IR PARA MERCEDES

Possibilidade de economizar pelo menos US$ 15 milhões anima equipe a liberar Bottas se Massa aceitar rever aposentadoria.


Numa época em que se discute abertamente um período mais longo para o brasileiro obter sua aposentadoria, o retorno de Felipe Massa à F-1 não deixa de ter uma dose de ironia. Claire Williams, preposta de Frank Williams na direção da equipe inglesa, já admitiu claramente que a liberação de Bottas é
bem mais que uma simples possibilidade e pode ser definida se o brasileiro colaborar: “Nós só liberaríamos o Valteri caso um piloto experiente, uma alternativa consistente estivesse disponível. Alguém como Felipe Massa, por exemplo.”

Está mais do que claro que Felipe tem a experiência e a didática necessária para colaborar sensivelmente no progresso do jovem Lance Stroll, canadense de apenas 18 anos que vai estrear na F-1 em 2017. A definição dessa questão deverá ser conhecida logo nos primeiros dias de janeiro e está bem claro que a solução depende única e exclusivamente de um punhado dólares.

A primeira oferta, de aproximadamente US$ 12 milhões já foi rejeitada, como era de se esperar. Ao anunciar que a equipe não se oporia a Bottas se transferir para uma equipe de ponta, Claire Williams deixou claro que uma proposta mais consistente pode solucionar um problema que repercutirá em várias outras frentes, entre elas a presença de um nome experiente que agrade o patrocinador principal da equipe de Grove (Martini) e garanta a presença de um brasileiro na categoria.

Em meio a isso tudo a proposta feita por Jean Todt (presidente da Federação Internacional do Automóvel, a FIA), já foi descartada. Massa não aceitou o convite de ser ser comissário desportivo na F-1, cargo que vários outros pilotos ocupam em sistema de rotatividade. Um indício significativo que a chance de reconsiderar a aposentadoria recém-iniciada pode ser mais do que uma mera e simples possibilidade…

Enquanto isso, o inglês Lewis Hamilton não sossega e continua marcando seu território através de declarações e revelações que deixam claro o que Valtteri Bottas ou Pascal Wehrlein, o outro candidato à vaga criada com a aposentadoria — até agora irreversível — de Nico Rosberg, poderão enfrentar. Rumores de que Lucas Di Grassi poderia entrar nessa lista parecem fora do contexto devido à ligação do brasileiro com a Audi. O finlandês, porém, aparece como maior favorito até na análise de ninguém menos que Bernie Ecclestone, mas que não o considera como ameaça ao inglês: “Um piloto que tem laços comerciais com Toto Wolff, como é o caso do Bottas, tem as maiores chances de pegar essa vaga. Mas não creio que ele será mais rápido que o Lewis (Hamilton)…

Hamilton tem causado algumas marolas dentro da Mercedes ao revelar que no início da temporada Toto Wolff e Paddy Lowe (que parece cada vez mais próximo de voltar a trabalhar para a Williams) designaram seis engenheiros e mecânicos que trabalhavam em seu carro para ir cuidar do de Rosberg. “Vou conversar com o Toto sobre o ano que vem e deixar claro que não quero nenhuma mudanças entre os caras que trabalham comigo. Quero continuar com meus engenheiros e meus mecânicos. Não há uma única pessoa que precise deixar meu grupo.”

Na Ferrari e na McLaren as portas de entrada e saída também parecem movimentadas: em Maranello saiu o anúncio oficial do italiano Antonio Giovinazzi como piloto-reserva da equipe italiana, o que dá indícios de que uma das vagas de 2018 já está encaminhada.


No Centro Tecnológico de Woking dá-se como certa a saída de Joest Capito, alemão que coordenou a criação da Porsche Cup na Alemanha e a campanha vitoriosa da VW no Mundial de Rali. Contratado por Ron Dennis, Capito viu-se órfão com a dispensa do seu patrono e praticamente sequer chegou a exercer a função para a qual foi contratado em janeiro: executivo-chefe da equipe de competição.

Quem já deixou a McLaren é Ekrem Sami, que trabalhava com Ron Dennis desde os tempos da equipe Project Four, organização que sucedeu à Rondell e precedeu a consolidação da McLaren como a potência tecnológica atual. Sami sempre foi homem de marketing e mesmo tendo perdido o posto de diretor executivo do grupo — foi substituído por John Riches — aparentemente continua nessa atuando nessa especialidade. Não será surpresa se em breve Sami e Capito voltarem a trabalhar com Ron Dennis…

US$ 1,55 bilhão, o preço da F-1
Tudo na vida tem um preço, e o da F-1 é daqueles que entram na categoria dos estratosfericamente altos, algo como R$ 5,27 bilhões ou 0,3% do PIB brasileiro para este ano. Esse número é o que o grupo Liberty Media estimou ser necessário para garantir o controle acionário da holding que detém os direitos comerciais da categoria e é controlada pelo trust Bambino, da família Ecclestone.

Greg Maffel, executivo-chefe da Liberty Media, e Ecclestone, admitem que todas as possíveis formalidades referentes à agencias reguladoras e a própria FIA já foram completadas com sucesso e o negócio deverá ser concretizado em fevereiro próximo. Os acionistas da multinacional de entretenimento baseada nos Estados Unidos deverão se reunir no dia 17 de janeiro para a aprovação formal da transação. Uma vez aprovado, a mudança de controle deverá causar efeitos inéditos na categoria, como Monisha Kalterborn, líder da equipe Sauber, declarou ao semanário americano Speed Week:

“Creio que será a maior revolução na F-1 nos últimos anos. Nós já tivemos mudanças no regulamento, nos motores, algumas vezes nos chassis, mas nunca houve nada parecido com o que vem por aí”.

Ela lembrou ainda que a última mudança de propriedade (para a CVC Capital Partners) não foi muito sentida “porque Ecclestone estava sempre lá. Desta vez eu vejo como algo positivo porque os novos donos vão atacar a área de comercialização.”

Há rumores de corridas em Nova York e Los Angeles e propostas para limitar os orçamentos das equipes. “Afinal, não faz sentido ter equipes que gastam algo como US$ 400 milhões por ano”, uma fonte não revelada declarou ao Speed Week.

Saúde de Schumacher segue em segredo
A empresária de Michael Schumacher, a jornalista Sabine Kehm, reafirmou esta semana a decisão da família do piloto em manter sigiloso o estado de saúde do heptacampeão mundial de F-1. “Temos claro que é difícil para algumas pessoas entender a nossa posição, mas o máximo que podemos dizer é que agradecemos a compreensão de todos”, declarou Kehm. A família Schumacher lançou recentemente um programa de incentivo para apoiar jovens valores com o mote “Keep fighting”(Continue lutando), expressão que há tempos simboliza a corrente de apoio para a recuperação do piloto.

MCR Lambo vence 12 Horas de Tarumã
O resultado da 12 Horas de Tarumã, a prova de resistência mais importante do calendário brasileiro, deu mostras que continua cada vez mais forte. Vinte e quatro carros largaram e a vitória ficou para o protótipo MCR GrandAm Lamborghini tripulado por Paulo Fernando Poeta, Fernando Fortes, Marcelo Santana, Anderson Toso, Pedro Queirolo e Henrique Assunção. Foi a primeira vitória desse modelo, que deve abrir uma nova frente de negócio para o o construtor Luiz Fernando Cruz nos Estados Unidos. O Tubarão 8, modelo baseado em outro conceito de Cruz, de Júlio Martini, Rodrigo Bacher, Franco Pasquale e Marcelo Vianna terminou em segundo lugar, e um terceiro protótipo, o Tornado 3, de Cali Crestani e Fernando Stédile, logo atrás.

Equipado com motor Suzuki Hayabusa, o Tornado é outra criação de Luiz Fernando e até 15 minutos para o final disputava a liderança com o carro vencedor; a quebra de uma junta homocinética ajudou a definir o resultado e o deslocou para o terceiro lugar. O Tubarão 8, equipado com motor VW AP, é um dos primeiros protótipos fabricados por Cruz e desenvolvido pela equipe de Tiel Andrade. Foi o carro vencedor da edição de 2012.

“Conversa de pista” terá uma interrupção neste período de Festas e retornará no próximo dia 10 de janeiro. Desejo ao leitor e seus familiares um Feliz Natal e um Ano Novo proveitoso.


WG

terça-feira, 12 de abril de 2016

Wagner Gonzalez em Conversa de pista


Wagner Gonzalez
Como está fica

Depois de duas etapas, muitas queixas e inúmeros muda-não-muda, a Fia (Federação Internacional do Automóvel) e a Fom (Formula One Management) decidiram capitular e voltar atrás. Nesse performance digna de uma brincadeira infantil dos tempos em que a F-1 começava a conhecer carros com motor traseiro, ter voltado ao mesmo sistema de classificação de 2015 é uma demonstração inequívoca daquilo que a juventude inocente de hoje em dia definiria em uma frase sutilmente mordaz: “Inocentes, não sabem de nada”.

Pelo bem ou pelo mal, vem à mente uma declaração célebre de Ron Dennis, o verdadeiro Mr. Perfeccionista, que na época áurea de Alain Prost e Ayrton Senna soltou um postulado digno de virar lei nessa milionária categoria. “Mais difícil que chegar ao topo da F-1 é se manter nessa posição”. Para Bernie Ecclestone e seus pares, essa situação há muito se tornou corriqueira e a cada corrida ganha semelhança com o código de sinalização do automobilismo: tentam soluções de várias cores e matizes e o que se tem conseguido é a bandeira quadriculada, que ao misturar preto e branco acaba não agradando nem gregos, tampouco troianos.

Ron Dennis
A mudança do sistema de classificação foi uma das tentativas de trazer de volta emoção às provas de classificação e agradar aos promotores dos eventos, que sobrevivem basicamente da bilheteria e, numa segunda etapa, aumentar os dividendos da Fom. Com tomadas de tempo mais disputadas, o público dos sábados – normalmente fraco -, iria aumentar e, a médio prazo, seria possível renovar contratos cobrando (ainda) mais caros... Não deu certo: pilotos reclamaram, equipes protestaram e o público reprovou.

Claire Williams
Neste fim de semana o circuito de Shanghai vai ser palco de uma audiência que poderá, ou não, mostrar que se alguma mudança tinha que ser feita não deveria ser no formato da classificação. Sauber e Force India, por exemplo, estão contestando junto à Comissão Européia o sistema de distribuição de prêmios. 

Se a situação não lá as mil maravilhas para o primeiro time, o segundo sobrevive de crise em crise e nos últimos dias aumentaram os rumores de que a FCA – a holding que controla a Ferrari e a Alfa Romeo -, estaria perto de assumir o controle da equipe suíça para relançar a marca milanesa na F-1.  O assunto anda tão em alta que até mesmo a Williams também assumiu publicamente que espera renegociar seu contrato com os detentores dos direitos comerciais – eufemismo para identificar Ecclestone e a Fom -, antes do termino do acordo em vigor, 2020.

“Nada contra a Ferrari receber um bônus por ser a única equipe que participou de todos os Campeonatos disputados até hoje”, declarou Claire Williams. “Mas não não precisa ser um bônus tão grande assim.” Acredita-se que esse pagamento é na ordem de U$ 80 milhões, o que explica o fato da conta corrente da Scuderia ter um saldo bem maior que o da Mercedes, campeã das últimas duas temporadas e líder da atual. O assunto vai render no paddock chinês.

China

Alonso ainda incerto para o grid da China
A alta poluição local, a baixa utilização da pista e um asfalto que apresenta uma curva extremamente ampla de índice de aderência e degradação são pontos importantes a considerar na corrida deste fim de semana. Além disso, as 16 curvas espalhados pelo traçado de 5,5 km geram maior desgaste nos pneus dianteiros. 

Considerado bem diferente dos cenários da Melbourne e Sakhir, Shanghai será importante para consolidar o potencial de equipes intermediárias como Force India e a novata Haas e deixar claro se a Ferrari e a Red Bull tem mesmo chances de superar, respectivamente, Mercedes e Williams como as principais do grid. Sobre o retorno de Fernando Alonso – substituído pelo belga Stoffel Vandoorne no Bahrein -, uma decisão só será tomada nesta quinta-feira: os médicos da Fia aguardam a chegada do espanhol com laudos de exames que identifiquem claramente se ele se recuperou das fissuras sofridas no acidente durante a prova de abertura da temporada.

Monza

Capelli: diferenças com Ecclestone
Corria o ano de 1993 e Ivan Capelli fazia o possível e o impossível para se manter na F-1 após uma temporada desastrosa como piloto da Ferrari. Sem se classificar para o GP do Brasil, o italiano disputou em Kyalami (11/4/1993) o último GP de sua carreira e duas semanas depois, em Imola, não escondia sua decepção por ter perdido sua credencial de acesso aos paddocks da categoria. 

Um quarto de século depois, um novo entrevero entre ele e Bernie Ecclestone ganha espaço na mídia especializada: o inglês conseguiu que a Sias, entidade que administra o autódromo de Monza, anunciasse a demissão de Capelli do cargo de administrador desse circuito. Segundo o jornal italiano Tuttosport, a medida teria sido manobra de Ecclestone para reabrir negociações para manter Monza no calendário da F-1; para outros, Capelli estaria dando atenção demais aos promotores do Campeonato Mundial de Motociclismo.

Pilotos unidos
A Associação Brasileira de Pilotos de Automobilismo (ABPA) faz sua apresentação oficial nesta quinta-feira (14) no Kartódromo da Granja Viana, sede da nova entidade. A aproximação dos pilotos com a Liga Paulista de Automobilismo – liderada por Felipe Giaffone (proprietário do kartódromo) e Dito Gianetti (líder do Esporte Clube Piracicabano de Automobilismo) -, indica a consolidação de uma nova frente política no automobilismo, o que é positivo: há décadas o poder constituído peca pela inoperância e falta de habilidade para justificar o poder exercido. Mais detalhes sobre a ABPA no site www.abpa.esp