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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Wagner Gonzalez em Conversa de pista


Wagner Gonzalez
ECCLESTONE, 86, SE APOSENTA
Novos donos da F-1 querem mudar a gestão do negócio
Equipes ainda indecisas sobre novos métodos
Bernie vira presidente emérito.




Bernie Ecclestone fora da F-1 sempre foi  a maneira mais fácil de fazer alguém lembrar de 1º de abril, data mundialmente conhecida como o Dia da Mentira. Mencionar essa possibilidade no começo do ano soa até como as tendências de marketing adotadas pelos supermercados brasileiros, que durante o carnaval ensaiam as primeiras ofertas de ovos de Páscoa. Desta vez, porém, é oficial, carimbado e tem firma reconhecida: o grupo Liberty Media, novo proprietário da categoria, não está disposto a perder tempo para impor um novo padrão de trabalho e anunciou ontem que o cargo do veterano veterano inglês agora é ocupado por Chase Carey. Ecclestone, de 86 anos, assume a posição de “presidente emérito”, algo bem distante daquela ocupada desde que começou a criar seu império no início dos anos 1970. Ele mesmo ainda não sabe as atribuições de sua nova posição, de acordo com suas palavras à revista alemã Auto Motor und Sport:

“Não sou mais o chefe da empresa, meu lugar agora é ocupado por Chase Carey. Minha nova posição é algo como presidente honorário, embora eu não saiba o que isso significa.”

Já houve tentativas de eliminar Bernie da equação de negócios do universo Fórmula 1, tanto no lado administrativo (nas décadas de 1970/80 o então presidente da Federação Internacional do Automóvel, Jean-Marie Balestre era o adversário número 1) quanto financeiro, algo mais recente. Na briga contra a FIA chegou-se a anuciar a criação da WMSF, ou Federação Mundial do Esporte a Motor conforme a sigla em inglês. Mais recentemente Ecclestone teve que pagar multas milionárias para manter-se à frente quando o fundo de investimentos CVC Partners assumiu o controle acionário da categoria. Desta vez, 66 anos após sua estréia como piloto, em Brands Hatch, é para valer.

O estilo do inglês sempre teve como único foco obter lucros cada vez maiores e deixar em segundo plano os aspectos técnico e esportivo que muitos insistem em enxergar como a razão de existência da F-1. Se nos anos 1950 havia interesse das fábricas em usar a categoria para promover e desenvolver tecnologias, a partir da década seguinte esse interesse praticamente desapareceu à exceção de fabricantes de pneus e uma ou outra marca de automóveis. Durante um bom tempo o mundo dos Grandes Prêmios foi quase que exclusivamente uma opção de entretimento que reunia elites, aspirantes a celebridade e alguns pilotos de destaque. Para cada campeão mundial ou vencedor de Grande Prêmio que existiu – pilotos em sua essência -, havia sempre um múltiplo de milionários e diletantes que completavam os grids. Não fosse isso os construtores não teriam vendido tantos automóveis a equipes particulares e aos mecenas de plantão. A partir de 1980 grandes marcas entraram e saíram da F-1 ao sabor dos ventos soprados pela situação econômica vivida por cada uma.

Isso não depõe contra a categoria, pilotos, construtores ou mesmo Ecclestone, que enxergou na falta de liderança dos construtores uma forma de ganhar muito dinheiro e gerar riqueza para todos eles, nem sempre de forma equilibrada, diga-se de passagem. Esses ganhos vieram da venda dos direitos de transmissão por TV e rádio, taxas cobradas de promotores locais, publicidade nas pistas, venda de espaços VIPs e, nos últimos tempos, de governantes ansiosos por reposicionar seus países no mercado internacional de turismo e opções de investimento. De lado ficaram a tradição e a atenção ao público aficionado como aquele que acampava em autódromos; ou seja, esqueceram que uma corrente é tão forte quanto seu elo mais fraco.

Ao investir algo além de US$ 8 bilhões no negócio F-1 a Liberty Media não tem dúvidas que recuperar esse investimento exigirá um trabalho ainda mais impressionante. Tanto quanto pela fama de centralizador, Bernie também será lembrado por capacidade incrível de trabalho. Para dar conta do recado Carey anunciou ontem a contratação de dois pesos pesados em suas especialidades para dividir as tarefas: Ross Brawn será o responsável pela área esportiva e Sean Bratches (ex-ESPN) pelas operações comerciais.

Ideias, projetos, projetos para tanto não faltam: cortar o bônus anual que a Ferrari recebe por ser Ferrari – Ecclestone sempre nutriu admiração pela marca e, principalmente, por seu fundador Enzo Ferrari -, transformar cada etapa do Mundial de F-1 em um evento semelhante ao Super Bowl americano, a final do campeonato de futebol norte americano – sim, o futebol “deles”-, prestigiar os circuitos mais tradicionais do calendário, que perderam espaço para países como Azerbaijão, India e Turquia (os dois últimos já eliminados do calendário), explorar mercados mais interessantes, como Nova Iorque e Los Angeles...

A lista é longa e no meio do caminho há muitas pedras, não apenas uma, entre elas aquela que pode entrar no sapato dos novos administradores: tornar as equipes acionistas do negócio. A ideia da Liberty para manter os times motivados e envolvidos no negócio ainda não convenceu os executivos dos principais construtores a aderir à proposta, nem mesmo oferecendo os papéis por um preço subsidiado. Quem sabe porque essas ações não tenham direito a voto, quem sabe porque essas equipes fabricam carros de corrida e não são companhias de investimentos, quem sabe...? Se não é fácil mudar hábitos e padrões de comportamento em qualquer empresa mesmo quando toda a força de trabalho canta no mesmo tom, imagine num coral onde a globalização começa pelo número de nacionalidades envolvidas desde os camarins onde se fabricam os carros de corrida, passando pelos artistas e chegando ao local onde o picadeiro é montado...

Manor, esperança é a última que morre

Há meses a Manor Grand Prix ocupa a UTI da F-1, mas o time inglês ainda mantém bem ativos os sinais vitais: o dinheiro que tem em caixa pode garantir a presença da equipe primeira sessão de testes de pré-temporada, entre os dias 27 de fevereiro e 2 de março. Isso, porém, só vai acontecer se aparecer alguém disposto a bancar a temporada 2017 do time antes do hora marcada para o último suspiro, dia 31 de janeiro.

Segundo o site da BBC, o empresário Ricardo Galael (proprietário da KFC e várias outras empresas na Indonésia) estaria interessado em investir, até mesmo adquirir a operação F-1 da Manor. Sean, o filho de Galael, disputou a GP2 no ano passado pela equipe Campos e seria um dos motivos desse interesse. O nome de Ron Dennis também foi ventilado como possível participante de um consórcio para salvar a equipe. Caso o negócio prospere o time inglês disputaria as primeiras três provas da temporada com o carro de 2016 e somente no GP da Rússia (Sochi, 30 de abril) estrearia o modelo construído de acordo com o regulamento deste ano, que permite monopostos e pneus de maiores dimensões.

Começa temporada paulista
O autódromo de Interlagos recebe neste fim de semana sete categorias para disputar a rodada de abertura do Campeonato Paulista de Velocidade no Asfalto, com treinos na sexta-feira e competições no sábado e domingo. As categorias admitidas no programa que você pode ver aqui são F-Inter, F-1600, F-Vee (prova extra-campeonato), Força Livre, Classic Cup, Marcas e Pilotos e Clássicos de Competição.

WG

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

McLAREN: REI MORTO, REI POSTO


Afastado da presidência da McLaren há poucos dias, Ron Dennis já foi substituído por Zak Brown.

Empresa confirmou que houve negociações com a Apple, algo até então negado. Rei morto, rei posto…



O mundo da F-1, em particular a McLaren especificamente, acaba de demonstrar que é uma atividade tão mundana quanto qualquer outra onde o dinheiro é a mola-mestra. Ou seja, como praticamente qualquer outra atividade humana. Semana passada o empresário Mansour Ojjeh e o fundo de investimentos barenita Mumtalakat usaram os 75% de ações em seu poder para afastar Ron Dennis do comando executivo do grupo. Ontem (21/9) foi anunciado que o americano Zak Brown assumirá o posto de diretor-executivo do Grupo Tecnológico McLaren e parte significativa das atribuições até então a cargo do inglês no organograma da operação. O informe  ocorreu praticamente ao mesmo tempo que Mike Flewitt, executivo-chefe da McLaren Automotive, admitiu que houve negociações com a Apple, informação que circulou em setembro e que até então havia sido negada pela empresa:

“Eles vieram, conheceram a fábrica e nós conversamos, mas não houve nenhuma proposta formal,” foi a declaração de Flewitt a jornais ingleses. Flewitt lembrou Bill Clinton quando admitiu que fumou maconha… mas não tragou.

A leitura desses dois episódios mostra que os acionistas majoritários Ojjeh (que detém 25% das ações do Grupo McLaren) e o fundo Mumtalakat (detentor de 50%) estão dispostos a manter Dennis cada vez mais afastado da empresa, que atua no segmento de carros esportivos de luxo e desempenho, eletrônica e serviços industriais de alta tecnologia. 

O destino de Dennis, que detém os restantes 25% das ações, ainda é incerto, mas a julgar pelos últimos acontecimentos é pouco provável que haja uma reconciliação com seus sócios. Afinal, o site do fundo deixa claro a premissa de seus investimentos: “alinhamento sólido de interesses entre a companhia e seus acionistas.” Resta saber como será sua participação na empresa, cujo faturamento anual está em torno de US$ 1 bilhão.

Que ninguém espere ver Ron Dennis se dedicando a cuidar do jardim ou pescar salmão, hobbies típicos de aposentados britânicos…

Não bastasse o movimento na McLaren, o automobilismo inglês foi sacudido pela notícia que um consórcio russo está em negociações avançadas para adquirir o circuito de Silverstone, cujo leasing está em poder do British Racing Drivers Club, o BRDC. Apesar de extremamente movimentado dentro e fora das pistas — o local abriga várias empresas voltadas ao automobilismo de competição e aviação civil — aparentemente o resultado dos últimos cinco anos aponta o prejuízo de £ 55,2 milhões (R$ 230 milhões). Nos últimos meses a Jaguar Land Rover e os empresários Lawrence Tomlinson (dono da  Ginetta e várias outras empresas) e Jonathan Palmer (ex-piloto de F-1) fizeram ofertas que, por motivos diversos, não prosperaram. No caso da Jaguar Land Rover o empecilho foi o fato de a Porsche manter uma pista de testes no antigo aeródromo de Northamptonshire.

F-1 em fim de temporada
O GP de Abu Dhabi, neste domingo, encerra a temporada 2016 da categoria em grande estilo, cortesia da disputa entre os dois pilotos da equipe Mercedes: Nico Rosberg (líder com 367 pontos) e Lewis Hamilton (355). As combinações mais simples para definir o novo campeão indicam que um terceiro lugar garante o título ao alemão, enquanto o inglês precisa vencer e torcer para seu adversário termine no máximo em quarto.

A corrida de Yas Marina terá 55 voltas pelo circuito de 5.554 metros, traçado famoso pelo asfalto liso e relativamente pouco abrasivo e que exige 75 trocas de marcha a cada giro. O desenho destaca curvas rápidas, o que equivale a usar o motor em regime máximo em 56% do tempo de cada volta. O recorde atual, registrado em 2009 por Sebastian Vettel, é de 1’40”279 e logo após o ponto de velocidade mais alta (cerca de 340 km/h no final da reta principal) é preciso reduzir para primeira marcha antes de fazer a curva mais fechada do circuito, pouco antes do segundo trecho onde é permitido o uso da asa móvel.

Felipe Massa faz sua última largada na categoria e Felipe Nasr faz sua última prova com o apoio do Banco do Brasil: a instituição financeira governamental não renovou seu apoio e o brasiliense fica em situação mais complicada para prosseguir na categoria. Ontem a Sauber confirmou a renovação do contrato de Marcus Ericsson por mais uma temporada; segundo o mesmo comunicado, “o segundo piloto será anunciado oportunamente”.

Audi sai pelo pódio mais alto
A Audi se despediu do Campeonato Mundial de Resistência (WEC) com uma dobradinha na 6 Horas do Bahrein, sábado, com o carro tripulado por Lucas di Grassi, Loïc Duval e Oliver Jarvis em primeiro e outro, comandado por Marcel Fässler, Andre Lotterer e Benoît Tréluyer em segundo. O pódio foi completado pelo Porsche de Brendon Hartley, Timo Bernhard e Mark Webber.

Os promotores da categoria anunciaram que o regulamento de motores da categoria LMP1, a mais importante do WEC, estão congeladas até dezembro de 2019, porém alterações aerodinâmicas deverão entrar em vigor após homologação que deverá acontecer na próxima reunião do Conselho Mundial do Esporte a Motor, em dezembro.

Domingo, as principais equipes do campeonato promoveram vários testes de equipamento e o brasileiro Pipo Derani marcou o terceiro tempo a bordo de um Toyota de fábrica. O mais rápido foi o americano Gustavo Menezes, que conquistou o título de pilotos na categoria LMP2 com um Renault Alpine. 

A surpresa do teste foi a participação do polonês Robert Kubica, que andou com um CLM-ERA e marcou tempos melhores que os pilotos habituais da equipe liderada por Romulus e Colin Kolles, pai e filho. Colin já esteve envolvido com seis diferentes equipes de F-1: Jordan, Midland, Spyker, Force India, HRT e Caterham.

Os melhores tempos do treino foram estes:
1) Gustavo Menezes, Porsche 919 Híbrido, 1m43,626s
2) Paul-Loup Chatin, Audi R18 e-tron, 1m43,910s
3) Pipo Derani Toyota TS050 Híbrido, 1m44,292s
4) Robert Kubica, ByKolles CLM-AER P1/01, 1m47,222s
5) Alex Lynn, Aston Martin Vantage GTE, 1m58,774s
6) Ross Gunn, AMR Aston Martin, 1m59,292s

Johnson, Petty e Earnhardt
Jimmie Johnson entrou definitivamente para a história da Nascar ao conquistar seu sétimo título de campeão da mais popular categoria de automobilismo dos Estados Unidos. Com o triunfo, obtido no último no fim de semana em Homestead, na Flórida, ele se iguala a Richard Petty e Dale Earnhardt. Ao final da temporada Johnson somou 5.040 pontos contra 5.037 de Joey Logano e 5.035 de Kyle Busch.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Wagner Gonzalez em Conversa de pista


Wagner Gonzalez
Como está fica

Depois de duas etapas, muitas queixas e inúmeros muda-não-muda, a Fia (Federação Internacional do Automóvel) e a Fom (Formula One Management) decidiram capitular e voltar atrás. Nesse performance digna de uma brincadeira infantil dos tempos em que a F-1 começava a conhecer carros com motor traseiro, ter voltado ao mesmo sistema de classificação de 2015 é uma demonstração inequívoca daquilo que a juventude inocente de hoje em dia definiria em uma frase sutilmente mordaz: “Inocentes, não sabem de nada”.

Pelo bem ou pelo mal, vem à mente uma declaração célebre de Ron Dennis, o verdadeiro Mr. Perfeccionista, que na época áurea de Alain Prost e Ayrton Senna soltou um postulado digno de virar lei nessa milionária categoria. “Mais difícil que chegar ao topo da F-1 é se manter nessa posição”. Para Bernie Ecclestone e seus pares, essa situação há muito se tornou corriqueira e a cada corrida ganha semelhança com o código de sinalização do automobilismo: tentam soluções de várias cores e matizes e o que se tem conseguido é a bandeira quadriculada, que ao misturar preto e branco acaba não agradando nem gregos, tampouco troianos.

Ron Dennis
A mudança do sistema de classificação foi uma das tentativas de trazer de volta emoção às provas de classificação e agradar aos promotores dos eventos, que sobrevivem basicamente da bilheteria e, numa segunda etapa, aumentar os dividendos da Fom. Com tomadas de tempo mais disputadas, o público dos sábados – normalmente fraco -, iria aumentar e, a médio prazo, seria possível renovar contratos cobrando (ainda) mais caros... Não deu certo: pilotos reclamaram, equipes protestaram e o público reprovou.

Claire Williams
Neste fim de semana o circuito de Shanghai vai ser palco de uma audiência que poderá, ou não, mostrar que se alguma mudança tinha que ser feita não deveria ser no formato da classificação. Sauber e Force India, por exemplo, estão contestando junto à Comissão Européia o sistema de distribuição de prêmios. 

Se a situação não lá as mil maravilhas para o primeiro time, o segundo sobrevive de crise em crise e nos últimos dias aumentaram os rumores de que a FCA – a holding que controla a Ferrari e a Alfa Romeo -, estaria perto de assumir o controle da equipe suíça para relançar a marca milanesa na F-1.  O assunto anda tão em alta que até mesmo a Williams também assumiu publicamente que espera renegociar seu contrato com os detentores dos direitos comerciais – eufemismo para identificar Ecclestone e a Fom -, antes do termino do acordo em vigor, 2020.

“Nada contra a Ferrari receber um bônus por ser a única equipe que participou de todos os Campeonatos disputados até hoje”, declarou Claire Williams. “Mas não não precisa ser um bônus tão grande assim.” Acredita-se que esse pagamento é na ordem de U$ 80 milhões, o que explica o fato da conta corrente da Scuderia ter um saldo bem maior que o da Mercedes, campeã das últimas duas temporadas e líder da atual. O assunto vai render no paddock chinês.

China

Alonso ainda incerto para o grid da China
A alta poluição local, a baixa utilização da pista e um asfalto que apresenta uma curva extremamente ampla de índice de aderência e degradação são pontos importantes a considerar na corrida deste fim de semana. Além disso, as 16 curvas espalhados pelo traçado de 5,5 km geram maior desgaste nos pneus dianteiros. 

Considerado bem diferente dos cenários da Melbourne e Sakhir, Shanghai será importante para consolidar o potencial de equipes intermediárias como Force India e a novata Haas e deixar claro se a Ferrari e a Red Bull tem mesmo chances de superar, respectivamente, Mercedes e Williams como as principais do grid. Sobre o retorno de Fernando Alonso – substituído pelo belga Stoffel Vandoorne no Bahrein -, uma decisão só será tomada nesta quinta-feira: os médicos da Fia aguardam a chegada do espanhol com laudos de exames que identifiquem claramente se ele se recuperou das fissuras sofridas no acidente durante a prova de abertura da temporada.

Monza

Capelli: diferenças com Ecclestone
Corria o ano de 1993 e Ivan Capelli fazia o possível e o impossível para se manter na F-1 após uma temporada desastrosa como piloto da Ferrari. Sem se classificar para o GP do Brasil, o italiano disputou em Kyalami (11/4/1993) o último GP de sua carreira e duas semanas depois, em Imola, não escondia sua decepção por ter perdido sua credencial de acesso aos paddocks da categoria. 

Um quarto de século depois, um novo entrevero entre ele e Bernie Ecclestone ganha espaço na mídia especializada: o inglês conseguiu que a Sias, entidade que administra o autódromo de Monza, anunciasse a demissão de Capelli do cargo de administrador desse circuito. Segundo o jornal italiano Tuttosport, a medida teria sido manobra de Ecclestone para reabrir negociações para manter Monza no calendário da F-1; para outros, Capelli estaria dando atenção demais aos promotores do Campeonato Mundial de Motociclismo.

Pilotos unidos
A Associação Brasileira de Pilotos de Automobilismo (ABPA) faz sua apresentação oficial nesta quinta-feira (14) no Kartódromo da Granja Viana, sede da nova entidade. A aproximação dos pilotos com a Liga Paulista de Automobilismo – liderada por Felipe Giaffone (proprietário do kartódromo) e Dito Gianetti (líder do Esporte Clube Piracicabano de Automobilismo) -, indica a consolidação de uma nova frente política no automobilismo, o que é positivo: há décadas o poder constituído peca pela inoperância e falta de habilidade para justificar o poder exercido. Mais detalhes sobre a ABPA no site www.abpa.esp 

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Walter Gonzalez em Conversa de pista


Wagner Gonzalez

AS PRIMEIRAS GRANDES PERDAS DO ANO‏

Talvez para preparar a recepção de David Bowie, ícone de uma era de grandes performers, Maria Teresa de Filippis, primeira mulher a disputar um GP de F-1 , e Tyler Alexander, um dos fundadores da McLaren, partiram antes do intérprete camaleão, as primeiras três grandes perdas da temporada. No Rally Dakar, Sébastien Loeb sofreu um espetacular acidente na etapa desta segunda-feira, sem consequências físicas mas sérios danos ao seu Peugeot. Stéphane Peterhsanel e Carlos Sainz, da mesma equipe, ocupam as duas primeiras posições, à frente do MINI de Nasser Al-Attiyah, todos três em acirrada disputa pela vitória.

Na década de 1950 o ambiente da F-1 era reservado à aristocracia europeia ou a felizardos que tivessem talento ou conta bancária para se aventurar em circuitos com Siracusa (Itália) ou Porto (Portugal). Tão significativos como circuitos já desaparecidos dos calendários modernos, essa época teve também a presença da primeira mulher a disputar um Grande Prêmio oficial: Maria Teresa De Filippis (11/11/1926 – 8/1/2016), não repetiu na F-1 suas boas atuações em provas regionais na Itália, mas deixou sua marca ao ser impedida de participar do GP da França de 1958. Segundo ela declarou em uma de suas últimas entrevistas, “o diretor da prova me impediu de participar alegando que o único capacete que uma mulher deve usar é o do salão de cabeleireiro”.

Seu melhor resultado na categoria foi em uma prova não oficial, o GP de Siracusa desse ano, quando terminou em quarto lugar na prova vencida por Luigi Musso (Ferrari Dino 246). Nessa e nas quatro largadas em provas oficiais (Mônaco, Spa, Porto e Monza) ela sempre conduziu um Maserati 250-F, o de chassi nº 2523. Outra controvérsia que envolve sua história é seu local de nascimento: em alguns livros consta como Roma e em outros, mais antigos, aparece Nápoles como sua cidade natal. O que é certo é que nasceu e morreu na Itália, vivendo seus últimos dias na vila lombarda de Scanzorosciate. Veja aqui um depoimento de De Filippis para a Maserati.

O americano Tyler Alexander foi o que o jargão do automobilismo internacional classifica de “true racer” e que os autoentusiastas brasileiros chamariam de “tarado”, termo que em tempos da chatice do politicamente correto leva a grafia “apaixonado”.

Em seus tempos de juventude juntou-se aos irmãos Teddy e Timmy Mayer e a Peter Revson para disputar corridas nos Estados Unidos e mais tarde na Europa, sempre responsável pela preparação e desenvolvimento dos carros. Essa experiência facilitou seu entrosamento com Bruce McLaren quando o neozelandês fundou sua própria equipe, inicialmente na F-1, depois na Can-Am — onde era considerado o artífice do domínio que o time exerceu nesta série memorável —, e mais tarde em Indianápolis, onde a marca venceu com Mark Donohue (1972) e Johnny Rutherford (1974/1976).

A Indy era um passo planejado por Bruce McLaren, que não chegou a ver esses triunfos, pois morreu em 2 de julho de 1970 testando um modelo M8-D no circuito de Goodwood, na Inglaterra. Isso levou Alexander e Meyer, com alguma ajuda de Dan Gurney, a assumir o controle da equipe. Eles conquistaram o título de construtores de 1974, quando Emerson Fittipaldi sagrou-se bicampeão mundial de pilotos e, dois anos mais tarde, James Hunt repetiria o feito de Emerson.

A partir de então a equipe viveria sua primeira grande crise, numa época quando um ex-mecânico alçava voos mais altos e após bons resultados na F-2 e no campeonato BMW Procar, comprar parte da equipe. Esse personagem levaria a McLaren a outras fases de extremo sucesso e, como a atual, grandes fracassos: refiro-me a Ron Dennis. Dois longos anos se passaram até que Alexander abandonasse a equipe voltasse aos EUA, onde desenvolveu dois projetos com o amigo Meyer: uma equipe de Indycar e o malogrado projeto Beatrice-Ford de F-1.

A chegada de Ayrton Senna à equipe McLaren precedeu o regresso de Tyler à equipe que ajudou a fundar. Também marcou outra época de ouro da escuderia com os títulos de Senna, Mika Häkkinen e Lewis Hamilton. Conhecido por seu senso de humor apurado, Alexander também era hábil fotografo, o que lhe rendeu material para dois livros onde ele mostra sua visão da McLaren através dos anos: “McLaren From The Inside” (David Bull Publishing, ISBN: 978-1-935007-18-0) e “Tyler Alexander: A Life and Times with McLaren” (Tyler Alexander, ISBN: 9781935007210).

No Dakar Loeb troca vitória por experiência
Após dominar a primeira fase do Dakar 2016, o francês Sébastien Loeb sofreu um espetacular acidente na etapa de ontem, entre Salta e Belén, em território argentino, e em vez de abandonar a prova decidiu continuar na disputa.

“Nós, eu e meu copiloto Daniel Elena, viemos aqui para ganhar experiência e é isso que vamos buscar. O acidente pôs fim à briga pela vitória na geral, mas vamos em busca do que viemos atrás.”

Ao cruzar um rio, Loeb não visualizou uma depressão e acabou capotando várias vezes quando faltavam 10 km para o final da especial de 336 km. Para a equipe Peugeot as esperanças de vitória agora estão nas mãos das duplas Stéphane Peterhansel/Jean-Paul Cotret e Carlos Sainz/Lucas Cruz, respectivamente líderes e vice-líderes após a etapa de ontem

Já o esquadrão MINI aposta nos vencedores de 2015, Nasser Al-Attiyiah/Matthieu Baumel, que venceram ontem. Os brasileiros Leandro Torres e Lourival Roldan (Polaris UTV) ocupam a 58ª posição, duas à frente de João Franciosi e Gustavo Gugelmin (Mitsubishi).


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WG

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

Wagner Gonzalez
Dieta da McLaren pode ser ilegal
O resultado surpreendente obtido pela McLaren no GP da Hungria ainda não foi digerido integralmente pela comunidade da F-1 e poderá gerar (mais) uma crise na categoria caso se confirmem as suspeitas de que os carros de Fernando Alonso (5º colocado) e Jenson Button (10º) teriam disputado o evento com peso abaixo do mínimo da categoria. Oficialmente os carros dos dois pilotos foram pesados ao final da prova de Hungaroring e declarados legais, mas no passado da F-1 o comunicado não informa se estavam dentro ou fora do regulamento.

O passado da categoria, porém, deixa margem à dúvida. Ken Tyrrell, por exemplo, fez com que seus carros andassem abaixo do peso mínimo durante a primeira metade da temporada de 1984… Seus carros largavam abaixo do peso e, no terço final da prova paravam nos boxes para um reabastecimento de… bolinhas de chumbo!

Para entender a gravidade do que por enquanto circula a boxe fechado é preciso recordar alguns lances do passado e colocar a situação atual da F-1 em perspectiva: a quem interessa ver a McLaren na beira do abismo ou correr o risco da Honda deixar, novamente, a categoria? Trata-se de um jogo onde egos, interesses econômicos e, principalmente, a sobrevivência de uma galinha que já botou muitos ovos de ouro são os principais elementos em cena de uma ópera com fantasmas, palhaços e vilões, muitos vilões.

Comecemos pela organização McLaren, atualmente um complexo cujo controle administrativo absoluto é objeto de desejo de um dos seus principais acionistas: Ron Dennis. Severo, determinado (teimoso diriam alguns) e visionário, este inglês de 68 anos que começou a vida como mecânico na equipe Cooper pode ser considerado um autoentusiasta bem sucedido: tem sua própria coleção de F-1, lidera uma empresa cuja imagem é baseada na sobriedade e eficiência tecnológica de ponta e, óbvio, tem seus inimigos.

Dois deles são ninguém menos que Bernie Ecclestone e Max Mosley. Este último foi vítima de uma cena bizarra: seu encontro com, digamos, damas de entretenimento alternativo, foi fotografado e publicado em várias mídias. Há quem jure de pés e mãos atadas que se tratou de uma vingança por conta de uma severa multa que a FIA, então presidida por Mosley, aplicou à equipe McLaren um ano antes, em 2007.

Desde que assumiu, em 1981, o controle da equipe fundada pelo neozelandês Bruce McLaren, Ron Dennis a levou  por ciclos de sucesso em parcerias com a Porsche, Honda e Daimler, em meio a associações menos duradouras com a Ford e a Peugeot e um rápido namoro com a Lamborghini. Sua capacidade em atrair patrocinadores de peso e potência dignos da aceleração de um F-1 também pode ser interpretada como claro sinal de sucesso. O lado ruim de tudo isso é a recepção clandestina de um dossiê técnico da Ferrari, caso que gerou a tal punição de 2007: multa de US$ 100 milhões e exclusão do campeonato daquele ano.

A julgar pelos resultados que a equipe vem obtendo este ano é plausível ver um novo capítulo nesse tema: os resultados tem sido patéticos, se tanto, e o motor Honda atual não corresponde às expectativas. Além disso, a equipe não conta com um patrocinador principal há algum tempo e os resultados piorando pelo segundo ano consecutivo terão forte impacto na distribuição de bônus e ajuda de custo que a FOM (Formula One Management, empresa que detém os direitos comerciais da categoria) distribui entre as equipes. Em outras palavras, a McLaren vai ter seus dias de salário mínimo em breve. E é neste ponto que um acordo peculiar poderia ter surgido. Ainda que inimigo de Dennis, não interessa a Ecclestone que a McLaren se afunde de vez. Estivesse Maquiavel circulando pelo paddock ele poderia ter sugerido ao mandatário da categoria que uma pequena ajuda neste momento crucial poderia ser paga em moeda forte, com juros e correção monetária e fazer o rival se tornar mais flexível às suas propostas. Num momento que todos clamam melhorias, atitudes e uma fase digna de Fênix para a F-1 atual, a Bernie interessa contar com todo apoio possível para superar a crise de hoje em dia que já dura meses e nasceu há alguns anos.

E aqui surge o espaço para um favor especial em uma condição atípica. É pouco provável que até o final do ano a Manor deixe de ser a última colocada entre os construtores e supere a McLaren na contagem de pontos deste ano; é pouco provável até que a equipe marque pontos. Assim, o resultado da Hungria serve como bálsamo aos samurais da Honda com poder de decisão sobre manter ou anular o atual programa de F-1. Abandono que se por acaso acontecer, não será o primeiro. Em 1968, quando conquistou sua primeira pole position na categoria (com John Surtees, no GP da Itália), ela encerrou o programa marcado por um projeto fracassado de motor arrefecido a ar. Vale lembrar que Surtees rejeitou peremptoriamente correr com o chassi RA 302 e usava um motor V-12 ortodoxo montado em chassi feito pela Lola. Em 2008, após três temporadas de atuações dignas do rótulo “melhor esquecer”, a estrutura da sua equipe própria foi vendida a Ross Brown por um preço simbólico.

Se um abandono acontecer novamente seria um golpe quase fatal na Fórmula 1 que conhecemos e pela qual nos apaixonamos. E seria um golpe praticamente fatal caso seja imitado pela Renault, ainda por divulgar se continua ou não na categoria, Pressões para anular as restrições no desenvolvimento de motores — marca do regulamento atual — ganharam força esta semana com declarações públicas de Franz Tost (diretor da Toro Rosso) e do próprio Fernando Alonso.
Por enquanto, o acordo comentado neste artigo é uma especulação, especulação que a história alimenta com requintes.

Mais McLaren
Ainda no campo das possibilidades: anunciada por diversos sites e revistas européias como negócio fechado, a chegada do belga Stoffel Vandoorne como companheiro de equipe de Fernando Alonso em 2016 foi desmentida pela assessoria de imprensa da McLaren. Segundo o comunicado, nenhuma decisão a respeito foi tomada pela equipe até o momento.

Para reforçar anda mais o inferno astral de Jenson Button, a casa onde o piloto e sua esposa passavam férias na Riviera Francesa foi assaltada, com prejuízos consideráveis em jóias e valores. Após alegar que os ladrões teriam entrado na casa após injetar gás entorpecente pelo sistema de ar-condicionado da mansão onde estava hospedado com amigos, o piloto teve sua tese desmentida por médicos anestesistas ingleses e autoridades francesas, para quem a desculpa é um mito. Para a polícia é mais provável que o consumo excessivo de álcool na noite anterior poderia ter facilitado a entrada dos assaltantes.

Elétricos em alta tensão
Três mudanças importantes aconteceram na lista de inscritos para a segunda temporada mundial da F-E, a categoria de carros elétricos que termina hoje, em Donington Park, sua primeira rodada de treinos livres para a temporada 2015/2016. O resultado do treino inaugural da entressafra, ontem, não mostrou nenhuma novidade com relança ao mais velozes: Sebastién Buemi, Lucas Di Grassi e Nicolas Prost foram os mais rápidos em uma sessão parcialmente prejudicada pela chuva. Entre o que trocaram de CEP, Nick Heidfeld foi o melhor (sexto) enquanto Jacques Villeneuve, que deverá disputar sua primeira temporada completa em uma categoria após muitos anos, foi o mais lento do dia (1’38”176), cerca de seis segundos acima do melhor tempo de Buemi.

Entre as mudanças de pilotos está a contratação de Nick Heidfeld pela Mahindra, onde corre Bruno Senna, e Jean-Éric Vergne na Virgin Racing, mudanças que ajudam a consolidar a categoria como um novo mercado para pilotos profissionais. Entre os que deixaram a categoria está Jaime Alguersuari, que desmaiou durante a etapa de Moscou e teve sua habilitação suspensa pela FIA. O espanhol anunciou seu afastamento temporário das competições para realizar uma bateria de exames médicos afim de ser avaliada sua real condição física.

O resultado dos treinos de ontem: 1) Sebastién Buemi, Renault e.dams, 1’32”095s; 2) Lucas di Grassi, ABT Schaeffler Audi Sport, 1’32”158s; 3) Nicolas Prost, Renault e.dams, 1’32”286s 4) Sam Bird, DS Virgin Racing, 1’32”523s 5) Salvador Duran, Team Aguri, 1’32”549s 6) Bruno Senna, Mahindra Racing, 1’35”653s 7) Nick Heidfeld, Mahindra Racing, 1’35”700s 8) Jerome D’Ambrosio, Dragon Racing, 1’36”324s 9) Tom Dillmann, Team Aguri, 1’36”329s 10) Stephane Sarrazin, Venturi, 1’36”361s 11) Jean-Eric Vergne, DS Virgin Racing, 1’36”704s 12) Loic Duval, Dragon Racing, 1’37”987s 13) Nelson Piquet Jr, NextEV TCR, 1’38”052s 14) Jacques Villeneuve, Venturi, 1’38”176s 15) Jarno Trulli, Trulli, sem tempo 16) Simona de Silvestro, Andretti, sem tempo.

Varela e Gugelmin dominaram os Sertões
A dupla Reinaldo Varela/Gustavo Gugelmin venceu com autoridade e regularidade a edição 2015 do Rally dos Sertões. A dupla liderou a competição desde a primeira etapa e não teve maiores problemas com a picape Toyota que usa para disputar o Campeonato Mundial de Rally Off Road, modalidade onde conquistou o título da categoria T-2 em 2012.

Resultado final, geral, carros: 1) Reinaldo Varela/Gustavo Gugelmin, Toyota Hilux, 14h53’25”; 2) Marcos Baumgarten/Kleber Cincea, Ford Ranger, 15h7’47”6; 3) Cristian Baumgart/Beco Andreotti, Ford Ranger, 15h53’58”8.

WG


terça-feira, 6 de maio de 2014

Wagner Gonzalez em Conversa de pista - Cortando o que não deve


Wagner Gonzalez


Na busca pela contenção de custos grupo estratégico da F-1 dá passo errado e discute redução de treinos. Equipes menores devem apresentar opções para evitar redução do grid. Temporada prossegue domingo com o GP da Espanha

Paixão e razão raramente andam no mesmo ritmo ou cantam no mesmo tom, afirmação tão nova quanto andar para a frente. Nem por isso os exemplos que confirmam essa clássica lei da vida deixam de aparecer com regularidade assustadora; desta vez aconteceu em um encontro de representantes de equipes de F-1 para discutir possíveis soluções para cortar gastos. Ainda que economia e automobilismo de competição sejam reconhecidos antônimos, a escalada de custos que o circo do Tio Bernie vive há anos já chegou a nada lisonjeiros “nunca antes na história desta categoria”.  A primeira sugestão apresentada por Ferrari, Mercedes e Red Bull foi, no mínimo, um contra-senso: cancelar a primeira sessão de treinos livres, atividade que acontece nas manhãs das sextas-feiras, exceto em Mônaco, onde os carros vão à pista na quinta-feira.


Segundo Toto Wolff, bam-bam-bam da Mercedes na F-1, a dificuldade de um acordo está na diferença de estrutura e finalidade entre as grandes e pequenas equipes, segundo sua declaração dada ao semanário especializado Speed Week, dos EUA:




“Sejamos honestos: há uma grande diferença na agenda dos times. Enquanto algumas representam marcas globais outras estão na F-1 apenas para correr.”


Nada tão simplista: qual seria o apelo de um GP com apenas 10, 12 carros de grandes equipes? Mais: cancelar a sessão de treinos livres nas quais pilotos jovens tem a chance de treinar e assimilar a dinâmica de trabalho não parece ser a melhor maneira de economizar, mesmo porque não é raro as equipes principais treinarem pouco nessas sessões. 


Para os chefes dos grandes times a economia de um treino a menos se justificaria através do congelamento de especificações e setups: é comum que entre sexta-feira e sábado algumas fábricas construam e despachem, por via aérea, peças construídas após a análise dos resultados dos primeiros treinos. É por estas linhas que Wolf, Montezemolo e Dennis - e os demais responsáveis pelas grandes equipes - pensam e funcionam.  Quem sabe reduzindo o número de funcionários por equipe, o volume de equipamento nos boxes e o tamanho dos motorhomes as consequências poderiam ser mais práticas e eficientes.

Ironicamente o grupo estratégico da F-1 reúne apenas as equipes grandes da categoria: Ferrari, Lotus, McLaren, Mercedes, Red Bull (que leva de carona a Toro Rosso) e Williams. Caterham, Force India, Marussia e Sauber, as que mais sofrem com a falta de recursos, não opinam. As mudanças no regulamento só podem acontecer com os votos desse grupo, da FIA (Federação Internacional do Automóvel) e da FOM (Formula One Management), situação questionável, especialmente quando se nota que a Force India ocupa a terceira posição entre os construtores.  

McLaren põe ordem na casa
A chegada de Eric Bouiller à condição de diretor de competição da McLaren não encerrou a arrumação na casa: enquanto não fica esclarecido onde Dan Fallows vai realmente trabalhar (o chefe de aerodinâmica da Red Bull teria aceito convite para trabalhar em Woking mas desistiu de honrar o compromisso e resolveu ficar na equipe de Milton Keynes), o espaço vago será ocupado por Tony Salter (ex-Sauber) e Guillaume Cattelani (ex-Lotus). Além disso o organograma do time foi alterado para facilitar a comunicação interna e os processos de trabalho, algo que aumentou as responsabilidades de Tim Goss e Matt Morris, respectivamente diretores técnico e de engenharia.

GP da Russia subiu no крыша

A julgar pela declaração de Richard Ottaway, presidente da Comissão de Assuntos Internacionais da Câmara dos Comuns britânica, ao jornal londrino The Times, parece que o GP da Russia subiu no telhado. Não bastassem as dúvidas sobre o propalado patrocínio de empresas russas à Sauber – até agora longe de ser um fato consumado –a corrida marcada para o dia da criança (12/10) poderá ficar no sonho: segundo Sir Ottaway “por causa da possibilidade cada vez maior de uma guerra entre Rússia e Ucrânia, a realização dessa corrida é terrivelmente irreal”.  Pressão ou realidade, as restrições mundiais à transações financeiras com bancos russos igualmente não ajuda a amenizar a situação.
Morre Nigel Stepney
Nigel Stepney, que ganhou fama como vilão no maior caso conhecido de espionagem na F-1, faleceu no final de semana, vítima de um acidente rodoviário.  Stepney, que tinha 56 anos, trabalhou com Ayrton Senna em 86 e 87 e com Nelon Piquet, na Lotus, Benetton e em uma equipe de F-3000 montada para o monegasco Olivier Beretta. Quando Senna trocou a Lotus pela McLaren Stepney tentou convencer o brasileiro a leva-lo junto, algo que não aconteceu. Apaixonado por futebol e automobilismo e um tanto irascível, Nigel Stepney foi considerado culpado de espionagem industrial por ter copiado centenas de páginas de um dossiê técnico da Ferrari e repassado o material à McLaren. Além de recomendar às equipes que não contratassem Stepney por dois anos, a FIA também multou a McLaren em U$ 100 milhões e cancelou seus pontos na temporada de 2007, ano em que o fato aconteceu.

Raikkonen vivo?
É impossível não pensar que se trata de uma animação ou uso de um robô ao ver a mensagem publicitária de Kimi Räikkönen às vésperas do GP da China. Clique aqui para ver o vídeo produzido para um patrocinador chinês da Scuderia.

Stock anuncia Corrida do Milhão par Goiânia
Ainda em fase final de acabamento para sua reinauguração, o autódromo de Goiânia já garantiu duas datas na temporada 2014 da Stock Car: além da quarta etapa (dia 1. de junho), o circuito da capital goiana também será palco da Corrida do Milhão, dia 3 de agosto. No calendário original a competição que acontece pela sexta vez, estava provisoriamente marcada para acontecer em Interlagos. A última vez que a Stock disputou uma prova em Goiânia foi em 2001 e teve uma das chegadas mais disputadas da história da categoria: Chico Serra derrotou Ingo Hoffmann por apenas 0”222.
JP Oliveira vence e lidera no Japão
O brasileiro João Paulo de Oliveira venceu a segunda etapa do Campeonato Japonês de GT (Autobac Super GT Series), em dupla com Hironobu Yasuda e tripulando o Nissan GT-R da equipe Calsonic. Com a vitória nos 500 Km de Fuji a dupla lidera o certame na categoria principal. A próxima prova, 300 Km de Autopolis, está marcada para o dia 1. de junho. “Foi uma prova extenuante e a vantagem que abrimos no início da corrida desapareceu com a entrada do Safety-Car. Tinha tanta borracha solta na pista que eu ouvia quando esses pedaços batiam na frente do carro, em especial no canto direito da suspensão. Cheguei a temer por algum problema mais sério por causa disso, mas chegamos ao final e agora lideramos o campeonato”

DTM começa com 23 carros
Audi (8 carros), BMW (8) e Mercedes-Benz (7) começaram no fim de semana passado a disputa de mais uma temporada do DTM, o Campeonato Alemão de Turismo, o mais sofisticado certame desta categoria em todo o mundo. O Brasil é representado por Augusto Farfus, piloto oficial da casa bávara e que ficou em oitavo lugar na prova que aconteceu em Hockenheim. “Perdi duas posições na última volta, mas considerando que larguei lá atrás esse oitavo lugar não foi tão ruim assim”, declarou o curitibano após a corrida que marcou a primeira vitória de Marco Wittmann (BMW). Um resumo da prova você assiste clicando aqui. A próxima etapa do DTM está marcada para o dia 18 em Oschersleben.

Quase tudo em família
Além do DTM, Hockenheim teve também a segunda rodada do Campeonato Europeu de F-3, que é liderado com autoridade pelo francês Esteban Ocon, com 107 pontos, contra 67 do italiano Antonio Fuoco e do inglês Tom Blomqvist, filho de Stig Blomqvist, sueco que sagrou-se campeão mundial de rally em 1984. A corrida de domingo, que você pode ver na integra aqui, foi vencida por outra dinastia automobilística: Max Verstappen, filho de Jos Verstappen, que disputou 107 GPs entre 1994 e 2003.  Felipe Guimarães é o único brasileiro nessa disputa, que prossegue no fim de semana no circuito de rua de Pau, França.
WTCC: Muller e Morbidelli vencem na Hungria
O italiano Gianni Morbidelli conseguiu  acabar com a supremacia da equipe Citroën no Campeonato Mundial de Turismo ao vencer a sexta etapa, disputada domingo em Hungaroring, próximo a Budapeste. A vitória na quinta etapa , cuja largada você assiste clicando aqui, foi do francês Yvan Müller…da Citroën.