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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Wagner Gonzalez em Conversa de pista



QUANDO A VITÓRIA NÃO RESOLVE TUDO

As 19 vitórias da Mercedes, em 21 GPs de F-1, não foram suficientes para manter a paz dentro de casa




Paddy Lowe (E) e Toto Wolff
Nada mais ilusório que a máxima “em time que está ganhando não se mexe”. Depois do surpreendente anúncio de divórcio entre Nico Rosberg e a F-1, a equipe Mercedes envolve-se em nova situação de risco: uma que envolve a permanência de Paddy Lowe na equipe. 

Atual diretor técnico executivo do Kampfpanzer que ostenta a estrela de três pontas, este britânico nascido em Nairobi, no Quênia, já não parece tão à vontade na equipe alemã. No entanto a causa disso, a propalada chegada de James Allison, a esse time poderá resolver um outro problema igualmente importante, senão mais grave: a falta de um piloto para preencher a vaga aberta com a saída de Rosberg.

Em um universo onde tudo é possível – ou “everything is possible” no jargão do todo poderoso Bernie Ecclestone – o companheiro de equipe de Lewis Hamilton em 2017 poderia ser o finlandês Valteri Bottas, solução que tem tudo para se tornar um estudo de caso para quem pesquisa manobras de engenharia financeira. Solução do estilo quebra-cabeça e que, diga-se de passagem, poderia muito bem salvar a lavoura do Cerrado de Felipe Nasr, que hoje sofre com a falta de insumo básico.

Felipe Nasr
Vejamos, pois, este quadro em partes, capítulos ou arias, já que tem todos os elementos de uma ópera digna como a história de Fosca, obra em quatro atos de outro brasileiro, o campineiro Antônio Carlos Gomes. No primeiro ato desta obra datada de 1873 e cuja estreia foi no Teatro Scala, em Milão, sequestradores liderados por Cambro, irmão da heroína, sequestram Paolo, noivo de Delia e amor secreto de Fosca e sua liberdade com vida é taxada em 100 moedas de ouro.

Ocorre que em meio à essa negociação Fosca tenta convencer seu irmão Cambro a ficar com o dinheiro e deixar Paolo somente para seu usufruto pessoal. Uma pequena revolta acontece e os comandados por Cambro sequestram as donzelas de Veneza, gerando medo e confusão na cidade. Tosca se arrepende e tenta convencer Paolo e sua noiva, Delia, a cometerem suicídio, mas em uma reviravolta digna de mentes insanas, é ela quem acaba por se matar, o que permite que Veneza siga sua vida como se quase nada tivesse acontecido.

Valteri Bottas 
A vaga aberta pela aposentadoria precoce de Nico Rosberg pode custar à Mercedes algo como essas 100 moedas de ouro, com o valor devidamente atualizado em juros e correção monetária em relação à história acontecida no ano de 944. Aparentemente sem conseguir sequestrar pilotos de ponta – tais como Fernando Alonso, Sebastian Vettel ou Max Verstappen, Toto Wolff viu-se obrigado a olhar para Valteri Bottas, primeiro piloto de uma equipe Williams que terá o canadense Lance Stroll, cujo currículo na F-1 ainda está virgem.

Pat Symonds 
Liberar um piloto que parte para sua quinta temporada na categoria, seria, portanto, algo doloroso para a equipe Williams. Concordar em liberar Bottas seria herdar o problema que hoje aflige a Mercedes: procurar um piloto experiente em um mercado onde a demanda excede a procura. Tarefa árdua, mas nada que outro punhado de moedas de ouro, ou algo equivalente, não resolva. Quem sabe, até mesmo uma solução mista: um desconto substancial na fatura do aluguel de motores e a liberação de Paddy Lowe para assumir a direção técnica da equipe. Vale lembrar que ele foi um dos cérebros responsáveis pelo desenvolvimento da suspensão ativa dos Williams FW14 e FW 14 b.

Caso o patrocinador principal da equipe concorde com a liberação de Bottas, a Williams resolveria não apenas dois problemas, mas três: uma redução de muitos milhões de dólares na conta dos motores – fala-se em torno de US$ 12 milhões, proposta rejeitada inicialmente – reforçar a a equipe e preparar o sucessor de Pat Symonds, que já anunciou sua aposentadoria para o final da próxima temporada. De quebra, ficaria bem com a Mercedes em uma temporada onde um piloto da casa de Sttutgart, Estebán Ocón, vai pilotar para Force India, outra equipe que usa os motores alemães.

E caso o quebra cabeça se resolva dessa maneira, o nome de Felipe Nasr, até mesmo de Felipe Massa, voltam ao mercado. Ambos já trabalharam com Frank Williams e sua família, o que facilitaria o entendimento com a comunidade de Grove. Situação que ficaria mais difícil caso a Mercedes intercedesse para outro de seus pilotos, o alemão Pascal Wehrlein. O jovem campeão do DTM em 2015, porém, parece não ter impressionado o mercado como Toto Wolff esperava. Nesse caso, só mesmo dobrando a oferta de moedas de ouro para que essa ópera teuto-britânica não acabe em clima de tragédia grega.

FRAGA REJUVENESCE A STOCK CAR
Felipe Fraga acrescentou mais dois “primeiros” à sua já longa lista de conquistas: em uma atuação madura em que dois incidentes ajudaram a definir o resultado da etapa final da temporada de Stock Car, Fraga conquistou o seu primeiro título de Campeão Brasileiro da categoria e tornou-se o piloto mais jovem a conseguir tal resultado. O piloto nascido na cidade de Jacundá (PA) em 3 de agosto de 1995, Fraga desde pequeno radicou-se no Estado de Tocantins, consequência das atividades comerciais de sua família.

Autor da pole-position em sua corrida de estreia (Interlagos, 2014), o campeão de 2016 é também o mais jovem vencedor da Corrida do Milhão de 2016, Fraguinha é um dos expoentes da nova geração de pilotos brasileiros. Estes dois resultados mostram que a opção por fazer carreira com carros de Turismo - consequência de ter um corpo avantajado -, foi a mais acertada, mesmo dividindo a equipe Cimed com o campeão de 2015, o paulista Marcos Gomes. No ano que vem Felipe cede lugar para seu mentor, Cacá Bueno, e assume a condição de primeiro piloto na estrutura que Bueno e William Lube montaram junto com Duda Pamplona, ainda defendendo as cores do seu patrocinador atual, a farmacêutica Cimed.

Diego Nunes 
Além de Fraga vale destacar dois outros nomes que também deverão brilhar na próxima temporada: o já experiente Diego Nunes – que deve se transferir para a equipe Full Time -, e Guilherme Salas, um ano mais velho que Fraga. Salas brilhou na disputa do Brasileiro de Marcas e fez algumas aparições na Stock Car: estreou com um segundo lugar na corrida de duplas (Junto com Ricardo Maurício) e obteve o sexto lugar no encerramento da temporada.

Daniel Serra
Na prova de Interlagos Fraga liderou as primeiras voltas com folga, mas a entrada do Safety-Car anulou a vantagem. Mais tarde, uma parada para instalar pneus de chuva em seu carro o deslocou para trás, mas sempre mantendo posição que lhe garantia o título. Quem saiu ganhando com esses imprevistos foi Daniel Serra, que garantiu a última vitória da equipe Red Bull, que se despede da categoria. Rubens Barrichello chegou em segundo na prova e no campeonato.

MUDANÇAS NA VICAR
A corrida de Interlagos marcou também a despedida de Maurício Slaviero do comando da Vicar, empresa do grupo T4F voltada para a promoção de eventos de automobilismo. Seu lugar será ocupado por Rodrigo Mathias, até então responsável pela divisão de novos negócios do grupo gaúcho RBS.

WG



terça-feira, 6 de maio de 2014

Wagner Gonzalez em Conversa de pista - Cortando o que não deve


Wagner Gonzalez


Na busca pela contenção de custos grupo estratégico da F-1 dá passo errado e discute redução de treinos. Equipes menores devem apresentar opções para evitar redução do grid. Temporada prossegue domingo com o GP da Espanha

Paixão e razão raramente andam no mesmo ritmo ou cantam no mesmo tom, afirmação tão nova quanto andar para a frente. Nem por isso os exemplos que confirmam essa clássica lei da vida deixam de aparecer com regularidade assustadora; desta vez aconteceu em um encontro de representantes de equipes de F-1 para discutir possíveis soluções para cortar gastos. Ainda que economia e automobilismo de competição sejam reconhecidos antônimos, a escalada de custos que o circo do Tio Bernie vive há anos já chegou a nada lisonjeiros “nunca antes na história desta categoria”.  A primeira sugestão apresentada por Ferrari, Mercedes e Red Bull foi, no mínimo, um contra-senso: cancelar a primeira sessão de treinos livres, atividade que acontece nas manhãs das sextas-feiras, exceto em Mônaco, onde os carros vão à pista na quinta-feira.


Segundo Toto Wolff, bam-bam-bam da Mercedes na F-1, a dificuldade de um acordo está na diferença de estrutura e finalidade entre as grandes e pequenas equipes, segundo sua declaração dada ao semanário especializado Speed Week, dos EUA:




“Sejamos honestos: há uma grande diferença na agenda dos times. Enquanto algumas representam marcas globais outras estão na F-1 apenas para correr.”


Nada tão simplista: qual seria o apelo de um GP com apenas 10, 12 carros de grandes equipes? Mais: cancelar a sessão de treinos livres nas quais pilotos jovens tem a chance de treinar e assimilar a dinâmica de trabalho não parece ser a melhor maneira de economizar, mesmo porque não é raro as equipes principais treinarem pouco nessas sessões. 


Para os chefes dos grandes times a economia de um treino a menos se justificaria através do congelamento de especificações e setups: é comum que entre sexta-feira e sábado algumas fábricas construam e despachem, por via aérea, peças construídas após a análise dos resultados dos primeiros treinos. É por estas linhas que Wolf, Montezemolo e Dennis - e os demais responsáveis pelas grandes equipes - pensam e funcionam.  Quem sabe reduzindo o número de funcionários por equipe, o volume de equipamento nos boxes e o tamanho dos motorhomes as consequências poderiam ser mais práticas e eficientes.

Ironicamente o grupo estratégico da F-1 reúne apenas as equipes grandes da categoria: Ferrari, Lotus, McLaren, Mercedes, Red Bull (que leva de carona a Toro Rosso) e Williams. Caterham, Force India, Marussia e Sauber, as que mais sofrem com a falta de recursos, não opinam. As mudanças no regulamento só podem acontecer com os votos desse grupo, da FIA (Federação Internacional do Automóvel) e da FOM (Formula One Management), situação questionável, especialmente quando se nota que a Force India ocupa a terceira posição entre os construtores.  

McLaren põe ordem na casa
A chegada de Eric Bouiller à condição de diretor de competição da McLaren não encerrou a arrumação na casa: enquanto não fica esclarecido onde Dan Fallows vai realmente trabalhar (o chefe de aerodinâmica da Red Bull teria aceito convite para trabalhar em Woking mas desistiu de honrar o compromisso e resolveu ficar na equipe de Milton Keynes), o espaço vago será ocupado por Tony Salter (ex-Sauber) e Guillaume Cattelani (ex-Lotus). Além disso o organograma do time foi alterado para facilitar a comunicação interna e os processos de trabalho, algo que aumentou as responsabilidades de Tim Goss e Matt Morris, respectivamente diretores técnico e de engenharia.

GP da Russia subiu no крыша

A julgar pela declaração de Richard Ottaway, presidente da Comissão de Assuntos Internacionais da Câmara dos Comuns britânica, ao jornal londrino The Times, parece que o GP da Russia subiu no telhado. Não bastassem as dúvidas sobre o propalado patrocínio de empresas russas à Sauber – até agora longe de ser um fato consumado –a corrida marcada para o dia da criança (12/10) poderá ficar no sonho: segundo Sir Ottaway “por causa da possibilidade cada vez maior de uma guerra entre Rússia e Ucrânia, a realização dessa corrida é terrivelmente irreal”.  Pressão ou realidade, as restrições mundiais à transações financeiras com bancos russos igualmente não ajuda a amenizar a situação.
Morre Nigel Stepney
Nigel Stepney, que ganhou fama como vilão no maior caso conhecido de espionagem na F-1, faleceu no final de semana, vítima de um acidente rodoviário.  Stepney, que tinha 56 anos, trabalhou com Ayrton Senna em 86 e 87 e com Nelon Piquet, na Lotus, Benetton e em uma equipe de F-3000 montada para o monegasco Olivier Beretta. Quando Senna trocou a Lotus pela McLaren Stepney tentou convencer o brasileiro a leva-lo junto, algo que não aconteceu. Apaixonado por futebol e automobilismo e um tanto irascível, Nigel Stepney foi considerado culpado de espionagem industrial por ter copiado centenas de páginas de um dossiê técnico da Ferrari e repassado o material à McLaren. Além de recomendar às equipes que não contratassem Stepney por dois anos, a FIA também multou a McLaren em U$ 100 milhões e cancelou seus pontos na temporada de 2007, ano em que o fato aconteceu.

Raikkonen vivo?
É impossível não pensar que se trata de uma animação ou uso de um robô ao ver a mensagem publicitária de Kimi Räikkönen às vésperas do GP da China. Clique aqui para ver o vídeo produzido para um patrocinador chinês da Scuderia.

Stock anuncia Corrida do Milhão par Goiânia
Ainda em fase final de acabamento para sua reinauguração, o autódromo de Goiânia já garantiu duas datas na temporada 2014 da Stock Car: além da quarta etapa (dia 1. de junho), o circuito da capital goiana também será palco da Corrida do Milhão, dia 3 de agosto. No calendário original a competição que acontece pela sexta vez, estava provisoriamente marcada para acontecer em Interlagos. A última vez que a Stock disputou uma prova em Goiânia foi em 2001 e teve uma das chegadas mais disputadas da história da categoria: Chico Serra derrotou Ingo Hoffmann por apenas 0”222.
JP Oliveira vence e lidera no Japão
O brasileiro João Paulo de Oliveira venceu a segunda etapa do Campeonato Japonês de GT (Autobac Super GT Series), em dupla com Hironobu Yasuda e tripulando o Nissan GT-R da equipe Calsonic. Com a vitória nos 500 Km de Fuji a dupla lidera o certame na categoria principal. A próxima prova, 300 Km de Autopolis, está marcada para o dia 1. de junho. “Foi uma prova extenuante e a vantagem que abrimos no início da corrida desapareceu com a entrada do Safety-Car. Tinha tanta borracha solta na pista que eu ouvia quando esses pedaços batiam na frente do carro, em especial no canto direito da suspensão. Cheguei a temer por algum problema mais sério por causa disso, mas chegamos ao final e agora lideramos o campeonato”

DTM começa com 23 carros
Audi (8 carros), BMW (8) e Mercedes-Benz (7) começaram no fim de semana passado a disputa de mais uma temporada do DTM, o Campeonato Alemão de Turismo, o mais sofisticado certame desta categoria em todo o mundo. O Brasil é representado por Augusto Farfus, piloto oficial da casa bávara e que ficou em oitavo lugar na prova que aconteceu em Hockenheim. “Perdi duas posições na última volta, mas considerando que larguei lá atrás esse oitavo lugar não foi tão ruim assim”, declarou o curitibano após a corrida que marcou a primeira vitória de Marco Wittmann (BMW). Um resumo da prova você assiste clicando aqui. A próxima etapa do DTM está marcada para o dia 18 em Oschersleben.

Quase tudo em família
Além do DTM, Hockenheim teve também a segunda rodada do Campeonato Europeu de F-3, que é liderado com autoridade pelo francês Esteban Ocon, com 107 pontos, contra 67 do italiano Antonio Fuoco e do inglês Tom Blomqvist, filho de Stig Blomqvist, sueco que sagrou-se campeão mundial de rally em 1984. A corrida de domingo, que você pode ver na integra aqui, foi vencida por outra dinastia automobilística: Max Verstappen, filho de Jos Verstappen, que disputou 107 GPs entre 1994 e 2003.  Felipe Guimarães é o único brasileiro nessa disputa, que prossegue no fim de semana no circuito de rua de Pau, França.
WTCC: Muller e Morbidelli vencem na Hungria
O italiano Gianni Morbidelli conseguiu  acabar com a supremacia da equipe Citroën no Campeonato Mundial de Turismo ao vencer a sexta etapa, disputada domingo em Hungaroring, próximo a Budapeste. A vitória na quinta etapa , cuja largada você assiste clicando aqui, foi do francês Yvan Müller…da Citroën.