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segunda-feira, 30 de abril de 2018

Felipe Nasr estreia nas 24 Horas de Le Mans no time Villorba Corse


Nasr vai correr em Le Mans em junho e nas cinco provas finais da European Le Mans Series, ao lado dos italianos Roberto Lacorte e Giorgio Sernagiotto, sempre em datas que não interferem na sua participação no Campeonato IMSA onde atualmante é o 2o colocado no Campeonato Geral e 1o colocado no Campeonato das Provas Longas.
“Há tantas razões que tornam este momento especial que é difícil falar apenas de uma delas: 1) Estou muito feliz por estar pilotando pela Villorba Corse com quem testei em Paul Ricard no ano passado, é ótimo estar de volta a uma equipe italiana para mim que iniciei minha carreira de piloto em monopostos na italiana Eurointernational na Fórmula BMW onde fui campeão;
2) Estou muito contente por dirigir esse LMP2 Dallara, o mesmo chassi espetacular que estou dirigindo nos EUA e conseguindo ótimos resultados, não vejo a hora de guiá-lo em pistas que eu conheço e gosto tanto como Monza, Spa, Silverstone e Red Bull Ring; e
3) Estou super motivado por ter a oportunidade de estar nas 24 Horas de Le Mans, é mais um sonho que vou realizar! Vamos acelerar!”

O dono da equipe Villorba Corse, Raimondo Amadio, acrescentou: “É com muito prazer que recebemos novamente o Felipe em nossa equipe. Não apenas para alguns testes, mas agora para uma temporada inteira e uma corrida de 24 horas, que são realmente importantes para todos nós. Nós realmente admiramos muito o seu talento e por isso faremos de tudo para que ele se sinta parte da equipe imediatamente. Um piloto tão rápido, técnico e experiente será uma grande energia nova para continuar melhorando. Tenho certeza de que, com ele, vamos enfrentar todos os desafios da mais eficiente forma possível ”.

Calendário IMSA, ELMS e 24 Horas de Le Mans 2018
5 e 6 de Maio - 2h40 de Mid Ohio
12 e 13 de Maio - 4 Horas de Monza
1 e 2 de Junho - 1h40 de Belle Island Detroit
30 Junho/1 de Julho - 6 Horas de Watkins Glen
6 e 7 de Julho - 2h40 de Motorsport Park Canada
16 e 17 de Junho - 24 Horas de Le Mans
20 e 21 de Julho - 4 Horas de Red Bull Ring
4 e 5 de Agosto - 2h40 de Road America
18 e 19 de Agosto - 4 Horas de Silverstone
8 e 9 de Setembro - 2h40 de Laguna Seca
22 e 23 de Setembro - 4 Horas de Spa Francorchamps
13 e 14 de Outubro - 10 Horas de Petit Le Mans Road Atlanta
27 e 28 de Outubro - 4 Horas de Portimão

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Wagner Gonzalez em Conversa de pista



QUANDO A VITÓRIA NÃO RESOLVE TUDO

As 19 vitórias da Mercedes, em 21 GPs de F-1, não foram suficientes para manter a paz dentro de casa




Paddy Lowe (E) e Toto Wolff
Nada mais ilusório que a máxima “em time que está ganhando não se mexe”. Depois do surpreendente anúncio de divórcio entre Nico Rosberg e a F-1, a equipe Mercedes envolve-se em nova situação de risco: uma que envolve a permanência de Paddy Lowe na equipe. 

Atual diretor técnico executivo do Kampfpanzer que ostenta a estrela de três pontas, este britânico nascido em Nairobi, no Quênia, já não parece tão à vontade na equipe alemã. No entanto a causa disso, a propalada chegada de James Allison, a esse time poderá resolver um outro problema igualmente importante, senão mais grave: a falta de um piloto para preencher a vaga aberta com a saída de Rosberg.

Em um universo onde tudo é possível – ou “everything is possible” no jargão do todo poderoso Bernie Ecclestone – o companheiro de equipe de Lewis Hamilton em 2017 poderia ser o finlandês Valteri Bottas, solução que tem tudo para se tornar um estudo de caso para quem pesquisa manobras de engenharia financeira. Solução do estilo quebra-cabeça e que, diga-se de passagem, poderia muito bem salvar a lavoura do Cerrado de Felipe Nasr, que hoje sofre com a falta de insumo básico.

Felipe Nasr
Vejamos, pois, este quadro em partes, capítulos ou arias, já que tem todos os elementos de uma ópera digna como a história de Fosca, obra em quatro atos de outro brasileiro, o campineiro Antônio Carlos Gomes. No primeiro ato desta obra datada de 1873 e cuja estreia foi no Teatro Scala, em Milão, sequestradores liderados por Cambro, irmão da heroína, sequestram Paolo, noivo de Delia e amor secreto de Fosca e sua liberdade com vida é taxada em 100 moedas de ouro.

Ocorre que em meio à essa negociação Fosca tenta convencer seu irmão Cambro a ficar com o dinheiro e deixar Paolo somente para seu usufruto pessoal. Uma pequena revolta acontece e os comandados por Cambro sequestram as donzelas de Veneza, gerando medo e confusão na cidade. Tosca se arrepende e tenta convencer Paolo e sua noiva, Delia, a cometerem suicídio, mas em uma reviravolta digna de mentes insanas, é ela quem acaba por se matar, o que permite que Veneza siga sua vida como se quase nada tivesse acontecido.

Valteri Bottas 
A vaga aberta pela aposentadoria precoce de Nico Rosberg pode custar à Mercedes algo como essas 100 moedas de ouro, com o valor devidamente atualizado em juros e correção monetária em relação à história acontecida no ano de 944. Aparentemente sem conseguir sequestrar pilotos de ponta – tais como Fernando Alonso, Sebastian Vettel ou Max Verstappen, Toto Wolff viu-se obrigado a olhar para Valteri Bottas, primeiro piloto de uma equipe Williams que terá o canadense Lance Stroll, cujo currículo na F-1 ainda está virgem.

Pat Symonds 
Liberar um piloto que parte para sua quinta temporada na categoria, seria, portanto, algo doloroso para a equipe Williams. Concordar em liberar Bottas seria herdar o problema que hoje aflige a Mercedes: procurar um piloto experiente em um mercado onde a demanda excede a procura. Tarefa árdua, mas nada que outro punhado de moedas de ouro, ou algo equivalente, não resolva. Quem sabe, até mesmo uma solução mista: um desconto substancial na fatura do aluguel de motores e a liberação de Paddy Lowe para assumir a direção técnica da equipe. Vale lembrar que ele foi um dos cérebros responsáveis pelo desenvolvimento da suspensão ativa dos Williams FW14 e FW 14 b.

Caso o patrocinador principal da equipe concorde com a liberação de Bottas, a Williams resolveria não apenas dois problemas, mas três: uma redução de muitos milhões de dólares na conta dos motores – fala-se em torno de US$ 12 milhões, proposta rejeitada inicialmente – reforçar a a equipe e preparar o sucessor de Pat Symonds, que já anunciou sua aposentadoria para o final da próxima temporada. De quebra, ficaria bem com a Mercedes em uma temporada onde um piloto da casa de Sttutgart, Estebán Ocón, vai pilotar para Force India, outra equipe que usa os motores alemães.

E caso o quebra cabeça se resolva dessa maneira, o nome de Felipe Nasr, até mesmo de Felipe Massa, voltam ao mercado. Ambos já trabalharam com Frank Williams e sua família, o que facilitaria o entendimento com a comunidade de Grove. Situação que ficaria mais difícil caso a Mercedes intercedesse para outro de seus pilotos, o alemão Pascal Wehrlein. O jovem campeão do DTM em 2015, porém, parece não ter impressionado o mercado como Toto Wolff esperava. Nesse caso, só mesmo dobrando a oferta de moedas de ouro para que essa ópera teuto-britânica não acabe em clima de tragédia grega.

FRAGA REJUVENESCE A STOCK CAR
Felipe Fraga acrescentou mais dois “primeiros” à sua já longa lista de conquistas: em uma atuação madura em que dois incidentes ajudaram a definir o resultado da etapa final da temporada de Stock Car, Fraga conquistou o seu primeiro título de Campeão Brasileiro da categoria e tornou-se o piloto mais jovem a conseguir tal resultado. O piloto nascido na cidade de Jacundá (PA) em 3 de agosto de 1995, Fraga desde pequeno radicou-se no Estado de Tocantins, consequência das atividades comerciais de sua família.

Autor da pole-position em sua corrida de estreia (Interlagos, 2014), o campeão de 2016 é também o mais jovem vencedor da Corrida do Milhão de 2016, Fraguinha é um dos expoentes da nova geração de pilotos brasileiros. Estes dois resultados mostram que a opção por fazer carreira com carros de Turismo - consequência de ter um corpo avantajado -, foi a mais acertada, mesmo dividindo a equipe Cimed com o campeão de 2015, o paulista Marcos Gomes. No ano que vem Felipe cede lugar para seu mentor, Cacá Bueno, e assume a condição de primeiro piloto na estrutura que Bueno e William Lube montaram junto com Duda Pamplona, ainda defendendo as cores do seu patrocinador atual, a farmacêutica Cimed.

Diego Nunes 
Além de Fraga vale destacar dois outros nomes que também deverão brilhar na próxima temporada: o já experiente Diego Nunes – que deve se transferir para a equipe Full Time -, e Guilherme Salas, um ano mais velho que Fraga. Salas brilhou na disputa do Brasileiro de Marcas e fez algumas aparições na Stock Car: estreou com um segundo lugar na corrida de duplas (Junto com Ricardo Maurício) e obteve o sexto lugar no encerramento da temporada.

Daniel Serra
Na prova de Interlagos Fraga liderou as primeiras voltas com folga, mas a entrada do Safety-Car anulou a vantagem. Mais tarde, uma parada para instalar pneus de chuva em seu carro o deslocou para trás, mas sempre mantendo posição que lhe garantia o título. Quem saiu ganhando com esses imprevistos foi Daniel Serra, que garantiu a última vitória da equipe Red Bull, que se despede da categoria. Rubens Barrichello chegou em segundo na prova e no campeonato.

MUDANÇAS NA VICAR
A corrida de Interlagos marcou também a despedida de Maurício Slaviero do comando da Vicar, empresa do grupo T4F voltada para a promoção de eventos de automobilismo. Seu lugar será ocupado por Rodrigo Mathias, até então responsável pela divisão de novos negócios do grupo gaúcho RBS.

WG



terça-feira, 8 de março de 2016

Wagner Gonzalez em Conversa de Pista

EXPERIMENTO X DURABILIDADE, O BALANÇO DE BARCELONA


Wagner Gonzalez
O resultado dos treinos no Circuito da Catalunha mostra que Ferrari e Mercedes deverão concentrar a disputa da liderança em mais uma temporada de F-1, ainda que os testes de inverno só possam ser usados como uma referência básica, jamais profunda.  Os motivos vão desde a agenda de trabalho de cada equipe até as limitações técnicas e financeiras de cada uma delas, sem falar no período de adaptação de novos pilotos e novas equipes, caso particular da Haas e, em menor escalada, da reformulada Marussia, agora rebatizada de Manor.

Uma visão mais apurada será possível durante os primeiros treinos do GP da Austrália, prova que abre a temporada de 2016 no fim de semana do dia 20. Para os entusiastas da F-1 que já sofrem crise de abstinência, o refresco vem por conta do fuso horário: a diferença entre a hora local de Melbourne e Brasília é de 14 horas, o que significa que será possível acompanhar o início dos treinos de sexta-feira ainda na noite de quinta.

Apesar de todos os carros entrarem na pista teoricamente dentro do regulamento da categoria, uma ideia mais clara da possibilidade de cada time e piloto só ficará mais nítida após os GPs do Bahrein (3 de abril), China (17 de abril) e Rússia (1o de maio).

A explicação para isso é simples: um carro que apresente um desempenho equilibrado em circuitos e condições atmosféricas tão diferentes quanto essas quatro terá maiores chances de manter esse ritmo no restante da temporada. Se a base é boa, o piloto competente e o orçamento adequado, não há por que esperar resultados ruins. Mas como tudo tem exceção, uma crise entre dois pilotos ultracompetitivos ou boatos sobre a mudança de endereços dos principais técnicos ou dos próprios pilotos podem alterar esse equilíbrio. Exemplos recentes são claros: dois anos atrás Lotus tinha uma excelente base técnica, dois pilotos rápidos (Räikkönen e Grosjean) e um carro competitivo. A falta de recursos financeiros catalisou a debandada de bons técnicos e engenheiros e culminou com a Renault recomprando a equipe a preço de frutas tropicais. Sem falar na queda de rendimento de Valteri Bottas quando, no meio do ano passado, a negociação para sua transferência para a Ferrari começou a dar errado.

Em 2015 Force India e Sauber viveram situações semelhantes e há indícios que a temporada promete novos e emocionantes capítulos para ambas. No caso da primeira o problema é identificado em Vijay Mallya: empreendedor arrojado, seus problemas começaram a ficar mais conhecidos quando a Kingfisher (empresa aérea de baixo custo que ele fundou em 2004) faliu e deixou uma longa lista de credores. A partir de então uma série de investimentos em indústrias de bebidas e esportes sofreram revezes e atualmente ele enfrenta problemas com as autoridades financeiras da Índia, seu país natal. Curiosamente, o corpo técnico da Force India é considerado um dos mais hábeis da categoria: com um orçamento bem menor que equipes mais estruturadas, Nico Hulkenberg e Sérgio Pérez somaram pontos suficientes para garantir a quinta colocação entre os construtores.

Mais perto dos brasileiros, a situação da Sauber é semelhante: no início da temporada passada a organização suíça teve que compensar financeiramente Guido van der Garde e ficou sem fundos para desenvolver o chassi C-34. Este ano, a demora em receber o pagamento de patrocinadores provocou atraso no pagamento de salários de fevereiro, algo que muitas empresas brasileiras praticam há algum tempo, fruto da crise que contempla o País. Contribui para essa situação o fato que no começo da temporada os gastos são bem maiores devido à construção dos novos carros e sua homologação compulsória em testes de impacto, a compra de novos equipamentos, uniformes e toda a estrutura que é renovada a cada início de ano.

As novidades de Barcelona
Caras novas, pneus romenos, um “santantônio” (arco de proteção à frente do piloto) reinventado: estas foram as principais novidades das duas sessões de testes de Barcelona. Espremendo tudo isso, o que sobra, como escrevi lá em cima, é que Ferrari e Mercedes continuam à frente da concorrência e que a tendência de processar o fluxo de ar que passa sob o bico dos carros ganhou importância. Este recurso, pouco visível pelas imagens de televisão, é uma forma de modular a carga aerodinâmica dianteira e otimizar o ajuste do carro.

As caras novas que surgiram na F-1 2016 começam pela equipe Haas, que acabou tomando um choque de realidade a ponto do seu proprietário, Gene Haas, ter admitido que o nível de envolvimento e tecnologia na categoria são bem mais altos do que ele esperava.  Ainda bem que o indonésio Rio Haryanto estava lá para impedir que Romain Grosejan (21º) e Esteban Gutiérrez (22º) fossem os mais lentos na classificação geral após oito dias de testes. Se não podia se esperar muito mais de Haryanto em uma equipe pequena como a Manor, certamente problemas no sistema de freios e, pasme, a quebra da asa dianteira do Haas VF16-Ferrari de Grosjean foram surpresas desagradáveis que ilustram o mea culpa de Gene Haas.

Em se tratando de Ferrari e Mercedes, os carros oficiais dessas marcas se destacaram por motivos distintos, e bem mais positivos. A Ferrari optou por testar inúmeras soluções distintas, o que acabou custando algum tempo de pista para que as mudanças fossem efetuadas. Entre essas novidades a instalação de dois dutos internos no bico da carroceria do modelo SF16-H, com dupla função: ajudam a laminar — tornar o fluxo de ar mais estável -— sobre a extremidade dianteira superior do chassi e, consequentemente, gerar alguma carga que ajude a estabilizar a dianteira do monoposto. Não se trata de um conceito inédito — a Sauber usa isso há pelo menos duas temporadas —, mas a forma de aplicação é, com certeza, uma evolução.

Outra referência da Ferrari foi a utilização de pneus supermacios, identificados pela cor roxa, para Räikkonën e Vettel registrarem as melhores voltas. A Scuderia também testou compostos fabricados na Romênia, que também está aparelhada para produzir o equipamento, uma clara referência à instabilidade política que envolve a Turquia, onde normalmente são produzidos os produtos de competição para a categoria. Surpresa maior, porém, ficou por conta do novo arco de proteção dianteiro, o “halo”, espécie de “santantônio” dianteiro destinado a diminuir as chances do piloto ser atingido na cabeça em caso de acidente —  como o que aconteceu em Suzuka ferindo gravemente Jules Bianchi, que veio a falecer tempos depois — ou incidentes como o que envolveu Felipe Massa durante um treino na Hungria. Tanto Vettel quanto Räikkönen testaram o equipamento e, de acordo com o finlandês, o aparato não prejudica a visão: “A primeira impressão foi positiva: o halo não atrapalha a visão”. Lewis Hamilton, porém, não demorou em criticar a novidade, pelo menos por razões estéticas, no que está certo…


Se a Ferrari fez dobradinha, a Mercedes focou na durabilidade do AMG F1 W07 Hybrid e nem Nico Rosberg (terceiro mais rápido), tampouco Lewis Hamilton (10º) usaram os pneus supermacios. A quilometragem coberta por ambos foi suficiente para cobrir aproximadamente 20 GPs, o que caracteriza a agenda de trabalho dos alemães. O único problema conhecido foi com uma pane de transmissão na manhã do último dia de testes, o que acabou encerrando os trabalhos de Lewis Hamilton um pouco mais cedo que o previsto. A grande interrogação é sobre o rendimento dos carros prateados com pneus supermacios: no ano passado a adaptação à borracha mais aderente pode ser incluída entre os raros pontos fracos do chassi W06. Pelo que se viu até agora, os compostos mais aderentes significaram uma melhora menor do que era esperado, oito décimos contra o dobro do que se viu em comparativo semelhante no ano passado. Emoção à vista, a Ferrari teria feito com pneus macios um tempo ainda melhor que a marca mais rápida de Nico Rosberg…

Eterna promessa da F-1, o alemão Nico Hulkenberg fez o quarto melhor tempo dos testes, mostrando que tem velocidade e que o VJM09-Mercedes é um carro bem nascido. Todos nós conhecemos muita gente que depois de grande acabou decepcionando a sociedade, mas o passado do time que funciona onde surgiu a equipe Jordan deixa seus torcedores otimistas. Além de Hulkenberg também andaram com o carro, cujo conceito foi coordenado pelo diretor técnico Andrew Green, Sérgio Pérez e Alfonso Celis Jr, cotado como o mexicano a dar continuidade ao trabalho que Perez e Gutierrez estão desenvolvendo há alguns anos.

Segunda equipe no quesito maior quilometragem percorrida, a Toro Rosso mostrou interessante equilíbrio entre seus dois pilotos — Carlos Sainz Jr. e Max Verstappen, que deixaram para trás a interrogação que os acompanhou um ano atrás. O espanhol foi marginalmente mais rápido que o holandês e a resistência do STR 011- Ferrari, o chassi da equipe menor da Red Bull, reforçou a mensagem deixada pela Force India: orçamento baixo e QI alto resulta em bons carros.

Orçamento alto também não é o ponto forte da Williams, onde Felipe Massa foi mais veloz que Valteri Bottas, que apesar de problemas menores — Massa sequer conseguiu tirar proveito dos pneus ultramacios — mostram que o FW 38-Mercedes tem bom potencial. A equipe trabalhou em vários cenários de operação: preparação de largada, avaliação de pneus com o mesmo acerto e com alterações de ajuste. Em outras palavras, o caminho suave para alfabetizar o time com parâmetros e indicativos de como o chassi reage a alterações, exatamente o que uma equipe que usa motor “de cliente” deve fazer. Massa pressiona a equipe para aprontar novas carenagens dianteiras, em especial o bico-, para usar na Austrália.

Cerca de quatro décimos mais lento que Massa, e um pouquinho mais que seus colegas da Toro Rosso, Daniel Ricciardo mostrou-se igualmente otimista e realista ao final dos trabalhos. Para ele, a melhor chance de lutar por um lugar no pódio será em Mônaco, circuito famoso por resultados espetaculares ou surpreendentes, e outros de traçado travado. Vale destacar que se a Ferrari usa dutos e a McLaren canais no estilo guelras de tubarão para trabalhar o ar no interior do bico, o RB12 adotou um perfil convexo para conduzir o ar nesse espaço. Entre o bico e a pedaleira foi instalado um revestimento com perímetro em forma de arco, certamente inspirando no efeito Coanda que tanto sucesso fez no passado recente.

Felipe Nasr voltou a mostrar o caminho das pedras ao seu companheiro de equipe, o sueco Marcus Ericsson, na segunda rodada de testes, a única em que a Sauber usou o novo C-35-Ferrari. O brasileiro completou maior quilometragem e registrou um tempo menor, o que deixa esperanças de uma boa temporada caso as previsões de Monisha Kaltenborn (“nossa meta é consolidar a equipe no pelotão intermediário”), se confirmem.

A Renault andou com um carro que deverá receber nova pintura e pequenas modificações até o GP da Austrália

De volta à F-1 na condição de construtor e com sua própria equipe, a Renault teve atuação discreta em Barcelona. Certamente não se podia esperar mais: os próprios franceses admitiram que em 2016 o R.S. 16 não será um equipamento em condições de disputar os primeiros lugares. Ainda assim, Kevin Magnussen e o inglês Jolyon Palmer completaram mais de 4.200 km, cerca de 14 GPs, o que demonstra que a confiabilidade que tanto faltou nas últimas duas temporadas, foi reconquistada. Falta agregar a esse índice uma boa dose de desempenho.

Outra dupla tão equilibrada quanto as da Ferrari e da Toro Tosso foi a da McLaren, porém em um ritmo mais manso. A diferença entre a melhor volta de Jenson Button e a de Fernando Alonso foi de escassos 28/1000 de segundo, o que mostra que tanto o inglês, o mais rápido, quanto o espanhol, conseguiram tirar o melhor do MP4/31-Honda, carro que apareceu na segunda semana de testes com modificações no capô do motor — fala-se que a versão usada nesse ensaio é a que será usada em Melbourne — e o tanque de combustível abastecido com gasolina de nova formulação. Mesmo assim ainda é cedo para sonhar com os carros de Woking de volta à briga por vitórias.

Se a McLaren está distante das vitórias, o que dizer da Manor? A equipe ainda sente falta de maiores recursos e segue com dois pilotos inexperientes na categoria. Verdade que Pascoal Wehrlein é promissor a ponto de contar com o apoio da Mercedes-Benz, respaldo que poderá trazer influência benéfica a uma time equipe em busca do seu caminho. Será interessante acompanhar o progresso, ou falta de, entre a Manor e a estreante Haas.

Os tempos finais de Barcelona:
1) Kimi Räikkönen, 1’22″765, Ferrari (4,402 km completados pela equipe)

2) Sebastian Vettel, 1’22″810, Ferrari
3) Nico Rosberg, 1’23″022, Mercedes (6.164 km)
4) Nico Hulkenberg, 1’23″110, Force India-Mercedes (3.776 km)
5) Carlos Sainz Jr, 1’23″134, Toro Rosso-Ferrari (5.061 km)
6) Max Verstappen, 1’23″154, Toro Rosso-Ferrari
7) Felipe Massa, 1’23″193, Williams-Mercedes (3.957 km)
8) Daniel Ricciardo, 1’23″525 , Red Bull-TagHeuer (3.776 km)
9) Lewis Hamilton, 1’23″622, Mercedes
10) Sergio Pérez, 1’23″650, Force India-Mercedes
11) Kevin Magnussen, 1’23″993, Renault (4.268 km)
12) Valteri Bottas, 1’24″293, Williams-Mercedes
13) Daniil Kvyat, 1’24″293, Red Bull-TagHeuer
14) Felipe Nasr, 1’24″706, Sauber-Ferrari (3.859 km)
15) Jenson Button, 1’24″714, McLaren-Honda (3.279 km)
16) Fernando Alonso, 1’24″735, McLaren-Honda
17) Alfonso Celis Jr, 1’24″840, Force India-Mercedes
18) Jolyon Palmer, 1’24″859, Renault
19) Pascal Wehrlein, 1’24″913, Manor-Mercedes (2.222 km)
20) Marcus Ericsson, 1’25″031, Sauber-Ferrari
21) Romain Grosjean, 1’25″255, Haas-Ferrari (1.910 km)
22) Esteban Gutierrez , 1’25″422. Haas-Ferrari
23) Rio Haryanto, 1’25″899, Manor-Mercedes


CBA passa bola adiante
A Confederação Brasileira de Automobilismo optou pela maneira mais fácil e menos desgastante para resolver o problema surgido com o vazamento seletivo de uma conversa entre um comissário e um auxiliar do seu corpo técnico mencionando possíveis decisões arbitrárias para punir pilotos da Stock Car. Em vez de assumir o comando da investigação que envolve profissionais do seu corpo de colaboradores, a CBA transferiu o ônus desse processo para um representante dos pilotos, o veterano Chico Serra, o presidente da Federação de Automobilismo do Estado do Espírito Santo, Robson Duarte -, e o presidente da Associação Brasileira de Pilotos de Automobilismo, Felipe Giaffone. Não houve nenhuma referência à participação do departamento jurídico ou de algum dos 13 integrantes do corpo jurídico da entidade. Giaffone já adiantou que sua associação não tem estrutura capaz de cumprir o prazo de 30 dias para apresentar a conclusão solicitada pela entidade.

Na abertura da temporada brasileira de Stock Car, domingo, em Curitiba, Marcos Gomes e Antônio Pizzonia saíram vencedores.


WG

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Wagner Gonzalez - Conversa de pista

Wagner Gonzalez


Fim de semana de Massa em Silverstone é marcado por acidente de Räikkönen, vitória de Hamilton e abandono de Rosberg. Fim de semana da F-1 intenso prossegue com treinos livres e repercussão de novos acordos.




Para muitos virou questão de honra comentar os resultados de Felipe Massa na F-1: a falta de resultados e a seqüência de acidentes têm gerado críticas que se estendem, em muitos casos, além do respeito à carreira do brasileiro. Não tenho poderes nem interesse em defender o paulistano criado em Botucatu e admito que me espanta a série de azares e desencontros que tem marcado a carreira do vice-campeão mundial de 2008. No último fim de semana o brasileiro não deu motivos para acalmar seus críticos, nem mesmo ao evitar um acidente de proporções com o Ferrari desgovernado de Kimi Räikkönen logo na primeira volta. Se a manobra do brasileiro foi elogiada por muitos, inclusive a Ferrari, o saldo do dia  lhe custou muito mais caro do que o preço pago pelo finlandês, que teve uma luxação no tornozelo e joelhos esquerdos. O piloto não treina esta semana e ainda há dúvidas quanto à sua participação no GP da Alemanha, em duas semanas.

Quando dois pilotos de uma mesma equipe têm resultados constantemente diferentes entre si, o problema geralmente está em um de dois pontos: uma equipe que privilegia o mais direto dos seus rivais ou o piloto que não corresponde. Neste quesito um caso clássico é a dupla formada por Ayrton Senna e Johnny Dumfries, na temporada de 1986, quando o escocês ocupou o cockpit do segundo Lotus Renault com uma dose maior de diversão do que por amor ao macacão. Vale destacar que Dumfries só pegou essa vaga porque Senna quis porque quis um segundo piloto bem segundo piloto e vetou a chegada de Derek Warwick, na época um dos ingleses mais promissores.

Voltando a Massa, que teve outro fim de semana para esquecer, vem ocorrendo de tudo, mas ainda assim o brasileiro já conseguiu uma pole position (Áustria) e registra tempos similares aos  marcados por Bottas. Por outro lado, as nuvens do seu céu parecem sempre mais escuras e mesmo em um fim de semana que celebrou o verão inglês Massa novamente se viu metido em situações críticas.  Bateu nos treinos de sexta, a equipe errou na prova de classificação e na corrida ele acabou encontrando um Ferrari desgovernado no meio da pista depois de superar um problema de embreagem na largada. Pode-se apontar dedos para todos os envolvidos na história, particularmente porque nada parece acontecer com Valteri Bottas… Bottas é material de primeira, tem estirpe e sorte de campeão e a continuar no ritmo que  vem crescendo nesta temporada não será surpresa se for ele o piloto que trará a próxima vitória da Williams.


O finlandês surpreende cada vez mais e já é tratado com intimidade por alguns brasileiros que o chamam de “Valtieri”; já marcou 73 pontos, contra apenas 30 de Massa, ou seja, 41% do seu rival. É pouco, não é o que se espera de Massa — e nem o que o próprio Felipe espera de si próprio —, mas é um índice que ganha outras dimensões quando se compara com o retrospecto de dois campeões mundiais que dividem outra equipe.

Falo da Ferrari, onde Fernando Alonso já tem 87 pontos e Kimi Räikkönen, 19; ou seja, 22% do seu team mate. Ainda que seja desnecessário lembrar que essa comparação inter-equipes não salva a temporada do Massa, é válido dizer que estes índices mostram que até mesmo nomes consagrados como oIceman tem seus períodos de karma. Não há porque dizer que Räikkönen desaprendeu a pilotar, mas os poucos metros que percorreu no recente GP da Inglaterra lançaram luz sobre dois pontos: a confirmação de que seu estilo agressivo de pilotar não se adapta ao melancólico Ferrari F14 T e que as seguidas derrotas para Alonso parecem ter afetado sua consagrada frieza. Niki Lauda, que tem muito mais experiência no assunto do que eu, já declarou que o finlandês da Ferrari foi afoito demais no início da prova.

Vendo a largada — momento em que os pilotos funcionam fora do padrão normal — é lícito acreditar que ao se ver à frente do espanhol o finlandês adotou um ritmo ainda mais agressivo que o normal e passou do seu limite. Nas duas curvas anteriores seu carro mostrou movimentos bruscos e ele acabou saindo da pista; ao voltar para o asfalto onde havia um degrau o descontrole aumentou e as pancadas contra as barreiras de proteção foram atingidas em ambos lados do asfalto.

Vale destacar dois vídeos que ontem (segunda, 7/7) ainda podiam ser vistos no YouT tube. O primeiro, feito por um espectador, mostra um pneu do carro de Räikkönen passando próximo do capacete de Max Chilton. O segundo, postado no site The1Callmaster, mostra o acidente em vários ângulos. Ouso dizer que, levando tudo isso em consideração e lendo que Julien Bianchi substituirá Räikkönen nos treinos de Silverstone, o gato de Kimi subiu no guard-rail…

Mais do que o futuro do “Homem de Gelo”, Silverstone foi palco de outros comentários, cenas e episódios com impactos diretos até na F-1 2015. Dentro da pista destacaram-se a corrida de Bottas — que terminou em segundo, entre Lewis Hamilton e Daniel Ricciardo —, e a boa disputa pelo quinto lugar entre Sebastien Vettel e Fernando Alonso (veja aqui), batalha que facilitou a vida de Jenson Button mas não lhe deu forças para atacar o australiano como muitos esperavam ver nas voltas finais. No pódio, a presença do lendário John Surtees (único piloto a vencer os campeonatos mundiais de moto e de F-1), não salvou a lambança do troféu do vencedor, uma réplica mal estilizada e executada do logotipo do Banco Santander. Ao se desmanchar nas mãos de Lewis Hamilton refletiu a qualidade dos serviços prestados aos seus consumidores, ou pelo menos a este colunista.

No paddock as mudanças de endereço ganharam impulso com os anúncios de que a Lotus está em negociações avançadas para equipar seus carros de 2015 com o trem de força da Mercedes-Benz, ocupando a vaga que ficará livre com a associação entre a McLaren e a Honda.  Nas bandas de Woking os comentários estão direcionados em três eixos: a renovação de contrato de Jenson Button (ameaçada), um possível atraso no desenvolvimento dos motores Honda e a perda de mais um parceiro técnico de longa data: a marca Hugo Boss passou a se associar com a equipe Mercedes-Benz, ambas alemãs.
Outra notícia anunciada na semana passada foi a venda da Caterham. 

O malaio Tony Fernandes vendeu suas ações para um consórcio formado por investidores suíços e do Oriente-Médio e liderados por Colin Kolles, cirurgião-dentista romeno naturalizado alemão e que tem passagens marcantes pela F-1 pelas equipes Midland, Spyker, Force India e HRT. Em todas elas um nome sempre esteve ao seu lado: Manfredo Rivetto, descendente de uma família aristocrática italiana e muito próximo a Silvio Berlusconi. Para carregar o piano na reestruturação da Caterham foi escolhindo o holandês Christjan Albers, que disputou 46 GPS pelas equipes Minardi e Midland, mas sem qualquer resultado de destaque. Seu melhor resultado foi um quinto lugar obtido no inusitado GP dos EUA de 2005, quando apenas seis carros largaram diante de um público de 400 mil pessoas, uma visão nauseante.

Apesar da saída de Fernandes a equipe continuará a se chamar Caterham e não será surpresa se dentro de algum tempo a estrutura for incorporada a um projeto lidera por outro romeno, Ion Bazac, ex-ministro da Saúde e atual representante da Ferrari em seu país.   Fernandes saiu porque entrou na categoria por razões comerciais, ao contrário de muitos, como o próprio Felipe Massa, que dedicaram sua vida para chegar onde estão.

O resultado completo do Grande Prêmio da Inglaterra e a posição do Campeonato Mundial de F-1 você vê aqui. Hoje (terça) e amanhã as equipes testam no circuito de Northamptonshire, sendo que a Lotus poderá avaliar o uso de rodas com aro de 18 polegadas, alteração que poderá homologada para uso em 2015 ou 2016.

Nasr vence na GP2
O brasileiro Felipe Nasr venceu mais uma prova na temporada da GP2 e manteve a segunda posição no campeonato, atrás do inglês Jolian Palmer, filho do médico e ex-piloto de F-1 Jonathan Palmer, atual administrador de Brands Hatch e mais outros quatro circuitos ingleses. Com cinco rodadas disputadas, e mais seis previstas, Palmer soma 143 pontos, contra 105 do brasileiro e 94 de Johnny Cecotto Jr, filho de outro ex-piloto de F-1 e que também conseguiu destaque no motociclismo mundial.  O resultado da prova e a tabela de pontos da categoria podem ser vistos aqui.
WG


domingo, 25 de novembro de 2012

FELIPE NARS ACERTA COM A CARLIN PARA TEMPORADA 2013 DA GP2



O rookie de 2012 na GP2 com quatro pódios, incluindo um impressionate 3º lugar na Malásia no seu primeiro final de semana na categoria, abre um novo capítulo na sua promissora carreira.

"Estou muito feliz de estar de volta à Equipe Carlin, minha casa na conquista do Campeonato Inglês de F3 em 2011 é um lugar onde me sinto confortável. Basta olhar os resultados dos testes de Jerez desta semana que passou, para ver que temos um fortíssimo pacote. Engenheiros, mecânicos e eu já estamos trabalhando em sintonia. e tudo isso somado cria o ambiente perfeito."disse Felipe Nasr que assistiu ao GP do Brasil de F1 em Interlagos que consagrou Sebastian Vettel (ex-piloto da Carlin) como campeão.

Trevor Carlin o diretor da equipe que leva o seu nome acrescentou: "Já tivemos o prazer de trabalhar com o Felipe antes e sabemos do que ele é capaz quando está feliz com o carro. Ele é um piloto muito talentoso e terminar no pódio no seu primeiro final de semana da GP2 em 2012 mostra toda a sua velocidade e o seu potencial. Mas depois ele teve muita falta de sorte em diversas provas, mesmo assim terminou em 10º lugar o Campeonato e ainda levou um prêmio da Categoria por todas as ultrapassagens que fez. Em 2013 na sua 2ª temporada tenho certeza de que ele é um forte candidato ao título."

sábado, 30 de julho de 2011

Pódio duplo para Felipe Nasr na atribulada prova de Spa



Difículdades. Com a prova de Spa também fazendo parte do FIA Formula 3 International Trophy, os concorrentes do British F3 receberam os líderes da F3 Euroseries para uma disputa extra. Mesmo assim, Nasr superou uma difícil sessão de classificação afetada pelo tempo e um problema no motor na prova número um, para aumentar a sua liderança no Campeonato de 104 para 114 pontos com apenas nove corridas faltando.

Mantendo a calma. Apesar de ter sido o evento menos simples do ano para o jovem brasiliense, ele manteve uma excepcional compostura e mostrou todo o seu talento em três sensacionais performances. Com a última coroando a atuação saindo de 18º lugar e chegando em 7º (2º no British F3).
"Tudo se resumiu à corrida final", disse Felipe. "Acertamos o carro com pouca pressão aerodinâmica e relações de câmbio mais longas e tudo funcionou. Foi uma corrida sensacional, com muitas ultrapassagens e eu tomei as decisões certas nos momentos certos. Na primeira volta já pulei de 18º para passar entre os 10 primeiros e continuei passando um por um. Terminar em 2º lugar no Campeonato Britânico  é um resultado fantástico depois dos problemas.’

Classificação traiçoeira. Felipe estava no seu lugar costumeiro, lutando pelas primeiras posições durante as duas sessões de treinos livres na 5ª feira, dia 28 de julho, tanto com pista seca quanto com pista úmida. Foi um começo promissor e deveria lutar pela pole position na prova de classificação da 6ª feira, dia 29 de julho. No início, usou pneus slick na pista úmida e a decisão de trocar para pneus de chuva (feita por todos os carros da Equipe Carlin), e se manter com eles, mostrou ser infrutífera já que o circuito começou a secar mais e mais quando os carros voltaram à pista, depois que uma bandeira vermelha interrompeu a sessão. Os que apostaram continuar nos slicks tiveram sorte e se beneficiaram de forma significativa.

Um pouco característico 20º lugar. Felipe foi apenas o 13º piloto entre os que disputam o British de F3 e teve a consolação de ver que sua segunda volta mais rápida valeu para um 10º lugar mais rápido na geral e 7º entre os do torneio inglês.

Como foi a 19ª rodada. O começo foi bom para Felipe que pulou para 8º na geral com o seu Dallara-Vokswagen e, depois de ter passado Hywell Lloyd na segunda volta, se aproximou de Lucas Foresti enquanto mantinha um olho em seus retrovisores para controlar a pressão de seu companheiro de equipe Kevin Magnussen, que vinha logo atrás. Mas, Felipe não conseguia produzir os tempos de volta esperados e se viu o porquê após a prova. O seu motor passou a funcionar apenas em três cilindros. Mesmo assim, batalhou para terminar em 9º na geral e 6º entre os "britânicos".

Motor novo, vida nova. Com um novo motor Volkswagen colocado em seu Dallara em tempo para a 20ª rodada, o líder do campeonato voltou determinado  a conquistar um melhor resultado. E foi o que fez, terminando em 8º na geral e 3º entre os do Britishde F3, para subir pela 13ª vez ao pódio.
"Deu tudo errado na classificação", disse Felipe, "Nós primeiro tomamos a decisão errada de ficar com pneus de chuva  e depois tivemos o problema com o motor na primeira corrida quando o primeiro cilindro falhou e eu tive que fazer de tudo para segurar a posição e marcar os pontos de 6º lugar. Na segunda corrida tínhamos um motor novo no carro, mas eu não tinha 100% da potência, portanto o resultado foi muito bom considerando tudo."

No sábado. Sem problemas para atrasá-lo, Felipe foi capaz de produzir o seu melhor desempenho do final de semana. Também provou ser este um dos momentos decisivos na batalha pelo campeonato, quando ele passou de forma esplêndida os rivais pelo título Carlos Huertas e Lucas Foresti. Largando em 20º lugar nessa 21ª rodada, Felipe foi perfeito e já no final da primeira volta estava em 13º na geral e 7º na British de F3. Seguindo logo atrás de Magnussen (que largou quatro posições s à sua frente), Felipe aumentou a pressão e na quarta volta passou tanto o dinamarquês quanto Pipo Derani e pulou para a 5ª posição entre os do British de F3. A próxima pressão foi em Huertas e, já que virava 0,2s mais rápido, acabou passando o colombiano na 10ª volta.

A vez do Foresti. Três voltas mais tarde, Felipe passou um dos outros dois brasilienses na prova para pular para 3º entre os "britânicos". Mas, não era suficiente e na penúltima das 16 voltas passou Jack Harvey para ficar com o 2º lugar no pódio do British F3 e a 7ª posição no geral. E não foi apenas isso, Felipe ainda ficou com a volta mais rápida (sempre entre os do British de F3)  com um tempo de 2m 14.728s e 2ª melhor volta da prova, mesmo sem estar correndo com a pista livre.

Férias. Felipe tem agora uma folga de cinco semanas de competições até a próxima prova que vai ser em Rockingham, na Grã-Bretanha, no final de semana de 03 e 04 de setembro.



2011 Cooper Tires British F3 International Series (depois da 21ª rodada)
1º Felipe Nasr, 267pts

2º Carlos Huertas, Buller. 153pts,
4º Kevin Magnussen, 144 pts,
5º Lucas Foresti, 140 pontos,
9º Pietro Fantin, 65 pts,
16º Pipo Derani, 11 pontos,
17º Pedro Nunes 10 pts,
23º Yann Cunha 0 pts

Carlos Lua Cintra Mauro