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terça-feira, 9 de julho de 2019

WAGNER GONZALEZ em Conversa de pista

Wagner Gonzalez

Chá das cinco anda meio morno

Duas pistas deverão deixar o calendário em 2020, Silverstone é uma delas

Não é só o GP do Brasil que está ameaçado de perder sua vaga no calendário do Campeonato Mundial de Fórmula 1. O GP da Grã-Bretanha, que acontece domingo no autódromo de Silverstone, é um dos quatro que poderá ser excluído da temporada 2020, que começa dia 15 de março em Melbourne, na Austrália. As demais etapas que estão em situação similar são as da Alemanha, Espanha e México; duas delas certamente não farão parte da temporada do ano que vem pois dá-se como certo a entrada dos GPS da Holanda e do Vietnam.

O assunto calendário deverá ser um tópico importante das conversas do fim de semana no traçado de Northamptonshire, ponto de convergência de todas as equipes da categoria, exceção da Ferrari – que fica em Maranello (Itália) da Toro Rosso (Sediada em Faenza, Itália) e da Alfa Romeo Sauber (baseada em Hinwill, arredores de Zurique. A permanência dessa pista surgida em um aeródromo da Segunda Guerra Mundial, movimenta uma frente política suprapartidária liderada por Sir Jeffrey Donaldson, embaixador parlamentar do Reino Unido para o Esporte a Motor, atividade responsável por parte significativa do PIB do Reino Unido.

Na semana passada Donaldson e representantes do Parlamento britânico reuniram-se com Chase Carey, o executivo maior da FOM, para discutir a continuidade do GP nacional. O gerente geral do circuito de Silverstone, Stuart Pringle, não esconde suas críticas ao que considera “postura gananciosa” da FOM, em outras palavras, uma taxa com reajuste anual muito acima da inflação local e que pode acabar na não renovação do contrato que termina este ano. Se Pringle deixou claro que o preço do GP está aquém das suas possibilidades e nada indica que a FOM esteja disposta a aceitar uma redução no seu preço, a corrida do próximo fim de semana pode ser a última em Silverstone. Um circuito de rua em Londres pode ser a solução, mas montar traçado em uma cidade cujo trânsito é caótico não parece ser algo factível. Alguns pilotos já deram declarações em prol da permanência de Silverstone, entre eles o inglês Lewis Hamilton, líder da temporada, e Max Verstappen, vencedor do GP da Áustria, disputado há cerca de 10 dias.

Para acomodar as novas corridas em Zandvoort e Ho-Chi-Ming e não aumentar o total de 21 etapas pelo menos dois países deverão ser limados no calendário de 2020. A falta de apoio político nas prefeituras de Barcelona e da Cidade do México pode muito bem acabar com essas provas; a Alemanha, que também esteve ausente do calendário em anos recentes, é outra opção para sair do calendário. Se no Reino Unido os políticos locais lutam para manter a prova, na Alemanha a Mercedes seria uma possível força econômica para garantir a permanência no país na F-1.

Num cenário mais técnico da categoria a equipe Williams ganhou proeminência nos últimos dias: na sexta-feira foi confirmado o desligamento de Paddy Lowe, contratado a peso de ouro da Mercedes mas que não conseguiu entregar os resultados esperados. Após o fracasso da equipe desde o início da temporada de 2018, Lowe desgastou-se e entrou em processo de fritura. Temporariamente seu posto é ocupado pelo projetista Doug McKiernan e já se comenta que Pat Fry, recém desligado da McLaren, poderá ser anunciado em breve como novo integrante do time de Grove.

Após o GP da Grã-Bretanha, cujos treinos começam na manhã de sexta-feira, estão previstos testes de pneus em Silverstone. Nas provas finais da temporada é possível que pilotos possam utilizar pneus projetados para a temporada de 2020. A possibilidade cresce caso os campeonatos de pilotos e construtores estejam decididos com algumas provas de antecipação, cenário bastante provável dada a superioridade da equipe Mercedes. Num cenário que envolve a Mercedes e a Williams circulam boatos de um provável divórcio entre ambas ao final deste ano. A partir de 2020 o time inglês passaria a contar com mecânica fornecida pela Renault.  Esta medida serviria para dar apoio ao construtor francês nas discussões técnicas e abrir espaço para testar pilotos em fase de formação.

Caso a previsão se concretize o inglês George Russell, protegido da Mercedes, poderia perder seu lugar no time atual de Frank Williams. Da mesma forma, a Renault teria com implementar o desenvolvimento o V-6 francês e de pilotos franceses ainda em fase de amadurecimento.

terça-feira, 12 de março de 2019

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

Wagner Gonzalez
F-1 RENOVA COM O PASSADO

Temporada vai premiar melhor volta e Lowe se afasta da Williams


Boa parte do circo da F-1 já respira ares australianos, ansiosos pela abertura do Campeonato Mundial de 2019, que acontece domingo nas ruas do Albert Park, em Melbourne, a segunda maior cidade do país. A temporada deste ano começa com uma novidade anunciada ontem: tal qual aconteceu entre 1950 e 1959, a primeira década da história da categoria, o autor da melhor volta da corrida receberá um ponto extra, desde que complete a corrida entre os 10 primeiros, aqueles que recebem pontos pela classificação na prova.

O ponto extra da melhor volta decidiu o campeonato de 1958 em favor de Mike Hawthorn e prejuízo de Stirling Moss (foto de abertura, Flickr), ambos ingleses. Moss venceu mais corridas que Hawthorn, que teve uma temporada mais regular, fez mais melhores voltas e com isso garantiu o título. Quatro anos antes, no GP da Grâ-Bretanha  de 1954, em Silverstone um resultado irônico: sete pilotos (Fangio, Gonzalez, Hawthorn, Ascari, Moss, Marimon e Behra) completaram uma volta em 1’50”, circunstância que levou a FIA a outorgar 1/7 de ponto a cada um… Entre 1950 e 1959 além do piloto mais rápido da prova os cinco primeiros marcavam pontos (8, 6, 4, 3, 2 e um). Em 1960 passaram a pontuar apenas os seis primeiros (9, 6, 4, 3, 2, e um).

Se a regra da volta mais rápida estivesse em vigor em 1986, quando valiam apenas os 11 melhores resultados das 16 etapas da temporada, o título teria ficado em mãos outras que as de Alain Prost. Nesse ano ele somou 72 pontos líquidos dos 74 brutos, Nigel Mansell 70 (72) e Nelson Piquet 69 (69). Ocorre que o francês marcou apenas duas voltas mais rápidas, contra 4 do inglês e sete do brasileiro. Ainda que descontada o ponto extra no GP dos EUA, quando abandonou a 22 voltas do fim, Piquet teria somado 75 pontos, contra 74 de Mansell e de Prost. Infelizmente, para os fãs do brasileiro, o termo “se” não se aplica neste caso.

Mudanças também na parte técnica
Em minha coluna da semana passada enfoquei as cinco melhores equipes nos treinos livres de pré-temporada, em Barcelona e destaquei escrevi que “…se a proposta (do novo carro) dá certo, eventuais falhas de um novo integrante ou fornecedor são relativizadas e melhor digeridas. Se isso não acontece, o clima de discórdia começa a aflorar já no longo voo para a Austrália.” Neste caso o se foi aplicado e o diretor técnico da equipe Williams, Paddy Lowe, não chegou nem mesmo a fazer o check-in para Melbourne: o fraco desempenho do FW42 fez a primeira vítima do ao antes mesmo da primeira corrida. O episódio imediatamente fez lembrar de Frank Dernie, outro discípulo de Patrick Head que teve fim semelhante.

Lowe reedita histórias já conhecidas na categoria. Até a década de 1980 a estrutura das equipes de F-1 ainda era enxuta e contida e um engenheiro era capaz de gerenciar e administrar a operação de forma eficiente. Colin Chapman, Gordon Murray, Mauro Forghieri, Rory Byrne, Gerard Ducarouge e o próprio Patrick Head são exemplos disso e conseguiram brilhar em maior ou menor intensidade. Muito outros, como Lowe e Dernie (que trocou a Williams para dirigir a Lotus), se destacaram dentro da estrutura liderada por pares mais experientes, mas quando partiram para carreira solo não tiveram o mesmo desempenho.

O irlandês Gary Anderson poderia muito bem ser classificado como o último da tribo de Murray e Head pelo seu desempenho na Jordan; sempre fiel a seus princípios, Anderson deu mais uma mostra da sua postura correta e generosa ao comentar o desfecho da relação entre Paddy Lowe e a equipe Williams.

Depois de anos de sucesso na Mercedes Lowe retornou ao time onde ganhou notoriedade na F-1 como diretor técnico e acionista. Sua missão era bem maior do que a simples confirmação da história do bom filho que à casa retorna: ele teria que reorganizar uma equipe cujos melhores anos foi liderada por alguém com um caráter bem diferente do seu.


A atitude de Patrick Head nos boxes do mundo sempre lembrou um cão bravio; por seu lado, Lowe tem a imagem de um ser cordato, até mesmo passivo. Frank Williams, o fundador da equipe está cada vez mais ausente pela idade avançada e saúde debilitada; centralizador, anos atrás ele perdeu os serviços de Adrian Newey durante uma renovação de contrato quando o engenheiro queria uma participação acionária na equipe e Frank não aceitou.


Ceder à tal demanda acabou custando caro em termos de tempo, dinheiro e escolha: Adrian Newey, consolidado na Red Bull, está em um patamar único na F-1; quanto a Lowe ainda não se sabe se sua decisão de se afastar da Williams por questões pessoais é legítima ou ele está servindo de bode expiatório, como sugeriu Gary Anderson em artigo publicado na revista Autosport inglesa.

Há discípulos que conseguiram se destacar mais que Lowe ou Dernie, casos de Andy Green, diretor técnico da Racing Point (Ex-Force India) e Aldo Costa, diretor técnico da Mercedes até o final da temporada passada. Green trabalhou com Anderson na Jordan e após trabalhar em vários projetos, assumiu a posição atual em 2011. Seu maior trundo é conceber carros extremamente funcionais com orçamentos irrisórios se comparados ao das equipes rivais

Costa substituiu Giacomo Calliri na Minardi, onde se destacou a ponto de ser chamado para ser o braço direito de Rory Byrne na Ferrari, onde assumiu a direção técnica em 2007. No final de 2018 o italiano optou por desfrutar a vida de outra forma e trocou o regime de dedicação integral por um acordo de consultoria com a Mercedes, uma forma de evitar que seu conhecimento chegue à concorrência.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Wagner Gonzalez em Conversa de pista



QUANDO A VITÓRIA NÃO RESOLVE TUDO

As 19 vitórias da Mercedes, em 21 GPs de F-1, não foram suficientes para manter a paz dentro de casa




Paddy Lowe (E) e Toto Wolff
Nada mais ilusório que a máxima “em time que está ganhando não se mexe”. Depois do surpreendente anúncio de divórcio entre Nico Rosberg e a F-1, a equipe Mercedes envolve-se em nova situação de risco: uma que envolve a permanência de Paddy Lowe na equipe. 

Atual diretor técnico executivo do Kampfpanzer que ostenta a estrela de três pontas, este britânico nascido em Nairobi, no Quênia, já não parece tão à vontade na equipe alemã. No entanto a causa disso, a propalada chegada de James Allison, a esse time poderá resolver um outro problema igualmente importante, senão mais grave: a falta de um piloto para preencher a vaga aberta com a saída de Rosberg.

Em um universo onde tudo é possível – ou “everything is possible” no jargão do todo poderoso Bernie Ecclestone – o companheiro de equipe de Lewis Hamilton em 2017 poderia ser o finlandês Valteri Bottas, solução que tem tudo para se tornar um estudo de caso para quem pesquisa manobras de engenharia financeira. Solução do estilo quebra-cabeça e que, diga-se de passagem, poderia muito bem salvar a lavoura do Cerrado de Felipe Nasr, que hoje sofre com a falta de insumo básico.

Felipe Nasr
Vejamos, pois, este quadro em partes, capítulos ou arias, já que tem todos os elementos de uma ópera digna como a história de Fosca, obra em quatro atos de outro brasileiro, o campineiro Antônio Carlos Gomes. No primeiro ato desta obra datada de 1873 e cuja estreia foi no Teatro Scala, em Milão, sequestradores liderados por Cambro, irmão da heroína, sequestram Paolo, noivo de Delia e amor secreto de Fosca e sua liberdade com vida é taxada em 100 moedas de ouro.

Ocorre que em meio à essa negociação Fosca tenta convencer seu irmão Cambro a ficar com o dinheiro e deixar Paolo somente para seu usufruto pessoal. Uma pequena revolta acontece e os comandados por Cambro sequestram as donzelas de Veneza, gerando medo e confusão na cidade. Tosca se arrepende e tenta convencer Paolo e sua noiva, Delia, a cometerem suicídio, mas em uma reviravolta digna de mentes insanas, é ela quem acaba por se matar, o que permite que Veneza siga sua vida como se quase nada tivesse acontecido.

Valteri Bottas 
A vaga aberta pela aposentadoria precoce de Nico Rosberg pode custar à Mercedes algo como essas 100 moedas de ouro, com o valor devidamente atualizado em juros e correção monetária em relação à história acontecida no ano de 944. Aparentemente sem conseguir sequestrar pilotos de ponta – tais como Fernando Alonso, Sebastian Vettel ou Max Verstappen, Toto Wolff viu-se obrigado a olhar para Valteri Bottas, primeiro piloto de uma equipe Williams que terá o canadense Lance Stroll, cujo currículo na F-1 ainda está virgem.

Pat Symonds 
Liberar um piloto que parte para sua quinta temporada na categoria, seria, portanto, algo doloroso para a equipe Williams. Concordar em liberar Bottas seria herdar o problema que hoje aflige a Mercedes: procurar um piloto experiente em um mercado onde a demanda excede a procura. Tarefa árdua, mas nada que outro punhado de moedas de ouro, ou algo equivalente, não resolva. Quem sabe, até mesmo uma solução mista: um desconto substancial na fatura do aluguel de motores e a liberação de Paddy Lowe para assumir a direção técnica da equipe. Vale lembrar que ele foi um dos cérebros responsáveis pelo desenvolvimento da suspensão ativa dos Williams FW14 e FW 14 b.

Caso o patrocinador principal da equipe concorde com a liberação de Bottas, a Williams resolveria não apenas dois problemas, mas três: uma redução de muitos milhões de dólares na conta dos motores – fala-se em torno de US$ 12 milhões, proposta rejeitada inicialmente – reforçar a a equipe e preparar o sucessor de Pat Symonds, que já anunciou sua aposentadoria para o final da próxima temporada. De quebra, ficaria bem com a Mercedes em uma temporada onde um piloto da casa de Sttutgart, Estebán Ocón, vai pilotar para Force India, outra equipe que usa os motores alemães.

E caso o quebra cabeça se resolva dessa maneira, o nome de Felipe Nasr, até mesmo de Felipe Massa, voltam ao mercado. Ambos já trabalharam com Frank Williams e sua família, o que facilitaria o entendimento com a comunidade de Grove. Situação que ficaria mais difícil caso a Mercedes intercedesse para outro de seus pilotos, o alemão Pascal Wehrlein. O jovem campeão do DTM em 2015, porém, parece não ter impressionado o mercado como Toto Wolff esperava. Nesse caso, só mesmo dobrando a oferta de moedas de ouro para que essa ópera teuto-britânica não acabe em clima de tragédia grega.

FRAGA REJUVENESCE A STOCK CAR
Felipe Fraga acrescentou mais dois “primeiros” à sua já longa lista de conquistas: em uma atuação madura em que dois incidentes ajudaram a definir o resultado da etapa final da temporada de Stock Car, Fraga conquistou o seu primeiro título de Campeão Brasileiro da categoria e tornou-se o piloto mais jovem a conseguir tal resultado. O piloto nascido na cidade de Jacundá (PA) em 3 de agosto de 1995, Fraga desde pequeno radicou-se no Estado de Tocantins, consequência das atividades comerciais de sua família.

Autor da pole-position em sua corrida de estreia (Interlagos, 2014), o campeão de 2016 é também o mais jovem vencedor da Corrida do Milhão de 2016, Fraguinha é um dos expoentes da nova geração de pilotos brasileiros. Estes dois resultados mostram que a opção por fazer carreira com carros de Turismo - consequência de ter um corpo avantajado -, foi a mais acertada, mesmo dividindo a equipe Cimed com o campeão de 2015, o paulista Marcos Gomes. No ano que vem Felipe cede lugar para seu mentor, Cacá Bueno, e assume a condição de primeiro piloto na estrutura que Bueno e William Lube montaram junto com Duda Pamplona, ainda defendendo as cores do seu patrocinador atual, a farmacêutica Cimed.

Diego Nunes 
Além de Fraga vale destacar dois outros nomes que também deverão brilhar na próxima temporada: o já experiente Diego Nunes – que deve se transferir para a equipe Full Time -, e Guilherme Salas, um ano mais velho que Fraga. Salas brilhou na disputa do Brasileiro de Marcas e fez algumas aparições na Stock Car: estreou com um segundo lugar na corrida de duplas (Junto com Ricardo Maurício) e obteve o sexto lugar no encerramento da temporada.

Daniel Serra
Na prova de Interlagos Fraga liderou as primeiras voltas com folga, mas a entrada do Safety-Car anulou a vantagem. Mais tarde, uma parada para instalar pneus de chuva em seu carro o deslocou para trás, mas sempre mantendo posição que lhe garantia o título. Quem saiu ganhando com esses imprevistos foi Daniel Serra, que garantiu a última vitória da equipe Red Bull, que se despede da categoria. Rubens Barrichello chegou em segundo na prova e no campeonato.

MUDANÇAS NA VICAR
A corrida de Interlagos marcou também a despedida de Maurício Slaviero do comando da Vicar, empresa do grupo T4F voltada para a promoção de eventos de automobilismo. Seu lugar será ocupado por Rodrigo Mathias, até então responsável pela divisão de novos negócios do grupo gaúcho RBS.

WG