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terça-feira, 11 de julho de 2017

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

F1 ameaça Silverstone e corteja China.
BRDC quer renegociar contrato assinado com Ecclestone.
Corrida de 2017 custa mais de R$ 71 milhões.

China poderá ter duas GPs por ano



Não tem o charme de Mônaco, mas é tão tradicional quanto. Não é um destino turístico, mas suas arquibancadas estão sempre cheias. Sua origem é uma base aérea usada na II Guerra, mas suas instalações são bastante atuais. 

Fica na zona rural do País, mas basta cruzar a rua para encontrar oficinas com alto nível de sofisticação e tecnologia focadas no automobilismo Ande uns poucos quilômetros e você passará na porta de praticamente todas as escuderias da categoria. Tudo isso não basta para garantir a permanência de Silverstone no calendário mundial. Pelo contrário: a taxa anual de £ 17 milhões – algo próximo de R$ 71,3 milhões -, ameaça fortemente a permanência do famoso traçado de Northamptonshire no calendário da F1 de 2020.

O contrato atual garante a corrida até 2019 e para continuar válido o British Racing Drivers Club (BRDC, Clube Britânico de Pilotos de Competição) clube que administra o famoso autódromo, deve confirmar esta semana se aceita manter termos atuais desse acordo. Como o valor tem aumentado anualmente em índices maiores que a inflação inglesa, os britânicos decidiram que não vale a pena promover o GP se isso implicar em arriscar a saúde financeira do clube. A situação não é nova: Bernie Ecclestone, que comandou a F1 por 40 anos, foi um dos maiores carrascos com os administradores da pista e anualmente exigia reformas e alterações grandiosas, além de aumentos substanciais do pagamento anual. Nada muito diferente do que acontece com Interlagos…

Com Ecclestone fora do comando da categoria, a diretoria do BRDC enxergou a possibilidade de renegociar os termos do acordo e apostou na benevolência de Chase Carey e da Liberty Media, pessoas física e jurídica, respectivamente, que compraram os direitos da F1. A aposta está se revelando mais arriscada do que previsto: Carey já adiantou que não pensa em mudar acordos já existentes e firmados de boa fé e alega que os britânicos ganham dinheiro com o GP. Mas como o mesmo Carey já declarou que os circuitos europeus são a espinha dorsal da categoria abriu-se uma possibilidade de negociar custos.

Tudo indica que Silverstone será mantido no calendário após 2019, mas só após uma longa e traumática negociação com a nova FOM, a detentora dos direitos comerciais da F1. Com exceção da Sauber e da Ferrari todas as demais oito equipes da categoria tem pelo menos uma base na Inglaterra a poucas milhas de distância da pista e uma parcela significativa do PIB inglês vem da indústria e serviços voltados para o automobilismo de competição; vale lembrar que nem por isso o evento conta com qualquer subsídio do governo. Opções para garantir um final feliz incluem a venda do complexo para a FOM e, mais provável, uma solução onde Carey reveja seus termos de negociação.

China cresce
Se a permanência da Inglaterra no calendário está sob risco, o mercado da Ásia, em especial a China, é o novo cenário de crescimento da categoria. Há poucos dias o diretor comercial da FOM, Sean Bratches, anunciou a assinatura de um acordo com a Lagardère Sports, que a partir do ano que vem ficará responsável pela expansão da F1 no mercado chinês.

Esse contrato não será a primeira experiência da agência francesa no automobilismo: a empresa com base em Paris e escritórios em várias cidades do mundo já comercializa os interesses promocionais dos programas de F1 e DTM da Mercedes. O acordo com a FOM engloba a promoção de eventos, direitos de divulgação, parcerias digitais e de marcas, merchansiding e desenvolvimento de talentos e equipes de competição. Andrew Georgiou, diretor executivo da agência, já tem clara a linha de trabalho que vai adota:

“Esta nova parceria visa desenvolver conteúdo local de qualidade para a China. Queremos criar um envolvimento profundo com esse mercado visando tornar a F1 um esporte que faça parte da cultura esportiva do país.

Dadas as dimensões continentais da China não será estranho se em breve o país receba mais de um GP por temporada. No dia seguinte ao anúncio do com a agência francesa Zak Brown, diretor executivo da McLaren, publicou um artigo interessante em uma rede social focada em negócios. Nesse texto Brown, que é bastante alinhado com os valores de Chase Carey, defende o plano de expansão chinês e sugere uma temporada asiática que poderia incluir duas corridas na China , as provas de Cingapura e Japão e mais um ou dois países da região. Para preencher esse calendário ele sugere corridas de rua em Beijing ou Wuxi.


“Wuxi é um grande centro de negócios e tem investido muito em novas propostas, em especial no bilhar, a nova coqueluche dos chineses. Fazer um GP nessa cidade situada a 140 km de Xangai, próxima do lago Taihu, seria uma grande oportunidade para apresentar marcas ao mercado local e garantir um excelente retorno para investidores e parceiros.”

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

Wagner Gonzalez
MOSLEY REAPARECE E CRITICA NOVA F1.
Ex-presidente da FIA é velho aliado e amigo de EcclestonePalavras reacendem boatos sobre planos de Bernie
Inglês alfineta norte-americanos

Não bastasse a mensagem do todo-poderoso Sergio Marchionne falando sobre a necessidade da F-1 recuperar seu prestígio, agora é a vez de Max Mosley abrir fogo-amigo contra a Liberty Media, a nova proprietária e administradora dessa categoria. Eterna eminência nem sempre parda, Mosley foi pouco sutil ao declarar à agência Reuters que “os americanos sempre acham que sabem fazer melhor”, uma referência direta e reta às propostas apresentadas por Chase Carey para promover os Grande Prêmios ao melhor estilo Super Bowl, a liga de futebol americano dos Estados Unidos, e ao fato de terem dado uma posição de “rainha da Inglaterra” ao veterano empresário e amigo.

Se a Liberty Media conseguir impor aos GPs os índices de emoção e repercussão nas mídias sociais alcançados pela partida de anteontem, Mosley se verá obrigado a fazer um gesto nobre e admitir que os conceitos de Carey são efetivamente eficientes. Na final disputada domingo – o tal do Super Bowl – o time dos Patriots perdia feio para o Atlanta Falcons mas conseguiu empatar no último quarto de jogo e forçar uma prorrogação, fato inédito na história desse esporte. De quebra, reverteram o que seria uma derrota  e sagraram-se campeões, o que valorizou ainda mais a conquista, a sétima do time de New England.

Ocorre que por mais clima de ONU que se possa respirar num paddock da F-1, o controle do negócio e seus valores, desde a alma aos seus tentáculos, continua extremamente europeu, ou melhor, inglês. Dois dos últimos capítulos da disputa de poder sobre a F-1 foram entre Mosley e seu fiel parceiro Bernie Ecclestone, contra franceses, primeiro Jean-Marie Balestre, e mais recentemente frente a Jean Todt. Desta vez, porém, o inimigo está separado por um volume de água bem maior que o que passa pelo Canal da Mancha: o Oceano Atlântico e um bom pedaço de terra; o endereço jurídico da Liberty Media Corporation é Englewood, nos arredores de Denver, a capital do Estado do Colorado. Há, portanto, espaço para muita estratégia e outro tanto de táticas de guerra.

A ligação entre Max Mosley e Bernie Ecclestone é conhecida de longa data e tem raízes mais profundas do que muitos supõem. O primeiro foi quem enfrentou e apaziguou Balestre quando o francês tornou-se um obstáculo aos interesses comerciais do amigo e lançou-se candidato à presidência da FISA (Federação Internacional do Esporte Automobilístico) em 1991, então um desdobramento da própria FIA (Federação Internacional do Automóvel) dedicado a cuidar do automobilismo. Dois anos mais tarde o filho de Sir Oswald Mosley – que liderou a União Fascista Britânica -, reunificou a FISA e a FIA e executou algumas mudanças estratégicas na entidade, como transferir a sede da entidade para Genebra, de 1999 a 2000, de forma a atenuar as consequências de uma investigação da Comissão Europeia.

Mosley ficou no comando da FIA/FISA durante três mandatos, período em que um voto de confiança o manteve no poder após seu envolvimento em uma orgia sexual. Optando por não disputar novas eleições, ele se envolveu com assuntos ligados à legislação automobilística europeia e atualmente é o presidente da organização Global NCAP, que desenvolve um trabalho de pesquisa e investigação relacionados com a segurança ativa e passiva de novos automóveis. Não se deve desconsiderar por completo que a decisão britânica de desligar-se da União Europeia possa ter contribuído para Mosley voltar a opinar sobre a F-1 e seus rumos de maneira mais crítica:

“A Liberty tem uma equipe de profissionais competentes. Agora, se eles podem lidar com tudo da maneira que poderiam se contassem com Bernie nos assuntos que ele domina, e fazer as coisas que eles conhecem, é uma boa pergunta. As coisas sempre parecem mais fáceis para quem está do lado de fora.”

Os recentes desmentidos do próprio Ecclestone – que foi nomeado presidente emérito da Grupo Formula Um (Formula One Group, em inglês) -, de que estaria arquitetando um novo campeonato ganharam manchetes mas não convenceram a todos. Bernie, um workaholic de carteirinha, não é o tipo de pessoa que vai aproveitar a vida à frente de uma tela de TV ou cuidar do jardim – ainda que esse jardim seja a fazenda de café que possui em Amparo (SP). As críticas de Mosley podem ser um cenário onde a semeadura é para florescer muito mais que a matéria prima de um bom espresso…



terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Wagner Gonzalez em Conversa de pista


Wagner Gonzalez
ECCLESTONE, 86, SE APOSENTA
Novos donos da F-1 querem mudar a gestão do negócio
Equipes ainda indecisas sobre novos métodos
Bernie vira presidente emérito.




Bernie Ecclestone fora da F-1 sempre foi  a maneira mais fácil de fazer alguém lembrar de 1º de abril, data mundialmente conhecida como o Dia da Mentira. Mencionar essa possibilidade no começo do ano soa até como as tendências de marketing adotadas pelos supermercados brasileiros, que durante o carnaval ensaiam as primeiras ofertas de ovos de Páscoa. Desta vez, porém, é oficial, carimbado e tem firma reconhecida: o grupo Liberty Media, novo proprietário da categoria, não está disposto a perder tempo para impor um novo padrão de trabalho e anunciou ontem que o cargo do veterano veterano inglês agora é ocupado por Chase Carey. Ecclestone, de 86 anos, assume a posição de “presidente emérito”, algo bem distante daquela ocupada desde que começou a criar seu império no início dos anos 1970. Ele mesmo ainda não sabe as atribuições de sua nova posição, de acordo com suas palavras à revista alemã Auto Motor und Sport:

“Não sou mais o chefe da empresa, meu lugar agora é ocupado por Chase Carey. Minha nova posição é algo como presidente honorário, embora eu não saiba o que isso significa.”

Já houve tentativas de eliminar Bernie da equação de negócios do universo Fórmula 1, tanto no lado administrativo (nas décadas de 1970/80 o então presidente da Federação Internacional do Automóvel, Jean-Marie Balestre era o adversário número 1) quanto financeiro, algo mais recente. Na briga contra a FIA chegou-se a anuciar a criação da WMSF, ou Federação Mundial do Esporte a Motor conforme a sigla em inglês. Mais recentemente Ecclestone teve que pagar multas milionárias para manter-se à frente quando o fundo de investimentos CVC Partners assumiu o controle acionário da categoria. Desta vez, 66 anos após sua estréia como piloto, em Brands Hatch, é para valer.

O estilo do inglês sempre teve como único foco obter lucros cada vez maiores e deixar em segundo plano os aspectos técnico e esportivo que muitos insistem em enxergar como a razão de existência da F-1. Se nos anos 1950 havia interesse das fábricas em usar a categoria para promover e desenvolver tecnologias, a partir da década seguinte esse interesse praticamente desapareceu à exceção de fabricantes de pneus e uma ou outra marca de automóveis. Durante um bom tempo o mundo dos Grandes Prêmios foi quase que exclusivamente uma opção de entretimento que reunia elites, aspirantes a celebridade e alguns pilotos de destaque. Para cada campeão mundial ou vencedor de Grande Prêmio que existiu – pilotos em sua essência -, havia sempre um múltiplo de milionários e diletantes que completavam os grids. Não fosse isso os construtores não teriam vendido tantos automóveis a equipes particulares e aos mecenas de plantão. A partir de 1980 grandes marcas entraram e saíram da F-1 ao sabor dos ventos soprados pela situação econômica vivida por cada uma.

Isso não depõe contra a categoria, pilotos, construtores ou mesmo Ecclestone, que enxergou na falta de liderança dos construtores uma forma de ganhar muito dinheiro e gerar riqueza para todos eles, nem sempre de forma equilibrada, diga-se de passagem. Esses ganhos vieram da venda dos direitos de transmissão por TV e rádio, taxas cobradas de promotores locais, publicidade nas pistas, venda de espaços VIPs e, nos últimos tempos, de governantes ansiosos por reposicionar seus países no mercado internacional de turismo e opções de investimento. De lado ficaram a tradição e a atenção ao público aficionado como aquele que acampava em autódromos; ou seja, esqueceram que uma corrente é tão forte quanto seu elo mais fraco.

Ao investir algo além de US$ 8 bilhões no negócio F-1 a Liberty Media não tem dúvidas que recuperar esse investimento exigirá um trabalho ainda mais impressionante. Tanto quanto pela fama de centralizador, Bernie também será lembrado por capacidade incrível de trabalho. Para dar conta do recado Carey anunciou ontem a contratação de dois pesos pesados em suas especialidades para dividir as tarefas: Ross Brawn será o responsável pela área esportiva e Sean Bratches (ex-ESPN) pelas operações comerciais.

Ideias, projetos, projetos para tanto não faltam: cortar o bônus anual que a Ferrari recebe por ser Ferrari – Ecclestone sempre nutriu admiração pela marca e, principalmente, por seu fundador Enzo Ferrari -, transformar cada etapa do Mundial de F-1 em um evento semelhante ao Super Bowl americano, a final do campeonato de futebol norte americano – sim, o futebol “deles”-, prestigiar os circuitos mais tradicionais do calendário, que perderam espaço para países como Azerbaijão, India e Turquia (os dois últimos já eliminados do calendário), explorar mercados mais interessantes, como Nova Iorque e Los Angeles...

A lista é longa e no meio do caminho há muitas pedras, não apenas uma, entre elas aquela que pode entrar no sapato dos novos administradores: tornar as equipes acionistas do negócio. A ideia da Liberty para manter os times motivados e envolvidos no negócio ainda não convenceu os executivos dos principais construtores a aderir à proposta, nem mesmo oferecendo os papéis por um preço subsidiado. Quem sabe porque essas ações não tenham direito a voto, quem sabe porque essas equipes fabricam carros de corrida e não são companhias de investimentos, quem sabe...? Se não é fácil mudar hábitos e padrões de comportamento em qualquer empresa mesmo quando toda a força de trabalho canta no mesmo tom, imagine num coral onde a globalização começa pelo número de nacionalidades envolvidas desde os camarins onde se fabricam os carros de corrida, passando pelos artistas e chegando ao local onde o picadeiro é montado...

Manor, esperança é a última que morre

Há meses a Manor Grand Prix ocupa a UTI da F-1, mas o time inglês ainda mantém bem ativos os sinais vitais: o dinheiro que tem em caixa pode garantir a presença da equipe primeira sessão de testes de pré-temporada, entre os dias 27 de fevereiro e 2 de março. Isso, porém, só vai acontecer se aparecer alguém disposto a bancar a temporada 2017 do time antes do hora marcada para o último suspiro, dia 31 de janeiro.

Segundo o site da BBC, o empresário Ricardo Galael (proprietário da KFC e várias outras empresas na Indonésia) estaria interessado em investir, até mesmo adquirir a operação F-1 da Manor. Sean, o filho de Galael, disputou a GP2 no ano passado pela equipe Campos e seria um dos motivos desse interesse. O nome de Ron Dennis também foi ventilado como possível participante de um consórcio para salvar a equipe. Caso o negócio prospere o time inglês disputaria as primeiras três provas da temporada com o carro de 2016 e somente no GP da Rússia (Sochi, 30 de abril) estrearia o modelo construído de acordo com o regulamento deste ano, que permite monopostos e pneus de maiores dimensões.

Começa temporada paulista
O autódromo de Interlagos recebe neste fim de semana sete categorias para disputar a rodada de abertura do Campeonato Paulista de Velocidade no Asfalto, com treinos na sexta-feira e competições no sábado e domingo. As categorias admitidas no programa que você pode ver aqui são F-Inter, F-1600, F-Vee (prova extra-campeonato), Força Livre, Classic Cup, Marcas e Pilotos e Clássicos de Competição.

WG