Mostrando postagens com marcador MAX MOSLEY. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MAX MOSLEY. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de abril de 2017

Wagner Gonzalez em Conversa de pista - Antes cedo do que tarde

FIA já discute regras para definir motores da F-1 de 2021

Grandes marcas acompanharam reunião em Paris

Carros terão menos tecnologia embarcada



A happy hour parisiense da última sexta-feira foi das mais alegres para quem sente falta de uma F-1 mais barulhenta, com mais construtores e carros menos tecnológicos. A julgar pelas declarações de Jean Todt ao final de um encontro na sede da Federação Internacional do Automóvel (FIA), dia 31, em Paris, esses três parâmetros deverão ditar as bases dos motores que equiparão os carros de…2021. Tal suposto excesso de cautela na definição dessas regras poderia ser muito bem aproveitado no Brasil, onde o automobilismo sobrevive apesar das eternas e inexplicáveis reformas em Interlagos, o excesso de atenção dado à realização do GP da F-1 em detrimento do que acontece nas categorias nacionais e regionais e na perene falta de transparência dos dirigentes e promotores com seu mercado consumidor formado por pilotos, preparadores e patrocinadores, em particular a forma como a empresa SP Turis administra o autódromo paulistano.

Além das marcas já envolvidas como construtoras ou fornecedoras de unidades de potência (Ferrari, Honda, Mercedes e Renault) representantes da Alfa Romeo (Harald Wester), do grupo Volkswagen (Stefano Domenicali), o engenheiro Mario Illien (atualmente prestando consultoria à McLaren) e Wolfgang Hatz (ex-chefe de pesquisa e desenvolvimento da Porsche) foram vistos em Paris, além de supostos enviados não identificados da Cosworth e de uma segunda fabricante japonesa. Se isso não configura interesse direto na categoria, certamente demonstra a necessidade de estar a par das tendências da F-1, algo debatido desde o final da década de 1980, quando o inglês Max Mosley lançou sua candidatura frente ao francês Jean-Marie Balestre.

Naquela época já era discutida a implementação da eletrônica embarcada nos carros defendida por Mosley, que argumentava a possibilidade de “termos um autódromo onde o estacionamento do público terá carros tecnologicamente mais avançados do que aqueles que estão disputando o GP”. Eterno rival de Mosley, Todt lembrou na última sexta-feira as dificuldades de se seguir por esse caminho: “É um ponto muito delicado: por um lado a mobilidade está evoluindo e seria difícil admitir que a categoria mais importante do automobilismo não acompanha essa evolução. Não estou pensando em ter uma F-1 com carros autônomos ou conectados, mas é isso que o mundo está vendo hoje e para onde a indústria automobilística está olhando hoje em dia. Carros tecnológicos demais é algo que não necessário ao esporte.”

Todt ponderou ainda que os carros estão cada vez mais sofisticados . O francês, que iniciou no esporte como copiloto de rali e liderou as operações esportivas da Peugeot e da Ferrari antes de assumir a carreira política, também colocou em cheque os processos de desenvolvimento de produto “caros e complicados” e as novas formas de energia, onde carros elétricos serão mantidos em uma categoria própria e usados em competições realizadas no centro de grandes cidades, segundo ele o “cenário ideal para essa solução”.

O francês enxerga um grande futuro para automóveis elétricos dotados de  células, ou pilhas, a combustível, fonte de energia que poderá ser adotada em alguma categoria no futuro. No que diz respeito à F-1, porém, ele afirma que “vamos continuar com motores mais convencionais, o que não quer dizer voltar a usar soluções empregados dez anos atrás”. Diante disso o grupo de estudos que discute o regulamento de 2021 volta a se reunir em dois meses para falar de carros híbridos, motores mais barulhentos e soluções mais econômicas e que facilitem manter a F-1 existindo em um cenário de maior equilíbrio técnico e, sim, permitir que os pilotos sejam mais pilotos.

Enquanto isso, o prefeito João Dória Jr. segue evitando esclarecer o que realmente pretende fazer com o autódromo de Interlagos, um parque municipal situado em área de manancial e de proteção ambiental e que foi criado com o propósito de servir como local para a prática de esportes a motor. Vários profissionais do automobilismo paulista estão empenhados em estabelecer um diálogo construtivo com o Dória Jr., que até agora tem evitado receber os representantes da comissão “Interlagos Hoje”. O fato que vários vereadores já manifestaram interesse em conhecer mais a fundo a forma como a SP Turis administra o local poderá alterar a postura do prefeito. Há indicações de que essa empresa público-privada explora o local a custo zero, não recolhe impostos e permite facilidades questionáveis aos promotores do GP do Brasil de F-1.

O lado positivo da possibilidade de venda do autódromo, algo questionável diante do fato de se tratar de um parque público, é justamente a união que começa a nascer de setores que vivem em função do esporte. As reformas realizadas em Interlagos são adequadas aos padrões da F-1 em detrimento das necessidades do automobilismo nacional.  Mesmo assim o grupo “Interlagos Hoje” não é contra a realização do GP, porém cobra a utilização e adequação mais racional do autódromo, com mais datas para competições nacionais e regionais, além de uma administração mais transparente, particularmente das receitas e despesas do circuito.

Wagner Gonzalez

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

Wagner Gonzalez
MOSLEY REAPARECE E CRITICA NOVA F1.
Ex-presidente da FIA é velho aliado e amigo de Ecclestone. Palavras reacendem boatos sobre planos de Bernie
Inglês alfineta norte-americanos

Não bastasse a mensagem do todo-poderoso Sergio Marchionne falando sobre a necessidade da F-1 recuperar seu prestígio, agora é a vez de Max Mosley abrir fogo-amigo contra a Liberty Media, a nova proprietária e administradora dessa categoria. Eterna eminência nem sempre parda, Mosley foi pouco sutil ao declarar à agência Reuters que “os americanos sempre acham que sabem fazer melhor”, uma referência direta e reta às propostas apresentadas por Chase Carey para promover os Grande Prêmios ao melhor estilo Super Bowl, a liga de futebol americano dos Estados Unidos, e ao fato de terem dado uma posição de “rainha da Inglaterra” ao veterano empresário e amigo.

Se a Liberty Media conseguir impor aos GPs os índices de emoção e repercussão nas mídias sociais alcançados pela partida de anteontem, Mosley se verá obrigado a fazer um gesto nobre e admitir que os conceitos de Carey são efetivamente eficientes. Na final disputada domingo – o tal do Super Bowl – o time dos Patriots perdia feio para o Atlanta Falcons mas conseguiu empatar no último quarto de jogo e forçar uma prorrogação, fato inédito na história desse esporte. De quebra, reverteram o que seria uma derrota  e sagraram-se campeões, o que valorizou ainda mais a conquista, a sétima do time de New England.

Ocorre que por mais clima de ONU que se possa respirar num paddock da F-1, o controle do negócio e seus valores, desde a alma aos seus tentáculos, continua extremamente europeu, ou melhor, inglês. Dois dos últimos capítulos da disputa de poder sobre a F-1 foram entre Mosley e seu fiel parceiro Bernie Ecclestone, contra franceses, primeiro Jean-Marie Balestre, e mais recentemente frente a Jean Todt. Desta vez, porém, o inimigo está separado por um volume de água bem maior que o que passa pelo Canal da Mancha: o Oceano Atlântico e um bom pedaço de terra; o endereço jurídico da Liberty Media Corporation é Englewood, nos arredores de Denver, a capital do Estado do Colorado. Há, portanto, espaço para muita estratégia e outro tanto de táticas de guerra.

A ligação entre Max Mosley e Bernie Ecclestone é conhecida de longa data e tem raízes mais profundas do que muitos supõem. O primeiro foi quem enfrentou e apaziguou Balestre quando o francês tornou-se um obstáculo aos interesses comerciais do amigo e lançou-se candidato à presidência da FISA (Federação Internacional do Esporte Automobilístico) em 1991, então um desdobramento da própria FIA (Federação Internacional do Automóvel) dedicado a cuidar do automobilismo. Dois anos mais tarde o filho de Sir Oswald Mosley – que liderou a União Fascista Britânica -, reunificou a FISA e a FIA e executou algumas mudanças estratégicas na entidade, como transferir a sede da entidade para Genebra, de 1999 a 2000, de forma a atenuar as consequências de uma investigação da Comissão Europeia.

Mosley ficou no comando da FIA/FISA durante três mandatos, período em que um voto de confiança o manteve no poder após seu envolvimento em uma orgia sexual. Optando por não disputar novas eleições, ele se envolveu com assuntos ligados à legislação automobilística europeia e atualmente é o presidente da organização Global NCAP, que desenvolve um trabalho de pesquisa e investigação relacionados com a segurança ativa e passiva de novos automóveis. Não se deve desconsiderar por completo que a decisão britânica de desligar-se da União Europeia possa ter contribuído para Mosley voltar a opinar sobre a F-1 e seus rumos de maneira mais crítica:

“A Liberty tem uma equipe de profissionais competentes. Agora, se eles podem lidar com tudo da maneira que poderiam se contassem com Bernie nos assuntos que ele domina, e fazer as coisas que eles conhecem, é uma boa pergunta. As coisas sempre parecem mais fáceis para quem está do lado de fora.”

Os recentes desmentidos do próprio Ecclestone – que foi nomeado presidente emérito da Grupo Formula Um (Formula One Group, em inglês) -, de que estaria arquitetando um novo campeonato ganharam manchetes mas não convenceram a todos. Bernie, um workaholic de carteirinha, não é o tipo de pessoa que vai aproveitar a vida à frente de uma tela de TV ou cuidar do jardim – ainda que esse jardim seja a fazenda de café que possui em Amparo (SP). As críticas de Mosley podem ser um cenário onde a semeadura é para florescer muito mais que a matéria prima de um bom espresso…



terça-feira, 27 de outubro de 2015

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

Wagner Gonzalez

…e teremos novos motores



Semana passada esta coluna focou em uma entrevista de Max Mosley e Bernie Ecclestone onde os dois falaram e louvaram sobre um fornecedor independente de motores de baixo custo. E não é que agora sabemos que em 2017 o regulamento terá um formato que possibilitará o uso de duas especificações de motores? O assunto explodiu ontem (segunda, 26) e encobriu a conquista do terceiro título de Lewis Hamilton, domingo, em uma corrida das mais interessantes da temporada.

Caro que sai caro muito caro
A maior fonte de renda da FOM (Formula One Management) e de seus controladores é a venda de publicidade e dos direitos de transmissão de TV. O que implica na produção de um espetáculo não apenas grandioso mas que também tenha doses de emoção para manter audiência que justifique os altos preços cobrados pelo produto chamado por uns de show biz, por outros de entertainment e para os fanáticos por automobilismo, de corridas de verdade, das boas.

O que se tem visto nas recentes temporadas, especialmente nas últimas duas, é um conto de suspense supostamente vendido em mais ou menos 50 capítulos — o número exato é o resultado de 300 km divididos pela extensão, em metros, da pista que se corre, arredondando para cima —, onde se descobre o culpado antes de se ler o prefácio. Em poucas palavras, um show pouco ou nada interessante, sinônimo de bilheteria das mais fracas… E aqui não há como deixar de falar nos efeitos colaterais, algo que afeta a saúde financeira dos cartolas de plantão e das próprias equipes.

No ambiente da F-1 contemporânea ocorre uma metamorfose onde os poderes há muito tempo constituídos dividem cada vez mais o poder com equipes cada vez mais distantes do modelo “garagista” que consolidou o modelo financeiro que fez dos Grandes Prêmios a categoria milionária que é hoje. Ocorre que o romantismo, o modus operandi e os interesses financeiros daqueles chefes de equipe perdem espaço para os executivos fiéis a grandes corporações e com uma formação que, se tem espaço para a paixão pelo automobilismo, tem espaço maior ainda para modernas técnicas de administração e quase nada para o romantismo de outras eras.

E assim é que para evitar que fonte seque, Max Mosley, Bernie Ecclestone e Jean Todt entraram em acordo e é dado como certo que o motor alternativo, de preço controlado, obedeça a um regulamento mais benevolente se comparado com as unidades híbridas de potência atualmente usadas. O preço máximo previsto é equivalente a um terço do que se gasta hoje, um mínimo de US$ 18 milhões por temporada. Mosley e Ecclestone sempre quiseram essa via, ao contrário de Todt. Os três se pronunciarem em acordo é algo que deve ser visto mais como um ato de sobrevivência digno da atual política brasileira do que uma atitude para preservar o esporte. Tanto lá quanto em Brasília, o que importa é garantir o caviar e o champagne de cada dia.

Champagne, por falar nesse hedonístico espumante feito normalmente a partir da mescla de uvas chardonnay, pinnot noir e pinnot meunier, foi algo que Lewis Hamilton consumiu no estilo típico de vencedores no último domingo. Lá em Austin, após dois de dias de muita chuva e pouco ou quase nenhum, treino, o inglês deu um chega prá lá em seu inimigo de equipe logo na primeira curva, liderou, perdeu posições e, quando parecia que a decisão título seria postergada por pelo menos uma semana, eis que Rosberg foi mais Nico do que nunca ao sair da pista quando liderava faltando nove voltas para o fim. Faltou pouco para que Sebastian Vettel aumentasse ainda sua frustração, pois chegou em terceiro lugar e se aproximava bastante do seu conterrâneo.

Não foi só Rosberg que decepcionou em grande estilo: a Williams novamente mostrou que ainda falta um ou dois dedos daqueles detalhes que fazem uma equipe competitiva se tornar uma equipe vencedora. Fora o toque que recebeu na primeira curva e uma imediata rodada, tanto Felipe Massa quanto o finlandês Valteri Bottas abandonaram com problemas na suspensão traseira. Coincidência ou não, é raro ver dois Mercedes, dois Ferrari ou dois Red Bull abandonar a mesma corrida por problemas mecânicos.

Já Felipe Nasr sobreviveu a uma largada sem praticamente ter treinado em Austin e mesmo com cinco paradas no box durante as 56 voltas da corrida, terminou em nono lugar e marcou dois pontos. Tanto quanto uma nova bandeirada que ele recebe na zona de pontos, o brasiliense ajudou a manter a Sauber à frente da McLaren, que viu Jenson Button pontuar pela segunda corrida consecutiva.

Maior rival de Nasr em seus tempos de GP2, o inglês Jolyon Palmer foi anunciado como o substituto de Romain Grosjean na equipe Lotus, em 2016. O filho do ex-piloto Jonathan é o primeiro novato a ser confirmado na F-1 para o ano que vem, situação que chama atenção para o futuro da equipe. A chegada de um inglês que ainda não disputou um GP sequer pode indicar que a Renault, caso efetivamente confirme a recompra da Lotus, deverá atuar discretamente em 2016 e concentrar seus esforços para a temporada de 2017, quando entrará em vigor o novo regulamento técnico.

Cascavel de Ouro
Enquanto o automobilismo paulista fica impedido de usar o autódromo de Interlagos — que segue liberado para eventos de música e outros —, os paranaenses deram uma excelente demonstração de dedicação e união com a realização da 9ª edição da Cascavel de Ouro, tradicional competição da cidade próxima a Foz do Iguaçu. Reunindo carros de turismo de baixa cilindrada e preparação limitada, a comunidade local promoveu de forma digna e eficiente uma festa no Autódromo Internacional Zilmar Beux que atraiu não apenas um bom público mas também pilotos de categorias topo do esporte. A vitória entre quase 40 carros ficou para a dupla formada por Natan e Ricardo Sperafico (Ford Ka) que após quatro horas de competição receberam a bandeirada 5”564 à frente do Celta de Edoli Caüs Júnior e Marlon Bastos.

WG