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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Coluna do FERNANDO CALMON

Alta Roda nº 1034/384– 28/02/2019


Fernando Calmon

Em busca de alternativas


Causou impacto no exterior a comunicação, nesta terça-feira, pela Porsche: a próxima geração do Macan, um SUV médio (compacto no padrão americano), será totalmente elétrica, sem opção por motor a combustão. 
As primeiras análises indicam decisão de risco, embora a empresa reafirme a continuidade de desenvolvimento de soluções híbridas e a gasolina para os demais modelos, pelo menos nos próximos dez anos. Até 2025, no entanto, a Porsche espera que metade dos seus novos modelos sejam híbridos plugáveis ou elétrico
Por se tratar do modelo de maior comercialização da marca alemã, pode ser escolha estratégica a fim de baixar as emissões diretas de CO2, na média dos seus modelos à venda, e se manter dentro das severíssimas restrições da União Europeia. E no resto mundo, como fará? 


Interessante observar que, duas semanas atrás, houve certa “rebelião” nos posicionamentos de altos executivos da indústria automobilística mundial. Eles se reuniram em Paris para comemorar o centenário da Oica (na sigla original em francês, Organização Internacional dos Fabricantes de Automóveis). À noite de gala compareceu o presidente francês, Emmanuel Macron. 

O novo presidente da Oica, Christian Peugeot, foi além de simplesmente afirmar que o automóvel faz parte também da solução para problemas de mobilidade. Pediu a neutralidade dos governos sobre a melhor opção para cumprir metas ambientais. 

Pouco antes, Matthias Wissmann, seu antecessor na entidade e ex-ministro de transportes da Alemanha, defendeu a possibilidade de escolhas, além da tecnologia elétrica. Para ele, combustíveis sintéticos poderiam alcançar os mesmos resultados em motores a combustão interna, sem precisar de investimentos pesados na construção de toda uma nova e caríssima infraestrutura para recarregar baterias. 

Macron, no entanto, foi reticente. Como último a discursar, saiu do texto lido para dizer que rotas tecnológicas são traçadas pelo governo. Na realidade estava despreparado para ouvir alternativas, ao defender a instalação de fabricantes de bateria em território francês. 

O próprio Peugeot, em entrevista na véspera do evento, disse à coluna que aplicar a mesma solução globalmente pode ser inviável. Citou o Brasil, onde o etanol tem forte papel a cumprir como combustível quase neutro em CO2, no ciclo fechado de produção e uso. Também destacou que governos não têm como bancar subsídios permanentes nem dispensar altos impostos incidentes sobre combustíveis atuais. 

Em seminário organizado, no dia seguinte ao evento, houve outras colocações de alguns representantes de 39 entidades nacionais filiadas à Oica. Na Índia, por exemplo, a poeira em suspensão no ar é um grave problema e até modelos autônomos sofrerão resistência em razão de boa parcela da população sobreviver como motorista ou motociclista. O biometano foi citado como capaz de zerar emissões locais e até diminuir CO2 acumulado na atmosfera. 

Definitivamente, há diversidade para mover o carro do futuro. A opção da Porsche talvez funcione, no caso específico. Para fabricantes generalistas os riscos continuam, inclusive sobre o papel dos governos e direcionamentos por simples voluntarismo.

ALTA RODA

PEUGEOT pode começar em breve as vendas dos SUVs importados 3008 e 5008 também em versões mais simples, provavelmente chamadas Allure, na faixa de R$ 120.000 para o 3008, segundo fonte ligada às concessionárias. Consultada, a marca respondeu: “Sempre estudamos possibilidades para animar nossa gama, mas no momento não há confirmação.” 

SAIU a lista dos dez modelos mais vendidos na Europa, em 2018. Na ordem decrescente: VW Golf, Renault Clio, VW Polo, Ford Fiesta, VW Tiguan, Nissan Qashqai, Peugeot 208, Toyota Yaris, Opel/Vauxhall Corsa e Renault Sandero. Apesar dos avanços, só 2 SUVs, na 5ª e 6ª posições. À exceção do Nissan, todos eles são ou já foram comercializados também no Brasil. 

TOYOTA YARIS hatch, na versão XL com motor de 1,3 L (101 cv/etanol) e câmbio automático CVT, destaca-se pelo estilo atual e evolução nos materiais de acabamento. Vem bem equipado, inclusive com chave presencial, partida por botão e central multimídia, mas sem parear com Android Auto. O desempenho é apenas regular. A suspensão apresenta ótimo equilíbrio entre conforto e estabilidade. 

ÍNDICE de inadimplência nos financiamentos de veículos para pessoas físicas caiu quase 70% desde o pico ruim de 2013, informa o Itaú. No ano passado, a concessão de crédito do banco alcançou expressivos R$ 15 bilhões, 42% a mais que em 2017. No último trimestre de 2018, tíquete médio de R$ 33,5 mil, prazo de 42 meses e entrada correspondente a 38% do valor do veículo. 

RESSALVAS: preços do VW T-Cross variam de R$ 84.990 (câmbio manual, versão de entrada) a R$ R$ 99.990 com câmbio automático e sempre com motor 1-litro turbo. Versão de topo, 1,4-litro turbo, parte de R$ 109.990. Quanto ao CAOA Chery Tiggo 7, apenas este tem câmbio automatizado de duas embreagens; sedã Arrizo 5 usa o mesmo motor, mas o câmbio é CVT. 

PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmo fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Financiamento de veículos atinge R$ 9,4 bilhões em novembro, o melhor resultado do ano

As operações no mercado de crédito de veículos continuam registrando bons resultados. Em novembro, os bancos de montadoras e as instituições independentes liberaram R$ 9,4 bilhões, o melhor resultado do ano. Com isso, o montante liberado pelo sistema financeiro soma R$ 89,4 bilhões, o que representa uma alta de 24% em doze meses. De acordo com o boletim divulgado pela ANEF (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras), o volume já ultrapassou o total atingido em 2016, que foi de R$ 80,2 bilhões.


Dos R$ 9,4 bilhões concedidos às operações de CDC, R$ 8,2 bilhões foram destinados às pessoas físicas e o restante, R$ 1,2 bilhão, às jurídicas. Já para os contratos de leasing foram liberados R$ 152 milhões, queda de 5% na comparação com outubro, e de 21,6% em doze meses. O maior volume, de R$ 119 milhões, foi disponibilizado para as empresas, enquanto as pessoas físicas receberam R$ 33 milhões. No acumulado do ano, a carteira de leasing somou R$ 1,6 bilhão, recuo de 13,1% na comparação com o valor registrado no ano passado.

Em novembro, o índice de inadimplência nos contratos de financiamento firmados pelas pessoas físicas manteve o nível registrado no mês anterior, de 3,8%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o recuo é de 0,9 ponto percentual. Entre as pessoas jurídicas, o índice foi de 2,9%, queda de 0,1 ponto percentual em relação a outubro, e de 2,3 pontos percentuais em doze meses.

Na carteira de leasing, o índice de pessoas físicas que deixaram de quitar os seus negócios foi de 2,4%, índice 0,2 ponto percentual menor ao alcançado em outubro, e 1,5 ponto percentual inferior ao registrado no mesmo período de 2016. Entre as empresas, a taxa foi de 2,1%, mesmo percentual registrado no mês anterior, porém 2,1 ponto percentual menor em doze meses.


As taxas de juros praticadas pelos bancos de montadoras, em novembro, foram de 19,2% ao ano e de 1,47% ao mês. Já as instituições financeiras independentes trabalharam com índices de 22,1% e 1,68%, respectivamente. O prazo médio das concessões é de 42,5 meses. Já o prazo máximo oferecido pelos bancos é de 60 meses.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Crédito para veículos tem nova queda e inadimplência preocupa ANEF

O cenário econômico nacional começa a impactar mais fortemente o crédito para financiamento de veículos. Dados do setor até outubro de 2015 revelam que o total de recursos liberados pelos bancos de montadora nos últimos 12 meses – R$ 76,9 bilhões – sofreu queda de 19,9% no período. Segundo avaliação da ANEF (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras), as vendas automotivas estão fortemente impactadas pelo ritmo da recessão da economia. Para o presidente da entidade, Décio Carbonari, esse cenário tende a se agravar devido à expectativa de aumento na taxa de desemprego e à redução na renda média mensal do brasileiro. “Não há perspectiva de retomada enquanto esses dois índices não se estabi lizarem, o que não deve acontecer antes de meados de 2016”, avalia o executivo.

Os atrasos dos pagamentos acima de 90 dias demoraram a subir em relação ao que prevíamos no início do ano, mas isto já é realidade. O aumento da inadimplência nos contratos de pessoa física foi de 0,2 ponto percentual, alcançando 5,8% do total. No caso de pessoa jurídica, o aumento é ainda mais expressivo, de 0,7 ponto percentual em relação a outubro de 2014, representando 4,3% dos contratos, conforme o balanço da ANEF.

Segundo Carbonari, os atrasos registrados em outubro eram esperados que ocorressem em janeiro deste ano. “O fraco desempenho da economia, de fato, demorou a impactar os índices de inadimplência, algo que pode ser explicado por múltiplas causas. Porém, é fato que a inadimplência decorre diretamente da perda de renda familiar e pela redução no volume de negócios para as empresas, ambos agravados nos últimos meses”, afirma.

Em outubro, o saldo das carteiras de veículos contabilizou R$ 188,1 bilhões, o que indica queda mensal de 1,1% e retração de 7,2% no período de 12 meses. O saldo da modalidade CDC contribuiu para puxar o indicador para baixo, apresentando diminuição anual de 10,3% na média entre as carteiras de pessoa física e jurídica.

Seguindo o mesmo panorama, o licenciamento de novos veículos e de comerciais leves encolheu 23,31% no acumulado de doze meses. No mercado de pesados, o impacto foi ainda maior. O número de licenciamentos de ônibus e caminhões recuou 42,67% no período. Avaliado isoladamente o cenário para motocicletas, a diminuição foi de 12,91%. Somados veículos leves, comerciais leves, pesados e moto, as perdas totalizam 18,38%.

As projeções da ANEF para o fechamento de 2015 são de que o saldo das carteiras de financiamento de novos veículos deverão retrair 19,5% em relação ao consolidado de 2014. A expectativa de recursos liberados para este ano ficou em R$ 89,1 bilhões, ante os R$ 111,3 bilhões registrados em 2014, uma queda da projeção da entidade de 19,9%.

“Infelizmente, a realidade macroeconômica é pior do que os economistas previam e o impacto é ainda pior no setor automotivo. A inadimplência demorou, mas veio. De forma que não é possível projetar uma retomada até que o desemprego estabilize e o mercado volte a ter poder compra”, finaliza o presidente da ANEF.

Taxas e Prazos

Em outubro, a média das taxas de juros praticadas pelos bancos de montadora foi 1,69% ao mês e, ao ano, de 22,27%. Já a taxa média dos bancos de varejo, tradicionalmente menos atraentes em relação à das financeiras ligadas à indústria automotiva, foi de 1,94% ao mês e, ao ano, de 25,9%.



O prazo médio das concessões se manteve em 41,6 meses se igualando aos números de setembro de 2014. Os planos máximos disponibilizados pelos bancos aos consumidores seguem no prazo de 60 meses