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sábado, 22 de junho de 2019

Tarcísio Dias em Mecânica Online


Visitamos o maior complexo automotivo mundial
No início do mês de junho participei de uma viagem atendendo convite da Hyundai Motor Brasil até a Coreia do Sul. Oportunidade para conhecer o Novo HB20 que chega ainda este ano ao mercado brasileiro e entre outras atividades, realizar uma nova visita no complexo fabril de Ulsan, que produz um carro novo a cada 10 segundos.

Localizada cerca de 300 quilômetros de Seul, Ulsan é conhecida mundialmente por ter a maior fábrica automotiva do mundo, que produz 5.400 veículos por dia. Construída em 1968, o complexo possui uma área de 5 milhões de metros quadrados e comporta 34 mil trabalhadores.

A capacidade de produção é de 1.410.000 veículos por ano (um milhão quatrocentos e dez mil veículos), o que representa 28% da capacidade de produção global, 1.800.000 motores por ano (37% da capacidade de produção global).

Este é o maior complexo fabril do mundo, composto por cinco fábricas independentes e 19 pistas de testes, além de plataformas de teste de colisão. De Ulsan são exportados 1,1 milhão de carros por ano para um total de 200 países (na Europa, África, Oriente Médio, Ásia, América do Norte e América do Sul – inclusive o Brasil).

Por dia são 9.000 caminhões circulando por dentro do complexo. Por veículo você pode considerar em média, 20.000 peças. No catálogo de fornecedores o número também é grandioso: 5.000.

A Indústria 4.0 também já é uma realidade no processo fabril em Ulsan. Em algumas áreas a automação chega a 100% de todo o processo, como acontece no setor de soldagem, com 518 robôs. Na estamparia temos 75% do processo é automatizado, enquanto na pintura, processo mais longo na fabricação de um veículo – que dura cerca de 7 horas, 67% do processo já possui a presença de robôs. A fabricação de um veículo leva em média, 30 horas.

MODELOS PRODUZIDOS
Planta 1: Kona, Accent, Veloster
Planta 2: i40, Santa Fe, Tucson, Avante
Planta 3: Avante, i30, Ionic (HEV, EV, PHEV)
Planta 4: Maxcruz, Porter2, Grand Starex
Planta 5: EQ900, G80, Tucson

Motores e transmissões: cinco motores a gasolina (Kappa, Gamma, Nu, Theta,
Tau), cinco motores a diesel (U, R, A, S, D), duas transmissões automáticas e duas transmissões manuais.

Na Coreia do Sul a presença da Hyundai é gigante. O termo Hyundai, que significa modernidade na língua local, mostra que juntamente com a Kia, também pertencente ao grupo, tem produção de 8,5 milhões de carros por ano através do conjunto de 30 fábricas ao redor do mundo. No mercado interno o domínio da Hyundai chega próximo aos 70% dos veículos comercializados.

Diretamente da linha de produção, onde 100% dos carros são testados, os veículos seguem para os navios. Junto ao complexo a Hyundai possui um cais privado com capacidade para três navios de 50.000 toneladas na doca, onde 400 motoristas embarcam diariamente 4.000 veículos no navio.

Nessa caminhada automotiva, onde visitei pela segunda vez o complexo fabril de Ulsan, também já visitei o segundo maior polo automotivo mundial, que fica no Brasil, em Betim. A fábrica da Fiat tem capacidade de produção de 950 mil unidades por ano. Na terceira posição, conheci na sede da Volkswagen, em Wolfsburg, na Alemanha, a maior fábrica do grupo Volks, com capacidade de produção de 807 mil veículos por ano.

Mecânica Online
Seu bolso - As vendas de consórcios cresceram 16,9% no primeiro quadrimestre do ano e aproximaram-se de um milhão de adesões, segundo dados da ABAC. Ao todo, 7,228 milhões de brasileiros são participantes ativos da modalidade. A maior procura ainda é por cotas de veículos leves.

Recall - Segundo levantamento do Procon neste mês, foram abertas 64 campanhas de recall, número similar se comparado com o mesmo período do ano passado. Problemas em airbags nos freios e no sistema de combustível ou motor são os principais motivos para abertura dessas ocorrências pelas montadoras. Em 2018 foram totalizadas 137 campanhas preventivas, e desde 2002 totalizaram 1.451.

Violência - Camaçari, na Bahia, foi escolhida para a instalação de uma montadora de veículos militares pela VSK Tactical Brasil. Com um terreno de 166 mil metros quadrados, dos quais 27.500 de planta industrial, a fábrica representará investimentos de US$ 50 milhões (cerca de R$ 200 milhões) para a produção do J8.

Combustível - Abastecer o automóvel com produtos adulterados pode prejudicar o funcionamento do veículo, provocar falha do motor na hora da partida e, consequentemente, sua autonomia. Essa prática também gera danos ao filtro de combustível, velas e bomba de combustível, o que pode gerar perda de potência.

Triste realidade - Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), no ano passado o registro de óbitos em decorrência de acidentes de trânsito foi de 1,35 milhão no mundo. No Brasil, os gastos com atendimento médico, aposentadorias por invalidez e pensões por mortes chegam a R$ 52 bilhões, com impacto anual total de R$ 199 bilhões – o equivalente a mais de 3% do PIB.

Triste realidade 2 - O Brasil é o quinto país no mundo com maior taxa de acidentes de trânsito. Entre 2010 e 2016, foram mais de 300 mil mortes e 2,5 milhões de inválidos permanentes, dos quais metade está na faixa entre 18 e 34 anos.

Parabéns! – A Citroën comemora 100 anos com série especial para C3, C4 Lounge, C4 Cactus e Aircross. Ao todo, serão disponibilizadas 550 unidades dos modelos exclusivos.

Capital do Forró – A Jeep depois de participar do Galo da Madrugada, em Pernambuco, participa do Melhor São João do Mundo, como é conhecido o São João de Caruaru. O camarote de grande porte é destaque no Pátio de Eventos Luiz Gonzaga, principal local dos festejos juninos na cidade. O espaço recebe a arte do xilogravurista e mestre pernambucano Jota Borges, que criou toda identidade da festa.

Coluna Mecânica Online® - Aborda aspectos de manutenção, tecnologias e inovações mecânicas nos transportes em geral. Menção honrosa na categoria internet do 7º Prêmio SAE Brasil de Jornalismo, promovido pela Sociedade de Engenheiros da Mobilidade. 

Distribuída gratuitamente todos os dias 10, 20 e 30 do mês. http://mecanicaonline.com.br/wordpress/category/colunistas/tarcisio_dias/

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Tarcísio Dias em Mecânica Online

A coluna Mecânica Online abre espaço para um assunto sempre atual: a segurança no trânsito. Não há como falarmos de carros, mecânica, tecnologia, inovação, se não falarmos dos personagens mais importante nesse cenário: as pessoas.

Os números são assustadores com quatro crianças mortas por dia vítimas do trânsito, mais de 6,9 mil pedestres morrem em um ano, mais de 12 mil motociclistas sofrem acidentes todo ano, a cada minuto uma vítima fica sequelada no trânsito, 1,3 mil ciclistas morrem todo ano e 105 pessoas por dia se tornam vítimas fatais no Brasil.

É preciso que toda a sociedade participe de um novo momento, de uma luta por educação, por um trânsito que valorize mais as pessoas. É por isso que surge todo mês de maio, desde 2014, o Movimento Maio Amarelo que tem proposta única: chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito em todo o mundo.

A intenção é colocar em pauta o tema segurança viária e mobilizar toda a sociedade, envolvendo os mais diversos segmentos: órgãos de governos, empresas, entidades de classe, associações, federações e sociedade civil organizada para, fugindo das falácias cotidianas e costumeiras, efetivamente discutir o tema, engajar-se em ações e propagar o conhecimento, abordando toda a amplitude que a questão do trânsito exige, nas mais diferentes esferas.
Crianças - Os acidentes que mais matam crianças no país são queda, afogamento, sufocação, queimadura, envenenamento e trânsito. De todos, o trânsito é o maior ofensor.

De acordo com dados da ONG Criança Segura, entre 2014 e 2015, houve uma diminuição desses casos e os óbitos passaram de 1.654 para 1.389 - o que representa uma redução de 16%.  No entanto, apesar desta redução, os sinistros em ruas, estradas e rodovias ainda são o tipo de acidente que mais provoca mortes acidentais de crianças até 14 anos no Brasil.

As estatísticas, altas e assustadoras, podem ser revertidas com mais consciência, respeito às leis de trânsito e educação.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou sobre os cinco principais fatores que causam acidentes de trânsito: excesso de velocidade, associação de bebida alcoólica e direção, a falta de uso de capacete, cinto de segurança e equipamento de retenção de crianças.

A opinião de Renato Campes Trini, gerente técnico da Organização Nacional de Segurança Viária (ONSV), corrobora com isso. Ele afirma que o transporte de crianças de forma negligente é a principal causa dos acidentes com esse público.
Apesar da resolução Nº 277 do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), conhecida como Lei da Cadeirinha, publicada em maio de 2008, os pais e responsáveis muitas vezes não respeitam as condições mínimas de segurança para o transporte de passageiros com idade inferior a dez anos.

“Os pais precisam tomar atitudes preventivas, usar os equipamentos de segurança e contribuir para salvar vidas. Quando saímos nas ruas, é fácil flagrar crianças soltas no carro e até com a cabeça para fora dos veículos”, diz Trini.

Campanha - A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Anfavea, tem como um de seus pilares a preocupação constante com a segurança no trânsito.

Para esse ano a Anfavea apresenta sua nova campanha de segurança. Em parceria com o Observatório Nacional de Segurança Viária e utilizando o tema “Nós somos o trânsito”, conforme Resolução Nº 722/2018 do CONTRAN. O objetivo é um só: conscientizar a sociedade para reduzir o número de acidentes de trânsito no Brasil.

De que o trânsito é feito? De pessoas. Essa é a mensagem que a campanha traz ao público. Por meio de placas de trânsito, as peças mostram que os símbolos ali expostos estão sempre relacionados com pessoas. Mostra ainda que quem é responsável pela redução dos acidentes somos nós, os cidadãos. Nós somos o trânsito.

Para o presidente da Anfavea, Antonio Megale, é essencial conscientizar toda população da importância de nossas atitudes quando estamos ao volante: “Muitas vezes não nos damos conta de que nós somos os condutores da vida no trânsito. Não percebemos como nossas ações podem ser cruciais para que um acidente não ocorra. A campanha tem este objetivo. Temos que deixar claro que enquanto não repensarmos nosso papel como motoristas, estas imprudências e sequelas não diminuirão”.

Segundo dados do Departamento de Informática do SUS, Datasus, mais de 38 mil pessoas são vítimas fatais do trânsito todo ano no Brasil.

O diretor-presidente do Observatório, José Aurélio Ramalho, lembra que cada um pode fazer sua parte para um trânsito mais seguro: “Uma pessoa morre a cada 12 minutos em acidentes de trânsito no Brasil. Essa é uma triste estatística que precisamos mudar. São muitas vidas perdidas e afetadas por um acidente de trânsito. Isso sem contar os milhares de sequelados que impactam negativamente, não somente a sua vida pessoal, mas a de familiares e amigos. São muitos aspectos negativos para quem se envolve num acidente. Se cada um fizer a sua parte por um trânsito mais seguro, poderemos reverter esse triste quadro”.

Agora é a minha vez, a sua vez. Vamos buscar um trânsito mais seguro para todos nós. Quando viajamos e chegamos em lugares onde as pessoas são respeitadas achamos tão bonito. Vamos colocar essa prática em nosso dia-a-dia. Precisamos valorizar as pessoas, pois o trânsito, somos todos nós.
Conheça o Movimento Maio Amarelo: www.maioamarelo.com

PERFIL
Tarcisio Dias é profissional e técnico em Mecânica, além de Engenheiro Mecânico com habilitação em Mecatrônica e Radialista, desenvolve o site Mecânica Online® (www.mecanicaonline.com.br) que apresenta o único centro de treinamento online sobre mecânica na internet (www.cursosmecanicaonline.com.br), uma oportunidade para entender como as novas tecnologias são úteis para os automóveis cada vez mais eficientes.

Coluna Mecânica Online® - Aborda aspectos de manutenção, tecnologias e inovações mecânicas nos transportes em geral. Menção honrosa na categoria internet do 7º Prêmio SAE Brasil de Jornalismo, promovido pela Sociedade de Engenheiros da Mobilidade. Distribuída gratuitamente todos os dias 10, 20 e 30 do mês.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Fernando Calmon - Alta Roda


Alta Roda nº 866/216– 103– 0oda nº852/1208– 2oda nº851/2015

Fernando Calmon
O debate sem fim sobre velocidade em vias urbanas brasileiras continua a gerar controvérsias. O trânsito aqui é perigoso, embora nem ao menos se saiba o número de mortos por ano: 38.000 (Denatran), 45.000 (Ministério da Saúde inclui fatalidades até 30 dias após o acidente) ou 60.000 (indenizações pagas pelo seguro DPVAT). Isso engloba acidentes em vias urbanas e rodoviárias.


Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil está em quarto lugar em número absoluto de fatalidades, pela referência Denatran. Se considerarmos que temos a quinta maior população do mundo, o quadro seria menos preocupante, não fosse a falta de registros confiáveis. O País também não cumprirá o desafio global da Organização das Nações Unidas de reduzir a mortalidade em 50% na década 2011-2020. 

Alguma melhora ocorrerá. Em parte pela obrigatoriedade de freios ABS e airbags frontais desde 2014, neste caso difícil de quantificar, cuja importância não se pode ignorar. Estudos feitos no exterior recomendam velocidade máxima de 50 km/h em ambiente urbano e de 30 km/h em zonas de alta concentração de pedestres e ciclistas. Partem do princípio óbvio de quanto menor a velocidade, maior a chance de sobrevivência em caso de atropelamento. Mas isso também depende do grau de civilidade de cada povo ao respeitar regras e sinalização de trânsito, por exemplo. 

Vias expressas são desprezadas nesses relatórios porque enfraquecem o argumento do quanto mais devagar, melhor. A organização não governamental WRI Brasil apresentou uma classificação de mortos no trânsito para cada 100.000 habitantes em cidades que adotaram o limite de 50 km/h. Na ordem crescente de segurança estão Tóquio (1,7 morto/100.000), Londres (2,7), Paris (3,1), Nova York (3,5), Copenhague (3,9) e Chicago (5,9). O índice varia cerca de impressionantes 250%, apesar de a velocidade ser a mesma. 

Então essas estatísticas precisam ser bem estudadas e avaliadas com isenção. Deveriam incluir tamanho e perfil da frota (motocicletas e bicicletas, mais vulneráveis) e ainda a média de distância percorrida pelos veículos, fatores que aumentam o risco de acidentes. Entre tantas variáveis envolvidas apenas a velocidade interessa? Soa estranho. 

No mesmo relatório, de 2013, aparecem cidades brasileiras com limites de 60 km/h ou mais. Porto Alegre e São Paulo estavam quase empatadas com índice de 11,6 e 11,8, respectivamente. Goiânia tem menos de 5% da frota paulistana, porém registra 29,8 mortos/100.000 habitantes ou 150% acima em números aproximados. Nessa mesma categoria de velocidade de 60 km/h, Miami, nos Estados Unidos, mostra índice de 10 mortos/100.000 habitantes. 

Velocidade em geral significa fator agravante em acidentes. Contudo, apenas se fixar nesse aspecto também gera distorções. O trânsito pesado é um natural redutor de fluxo. Limites baixos demais desprezam investimentos em vias expressas e impedem o uso pleno de acordo com as finalidades de projeto. Puro desperdício de dinheiro público. Uma visão abrangente exigiria campanhas educativas para pedestres e motoristas, raramente feitas. Afinal, estamos em um país onde há atropelamentos debaixo ou próximo de passarelas. Nada pode ser mais trágico. 

RODA VIVA 

COBALT 2016 ganhou agora estilo agradável, graças aos faróis, grade, lanternas traseiras e tampa do porta-malas. Nada alterado nas laterais, salvo rodas de liga leve. O primeiro, lançado há quatro anos, era um modelo de transição em termos de estilo e envelheceu rapidamente. No interior, apenas retoques e sistema multimídia evoluído em dimensões e operação. 

SEM mudanças, os motores de 1,4 L e 1,8 L do Cobalt exigem atualização. Potência e consumo são incompatíveis com o espaço interno bastante generoso e porta-malas de impressionantes 563 litros típicos de sedã compacto encorpado. Estratégia de preço mudou: começa em R$ 52.990 e a nova versão Elite com câmbio automático vai a R$ 67.990. Alvo principal é Honda City. 

ANFAVEA avalia que as vendas de veículos estagnaram em patamar pouco abaixo de 10.000 unidades diárias, registrado em novembro. Significa queda superior a 33% em relação aos picos de comercialização de três anos atrás, porém parar de cair já é considerado alento. Estoques continuam elevados e teimam em não cair para menos de alarmantes 50 dias. 

LEGACY e sua derivação crossover Outback receberam mudanças estilísticas de meia geração. Darão fôlego à Subaru nesse momento de queda até para importados. Sedã médio-grande cresceu externamente 4 cm e manteve o bom entre-eixos de 2,75 m. Câmbio automático CVT tem comando sequencial e três modos de trocas. Preços: R$ 152.900 e 159.900 (Outback). 

DOIS modelos vindos do México (sem imposto de importação), Cerato e Rio, levam a Kia a prever crescimento de 31% em 2016. No início o Rio, seu principal modelo em termos mundiais, virá da Coreia do Sul e, assim, em volume limitado. A marca reivindica ampliação da cota de 4.800 unidades/ano (das 21.000 totais) sem IPI adicional de 30 p.p.. Foi a mais prejudicada pela regra. 


PERFIL

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).

Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmon                                                                                                                               


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Fernando Calmon - Alta Roda -

Alta Roda nº 732/83 – 09/05/2013


Fernando Calmon
Maior rigor com a qualidade do ar acaba de ser estabelecido pelo Governo do Estado de São Paulo. O objetivo é monitorar, especialmente, a região metropolitana da capital paulista que se aproxima de 20 milhões de habitantes, inclui 38 outros monitores e frota real de 6,5 milhões de de veículos ( leves, pesados e motocicletas)

Trocou-se o “termômetro” da poluição ao aproximar as concentrações máximas daquelas preconizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), conhecida pela severidade de posturas. Maioria dos países deixa de cumprir ou tem sua própria legislação.

Na realidade, a regulamentação ainda está 40% aquém da OMS, porém acima da recomendação do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Aumentará o número de dias por ano em que a região enfrenta níveis de atenção, alerta e emergência (nesse, nunca entrou), com as respectivas providências. Ozônio é o principal poluente, mas seu nível de toxicidade não se compara ao monóxido de carbono, que se mantém abaixo dos limites.

Administração estadual, bem intencionada, falhou ao deixar em aberto o futuro e, principalmente, por ignorar veículos de municípios periféricos. Eles circulam livremente pela capital sem exigência de inspeção. Essa frota, mais envelhecida, exige controle. Basta seguir o novo esquema: primeira inspeção para veículos com três anos de uso, depois a cada dois anos e anual a partir de 10 anos de uso. Esse arranjo, incluindo inspeção de segurança, poderia se estender a todo o País. No Rio de Janeiro, por exemplo, periodicidade e metodologia fogem bastante de padrões de outros países: distorções evidentes do que se poderia chamar de inspeção técnica.

No recente seminário sobre emissões veiculares, organizado pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, os palestrantes se empenharam em demonstrar os avanços que ainda podem ser alcançados. “Nosso ar pode ser melhor” foi enfoque deste ano. Apesar de boas intenções, infelizmente não se ouviram vozes suficientes a favor de que a racionalidade deve estar em um dos pratos dessa balança de interesses, que rege a preservação do meio ambiente.

Enquanto se apresentaram propostas objetivas, mais fáceis ou difíceis de programar, soou mal atribuir relevância ao tuning e seus “males” provocados à atmosfera. No caso, o impacto nas emissões totais por motores modificados é desprezível, no contexto geral. Por outro lado, a baixa efetividade da inspeção atual, sem rolos movidos pelas rodas (simula condições reais) não foi criticada, mas é melhor do que nada.
Por outro lado, seria bom adotar, como na Europa, consumo (ligado a emissões) em vez de cilindrada para definir impostos. Bem mais racional.


RODA VIVA

PLANOS ambiciosos da Fiat na nova fábrica de Pernambuco, prevista para final de 2014. A coluna antecipa o cronograma de início de produção (vendas, três meses depois). Janeiro de 2015: SUV compacto (projeto 338) e picape média (projeto 226), esta baseada na mesma arquitetura de médio-compacto que originou o Viaggio. Dezembro de 2015: dois modelos Jeep, um SUV compacto derivado do Fiat (projeto 520) e outro SUV (projeto 546), baseado na picape média.

MAIS Fiat: em janeiro de 2016, SUV médio-compacto (projeto XSU) sobre mesma base do projeto 546, da Jeep. O sedã médio-compacto Viaggio (projeto 343), sobre a versátil nova arquitetura que já originou o Dodge Dart, terá início de produção em maio de 2016. Não se contemplam produtos com marcas Chrysler e Dodge, entre seis modelos previstos. Jeep tem imagem mais forte.

NÚMEROS recordes de produção e vendas de veículos, em abril e no primeiro quadrimestre de 2013, sobre os mesmos períodos de 2012, devem-se em grande parte a uma base comparativa fraca no ano passado. Tanto que a Anfavea manteve sua previsões para o ano inalteradas. Nos 12 meses encerrados em abril, comercializaram-se 3,89 milhões de unidades.

PORSCHE 911 TURBO, em duas versões, estreia em setembro, no Salão de Frankfurt, mas a fábrica liberou informações. Destaques para motor de até 560 cv (Turbo S), aceleração de 0 a 100 km/h em 3, 1 s e um sensacional sistema de direcionamento do eixo traseiro que mudará o modo de conduzir – ou pilotar – o carro. Depois virão versões conversíveis.

TOYOTA acertou a mão na nova geração do RAV4. Totalmente reformulado, estilo refinado com rara precisão, motores de 2 litros/145 cv e 2,4 litros/179 cv, tração 4x2 e 4x4, dois tipos de câmbio automático, interior mais espaçoso, painel ousado e moderno, o SUV médio-compacto mostra dirigibilidade de automóvel. Preços de R$ 96.900 a R$ 119.900. Senão: tampa sobre o estepe (agora interno) gera ruídos.


MICHELIN captou que pneu “verde” (baixa resistência à rodagem) não é único atrativo para os motoristas. Novo Primacy 3 mostra desempenho destacado nas frenagens, em piso seco e molhado, e aderência maior em piso molhado, condição em que a marca francesa tem tradição. Ainda conseguiu 2% de redução no consumo de combustível.


PERFIL
   

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmon