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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Fernando Calmon - Alta Roda - Repensar o negócio

Alta Roda nº 973/323 30– 2814 023– 0oda nº852/1211508– 2oda nº851/2017

Fernando Calmon
O mundo mudou nos últimos 100 anos ao ampliar tremendamente a capacidade de mobilidade do ser humano e possibilitar locomoção de maneira rápida, confortável e livre. Agora, o automóvel começa se tornar vítima neste processo inovador e disruptivo, que a própria indústria criou. 

Em cenário cada vez mais conectado e integrado, os carros poderão deixar de ser o ponto focal da mobilidade e se tornar apenas mais um elemento em uma plataforma bem maior e dinâmica para atender necessidades multifacetadas dos consumidores. Esta é a previsão de pesquisa, publicada este ano, pela consultoria Ernest & Young (E&Y) ao abordar a remodelação deste setor produtivo. 

O estudo destaca que, apesar dos enormes avanços tecnológicos refletidos nos atuais veículos, há um processo em curso de descolamento da vanguarda na inovação. Na opinião da consultoria, a consolidação do negócio obrigou os fabricantes a encarar grandes mudanças administrativas, nos seus processos e na forma de atender a novas demandas. 

“É necessário que essas empresas, com alta confiabilidade no mercado, não tenham medo de fazer diferente e se conscientizem de que só alcançarão êxito se enfrentarem antigos modos de operação, repensando seu modelo de negócio urgentemente”, avalia Rene Martinez, sócio da E&Y e encarregado por análises da indústria automobilística. 

A pesquisa identificou cinco desafios para transformar problemas em oportunidades. Exigirão mudanças radicais sobre a maneira de como costumam ver os clientes, os parceiros de negócio (entre os principais suas redes de concessionárias), os funcionários e, principalmente, a si mesmos. 

O primeiro desafio se refere à inovação e, para isso, é necessário novo modelo de negócio. Segundo o levantamento, poucas companhias do setor mostram abordagem objetiva no desenvolvimento e avaliação de novas ideias e propostas. Há necessidade de revolucionar o seu próprio negócio. 

O segundo desafio refere-se à conectividade. O cliente quer ser ouvido. As novas gerações estão acostumadas a serviços móveis “sob demanda”. O problema, agora, é desenvolver relacionamento contínuo com o consumidor e criar produtos e serviços personalizados. Fundamental aprimorar a capacidade de interação. Será necessária colaboração externa, mais uma dificuldade, pois por seu tamanho a indústria automobilística estabeleceu uma relação muito rígida com o mercado e seus parceiros. A nova indústria da mobilidade requer colaboração ampla envolvendo todos os participantes. 

Atrair novos talentos, de outras áreas, também não é fácil. Pesquisa com jovens profissionais de tecnologia indicou que estes não veem o setor automobilístico como inovador e, por isso, existe baixo interesse em trabalhar nele. 

Porém, segundo o estudo, a indústria precisará atrair especialistas em inteligência artificial e cientistas de TI para se adequar à remodelação da mobilidade. E isso leva ao quinto desafio: deixar de lado métodos operacionais desatualizados. É necessária ruptura com a velha tradição de apenas alavancar antigos processos operacionais e sistemas. Assim, além de criar novas unidades de negócio para manter a competitividade, deverão ser desenvolvidos modelos condizentes. 

E&Y é uma consultora conceituada, mas esse “caminho das pedras” já vem sendo seguido há algum tempo por quase todos os atores do setor. Constatável por qualquer observador mais atento. 


PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).

Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmo fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Fernando Calmon - Alta Roda

Alta Roda nº806/156 – 16/10/2014

Fernando Calmon
Engenharia debate novos sistemas e soluções
Durante os três dias do 23º Congresso da SAE Brasil, realizado recentemente em São Paulo, o tema central não poderia ser mais atual. O mote “Construindo a mobilidade inteligente – os veículos do futuro” representa uma vasta gama de interesses e de mudanças disruptivas que a indústria e a sociedade já iniciaram. Engenheiros da mobilidade têm enormes desafios pela frente e, no caso do Brasil, ainda mais em razão da atual situação econômica. A própria exposição agregada ao congresso encolheu 10% este ano.

Muitos dos avanços gravitam em torno da sigla ITS (em inglês, Sistema Inteligente de Transportes) e suas ramificações. Além de trazer soluções, ITS impõe novo conceitos para racionalizar o trânsito e dar mais segurança. Afinal, em 2020, o mundo terá mais de 1,2 bilhão de veículos leves e pesados em circulação, sem contar motos e bicicletas. Uma das preocupações é que os automóveis mostram longevidade maior que muitas das tecnologias atualmente nele aplicadas. Algum tipo de harmonização ou de atualização precisa ser avaliado. 

Basta um exemplo. Os programas de navegação em tempo real, disponíveis para qualquer telefone celular inteligente, começam a ser alternativa aos caros sistemas de navegação GPS nos painéis com seus mapas que precisam de atualização e não indicam rotas para desviar do trânsito. Hoje isso é fundamental para aproveitar melhor as vias menos congestionadas, gastar menos tempo e combustível, sem contar menor poluição. 

Sensores, câmeras e radares também já representam enorme ganho em segurança. Citou-se o exemplo da Alemanha, onde 31% dos acidentes em congestionamentos aconteciam porque não se freava a tempo. Computação de bordo emite alertas e pode parar o carro de forma independente. Agora, funciona em linha reta, mas em breve também em curvas. O que se tem certeza é de que essas pequenas intervenções no modo de conduzir abrem as portas a sistemas autônomos plenos. 

Para o palestrante Frank Karstner, da Bosch, o prazer de dirigir sempre existirá, mas direção autônoma extinguirá os erros e as colisões. Ivan Tocchetto, da TRW Brasil, lembrou que airbags e cintos de segurança trabalharão de forma mais integrada e inteligente. O próprio conceito de colisões começa a mudar depois dos exageros e voluntarismos dos programas de avaliações de carros novos (NCAP, em inglês), especialmente o europeu e o latino. Hoje é quase impossível um veículo pequeno alcançar cinco estrelas em proteção infantil. Mas, a partir de 2015, serão usados também manequins de crianças de 6 a 10 anos (além de 0 a 3 anos existentes) e haverá ainda teste contra barreira a 50 km/h (hoje, 64 km/h) apenas para o motorista. 

Claro, propulsão elétrica sempre desperta grande interesse em congressos técnicos. Porém, vozes surgiram para lembrar que por uma fração do que se investe em carros elétricos – em especial suas baterias ou pilhas a hidrogênio – é possível melhorar em 50% a eficiência dos motores a combustão. Ersnt Winklhofer, do Instituto Real de Tecnologia da Suécia, passou um pito em quem apenas aplica as mesmas técnicas de injeção direta, por exemplo, de motores a gasolina ao etanol. 

Hubert Friedl, da consultoria de engenharia AVL, relembrou uma tendência, sempre citada e defendida nesta coluna: a distância em termos de consumo entre motor diesel e de ciclo Otto (gasolina, etanol e gás) será significativamente reduzida nos próximos anos. Isso reverterá a encrenca em que os fabricantes europeus se meteram ao investir em apenas uma tecnologia e só agora caem na realidade. 

RODA VIVA 

PARA a consultoria econômica E&Y, 88% dos automóveis vendidos em 2025 terão conectividade avançada. Até lá novos recursos estarão disponíveis e um deles é a conexão automática de qualquer telefone celular inteligente ao sistema multimídia, logo ao entrar no carro. Operações atuais de primeiro pareamento são demoradas, às vezes confusas e sem padronização. 

ENTRE aplicativos mais desejados destaca-se o que leva o motorista, pela tela do celular, até uma vaga livre em estacionamentos. Para isso é necessário que a infraestrutura interna do local esteja preparada. Em alguns países já existe em estacionamentos subterrâneos e o próximo passo será em pátios ao ar livre. 

PREÇO já não atrai como antes, mas Kia Soul ainda oferece vantagens de espaço interno e acabamento/equipamentos por até R$ 92.900 com câmbio automático. Nessa nova geração as dimensões internas e externas (menos a altura) foram ampliadas. Motor de 1,6L/128 cv (mesmo do HB20) sofre um pouco para lidar com seus quase 1.400 kg de peso (ordem de marcha). 

SALÃO do Automóvel de São Paulo, a partir do dia 30, espera atrair os mesmos 750 mil visitantes de 2012. Organizador Reed Alcantara instalará sistema de ventilação mais eficiente este ano. Essa restrição pode acabar já na edição de 2016. Um grupo francês investirá até R$ 300 milhões no atual Centro de Exposições Imigrantes e pretende conquistar este e outros salões. 



PERFIL
   

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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