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sábado, 13 de janeiro de 2018

Audi encerra 2017 com recorde de 1.878.100 carros vendidos no mundo

A AUDI AG registrou um aumento em suas vendas globais pelo oitavo ano consecutivo. Apesar de uma turbulenta primeira metade do ano, a empresa alcançou um novo recorde, com cerca de 1.878.100 de entregas, o que representa um crescimento de 0,6%. A marca vendeu mais do que no ano anterior em seus três principais mercados em 2017: nos Estados Unidos, alcançou novos recordes mês a mês e fechou o ano com um crescimento de 7,8%. Na China, a Audi não só conseguiu compensar os números do primeiro semestre do ano, como também atingiu um aumento acumulado de 1.1% no pico do final do ano. Já na Alemanha, as vendas superaram os números elevados de 2016, com um aumento de 0,4%.

Desde junho, a Audi conseguiu retomar o crescimento na China, reduzindo, mês a mês, a queda acumulada, alcançando um saldo positivo. No período de janeiro a dezembro, a marca aumentou suas entregas em 1,1%, para 597.866 carros. Com este novo recorde absoluto, a empresa continua a manter sua liderança no mercado premium chinês. A China também apresentou, no último mês de 2017, o maior crescimento em volume de qualquer mercado individual, com crescimento de 34,3% em relação ao ano anterior para 69.160 automóveis. Nunca antes, tantos clientes chineses receberam um Audi em um único mês.

A Audi of America também teve outro resultado de sucesso, apesar do declínio do mercado em geral. A Audi foi o único fabricante premium nos Estados Unidos a crescer de maneira constante em 2017, com aumento de 7,8% para 226.511 unidades. Em dezembro, a empresa também comemorou seu 84º mês consecutivo de recordes (+16,3% para 26.977 unidades).Com forte crescimento ao longo do ano, a Audi Canadá (+17,9% para 36,007 carros) também figurou frequentemente entre os dez maiores mercados da marca.

Apesar das numerosas incertezas políticas e econômicas, as vendas na Europa aumentaram 0,4% para cerca de 860.600 carros. Além da Alemanha (+0,4% para 294.544 unidades), a Itália (+10,5% para 68.954 carros) e a França (+3,6% para 63.980) alcançaram novos números recordes anuais. A desaceleração do mercado no Reino Unido teve um impacto negativo nos resultados gerais: com 175.217 entregas e uma queda de 1,3%, o total de vendas da Audi no Reino Unido, no entanto, superou confortavelmente o mercado geral em declínio.

O aumento global da demanda pelos modelos Q (+10,8% para cerca de 689.150 unidades) foi um importante fator no crescimento da montadora em 2017. Mais de um de cada três modelos Audi vendidos era, portanto, um SUV. O modelo Q mais vendido na Europa é o Q2. Além da Alemanha (23.167 unidades), outros grandes compradores foram o Reino Unido (12.636 unidades) e a Itália (11.068 unidades). As vendas globais do Audi Q3 aumentaram mais uma vez em dezembro (+11,3% para cerca de 20.950 carros).


Em 2017, o modelo mais bem-sucedido da família Q foi o Audi Q5, com cerca de 281.850 entregas. A maioria dos carros foram entregues na China. Seu sucessor começará a ser vendido nas lojas chinesas na primavera de 2018 do hemisfério norte como uma versão de longa distância entre eixos. O Audi Q7 também viu suas vendas aumentar em 3,9% em 2017. Desde o início do ano, as comercializações desse SUV full-size cresceram em cerca de 20% somente na América do Norte, para cerca de 43.800 unidades.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

 
 AMÉRICA, CONTINENTE DE CONTRASTES


Nos últimos dias os brasileiros que curtem automobilismo puderam notar com clareza os contrastes que existem entre o norte e o sul do continente americano. 

Em Daytona, viveu-se um verdadeiro nirvana com uma das provas de 24 horas mais disputadas de todos os tempos: a diferença entre o primeiro e segundo colocados na geral – dois protótipos Cadillac VR DPI – foi de meros 8/10 de segundo e na categoria GTLM quatro marcas – Ford, Porsche, Ferrari e Corvette – ficaram separadas por menos de cinco segundos.

Enquanto isso, no Brasil, a abertura do Campeonato Paulista de Velocidade no Asfalto aconteceu em um autódromo de Interlagos repleto de categorias, mas com problemas por demais conhecidos por quem pratica o esporte, por quem organiza os eventos e por quem administra o local. Não bastasse o cenário que provoca um profundo questionamento sobre a forma de gestão do circuito paulistano, a Confederação Brasileira de Automobilismo anunciou, no final da tarde de ontem (30/1), que procura um promotor para o Campeonato Brasileiro de Formula Truck de… 2017.

Negócio que envolve investimentos cada vez mais caros e estruturados, o automobilismo cobra organização e coerência para vender sucesso e lucro. Exemplos dessa premissa são a nova categoria Daytona Prototype International (DPI) da IMSA e a vitória do Ford GT, projetos pensados, aprovados e implementados ao longo de anos. No que toca à marca do oval azul, seu mais recente modelo GT estreou nesse traçado da Flórida no ano passado e mostrou um desempenho medíocre para as expectativas de todos. Meses depois Chip Ganassi voltou de Le Mans com o troféu de vencedor em sua categoria e agora repete o resultado em casa. A Imsa elaborou um regulamento para renovar a competitividade das categorias de resistência e o resultado foi uma nova distribuição de forças na classe principal de um calendário que engloba vários campeonatos, todos eles bem estruturados promocional e comercialmente. Ali há opções para vários orçamentos, níveis de profissionalismo e dedicação convivendo pacificamente.

Entre nós também temos algo que parece até planejado pelas ações da comunidade automobilística: sem promoção, união ou foco, há tempos o paddock de Interlagos recebe todo o público que se digna assistir algum evento do calendário paulista. Enquanto isso, as arquibancadas que já consagraram ídolos e atraíram torcedores e amigos seguem vazias. Gente disposta a pagar ingresso existe: no fim de semana passado qualquer um ganhava acesso ao box pela módica quantia de R$ 30 por um dia ou R$ 50 pelo fim de semana. Lá dentro tinha direito a ver amigos, pilotos e flanar entre crianças percorrendo o local de skate ou pequenas motocicletas. Filiados à Federação de Automobilismo de São Paulo (FASP) podiam entrar com a identificação esportiva de 2016, posto que as “carteirinhas”de 2017 ainda não ficaram prontas.

Pior do que isso foi ver nomes que justificam a existência de Interlagos, como Francisco Lameirão ou Wilson Fittipaldi Jr. (acompanhado de dois pilotos estrangeiros convidados a participar da prova de F-Vê), barrados na entrada do box. Quando baluartes do esporte são barrados não se pode simplesmente alegar que “o segurança não tem obrigação de saber quem é o Chiquinho ou quem é o Wilsinho”. Se a organização do evento e seus promotores tem preocupações mais importantes que credenciar quem de direito, a FASP poderia demonstrar que está interessada em trabalhar em prol do esporte paulista e providenciar uma identificação anual para quem trabalha a favor do automobilismo. Um gesto pequeno que renderia grandes louros à entidade da rua Luis Góis, 718.

Ainda mais difícil de entender em tal cenário é saber porque como se aceita um
aumento superior a 200% no preço do aluguel do autódromo que, entre outros problemas, não tem alvará de funcionamento, exige que seus usuários aluguem geradores para garantir a energia elétrica do local, alguns banheiros não tem iluminação ou ventilação e sequer existe um local adequado para o serviço de cronometragem e direção de prova, serviços essenciais e fundamentais em qualquer autódromo. Os clubes filiados à Fasp já reclamaram dessa situação junto à SPTuris e há um grupo independente trabalhando para construir uma agenda positiva de trabalho junto à nova administração da cidade. A julgar pelo número de jovens e automóveis que participaram do track day na tarde de domingo, é bom que aqueles que precisam de votos para se sustentar notem que há muitos eleitores que praticam automobilismo em São Paulo.

Se parece difícil resolver os problemas do automobilismo paulista, a Confederação Brasileira de Automobilismo se mostra eficiente em criar outros de nível nacional ao anunciar que procura um promotor para o Campeonato Brasileiro de F-Truck desta temporada. Como que jogando gasolina ao fogo, falta cerca de mês e meio para a primeira prova do calendário divulgado pela empresa que criou e consolidou a categoria. Há tempos se comentava reservadamente que a relação entre a CBA e Neusa Félix, a responsável pela F-Truck, não vivia um set up dos melhores; mais, esses rumores vinham acompanhados de que Felipe Giaffone ou a Vicar/Time4Fun estariam interessados em assumir o evento. Comenta-se também que a promotora teria conversado diretamente com a Confederação Sulamericana de Automobilismo (Codasur) para promover etapas na Argentina e Uruguai, manobra que tempos atrás garantia a campeonatos continentais a isenção do pagamento de certas taxas nacionais.

A falta de diálogo entre autoridade e promotor acabou por criar um ambiente em que todos perdem, em especial as equipes e os profissionais que vivem em função da categoria. A crise que afeta o mercado de caminhões é talvez a maior que o setor já viveu, o que enfraquece o lado da F-Truck enquanto negócio; do canto oposto, a decisão de divulgar publicamente que não está disposta a renovar sua chancela à categoria reforça que o relacionamento com a autoridade desportiva sobrevive em regime de coma induzido.

Os dirigentes e organizadores brasileiros não precisam sequer estudar o que aconteceu nos Estados Unidos quando o circo da F-Indy rachou e foi criada a F-Cart: até mesmo as 500 Milhas de Indianapolis (uma das provas mais importantes no esporte em todo o mundo) sofreu com isso, a ponto de sequer preencher o tradicional grid de 33 carros. Para facilitar o lado do poder, posto que muitos dos cartolas brasileiros tem parcos ou nenhum conhecimento da língua inglesa, a pesquisa sobre o que acontece quando se permite chegar a um ponto de ruptura dentro de uma categoria poderia se restringir à GT3 de uma década atrás ou à F-Vê, categoria agora gourmetizada para F-Vee. Esta última começou forte mas sucumbiu a vaidades e preciosismos e hoje briga para superar a própria cria, a F-1600.

A chapa vencedora das recentes eleições da CBA só será empossada em março, mas já coleciona vários problemas dignos de soluções urgentes. Se faltam exemplos para justificar esta previsão, lembremos que o prêmio de R$ 200 mil para o campeão brasileiro de kart de 2016 na categoria Sudam, verba destinada a disputar a temporada de F-3, ainda está para ser entregue. Com fevereiro de 2017 chegando em poucas horas, nem o gaúcho Pedro Goulart, que conquistou o título, e nem seus contemporâneos que sonhavam em enfrenta-lo nessa categoria sequer sabem se nesta temporada haverá F-3 no Brasil.

WG