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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Carlos Cunha Filho é anunciado na Juncos Racing na Pro Mazda

A Juncos Racing anunciou o piloto brasileiro Carlos Cunha Filho como um dos seus três pilotos que disputarão a temporada de 2018 na Pro Mazda, categoria de acesso à Fórmula Indy. Carlos Cunha Filho, já “batizado” pela nova equipe como apenas Carlos Cunha, nome de seu pai que também foi piloto, é o terceiro piloto anunciado pela Juncos para 2018. Ele será companheiro de equipe do norte-americano Robert Megennis  e do holandês Rinus Veekay, dois pilotos vindos da categoria anterior à Pro Mazda, a USF2000.


Carlos Cunha Filho, nascido em Campinas, interior de São Paulo, junta-se à Juncos Racing depois de uma temporada onde se destacou como o novato com maior desenvolvimento do ano na Pro Mazda. O jovem brasileiro que completou 18 anos no dia 11 de outubro passado, registrou sete pódios e terminou a temporada em terceiro no campeonato. Sua boa performance também rendeu uma pole position em Mid Ohio e a melhor volta em pista molhada em Watkins Glen.

"É ótimo se tornar uma parte da Juncos Racing", disse Carlos Cunha Filho.
"Estou realmente entusiasmado por começar a temporada 2018 com a Juncos Racing. Nos testes de pré temporada pude ver a concentração de todo o time e senti que me tornei parte da família Juncos. Estou confiante de que teremos excelentes resultados no próximo ano e espero aprender e crescer mais com a equipe. Será um grande prazer e também uma grande responsabilidade levar o número 1 no meu carro, graças à Victor Franzoni, Brasileiro campeão do ano passado. Espero devolvê-lo ao time no final do ano".

Carlos Cunha Filho começou a testar com a Juncos Racing no início de outubro no Mid-Ohio Sports Car Course. O piloto brasileiro também fez sua estreia oficial com a equipe para o teste Chris Griffis Memorial no Indianapolis Motor Speedway no primeiro dia com um carro da Pro Mazda. No segundo dia, Carlos Cunha pode conhecer o carro da Indy Lights da Juncos Racing (também campeã da categoria em 2017 com o piloto Kyle Kaiser).

O dono da equipe, Ricardo Juncos, disse: "Estamos entusiasmados em adicionar Carlos (Cunha Filho) ao nosso trabalho no Mazda Road to Indy. Desde o momento em que começamos a testar com ele no início de outubro, vimos que ele seria uma ótima aquisição para a nossa equipe. Carlos foi muito rápido nos testes e até teve uma exibição  impressionante no carro da Indy Lights no teste Chris Griffis. Ele fez uma ótima temporada passada na série Pro Mazda e estamos confiantes de que ele terá esse mesmo ímpeto para a temporada 2018. Quero agradecer a Carlos, sua família, Fernando Avallone da Ava Sports pela oportunidade de trabalhar com ele neste próximo ano! "

O Campeonato Pro Mazda 2018 começa de 9 a 12 de março nas Ruas de São Petersburgo, Flórida

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

 
 AMÉRICA, CONTINENTE DE CONTRASTES


Nos últimos dias os brasileiros que curtem automobilismo puderam notar com clareza os contrastes que existem entre o norte e o sul do continente americano. 

Em Daytona, viveu-se um verdadeiro nirvana com uma das provas de 24 horas mais disputadas de todos os tempos: a diferença entre o primeiro e segundo colocados na geral – dois protótipos Cadillac VR DPI – foi de meros 8/10 de segundo e na categoria GTLM quatro marcas – Ford, Porsche, Ferrari e Corvette – ficaram separadas por menos de cinco segundos.

Enquanto isso, no Brasil, a abertura do Campeonato Paulista de Velocidade no Asfalto aconteceu em um autódromo de Interlagos repleto de categorias, mas com problemas por demais conhecidos por quem pratica o esporte, por quem organiza os eventos e por quem administra o local. Não bastasse o cenário que provoca um profundo questionamento sobre a forma de gestão do circuito paulistano, a Confederação Brasileira de Automobilismo anunciou, no final da tarde de ontem (30/1), que procura um promotor para o Campeonato Brasileiro de Formula Truck de… 2017.

Negócio que envolve investimentos cada vez mais caros e estruturados, o automobilismo cobra organização e coerência para vender sucesso e lucro. Exemplos dessa premissa são a nova categoria Daytona Prototype International (DPI) da IMSA e a vitória do Ford GT, projetos pensados, aprovados e implementados ao longo de anos. No que toca à marca do oval azul, seu mais recente modelo GT estreou nesse traçado da Flórida no ano passado e mostrou um desempenho medíocre para as expectativas de todos. Meses depois Chip Ganassi voltou de Le Mans com o troféu de vencedor em sua categoria e agora repete o resultado em casa. A Imsa elaborou um regulamento para renovar a competitividade das categorias de resistência e o resultado foi uma nova distribuição de forças na classe principal de um calendário que engloba vários campeonatos, todos eles bem estruturados promocional e comercialmente. Ali há opções para vários orçamentos, níveis de profissionalismo e dedicação convivendo pacificamente.

Entre nós também temos algo que parece até planejado pelas ações da comunidade automobilística: sem promoção, união ou foco, há tempos o paddock de Interlagos recebe todo o público que se digna assistir algum evento do calendário paulista. Enquanto isso, as arquibancadas que já consagraram ídolos e atraíram torcedores e amigos seguem vazias. Gente disposta a pagar ingresso existe: no fim de semana passado qualquer um ganhava acesso ao box pela módica quantia de R$ 30 por um dia ou R$ 50 pelo fim de semana. Lá dentro tinha direito a ver amigos, pilotos e flanar entre crianças percorrendo o local de skate ou pequenas motocicletas. Filiados à Federação de Automobilismo de São Paulo (FASP) podiam entrar com a identificação esportiva de 2016, posto que as “carteirinhas”de 2017 ainda não ficaram prontas.

Pior do que isso foi ver nomes que justificam a existência de Interlagos, como Francisco Lameirão ou Wilson Fittipaldi Jr. (acompanhado de dois pilotos estrangeiros convidados a participar da prova de F-Vê), barrados na entrada do box. Quando baluartes do esporte são barrados não se pode simplesmente alegar que “o segurança não tem obrigação de saber quem é o Chiquinho ou quem é o Wilsinho”. Se a organização do evento e seus promotores tem preocupações mais importantes que credenciar quem de direito, a FASP poderia demonstrar que está interessada em trabalhar em prol do esporte paulista e providenciar uma identificação anual para quem trabalha a favor do automobilismo. Um gesto pequeno que renderia grandes louros à entidade da rua Luis Góis, 718.

Ainda mais difícil de entender em tal cenário é saber porque como se aceita um
aumento superior a 200% no preço do aluguel do autódromo que, entre outros problemas, não tem alvará de funcionamento, exige que seus usuários aluguem geradores para garantir a energia elétrica do local, alguns banheiros não tem iluminação ou ventilação e sequer existe um local adequado para o serviço de cronometragem e direção de prova, serviços essenciais e fundamentais em qualquer autódromo. Os clubes filiados à Fasp já reclamaram dessa situação junto à SPTuris e há um grupo independente trabalhando para construir uma agenda positiva de trabalho junto à nova administração da cidade. A julgar pelo número de jovens e automóveis que participaram do track day na tarde de domingo, é bom que aqueles que precisam de votos para se sustentar notem que há muitos eleitores que praticam automobilismo em São Paulo.

Se parece difícil resolver os problemas do automobilismo paulista, a Confederação Brasileira de Automobilismo se mostra eficiente em criar outros de nível nacional ao anunciar que procura um promotor para o Campeonato Brasileiro de F-Truck desta temporada. Como que jogando gasolina ao fogo, falta cerca de mês e meio para a primeira prova do calendário divulgado pela empresa que criou e consolidou a categoria. Há tempos se comentava reservadamente que a relação entre a CBA e Neusa Félix, a responsável pela F-Truck, não vivia um set up dos melhores; mais, esses rumores vinham acompanhados de que Felipe Giaffone ou a Vicar/Time4Fun estariam interessados em assumir o evento. Comenta-se também que a promotora teria conversado diretamente com a Confederação Sulamericana de Automobilismo (Codasur) para promover etapas na Argentina e Uruguai, manobra que tempos atrás garantia a campeonatos continentais a isenção do pagamento de certas taxas nacionais.

A falta de diálogo entre autoridade e promotor acabou por criar um ambiente em que todos perdem, em especial as equipes e os profissionais que vivem em função da categoria. A crise que afeta o mercado de caminhões é talvez a maior que o setor já viveu, o que enfraquece o lado da F-Truck enquanto negócio; do canto oposto, a decisão de divulgar publicamente que não está disposta a renovar sua chancela à categoria reforça que o relacionamento com a autoridade desportiva sobrevive em regime de coma induzido.

Os dirigentes e organizadores brasileiros não precisam sequer estudar o que aconteceu nos Estados Unidos quando o circo da F-Indy rachou e foi criada a F-Cart: até mesmo as 500 Milhas de Indianapolis (uma das provas mais importantes no esporte em todo o mundo) sofreu com isso, a ponto de sequer preencher o tradicional grid de 33 carros. Para facilitar o lado do poder, posto que muitos dos cartolas brasileiros tem parcos ou nenhum conhecimento da língua inglesa, a pesquisa sobre o que acontece quando se permite chegar a um ponto de ruptura dentro de uma categoria poderia se restringir à GT3 de uma década atrás ou à F-Vê, categoria agora gourmetizada para F-Vee. Esta última começou forte mas sucumbiu a vaidades e preciosismos e hoje briga para superar a própria cria, a F-1600.

A chapa vencedora das recentes eleições da CBA só será empossada em março, mas já coleciona vários problemas dignos de soluções urgentes. Se faltam exemplos para justificar esta previsão, lembremos que o prêmio de R$ 200 mil para o campeão brasileiro de kart de 2016 na categoria Sudam, verba destinada a disputar a temporada de F-3, ainda está para ser entregue. Com fevereiro de 2017 chegando em poucas horas, nem o gaúcho Pedro Goulart, que conquistou o título, e nem seus contemporâneos que sonhavam em enfrenta-lo nessa categoria sequer sabem se nesta temporada haverá F-3 no Brasil.

WG

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Helio Castroneves recebe homenagem em Indianapolis

O piloto brasileiro Helio Castroneves foi surpreendido  com uma homenagem especial em Indianapolis. O três vezes campeão da Indy 500 recebeu uma peça de arte composta por um pedaço do alambrado do Indianapolis Motor Speedway, eternizado por suas comemorações nas vitórias de20012002 e 2009.

O presente foi entregue por Doug Boles, presidente do IMS e responsável por uma ampla reforma no circuito, incluindo a substituição completa do alambrado que circunda todo o traçado oval de 2,5 milhas. A homenagem foi completada quando coube ao piloto do Team Penske participar, ao lado de funcionários, da conclusão dos trabalhos para a instalação do novo dispositivo, que Castroneves pretende escalar novamente no dia 29 de maio, ocasião da 100ª Indy 500.

“Para mim, foi uma supresa maravilhosa porque eu já tenho três anéis de Indianapolis, mas um pedaço do alambrado eu ainda não tinha”, brincou Castroneves, que está sempre olhando para a frente quando se trata de Indianapolis. “Meus dois principais objetivos nesse ano são conquistar o campeonato e vencer a Indy 500 pela quarta vez”, resumiu, agradecendo pela homenagem.

Aos 40 anos, Helio Castroneves é o único piloto, dentre os que disputam atualmente o Verizon IndyCar Series, com chances de alcançar a marca de quatro vitórias na Indy 500. Antes dele, apenas os lendários A.J. Foyt, Rick Mears e Al Unser a atingiram. O campeonato de 2016 começará no dia 13 de março em St. Petersburg, Flórida (USA), e Castroneves dará início à sua 18ª temporada na Fórmula Indy e 16ª no time de Roger Penske.


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

PRI 2015: Faltam 10 dias para a abertura da maior feira do mundo em Motorsport

Expositores e visitantes de 73 países estão ultimando os preparativos para participar da Per­for­man­ce Racing Tra­de Show (PRI 2015), a maior feira mundial de tecnologia, produtos e serviços de motorsport, que acontecerá de 10 a 12 de dezembro no Indiana Convention Center, em Indianapolis, USA.



Essa condição surperlativa foi alcança há anos porque não existe outro evento no mundo que reúna tantas empresas expositoras num único lugar e, até aqui, os números tabulados já indicam a quebra de um recorde histórico. Um total de 1.203 empresas já estão inscritas para apresentar suas especialidades e este número poderá ser ainda superior porque, neste momento, a direção da PRI trabalha para tentar acomodar as organizações que solicitaram suas inscrições em cima da hora.

São esperados, também, milhares de visitantes, embora não haja venda de ingressos para o público e o evento seja destinado apenas a profissionais do setor. A meta para esta 28ª PRI Trade Show é ultrapassar a marca de 50.000 pes­soas registradas no ano passado, o que representou o recorde de visitantes.


A feira de negócios acontece desde 1988 justamente com esse propósito, o de reunir, num único local, vendedores e compradores do que há de mais moderno no mundo das corridas.  

domingo, 8 de novembro de 2015

Nissan e Cummins apresentam a picape TITAN XD “Triple Nickel” no SEMA SHOW 2015


Recentemente nomeada a “Melhor Picape do Texas” pela imprensa do estado americano, a Titan XD 2016 equipada com motor Cummins 5.0L V8 turbodiesel transformou-se em um carro de corrida ‘não-convencional’ para ser exposto no estande da Nissan no SEMA Show 2015, o maior evento do mundo especializado em preparação de automóveis. Intitulado “Projeto Triple Nickel”, a picape preparada é uma homenagem ao torque brutal da Nissan Titan XD, que entrega 76,7 kgfm.

O “Projeto Triple Nickel” é um trabalho de colaboração entre a Cummins e a Nissan América do Norte. A modificação na picape grande Titan XD 2016 começou há algumas semanas. A unidade transformada conta com suspensão rebaixada, rodas com aro totalmente fechado, pneus Mickey Thompson, assentosUltra Shield, paraquedas Stroud Safety e envelopamento escovado na cor níquel. Modificações adicionais, incluindo uma gaiola e outros equipamentos de segurança adicionais, serão inseridas nos próximos meses. A Nissan Titan XD vai tentar recorde de velocidade em diferentes categorias.

A Nissan e a Cummins atualmente detêm os recordes de velocidade terrestre de Bonneville e da East Coast Timing Association, entidade que realiza eventos no estado de Ohio. O Titan XD 2016 vai competir nas categorias D/DT, cujo recorde atual é de 307 km/h, e na FIA class A-III-9, cujo recorde é de 185 km/h.

As duas empresas promovem uma parceria inovadora há mais de cinco anos, com excelente resultados, incluindo o premiado motor da 100% novo da picape Titan XD. As equipes de trabalho têm trabalhado em um projeto de corrida para estabelecer o recorde de velocidade terrestre.

A Nissan tem longa história nas corridas de estabelecimento de recordes de velocidade, mais especificamente com sua picape compacta “Hardbody”, que em 1994, correu em El Mirage e Bonneville. Ela registrou vários recordes durante os anos 1990 em categorias de quatro cilindros, sendo o mais notável o que atingiu 230 km/h.

A Cummins também tem tradição nessas corridas desde 1931, em Daytona Beach, nos EUA, e continuando com as salinas de Bonneville e as pistas de pouso de Wilmington, Ohio, também nos EUA. São inerentes à Cummins os conceitos de durabilidade e resistência, também comprovados nem suas participações no Autódromo de Indianapolis, em corridas off-shore, nos ralis de Dakar e em inúmeros eventos competitivos. 

sábado, 23 de maio de 2015

HELIO CASTRONEVES FECHA A FASE DE PREPARAÇÃO COMO O MAIS RÁPIDO DO MÊS EM INDIANAPOLIS

Embora o seu teammate Wil Power tenha sido o mais rápido na prática final no Indianapolis Motor Speedway, disputada hoje no tradicional Carb Day, Helio Castroneves se constituiu no piloto mais rápido durante os treinos preparatórios para a Indy 500, cuja largada acontece no próximo domingo a partir das 13:00 do Brasil.


Ao longo de nove dias de atividades em pistas, os pilotos inscritos completaram nada menos que 12.249 voltas, cabendo ao brasileiro do Team Penske percorrer as 2,5 milhas do Indianapolis Motor Speedway por 311 vezes. Numa delas, no sábado, 16, Castroneves cumpriu a volta mais rápida desse século em Indianapolis, com média de 233,474 mph ou 375,659 km/h.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

Antagonismo une Indy a Mônaco‏

Wagner Gonzalez



Dois dos maiores eventos do automobilismo mundial acontecem domingo. Média da pole position em Indy é 235% superior ao tempo da pole de Mônaco em 2014. Acidentes devem marcar a 500 Milhas de Indy e o GP de Mônaco.







As datas não são coincidentes por acaso: raramente as duas principais corridas de monopostos em todo o mundo acontecem em fins de semana diferentes, o que já incluiu o uso do saudoso Concorde para permitir que Mario Andretti participasse das duas provas. Ícones do esporte, Indy e Mônaco adotam caraterísticas técnicas e filosóficas opostas em termos de técnica e espetáculo.

A primeira acontece num dos autódromos mais sofisticados do mundo, com capacidade para receber 250 mil espectadores confortavelmente instalados em arquibancadas e camarotes e outros 150 mil no interior do famoso brickyard, nome herdado da pavimentação original. A segunda tem também sua tradição, da largura inconcebível para um novo circuito à exiguidade de espaço para arquibancadas, boxes e qualquer outra dependência; é difícil enxergar mais de 80 mil pessoas nos quatro dias do evento monegasco. Já o PIB dessa corrida de rua é certamente bem maior que a congênere norte-americana…

Com mudanças amenas e foco no jeito americano de fazer festa, Indy é famosa pela velocidade media absurda que monopostos peculiares conseguem nas duas milhas e meia de percurso de cada volta pelo quadrilátero de Indiana. Ilusão de ótica, as quatro curvas de noventa graus dessa pista demandam traçado e técnica diferentes em cada uma delas e obediente a um ritual vibrante que dança ao sabor dos ventos que lá sopram. Isso gera uma pesquisa aerodinâmica que atinge até a pintura dos carros e, este ano, a espalhafatosos kits, kits que demonstraram ser capazes de exercícios jamais pensados pelos melhores ginastas do mundo.

Tudo porque andando a velocidade media superior a 372 km/h a pressão que faz o carro ficar no solo quando se movimenta à frente produz efeito oposto quando o monoposto passa a andar de marcha-a-ré. Para entender o que quero dizer de uma maneira mais clara veja neste link o acidente de Helio Castro Neves; neste aqui o de Ed Carpenter e neste aqui o que envolveu Josef Newgarden.

Preocupados, e com muita razão, com a segurança dos pilotos os organizadores resolveram diminuir a pressão do turbo de 140 kPa para 130 kPa, o que diminui em cerca de 40 cv a potência dos motores 2,2 litros da Chevrolet e a Honda. Mais do que isso, o acerto aerodinâmico usado ontem, no Pole Day (como a tomada de tempos é conhecida em Indy), deverá ser mantido para a corrida. Uma forma discrete de evitar soluções críticas de equilíbrio e balanceamento do carro. Nesta página você encontra todas as informações sobre a temporada da Indy e a Indy 500 principal evento da categoria e o maior premio do esporte: o vencedor leva mais de US$ 2 milhões.

Se a alta velocidade é a marca de Indy, Mônaco é, de longe, a corrida mais lenta do calendário da F-1, e igualmente é marcada por acidentes espetaculares, particularmente logo após a largada, na curva St. Devote. Se a primeira competição tem apelo popular, a segunda toca mais a novos ricos de plantão e milionários consolidados, todos ávidos em ver e ser vistos. Hotéis eneplicam suas tarifas e restaurantes exigem reservas com grande antecipação, passagens aéreas para o aeroporto mais próximo, em Nice, passam a custar tarifa cheia, ou melhor, transbordando: afinal, na mesma época acontece o Festival de Cannes. Enfim, uma imensa festa.

Nos sinuosos caminhos de Monte Carlo — hoje o bairro mais famoso do pequeno principado da família Grimaldi —, os F-1 fazem uma esfoliação de rodas e pneus nos guard-rails montados pelos 3.340 metros menos retos e/ou planos do calendário. Esse percurso é um tal de vira-prá-cá-sobe-freia-vira-prá-lá-desce-acelera-freia-e-começa-tudo-de-novo que chega a dar cãimbra nos dedos dos pilotos, não importa quantas horas de vídeo-game eles jogam por dia.

Embora alguns nomes tenham se consagrado pelas inúmeras vitórias conseguidas ali — Ayrton Senna (6 vezes) e Graham Hill (5) foram os maiores vencedores —, foi lá também que aconteceram algumas das grandes zebras como Jack Brabham errando na última volta de 1970 e entregando a vitória para Jochen Rindt ou Senna, em 1988, batendo a 12 voltas do fim quando tinha quase um minuto de vantagem sobre Alain Prost. Comparando com Indy, nenhuma delas é zebra maior que a do colombiano Roberto Guerrero: em 1992 alinhou na pole-position mas saiu da pista na volta de apresentação…

Como estamos falando de Mônaco, mudemos de preto para o vermelho: o papo nos iates e na noitada de quinta – na sexta a F-1 não treina e todo mundo consome o álcool do ano inteiro no happy hour do dia -, serão as possíveis mudanças para o regulamento de 2016 e 2017. Bernie Ecclestone quer por que quer mudar os motores atuais por outros mais potentes e barulhentos. Só que as grandes fábricas não gostaram da idéia e essa proposta só vai passar se muito dinheiro rolar por baixo e por cima dos panos. Propostas não faltam: como motores menos sofisticados e a da Cosworth (responsável por 90% do grid por algumas décadas) —, permitir que equipes menores comprem carros prontos de construtores como McLaren, Williams e que tais (algo que a Force India e a Sauber se arrepiam só em pensar), reabastecimento e livre escolha dos pneus.

De tudo isso o que parece mais crível diz respeito à escolha dos pneus — hoje é o fabricante que determina as duas opções disponíveis —, o que facilitaria indiretamente o retorno de marcas como a Michelin. A marca sino-italiana já desenvolve um novo pneu de aro 18 para possível adoção em 2017, algo que também pouco provável. Talvez o melhor resumo do que foi discutido semana passada entre os poderes reconhecidos da F-1 (Ecclestone, FIA e as cinco equipes top), foi o que saiu da boca de Gerhard Berger

“Basicamente nada foi decidido, e isto não é nenhuma surpresa. Vai ficar tudo do mesmo jeito.”

Indiferente a isso tudo, a Philip Morris renovou seu contrato (aparentemente US$ 160 milhões por três temporadas) com a Ferrari — ainda que seja uma mensagem tipicamente subliminar —, e a Lotus mandou recado à Renault através de Matthew Carter. O dirigente da equipe declarou em um evento de marketing esportivo em Londres que “meus acionistas disseram que a equipe não está à venda”. O que talvez ele não declarou é que isso acontece apenas se a oferta não for convincente…


Já a Toro Rosso, baseada em Faenza, Itália, não esconde que tem muito a oferecer à marca francesa. Ocorre que o mundo da F-1 gravita em torno de fornecedores especializados cuja grande maioria está baseada na Inglaterra – onde fica a Lotus, que funciona na antiga sede da antiga equipe Renault…-, enquanto a Itália tem uma legislação tributária e trabalhista um pouco mais complicada que a do Reino Unido e muito mais parecida com a do Brasil.

Audi e BMW ficam de fora
De acordo com a edição de ontem do diário alemão Handelsblatt, o executivo-chefe da Audi, Rupert Stadler, afastou de vez a hipótese da marca das quatro argolas desenvolver um projeto para as corridas de Grande Prêmio. Cerca de 50 km ao sul de Ingolstadt, mais exatamente na sede da BMW discute-se a possibilidade desta marca disputar Le Mans m 2016 e 2017 usando novas soluções de motorização. Isso seria possível graças à liberdade que a “Garage 56” permite: esse box é reservado a equipes e fábricas que queiram desenvolver soluções de vanguarda e que não se encaixem plenamente no regulamento atual. Exemplo recente dessa alternativa é o Delta Wing, conceito desenvolvido pela Nissan e pela Panoz.


WG