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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

CORRIDA TECNOLÓGICA por FERNANDO CALMON

Por Fernando Calmon

Um dos aspectos menos visíveis do programa Inovar-Auto, de 2013 a 2017, é estimular o processo de pesquisa e desenvolvimento (P&D), além de inovação, para as empresas que fabricam e/ou comercializam veículos no Brasil. Para isso obriga todas a investir um percentual mínimo da receita líquida em pesquisa básica, pesquisa aplicada, segurança veicular, dispêndios em engenharia, tecnologia industrial básica e laboratórios. Como alternativa podem fazer aportes no Fundo Nacional de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia, inclusive os importadores. Os percentuais começam em 0,65% e chegam a 1,5% ao longo dos cinco anos.

Embora alguns pontos ainda permaneçam obscuros – um deles como classificar inovação –, os quatro fabricantes mais tradicionais não terão dificuldade em cumprir as regras e até superá-las com folga.. Afinal, já dispõem de departamentos de nível internacional para desenvolvimentos próprios ou em estreita colaboração com outros centros no exterior. GM há 40 anos e Ford, 36 anos, por exemplo, utilizam campos de provas em Indaiatuba e Tatuí, respectivamente, no Estado de São Paulo. Destaque para a primeira pela área total de 11 km² e número de laboratórios que até vende serviços de engenharia ao exterior. A Volkswagen tem um campo menor, em Taubaté (SP).

Testes de colisão são feitos no Brasil desde 1971 (Fusca iniciou o processo) e, atualmente, Volkswagen e GM continuam a executá-los no País. As importantes avaliações de interferência eletromagnética na arquitetura eletrônica dos veículos são executadas em instalações próprias pela Volkswagen e Fiat (GM utiliza as do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Consultadas, as quatro empresas não revelam todas as atividades executadas no Brasil por razões estratégicas. Ford, GM e Volkswagen empregam em torno de 1.000 engenheiros, técnicos, desenhistas e especialistas, mas a Fiat alegou confidencialidade. Todas utilizam os mais modernos equipamentos de simulação virtual para atingir no menor tempo possível os objetivos de criação. Produzem protótipos em escala real em suas próprias instalações.

A Volkswagen realiza testes reais em programas de veículos completos, trem de força (motor e câmbio), chassi/carroceria/suspensões, componentes específicos e segurança veicular/predições. Ford e GM estão em níveis semelhantes, sem pormenorizar os recursos técnicos e humanos. Fiat tem instalações menores, mas assegura que nas áreas de carroceria, chassi e suspensões a empresa se insere entre as principais referências dentro do grupo.

Automóveis e picapes podem ser projetados aqui a partir do zero, porém cada conglomerado automobilístico internacional decide como distribuir as tarefas. As estratégias variam de especialização em determinados segmentos até alterações substanciais no projeto original para adequá-lo à melhor condição de uso no País.


Fabricantes instalados há menos tempo no Brasil deverão decidir como atuar para atender o Inovar-Auto. Alguns já montaram estúdios de desenho e bancos de provas para motores. Podem também estabelecer parcerias com fornecedores de autopeças para pesquisas em conjunto. A Honda anunciou planos ambiciosos para investir além do mínimo exigido, o que inclui campo de provas e, possivelmente, túnel de vento de pequeno porte.

PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmon                                                                                                                               

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Fernando Calmon - Alta Roda - CORRIDA TECNOLÓGICA

Alta Roda nº 731/82 – 02/05/2013



Fernando Calmon
Agora sob perspectiva de atingir metas mandatórias em cinco anos – aumento de índice de localização, aperfeiçoamento de processos industriais e diminuição de consumo de combustível – a indústria automobilística deve se voltar a fornecedores de componentes e serviços. Nem com todas as regulamentações ainda de todo conhecidas do programa Inovar-Auto, já se fala em Inovar-Peças, ideia que surgiu sem formatação definida. Reflete conceitos genéricos e, outra vez, cria certa dependência de iniciativas governamentais tendentes a criar artificialismos.

Foi esse clima que marcou a recente Automec – Feira Internacional de Autopeças, Equipamentos e Serviços – cuja 11ª edição, realizada em São Paulo, lotou os 78.000 m² do Anhembi. Trata-se de exposição para profissionais do ramo e atraiu 1.200 empresas, de 31 países, inclusive os cada vez mais presentes chineses, tanto do continente como da ilha de Taiwan. Em edições passadas, eles ficaram um tanto confinados, porém não dá para resistir às suas ofertas de baixo preço, embora com qualidade, em geral, ainda a se confirmar.

Entre os expositores felizes, sem dúvida, dois grandes fornecedores, BorgWarner e Honeywell/Garrett. Estão confiantes de que a tecnologia downsizing, de redução de cilindrada e uso de turbocompressores, é a tendência irreversível, reflexo do que ocorre no exterior. Se até 2017 o mercado interno atingir cinco milhões de unidades por ano, parecem factíveis 20% (um milhão de motores) receberem tais componentes. Injeção direta de combustível, ideal para essa aplicação inclusive em motores flex, também disparou uma corrida que, além das tradicionais Bosch, Delphi e Magneti Marelli, inclui agora a Continental.

De fato, se já existe algum reflexo do Inovar-Auto, ficou explícito na Automec. Algumas tecnologias avançavam lentamente no Brasil e passam agora por bom impulso. Correntes de acionamento de válvulas (em substituição a correias dentadas que exigem trocas periódicas) e compressores compactos de ar-condicionado, ideais para os novos motores de três cilindros, são alguns exemplos. Às vezes, podem trazer economia de combustível de apenas 1%, como velas de ignição com eletrodo de irídio, da NGK, muito caras. Porém, duram quatro vezes mais e, assim, parte do seu custo é compensável.

Sistemas mais complexos, como embreagens duplas para caixas de câmbio automatizadas, fabricadas na Alemanha pela Schaeffler, conviveram com soluções práticas e acessíveis, na feira. Um fabricante nacional, Power Stop, desenvolveu servofreio para modelos que nunca tiveram esse conforto: Fusca, Jeep e picapes antigas. Gates mostrou uma ferramenta para medir desgaste de correias. Tenneco/Monroe apresentou linha de amortecedores com garantia de três anos ou 60.000 quilômetros, impensável anos atrás.

Grandes produtores de autopeças, a exemplo de Bosch e Delphi, anunciaram que continuam a ampliar suas redes de oficinas com padrão definido de atendimento. Além de estimular profissionalização em processos e garantia dos serviços, entram na luta por atrair clientes de concessionárias, autocentros e oficinas convencionais. Resultado tem sido manutenção de qualidade a preços menores.

RODA VIVA

OBJETIVO do novo presidente da Anfavea, Luis Moan, é atacar a falta de competitividade para exportação de veículos brasileiros. Hoje, o País vende no exterior menos da metade do volume de 2005. Sem ajuda de desvalorização cambial do passado, o chamado custo Brasil é grande empecilho, além da carga de impostos “escondida” exportada junto com os veículos.

SUV MÉDIO S5, da JAC, que só chegará aqui em 2014, estreia a segunda geração de arquiteturas da marca chinesa. Em rápida avaliação em Hefei, cidade-sede do grupo, o carro passou sensação de robustez. Interior e materiais utilizados subiram de nível, embora ainda tenham que evoluir. No padrão de teste colisão vigente na China é primeiro a obter cinco estrelas.

POSIÇÃO ao dirigir e o volante de pequeno diâmetro para permitir visão do quadro de instrumentos por cima do aro são sensações notáveis no Peugeot 208. Toda a atmosfera interna do carro é bastante agradável, inclusive o teto solar panorâmico, embora cortina interna devesse isolar melhor o calor. Motor de 1,45 l/93 cv não é ideal. Suspensões estão bem acertadas.

PRODUÇÃO do utilitário esporte ix35 em Anápolis (GO), em instalações da Hyundai-CAOA, sofre novo atraso. Primeira previsão era final do ano passado, depois passou para março e, agora, próximo trimestre. Especulações apontam demora nas negociações com o BVA, sob intervenção do Banco Central. Grupo CAOA tem R$ 600 milhões emperrados naquela instituição.

PUBLICAÇÃO do Sindipeças confirmou indicadores internacionais do Brasil em 2012: quarto maior mercado interno e sétimo produtor mundial. Frota real de 38.025.799 unidades (sem motos) está em nono, no mundo. Em número de habitantes por veículo – 5,5 – o País aparece em distante 15º lugar, ou seja, muito ainda para crescer.

PERFIL

   

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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