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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Roberto Nasser - De carro por aí

Coluna 2717 - 07.06.2017  edita@rnasser.com.br 

Mercedes Classe X está chegando
Há alguns anos boa fonte me garantiu o aparentemente impossível: Mercedes-Benz fabricaria picapes. E seria na Argentina. Fui conferir com empresa no Brasil e acharam sonho de noite de verão. Usei minha rede de intrigas mundo a fora. Pensavam igual, exceto o confiante Carlos Cristófalo, na Argentina.

Tive sorte de, numa véspera da Autoclasica, o melhor encontro de veículos na América Latina, ir a uma apresentação no Teatro Colón, em Buenos Aires. Mais sorte, o anfitrião era Roland Zey, então presidente da marca na Argentina. Perguntei-lhe de passagem e ele confirmou. Quando publiquei, o comentário dentro da Mercedes no Brasil foi uno: surtou.

A história começou a se desdobrar e ao final, por conta destes pouco conhecidos contratos de interesses entre empresas grandes, o desenho industrial apareceu: a Renault, aliada da Nissan, cederia espaço a ela dentro de sua fábrica em Córdoba, Argentina. Ali a nipônica construiria galpão para fazer um picape, a nova – a atual – geração do picape Frontier. Usaria a sua marca e, com poucas modificações seria vendido como Renault. A Mercedes tem acordo com a Nissan – leitores da Coluna sabem, por ter lido sobre a possibilidade do Mercedes Classe C ser montado pela Nissan na nova fábrica em Resende, RJ. E por conta disto a Nissan também faria versão personalizada como Mercedes.

A história se esclarece: a Nissan lançou o novo Frontier; constrói galpão e escritórios para tê-los operacionais em 2018. Renault deu ajeitada superficial e o expôs no Salón del Automóvil, em Buenos Aires, junho. Chama-o Alaskan.Mercedes exibiu sua interpretação na Suécia, outubro de 2016. Era o X Concept, Conceito X. Virou Classe X, e o levou como protótipos à mostra argentina.

Ver
Mês passado recebi convite. Ir a cidadezinha, uma hora da sede da empresa em Sttugart, Alemanha, para ver o produto em versão final. Havia condição: embargo, nada conversar ou publicar até data 19 de julho. Topei.
Evento de alemães, hora certa. Éramos apenas sete jornalistas de mídia impressa e dos mercados pretendidos pela empresa: Alemanha, África do Sul, Argentina, Brasil. Fui com o Boris Feldman, mineiro, multi media. Haviam umas cem pessoas para atender a tão poucos, tipo cruzeiro de ultra luxo.

Em Münsingen, numa floresta, área de testes de veículos militares, e em tenda enfeitada, assinatura dos documentos de confidencialidade e, para inibir tentações, aposição de selo sobre a lente da câmara dos celulares.

Exposição estática e explicações dos líderes do projeto: Dr Stephan Mengel – doutor alemão tem doutorado e não apenas diploma de curso superior -, chefe da engenharia; Kai Sieber, autor do design de personalização mercediana;  Christian Pohl, responsável pelo produto e marketing; colegas de comunicação das áreas de imprensa e marketing. Explicações gerais sobre produto, constituição, versões, mercados, e carro exibido: a versão final é elegantemente conformada, com trato de automóvel.

Após, em duplas representando cada país, transporte até o centro da preservada mata, onde estavam dois picapes ainda com adesivos para disfarçar linhas. Quer-me parecer, talvez o apelido pelo qual se conhece o jornalista mineiro, o Judeu a Jato, inibiu a Mercedes. Daí terem resolvido nos transformar em test-drivers-de-banco-de-passageiro ... Minha avó mineira, sábia macróbia dizia, do saco a embira; e da embira, um pedaço. Ou seja, contente-se com o que você tem. Fomos nós. O piloto a quem acompanhei, um certo Timo, era do ramo. Curvas, e para mostrar estabilidade e dirigibilidade, slalon rápido – talvez efeito remanescente do Teste do Alce, associada ao primeiro Classe A, por capotar, cortar lucros e empregos -, freadas viris. Após, uso na terra, subidas, descidas para provar conteúdo eletrônico, habilidades, isolamento acústico, habitabilidade.

No misto de retas em asfalto, trechos sem pavimentação, subidas, descidas, slalon, uma amostra da possível vida dos picapes Classe X, impressionou bem, mostrou-se coerente com a proposta.
Há mais, porém por acordo, não conto. Só na Coluna 2917. RN



Nissan Kicks, agora nacional
Agora fabricado no Brasil, Resende, RJ, capaz de atender à demanda Nissan Kicks porta mudanças quanto ao modelo mexicano: aumentam as versões – S, simples, com câmbio mecânico; idem transmissão CVT; SV, SI, e PcD especial para taxis e pessoas com necessidades especiais, fatia de mercado na qual a Nissan quer nadar de braçada. Exceto S, todas terão a transmissão de polias variáveis, automática. Para rebater a crítica de um conduzir pasteurizado, sem emoções ou percepção da mudança de marchas, empresa provê sistema eletrônico – acelerado com fé, simula a passagem.

Tem missão. Com ele Nissan quer cumprir exigência do ex-mandão maior Carlos Ghosn, 5% do mercado nacional para a marca. Intenta ser o produto de maior venda e, sob gestão local do economista Marco Silva, encerrar a alta rotatividade de executivos e produtos, dando tranquilidade ao comprador.

Mudanças
Se você conhece o Kicks notará diferenças. Do preço, R$ 1 mil mais caro na versão de tôpo. Agride a lógica, pois a economia com a supressão da cara logística de tirar um carro da fábrica no México, cruzar o Oceano, fazer algumas paradas e chegar ao pátio do concessionário no Brasil, deveria reduzir o custo. Mudanças na suspensão recebendo calibragens e componentes tipo jogo duro para suportar irregularidades do asfalto nacional. Apesar da dedicação urbana é tratado indevidamente como SUV, sigla para utilitário esportivo, capaz de sair do asfalto e ir a endereços sem CEP. Não é SUV nem SAV, no máximo Crossover.

Outra curiosidade, Nissan diz ter aperfeiçoado o motor. Sua associada Renault o produz em configuração idêntica, 1,6, 16 válvulas, com mais potência e torque, sendo inexplicável não utilizar engenho comum – em especial o mais forte. Em consumo está na primeira faixa do Inmetro, ajudado pelo contido peso do conjunto, pouco acima de 1.100 kg. Concorrente Renegade registra 300 kg mais.

O foco de ampliar vendas passa não apenas pelo abrir o leque de versões, com preços e conteúdo menores, mas igualmente por aumentar opções de cores e de revestimentos internos, em tecido ou couro preto, marron e creme.
Há implementos como insólitos redutor das sensações e irregularidades do piso; bancos construídos em Gravidade Zero, coisa especial, dita perceptível por não cansar após uso em viagens longas. Mais palpável, câmera de ré com adicional para 360os e tela sabida, encontráveis apenas na versão de topo.

Quem e quanto
Todas as versões são equipadas com obrigatórios sistemas de ABS nos freios e duas almofadas de ar. Portam maçanetas externas cromadas, bancos em tecido. Agregação de itens de segurança e conforto eleva os números.

Versão
R$
S PcD CVT
68.940
S mecânico 5M
70.500
S CVT
79.200
SV CVT
85.600
SI CVT
94.200
+
Tela, aletas no teto

2.400      

Versões mais vendidas serão S e SV CVT. A PcD – designação Nissan para Taxis e pessoas com necessidades especiais – é incógnita. Para taxi porta malas é muito restrito. Segunda, pela inquantificação do mercado.

Neste, a briga entre os crossovers, SAVs e SUVs é a mais acesa e de maior crescimento. Calculado valor R$ x kg, Kicks é o mais caro da categoria.

Roda-a-Roda
Mais uma – Em época de previsível contração de marcas de veículos, fusões, desaparecimento, Mercedes deu personalidade própria à divisão AMG, e inglesa Aston Martin segue caminho e anuncia desdobramento. 

AMR – Nome sem charme, sigla de Aston Martin Racing, terá fornada inicial com 300 unidades: 200 com motor V8 AMG e 100 com V12 Ford. Decoração superior – Aston são ditos Rolls esportivos -, e itens de seus carros de corrida.

Aqui - Mais barato, Vantage Coupé V8, 98.000 libras esterlinas, uns  R$ 450 mil - lá. Dificilmente chegar algum ao Brasil, pois o representante da marca fechou o negócio por impossibilidade de sobrevivência.

Razão – Governo PT Fernando Pimentel, Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior baixou norma InovarAuto, arrasando o setor dos importados ao aplicar 30 pontos sobre o IPI. Catapultou preços, inviabilizou concorrência entre importados e nacionais. É o hoje processado Governador de Minas. 

Mudança – Desastrosa barreira liquidou centenas de revendedores, alguns importadores, incontado número de empregos.  Deve findar em dezembro, junto com o projeto Inovar-Auto. Crê-se, o sucessor dito 2030 não o renove.

Para pensar – Criar barreira de importação é proteger a ineficiência, a baixa produtividade, afastar-se do mercado internacional.

2a. série – Fábricas e importadoras quando precisam de apelo comercial fazem duas séries no mesmo ano, antecipam o modelo/ano, ou saltam o exercício.

Ao contrário – Mercedes no Brasil inovou, aprimorou a modelia. Por exemplo, nos Classe C montados em Iracemápolis, SP, substituiu a caixa automática de sete para nove marchas. Nada de falar em 2017/2018 ou chamá-los 2018.

Como fica – São conhecidos, a partir dos concessionários, como 2017 2a.série para identificar a progresso. No pacote, como a Coluna informou anteriormente, suprimiu a versão 200. Agora salta de 180 para 250, e arremata com 300.

Negócio – Faz promoção com revendedores para vender estoque 7 marchas: 12% de desconto e financiamento sem juros.

Parecido – BMW, sem novidades, mas para movimentar o mercado, separou 100 unidades da Série 3 e repete ação: desconto de R$ 15 mil, reduzindo preço a R$ 149.500 e financiamento de 40% em 24X sem juros.

Festa – Scania 60 anos no Brasil. Começou com escritório de representação para vender caminhões vindo em partes, montados e distribuídos pela Vemag. Em 1958, pressionada pelo governo passou a encomendar as peças para fazer motor, e de lá para cá teve história de pioneirismo com várias soluções. Das mais modernas, intercooler para o motor e transmissão automatizada.

Registro – 1o. de julho Yamaha de motocicletas comemorou 62 anos de atividade, coragem, emoção – e 501 vitórias em Grandes Prêmios. Começou com instrumentos musicais e usou sua expertise em motores leves e de elevada potencia para ajudar Ford desenvolver V6 3,0 SVO; L4 Zetec; Sigma, ...

Lista – BMW abriu lista de reserva a interessados no modelo G 310R: 31 cv, 313 cm3, R$ 21.900. Dados maiores https://bmwmotorrad.net.br/g310r/.

Pesou – Coluna deu notícia como furo em maio.2016, e avaliava, por se tratar de produto com peças indianas, mais baratas, teria preço competitivo com Honda e Yamaha 250, em torno de R$ 15 mil. Mas discrepou, é 40% mais cara.

Será ? – Mercado dá como certa a compra da Ducati pela Harley-Davidson. Anúncio deveria ter sido feito no 1o. de julho, início do ano fiscal. Harley tem experiência: anos ’70 foi à Italia e comprou a Aermacchi, de motos pequenas.

Usados – Mopar, área de peças e acessórios da FCA, junção de Fiat e Chrysler re arrumou a compra e produção de partes para Fiats com mais de três anos de uso, quando já não mais frequentam as oficinas de concessionárias. Quer vender a oficinas externas. Chamou-as Classic Line. É o maior mercado.

Parou – Terceiro mês de crescimento de produção e vendas na indústria automobilística sinaliza fim do ciclo da irresponsabilidade peto-dilmiana. Em junho vendas no mercado interno cresceram 13,2% e produção em torno de 20% - no caso a indústria acertou com as matrizes incrementar exportações.

Varejo – Mais vendido no primeiro semestre foi Chevrolet Onix. Péssimo indicativo no mercado consumidor, pois foi reprovado no choque de impacto do LatiNCAP como extremamente inseguro. Apesar da intensa divulgação, o risco de danos e morte não sensibilizou comprador.

Quem – Cinco mais vendidos: GM Onix 83.236; Hyundai HB20 51.149; Ford Ka 44.650; Renault Sandero 38.8667; VW Gol 36.209.

Data  
Demorou, mas o Club de Automóviles Clásicos, fixou datas para o Autoclasica, maior encontro de veículos antigos na América do Sul: sexta, 13, a segunda 16, outubro. Mantém-se no clube hípico de San Isidro, a 50 km de Buenos Aires. Ano passado o Best of Show foi Ferrari 250LM.




Gente - Marcelo Cosentino, jornalista, deixou área de imprensa da Renault.OOOO Não aguentou o vai-e-volta S Paulo-Curitiba. OOOO Nova e não anunciada colocação no ramo. OOOO Idem para Elisa Sarti, após 17 anos deixou de articular a Fiat em S. Paulo. OOOO Leandro Giometti, jornalista, novo anexo da Ogilvy PR à comunicação social da Peugeot. OOOO Marco Cortinovis, diretor de comunicação da Pirelli América Latina, promoção.OOOO Diretor global da área do Prometeon Tyre Group, empresa Pirelli para pneus industriais de caminhões. OOOO Raquel Dodge, procuradora da República, indicada PGR. OOOO Tomara siga o slogan da marca nos anos ’50: Os Dodge não podem parar nem falhar ... OOOO

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Roberto Nasser - De carro por aí

Coluna 4214 - 15.10.2014 - edita@rnasser.com.br    

Autoclásica, uma aula de antigomobilismo
Clube de Automóviles Clásicos de República Argentina organizou com brilho a 14ª. edição da Autoclásica, maior exposição de veículos antigos da América do Sul. Festa imponente, sempre em ascensão, neste ano criou novidades, como páreo entre cavalo puro sangue inglês e alsaciano Bugatti de 1926, e volta de 15 Bacquets – carroceria esportiva lembrando ou copiando os carros de corrida dos anos ’20 e ’30 – pelo circuito hípico. E prêmio ao casal vestido mais adequadamente à década de seu veículo exposto, uso dos veículos no circuito do Hipódromo de San Isidro, a 50 minutos de Buenos Aires, onde é realizada.

600 automóveis e 300 motocicletas, segmento em expansão. E abriu o leque expositivo com lanchas antigas – uma delas, com motor Maserati, foi premiada.
Nesta edição maior ênfase foi comemorar 100 anos da italiana Maserati, com sóbria reunião destes esportivos, com os 250F e 4CLT utilizados por José Froilán Gonzales e Juan Manuel Fangio, nomes estelares nas corridas dos anos ’50. Também, marcando os 50 anos do Mustang, meia centena destes. Adicionalmente, resgate aos carros de competição dos anos ’70, com especial atenção a seus construtores e mecânicos, visivelmente envolvidos ao ver seus produtos resgatados e funcionando no hipódromo buenairense. Nos festejos, aniversários dos clubes de Mercedes, de MG, e do Fusca, comemorados na Autoclásica. É festa de clubes, componente de seu sucesso.

Tempo generoso, frio na sombra, quente ao sol. A chuva da metade da semana secou o piso turfoso da rica e variada feira de peças – Autojumble, apropriado aos similares norte-americanos e europeus -, da exposição dos veículos de produção argentina – IAME Justicialista e Rastrojero, motos Puma, Auto Union, incluindo cupê Fissore, aqui desconhecido, Borgward Isabella, Eniak Antique, ... Os argentinos, finalmente, deram atenção aos automóveis de produção local. Neste ponto o Brasil foi pioneiro.

Espetáculo visualmente rico e, em alguns casos, também com generosidade auditiva, com as velhas máquinas a vapor tocando apitos, motores de competição despertando provectos cavalos de força.

Bilheteria indicando 50 mil visitantes – destes, com certeza, uns 2.000 brasileiros e, no grupo, alguns levando nossos antigos rodando até lá.
Como todo evento sério, prêmios contidos em critérios universais, sem concessões à originalidade, libertariamente aqui permitidas.

Eleito Best of the Show, raro Voisin V28 Chancellierie Berline de Voyage, motor 6 cilindros, 3,5 litros, de 1936. Automóvel francês, de indústria aeronáutica, insólito ao gosto de época, porém incontroversamente criativo – e raro. Fato curioso, disputava com um Maserati A6 GTS carroceria Fantuzzi o prêmio maior, e pouco antes do julgamento final, a família do designer Gustavo Fusco, desaparecido bestamente neste ano, elegeu o Voisin como o melhor ante os conceitos de Fusco. Ocorreu um aecismo e a escolha virou a premiação para o Voisin, francês como a formação e o emprego do designer – a Renault Argentina. Premiação de duplo espectro: ao automóvel e ao reconhecido Fusco.


Sem trocadilho, Superior entre as motos – segmento em expansão, incluindo área na feira de peças – foi inglesa Brough Superior SS 100, de 1928, 1.000 cm3, motor JAP curso longo, dois cilindros em V, caixa Sturmey Archer, considerada o Rolls Royce das motocicletas. Era a moto do Lawrence of Arabia.



Uma premiação especial, pelos jornalistas credenciados, é o Germán Sopeña, profissional da imprensa especializada e recém desaparecido. Identifica o mais expressivo esportivo. No caso, um De Tomaso Pantera 1980, temperamental como seu criador, o ítalo-argentino Alejandro De Tomaso, teve um chilique, não rodou até a rampa de premiação.

Autoclásica é evento reconhecido pelo governo federal e cumpre agenda social: parte da renda formada pelos 80 pesos como entrada (câmbio paralelo uns R$ 16) e estacionamento, 50 pesos (uns R$ 10) é revertida a equipar hospital infantil e a fundação de cursos profissionalizantes da área do automóvel antigo.

Novas placas no Mercosul
Acordo entre Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela aprovou modelo e operação para placa de licenciamento único no âmbito do Mercosul. Brasil, mais adiantado no tema, pois dimensões das placas nacionais são idênticas às de outro bloco econômico, a União Europeia. No visual, fundo branco, letras pretas, combinação de quatro letras e três algarismos.

Em Argentina e Venezuela vige em 2015 – ambos estão no limite das combinações alfa numéricas para licenciar a frota. Aqui, talvez em 2016, aplicável a todos os novos veículos. Falta regulamentação pelo Denatran. Legalmente serão aplicadas aos veículos licenciados a partir de sua vigência. Entretanto, como os caminhões pesados tem ampla vida útil, a questão principal é de caráter documental. A nova placa dispensará processos de pré inspeção, hoje exigidos para comprovar que caminhões e ônibus nacionais atendem às exigências dos países vizinhos. Novas placas dispensarão tal documento, com passagem mais rápida pela fiscalização alfandegária.

Automóveis antigos, informa a Fundação Memória dos Transportes, mantenedora do Museu Nacional do Automóvel, em Brasília, estarão protegidos pela regulamentação nacional. Manterão a placa preta, e símbolos alfa numéricos diferenciados em cinza prata refletivo.

Roda-a-Roda

Negócio – Oportunidade a pequenos fornecedores brasileiros: vender para a AutoVAZ, empresa russa controlada por Renault-Nissan, mais conhecida como fabricante dos Lada. Bo Andersson, nº1 da companhia quer abrir oportunidades a auto partistas fora da Rússia.

Competição – Em entrevista à alemã Automobilwhoche promete três produtos novos em 2015. Conhece pouco do mercado brasileiro e na região foca apenas em Peru e Nicarágua.

Blindagem – No grande programa de salvação, reformulação interna, compra da Chrysler, visto entre o brilhante ou a loucura, a família Agnelli, controladora da Fiat, baixou regra para votação nas assembleias de acionistas: cota de fidelidade a detentores de ações por três anos, a dois votos por ação. Houve um giro grande.

Resultado – A famiglia, por sua holding Exor, ampliou o poder de voto a 46,6%, tornando difícil a tomada de controle por qualquer movimento hostil. Vamos combinar, empresa familiar é empresa comandada pela família, e o recente exemplo dos contemporâneos Peugeot, forçados a se unir ao governo francês para ter maioria em sua empresa, mostrou o acerto da regra.

Crescendo – Na lista das 100 Melhores Marcas Globais, Kia continua crescendo e cravou a 74a posição. Foi 89a em 2012 e 85a em 2013. Um dos fatores de valorização da marca e crescimento de vendas é atribuído à contratação do designer– e hoje presidente - Peter Schreyer em 2007.

Brazuka – Motores produzidos por acordo entre a chinesa JAC divisão de caminhões, e a holding norte americana Navistar, é projeto de engenheiros da MWM Brasil. Eram montados e serão produzidos à base de 200 mil/ ano.

Quais – Inicio com engenhos de 2,8; 3,2; e 4,8 litros, potência entre 88 KW (110 cv), 118 kW (147 cv) e 140 kW (175 cv). Motor maior, 7,2 litros em 2016.

Peculiaridade – Analistas do setor interpretam sinais do mercado: compradores urbanos querem veículos pequenos – não exatamente baratos – mas com diferenças visuais, de conteúdo, conforto e elegância. PSA, Peugeot Citroën, interpretou na linha DS, agora transformada em marca.

Ajuste – Visão da Renault foi criar novo pacote de decoração e conteúdo, o Initiale Paris. Aplicou-o ao Clio – o atual, francês, duas edições mais novas relativamente à sul americana – custando quase 20% mais.

Caminho – Aqui sabiamos disto. Basta ver os 1.0 topo de linha – e de preço.

Ditadura PP – Parece, ares da democracia automobilista arejam a Ditadura PP – a dos carros preto ou prata. Informa portal WebMotors, pelos anúncios de carros usados com valor entre R$ 20 mil e 40 mil, os prata caíram 10,66%, enquanto azuis e brancos baixaram  menos, uns 8%.

Clima – Revenda Hyundai Rodobens comemorou vender mil HB 20 em dez meses de operação. Fez festa em São José do Rio Preto, SP, origem do poderoso grupo – banco, financeira, consórcio, corretora de seguros, leasing, locação, 4.000 colaboradores e faturamento anual de R$ 4B.

Ponte – Ducati, a Volkswagen em motos, novo plano de financiamento: 30% de entrada, 23 meses para pagar e, na 24ª prestação, de 50% do valor inicial. Nessa ocasião, possibilidade de recompra garantida pela revenda, servindo de entrada para exemplar dois anos mais novo.

Mercado - É fórmula de baixar o valor das prestações – afinal, financia apenas 20% da moto; fomentar vendas, fidelizar clientes. Com tantos fabricantes, moto grande se tornou segmento e deixou de ser nicho.

Comemoração – Bardhal, de aditivos e lubrificantes, inicia festejar seus 60 anos no Brasil, e o faz pelo facebook Bardahl/Br. Exibirá peças publicitárias marcantes da história e da evolução da marca.

Mais – Sede da empresa, beiradas de S Paulo, em Cajamar, mantém centro de memória com detalhes de sua história. Agendar visitas, 011.4698.8611.

Imprensa – Auto Agora, programa especializado no setor automotivo, expandiu-se. Além do Blog Autoagora.Blogspot.com, vai ao ar pela rádio Transamérica Light de Curitiba, 95,1 Mhz. Á frente o jornalista Edison Ragassi.

Antigomobilismo – Eugênio Leite, jeitoso, interessado, sempre disponível às causas institucionais, tratado como o Príncipe dos Advogados do Litoral Norte paulista, aposentou. Dedicar-se-á, tempo quase integral, a seu rico acervo de veículos antigos, integrando o Museu do Automóvel em Ubatuba.

VW Group deve ser líder mundial antes de 2018
O projeto mundial da empresa focava número emblemático, 10 milhões de unidades, entendido bastante para assinalar superioridade sobre os principais concorrentes, a GM e, acima, a Toyota.

Entretanto o projeto, inicialmente visto apenas uma bandeira de marketing, mostrou-se factível, verdadeiro, e tem-se sido favorável. O conglomerado de 12 marcas, de motocicletas a caminhões pesados, vistos os números conseguidos até setembro, decorridos ¾ do ano, acredita atingir os 10 milhões de unidades ainda neste 2014. No cenário de hoje a VW ultrapassou a GM, exibindo crescimento de quase 6% sobre período idêntico ao do ano passado, enquanto a GM expandiu-se em torno de 2%, e Toyota à volta de 2,5%.

Numericamente projeções indicam produção de 10.350.000 Toyotas; de estimados 10.165.000 VW; e calculados 9.844.000 GM. A VW abriu espaço sobre a GM às voltas com seus problemas de re-call, e esta distância parece difícil de ser reduzida. Será a primeira vez que uma montadora – no caso duas – venderão mais de 10 milhões de unidades num ano.

A pretensão da empresa pode se viabilizar antes do ano 2018. A distância percentual a separá-la da Toyota é de 1,65 ponto e, em tradição recente a marca alemã tem crescimento superior à japonesa – neste ano a diferença deve ser em torno de 3 a 3,5%. Em prática otimista significa disputa renhida em 2015, com possibilidades de atingir a liderança três anos antes.

A VW tem-se preparado com incremento técnico em seus produtos, e ações de sedimentação nos mercados com vendas desfavoráveis, como o continente americano. Ao norte a empresa quer implementar sua presença industrial, e ao sul do continente, afina a linha de produtos, motores e transmissões no Brasil e Argentina e focará nos demais mercados para ampliar sua presença. Será a primeira vez que empresa nascida no pós Guerra lidera ante as tradicionais.





quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Roberto Nasser - De carro por aí

edita@rnasser.com.br - 61.3225.5511 Coluna 4213 16.10.2013

13 a. Autoclasica. Rolls ganha, mas Fiat e Bentley mereciam
Maior encontro sul americano de veículos antigos, a argentina Autoclasica, realizada no largo – para eles – final de semana, incluindo um feriado segunda feira, 14, mostrou sua característica principal: reunião renovada de participantes deixando seus esconderijos, expondo-se à luz, acercando-se do evento. Renovação de muita qualidade, inquantificável acervo. Quatro dias radiosos, de frio com sol, sem a chuva que volta e meia a referencia, tempo e situação de vegetação primaveril, belíssimos plátanos nas alamedas do Hipódromo de San Isidro, a 20 km de Buenos Aires. Grande maioria, por raridade ou estado mereceu tratamento sintético por vogais: ah, eh, ih, oh. Uh talvez tenha havido, mas terá sido protesto mudo quanto à escolha do Best of Show.
Rolls é Rolls, especialmente nos modelos pré II Guerra, quando automóveis de luxo permitiam receber carroceria especial. No caso, o RR Phantom Sedanca de Ville, 1926, vestido por carroceria Baker. Vencedor, ao mesmo tempo servia para referenciar Alberto Lichenstein, segundo dono e atual proprietário que, decente, em fervor nacionalista, adquire veículos em chão pátrio, salvando-os de exportação, como aconteceu em quantidade industrial na Argentina e Uruguai em décadas passadas. Brasil também e, pior, continua exportando tesouros de nossa história.Reúne todas as características para a láurea, mas haviam dois outros exemplares, em condições de levar a escolha maior. Um Fiat Tipo 53 de 1911, carroceria belga Van den Plas, chamando Coupé enorme e altíssimo automóvel. Outro, britânico Bentley, carroceria especial  e peculiar em suas linhas posteriores.

Best of naturalmente indica o melhor exemplar exposto dentre a enorme quantidade de veículos preciosos. Na relação de categorias premiadas, moto BMW R32, de 1925.

Eleição interessante, pelos jornalistas presentes ao evento, do melhor esportivo, dando-lhe o Prêmio Germán Sopeña, homenagem a profissional especializado e recém passado. Levou-o a quarta unidade de Lamborghini Countach LP 400, 1974.Foram 600 automóveis, 300 motos, e barcos, carros de corrida. Crescentes os veículos nacionais, abrindo espaço na premiação, como os curiosos Citroën 3 CV furgão e um Zunder, de fibra de vidro sobre plataforma de Volkswagen. Característica importante, premiação de veículos originais, não restaurados.Como usual, prestígio a marcas com datas comemorativas: Mercedes SL Pagoda, Lamborghinis, meio século do Porsche 911, século da Bentley com impactante exposição da sóbrio-faceira inglesa. E homenagem a categorias de corridas.

Quantidade exposta diminuiu, mas o público foi recorde apesar do esvaziamento da cidade por conta do feriado. As bilheterias indicaram 50 mil visitantes. Em compensação a feira de peças, AutoJumble, como chamam, e a MotoJumble, obviamente dedicada às motos, se expandem com brio, vendendo desde preciosa literatura – Carlito  Quintana, da Bi Albero, usual vendedor em Lindóia e em Araxá, conseguiu-me o exemplar 2 da revista Autos de Época, completando a coleção do Museu Nacional do Automóvel! E coisas inacreditáveis como um colar de magnetos refeitos para Fords Modelo T – quase 90 anos após ter encerrado a produção; cabeçote para motor V de Justicialista, da meia dúzia produzida; volantes em quantidade industrial; www.tecnopiezas.com.ar vendia peças e reposições para carros ingleses, latas O km, ainda em primer de fábrica, para Jaguar XJ, e aceitava encomendas para reparos de carburador SU, e calços para motor, câmbio, desenvolvimento de peças. Outra barraca, El Aleman -sisolancia@ciudad.com.ar - dispunha-se a receber faróis e seus vidros para reparação, coisas impossíveis no mercado de reposição brasileiro.

Habilidades
A Argentina possui habilidade por nós perdida: o trabalho com alumínio. Soma-se a isto enorme coragem e o resultado tem sido o renascimento de veículos primorosos, grande parte exportada. Lá, legislação federal acabou com a produção por marcas não registradas – e não há registro. Assim, um credenciado fabricante de Lotus 7 não pode faze-los. Um industrial produz o Pur Sang, cópia do Bugatti T 35. Faz tudo: eixos, motor, câmbio, chassis, carroceria ... Inatacáveis como originais. Agora embrenhou-se pelo caminho dos Alfa. Uns US$ 150 mil permitem te-los e usá-los. São carros O km com especificações de época porém metais com tecnologia atual. Nestor Salerno, ex piloto, mago na recomposição e construção manual de carrocerias, foi empreitado para fazer série do Cisitália, projeto de Piero Duzio que revolucionou o mundo aerodinâmico. Mas nenhum deles pode ser utilizado localmente. Sem licença, são exportados.

Há dificuldade acadêmica-legal para a exportação de peças e serviços. Assim, em lugar de uma orientação argentina de como fomentar vendas, e brasileira de como fazer importações, na prática o que discutia entre interessados eram soluções criativas, digamos genéricas para receber encomendas aqui. Fomentar este comércio seria mandatório para o desenvolvimento de pequenos negócios, lá e aqui, mas governos são pouco preocupados com o varejo da realidade, voltados às grandes formulações.... Espera-se, o novo governo argentino – eleições no próximo mês – tenha outra visão.
A brasileirada usualmente presente aos milhares era inquantificada, pois a valorização do Real frente ao Peso de uma Argentina em crise, muito reduz custos para a moeda trocada em enorme ágio. Parte do clima de desvario econômico que assola o parceiro, o comércio, em especial restaurantes, propõem descontos na nota, desde que à vista ou câmbio paralelo, Reais a $ 4 pesos ou Dólares a $ 10 P, em pagamento. Para nós, baixos preços. Para eles, dinheiro oficialmente inexistente, sem recolher impostos, usado para entesourar os donos, atemorizados com o futuro econômico ante a inflação manipulada, situação onde o tomate custa mais caro que a boa carne local.

Strada abre frente em sua estrada com o três portas
Missão, manter e ampliar a diferença de vendas entre o picape Strada e os demais concorrentes, que somados não o alcançam. Caso referencial, situação invulgar, posição a ser mantida, a Fiat evoluiu a versão cabine dupla, aplicando-lhe terceira porta. Dissimulada, abre ao contrário, cria enorme espaço para acesso pela inexistência da Coluna central, e se fecha contra a porta dianteira direita. A junção forma um ponto estrutural, como se fosse da Coluna B.Esforço conjunto de vários setores da Fiat, não apenas serviço de elegante lanternagem, mas o produto mudou, com nova linha de cintura e redesenho da caçamba, bordas elevadas em 8 cm, lanternas traseiras mais elevadas, espraiando-se às laterais. No visual parece maior.  A capacidade de carga aumentou em 200 litros para a cabine simples, 120 para a estendida e 100 para a cabine dupla. O volume útil é o maior do segmento.
Seis as versões. Três de Working, carro de frotista e trabalho, com novo para choques frontal, e opções cabines curta, estendida e dupla, motor 1.4 Flex; uma Trekking, cabine dupla, motor E-TorQ 1.6 16V; e duasAdventure, cabines estendida e dupla, motor E-TorqQ 1.8 16V. Opcionais automobilísticos mantém-se listados: Locker, diferencial blocante; câmbio automatizado Dualogic; e 40 opções agora oferecidas sob a marca Mopar – da Chrysler. 11 cores, incluindo uma, tipo declaração de auto imponência, o Vermelho Opulence.

E o simplório paquímetro revoluciona a indústria

Quando Henry Ford desenvolveu seu primeiro automóvel usou os moldes e formas como base para a padronização das peças. Era, na nascente atividade, método coerente. Entretanto, por fatores diversos, haviam discrepâncias e nem todas as peças eram rigorosamente iguais.
O sucesso das vendas da marca, no foco de fazer veículos simples, operacionais e resistentes, provocou críticas sobre a qualidade prejudicada pela qualidade. Ford era rápido em decisões e soluções, consultando seu braço direito de técnica, o sueco Charles Sorensen. Este sugeriu uso de equipamentos simples. 

No atacado industrial, aferição de medidas e volumes por JoBlocks, sistema criado por Carl Johansen, também sueco, inspetor de qualidade da fábrica estatal de rifles, baseado na junção de blocos metálicos com dimensões padrão. E outro, o uso de Caliper Rule – evolução do paquímetro de Vernier, criado três séculos antes -, uma régua e suas variáveis, com duas escalas sobrepostas. Com os JoBlocks  equipe de metrologia conferia moldes, matrizes, ferramentas. Na linha de produção os montadores, paquímetros nas mãos, conferiam as peças construídas em casa, admitindo-se diferença máxima de 1/100 de polegada – 0,02 mm. Simples, porém uma sub revolução econômico industrial no processo garantindo processo, apuro, pouco refugo e qualidade no produto.

Ford associou-se a Johansen e, maior fabricante do mundo, dinamizou o uso das ferramentas de aferição, gerando hábito industrial. Até os concorrentes se tornaram clientes dos JoBlocks e dos paquímetros, micrômetros e ampla lista de ferramentas produzidas pela empresa especialista. Seu uso permeou para as indústrias menores, ferramentarias, torneiros, oficinas, ampliando a qualidade em todos os setores.