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quinta-feira, 18 de abril de 2019

Coluna do FERNANDO CALMON

Alta Roda nº 1041/341– 18/04/2019


Fernando Calmon

Pontuação em discussão

A proposta de aumento de 20 para 40 pontos em multas que levem à suspensão temporária da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), enviada pelo Governo Federal ao Congresso, precisa ser mais bem discutida. Até quando se compara com outros países, é necessário estudar a sistemática que cada um adota. Não existe uma regra geral ou mais aplicada. No Brasil há algumas peculiaridades, entre elas uma fiscalização eletrônica rigorosa, muitas vezes em forma de armadilha, pois faz alguns anos que caiu a obrigatoriedade de sinalizar sua existência, ao contrário de vários países.

Entre as distorções está o próprio processo de atribuição de pontos, que mistura faltas administrativas e infrações de trânsito. Um exemplo é o rodízio veicular da cidade de São Paulo, onde não há indicações das ruas e dos finais de placas afetados. Outro problema é o aumento recente do período mínimo de suspensão da CNH de um para seis meses. Essa mudança foi feita sem alterar os 20 pontos para suspender a CNH e isso precisaria ser repensado. 

Fica sem sentido uma suspensão de seis meses por transgressões menores. O sistema anterior estava bem balanceado, quanto mais que as multas estão sujeitas, desde 2016, a sofrer correção de valores pela inflação, em clara oposição ao processo geral de desindexação da economia. 

O valor maior até já diminuiu o número de infrações e arrecadação das prefeituras. Estas não podem utilizar esse dinheiro fora do previsto pelo Código de Trânsito Brasileiro – educação e ações de segurança como sinalização –, mas se tornou letra-morta. Que, ao menos, se obrigue então a tapar buracos e melhorar as condições das vias. 

O critério utilizado na Itália parece o mais justo. Lá a pontuação apresenta o viés educativo de aumentar a margem para suspensão da carteira em razão do número de anos em que o motorista não recebe nenhuma multa. Nesse caso, seria aceitável aumentar o limite para até 30 pontos, por exemplo, se o motorista ficasse três ou quatro anos sem cometer infrações. Aqui cada pontuação prescreve depois de 12 meses, independentemente da gravidade: andar na contramão ou estacionar em local proibido. 

As chamadas lombadas eletrônicas, apesar de muitas vezes impingirem limites completamente abaixo da realidade, pelo menos estão à vista de todos, em totens. As aberrações aparecem quando determinado radar multa 20 ou 30 vezes mais que a média dos demais, como acontece com alguma frequência e sem estudos que embasem tal rigor. 

Países com maior número de carros por habitante que o Brasil apresentam trânsito mais seguro. Basta ver o número de mortos e feridos na Europa ou Estados Unidos em relação à frota registrada. A conscientização começa nas escolas, passa por um processo de habilitação bastante rigoroso e fiscalização justa, sem pegadinhas. 

Apesar disso, há alguma distorção, mesmo no exterior. Motoristas profissionais na França, por exemplo, podem dirigir sem cinto de segurança. Basta entrar em um táxi em Paris ou outra cidade. Se perguntados, eles confirmam, alegam o cinto incomodar, mas lembram com algum cinismo que motoristas de aplicativos são obrigados a usar.

PERFIL
TOYOTA
 acaba de confirmar que produzirá a nova geração do Corolla também na versão híbrida (pela primeira vez no mundo com motor flex), em Indaiatuba (SP). Lançamento está previsto para setembro. Haverá comercialização simultânea da versão convencional, que passa a utilizar, igualmente novos, motor de 2 litros (maior potência e torque) e câmbio CVT de melhor resposta. 

NOVO Onix sedã (produção, setembro; entregas, outubro) terá mesmo um novo motor turbo de 1 litro e três cilindros. Porte é quase o mesmo do Cobalt. Um mês depois virá o hatch que, por ser menor, oferecerá versão com motor de aspiração natural. Nome Onix, nascido no Brasil, agora se torna global. Antes, só EcoSport tinha saído daqui para o mundo. 

MOTOR 1,6 L aspirado, apesar de entregar 51 cv a menos que a versão turbo THP, deixa o Citroën C4 Cactus perfeitamente aceitável em termos de desempenho. O “segredo” é o ajuste fino do câmbio automático Aisin de seis marchas e a possibilidade de acionar o modo “S” para respostas imediatas ao acelerador. Ajudam também 46 kg a menos e 4 cv a mais que o C3 Exclusive. 

CARROS autônomos continuam em desenvolvimento, mas o presidente mundial da Ford, Jim Hackett, admitiu: “A tecnologia vai demorar mais para amadurecer do que o esperado”. Isso dentro de um programa de investimento de US$ 5 bilhões. Ele ainda tem planos de, em 2021, rodar uma frota de teste, mas dentro de limitações. “Tudo é muito complexo”, ressalvou. 

SEGUNDO estudo da Bright Consulting, o estímulo de 1 ponto percentual no IPI para fabricantes que superarem a meta obrigatória de consumo de combustível em 5,7% significa cerca de R$ 400 em um modelo com preço público de R$ 50.000. Para 10,8% de economia, ganham 2 pontos percentuais de IPI, em torno de R$ 800. Nada fácil: tecnologias envolvidas são caras. 

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmo fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Roberto Nasser - De carro por aí


Coluna 2218 - 01.06.2018 edita@rnasser.com.br




Ford e o carro do seu futuro
Ford divulgou especificações, preço e atrativos para seu próximo produto, o Ka FreeStyle, a ser comercializado no segundo semestre. Tem linhas e morfologia seguindo a tendência nacional de criar hatches com jeito de utilitário esportivo, graças a pequenos truques como maior altura livre do solo, barras no teto, publicidade apresentando-os como se fossem um pequeno Land Rover. Há, também, o auxílio da imprensa, chamando-os indevidamente de Jipinhos.

Automóvel se baseia na plataforma Fiesta/Ka hoje aplicada a estes veículos, o desenvolvimento foi feito pela Ford local, em conjunto com a da Ásia. O sucesso assinalado há alguns anos pelo EcoSport mostrou a competência da equipe nacional em produzir versões diferenciadas sobre mesma plataforma, a custos contidos e com aptidão para enfrentar o selvagem asfalto de nossas ruas. A considera-lo versão enfeitada, houve amplas intervenções – veja o porquê ao final deste bloco. Mecânica é positivo desenvolvimento, com extensas alterações. Motor, antes importado e agora produzido no interior paulista, é tri cilíndrico, 1,5 litro, da moderna família para carros de países pobres. O inicial modelo brasileiro não utilizará turbo, Boost, como trata tal importante adjutório. 

Entretanto, aspirado, oferece ótima potência específica, e apesar de pequena queda de potência para a adaptação mais fina às condições nacionais, em torno de 2,5 cv gasálcool e 1,2 com álcool, oferece respectivos 128/136 cv. Transmissões automática com seis velocidades – finalmente largou de lado a problemática Powershit ... -, e mecânica 5 velocidades, com dupla sincronização nas três primeiras marchas. Para falar a linguagem do comprador, cada vez menos carro e mais conectividade, oferece tela com 16,5 cm e central multimídia. Itens para situá-lo acima de seus irmãos de linha incluem controle de estabilidade e tração, auxiliar de partida em rampa, sempre ocioso rack de teto, rodas de liga leve em 15”, e bancos com apliques em couro, tipo charme com economia construtiva.

Houve dedicação no cálculo e nas modificações estruturais, incluindo reforços, aplicação de aços especiais, em alguns pontos em chapas mais espessas para dar mais rigidez torcional e resistência mecânica à carroceria. Suspensão também foi adequada a exigências superiores ao uso apenas em asfalto bom e liso. Para maior estabilidade e conforto de rolagem, bitolas foram aumentadas em 30 mm, eixo traseiro é 30% mais rígido e a barra estabilizadora mais espessa.  Em nome da atualização estética, performance e consumo, apesar do aumento da altura em relação ao solo, na tentativa de identificá-lo visualmente como sendo réplica de utilitário esportivo, o coeficiente de resistência aerodinâmica reduziu-se ao Cx de 0,33. Carroceria mereceu tratamento fono térmico para ser o mais silencioso da categoria.

Paralelo
Para calçar atrativo de vendas, terá iniciativas homeopáticas: ao lançamento irá financiá-lo com taxa Zero% em 24 prestações. Antes, em pré venda, bônus de R$ 2.000 valorizando carro usado, com oferta das três primeiras revisões, por si só uma economia de R$ 2.000.

Preços? Pré-definidos para lançamento no segundo semestre. R$ 63.500 com transmissão manual e R$ 68.000 com sistema automático. Divulgação antecipada é para provocar o mercado.

Mais, muito
Se você achou atrativo e de bom tamanho, é mais. Para a Ford Brasil é o caminho do futuro. O Ka FreeStyle, em seu próximo retoque estético, projetado para o fim de 2019, será a síntese dos automóveis Ford na América do Sul. Recente decisão da matriz norte-americana da empresa definiu cortar prejuízos regionais, como o caso da América do Sul, minguando operações industriais. Empresa continuará a fazer e exportar motores e suas partes produzidas em Taubaté, SP, mas em termos de veículos leves próximo ano colocará Ka, Fiesta e EcoSport num funil e o resultado final será o Ka FreeStyle então renomeado Active.

Válidas as definições traçadas pelo presidente mundial da companhia ao início do ano, será o único veículo leve Ford produzido no Continente, pois além da síntese dos produtos brasileiros, o argentino Focus não será renovado. A definição, já contada pela Coluna em fevereiro, inclui desmobilizar a enorme fábrica em São Bernardo do Campo, SP, encerrando também a fabricação de caminhões. A atividade industrial ocorrerá apenas em Camaçari, Ba. A operação Troller, praticada no Ceará, tem vida garantida apenas até o final do contrato de incentivos regionais. Para manter a viabilidade econômica da rede de distribuidores com a redução de oferta, deve implementar a importação de produtos.

Não se trata apenas de mais uma versão ao mercado brasileiro, como a Ford o apresenta, mas de produto mundial incluindo o Brasil como uma das bases de produção. A Ford quer tê-lo como carro de entrada em 125 países.

VW já testa o T-Cross
Programado para lançamento no Salão do Automóvel, em novembro, e vendas imediatas, Volkswagen acelera a finalização do projeto do SAV T-Cross, empresa continua seu programa de testes. Semana passada levou-o à parte norte do circuito de Nurburgring, atualmente point para marcar comportamento extremado entre curvas e velocidade elevada – e onde, na categoria o SUV Alfa Romeo Stelvio deu um pau de fazer o Porsche Cayene perder o rumo e a pose.

Razão dos testes na Alemanha – e no circuito onde se instiga a tomada de fotos, como no caso pela revista inglesa Autocar - integra experiências internacionais pois o veículo tem a pretensão de ser mundial. Antes, durante o inverno boreal, havia sido testado na Escandinávia. O T-Cross será o segundo degrau em dimensões de grande ofensiva da Volkswagen de participar do segmento de SAVs e SUVs. Abaixo dele haverá o T-Roc e, logo acima está o Tharu, a ser produzido na Argentina.

O T-Cross é feito sobre a versão da plataforma MQB A0 hoje empregada no Brasil para fazer Polo e Virtus, e apesar dos locais de testes, será limitado a versões com tração apenas dianteira. Motorização básica, o tri cilíndrico 1,0, 12 válvulas, com potencia aumentada à casa dos 130 cv, transmissões automática e mecânica. Baia do motor também permitirá opções de 1,4, quatro cilindros, turbo; 1,6 litro, 4 cilindros, aspirado, transmissão mecânica. Dado informado pelo Autoblog, diz de versão especial, a GTS, a ser identificada pela sigla GTS.



Em julho, o Citroën C4 Cactus
Citroën fez restrita apresentação de seu modelo C4 Cactus. Algarismo pode sugerir ser maior ante o C3, produzido em Porto Real, RJ, mas a plataforma é deste conhecido automóvel, também servindo a Peugeots 208 e 2008. Tomou como base o modelo espanhol, ora em meia vida, fazendo-lhe mudanças. De maior presença visual, a redução nas dimensões das almofadas aplicadas às portas, grande caracterizador do modelo. Sem dispor de utilitário esportivo entre seus produtos, Citroën tanta aproximar o automóvel da imagem de SUV, sem sê-lo, e por isto ampliou a distância livre do solo, e aplicou barras de alumínio ao teto.

Por enquanto apenas uma motorização, frontal, transversal, o 1,6 litro quatro cilindros, 16 válvulas, com turbo alimentador e 163 cv. Tração dianteira, transmissão automática. Numa segunda série, previsível use motor 1,6 litro, aspirado, 115 cv. Dizem, vendas em julho.

Superficialidades no Ônix
GM atualizou o Chevrolet Ônix, ainda o mais vendido dentre os nacionais chamando-o modelia 2019. É o último trato antes da anunciada substituição, projeto já em curso. Novas cores. Incorporação do ESP – o auto estabilizador eletrônico -, cintos de segurança com três pontos e apoia cabeça nos cinco lugares.

Detalhes exigidos pelos clientes, como volante de direção multi função, mudança do grafismo no display digital, versões de topo LTZ e Active com revestimento em couro.

Encontro de Araxá mudou. 7 de setembro
A inexplicada greve imobilizando caminhões – quem comandava? caminhoneiros, transportadores, patrões -, encerrou mostrando prejuízos: produtos não construídos, impostos não recolhidos, produção agro pecuária com perdas irreversíveis, vidas arriscadas ou perdidas. Na área turístico-cultural, a falta de transporte provocou o cancelamento do Brazil Classics Renault, maior encontro de veículos antigos, e seu adiamento para o período 7 a 9 de setembro. Organizadores amargaram prejuízo de aproximados R$ 200 mil relativos à montagem de tenda e arquibancada para os eventos de leilão e premiação – o serviço foi realizado e não utilizado. O Grande Hotel, base do encontro, manteve as reservas, honrando a parceria de quase 30 décadas.

Vendedores de peças e partes perderam a viagem. Para transportar, instalar-se, chegam com anterioridade a Araxá, como ocorreu neste ano, sendo instados a recolher as mercadorias, re acondiciona-las para retorno.

Um outro componente foi considerado para a decisão. Num movimento sem controle, freio ou autoridade interna ou externa, concluíram os colecionadores não ser viagem pacífica transformar o transporte dos veículos caros e raros fazendo-os cruzar regiões de ânimos exaltados.

Patrocinadores, como a Renault, entenderam a causa externa como impeditiva, e mantiveram o investimento. Organizadores querem saber para onde mandam a conta dos prejuízos? Para o Palácio do Planalto, sem informação ou noção? Para as entidades se apresentando como aglutinadores dos motoristas, porém sem controle? Aos empresários de transporte, com cara de papagaios de pirata, autores de uma ridícula pauta de exigências? Para o Ministério da Segurança Pública último a saber e a se manifestar? Ou aos presidentes da Câmara e do Senado, por ação ou omissão?

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Fernando Calmon - Alta Roda - Cautela com subsídios


Alta Roda nº 995/345 – 31/05/2018

Fernando Calmon
O verdadeiro pesadelo nacional em que se transformou a greve dos caminhoneiros termina com balanço nitidamente de perde-perde. Perderam: a sociedade com prejuízos aos deslocamentos e desabastecimentos; as atividades econômicas em quase sua totalidade; o governo federal por ser obrigado a subsidiar o preço do diesel; e os próprios manifestantes porque nos últimos dias houve desgaste na imagem positiva dos que labutam ao volante de forma solidária e profissional. 



Uma das coisas estranhas no acordo entre governo e motoristas é a generalização de isenção de pedágio por eixo suspenso dos caminhões. Isso não é adotado em outros países simplesmente pela dificuldade de fiscalizar se o semirreboque ou baú está mesmo vazio. Há racionalidade em levantar um eixo para poupar pneus e combustível, mas está longe de ser uma solução correta e justa para todos os que pagam pedágio, além dos caminhoneiros. 

Esta é a quinta paralisação nas estradas desde 2000. Em todas as vezes se questiona a vulnerabilidade do Brasil quanto à concentração de rodovias nos modais de transporte. Essa “fraqueza” existe, mas não é exclusividade nossa. Na Europa Ocidental, por exemplo, o porcentual de 60% é bem próximo ao existente aqui. Mesmo nos Estados Unidos, onde a rede ferroviária é sete vezes maior que a brasileira (210.000 km, ante 30.000 km, aproximadamente), as mercadorias transportadas por estradas, em valor, representam algo perto de 60%.

Independentemente da participação inadequada dos modais, há grandes gargalos logísticos no Brasil. Como um país com 8.000 km de litoral e tantos portos continua quase a desprezá-los? Mas algo precisa ser dito sobre a participação de estradas pavimentadas na malha total. Apenas 12% não são de terra. À exceção da África, nosso país é caso único no mundo. Se essa proporção dobrasse, por exemplo, rodovias seriam competitivas mesmo em relação às ferrovias em grandes distâncias. Basta ver os treminhões em algumas estradas brasileiras. 

Subsídio ao óleo diesel precisa ser visto com cautela. Em termos de preços internacionais o país está agora, como sempre esteve, no meio termo entre o que se cobra nos Estados Unidos e na União Europeia. Mesmo em relação aos nossos vizinhos o preço não é muito diferente, sem contar a Venezuela, onde fica quase de graça. Se o preço internacional e a cotação do dólar sobem, o repasse torna-se inevitável. O ritmo dele pode se atenuar, mas alguém vai pagar de qualquer jeito na forma de impostos ou de diminuição de incentivos em outros ramos da economia. 

Bom lembrar também que picapes médias e SUVs de tração 4x4 podem abastecer livremente com esse diesel subsidiado. Na maioria dos casos, trata-se de modelos caros e de uso não comercial. Preço diferenciado na bomba é inexequível. Aumento do IPVA, específico para esse tipo de veículo-utilização, pode ser alternativa. Outra solução: voltar ao que sempre foi. SUVs só com motor de ciclo Otto (gasolina ou flex). 

Legislação de emissões para motores diesel em picapes e SUVs é muito frouxa no Brasil: pega carona no uso em caminhões leves. Sem inspeção veicular, pode se tornar um problema nas grandes cidades, cedo ou tarde.


RODA VIVA

CITROËN C4 Cactus estreia em setembro próximo, mas a marca já revelou visual externo igual ao francês, salvo rack de teto, rodas e vidros das portas traseiras (descem e não basculam, como no original). Na avaliação dos protótipos, por 250 km, o desempenho agradou. Mesmo motor 1,6-litro turboflex do Peugeot 2008, mas com câmbio automático 6-marchas. Interior foi simplificado. 



OUTRA pré-antecipação: aventureiro Ford Ka FreeStyle chega ao mercado em julho. Bem formulado, sem exageros. Trata-se de versão completa: seis airbags, ESC e câmera de ré associada a sensores de obstáculos. Preços partem de R$ R$ 63.490, mais R$ 4.500 pelo câmbio automático convencional de seis marchas. Estreia também motor tricilindro de 1,5 litro e 136 cv. 

CÂMERA de ré de série (quando há central multimídia), cinto de segurança de três pontos e encosto de cabeça para a posição central traseira são principais novidades do Chevrolet Onix 2019, a partir de R$ 54.390 (automático, mais R$ 5.300). Carlos Zarlenga, presidente da GM Mercosul, afirmou que escalada do dólar impacta de forma brusca as contas da empresa. 

MINI 2019 mudou faróis e passa a utilizar novo logotipo inspirado nos modelos dos anos 1990. Lanternas traseiras homenageiam bandeira britânica. Eletrônica geral e infotretenimento com boa evolução. Sistema desliga/liga o motor funciona agora orientado pelo GPS. Há novo câmbio automatizado de dupla embreagem e sete marchas nos Cooper. R$ 119.990 a 179.990. 

APLICATIVOS para telefone celular continuam a facilitar a vida de quem depende de prestação de serviços ligados ao uso do automóvel. A Sompo Seguros acaba de lançar um novo e específico processo de indenização de segurados, após ocorrência de sinistro. Constatação dos danos (com a câmera do celular), análise e liquidação da ocorrência ficaram mais rápidos. 


PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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sexta-feira, 11 de maio de 2018

Roberto Nasser - De carro por aí


Coluna 1918 - 11.05.2018 - edita@rnasser.com.br


Em setembro, o Citroën C4 Cactus
Formatado como um de seus apoios para recuperar vendas e participação no mercado, Citroën deu como pronta adequação sul americana do C4 Cactus ao Mercosul. Sua área regional de desenvolvimento de produto fez mudanças no original francês. Na mecânica, pouco trabalho, sobre plataforma do C3, do C4 Lounge, e dos Peugeots 208 e 2008, liderada pelo motor THP 1,6 – turbo desenvolvido com a BMW, produzindo iniciais 163 cv. E transmissão automática com 6 velocidades. Não terá tração nas 4 rodas.

Para o sul do Equador, maior altura do solo, barras no teto para vender irreal ideia de carro fora de estrada, - utilitário esportivo, SUV. Atrás, janelas com vidros sobe-e-desce.

Outra diferença estará nos chamados Airbumps, almofadas laterais em plástico aplicadas às portas, reduziram-se em tamanho, e a bolsa de ar para o passageiro deslocada à parte inferior do painel, também por razões de custos.
Carro pronto, mas comercialização em setembro, garante fonte argentina.

Das insustentáveis siglas
Simpático leitor visualiza o veículo descrito pela sigla Suv? E Sav? e Crossover?
E CUV ? E Luav ? E o morfologicamente genérico Monovolume?

Se todos fabricantes intentam descrever algum produto ou família, na prática confundem o consumidor, de universo gabaritado em formas básicas: sedã; cupê e sua variação hatch; camioneta ou perua ou station; jipe; picape. Parece cristalino, porém as variáveis criadas pelos fabricantes turvam as águas do entendimento, e a classificação, em vez de síntese, torna-se mistério tangenciando o terreno da empulhação. Na verdade todos miram a mesma imagem, a do veículo com aptidões superiores aos carros das asfaltadas vias públicas, cheios de conforto, um tipo de Range Rover de pobre. Ou, como os designa a imprensa mal formada, Jipinhos.

Sino-francesa Citroën, boa em carros, meteu-se a compor em idioma alheio, e foi-se ao inglês classificar o C4 Cactus versão sul americana. Comento, a latere, por si só a espinhenta designação deve arrepiar clientes, mesma situação dos doentes encaminhados aos hospitais da rede com o sonoro sufixo D’Or – hospital com dor?...

Citroën classificou novo produto como Hype Tech SUV Regional.
Alah, Shakespeare e Stanislaw Ponte Preta nos socorram. (RN)

O distrato Hyundai x CAOA
Ás vésperas de vencer contrato decenal de distribuição de seus produtos, coreana Hyundai avisou à anapolina CAOA intensão de não renová-lo. Empresa goiana contratou o advogado Sérgio Bermudes, um dos conhecidos em matéria de falências e recuperação, e o profissional obteve liminar, festejada pela empresa como decisão. Não o é, mas apenas o direito de continuar a operar enquanto o Juiz analisa o mérito do processo. Próximo passo consensual, corte de arbitragem em Frankfurt.

Caoa tem experiência em discutir com múltis. Ao início dos anos ’90, levada aos tribunais pela Renault para situação idêntica, fez mágicas extra processuais. Tantas, mereceu citação em livro sobre a Renault na América Latina. Nele a companhia não elogia o acróstico Carlos Alberto Oliveira Andrade.

A quizília era esperada, e há anos a empresa se prepara à contestação, ampliando sua rede própria de distribuir Hyundais, mantendo-a mesmo após a marca coreana ter-se instalado no país produzindo o HB20. Há a se reconhecer, por polêmica ou outros adjetivos pejorativos, o, a CAOA, ao contrário do que divulga, não trouxe a marca ao país, mas implantou-a. Recentemente deu outro passo importante. Em negócio a ser aclarado algum dia, adquiriu, por apenas metade do prejuízo do ano anterior, toda a fábrica da chinesa Chery em Jacareí. E atingiu o patamar desejado: dar-se ao conforto de apenas discutir números indenizatórios com a Hyundai, mantendo atividade industrial e comercial com a Chery.

Crescer, comunicar, a nova direção da FCA
Novo presidente da FCA Brasil, Antonio Filosa, 44, italiano de Nápoles, iniciou gestão em périplo pelos principais mercados da marca, encontros de uma hora com revendedores, principais clientes, autoridades, imprensa. Ao contrário do antecessor Stephen Ketter, brasileiro, porém o mais alemão dentre os germânicos, não é o dono da verdade, não incorpora o espírito de GPS, quer comunicar-se.

Tem perfil desejado pela administração superior: foi diretor das Fiats do Brasil e da Argentina, passou por áreas fundamentais à formação de gestor maior, como manufatura, processos industriais e compras. Com o país tem maior identificação: vivência, casamento com mineira, e pequeno herdeiro belo-horizontino. Gestão de sua carreira, mudança de postos, embute regra não escrita, produto da grande diferença entre regiões e perfis dos habitantes da Itália. Na matriz Fiat quando querem formulações chamam os milaneses; para adequabilidade, avocam os turineses, ambos elegantes superiores na hipotética organização militar espelhada pela companhia. Mas para fazer, vão buscar os napolitanos – os sargentos do fazer acontecer. 

Tudo a ver com a função, com dosagem de latinidade hábil a entender o meio ambiente, permear-se com os comandados. Não terá missão fácil. A Fiat era líder vendendo veículos novos montados a partir de recortes sobre partes antigas. Agora, reformulada, produtos novos – e sobretudo enorme ganho de qualidade no produto e seus processos -, caiu para terceiro lugar em vendas. As relações com os operários se abespinharam, e com rede de distribuição foi à Justiça.

Filosa não focará retomar ou comprar a liderança, mas manter o equilíbrio entre produção, vendas e lucros. Deu informação interessante: desenvolvimento de seus produtos considera as exigências quanto à segurança estrutural pelo LatiNCap, o instituto mundial avaliador de segurança a usuários, submetendo veículos novos a impactos padronizados.

Sua gestão implementará conquistar vendas na América Latina. Caso do Chile, renhida praça, e onde estão, democraticamente, quase todas as marcas do mundo, dividindo 200 mil unidades anuais. Lá abriu escritório para fomentar vendas a partir da cobertura de ponto fundamental: assistência técnica.

A nova política de produtos da Fiat restringiu opções. Hoje nos salões dos revendedores há Mobi, Uno, Argo, Cronos e picapes Strada, seu desdobramento Fiorino, e Toro. Produto novo, apenas o picape Strada em 2020. Na ponte de tempo, pequenas alterações e atualizações. Na prática, vendas plotadas em preço e promoções.

Centra adequar produtos ao formidável momento do agronegócio, consumidor da linha Jeep e dos picapes Fiat, como claro nas feiras agropecuárias, tipo salão do automóvel a usuários de canivete, bota, chapéu.

Para o mercado nacional Filosa projeta vendas totais de 2,4 milhões de unidades no corrente ano. Na área coberta por suas responsabilidades, alterou-se o equilíbrio com vizinhos, Brasil evoluiu de 50% do mercado, e neste exercício atingirá 65%. América Latina 2,1M: Argentina 0,9M; demais países 1,2M.

Roda-a-Roda
Data – Indústria automobilística mundial focada no 1º de junho. Nele, o Capital Market Day, rótulo FCA ao balanço apresentado aos acionistas, representantes de capitais, governos, imprensa, e Plano Quinquenal para sua marcas.

Futuro – Define capitais para crescer marcas e produtos, localização de fábricas, alocação de recursos, fim ou princípio de produtos, negócios, desenvolvimento de regiões com implantação de fábricas, ou seu fenecer com o cessar.

Momento – Data importante, traça o futuro. Pouco se sabe, mas Antonio Filosa, novo presidente da FCA na América Latina, adiantou terá mais investimentos na região – aqui a Fiat tem excelente lucratividade.

Prática – Também na região, em produto, FCA, após sucesso da linha Jeep, insuflará mercado para os picapes RAM. A Alfistas, e a marca FCA mais desejada – e desprezada no mercado brasileiro – mais estudos...

Aqui – Verba para novos veículos sobre plataforma atual, aplicada a Argo e Cronos. Primeiro, novo picape, substituindo o líder Strada. Largo prazo: 2020.

Marco - Data especial. Definirá saída de Sergio Marchionne do comando executivo da empresa; apresentará sucessor por ele indicado; os plano-produto para os próximos 5 anos.

A latere – Marchionne, ítalo-canadense, rico por ter recebido e investido em ações da empresa que ajudou a triunfar, não sairá do cenário, garantido como dono de percentual na Exor, holding controladora da marca, e presidente da Ferrari. A recuperação da Fiat, sua transformação em FCA, a excepcional valorização, formam case de administração.

Segredo – Não se crê em eventual anúncio da veracidade sobre a especulação de sinergia acionária entre a Ford e a FCA, desejo do presidente Donald Trump.

Duster Turbo – Renault testa o Duster II: plataforma atual, porém carroceria mais longa 10 cm; motor L3, 1,3, turbo, 130 cv. Produção em Curitiba. 2019.

Recorde – Toyota Argentina prevê recorde em 2018. Velocidade de produção, 90” por veículo, indica 143 mil unidades, 14% mais sobre as 125 mil da capacidade instalada.

Panorama – Vistos números do primeiro quadrimestre, projeta-se grande disputa de preços e vantagens entre GM e Volkswagen. Primeira cresceu 15,% em vendas, abaixo dos 20% do mercado. VW marcou 38%. Mantida tal diferença GM perderá liderança do mercado de veículos para a VW.

EUA – Longo braço da justiça norte-americana chegou a Martin Winterkorn, 70, alemão, ex poderoso presidente da Volkswagen. Corte em Detroit, Mi, aceitou denúncia por crime relativo à falsificação dos índices de emissões pelos automóveis diesel da marca. Veem-no responsável.

DieselgateComo chamado, aplicava programa para driblar a fiscalização. Incontáveis veículos envolvidos, mais de US$ 30B em gastos pela VW, nove indiciados, dois cumprindo pena, e uma lição mundial: mais barato consertar o problema que mascará-lo. Se condenado, não será extraditado, mas não é mais o executivo vitorioso. Muito pelo contrário, é recolhido senhor.

Investimento – Tens grana? Gostas de aparecer? Nem precisa apreciar carros, mas a quem com tal perfil, oportunidade na área: dia 12 a casa inglesa de leilões Sothesby’s levará a martelo um Lamborghini O Km, modelo Huracán, RWD, coupé, branco com distintivos frisos dourados, cores do Vaticano. Previsão de arremate curiosamente baixa: entre 250 e 350 mil euros – R$ 1M e 1,5M.

Origem – Barato ou caro, pouco se dá. O diferencial importante, está no fato de conter autógrafo do Papa Francisco, recebido como doação do fabricante, para ser leiloado. Valor apurado irá a obras pias: 70% para a cidade de Nineveh, no Iraque, destruída pelo Estado Islâmico.

Comprando o Kwid pelo telefone
As grandes mudanças nos processos de produção e comercialização de veículos, dando novas formas para chegar ao mercado, atualmente em enormes alterações, induzem novas soluções. Renault deu passo corajoso ao formular o Kwid, abrindo novo caminho como forma de compatibilizar desenho e forma de agrado do consumidor com o menor preço dentre os carros nacionais. Sucesso ao lançamento, fabricante fez segundo passo de operação e diferenciação, o K-Commerce

É abreviatura de Knowledge Commerce, comércio de conhecimento, bem adequado às demandas de interatividade hoje presentes no mercado. Por ele, consumidor consegue comprar um Kwid: escolha de versão, equipamentos, cor; a forma de pagamento: à vista, financiado, dando carro usado como entrada, recebendo boleto e realizando pagamento, fazendo todas as operações por tablet, smartphone ou computador. No entendimento via máquina, terá previsão de prazo de entrega e, na prática, irá ao concessionário apenas para receber seu Kwid – ou também entregar o usado.

Renault aplicou-se decisivamente para viabilizar o uso do K-Commerce: três equipes no Brasil, França e Canadá, 53 pessoas, 44 dias de 24h para compatibilizar 15 programas – da avaliação do usado, aprovação e moldagem do financiamento, entrada no programa de produção da fábrica.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Roberto Nasser De carro por aí

Coluna 0118 - 05.01.2018 - edita@rnasser.com.br 
Novidades na retomada do mercado

Benvindos ao novo ano os apreciadores de novidades automobilísticas. Serão muitas, em período  movimentado, com o fim da queda das vendas, a estabilização, e a retomada do crescimento no setor. Estabilidade no país, seriedade na gestão econômica, queda da inflação e confiança nas ações governamentais auxiliaram deter e reverter a espiral negativa. O ano findo, relativamente a 2016, apesar de números ainda não consolidados, mostrou resultado positivo – aumento de 25% nas exportações, e vendas internas crescendo a grosso modo em 10 %. Melhores expectativas para 2018: 15%.

Nada é unanimidade. Assim, apesar das projeções otimistas, dado importante a considerar, no varejo do varejo, é o número de dias úteis para venda dos veículos novos. E o exercício de 2018, aos descompromissados com o trabalho, é um porto de ociosidade num oceano de maré mansa. Serão 12 feriados federais, quatro deles em datas separadas do fim de semana, induzindo uma ponte de ausências, fora outros, inexplicáveis, criados pelas igualmente sem explicação Assembléias Legislativas estaduais.

Também, eventos importantes, subtraindo atenções, como a Copa do Mundo de futebol e jogos com jornada de trabalho reduzido, e eleições.

O que
Mercado brasileiro não é exceção e preferências vem moldando o segmento dos utilitários esportivos, carros atléticos e crossovers – rótulos difíceis de classificar, porém percebidos como dotados de cara valente e elevada posição para dirigir. Foi a fatia de maior expansão em 2017 e deverá manter velocidade ascensional.
Ano se inicia com apresentação do Virtus, menor sedã VW. Logo a seguir, o Fiat Cronos com direcionamento idêntico, e a revisão estética do Honda City, com agregação de itens internos e mais ESP – o programa de estabilidade sempre adiado pelas autoridades brasileiras e argentinas. 

No campo dos sedãs de maior porte Mitsubishi manteve o Lancer em produção ao menor preço do segmento, e Volkswagen terá o Jetta sobre a plataforma dita MQB, comum ao Golf. No formato sedã Ford suprimirá tal versão para o Focus, e encontrar o Renault Fluence nas revendas será caso para unidade remanescentes. Marca desistiu do produto, perdeu a oportunidade de fazê-lo atrativo aos serviços de Uber e que-tais. Sem atrações novas Ford apenas terá iniciativa com a volta da opção 4x4 para o EcoSport. 

Dentre as marcas tradicionalmente líderes do mercado, houve perda de liderança pela Fiat, alternando entre 3º e 2º lugares com a VW. GM foi a mais comprada, Ford se equilibrou precariamente em 4ª posição, com Renault em crescimento cadenciado enchendo a quinta posição.

Novidades deverão marcar a chinesa Chery, única com tal origem a viabilizar-se no país. Agora comandada pela CAOA dos Hyundai, assumindo gestão operacional, e compatibilizará estrutura industrial. Na prática significa democratizar o espaço da fábrica de Anápolis onde até agora são montados apenas os utilitários da sul coreana Hyundai. Negocialmente a CAOA comprou a solução de manter-se no mercado quando encerrar seus negócios industriais com a Hyundai, e no varejo solver o problema maior da Chery: garantir produção independentemente das vontades e constantes problemas e interrupções comandadas pelo sindicato dos metalúrgicos na área de Jacareí, SP, onde é a fábrica da empresa chinesa. Corre com adaptações para utilizar a base do Celer, criando novo SUV.

Esta morfologia, a de maior interesse do público, será adotada pela Toyota, importando versão atualizada do Prado, maior ante o SW4; pela Peugeot com o 5008; Renault representada pelo Koleos.

Volkswagen acordou de sonho letárgico e entrará com vontade em tal segmento com o T-Cross, SAV sobre plataforma do sedã Virtus, a ser feito na Argentina, substituindo o CrossFox. Também, do México importará o Tiguan ampliando opções no setor.

Domesticamente novos concorrentes com o Citroën C4 Cactus. Da marca traços e mudanças de conteúdo caracterizando meio ciclo do C4 Lounge, mudando a frente, seguindo o modelo chinês. Toyota fará o Yaris, meio termo entre o Etios e o Corolla.

Em picapes, novidades. Fiat prepara substituir o líder Strada a partir da cabine com detalhes assemelhados ao Argo, e Volkswagen gesta versão maior do Saveiro para estar presente no segmento superior aberto por Renault Oroch e Fiat Toro. Renault distribuirá no Brasil o Alaskan, sua versão sobre o primo Nissan Frontier, a ser feito na Argentina. VW iniciou vender experimental e promocionalmente o também argentino Amarok com motor diesel V6, e terá presença consistente no setor em 2018 aproveitando a maior disposição distintiva concedida pelo aumento de cilindrada.

Veículos importados sofrerão queda nos primeiros meses, por reposição de estoque ou permitirão limpar o pátio de modelos antigos, consequência do não entendimento entre os ministérios da Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio quanto ao novo parâmetro à indústria automobilística, incluindo a importação. Até o final do ano vigiram regras do Inovar-Auto, alegoria lulo-petista protetora da falta de competição e da baixa produtividade. Seriam substituídas pelas constantes do programa Rota 2030, mas sem acordo quanto a incentivos e ônus pelas regras não baixadas. Assim, sem saber o futuro – e o quantum de imposto a pagar -, garrotearam-se as importações. No mesmo terreno pantanoso está o futuro das linhas de montagem brasileiras para Mercedes, BMW e Mini, Jaguar/Land Rover, Audi, considerando se terão preço menor e lucros superiores mantendo a atividade da montagem superficial no país – ou se apenas importarão os veículos prontos. Audi pré definiu-se e enfatizará novos produtos, como o A2, de menor preço – e maior demanda.

Não se exclua a reduzida probabilidade de formalização e implementação dos acordos entre Mercosul e União Europeia auxiliar inflar o mercado fomentando presença de novos produtos, de importação facilitada pela isenção de impostos alfandegários, base do acordo.

Em 2018 inexistirão novos fabricantes de veículos leves. Planos e projetos foram atropelados pela economia, pela retração do mercado, pela aceleração de custos. Daí não se aguardar os JAC T40 e T50 com os quais o grupo nacional SHC intenta abrir e manter caminho no mercado com tentativas anunciadas na Bahia e em Goiás. Geely, também chinesa, representada pelos acionistas da operação nacional da KIA, talvez retorne a conta gotas com montagem no Uruguai e complementação de conteúdo regional. 

Sempre prometida, a fábrica da Zotye em Goianésia, Go, promete acelerar a partir da montagem de motos elétricas em março e picape com a mesma tração antes do final do ano.


Caso viabilizado o crescimento previsto para o exercício de 2018, número final deverá arranhar os 2,4 milhões de unidades. Número e comportamento indicarão a consolidação da retomada do retorno para a expansão

Provocar vizinhos, cunhados, contar histórias? É com o Audi RS3

Audi inicia vender versões Sportback (hatch) e inesperada configuração sedã do competente RS3. Trata-o como a bandeira maior da marca hasteada para marcar o espaço dos compactos Premium. Harmonizou mecânica, aplicou equipamentos para compatibilizar estamina, performance, segurança e exigências de conforto e infodiversão aos clientes.

Motor de cinco cilindros, o mais potente do mundo na configuração de 2,5 litros de deslocamento, dois sistemas de injeção – um na cabeça do pistões -, outra no coletor de admissão, mais turbo alimentador e sistema de abertura das válvulas obtém 400 cv de potência e 480 Nm de torque a partir de 1700 rpm. Na prática tal conjunto oferece consistente aceleração, indo da imobilidade aos 100 km/h em 4,1 segundos. O dimensionamento mecânico para permitir tal proeza inclui tração integral nas 4 rodas, transmissão automática S Tronic, e um enlace operacional entre direção, câmbio, gerenciamento do motor, ESC – o sistema eletrônico de estabilidade.

Como comparativo com o Audi A3, é rebaixado 25 mm; a bitola dianteira mais larga em 20 mm. No desenho, grade frontal preta brilhante, grandes tomadas de ar, faróis em LEDs com a assinatura luminosa da marca, uma das líderes neste componente. Internamente, o Virtual Cockpit permite adequar instrumentos à vontade do condutor, como deslocar o conta giros para o centro da tela. Nela, dentre informações, cores indicam momento da troca de marchas.
Estofamento em Napa Fina, comando de luzes do sistema de infodiversão no volante, som Bang&Olufsen 705 watts.

Preço ? Inicia em R$ 329.990.