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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Coluna do FERNANDO CALMON

Alta Roda nº 1064/364– 26/09/2019

Fernando Calmon
Hyundai HB20 reagirá à altura

Quando o HB20 foi lançado no Brasil, em setembro de 2012, surpreendeu pelas linhas atraentes e qualidade construtiva. Recebeu pequenas atualizações e até motor turboflex de três cilindros que não tinha desempenho destacado. Porém, com as versões sedã (HB20S) e aventureira (HB20X), tornou-se a segunda família de automóveis mais vendida no Brasil, em luta próxima com o Ka, mas algo distanciado do líder Onix.

A segunda geração chega exatos sete anos depois, iniciando com o hatch. Em novembro e dezembro, as duas outras versões. Decidiu ousar no estilo com grade frontal superdimensionada e contorno cromado, que no sedã não causou tanta estranheza como no hatch. A solução estética para a coluna traseira do hatch também provocou questionamentos. O sedã ficou mais harmonioso graças às linhas do teto. Em ambos, as lanternas traseiras agradam. Nas versões de topo as maçanetas são cromadas, como forma de indicar uma subida de nível.

O carro cresceu a fim de corrigir seu interior acanhado e se alinhou à tendência liderada por VW Polo, Fiat Argo e agora os novos Chevrolet Onix. São 3 cm a mais na distância entre eixos e 2 cm na largura. No banco traseiro houve ganho de 5 cm para joelhos e 1 cm para cabeça. Volume do porta-malas do hatch ficou igual, enquanto no sedã são 25 litros extras.

Interior também evoluiu, principalmente nas versões de topo. Destacam-se a opção de acabamento marrom escuro, bancos de couro com boa sustentação lateral e grande tela flutuante multimídia de 8 polegadas com pareamento para aplicativos de rotas e câmera traseira acionável a qualquer momento. Há duas portas USB no console, mas apenas uma permite alta corrente (2 A). O volante novo, de ótima pega, inclui borboletas para trocas de marchas do câmbio automático. No quadro de instrumentos, o velocímetro é digital e o conta-giros analógico, arranjo correto.

O motor turbo agora dispõe de injeção direta, potência de 120 cv e 17,5 kgfm, com níveis baixos de vibração e ruído. Há ainda os de aspiração natural de 1 litro (3 cilindros) e 1,6 litro (4 cilindros), sendo este com 130 cv (2 cv extras). O motor turbo foi contido para manter o consumo baixo: 10,2 e 14,2 km/l, cidade e estrada, gasolina; 8,2 e 11,8 km/l, etanol. O turbo acelera de 0 a 100 km/h em 10,7 s, ante 10,5 s do 1,6 aspirado. Suspensão e direção continuam muito bem acertadas, mesmo em piso irregular.

Nas versões mais caras há quatro airbags e controle de estabilidade (ESC) de série. Grande salto tecnológico está no sistema automático de frenagem (AEB, em inglês), capaz de evitar os acidentes mais comuns no dia a dia. Exclusividade entre compactos nacionais, funciona a até 50 km/h e detecta pedestres e veículos convencionais (bicicletas, motos e animais, não). O AEB e o sistema de alerta de invasão das faixas de rolamento, capaz de memorizar a pintura padrão e entender que podem ter-se desgastado, estão só no topo de linha, Diamond Plus.

Há nada menos de 22 preços, para as três versões da família HB20, entre R$ 46.490 e R$ 81.290. São menos competitivos que os novos Chevrolet Onix. A Hyundai, porém, pretende observar a reação dos concorrentes. Se a GM conseguir manter a precificação atual, todos terão de se mexer.

ALTA RODA

TOYOTA confirmou investimento de R$ 1 bilhão na fábrica de Sorocaba (SP) para produzir seu primeiro SUV no Brasil, sem antecipar em que segmento atuará. No entanto, utilizará a mesma arquitetura do novo Corolla. Mais provável é o porte do Jeep Compass e do futuro VW Tarek. Início de fabricação previsto para o primeiro trimestre de 2021.

ROTA 2030 começa a receber recursos para seu importante capítulo de Programas e Projetos Prioritários. Primeiros protocolos foram assinados entre Anfavea e cinco entidades de fomento à pesquisa e inovação. Financiamento vem da alíquota de 2% para autopeças importadas sem similar nacional. Fornecedores, antes desamparados, terão acesso a novas tecnologias.

SEDàtradicional A6 e sedã-cupê A7 demonstram a Audi atenta a esse segmento de porte grande. Mais impressionantes são os 5 m de comprimento. Motor comum aos dois é um V-6 turbo de 340 cv e 51 kgfm. Na extremidade da tampa do porta-malas há um aerofólio. Internamente tem três telas e acabamento de primeira linha. R$ 426.990 (A6) e R$ 456.990 (A7).

KIA CERATO foi todo reformulado. Estilo é inspirado no Stinger e melhorou coeficiente aerodinâmico (Cx 0,27). Há uma estreita faixa acrílica unindo as grandes lanternas traseiras. Está 8 cm mais comprido e 2 cm mais largo. O motor, um 2-litros flex de 157/167 cv (gasolina/etanol), elevou bem o desempenho. Vem do México sem imposto de importação. R$ 94.990 a 104.990.

DEPOIS de aprovada sua recuperação judicial, a SHC apresentou quatro modelos elétricos da JAC: iEV20 (crossover subcompacto), iEV40 (crossover compacto), iEV60 (SUV médio) e iEV 330P (picape média). Todos importados da China, onde a produção de baterias é volumosa. Mas os preços desencorajam: R$ 119.900; R$ 153.900; R$ 198.900 e R$ 229.900, respectivamente.

PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmo fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Fernando Calmon - Alta Roda - Autônomos em foco

Alta Roda nº 972/322 30– 2114 023– 0oda nº852/1211508– 2oda nº851/2017

Fernando Calmon
Um debate interessante começa a tomar corpo nos Estados Unidos à medida que avançam as pesquisas para chegar ao almejado nível quatro de carros autônomos. Ainda se desconhece quando essa tecnologia estará suficientemente desenvolvida e todo o arcabouço jurídico montado para permitir a um automóvel se autoguiar. Cinco anos para os otimistas e dez anos para os realistas são as previsões mais recorrentes.

Paira, porém, outra dúvida. Esse recurso estará mais difundido em veículos puramente elétricos ou em híbridos plugáveis? A resposta parece estimular discussões, segundo artigo de publicação recente no site americano The Verge. Ocorre que os fabricantes de veículos e os de equipamentos e programas de computador concluíram que a automação é grande sorvedora de energia elétrica nos veículos. 

Isso pode implicar escolhas a partir de agora. O veículo apenas com motor a combustão está livre de limitações. Outro, exclusivamente elétrico e que deve rodar bastante em vários serviços para poder pagar os custos, teria sua autonomia diária reduzida em pelo menos um terço. Aí entraria a opção pelo híbrido que associa motor elétrico e convencional. É mais barato que o elétrico puro e suportaria melhor a demanda de energia da parafernália eletrônica. 

Do ponto de vista exclusivamente econômico, a opção pelo híbrido parece a mais rentável e prática. Carros autônomos podem se tornar um grande negócio tanto para transporte de pessoas como de mercadorias. Claro, a opção elétrica iria gerar menos poluição localizada; porém, se houver limitações de uso e reabastecimento lento, a prática comercial ficaria comprometida. 

Enquanto se discute, desde já, a aplicação comercial de veículos autônomos, a utilização por motoristas comuns no seu dia a dia abrirá outras possibilidades. Uma delas começa a sair da toca de mansinho, nos tempos atuais de nível dois e, um pouco mais adiante, de nível três de automação (neste caso, uma intervenção eventual no volante pode tornar-se necessária). A General Motors, nos Estados Unidos, passou a oferecer compras a bordo do carro por meio do sistema multimídia comandado por voz. 

Estaria, assim, aberta nova fonte de receita para os fabricantes, pois com o tempo motoristas e ocupantes iriam além de apenas encomendar pizza, comprar ingresso ou fazer reserva em restaurante. No nível quatro de automação, o ambiente interno do carro seria equivalente ao de um escritório com todas as possibilidades e interações de um computador de tela grande e alta resolução. 

De outro lado, veículos autônomos deixam tempo livre a ser preenchido por diversas funções, de lazer a culturais, durante o tempo de deslocamento. Por isso mesmo, a Renault anunciou, na Europa, poucos dias atrás, a aquisição de 40% do capital de uma editora na França que publica cinco revistas. 

Segundo o comunicado distribuído pela marca francesa, os motoristas europeus gastam, em média, cerca de duas horas por dia em deslocamentos casa-trabalho-casa. Com o desenvolvimento de automóveis conectados e de tecnologia autônoma, novas possibilidades de negócios surgem e, entre essas alternativas, está não apenas trabalhar a bordo, mas um pouco de diversão também. 

RODA VIVA

ESCALADA de modelos inéditos que a VW projeta até 2020 será mais suave em 2018. SUV compacto T-Cross, previsto para a fábrica paranaense, terá início de produção só em 1º de janeiro de 2019 e lançamento em março. No próximo ano será a vez dos câmbios automáticos: além do Polo MSI (1,6 L), em maio, Gol e Voyage trocarão os automatizados pelos Aisin de seis marchas. 

PORSCHE Panamera e-Hybrid chega apontado como automóvel de menor consumo em estrada: 26 km/l pelo programa de etiquetagem. Preços do sedã-cupê: de R$ 529.000 a 1.242.000, pouco abaixo dos modelos a gasolina em razão de incentivos fiscais. No modo 100% elétrico pode ir a 140 km/h e, sem acelerar muito, autonomia elétrica é de 50 km. Mix previsto: 60% das vendas. 

CÂMBIO automático CVT do Honda Fit 2018 EXL melhorou sua economia de combustível e as respostas ao acelerador estão menos “frias”. Retoques de estilo, para-choque traseiro que (agora) protege mais a tampa do porta-malas, faróis e luzes diurnas em LED e sistema multimídia fácil de usar destacam-se. Continua ausente regulagem de altura do banco do motorista. 

GRUPO SHC continua a apostar em negociações para contornar o imbróglio jurídico e afinal montar fábrica da chinesa JAC no Brasil. Acertou agora com o governo goiano e, tudo indica, utilizará instalações em Itumbiara, onde antes o Grupo HPE montava o Suzuki Jimny (agora em Catalão, GO). T40 está confirmado para 2019 e, em seguida T50. Investimento: R$ 200 milhões. 

DONA do aplicativo em que caroneiros ajudam nas despesas do motorista em viagens rodoviárias, a filial da francesa BlaBlaCar planeja, até meados de 2018, começar a gerar receita aqui. Segundo Ricardo Leite, executivo no Brasil, a fórmula ainda está em estudos. Na França custa 13% para cada caroneiro. Alternativa seria assinatura ou passe flexível pelo serviço. 


PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).

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