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terça-feira, 22 de julho de 2014

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

Wagner Gonzalez
Que faaase!

Felipe continua comendo o carro que o asfalto amassou, enquanto Valteri outra vez põe suas botas no pódio em que Nico ocupou o lugar mais alto; veteranos da F-1 apóiam Massa e dizem que fase ruim sempre acaba. Batidas, toques e arquibancadas pouco ocupadas marcaram GP da Alemanha

Tal como o PIB brasileiro, que continua sendo reajustado para baixo a cada semana, Felipe Massa vê sua cota de azar subir a cada largada. Menos mal que o número de alemães que testemunhou, domingo, mais um abandono logo na primeira curva da primeira volta foi bem menor que nas últimas edições desse GP (veja mais abaixo). 

Já no Brasil o impacto de mais um acidente logo após a largada continuou causando críticas e anedotas típicas da liberdade que a internet possibilita e promove. Poucos, no entanto, conseguem analisar essa fase com a frieza e a experiência de quem já passou por ela.

Dois nomes que entram nesta categoria são os de Alex Ribeiro e Chico Serra, brasileiros que chegaram à F-1 em tempos mais poéticos e, a exemplo de vários outros pilotos, viveram calvários similares vividos por muitos. Com a palavra, Ribeiro, que hoje dedica-se a pregar e divulgar a palavra da Igreja Batista e escrever livros:

 “Na vida, olhando pela lei das probabilidades, tudo é na base do 50/50 e, na média a gente vai levando adiante. Considero o Massa um grande piloto, mas está atravessando um momento muito difícil…”

Ribeiro lembra que Massa foi campeão mundial por “15 segundos” e que a fase atual dele não tem uma explicação lógica. Segundo este brasiliense que passou por fases similares em sua última temporada de F-3 e na sua passagem pela F-1, essa fase complicada (ele evita a todo custo mencionar a palavra “azar”) não é exclusividade do atual piloto da Williams e lembra de alguém que já defendeu essa equipe:

“Veja o caso do Carlos Reutemann: em 1976 ele estava na Brabham e a Ferrari era o carro do momento; mexeu os pauzinhos e foi para Maranello em 77. Quando chegou lá quem ganhava tudo era a Lotus, e para lá foi o argentino. Foi nesse ano que a Williams iniciava sua primeira grande fase, em meados de 1979. Em 1980 Lole muda novamente de endereço, logicamente para a equipe do Frank, e perde o campeonato de 81 para Nelson Piquet na última corrida — quando ainda era líder do campeonato. NA temporada seguinte disputa duas corridas e após o Grande Prêmio do Brasil encerra sua carreira. De quebra, no final do ano Keke Rosberg vence o campeonato com um…Williams.”

Contemporâneo de Nélson Piquet e consagrado como um dos melhores pilotos brasileiros de sua geração — muitos o incluem entre os melhores que já surgiram nas pistas nacionais —  Chico Serra também não contou com a sorte em sua carreira internacional, que inclui 18 GPs pelas equipes Fittipaldi e Arrows. O paulistano que se tornou um dos maiores nomes da Stock Car nacional diz ter uma boa noção da situação que Massa atravessa:

“Eu sei muito bem o que ele está passando. O lado bom disso é que um dia essa fase acaba. O lado ruim é que nesses casos a cobrança maior é do próprio piloto, que acaba se punindo com esses problemas.”

Chico levanta outros pontos que passam desapercebidos por muita gente:
“Você já notou que na Red Bull todos os problemas acontecem com o Vettel, que é o atual tetracampeão mundial? Com o carro do Ricciardo praticamente não há problemas. Na própria Williams, os problemas também só acontecem com o Felipe enquanto tudo dá certo para o Bottas…”

O que Chico e Alex citaram são fatos, retratos que contam a história de um esporte que já foi o segundo mais popular do Brasil e que apesar de tudo, ainda tem um forte apelo para quem encara o automóvel como algo mais que um meio de locomoção. O que liga estes dois pontos é uma estrada repleta de atrações turísticas que poucos países podem exibir: oito títulos mundiais na F-1, outras tantas conquistas na F-Indy e na categoria Protótipos.

Ocorre que a exemplo de muitas coisas no Brasil, essas atrações não receberam a manutenção necessária, foram usadas sem parcimônia e graças ao uso excessivo de manchetes apregoando uma ilusória superioridade perene encurtaram a vida de uma atividade que poderia gerar mais empregos, riquezas e educação. Um final infeliz que a maioria da população começa a tomar consciência graças ao 7 x 1 imposto pelos atuais campeões mundiais dos gramados. Os mesmos que, nas pistas, já contam com sete títulos de Schumacher e quatro de Vettel…

Novato e veterano não podem ocupar o mesmo espaço

Depois de Kamui Kobayashi (Austrália), Sérgio Pérez (Canadá) e Kimi Räikkonen (Inglaterra), o mais recente carrasco de Felipe Massa é o dinamarquês Kevin Magnussen. Egresso da GP2, o novato já marcou seu território na F-1 ao fazer sombra para seu companheiro de equipe — o campeão mundial Jenson Button— e mostrar um estilo aguerrido ao volante do McLaren MP4-29, um carro reconhecidamente menos competitivo do que o se pode esperar dessa equipe.

Entre as premissas de Ayrton Senna para determinar sua estratégia de largada, uma delas era analisar o comportamento dos concorrentes que alinhavam ao seu redor. Em Hockenheim certamente Massa não levou em consideração as largadas estilo F-3 que Magnussen emprega com maestria quase perfeita e que também ocupa algumas boas páginas no currículo do próprio Felipe. Certamente a pressão de ocupar o terceiro lugar no grid, atrás de seu companheiro de equipe, ocupou o espaço reservado à dose de cautela necessária para dividir uma curva com um novato rápido e promissor, mas ainda imaturo. Mais ou menos o que Chico Serra comentou…

Freios param Hamilton na luta pelo título

Um acidente provocado pela quebra de um disco de freio durante a prova de classificação prejudicou o inglês Lewis Hamilton em sua disputa particular contra Nico Rosberg pelo título desta temporada. Companheiros de equipe, o inglês escolheu usar discos fabricados pela Brembo italiana enquanto o alemão preferiu os da Carbon Industries francesa;  a opção de Hamilton não agüentou o tranco e o disco de freio dianteiro esquerdo estourou e interrompeu sua participação na tomada de tempos.

Para Lewis, largar em 15º implicou em um ritmo de corrida muito mais agressivo que o normal; no último terço de prova ele questionou seu engenheiro sobre a necessidade de poupar combustível para evitar uma pane seca. Ante a resposta que não havia necessidade dessa economia ficou patente que os carros da Mercedes ainda tem vantagens que a concorrência desconhece…


No balanço geral, sorte de Rosberg, que vive dias de êxtase: viu seu país ganhar a Copa do Mundo, casou, renovou seu contrato com a equipe com significativo aumento de salário, venceu o GP em sua casa e aumentou a vantagem sobre seu maior rival. Melhor que isso só daqui a algumas corridas, quando poderá conquistar o título, algo que já se dá por consumado em muitas cabeças.
Nem tudo são flores

Para os administradores de Hockenheim, porém, tudo indica que a cerveja vendida no famoso “motodrome” de Baden-Württemberg, próximo da bela Heildelberg estava aguada e as salsichas eram feitas com carne de soja. O público presente podia escolher onde queria sentar sem qualquer problema, tantos eram os lugares disponíveis e tão poucos os que foram assistir ao GP. Quem foi ver se o cardápio era realmente esse se deu bem: viu uma prova disputada, um festival de disputas, freadas e toques, as melhores envolvendo Hamilton, que deixou pelo caminho parte do bico do seu carro.

Georg Seiler, administrador do autódromo, alegou que por causa da Copa do Mundo “os alemães ficaram sem dinheiro para ver o GP”. Pode ser, mas quando se nota que uma corrida de caminhões realizada no mesmo dia, em Nürburgring, teve o dobro de espectadores o argumento cai por terra… O que tudo indica é que a F-1 precisa se reinventar e aumentar as cenas de emoção e suspense em suas peças.
O resultado completo do GP da Alemanha e a situação do campeonato você encontra aqui. A temporada prossegue domingo com a disputa do GP da Hungria, em Hungaroring (região metropolitana de Budapeste), e em seguida entra em recesso de um mês. São as férias de verão no hemisfério norte.

WG

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Momento histórico: Fittipaldi, Piquet e Senna juntos neste fim de semana



Piquet X Senna
A oitava edição do Desafio Internacional das Estrelas, que acontecerá no próximo final de semana (12 e 13/1), escreverá um capítulo inédito na história do automobilismo brasileiro. Pela primeira vez, os sobrenomes Piquet, Senna e Fittipaldi alinharão em um mesmo grid de largada. Juntas, essas famílias detêm os oito títulos conquistados pelo país na Fórmula 1. Ao lado de Felipe Massa, Fernando Alonso e mais 21 pilotos de renome internacional, o trio Nelsinho Piquet, Bruno Senna e Pietro Fittipaldi será uma atração à parte na oitava edição da mais badalada prova do kartismo mundial.

A única vez que estas três "marcas registradas" do esporte a motor nacional estiveram juntas em uma mesma pista foi em um teste de pneus da Fórmula 1, nos idos de 1984, quando Emerson Fittipaldi, já fora da categoria, testou pela equipe Spirit. O então estreante Ayrton Senna treinou pela Toleman e Nelson Piquet, que na época somava dois de seus três títulos mundiais, andava com o Brabham no autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Em eventos oficiais, os três sobrenomes quase se encontraram em 1992: Christian Fittipaldi estreava na F-1 com Ayrton Senna também no grid, mas Nelson Piquet resolvera se aposentar no fim da temporada anterior.


Pietro Fittipaldi
As novas gerações - No próximo fim de semana, no kartódromo do Beto Carrero World, em Penha (SC), as novas gerações dessas três famílias estarão na pista. Os Piquet terão Nelsinho, filho do tricampeão, enquanto os Senna serão representados por Bruno, sobrinho de Ayrton. Já os Fittipaldi, família mais tradicional do esporte, contarão com o piloto mais novo do grid, Pietro, de 16 anos, que é neto de Emerson. Um encontro histórico que poderá ser acompanhado ao vivo pelo SporTV (que exibe a classificação e a primeira bateria) e pela Rede Globo (que transmite a prova final).

"Sempre que posso ando de kart e fico contente pelo convite para disputar novamente o Desafio. Será um prazer dividir a pista com pilotos de qualidade internacional e, mais ainda, competir ao lado do Bruno e do Pietro. Não é todo dia que temos Piquet, Senna e Fittipaldi juntos na mesma pista...", afirma Nelsinho, atualmente competindo na Nascar. Piquet foi vice-campeão do Desafio em 2006, perdendo o título por um ponto para Felipe Massa. Ele também registra duas poles na competição, em 2007 e 2009.

Bruno Senna realizará sua segunda participação no evento. Como todo piloto, Bruno deu seus primeiros passos no kart, mas foi obrigado a interromper sua trajetória após a morte do tio Ayrton, em 1994. A volta às pistas se deu dez anos depois, já nos monopostos. As tentativas de readaptação foram sofridas e chegaram a custar algumas costelas quebradas, mas o ex-piloto das equipes HRT, Lotus e Williams na Fórmula 1 não esconde a animação de competir ao lado de outros grandes nomes, como o dos colegas de pista Felipe Massa, Fernando Alonso e Kamui Kobayashi, entre outros. "Vai ser muito legal. O Desafio é um evento muito bom, com excelente organização, e ao qual todos gostam de ir", comentou. Já Pietro, que segue sua escalada rumo à Nascar, disputará o evento pela segunda vez consecutiva.