quinta-feira, 30 de julho de 2015

UM SÉRIO CASO DE AMOR por WAGNER GONZALEZ

Galinhas ciscando aqui e patos ali, um galo que canta fora de hora, vacas pastando no jardim e, como ponto de referência de tamanha cena bucólica, um galpão repleto de brinquedos de gente grande. Ali dentro um neozelandês usa fresas e martelos para materializar o amor herdado do avô.

Agora imagine tudo isso numa cidadezinha bem longe, com pouco mais de 13 mil habitantes e que hoje tenta capitalizar em cima de uma urbanização consolidada no período 1880/1980. Esse lugar existe e tem dono: Maru.

Na verdade falo de Oamaru — palavra da cultura maori que significa Lugar de Maru — que fica na costa sudeste da Nova Zelândia, terra que faz autoentusiastas lembrar de nomes como Bruce McLaren, Dennis Hulme e Chris Amon. É lá que um imigrante de origem supostamente italiana e que atende pelo nome de Rod honra a terceira geração da famiglia Tempero ao materializar sua arte restauração e construção de clássicos como Ferrari 330 P4, Jaguar D Type ou Maserati 250F.

Rod representa a terceira geração dos Tempero no negócio de restauração de clássicos e construção de réplicas de alta qualidade: história iniciada pelo avô Alan, em 1946. Em 1979 foi a vez de Errol iniciar o filho no negócio que mais tarde seria vendido para terceiros. Não demorou muito e Rod decidiu continuar a tradição por conta própria e se consolidar no mercado.
 “Atualmente produzimos cerca de dois carros por ano, mas esse prazo varia de acordo com o projeto, assim como o preço. Um esportivo sem capota dos anos 1950, por exemplo, sai mais barato que um carro de corrida dos anos 1960.”
Entre as peças mais caras estão os motores e as caixas de câmbio e para conseguir itens fundamentais há soluções diversas. Segundo Rod, as três possibilidades mais comuns: comprar um carro da marca, as peças separadas ou aproveitar o que o cliente já possui.

Uma empresa local, a Giltech, produz alguns itens como cabeçotes, coletores de admissão, cárteres e rodas. Projetos atuais incluem a construção de um Maserati 250F de F-1 e um Jaguar D-Type. Entre os carros já entregues destacam-se um Ferrari 330 P-4 e o 250 GTO, modelo que  você pode ver neste vídeo.

No Brasil
O país vive um momento interessante no mercado de restaurações: temos bons profissionais e a procura por aperfeiçoamento dos consolidados e formação de novos artesãos é grande. Recentemente a atividade ganhou uma nova tribo, dedicada aos karts clássicos. Embora existam restauradores espalhados por diferentes Estados, São Paulo é talvez o pólo mais importante dessa atividade que envolve customização, fabricação e restauração de automóveis nacionais e importados.

Decano dessa arte, o italiano Toni Bianco é o nome mais importante desta mistura de entusiasmo, paixão e habilidade para dar a forma correta a um sonho ou a um renascimento. Alexandre Salzano é um dos discípulos de Bianco e, detalhe importante, dedica-se não apenas a recuperar carros em estado de decomposição, como a aperfeiçoar seu conhecimento e difundir a sua arte. Iniciado no assunto em 1978 como auxiliar de mecânica, atualmente Salzano exibe com orgulho passagens pela Contour Autocraft Academy, escola inglesa que foca na restauração mecânica e de arquitetura. A decisão o ajudou a trabalhar muito além do mercado de carrocerias em plástico reforçado com  fibra de vidro.
“Apesar de toda a experiência acumulada, incluindo a fabricação artesanal de itens de carroceria, percebi que, no exterior, mais especificamente na Europa, as técnicas de restauração eram muito mais avançadas. Em 2004, viajei à Inglaterra e lá aprendi como restaurar tais veículos, conhecimento que pretendo difundir no Brasil

Figura conhecida em autódromos e eventos, o engenheiro Ricardo Oppi admite que sua paixão pela restauração de antigos deve muito ao que aprendeu em seus tempos de preparador.
“A melhor escola que tive foram as pistas. Se não tem peça, vamos criar.”
Professor universitário com alunos espalhados por quatro faculdades de engenharia, Oppi dedicou boa parte de sua história para preparar carros de fórmula e hoje, a exemplo de Salzano, também ministra cursos e atua junto ao Clube do Carro Antigo. Entre seus trabalhos mais importantes destacam-se a recuperação do Fiat/NSU 1200 com carroceria Pininfarina e a restauração do Aruanda, projeto de carro urbano de Ari Antônio da Rocha premido na Itália que este ano completa 50 anos.
 Os amigos Richard Flynn e Eduardo Lambiasi formam uma dupla de perfil baixo e alta reputação, conseqüência da dedicação e qualidade do seu trabalho que é  focado em carros ingleses. Os dois tocam a RE Restaurações, que há vários anos funciona em galpões no bairro da Lapa, e sempre perto de onde funciona o MG Club do Brasil
Para quem curte automóveis clássicos e não abre mão de uma mecânica mais apurada o contato mais indicado é o de Fernando Batista, da Batistinha Garage. Segunda geração da família a se envolver no negócio, Batistinha herdou a paixão pelo pai e pode ser encontrado na sua oficina no bairro da Barra Funda ou nas competições de Força Livre ou track days. Além do trabalho de restauração e customização, ele também comercializa uma linha de equipamentos esportivos.

Quem é fanático pelo kart também pode encontrar um novo caminho com a recente onda de restauração de karts clássicos. Além de associações e grupos voltados a essa vertente, dois nomes se destacam no trabalho de recuperar a memória do setor: Jayme Barbarisi, em São Paulo (SP) e Marcelo Afornali, em Morretes (PR).


Serviço:

Alexandre Salzano
Studio Salzano Funilaria Artesanal e Cursos
Rua Pedro de Godoi 137, S.Paulo (SP)
(11) 2341-6255
contato@studiosalzano.com.br


R&E Restaurações
Rua Dom João V, 435,  São Paulo – SP
(11) 3676-1425
re@rerestauracoes.com.br

Batistinha Garage
Rua Dr. Ribeiro de Almeida, 304,  São Paulo- SP
(11) 3392-2233/3392-4648
www.batistinha.com.br

Marcelo Afornali
(41) 3532-7852
www.museudokart.com.br
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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Ceará e Pará recebem a Caravana Vou de Scania nesta semana

A Caravana Vou de Scania estará até sexta-feira (31), nas cidades de Fortaleza (CE) e Ananindeua (PA). A ação vai percorrer diversas cidades simultaneamente até agosto para mostrar aos clientes todos os diferenciais das linhas de produtos e serviços da marca. A última etapa será realizada de 3 a 7 de agosto no Posto Magnólia em Santa Inês, Maranhão.

Em Fortaleza, uma das equipes da caravana ficará no Clube do Vaqueiro, com organização da Casa Scania Conterrânea. O outro time receberá os visitantes no Posto Pará Vip, em Ananindeua, sob o comando da Casa Scania Itaipu Norte.

Durante a ação, os transportadores e autônomos podem conhecer as melhores soluções da marca para veículos rodoviários, semipesados e serviços, e de alternativas financeiras, seguros, bem como as vantagens do Consórcio Scania. Além disso, os interessados podem fazer test-drive com um caminhão pesado Streamline R 440 ou dirigir um semipesado P 310 8x2. O evento é aberto ao público.

Até 7 de agosto, a Caravana Vou de Scania vai passar pelos Estados do Paraná, Mato Grosso, Rondônia, Roraima, Pará, Maranhão, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Paraíba e Ceará, além do Distrito Federal. A caravana conta com o apoio da rede de concessionárias da marca, do Scania Banco, Seguros Scania, Consórcio Scania, Noma e outros parceiros.  

Serviço:
Caravana Vou de Scania – Ceará
Clube do Vaqueiro – Fortaleza
Data: 28/7 a 31/7
Local: Quarto Anel Viário BR 116 e CE 040 (Via de acesso ao litoral leste)
Horário: 8h às 17h30

Caravana Vou de Scania – Pará
Posto Pará Vip
Data: 28/7 a 31/7
Local: BR 316, KM 8 – Água Branca – Ananindeua
Horário: 8h às 17h30

Telefone: (91) 4008-1550

Mercedes-Benz oferece peças e serviços de Pós-Venda com condições especiais em toda rede de concessionários

A Mercedes-Benz está promovendo uma campanha nacional que oferece aos clientes da marca uma excelente oportunidade para manutenção de seus caminhões. Até dia 30 de novembro, o cliente terá a oportunidade de adquirir pacotes de manutenção a preços competitivos, que incluem peças genuínas e mão de obra especializada, além da qualidade e da garantia de 12 meses daMercedes-Benz.

Em parceria com a Rede de Concessionários, essa ação proporciona a alternativa de parcelamento em até 3 vezes, facilitando assim, o acesso dos clientes ao mais amplo portfólio de produtos e serviços de Pós-Venda do mercado.

“A campanha é dirigida tanto às empresas de transporte, quanto aos profissionais autônomos”, diz Enilson Martins, gerente de marketing de peças e serviços da Mercedes-Benz do Brasil. “É uma excelente oportunidade para os proprietários de veículos Mercedes-Benz melhorarem a performance de seus veículos e conhecerem todas as novidades da marca”.

Pacotes de manutenção com preços imperdíveis” – este é o conceito da campanha, que oferece pacotes de peças e serviços para proprietários de caminhões acima de 3 anos, nos diversos segmentos de leves, médios, semipesados e extrapesados.


A ação promocional está focada em pacotes de peças e mão de obra, entre eles: amortecedor dianteiro, amortecedor traseiro, bomba d’água RENOV, embreagem RENOV, lonas de freio dianteiras, lonas de freio traseiras e troca de óleo e elementos de filtros.

COLUNA DO BORRACHA - Em nome de Jules

A melhor corrida do ano foi uma mistura de dor e alegria, resgatou talentos e colocou os fracos em seu lugar

Texto: Eduardo Abbas
Fotos: f1.com, indycar.com

E lá se vão 30 anos, lembro que o primeiro GP da Hungria em 1986 foi um desafio, tanto para as equipes quanto para os jornalistas que cobriam o evento em um país recém saído da cortina de ferro. Claro que as dificuldades técnicas que o mundo em transformação tinha, apenas criaram um clima de novidade para aqueles que faziam a cobertura. Portanto, a etapa tinha tudo para ser um fim de semana de festa, não fosse a triste notícia da morte do piloto Jules Bianchi.


De todas, a equipe que mais sofreu com a perda foi a Ferrari, que estava criando o menino para assumir, talvez agora em 2016, o cockpit de um dos carros vermelhos de Maranello. A dor da equipe só é comparada com a morte de Gilles Villeneuve em 1982, os dois tinham em comum a garra que os italianos tanto exigem de seus condutores quando defendem as cores da escuderia, afinal, Jules era uma árvore que iria render doces frutos no futuro.


Mas a vida continua, os desafios são imensos e as cobranças idem. Colocado em xeque, o atual chefão da equipe já estava até ganhando um apelido no meio do automobilismo. Segundo o melhor comentarista de Fórmula 1 da atualidade, o ex-piloto Luciano BurtiMaurizio Arrivabene já estava sendo chamado de Arrivederci pelo pessoal dos boxes, tamanha dificuldade que o italiano estava encontrando para comandar a equipe.


Acontece que, quem tem Vettel sempre pode esperar um toque de genialidade na condução de um carro de corridas. O alemão largou muito bem e não deu a menor chance para os adversários, nunca perdeu a ponta e comandou com mão de aço a tocada até a bandeirada final, agradeceu em italiano, inglês e dedicou em francês a vitória ao companheiro morto.


É uma conquista em um momento muito importante do campeonato. Hamilton deixou voltar o capeta que senta no seu colo sempre que é subjugado por outro piloto. Logo na primeira curva já foi passear na brita, perdeu tempo, se meteu em confusão, foi penalizado e mesmo assim conseguiu manter a liderança do campeonato antes da parada para as férias.


Acontece que seu companheiro de equipe, que deveria ter saído da etapa como líder, se enroscou com o Daniel Ricciardo e ganhou de presente um pneu furado faltando poucas voltas para o final. Na verdade, Rosberg não tem a chamada “sorte de campeão”, sempre que está pronto para se dar bem acaba se metendo em confusão desnecessária. Azar o dele, vai ter que remar mais se quiser bater o companheiro este ano.


A vitória de Vettel foi incontestável, segura e firme como devem ser as conquistas de um tetra campeão. Ele começou a igualar recordes de gênios do automobilismo, agora ele tem o mesmo número de conquistas que Senna teve na carreira, 41. Quem saiu muito fortalecida desta etapa foi a equipe Red Bull, seus dois pilotos fecharam o pódio e mostraram que estão evoluindo muito, claro que as brigas com os adversários foram ferozes, mas garantiram uma espetacular colocação na corrida. Detalhe: pela primeira vez no ano não havia nenhum piloto da Mercedes entre os três primeiros, sinal de que a segunda metade do campeonato vai ser de lascar.


O resto, bem, foi o resto, tirando a tremenda luta que o Felipe Nasr tem para conduzir o carro que não evolui, tudo ficou dentro da normalidade. As Williams continuam sendo motivo de chacota, afinal, carro que anda bem não tem essa de ser pior em pista mais lenta, como piloto que reclama da distância dos pedais, foi lembrar-se de arrumar o banco na metade do campeonato? Ah malandro, me poupe e comece a assumir a enorme deficiência e distância para pilotos muito melhores.


Eu vou ficando por aqui, no fim de semana tem Fórmula Indy em Mid-Ohio, a antepenúltima etapa do campeonato e em circuito misto, bem apropriado para começar a fechar o funil do campeonato.


Beijos & queijos
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terça-feira, 28 de julho de 2015

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

Rapsódias húngaras

Wagner Gonzalez
Estivesse vivendo nestes tempos, Franz Liszt teria tido motivo de sobra para compor mais uma de suas rapsódias magiares. O GP da Hungria deste ano teve acordes de dobradinha da Ferrari, Rosberg zerando a diferença para o líder do campeonato, Hulkenberg batendo no final da reta e, no compasso final, Hamilton terminando em sexto na vitória que igualou Vettel a Senna. Nas bandas de cá, Jan Balder promoveu mais uma etapa do Torneio Interlagos de Regularidade num fim semana que movimentou o automobilismo paulistano de raiz.


Domingo tenso

O domingo húngaro foi tenso desde antes da corrida começar: ainda exibindo as dores causadas pela perda de Jules Bianchi, os pilotos se reuniram pouco antes da largada e prestaram o que seria uma derradeira homenagem ao francês Jules Bianchi. Seria porque ao final da corrida Sebastian Vettel não se conteve após conseguir sua segunda vitória do ano e mandou ver em francês:
“Vocês me ouvem? Vocês me ouvem? Esta vitória é para você, Jules!”

Certamente mal passou pela cabeça do alemão que a conquista em Hungaroring o colocou em pé de igualdade com Ayrton Senna no que diz respeito ao número de vitórias: agora os dois tem 41. Falando em números, aqui vai uma overdose do tema: das 70 voltas previstas para o 30º GP da Hungria, apenas 69 foram realizadas: Felipe Massa não alinhou corretamente e forçou a realização de uma segunda volta de alinhamento. Com isso abriu a contagem para uma verdadeira enxurrada de penalizações, pois ganhou um acréscimo de cinco segundos no seu tempo de corrida. Romain Grosejan, Pastor Maldonado, Lewis Hamilton, Jos Verstappen e Daniil Kvyat foram os que não escaparam à sanha de botar ordem na casa.

No quesito ficar de castigo, o venezuelano Maldonado foi o grande destaque: foi penalizado três vezes e ainda ganhou alguns pontinhos (6) na carteira, a exemplo de Hamilton (3) e Kvyat (2) e Verstappen (2). Kvyat, aliás, conseguiu seu primeiro pódio ao terminar em segundo lugar, à frente do companheiro de equipe Daniel Ricciardo.

Normalmente uma prova modorrenta, a corrida de Hungaroring deste ano entrou na lista das edições surpreendentes dessa corrida disputada pela primeira vez em 1986. Nesse ano aconteceu a antológica disputa entre Nélson Piquet e Ayrton Senna, que terminou com a vitória do primeiro após uma inesquecível ultrapassagem por fora na curva 1. Outra corrida surpreendente foi a de 1997 quando Damon Hill liderou 62 das 77 voltas daquele ano a bordo de um Arrows Yamaha que durante aquela temporada se tornou famoso pela freqüência com que explodia motores a cada fim de semana de corrida…

Em 2015, as surpresas tiveram cenas com intensidade das mais variadas: a asa dianteira do carro de Nico Hulkenberg soltou quando ele freava ao final da reta dos boxes. Embora o alemão tenha saído ileso do choque contra as barreiras de proteção, o mesmo não se pode dizer da sua equipe, a Force India. No treino de sexta-feira quebrou um triângulo de suspensão do carro de Sergio Perez e, destroços à parte, ficou no ar se a equipe de Vijay Mallya estaria confiando demais na resistência dos seus carros ou economizando na substituição de peças com prazo de validade vencido.

Se o prejuízo da Force India foi alto, o que dizer de Nico Rosberg? Ele esteve com o champagne e um lugar no pódio nas mãos ao assumir o segundo lugar quando o SF15T de Kimi Räikkönen começou a dar problemas. Se tudo corresse bem ele iria fica empatado com Hamilton na liderança do campeonato, cortesia de um toque entre o inglês e o australiano Daniel Ricciardo, batida que fez Hamilton cair para 13o lugar. Ou seja, fora da zona de pontos. Só que Ricciardo mostrou-se um verdadeiro advogado do diabo e acabou cortando o pneu traseiro esquerdo do carro de Rosberg ao tentar ultrapassá-lo na volta 64. O que era para ser para ser um acréscimo de 18 pontos acabou se transformando em apenas quatro. Para piorar um pouco o que já era ruim, Hamilton ainda cruzou a linha de chegada em sexto lugar e com mais seis pontos no bolso

O resultado completo da corrida você encontra neste link e a tabela de pontos dos campeonatos de pilotos e construtores está aqui. Uma rápida olhadela será suficiente para descobrir que duas zebras aconteceram nos resultados: a Red Bull fazendo segundo e terceiro lugares e — se você estiver em pé eu aconselho a se sentar— Fernando Alonso em quinto e Jenson Button em nono!

Forza Ferrari

No início do ano o novo diretor esportivo da Ferrari, Maurizio Arrivabene, anunciou que a meta para 2015 era obter “duas vitórias, três seria um milagre”. Hoje, terminada a primeira metade da temporada, o milagre está próximo de virar realidade e Vettel, que venceu na Malásia e na Hungria, perto de ser canonizado. Mais do que isso, nas últimas duas corridas ele somou 37 pontos contra 22 de Rosberg, o que aumenta as esperanças de Tião em terminar o ano como o melhor alemão da F-1…

A grande dúvida é se as largadas medianas dos Mercedes em Silverstone e Hungaroring não seriam conseqüência de um novo equipamento nesses carros. É sempre bom lembrar que quando a F-1 voltar de férias — dia 23 de agosto, na Bélgica — os pilotos não terão mais a ajuda eletrônica para largar. Em outras palavras, grandes emoções à vista: a reta de largada de Spa é curta e termina em uma curva fechada, de quase 180º. Pilotos sem experiência de largar soltando a embreagem sem deixar as rodas patinarem demais será a receita para umas tantas batidas. Da mesma forma que a Mercedes deve ter avaliado um novo sistema de largada, a Williams deverá ser acompanhada com atenção: tanto na Inglaterra quanto na Hungria, Bottas e Massa partiram com boa eficiência. Resta saber se essa toada vai continuar fazendo sucesso ou vai desandar no ritmo das estratégias do time…

Os mistérios de Interlagos
O fim de semana passado realçou os mistérios do automobilismo praticado em Interlagos: à falta de informação sobre o andamento das reformas do autódromo paulistano se contrapôs o dito popular que pobre se contenta com pouca coisa. Em meio a instalações pouco ou nada decentes o que se viu foi um grande número de entusiastas enfrentando chuva e frio para disputar provas de F-1600, Classic Cup, Marcas e o Torneio Interlagos de Regularidade, evento que está registrado no vídeo abaixo e na galeria de fotos.

Foto: Cláudio Laranjeira
Como se pode constatar nesse registro, o que mais importa para os autoentusiastas de carteirinha é confraternizar em torno de máquinas que são usadas com carinho e a devida atenção. No entanto, o que não pode e não deve ocorrer é o descaso dos responsáveis pelo esporte com a sobrevivência dos profissionais que dependem do autódromo para seu sustento. Estes responsáveis são, em maior parte, a administração do autódromo e a Federação de Automobilismo de São Paulo (Fasp), ambos atados a um relacionamento turbulento e pouco sadio. Este ano o local ficou interditado à prática do esporte e já se fala em nova interdição em 2016. Por enquanto poucos sabem o que será feito, inclusive os clubes filiados à Fasp e maiores interessados em contar com uma estrutura eficiente.

Nada contra receber um Grande Prêmio de F-1 no Brasil: é esse evento que mantém Interlagos em condições que não seriam possíveis sem a realização dessa prova. Há que se atentar, porém, sobre como o autódromo vem sendo usado, metodologia que vai além de permitir a realização de shows e festivais em detrimento do esporte, atividade fim do local.

No fim de semana anterior a agenda da Fasp indicava que o autódromo estava reservado para o Clube do Fusca, mas quem foi ao circuito notou um evento da revenda Divena e um track day organizado pela empresa Driver. Além de não existir nenhuma informação a respeito desses eventos nos sites da Fasp e do autódromo ou na entrada do circuito, um dos responsáveis pela segurança, da empresa Faqui, se mostrava dono do local e queria fazer valer sua suposta autoridade, algo que alguns colegas, em particular os fotógrafos, já haviam comentado. Para ele, um assovio era o mesmo que a sinalização para parar na entrada do estacionamento tomado pela Divena.

Certamente tamanha dedicação tem a ver com a falta do que fazer, posto que desde há muito tempo as arquibancadas de Interlagos somente são parcialmente ocupadas em eventos que se pode contar com os dedos de uma mão. Com tamanha competência e eficiência desses promotores, isso não vai mudar em breve.

WG