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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Fernando Calmon - Alta Roda - Autônomos irreversíveis

Alta Roda nº 952/30230– 03 023– 0oda nº852/0811508– 2oda nº851/2017

Fernando Calmon
Os carros autônomos chegam ao nosso dia a dia e, cedo ou tarde, serão dominantes. Mas não haverá a tecnologia dominante. Há tempos essa Coluna apontou que os gigantes da teleinformática, em especial Google e Apple, acostumados a ganhar muito dinheiro e a enfrentar riscos relativamente baixos, teriam desagradáveis surpresas quando fizessem contas para produzir um veículo. Isso acabou se confirmando e ambas desistiram.

Agora, se admite que nenhuma empresa conseguirá viabilizar sozinha um automóvel autônomo. Fabricantes podem optar por se juntar à dupla do barulho, se associar a outros fornecedores, desenvolver sua própria tecnologia ou uma combinação dessas possibilidades. Por trás disso há uma mina de ouro: informações sobre hábitos e preferência de quem utiliza o carro. 

Importante conhecer os cinco níveis classificatórios de automação criados pela SAE (Sociedade de Engenheiros Automobilísticos), dos EUA, aceitos internacionalmente. No primeiro nível estão os controles eletrônicos usuais de estabilidade e limitadores de velocidade. Depois, seguem os de velocidade de cruzeiro adaptativo e de permanência na faixa de rolamento, mas neste caso o motorista deve assumir o comando do volante a intervalos regulares. 

Direção autônoma (ou semiautônoma, como a Coluna defende) aparece no terceiro nível. O veículo segue o fluxo de trânsito sem intervenção do motorista. Alemanha foi o primeiro país, em maio último, a autorizar seu uso, ao lado de alguns estados americanos. A única restrição é sempre haver uma pessoa no banco do condutor para assumir a direção, quando o sistema detectar que perdeu os parâmetros de segurança. Já existem modelos importados à venda no Brasil com estes recursos. 

No quarto nível, a autonomia é completa, sem necessidade de um motorista atrás do volante em ambientes controlados com boas rodovias e condições climáticas favoráveis. Neste caso, ainda faltam soluções tecnológicas a custos razoáveis que podem levar de cinco a dez anos. No quinto, ainda mais distante, sem nenhuma restrição. 

Em 2019 a lei alemã (nível três) será reanalisada. Porém, todos os veículos deste tipo devem desde já ter gravador de dados semelhante à caixa preta dos aviões para esclarecimentos em caso de acidente. Durante a condução autônoma o condutor poderá utilizar equipamentos eletrônicos, telefone ou responder mensagens. Ele não será multado, pois, em um país organizado, o automóvel estará registrado como autônomo e eventuais multas, canceladas antes de sua emissão. Se houver acidente o gravador indicará as circunstâncias e se atribuirá culpa ao motorista, por mau uso do sistema, ou ao fabricante. 

No Brasil, carros com esse tipo de equipamento receberão multas mesmo em modo semiautônomo, salvo se houver um sopro de modernidade vindo do Contran, em Brasília. É bom lembrar que os antigos navegadores portáteis chegaram a ser proibidos aqui. Só se permitiam pictogramas (setas indicativas do percurso) no painel. O ideal seria acompanhar de perto o que já se faz no exterior, antevendo consequências da modernidade e diminuir a cultura de multar sem preocupação de educar. 

Mas, isso seria pedir demais... 

RODA VIVA

MARCADO para agosto de 2018, segundo fonte da Coluna, início de produção em Sorocaba (SP) da linha intermediária da Toyota entre Etios e Corolla, nas versões hatch e sedã. Utilizará mesma arquitetura modular da nova geração do Corolla, a estrear em 2019. Os dois produtos inéditos chamam-se Yaris e Vios, no exterior, mas estes nomes não estão confirmados aqui. 

VOLKSWAGEN libera, aos poucos, pormenores da sexta geração do Polo. Apresentação em setembro e vendas em outubro. Haverá ampla diversificação de preço. Opcionalmente, quadro de instrumentos permitirá ver mapa do percurso em tela cheia de 10 pol., sem partilhar velocímetro e conta-giros. Motor turbo de 1 litro/3-cilindos terá potência aumentada para 128 cv (etanol). 

EMBORA minivans estejam em queda de aceitação, a francesa C4 Picasso de cinco lugares é um modelo elegante, com visibilidade muito acima da média e interior supreendentemente bem resolvido. Em razão de grande área envidraçada motor 1,6 turbo/165 cv sofre um pouco para lidar com massa de 1.405 kg. Suspensões são algo ruidosas em piso irregular. 

CROSSOVER mais do que SUV (à moda do Honda WR-V), JAC T40 tem no preço, espaço interno e mecânica atualizada os maiores atrativos. Versão inicial, completa, sai por R$ 58.990. Inclui câmera para gravar o que acontece à frente do veículo, acessório-febre em países como Rússia e China. Motor 1,5 litro/127 cv (etanol) garante boa agilidade para 1.125 kg de massa. 

FINALMENTE, Google liberou o aplicativo de rotas alternativas Waze para uso em telefones inteligentes dotados de Android Auto e que podem sincronizar com sistema multimídia compatível. Car Play, da Apple, está fora. Ainda há a limitação de uso de cabo, mas pelo menos carrega a bateria do celular. Chevrolet Onix foi escolhido o carro parceiro do lançamento no Brasil. 



PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmo fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2
                                                                                                                              


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Chevrolet lança aplicativo OnStar para IOS

OnStar segue seu processo de expansão e passa a oferecer o aplicativo do sistema também para telefones celulares com IOS (Apple), disponível na loja App Store para download.

Também disponível nos aparelhos Android, o aplicativo permite que o usuário comande funções do veículo, como o travamento das portas e comando de diversas funções do veículo e monitoramento a distância.

Pelo app ainda é possível programar para receber notificações quando o veículo inicia uma nova movimentação, saber qual é a sua localização atual e ainda pedir para ser avisado quando o velocímetro ultrapassar o limite de velocidade predeterminado – recursos úteis principalmente quando o automóvel é cedido a terceiros.

Lançado no Brasil no final de setembro, o OnStar é um sistema de telemática avançado que oferece ao motorista serviços de Emergência, Segurança, Navegação, Concierge e Conectividade em um patamar jamais visto no mercado automotivo nacional.

Pressionando um botão no retrovisor interno ou usando o app, o motorista é conectado a uma central com atendimento humano que oferece por exemplo serviços como pesquisas rápidas na internet, reservas, envio de destino ao GPS do veículo e informações sobre situações de tráfego (vias alagadas ou bloqueadas).

Pode-se igualmente acionar o botão OnStar no carro ou no aplicativo do celular para também solicitar assistência mecânica, elétrica ou médica em caso de emergência.

As principais funções do APP

• Travar portas e destravar portas remotamente
• Luzes e buzina (acionamento remoto com 10 disparos de buzina e acendimento dos faróis)
• Navegação (possibilita a navegação por meio do aplicativo e o envio de endereço de destino para o GPS do Chevrolet MyLink quando o mesmo estiver ligado)
• Alerta de movimento (informa usuário por e-mail ou alerta no celular quando o veículo é movimentado)
• Alerta de velocidade (informa usuário por e-mail ou alerta no celular quando a velocidade estipulada no aplicativo é ultrapassada)
• Localiza-me (informa a localização do veículo no mapa de navegação)
• Compartilhar Localização (informa a coordenada do veículo para outras pessoas através de e-mail, redes sociais e whatsapp)
• Siga Me (monitoramento remoto do veículo por 15 minutos, com informação de localização a cada 02 minutos)
• Notificações (histórico das principais ocorrências, com data, horário e, em determinados casos, também o local do veículo no momento da notificação)
• Ligação via APP para o Centro de Relacionamento Chevrolet para obter informações gerais do veículo, do Chevrolet Road Service e/ou do OnStar
• Ligação via APP para o SOS para a linha de emergência OnStar

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Fernando Calmon - Alta Roda - Filão sem donos

Alta Roda nº 863/213– 19 123– 0oda nº852/1108– 2oda nº851/2015

Fernando Calmon
Muito se comenta sobre sistemas de direção autônomos ou semiautônomos para revolucionar a maneira de guiar. Além de aumentar a segurança ativa/preditiva, aliviar o estresse no trânsito congestionado ou em monótonas viagens, o motorista poderá assumir o comando quando lhe for prazeroso. Essas tecnologias passarão por complexas regulamentações técnicas, legislativas e jurídicas, ainda em estudos profundos. Os grandes fabricantes mundiais de veículos trabalham com fervor nesse objetivo e estão numa verdadeira corrida tecnológica. Ninguém quer ficar para trás, mesmo sem enxergar bem o que está na linha de chegada.


Nada impede, porém, que empresas como Google e Apple de investir pesadamente no desenvolvimento de automóveis autônomos. Ainda são nebulosos os planos desses gigantes da teleinformática. A Apple nem ao menos deixa escapar o que realmente prepara nesse campo. Google tem até um protótipo de um microcarro próprio em testes nas ruas da Califórnia. Entretanto, no recente Salão do Automóvel de Frankfurt, a empresa afirmou pela primeira vez não pretender construir ou administrar uma fábrica de automóveis, o que causou surpresa. 

Fornecedores da indústria de autopeças desenvolvem grandes projetos em conjunto com fabricantes de veículos e criam vínculos difíceis de desfazer em favor de empresas de outros setores. Isso não significa situação imutável. Um exemplo é a Tesla, fabricante independente americano de sedãs elétricos, que partiu do zero e tentará voos mais altos. 

Já os fornecedores de autopeças poderiam se juntar para desenvolver e fabricar um carro, porém nada indica que o farão. Mas é possível projetar um automóvel de demonstração, como fez a ZF com o seu Veículo Urbano Avançado (VUA), apresentado um mês antes do Salão de Frankfurt. Trata-se de um subcompacto, sem arroubos de estilo, apenas para reafirmar sua capacitação tecnológica ampliada após adquirir a americana TRW. 

A ZF produziu o VUA elétrico em suas próprias instalações, focado em maneabilidade urbana e assistência semiautônoma para melhorar conforto, conveniência, segurança e eficiência também em estradas. Um dos destaques é o volante de direção multifuncional capaz de detectar as mãos do motorista (e assumir parte dos comandos), que inclui um mostrador OLED embutido no aro. Pode procurar uma vaga e estacionar comandado a distância por meio de telefone ou relógio de pulso inteligentes. O motorista não precisa estar a bordo e abrir uma porta, possibilitando criação de vagas perpendiculares mais estreitas para otimizar o espaço urbano e permitir garagens menores. 

Além de inovações eletrônicas, chamam particular atenção as soluções mecânicas. A começar pelo eixo de torção traseiro que inclui dois motores elétricos de 54 cv, um para cada roda. Mais interessante ainda, as rodas dianteiras podem esterçar até 75 graus, algo inédito. Assim, precisa de uma vaga apenas 60 cm maior do que seu comprimento (em torno de 3 metros), o que também ajudará no planejamento das cidades. Diâmetro de giro de apenas sete metros, um terço a menos que qualquer subcompacto moderno, permite retorno em manobra única em pistas de largura padrão.


RODA VIVA


MOTORES de três cilindros continuam na ordem do dia. O da Fiat, previsto para estrear no novo subcompacto no início de 2016, foi adiado para o final do próximo ano (apenas o motor, claro). Esse bloco dará origem a um novo quatro-cilindros, de 1,4 L, substituto do atual Fire. E Hyundai também terá um turbo de 1 L no HB20, como up! TSI e futuro Honda Fit. 

PREÇOS dos veículos se mantêm em alta (como previu esta coluna) não só pela inflação, mas porque a desvalorização do real tem impacto sobre componentes importados. Isso afeta de forma diferenciada cada modelo, inclusive os que vêm da Argentina. Mas a principal causa é a queda de escala de produção: 21% sobre 2014. Sobre isso não há o que fazer. 

HYUNDAI HB20 2016, que já tinha ótimo motor de 1,6 L, pode aproveitá-lo melhor com o novo câmbio automático de seis marchas. Trocas são suaves e relativamente rápidas, considerando limitações de preço de um compacto. Novos amortecedores (agora sem ruídos de fim de curso), retoques de estilo e equipamentos adicionais o tornam ainda mais competitivo. 

FILIAL brasileira da Porsche, recém-aberta, será mais assertiva ao nomear novas concessionárias. Hoje, todas as existentes, têm ligação direta ou indireta com o antigo importador oficial, a Stuttgart Sportcar. Estratégia faz parte do crescimento da marca no País com potencial de retomar do México o posto de mercado número uma da América Latina. 

NOVA embreagem automática de acionamento eletrônico da Bosch, incorporada à função roda-livre, está em testes no Brasil. Certamente há algum fabricante interessado, embora a empresa trabalhe em testes, no momento, por si só. Mais barato do que um câmbio automático, pode eliminar os incômodos do terceiro pedal e potencializa diminuir consumo de combustível em até, nada desprezíveis, 5%.


PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).

Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmon