Mostrando postagens com marcador CABIFY. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CABIFY. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

COLUNA DO FERNANDO CALMON

Alta Roda nº 1015/365 – 18/10/2018


À prova de erros

Um estudo acaba de ser publicado pela organização não governamental (ONG) Nossa São Paulo sobre o tempo médio de deslocamento na capital paulista: caiu em torno de 10 minutos entre 2015 e 2018. Não representa muito, mas se trata de algum avanço. O dado reflete uma modificação nos hábitos trazida pelos aplicativos de mobilidade como Uber, 99 e Cabify. Esses serviços já se estendem a mais de 100 cidades brasileiras.Os meios de transporte usados pelos paulistanos mudaram em três anos. Ônibus caíram de 47% para 43%, metrô, de 8% para 7%. Carros particulares subiram de 22% para 24%; aplicativos e táxis de 2% para 5%. Bicicletas de 1% para 2%. Esse fenômeno tem sido detectado em outras grandes cidades no mundo e começa a preocupar os administradores públicos. Uso menor do transporte coletivo tende a torná-lo mais caro e desestimula investimentos na sua melhoria. 

Não à toa, a prefeitura da cidade de Nova York entrou em conflito com o Uber e seu concorrente principal Lyft, a fim de limitar o número de automóveis. Quer poder avaliar melhor o impacto no trânsito e nos custos de transporte público. Essa discussão ainda continua por lá. 

No Brasil, o Uber está introduzindo uma versão mais simples (desenvolvida na Índia) de seu aplicativo, para celulares de poucos recursos, a fim de alavancar a modalidade Pool, onde mais de uma pessoa é transportada por veículo. Por outro lado, São Paulo foi a primeira cidade do mundo a lançar o serviço do Waze de carona paga, desde agosto passado. 

A ideia é oferecer e pedir carona a um preço entre R$ 4 e R$ 25. A empresa destaca se tratar de algo diferente, focado em serviço solidário: o motorista só pode oferecer duas caronas por dia. Como se trata de experiência nova, não objetiva retorno financeiro no momento. A checar, no futuro. 

No levantamento da ONG citada não há referência sobre os aplicativos de rotas alternativas como fator de melhor uso da malha viária e, por consequência, tempos menores de deslocamentos. De fato, é difícil avaliar esse impacto. No entanto, São Paulo é a cidade com o maior número de usuários do Waze no mundo e o Brasil, como um todo, só perde para os Estados Unidos na mesma comparação. 

Mas o aplicativo também falha. Há pouco mais de um ano houve um grande engarrafamento em São Paulo porque os usuários foram canalizados, erroneamente, para algumas avenidas. Mais recentemente houve queixas de voltas desnecessárias e roteiros que levavam ao destino informado, porém do lado oposto da rua ou avenida, causando transtorno e tempo maior de viagem. Outro aplicativo, o Google Maps (Google é dona do Waze, embora sem interação), às vezes indica rotas mais longas em dias e horários sabidamente sem problemas de trânsito. 

A exemplo de grandes empresas de Tecnologia da Informação (TI), o Google é refratário a dar muitas explicações e o Waze, pior ainda. Basta algo de errado acontecer. A Coluna tentou, por dois meses, saber se houve disfunções temporárias, relatadas por uso próprio e leitores, nos famosos algoritmos de roteamento. O Google Maps negou qualquer problema e se prontificou a checar o percurso errado. O Waze nem ao menos respondeu: deve se considerar à prova de erros.

ALTA RODA

NOVA família de motores de três cilindros virá com os novos Onix e sua versão sedã, Prisma, entre o final de 2019 e o começo de 2020. Conhecida como CSS (sigla em inglês para Estratégia de Conjunto de Cilindros), incluirá versões de 1.000 e 1.200 cm³ tanto de aspiração natural quanto com turbocompressor. Consumo e desempenho surpreenderão o mercado. 

EMPRESA inglesa, Camcon Automotive, promete para os primeiros anos 2020 um revolucionário avanço para motores de combustão interna (MCIs) em termos de consumo e emissões. Micromotores elétricos comandarão digitalmente a abertura e fechamento de válvulas, eliminado atuais árvores, balancins, molas e correias. Espera-se sobrevida, antes inimaginável, para os MCIs. 

APESAR de preço nada camarada na faixa de R$ 400 mil, BMW X3 M40i montado em Araquari (SC) garante fortes emoções. Começa pelo seis-cilindros em linha de 360 cv e 51 kgfm: acelera com grande vigor para um SUV desse porte. Volante de ótima pegada, suspensão bem firme e tração 4x4 complementam-se. O espaço atrás é meio acanhado, mas o porta-malas é bom. 

ESTUDOS da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam um fosso abissal entre os hemisférios Norte e Sul em termos de veículos elétricos e híbridos. Por seu alto preço, EPE estima que os dois somados representem apenas 2,5% das vendas em 2026, no Brasil (hoje, 0,2%). Os mais otimistas, no entanto, acreditam em participação de 30% em 2030. Haja otimismo! 

PRIMEIRAS revisões gratuitas eram comuns nos primórdios da produção nacional de veículos, nos anos 1960. Carros menos confiáveis levavam a indústria a estimular passagem pelas oficinas. Depois, caíram em desuso. Essa estratégia tem voltado pontualmente, desta vez como alternativa aos tradicionais descontos que acabam por desvalorizar, mais adiante, um modelo no mercado de usados. 

PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmo fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2


quinta-feira, 30 de março de 2017

Fernando Calmon - Alta Roda - Carona terá sua vez

Alta Roda nº 934/28430– 29 023– 0oda nº852/0311508– 2oda nº851/2017

Fernando Calmon
Mobilidade é um tema quase onipresente nos debates sobre presente e futuro das cidades depois que o mundo acelerou a migração do campo para as megaconcentrações urbanas e seu entorno. Entre as diversas facetas discutidas, pelo menos duas têm chamado atenção. Uma em razão do potencial de diminuir emissões de gases sob regulamentação e de efeito estufa e a outra, por melhorar as condições de trânsito.


A primeira centra-se na eletrificação parcial (hibridização) ou total. Os planos ousados divulgados pela maioria das marcas apontam 50% de todos os carros novos classificados como híbridos e até 20% elétricos, à altura da metade da próxima década. Essa previsão está mais próxima de modelos de preço médio a alto, porém o equilíbrio do negócio ainda continua um pouco turvo. 

Relatório recente da J.D. Power aponta proprietários de Tesla não tão satisfeitos com a qualidade de seus carros. A badalada empresa californiana só produz automóveis elétricos na faixa de US$ 80.000 a US$ 100.000 (com impostos brasileiros algo em torno de R$ 600.000). Prepara-se para lançar em 2018 modelos de US$ 35.000 e a consultoria lembra que os donos de veículos nessa faixa de preço poderiam ser menos indulgentes por terem suas casas menos recheadas de carros à disposição.

Sistemas de condução autônoma também aparecem em destaque quando se almejam racionalização do uso do automóvel e diminuição do número deles nas ruas. As coisas, porém, não são tão fáceis. Google e Apple desistiram de planos velados para produção de carros autônomos, preferindo se concentrar apenas na tecnologia e parcerias. Na segunda-feira, 20, a Uber anunciou ter suspendido os seus testes com um Volvo XC90 autônomo de sua frota em ruas do estado americano do Arizona, depois de um abalroamento por carro que não respeitou uma parada obrigatória. Antes a empresa tinha sido proibida de continuar seus testes em vias públicas da Califórnia. 

Solução mais simples e facilitada pela conectividade dos veículos chega até o fim do ano em São Paulo. O aplicativo de rotas alternativas Waze, propriedade do Google, oferecerá nova opção de um programa de caronas já testado em outros países. Anunciado na semana passada, sem data exata de implantação, lança mão de quatro milhões de usuários de roteiros adaptativos que tornaram a cidade de maior adesão a esse recurso no mundo. 

Pelo cruzamento de dados de origem e destino um algoritmo descobre pessoas que poderiam estar num mesmo veículo e na mesma rota. A ideia é realmente oferecer carona em troca de pagamento mínimo para partilhar despesas, mas não foram anunciados pormenores de como se fará esse controle e como se enquadrará na regulamentação desses serviços na capital paulista. Não se trataria, portanto, de mais um concorrente aos serviços de transporte alternativo a exemplo de Uber, Cabify e outros já presentes em várias cidades brasileiras. 

O gigante da informática entende que o verdadeiro vilão é o trânsito e não os carros. Tirar automóveis das ruas e ainda economizar dinheiro por meio de um serviço confiável de caronas poderiam mitigar um dos principais problemas de São Paulo e outras grandes cidades brasileiras. Que assim seja. 

RODA VIVA

ENTRE os quatro modelos que a VW lançará com sua arquitetura mais moderna (MQB), depois do Polo, do sedã derivado Virtus e do SUV compacto, surgirá uma picape compacta. Esta será maior do que a atual Saveiro, com quatro portas, próxima às dimensões da Renault Duster Oroch, porém menor que a Fiat Toro e sua carga útil de uma tonelada. 

ARGENTINA, aos poucos, conquista mais produtos. Além de fabricar cinco das seis picapes médias da região (e mais duas em breve), receberá investimentos de Renault e Grupo PSA. De 2018 em diante os furgões (MPV) Kangoo e Peugeot Partner/Citroën Berlingo, respectivamente, todos de nova geração. PSA tem planos ousados com nova arquitetura CMP de modelos compactos e médios. 

ACONTECEU o esperado. Jeep Compass está vendendo mais que o Renegade por atributos superiores e diferença de preço pequena. O primeiro, de maior porte, tem espaço interno e porta-malas convincentes, além de melhor isolamento do conjunto motor-câmbio automático de 9 marchas (igual ao do Renegade). Mas visibilidade traseira do Compass poderia ser melhor. 

CARRO FÁCIL, da seguradora Porto Seguro, inova como assinatura de veículos. Aposta na mudança do ´ter´ para o ‘usar’. Trata-se de uma espécie de leasing agregado a serviços de negociação, documentação, manutenção e o próprio seguro mediante uma mensalidade. Por enquanto apenas no Estado de São Paulo e algumas regiões do Rio de Janeiro. 

PREFERÊNCIA de passagem em rotatórias é sempre de quem já a adentrou. Mas boa parte dos motoristas desconhece essa norma, lembrando-se apenas da regra da via preferencial em cruzamentos. Esse erro, além de irritante, pode causar acidentes. Por isso seria muito bom o Denatran providenciar uma campanha nacional de esclarecimento em nome da segurança no trânsito. 


PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).

Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmo fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2