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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

Wagner Gonzalez
MUDANÇA MUNDIAL E ESPERANÇA LOCAL

O último fim de semana ilustra muito bem o momento que vivemos. Num clima de mudança mundial e esperança local, os autoentusiastas de plantão puderam acompanhar os primeiros sinais do que vem por aí no ambiente da F-1, onde Chase Carey começa a mostrar suas garras e sonhar que a famosa rivalidade entre gaúchos e paulistas pode brotar sementes que façam renascer o automobilismo brasileiro.

A primeira parte desta abertura foi em Cingapura, onde Nico Rosberg venceu o GP local e reassumiu a liderança do Campeonato Mundial de Pilotos. A parte final reuniu um público que em tudo lembrou a máxima de Brooklands, histórico circuito oval próximo a Londres: “No crowd but the right crowd”, numa tradução livre algo como “nada de multidão, mas o pessoal do meio lotou a casa”. No Brasil, disputada no autódromo Velo Città, em Mogi Guaçu (SP), a edição 2016 da 500 Quilômetros de São Paulo foi dominada pelas equipes gaúchas, em particular pela equipe formada pelo trio Emilio Padron, Fernando Fortes e Henrique Assunção, que além da vitória largaram na pole position e fizeram a volta mais rápida da prova.

GP com final interessante
Famosa pelo clima quente e úmido, a cidade-estado de Cingapura viu um GP com final dos mais interessantes, em que pese o domínio demonstrado por Nico Rosberg durante o fim de semana. Poucas vezes o alemão que algumas corridas atrás era mais uma vez dado como derrotado pelo seu companheiro de equipe Lewis Hamilton, venceu pela terceira prova consecutiva — e oitava vez no ano —, e reassumiu a liderança que ocupou durante a maior parte da temporada. Conquista que teve elementos de suspense devido ao alto desgaste dos freios — o traçado urbano do extremo oriente é apontado como o que possui o maior número de curvas, a maioria delas em ângulo de 90º —, ao arrefecimento do motor e à exaustão dos pilotos, estes últimos detalhes consequência do clima local.

A corrida, cujo resumo você pode assistir aqui, começou com emoção: Max Verstappen largou mal e ao desviar do holandês o espanhol Carlos Sainz acabou tocando no alemão Nico Hulkenberg, que rodou e foi de encontro ao muro do box

Com a intervenção do safety car, para limpar os detritos espalhados pela reta de largada todo o grid foi desviado para o pit lane (frente dos boxes), enquanto agentes da competição se encarregavam de remover os pedaços do Force India do piloto alemão.

Aparentemente o melhor motor Renault para esta prova foi direcionado para o carro de Max Verstappen, porém foi Daniel Ricciardo quem materializou o maior obstáculo ao domínio dos Mercedes de Rosberg e Hamilton, que terminou em terceiro.



O australiano optou por usar pneus supermacios no terceiro trecho de sua corrida e conseguiu criar alguma emoção na base de suaves prestações: chegou a tirar mais de um segundo por volta da diferença que o separava do líder, mas foi obrigado a aliviar seu ritmo para conservar os borrachudos e tentar um novo ataque nas voltas finais. Resumo da ópera: cruzou a linha de chegada 488/1000 de segundo atrás do vencedor, que comemorou com sua 22a vitória a 200ª largada em sua carreira iniciada no GP do Bahrein de 2006.

O fim de semana no paddock de Cingapura, no entanto, teve como personagem principal alguém que não é visto nos pódios ou sequer aparece no grid de largada. Na verdade sua relação mais prática com o esporte foi ter defendido o time de rúgbi das universidades Colgate, onde graduou-se em Economia, e Harvard, onde fez pós-graduação. Este esportista amador é o americano Chase Carey, que desponta como novo homem forte da F-1.

Em apenas um fim de semana já é possível delinear seu estilo de trabalho: após percorrer todos os boxes ao lado de Bernie Ecclestone, a quem não perde oportunidade de louvar pelo trabalho que o inglês desenvolveu até agora, Carey repetiu o percurso sozinho e conversou separadamente com cada chefe de equipe. Cauteloso, evita anunciar o que vai acontecer, no máximo sabe-se que ofereceu a cada uma a opção de comprar ações da nova administradora da categoria e que indica Los Angeles, Miami e Nova York como possíveis locais para um novo GP.

Tão grande quanto esse impacto é o  movimento no balcão de apostas sobre a possível aposentadoria de Bernie Ecclestone. O fato de Herbie Blash (junto com Charlie Whitting, um dos seus mais fiéis e longevos colaboradores) ter anunciado sua aposentadoria ao final desta temporada indica que o circo armado por Ecclestone já está sendo desarmado. Fala-se de um período de três anos para que o criador do império F-1 siga atuando ao lado de Carey. Poucos apostam que vai durar tanto.

O resultado completo e todos os números e comunicados que documentam o GP de Cingapura. você encontra clicando aqui.

500 Quilômetros revivem espírito dos anos 1960/70
Endurance Brasil)Tradição iniciada no final da década de 1950, a rivalidade automobilística entre gaúchos e paulistas consolidou-se nas décadas seguintes e gerou importantes conquistas para o esporte brasileiro: fomentou a popularização dos carreteras e as corridas longas no País, fez surgir pilotos e competições em Santa Catarina e no Paraná e incentivou a criação de vários autódromos. Mais recentemente essa sadia rivalidade adormeceu por razões variadas, mas tudo indica que as diferenças foram superadas: a presença maciça de equipes do Rio Grande do Sul e de de uma solitária escuderia de Santa Catarina — estandarte levantado pelo empresário Alexandre Finardi —, criou um clima de congraçamento e reunião na competição disputada no autódromo Velo Città e vencida pelo trio Henrique Assunção/Fernando Fortes/Emílio Padron.

Os modelos MRX, Moro, Tubarão (desenvolvido a partir do MRX de Luiz Fernando Cruz), o Tornado de Cali Crestani, modelos como Espron, Aldee e outros deram cor e diversidade a um automobilismo atualmente marcado por categorias monomarca em um grid que teve modelos como o Cobalt Força Livre de Ney Faustini pai e filho, o Mitsubishi de Guiga Spinelli/Leandro de Almeida/Duda Pamplona e até mesmo um Mercedes Benz E-320 tripulado por José Curado/Eric Darwich/Eduardo Rimoli.

Tão interessante quanto essa variedade foi notar a presença de sobrenomes históricos desempenhando funções que agora espelham dinastias como as iniciadas por Ronaldo Ely e Victor Steyer. Ian Ely largou para sua quinta corrida e mostrou que tem habilidade para replicar as boas atuações do pai Ronaldo. Entusiasmado com o potencial do filho, Ely está investindo na equipe Setti Racing, onde desponta outro jovem valor, Daniel Claudin, que liderou com calma e autoridade a fase inicial da corrida.

Na área dos boxes, outra dinastia se destacava cuidando daquele que era, possivelmente, o maior carro do grid: o Mercedes-Benz E 320. Rodrigo Telles segue os passos do pai, Caíto Queiroz Telles, nome que ficou famoso por preparar os Opalas de Pedro Victor Delamare e da equipe Itacolomy, duas referências na história do automobilismo brasileiro. Outra dupla de pai e filho era a formada pelos paranaenses Jair e Duda Bana. Em boxes adjacentes a figura de veteranos como o preparador Antônio Ferreirinha e o piloto Djalma Fogaça reforçava o clima de reunião de apaixonados.

O desempenho dos vencedores Assunção, Fortes e Padron, além de consistente em todo o fim de semana como também mostrou que o bom trabalho liderado do clã Andrade tem adversários a altura do desempenho dos carros da equipe do piloto e preparador Tiel, idealizador dos protótipos Tubarão desenvolvidos a partir do MRX projetado por Luiz Fernando Cruz. Enfim, a corrida promovida por Silvio Zambello — filho do saudoso Emilio e atual líder do departamento esportivo do Automóvel Clube Paulista —, mostrou que as bases para resgatar a família do automobilismo brasileiro estão vivas e saudáveis. Sem dúvida pode-se melhorar o espetáculo, mas em épocas como a que vivemos, é muito mais produtivo investir no que se tem e fazer as correções necessárias ao longo da caminhada.

O Não bastasse tudo isso o programa teve ainda largadas para as categorias Classic Cup, F-1600 e Lancer Cup, categoria local, e mais um edição do Encontro dos Campeões, que reúne pilotos do passado. A reforçar o clima o clima de camaradagem e confraternização a postura elegante de Eduardo Souza Ramos, idealizador e proprietário do Velo Città. Esse autódromo particular é reservado a eventos da marca Mitsubishi e eventos particulares. Abrir suas portas para uma prova como a 500 Quilômetros de São Paulo é uma forma de colaborar para o renascimento de um automobilismo onde preparadores e construtores podem expressar sua capacidade de criar e desenvolver novas soluções práticas em mundo cada vez mais estigmatizado pelo vírus da monomarca.

Audi falha, Porsche vence e Toyota completa o pódio
Os atuais campeões mundiais de Resistência — o trio formado por Timo Bernhard, Mark Webber e Brendon Hartley e seu Porsche 919 Hybrid — venceram a 6 Horas do Circuit das Américas (COTA), competição disputada na pista de Austin, no Texas,  sob forte calor. O Alpine Sigmatech A460 de Nicolas Lapierre, Gustavo Menezes and Stephane Richelmi venceu na categoria LM P2.

Os dois Audi mostraram condição de vencer mas tiveram problemas: o carro de Lucas Di Grassi, Oliver Jarvis e Löic Duval teve problemas elétricos mas ainda assim terminou em segundo, e o de Andre Lotterer, Benoit Treluyér e Marcel Fässler envolveu-se em um acidente com um retardatário. O Toyota TS 050 HYBRID de Mike Conway, Stéphane Sarrazin e Kamui Kobayashi ficou em terceiro. Outros brasileiros participaram da prova: Bruno Senna — que pilotou um Ligier JS Nissan P2 com Ricardo Gonzalez e Dilipe Albuquerque, ficou em nono lugar; Pipo Derani, com carro semelhante e também tripulado por Ryan Dalziel e Chris Cumming, em 13o.; Fernando Rees, com Aston Martin Vantage da classe LM GTE PRO, terminou em 20o. e teve como parceiro Darren Turner.

WG


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Wagner Gonzalez em Conversa de pista


Wagner Gonzalez
F-1 EM MONZA TEVE YING YANG

O Grande Prêmio da Itália disputado domingo em Monza teve Ying Yang como uma de suas principais características. As forças complementares do taoísmo foram exaltadas no equilíbrio que ficou mais forte na disputa pelo título mundial. 

O ying foi garantido por Nico Rosberg, que ao vencer a prova diminuiu para apenas dois pontos sua desvantagem para o líder do campeonato, Lewis Hamilton, que terminou em segundo (foto de abertura). O yang chegou pelas confirmações que Felipe Massa e Jenson Button não disputarão a temporada de 2017 e, além das reviravoltas que isso produziu no mercado de pilotos, a venda dos direitos comerciais da categoria, que foram adquiridos pelo grupo de comunicação americano Liberty Media. Bernie Ecclestone seguirá comandando a operação da F-1.
               
A ressurreição da Ferrari frente à Red Bull em um circuito onde a potência se destaca no cardápio, a presença de Sebastian Vettel no pódio foi o tempero que remeteu à gastronomia local, onde cada cidade tem seus segredos. Resta saber se o prato servido na terra do gorgonzola terá consistência nas sete provas que ainda restam neste ano, a próxima delas no dia 18 de setembro, em Cingapura. Na longa viagem até a cidade-estado ao sul da Malásia muitas tratativas e negociações deverão acontecer, destacando ainda mais a combinação ying yang de forças que habitam esse universo.

A vitória de Rosberg foi bastante facilitada por um erro crasso de Lewis Hamilton: autorizada a largada ele desperdiçou a condição de pole position para perder várias posições. Assim como ele, o mexicano Estebán Gutiérrez transformou em brilharete o décimo lugar que conquistou no grid no que pode ter sido seu melhor momento da temporada e o erro que selou seu futuro na categoria. Ele pode ter sido importante para a equipe americana conquistar a simpatia da Ferrari, mas suas atuações em nada têm ajudado a fundamentar sua permanência na Haas para uma segunda temporada. Romain Grosjean, por seu lado, marcou terreno ao pontuar em três das quatro primeiras corridas do ano e não poupa declarações sugerindo que está garantido por mais um ano na equipe.

Pilotos em situação semelhante, Felipe Nasr e Jolyon Palmer ainda no início da prova reeditaram suas disputas dos tempos da GP2 e colidiram ao contornar a primeira chicane. Descontadas as limitações das equipes de ambos — Renault e Sauber —, a permanência de ambos na categoria está indefinida, particularmente para o inglês. Nasr pode substitui-lo ou capitalizar a possível continuidade de patrocínios brasileiros na F-1, leia-se Banco do Brasil e Petrobras, e os interesses da Rede Globo.

A anunciada aposentadoria de Jenson Button — que continuará trabalhando com a McLaren na condição de conselheiro e piloto-reserva —, que ao abrir espaço o belga Stoffel Vandoorne ser confirmado como novo companheiro de Fernando Alonso, deixa em aberto vagas em equipes de vários níveis. As mais cobiçadas são a Williams e a Force India, que seguem brigando pelo quarto lugar no Campeonato de Construtores, com vantagem atual para a primeira, e a Toro Rosso.

Na casa de Grove, Nasr tem no canadense Lance Stroll e no mexicano Sérgio Pérez seus maiores adversários. Pérez é dado por alguns meios de comunicação como confirmado no seu endereço atual, o que soa incompatível com suas declarações recentes de que vai acontecer aquilo que ele quer. Se ele não tivesse interesse em mudar de equipe não haveria motivo para tanto oba oba em torno do seu futuro… O finlandês Valteri Bottas continua tão quieto nas negociações que sua saída da Williams surpreenderia nesta altura dos acontecimentos. No time júnior da Red Bull, que no ano que vem volta a usar motores Renault, o espanhol Carlos Sainz está confirmado, mas a segunda vaga está em aberto e Daniil Kvyat tem poucas chances de ser mantido. O francês Pierre Gasly é a aposta.

Mais para trás no grid, Renault, Sauber e Manor são opções para os “newcomers”ou aqueles com status de “between jobs”, eufemismo que os ingleses utilizam para evitar assumir que estão desempregados. Esteban Ocón tem a preferência de Fredéric Vasseur, o diretor da operação Renault na F-1, o que aumenta a concorrência pela segunda vaga da equipe. Fala-se que o sueco Marcus Ericsson tem ligações indiretas com o grupo de investidores que comprou o controle acionário da Sauber, o que deve ajudar na sua permanência.

Já na Manor há rumores de novos investimentos por parte da Mercedes, interessada em criar uma equipe de apoio para formar pilotos e ajudar no desenvolvimento técnico, algo possível quando o faturamento na operação principal gera lucros suficientes. De qualquer maneira, o nome de Pascal Wehrlein é ventilado como possível nome na Force India e a segunda vaga fica em aberto. A novata Haas, como dito acima, tem apenas uma vaga em aberto, a de Gutiérrez.

Se os motores da Ferrari apareceram anabolizados para a etapa de Monza, a médio prazo nenhum outro assunto trará maior impacto à categoria que a propalada venda dos direitos comerciais. A pegada estritamente financeira que a CVC Partners impôs à F-1 certamente gerou lucros: a operação de venda para o grupo Liberty Media estaria precificada em torno dos US$ 8,5 bilhões. O poder e a expertise de comunicação da empresa são os elementos que mais deverão gerar mudanças no futuro do esporte.

É provável que você nunca tenha ouvido falar dessa holding, mas certamente já ouviu falar do time de beisebol Atlanta Braves, da rádio satélite SiriusXM e da Viacom, alguns dos investimentos do grupo. No Brasil a empresa tem 27% da Ideiasnet, empresa que controla a Officer, distribuidora de produtos de informática. Mark Carleton, Christopher Shean e Albert Rosenthaler são alguns altos executivos recentemente anunciados em novos cargos na empresa e que deverão aparecer em breve em assuntos ligados ao futuro financeiro da categoria, assim como John Malone, o todo-poderoso de grupo de investimento. Este ano a Liberty gerou mais de US$ 444 milhões em oferta pública de papéis ligados à sua participação minoritária junto à Time Warner. Interesses em outros continentes incluem a Discovery, TLC e Eurosport.
O resultado completo do GP da Itália você encontra aqui.


Red Bull sai da Stock brasileira
A fabricante de energéticos Red Bull anunciou ontem que deixará de patrocinar a equipe de Stock Car de Andreas Mattheis. Embora a empresa tenha anunciado que continuará apoiando os pilotos Cacá Bueno, Daniel Serra e Felipe Fraga, a perda de um patrocinador de sua magnitude é uma perda considerável para a categoria. O anúncio confirma notícia publicada por esta coluna em 19 de julho e que você pode conferir aqui. No próximo final de semana a categoria disputa a Corrida do Milhão, em Interlagos.

Festa no México

Os brasileiros continuam se destacando na disputa do Campeonato Mundial de Resistência, mais conhecido como WEC (World Endurance Championship). A equipe formada por Bruno Senna, Filipe Albuquerque e Ricardo Gonzalez (Ligier JS P2-Nissan) conseguiu a vitória na categoria P2, à frente do Alpine A460-Nissan de Gustavo Menezes/Nicolas Lapierre/Stéphane Richelmi. Pipo Derani (junto com Ryan Dalziel e Chris Cumming) e Bruno Junqueira (com Luiz Dias e Roberto González) terminaram em terceiro e quinto lugares, respectivamente. Na classificação geral a vitória foi do Porsche 919 Hybrid de Mark Webber, Brendon Hartley e Timo Bernhard.

WG