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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Coluna do Borracha - Já fizeram o cabelo, falta a barba e o bigode

A MotoGP e a Fórmula 1 já conhecem as equipes campeãs do ano

Texto: Eduardo Abbas
Fotos: f1.com, motogp.com

Pelo menos uma parte do assunto já está resolvido, as duas principais equipes das categorias de 2 e 4 rodas já tem o título de campeãs do ano: a Yamaha na MotoGP e a Mercedes na Fórmula 1. É a vitória da competência e do trabalho duro, elas que são referência para as outras.


Quem chegou primeiro foi a japonesa Yamaha em Motegi, no Japão, casa da rival Honda, que por sinal, deu um show na pista com o improvável Dani Pedrosa. A corrida com chuva dava o favoritismo para as motos azuis, mas, e sempre tem um mas, nem Lorenzo nem Rossi conseguiram parar o espanhol da equipe laranja.


Com a pista molhada, todo mundo partiu de pneu de chuva, claro que o Lorenzo se lançou como um alucinado na ponta, tentando abrir o máximo que conseguisse, afinal, atrás dele vinha o Valentino. Ele até que conseguiu abrir bastante, mas o preço que pagou foi muito caro.


Mais comedido, Rossi controlou a corrida, não abusou do equipamento e, quando o Pedrosa começou chegar chegando, ele nem disputou. O Dani estava na verdade enlouquecido e a sua moto parece que nem gastava os pneus, ele praticamente engoliu o Valentino e partiu pra cima do Jorge, quando chegou, passou e deu tchauzinho.


Pior pro Lorenzo que havia detonado seus pneus, viu a vitória escapar e, por maiores que sejam os pecados, assistiu o Rossi ultrapassá-lo e também se mandar. Ficou ruim, chegou em terceiro com gosto de derrota, deixou o italiano abrir mais 3 pontos e pode ter complicado a vida, afinal de contas, faltam três corridas para o fim do campeonato, se ele ganhar todas e o Valentino chegar em segundo, dançou nenê.


No fim de semana tem mais, agora na Austrália, aí sim vai ficar desenhado como será a final do campeonato de pilotos. Eu ainda acredito no Rossi, o Lorenzo não tem estomago nem cabeça para administrar e não errar e na verdade eu acredito que a disputa vai até a última etapa em Valencia, mas é MotoGP meu amigo, tudo pode acontecer e o negócio é conferir a corrida australiana na madrugada.


Já na Fórmula 1, os alemães fecharam o campeonato de equipes na Rússia, mais precisamente em Sochi, uma pista de rua com cara de autódromo e com todas as pegadinhas que são típicas neste tipo de traçado. Claro que as Mercedes mandaram no fim de semana, claro que a disputa era entre Hamilton e Rosberg, evidente que o Vettel ia se meter no meio, lógico que o Bottas ia fazer uma corrida de gente grande e que o Felipe Nasr ia se destacar. Tudo dentro do script, mas só o Lewis confirmou o favoritismo e o Nasr pontuou novamente com a Sauber.


Acontece que o improvável aconteceu, parece mentira, mas o acelerador do carro do alemão quebrou e ele teve que abandonar. Meu amigo, faltando poucas etapas para o fim do campeonato e você zera? Aí já é ser cagado demais! Pior que isso é que o Vettel chegou em segundo e acabou se tornando vice no campeonato. Pode acontecer uma merda maior?


Pode! O boca de litro do Kimi, enlouquecido que estava para tentar pelo menos chegar ao pódio com o companheiro, tentou fazer uma ultrapassagem de maluco, jogou o carro pra cima do Bottas e tirou o compatriota da corrida. Mas justo o Valtteri, que esse ano já foi muito sacaneado pela equipe e apesar de tudo ainda está na frente do Zacarias, iria conquistar o terceiro lugar, mas com a batida ambos acabaram facilitando a vida pro mexicano Perez.


Com isso, o campeonato ficou mais decidido ainda em favor do inglês, que agora nem precisa mais ganhar nenhuma corrida, está com 66 pontos à frente do Vettel e 73 do Rosberg, com 100 ainda em jogo. Como eu disse nas minhas últimas colunas, para mim o campeonato fecha no GP do México e a corrida do Brasil passa a não valer absolutamente nada em termos de porra nenhuma.


Na corrida russa, onde as disputas ficaram com o pessoal do fundão, a coisa mais interessante foram os bonés da Pirelli, lembrando a famosa ushanka, um chapéu típico das regiões mais frias da Rússia e que pode ou não ter orelheiras. Um boné, aliás, bem propício para a ocasião, afinal a Mercedes e o Lewis colocaram um iceberg na cabeça da concorrência.


Eu volto na semana que vêm!

Beijos & queijos

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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

COLUNA DO BORRACHA - Um quase desastre

Na corrida em Misano um fato raro, Rossi erra na tática e quase se atrapalha no campeonato

Texto: Eduardo Abbas
Fotos: motogp.com

Parece que tudo ia dando certo para o doutor, a chuva que prometia chegar durante a prova enchia de esperança os enlouquecidos torcedores do italiano. Depois de uma largada com pista seca, onde Lorenzo e Marquez despacharam o resto do pelotão, restava apenas a esperança que São Pedro ajudasse a escalada de Rossi em busca de mais uma conquista.


Ela veio, todo mundo trocou as motos para as configuradas para chuva, embaralhou as posições e Valentino corria livre, leve e solto na ponta para mais uma vitória, tudo dentro do script das últimas etapas vencidas por ele, aproveitando-se das intempéries para mostrar sua insuperável técnica e aumentar ainda mais a distância para o espanhol, que tenta vir babando para tirar o título do companheiro.


Acontece que forças estranhas pairaram sobre a pista onde a chuva parou, mas continuou molhada. Todos começaram a trocar as motos pelas ajustadas para pista seca, Marquez foi o primeiro e na seqüência veio o Lorenzo. Acontece que, a afobação do espanhol da Yamaha lhe deu de presente um tombaço, daqueles que o cara mais parece uma porca saindo do parafuso, ficou desnorteado e inconformado, afinal estava fora de uma etapa onde o líder do campeonato estava prestes a vencer.


Agora, que catzo aconteceu com o Rossi, nem ele mesmo sabe. A equipe o chamou várias vezes para trocar de moto, ele insistiu em continuar na pista com a configuração de chuva e estava perdendo muito tempo. Acontece que, na MotoGP não existe a comunicação por rádio, o piloto tem que acreditar nas placas e ele não sabia que tinha gente virando quase 10 segundos mais rápido que ele, um desses era o Marquez.


Aí, quando já era tarde, ele resolveu trocar e acabou voltando em 5º lugar, muito longe do 4º, que dirá do Marc que assumiu a ponta. Foi uma besteira sem tamanho e, acredito, nunca mais vai se repetir até ele encerrar a carreira. Quem se deu bem, mas bem mesmo, foi o Marc Marquez, que na verdade estava devendo uma corrida deste nível, disputada e tática, e agora está a 40 pontos de Lorenzo que está a 23 de Valentino.


Com 125 pontos em jogo, acredito que o piloto da Honda vai tentar se aproximar mais e entrar na briga pelo campeonato, isso deve ajudar o italiano um pouco, porque meu caro, se o Marquez vê uma pequena chance e é com Lorenzo que ele deve brigar, a coisa deve esquentar para o lado espanhol da disputa.


No fim de semana têm Fórmula 1 em Singapura, aquela corrida noturna que aqui passa de dia e deve garantir ainda mais a liderança do Hamilton. Com 53 pontos à frente de Rosberg já começa a contagem regressiva, hoje, com essa diferença, o inglês fecha o campeonato no México. Eu vou ficando por aqui, me aguarde que eu volto pra contar tudo que acontecer nessa corrida.

Beijos & queijos

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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

COLUNA DO BORRACHA - Em nome de Justin

O automobilismo faz mais uma vítima fatal na reta final do campeonato da Indy e a F1 continua sendo dominada por Hamilton

Texto: Eduardo Abbas
Fotos: indycar.com, f1.com

Não foi um fim de semana dos mais sensatos para as duas maiores categorias do automobilismo mundial, uma continua sendo o desfile de uma só equipe enquanto a outra se perde em disputas fracas e fazendo mais uma família chorar.

Começando com a Fórmula 1, posso dizer que nunca vi tamanha incompetência de uma equipe como a Williams fez com Bottas. Absurdo dos absurdos, a equipe mandou o piloto pra pista com pneus diferentes e o pior, obrigou o coitado a rodar até a parada seguinte com um composto de cada lado. Seria para ajudar o Zacarias? Provavelmente, afinal ele não mostra nada faz muito tempo e só chega à frente do companheiro quando alguma coisa estranha acontece no carro do finlandês.

Outra equipe que fez papel de idiota foi a Ferrari. Quis arriscar fazer apenas uma troca com Vettel e acabou se dando muito mal. Faltando duas voltas para o fim da corrida, o pneu estourou e tirou o pódio do alemão. A Pirelli correu para se explicar, disse que a orientação era de duas trocas e que o risco foi todo da equipe italiana.


Vaffanculo! Já encheu o saco essa coisa de trocar pneu pra ter disputa, faz um composto rápido, outro mais duro e os caras que se virem para administrar a corrida, quem quiser troca, quem não quiser melhore a carroça e tenta correr junto, se alguém se destaca demais, coloca lastro na barata e que se virem. Se fosse assim, o Hamilton que sobrou já estaria levando uma tonelada de peso extra, e lógico, problema dele. Mas por que facilitar se pode complicar? Se o pneu do Vettel estoura na curva talvez ele tivesse passado o resto do domingo no hospital.

O resto foi o resto, como sempre, Rosberg não tem força pra chegar lá e o inglês vai sobrar, quem sabe fecha o campeonato antes do Brasil? O automobilismo de hoje vive uma crise de talentos, pessoas sem a menor capacidade de dirigir uma taxi sem Uber são levados ao nível de gênios da velocidade, e paga-se um preço muito alto por isso.

Em Pocono, na etapa da Indy, aconteceu um acidente fatal na verdade ocasionado por uma dessas coisas do destino, estar no lugar errado no momento errado. Sege Karan se perdeu e deu no muro, o bico do carro se soltou e atingiu Justin Wilson que vinha passando e não tinha nada a ver com o acidente do americano. Uma fatalidade, a perda de uma vida sempre comove e sempre nos faz refletir sobre como poderíamos evitá-la.

Todos os esportes de alto nível envolvem risco, por isso são emocionantes, por isso chamam dinheiro, por isso quem se arrisca mais ganha mais. Agora, neste momento de dor, aparecem os defensores do cockpit fechado para carros Fórmula, uma idéia tão absurda quanto colocar uma roupa de astronauta em surfistas para não serem atacados por tubarões. Quem está lá é conhecedor do risco e das conseqüências, as cabines fechadas não garantem segurança, vide o que aconteceu na Stock Car no Brasil, onde dois pilotos perderam a vida mesmo cercados das mais duras ligas em seus carros.

E como ficaria a MotoGP? Como colocar os pilotos em um casulo de segurança? Quem está correndo tenta vencer os adversários e enganar a morte, a cada etapa disputada, a cada largada que não se tem idéia de como vai ser a chegada. O que realmente deve ser pensado é na qualidade dos competidores, eliminar os pagantes sem talento e dar oportunidade a quem realmente tem capacidade de pilotar um carro ou moto a mais de 300 km/h. Só a título de curiosidade, a Fórmula 1 ficou sem ter uma morte na pista mais de 11 anos e só encontrou a fatalidade em 1994 com o Senna, depois disso foram mais 20 anos até o acidente que acabou matando o Bianchi, juntando esses dois períodos, a Nascar teve 4 mortes e Le Mans 3, adianta fechar o carro?

Vou ficando por aqui, no fim de semana tem WEC na Alemanha, MotoGP na Inglaterra e o encerramento da Indy em Sonoma, em clima de grande pesar pela perda do inglês que, não conheci, mas meus amigos garantem que era uma pessoa das mais sensacionais, até porque com sua morte e a doação de seus órgãos, ele garantiu pelo menos a sobrevida de mais três seres humanos. Rest In Peace Justin Wilson, sua missão aqui na terra foi plenamente cumprida!