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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Roberto Nasser - De carro por aí


Coluna 3818 – 21.09.2018 edita@rnasser.com.br    

O novo Jetta
Em sétima geração, o Jetta, sedã desenvolvido sobre a plataforma do Golf, junta o melhor dos mundos: base de qualidade; quatro portas; elegante; motor 1,4 turbo com injeção direta de combustível feito no Brasil; produção no México e importação livre de impostos. Constitui-se num dos bons soldados para a ofensiva de resgate de vendas e imagem tocada pela empresa sob o rótulo Nova Volkswagen. Marca tem divisão de sedãs para sensibilizar interessados em porte e preço. Os há em vários degraus: Voyage, Virtus, Jetta, Passat. Exceto o primeiro, todos empregam versões da plataforma MQB.

Foco
Empresa fez bom desenvolvimento ao especificar versões para o mercado brasileiro.  Resumiu-as em Comfortline e R-Line, para ficar bem isolado, sem concorrer com os primos. Visualmente é inequivocamente um Volkswagen, com estilo alemão, claro e franco. No momento marca-se por veios laterais e pela ampla grade frontal para caracterizar um modelo Premium. Nada a ver com as gerações vistas na rua – a última chegou a ser montada no Brasil, numa operação Acalma Sindicato. Relativamente a esta é maior, mais largo, alto, em realce o comprimento contido em 4,7m e a ótima distância entre eixos de 2,7m, garantindo duas características: espaço interno aos passageiros e rolagem de ótimo conforto. O foco em reduzidas versões limitou o uso de motores. Descartou o decrépito 2 litros e 8 válvulas, e focou no 1,4 TSI uma das boas surpresas do mercado. Com 150 cv de potência e, principal, 25 mkgf de torque entre 1.500 e 3.500 rpm, garante respostas rápidas e satisfatórias. Vai da imobilidade aos 100 km/h em 8,9s e crava velocidade final de 209 km/h. Curiosidade física, potência e torque tem os mesmos dados para uso de gasálcool ou etanol. Restante com conjunto concentra-se na tração frontal por transmissão automática, seis velocidades, com conversor de torque e acionamento Tiptronic. Freios a disco nas 4 rodas.

Mais
Volkswagen o compôs seguindo sua atual filosofia: aplicar equipamentos usualmente encontráveis em veículos de faixa superior, como iluminação ambiente da cabine, faróis e lanternas em LED, acabamento interno considerado Premium. Regulagens para performance, conforto, economia. Opcional, apenas 1: teto solar. De Volks este Wagen tem cada vez menos…

Sistema de infodiversão elaborado, tela com 20 cm, e preocupação interessante, a garantia longa, de três anos, sem limite de quilometragem – o pessoal de   vendas deveria conversar com colegas do Jurídico para saber que o entendimento de lei é o dado maior … Inclui graciosidade para as três primeiras revisões, como sempre ocorreu no Brasil, tradição cortada pelos fabricantes. Parece ter-se inspirado nas companhias aéreas cobrando pelo que antes era tradicionalmente gracioso.

Virá, a partir de outubro, e as duas versões devem vender 70% de Comfortline e 30% de R-Line, com previsão por Pablo Di Si, CEO para a América Latina, da venda entre 10 e 15 mil unidades anuais. Parece cauteloso. Ante concorrentes e seus preços, sinaliza maiores possibilidades.

Quanto
Versão
R$
Comforline
109.990
R-Line
119.990

Roda-a-Roda
Atração - Salão do Automóvel, 08-19.novembro, marca Senna exporá uma das 500 unidades do McLaren Senna. Junto, o Fórmula 1 MP4/5 com o qual Ayrton Senna ganhou o GP de Monza em 1990.

Negócio – Carro é da categoria Superesportivo, motor V8, 4.000 cm3, bi turbo, 800 cv e 800 Nm de torque. É o mais veloz da empresa em 340 km/h de velocidade final. Custa R$ 8M (!) e três foram vendidas para o Brasil.

Inspiração – Diz a família, carro é fiel às habilidades lendárias do piloto, seja lá o que for isto nesta etérea atmosfera. A Senna não o venderá, missão do representante local. Aparentemente irá à mostra para comercializar direitos de artigos com o nome do finado campeão. Perguntada, a marca Senna não esclareceu o que faz.

Fim – Renault definiu: Fluence sairá de produção até o final do ano. Já não vende no Brasil, onde seria o carro ideal para aplicativos. Razões simples, mercado de sedãs capitula ante o de SUVs, e necessidade de espaço industrial na velha fábrica, ex Jeep, hoje Renault, em Santa Isabel, Córdoba, Arg. Informações do jornal buenairense Âmbito Financeiro.

Substituto – Será o Arkana, mescla de sedã com SUV, um crossover, categoria com estilo nem sempre bem saudado, inaugurada pelo BMW 6. Produção no Brasil em 2020.

Surpresa – Curiosidade no mercado, Fiat e Jeep aceleraram vendas em agosto e somaram a liderança nos segmentos de picapes, comerciais leves e utilitários esportivos, levando a FCA a crescer acima da média do mercado. Tal resultado no mês deu-lhe a segunda posição de vendas no mercado.

Briga – Passou a Volkswagen, com quem contende duramente, mas ao final do ano números devem manter a GM como líder de vendas.

Questão – Liderança é por marca ou por empresa? Válido o primeiro conceito, GM estará em 1º lugar. Pelo outro, será a FCA. Entretanto se for disputa de CNPJ, soma das vendas de suas principais marcas, Fiat + Jeep, lidera.

Mais – Três primeiras colocações ficarão entre GM, VW e FCA. Quarta e quinta embolam Ford, Hyundai, Renault e Toyota. Ranking lembra classificação de treino da Fórmula 1: diferença entre Ford, 4ª em vendas e Toyota, 7ª posição, é de 1,4% em vendas.

Cenário - Industrialmente Hyundai opera no limite de sua capacidade, porém Toyota, em passo inverso agregou terceiro turno de trabalho e vendeu mais de 10 mil unidades do Yaris em dois meses, quase o dobro do Etios. Renault vem crescendo, liderando o segmento de entrada como o Kwid, coerentemente seu mais vendido, e desencantando vendas para o Captur.

Dupla – Renault e VW são as marcas de maior crescimento no mercado nos primeiros oito meses do ano.

Auxílio – Novo recurso off-road apresentado nos picapes F-150 Raptor 2019 e no picape Ranger 2019 – não ao modelo mercosulino. É o Trail Control, controle assumindo acelerador e freios até 32 km/h em estradas sáfaras, ruins.

E daí – A indústria automobilística trabalha contra si mesma, negando o uso do automóvel ao pretender substituir prazer de condução por motorista eletrônico.

Também – Mercado de duas rodas superou 100 mil unidades em agosto e quase 700 mil produzidas nos primeiros 8 meses do ano: 21% acima dos números do exercício passado.

Porque? – Vetores do crescimento são maior oferta – ou menor dificuldade para obter crédito -, e o crescimento pela opção dos planos de consórcio.

Acerto – Quem acompanha a questão entre a CAOA e a Hyundai no desfazimento do acordo operacional para produzir utilitários esportivos e pequenos caminhões na fábrica de Anápolis, GO. diz, o desatar vai muito bem.

Recall – Chamada pública, todos sabem, para correção de algum item atentatório à segurança, pondo em risco ocupantes do veículo e os das vias. É feito utilizando a mídia para conhecimento e efeito.

Exclusividade – São chamadas volumosas, exponenciais, dadas as quantidades usualmente construídas pelos fabricantes. Pode ser de milhões, como o caso dos airbags Takata das japonesas. Ou para apenas uma unidade, no caso de Tiguan Allspace, feita pela VW, em anúncio desta semana.

Curiosidade – Recall para solitária unidade? É, explica Fernando Campoi, pela fabricante. Apesar de sabermos localizar o proprietário, o Ministério da Justiça entende que o texto legal não permite atendimento sem chamada pública. No caso, com o proprietário morando em S Paulo, usamos apenas jornais paulistas.

Solução – Voo cancelado, atrasado, excesso de passageiros, bagagem extraviada, transportadora descompromissada? Tem solução. Start up mineira, a Não voei.com se propõe a ajudar. Pelo sítio empresa analisa e orienta quanto ao melhor caminho a tomar. Só recebe em caso de êxito.

Questão – Coluna passada comentou engano sobre Ford Modelo T apresentado como 1908 durante premiação dos melhores veículos no majestoso Encontro de Veículos Antigos em Araxá. MG, com patrocínio Renault. Leitores querem saber o porquê.

Óbvio – Questão temporal, simples entender, diz o Curador do Museu Nacional do Automóvel: O Modelo T iniciou ser vendido ao final de 1908. Produção contida, pré sistema de linha de montagem. Teriam saído das portas da agora velha fábrica de Piquette, entre outubro e final de dezembro menos de 2.000 unidades.

Conta – À época não havia representante Ford no Brasil, e a demanda do veículo nos EUA, o mais barato no mercado, não permitiu exportá-lo. E tivesse isto ocorrido, o tempo entre produzir, cuidar da logística de transporte fluvial e marítimo, não teria chegado durante o ano de 1908. Após, seria licenciado no ano da venda.

Gente – Herbert Negele, alemão, mestrado em engenharia aeroespacial e PhD em sistemas, vida mansa. OOOO Deixa na matriz alemã dedicação em carros híbridos, de estratégia, e será diretor de engenharia na BMW Brasil. OOOO Aqui empresa faz primária montagem de peças, sistema vigente antes da implantação da indústria automobilística. OOOO Processo simplório. mas aprenderá muito no entorno. OOOO Em especial pelas expressões consagradas: ‘tá saindo; não esquenta; no final dá certo, e a curiosamente vertida para estrangeiros, a Tea with Me, localmente a xa comigo.OOOO

A liderança do Jeep Compass
Assinalando dois anos de lançamento, o Jeep Compass tem números e dados a sustentar sua aceleração e penetração no mercado. Desde setembro de 2016 vendeu mais de 95 mil unidades; nos últimos 12 meses cravou 58.188 emplacamentos, significando ter crescido 30% em relação ao mesmo período, janeiro a agosto, percentual duas vezes superior ao mercado, com 11,4%. Na prática é líder disparado – sua moderna fábrica, em Goiana, no fim do norte pernambucano, quase divisa com Paraíba, detém recorde curioso: de seus três produtos, dois são líderes – o Compass e o picape Toro, vendido com marca Fiat.

Renegade, ex-líder do segmento, também vai muito bem.
Mix de vendas é muito interessante, com sólida participação das versões de maior preço, motor diesel 2,0, transmissão automática de nove velocidades e tração nas 4 rodas Jeep Active Drive Low, a reduzida e o controle Select Terrain  representando 35% das vendas. A Sport, de entrada, bem equipada, é 10% das encomendas. É produto definidor de seu cliente. Quanto à motorização, o engenho Flex Tigershark representa os restantes 65% das preferências.

Além do estilo bem formulado; da modernidade; é o veículo nacional com o maior pacote de tecnologia embarcada, com recursos de condução autônoma, como o ACC - controle adaptativo de velocidade; FCWp – alerta de colisão com frenagem automática; monitoramento de mudança de faixa; BSM – detectores de ponto cego; Park Assist para manobrar em vagas de estacionamento.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Fim de semana perfeito para a Renault no Brasileiro de Marcas

Neste fim de semana ocorreu a 6ª etapa do Campeonato Brasileiro de Marcas no Autódromo Orlando Moura em Campo Grande (MS), com um resultado muito positivo para a Renault. No sábado o piloto Gabriel Casagrande largou na pole, dominou a prova de ponta a ponta e conquistou sua terceira vitória no campeonato. No domingo foi a vez de Fábio Carbone subir no lugar mais alto do pódio. 

Na prova de sábado os pilotos Gabriel Casagrande, Fábio Carbone, Rubens Barrichello e o estreante Osman Didi estiveram muito competitivos ao volante do Renault Fluence de competição. Na etapa classificatória, Casagrande e Carbone conquistaram os melhores tempos, mas apenas Casagrande iria largar na pole, pois Carbone sofreu punição na etapa anterior, em Goiânia, que o fez perder 15 posições no grid de largada, caindo do 2º para o 17º lugar.

Na primeira corrida do fim de semana, a disputa em Campo Grande foi abaixo de chuva e péssima visibilidade no circuito, mas o paranaense não deu chance aos adversários. Casagrande largou na pole position e abriu boa vantagem já nas primeiras voltas sobre o segundo colocado Nonô Figueiredo, usando toda a habilidade para cruzar a linha de chegada. Já Carbone conseguiu pular várias posições e terminar a corrida em 4º.

"Estou muito feliz em ter conquistado mais uma vitória para a Renault, o carro estava muito bom e rápido. Consegui manter a ponta durante todas as voltas. Vamos trabalhar para buscar cada vez mais resultados positivos", comemorou Gabriel Casagrande após conquista a sua terceira vitória no campeonato.

Classificação do sábado:
1) 83 Gabriel Casagrande( C2 Team - Renault Fluence) - 15 voltas
2) 11 Nonô Figueiredo (Onze Motorsports - Chevrolet Cruze) - a 3s726
3) 3 Vitor Meira (JLM Racing - Honda Civic) - a 7s319
4) 45 Fábio Carbone (Full Time Sports - Renault Fluence) - a 18s723
5) 43 Vicente Orige (JLM Racing - Honda Civic) - a 21s733
6) 12 Guilherme Salas (Onze Motorsports - Chevrolet Cruze) - a 24s090
7) 57 Felipe Tozzo (JLM Sport - Honda Civic) - a 24s676
8) 99 Cesar Bonilha( Jupiter Racing Team - Ford Focus) - a 34s475
9) 1 Thiago Marques (RZ Motorsport Toyota - Toyota Corolla) - a 35s654
10) 17 Daniel Kaefer (RZ Motorsport Toyota - Toyota Corolla) - a 35s667
11) 7 Beto Cavaleiro/Osman Didi (C2 Team - Renault Fluence) 
12) 31 Willian Starostik (Toyota Bassani Racing - Toyota Corolla) 
13) 8 Willian Freire KFF (Pro Racing - Chevrolet Cruze) - a 1min01s882
14) 88 Alberto Cattucci (KFF Pro Racing - Chevrolet Cruze) - a 1min09s554
15) 0 Gustavo Martins( JLM Sport - Honda Civic) - a 2 voltas
16) 199 Marcelo Rocha (Jupiter Racing Team - Ford Focus) - a 11 voltas
17) 111 Rubens Barrichelo (Full Time Sports - Renault Fluence) -
18) 9 Rodrigo Baptista (Toyota Bassani Racing - Toyota Corolla) - não terminou

No domingo, finalizando a sexta etapa da competição, o autódromo amanheceu com frio e pista seca, oferecendo grandes emoções para os pilotos. O grande destaque foi o piloto Fábio Carbone que conquistou sua primeira vitória no campeonato. Logo na largada, o piloto conseguiu pular da quarta para a segunda posição, incomodando muito o ponteiro Cesar Bonilha. Com muito oportunismo, Carbone assumiu a liderança no erro do piloto da Júpiter Racing e teve apenas o trabalho de controlar a corrida.

"Tínhamos um bom carro o final de semana inteiro, ontem não conseguimos um pódio, pois quando largamos do fundo, temos que fazer uma corrida de muita recuperação. Hoje a situação de pista era extremamente melhor e largamos lá na frente do grid. Essa vitória é muito boa, a empatia com a equipe foi realmente legal. Agora vamos saborear a vitória." comentou Carbone

Resultado da Corrida 2*:
1) 45 Fábio Carbone (Full Time Sports - Renault Fluence) - 17 voltas 
2) 11 Nonô Figueiredo (Onze Motorsports - Chevrolet Cruze) - a 3s805
3) 99 Cesar Bonilha (Jupiter Racing Team - Ford Focus) - a 8s316
4) 57 Felipe Tozzo (JLM Sport - Honda Civic) - a 20s018
5) 1 Thiago Marques (RZ Motorsport Toyota - Toyota Corolla) - a 21s284
6) 111 Rubens Barrichelo (Full Time Sports -- Renault Fluence)
7) 83 Gabriel Casagrande (C2 Team - Renault Fluence) - a 22s267
8) 0 Gustavo Martins (JLM Sport - Honda Civic) - a 30s925
9) 43 Vicente Orige (JLM Racing - Honda Civic) - a 32s658
10) 3 Vitor Meira (JLM Racing - Honda Civic) - a 35s715
11) 9 Rodrigo Baptista (Toyota Bassani - Racing Toyota Corolla) - a 36s000
12) 8 Willian Freire (KFF Pro Racing - Chevrolet Cruze) - a 1 volta
13) 17 Daniel Kaefer (RZ Motorsport Toyota - Toyota Corolla) - a 1 volta
14) 7 Beto Cavaleiro/Osman Didi (C2 Team - Renault Fluence)
15) 199 Marcelo Rocha (Jupiter Racing Team - Ford Focus) - a 2 voltas
16) 31 Willian Starostik (Toyota Bassani Racing - Toyota Corolla) - a 4 voltas
17) 12 Guilherme Salas (Onze Motorsports - Chevrolet Cruze) - a 6 voltas
18) 88 Alberto Cattucci (KFF Pro Racing - Chevrolet Cruze) - a 10 voltas
Melhor volta: Fábio Carbone, 1min34s543 (média de 130,7 km/h)

*Resultados sujeitos a verificações técnicas e desportivas

A próxima corrida acontecerá novamente em Curitiba, no dia 18 de outubro. Esta será a penúltima etapa do campeonato que termina em São Paulo, em Dezembro.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Fernando Calmon - Alta Roda - Incertezas de curto prazo

Alta Roda nº811/161 – 20/11/2014

Fernando Calmon
Depois de analisar as possibilidades de aumento da taxa de motorização da população brasileira para os próximos 20 anos, que se concentrará em cidades pequenas e médias, a Coluna se volta às preocupações de curto prazo. No fim da semana passada, entraram em vigor as regras que aceleram a retomada de veículos por falta de pagamento. À primeira vista, como os calotes representam hoje 4,4% dos financiamentos, não parece importante, mas é. Afinal, 50% de todas as vendas são intermediadas por bancos (outros 10% por consórcios e até 10% em curto prazo pelas lojas).


O problema é o alto custo de recuperação dos bens por si só de valores elevados. Leva tempo, passa por etapas judiciais e muitas vezes os carros vinham com dívidas de impostos, multas e ainda desvalorizados por falta de manutenção. A nova lei pode encurtar o processo de um ano (após seu início) para três meses. Por consequência, deve ocorrer maior liberação de crédito e numa segunda etapa até redução dos juros pela diminuição dos riscos operacionais. 

Na avaliação da Fenabrave, até 30.000 carros por mês poderão agora obter parcelamentos, antes negados por falta de garantias. Anfavea acredita que já em dezembro haverá reflexos nas vendas e ajudaria a mitigar os números bem negativos deste ano, previstos em menos 10% sobre 2013. Um fator de antecipação de compras seria o IPI maior a partir de 1º de janeiro próximo. Se o governo decidir voltar à alíquota cheia, terminaria o compromisso de manter empregos por parte da indústria. Escalonado o aumento mais uma vez, só haveria demissões voluntárias como ocorre agora. 

Por tudo isso fica difícil fazer previsões para 2015. Na dúvida, a maioria dos analistas prevê que o próximo ano terá crescimento zero de vendas e recuperação mesmo só em 2016. Com certeza comprometerá algumas expectativas mais otimistas para esta década, porém não retirou ânimo de quem decidiu investir conforme se observou no seminário Direções, da Quatro Rodas, realizado na segunda-feira, 17, em São Paulo. 

Para Jörg Hofmann, presidente da Audi, apenas 2% do mercado brasileiro se concentra em marcas premium ou de valores elevados. Com poder aquisitivo em elevação e o estímulo da produção local nada impediria o porcentual saltar para 5%, como hoje na Austrália. Na China é 9%, nos EUA, 10% e na Alemanha, 13% puxado por vendas corporativas. No Brasil, a premiação de altos funcionários com o uso de veículos caros está em ascensão, embora possa haver diferenças culturais entre São Paulo e Rio de Janeiro apontadas em debates no evento. 

No outro extremo, Luis Curi, da Chery, destacou a aposta das marcas chinesas no peso próprio do País e sua influência nos países vizinhos. Lembrou da transição das motos para automóveis na China e que toma corpo aqui. E Sérgio Ferreira, da FCA, apontou o desafio vencido de implantar uma fábrica Jeep no Brasil, longe dos grandes centros fornecedores e consumidores. 

A estratégia do grupo ítalo-americano se alinha à forte aceitação dos SUVs e, em particular, das suas alternativas compactas. Continuarão a avançar sobre stations, monovolumes e, de acordo com os debatedores, incomodarão até sedãs em razão dos estreantes Renegade, HR-V e 2008 em 2015. 

RODA VIVA

Leitores perguntam por que os números da frota registrada pelo Denatran e Detrans não são confiáveis. Simplesmente porque, ao contrário do controle total sobre veículos novos, os antigos que já não rodam são abandonados sem baixa oficial nos registros. Isso se dá pela burocracia e altos custos para os proprietários. Problema que se acumula há anos sem sinal de solução. 

Renault rejuvenesceu o Fluence para manter capacidade de competir no segmento de sedãs médios-compactos que representam 8% do mercado, mas têm oferta altamente diversificada: uma dúzia de opções. Parte frontal segue a linguagem estilística da marca e LEDs estão nas lanternas traseiras. Quadro de instrumentos digital, novo sistema multimídia e travamento automático das portas com chave no bolso completam o modelo, sem alterações mecânicas e de preços: R$ 66.890 a 82.900. 

Outro a entrar na onda aventureira, o Chevrolet Spin Activ, apenas na versão de cinco lugares, marca o visual pelo estepe fixado na porta traseira que ainda atrai por aqui, mas cai em desuso no exterior. Sensor de distância traseiro é de série, o que diminui a possibilidade de o pneu protuberante danificar outros carros em manobras. Dinâmica do Spin não se alterou pelos bons ajustes de suspensão, mas 60 kg acrescentados em razão do suporte do estepe já se sentem no desempenho. 

Realmente o termo Active está na moda. Active Flex, na BMW; Nissan March Active (carroceria da geração anterior agora de volta com mais equipamentos a preço mais baixo) e o Spin Activ (apenas sem a letra “e” final). Os dois últimos lançados no mesmo dia (Spin já estava no Salão do Automóvel, mês passado). Todos registrados no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Como pode? 


PERFIL
   
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).

Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmon                                                                                                                               

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Roberto Nasser - De carro por aí

Coluna 4614 - 12.11.2014 edita@rnasser.com.br  

Em briga pelo mercado Renault atira para cima

Inequivocamente um bom automóvel médio. Soma competências: projeto coreano, motor 2.0 japonês Nissan, transmissão CVT – de polias variáveis – também japonês Aisin, agrupado na Argentina, vendido no Brasil. Coisas da globalização: a Renault comprou a Samsung de automóveis aliou-se à Nissan, usa do talento local para modificar a frente do veículo com a nova assinatura da marca, para iniciar segundo ciclo do produto, ora em meia idade. A mudança, carimbando o rótulo de Novo, é para assumir suoerior postura mercadológica, sem comparar-se com Peugeot 408, Citroën C 4 Lounge, Ford Focus, Chevrolet Cruise, disputando os mesmos clientes. Agora mira nos líderes do segmento, Toyota Corolla e Honda Civic.

Muito entusiasmo. Para fazer o Fluence competir com tais nipônicos deve multiplicar por 10 as atuais 400 unidades mensais.

Enfeixou medidas para contrapor argumentos para afinar o foco: qualidade, sinônimo de resistência, traduzindo confiabilidade, gerando conceito e valor de revenda. Isto a Renault vem plantando como projeto de vida e de futuro, e no Brasil é mensurável no Logan, Sanderos, Duster, gerando clientela fiel e liquidez à hora da venda. São conceitos de mercado pobre, onde o automóvel não é visto como bem de consumo durável porém desgastável, mas investimento.
Diz Bruno Hohmann, diretor comercial, para minguar o queixume sobre queda de valor de revenda na comparação com os japoneses, na troca do Fluence anterior pelo modelo novo a Renault bancará a diferença do percentual de preços indicados na tabela FIPE. Outro ponto importante é do tipo mais por menos, seus conteúdos não há nos nipônicos na mesma faixa de preços. 

Como é
É o conhecido Fluence, agora modificado na parte frontal, com os novos traços da assinatura da marca. Retocou positivamente o interior, introduziu a transmissão CVT, câmbio automático sem consumir energia do motor para tocar as rodas. No exterior algumas licenças poéticas como a cor preta que se torna violeta berinjela, mas na verdade é esta que se transforma naquela.

Mantém intocadas as características de rolagem, a compatibilidade de motor/câmbio, suspensão/direção/freios. O motor Nissan com mágicas de usinagem, ágil e girador – o grupo moto propulsor é o utilizado no Nissan Sentra. Anunciado como gerador de 143 cv e 20,3 m.kgf de torque, e 140 cv e 19 m.kgf respectivamente com álcool e gasálcool.

Bom isolamento termo acústico. Usuários se sentem bem acolhidos e com os sentidos de tato, visual, audição são confortáveis.

Inclui pacote de confortos de som, tela com 7”, funções operadas por toque, o atestado de modernidade do momento, a desnecessidade da chave para ligar e desligar e, no caso, ainda oferece um plus: com a chave no bolso, quando o motorista se afasta e interrompe o sinal, o automóvel se tranca. E amplo pacote de eletrônica de segurança diferenciando-se dos focados concorrentes.
Inicialmente apenas versões Dynamique e Privilége. GT e Turbo em alguns meses. Preços de R$ 66.890 a R$ 82.490.

Mono, inglês, racional, sob medida
Tens sob o terno o animus competitio, o vírus da velocidade, és dos prazeres solitários ? Chegou seu carro, o Mono, pela inglesa BAC.Pelo menos é o imaginado pelo publicitário paulista Alexandre Gama, importador de uma unidade obvia e publicitariamente estacionada durante o GP de Fórmula 1 para medir interesse e possível clientela. Calça o esforço de apresentação com distribuição de noticiário.

A mágica do automóvel com rendimento por motor pequeno é coisa antiga. Vem da fórmula criada pelos franceses nos anos ’20, aviada pela inglesa Morris Garage em seus modelos T no pré guerra, viabilizada pelo britânico Colin Chapman em seu Lotus 7 nos anos ’60. Coisa milenarmente conhecida: quanto menor o peso carregado por um cavalo, mais longe e rápido irá. Em engenheirês é a relação peso x potência e nela quanto menor, mais rendimento.

Engenheiros, os irmãos Neill e Ian Briggs somaram experiências na Ford, Mercedes e Porsche, criaram sua empresa, a Briggs Automotive Company, construíram um carro de Fórmula 3. Depois resolveram ampliar a aplicação do produto: em vez de circuitos, ruas e estradas. Nelson Piquet, pai, na edição 2002 dos 1.000 km de Brasília fez coisa assemelhada: transformou um monoposto Dallara de Fórmula 3 em carro de corridas aplicando-lhe para lamas e faróis.

A morfologia do Fórmula exige e concede peculiaridades. Primeira, ser sob medida. Nele o banco é personalizado, medido e moldado em função da arquitetura do piloto – altura, cintura, tamanho de pernas e braços. Feito, é fixado, sem conceder regulagens. No Mono – o nome sintetiza a origem de monoposto e o fato de transportar apenas uma pessoa –, carro de corridas com roupagem tentativamente extra pista, carroceria em fibra de carbono feita em torno do usuário, e a medida do charme da exclusividade inclui o cockpit, o banco, volante e regulagem nos pedais. Há uma célula de segurança na treliça tubular em aço, com reforços laterais. Permite, para andar nas ruas e estradas, personalizada calibragem da suspensão e escolha de rodas, pneus e freios. O volante contém todas as funções para condução, incluindo acionamento dos faróis e ao centro, uma tela conta do motor e da performance.

Com apenas 540 kg, o motor Ford Duratec 2.3 desenvolvido pela Cosworth faz 284 cv a 7.700 rpm, torque de aproximados 28 quilos a 6.000 rpm, e o escalonamento das 6 marchas no cambio sequencial exibem ser pró performance. Para bom rendimento do motor, radiador em fibra de carbono, e sistema de exaustão em aço inox e titânio. Na prática acelera de O a 100 km/h em asfixiantes 2,8s e crava 274 km/h em velocidade final.

Para vitoriar em sua pretensão o importador enfrentará alguns óbices, como para licenciá-lo serem exigidos, para brisas, dentre outros itens, limpador, inexistentes no veículo; para circular difícil imaginá-lo com altura livre do solo para não ancorar nos irregulares quebra molas brasileiros. Não há informação sobre as bolsas de ar e o ABS.

Outro item, custa, na Inglaterra, 100 mil libras, uns R$ 350 mil. Para chegar aqui seu preço arranharia o R$ 1M.

Roda-a-Roda

Paralelo – Ao lado do início da montagem do Mitsubishi Lancer em Catalão, Go, marca iniciou distribuir a versão Evolution X, sua décima edição. É personalizado em acertos para o Brasil pelo preparador inglês James Easton,ex diretor da Rallyart quando o Evolution foi tetra campeão mundial de rali.

Aplicação – O Evolution X é sedã construído sobre plataforma dos carros de rali, motor 2.0 turbo com 340 cv e 37,3 m.kgf de torque, transmissão de dupla embreagem, 6 velocidades, tração integral e volumoso pacote de tecnologia voltada à segurança. Carro e preço de homem: R$ 219.900.

De Ré  - Nissan importou Antigo ferramental parágrafo anterior version Produzir fazer março - As apostas iniciais Pelo importada fazer México Modelo e substituída Atual. Quer ter produto mais barato, de entrada no mercado, veículo de frotas e serviços.

Como - Chama-o Active, 1.0, 74 cv, e não é acintosamente pelado como costumam ser os do primeiro degrau da tabela. Há mimos como direção elétrica, ar condicionado, vidros laterais dianteiros elétricos um toque, banco regulável para o motorista. Fora. maçanetas e retrovisores pintados na cor do carro. Custa R$ 30.990. Próximo degrau, quase 10% acima.

Conjuntura – Itaipu Binacional iniciou montar 32 unidades do compacto Renault Twizy, obviamente 100% elétrico. Exercício não é apenas o simplório agregar partes, mas identificar auto peças nacionais existentes e aplicáveis. É segunda fase da operação, iniciada com Fiat Palio Adventure, então movidos por gasolina. No caso, o Twizy, elétrico desde o projeto, facilita o processo.

E, - Uso institucional, dentro da usina. Novidades avultam com novo governo.
Fim – Acabou o Citroën C4 hatch, e a marca não produzirá tal versão sobre a plataforma do C 4 Lounge. Calcula para importação, assistência e preço final.

Atração – Bridgestone oferece desconto na compra de pneus novos para automóveis ou camionetes a quem entrega os usados como parte do pagamento. Recebe-os a R$ 35 os de aro 15”; R$ 50 os 16”. Em aro de 17” e 18”, R$ 70 e R$ 75. Até o final doano. (www.compreeganhebridgestone.com.br)

Escola – Castrol criou o hot site Escola de Proteção, canal com conselhos e dicas sobre manutenção e proteção de automóveis e motores. Coisas cotidianas, informações com base técnica e parte para testar e ensinar os interessados. Está em  www.castrolmagnatec.com.br 

Caminho – Em Belo Horizonte BMW re inaugurou loja do grupo Euroville, após reformulação: boutique com itens ligados a automóvel, acessórios e equipamentos para BMW automóveis e motos, e marca Mini. Na oficina, em endereço próximo, sinal dos tempos: 14 boxes para serviços em automóveis a gasolina, e 2 para BMW elétricos e híbridos.

Duas Rodas – No Expo Renault Barigui, em Curitiba, Pr, dentro do parque com o mesmo nome, exposição de motos novas, antigas, peças, acessórios, serviços, o Brasil Motorcycle Show - www.brasilmotorcycleshow.com.br Entre os dias 21 e 23. Oficina de customização Phoenix apoia.

Tecnologia – Carros da Mercedes na Fórmula 1 foram pintados com tintas criadas pela AkzoNobel, e resultados geraram contrato para estender aos automóveis da marca. Tintas não tem VOC, componentes orgânicos voláteis, não agridem o meio ambiente; agilizam o processo de pintura secando na metade do tempo; reduzem o peso do carro. Na Fórmula 1 baixaram em 1 kg. Na prática ganho de 1/10 de segundo/volta.

Futuro – Ferraris no GP de Interlagos utilizaram novo óleo Shell, o Helix Ultra PurePlus. Novidadoso, não é feito a partir do petróleo bruto, mas do gás natural, sem eventuais impurezas contidas no óleo. Diz a Shell, garante melhores limpeza e proteção do motor.

Na rua – 40 anos de pesquisa, e é o caminho para o futuro. O óleo básico é produzido pela Pearl GTL, joint-venture entre a Shell e a Qatar Petroleum. A BMW ajustou com a Shell ser o lubrificante oficial da marca.

MALLEA Negri, transferido .  oooo Da Argentina BMW Mini Marca parágrafo assumir no Brasil. Oooo  EXPERIENCIA Importante: soluço o Mini soros compatriota SUA Gestão Montado na SC Fabrica BMW em. oooo 

O símbolo do Automóvel
Ideias, projetos, tentativas esparsas para fazer um veículo auto propelido marcaram o final dos anos 1.800. Soprava um vento progressista, e inventores diversos, sem se conhecer, traduziam suas ideias em porcas e parafusos. Entretanto, quem deu forma e função ao negócio foi Carl Benz, engenheiro alemão, inventor e construtor de motores estacionários movidos por gás. Benz construiu engenho monocilíndrico, com bloco e cabeçote em ferro, aplicou-o sobre a modificada estrutura de charrete – à frente trocou os varais onde se prendia o cavalo, por uma roda central. O motor, de 4 tempos – empregava válvulas em seu ciclo operacional -, deslocava 954 cm3 e produzia 2/3 de cavalo de força. Não tinha caixa de marchas, e a ligação entre o motor e rodas traseiras era por polia e cinta de couro. No total, a charrete e motor pesavam 300 kg. Mais dois ocupantes, na prática significava colocar um motor atual de 1.0 para deslocar um ônibus !

Sequer havia um nome para definir a invenção, e as autoridades da Alemanha ao emitir o certificado de propriedade industrial aos 29.jan.1886, chamaram-no Patent Motor Wagen – veículo patenteado a motor.

Divulgação, prova de confiabilidade, resistência e facilidade de manutenção foram feitos por sua mulher, Bertha e dois filhos Eugen, 15 e Richard, 13. Viajaram mais de 100 km, cruzaram a Floresta Negra em viagem de Manheim, onde moravam, a Pforzeim, a 120 km de distância. Aventura serviu de teste; permitiu melhorar a refrigeração; pequenos inconvenientes sanados por Bertha; um sapateiro num dos burgos do caminho trocou o elemento frenante; e Lidoin, produto de limpeza usado como combustível, teve nome mudado para Benzina. E mostrou não ser uma tralha ensandecida, mas um transporte perfeitamente conduzível por uma senhora.

É o símbolo do automóvel e, para saudá-lo, a hoje Mercedes-Benz volta e meia o reproduz em contadas unidades.