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terça-feira, 18 de junho de 2019

WAGNER GONZALEZ em Conversa de Pista

Wagner Gonzalez

Um novo eldorado para os pilotos brasileiros
A Fórmula 1 continua sendo a meca de 11 entre 10 jovens que dão seus primeiros passos no kart, não raramente por desejo maior dos pais do que dos próprios neófitos no esporte. Em tempos de ruptura com padrões pré-millenials esse objetivo vem sendo desconstruído e ganhando adeptos em ritmo de Q-3, a fase decisiva dos treinos de classificação e que define quem vai largar na pole position. 

A conquista do título de Campeão Mundial de Resistência na categoria LMP2 por André Negrão e a
segunda vitória de Daniel Serra nas 24 Horas de Le Mans, na categoria GTE Pro, certamente darão um novo estímulo ao automobilismo brasileiro, ausente da F-1 e com perspectiva de um retorno próximo pouco animadora. Esse estímulo se materializa tanto no mercado de pilotos quanto no crescimento da categoria Endurance em pistas nacionais e o resultado de tudo isso são boas possibilidades de profissionalização para os pilotos.

Para amantes de tabela Excel e chegados a analisar tudo por números frios em um esporte onde a paixão e o inesperado têm maior valor que os cálculos de engenharia tão essenciais, essa análise desemboca no tamanho do mercado de pilotos entre as duas modalidades. Some-se a isso o interesse cada vez maior das grandes fábricas de automóveis, ávidas de lucros em nichos outrora avaliados com parcimônia. Produzir e desenvolver carros de competição derivados de modelos de rua vai muito além de ganhos intangíveis com construção e consolidação da imagem de marca e passa pelos lucros puros e simples da venda e manutenção desses carros. A Lamborghini, por exemplo, já faz até leasing de carros de corrida.

Para os entusiastas de plantão, a chance de ver carros de marcas diferentes, e bastante semelhantes ao que se pode ver nas ruas em fins de semana ensolarados, justifica o interesse por corridas que reúnem Aston Martin, BMW, Corvette, Lamborghini, Mercedes, Porsche e outros dividindo pistas mundo afora com protótipos de várias cores e raças. O último fim de semana reforçou esse novo panorama em frentes tão diferentes quanto a maior prova de resistência do mundo, as 24 Horas de Le Mans, e mais uma etapa do Endurance Brasil, torneio que replica esse universo na terra brasilis e que vive uma nova fase de crescimento. Tanto um quanto outro desses dois planetas são personagens dessa fase, o primeiro por pressões políticas advindas da F-1 e o segundo pelo formato adotado e a perene instabilidade econômica do País.

Em Le Mans André Deco Negrão (filho do ex-piloto Guto Negrão) terminou a prova em sexto lugar na classificação geral e primeiro na categoria LMP2 conduzindo um Alpine,  o que garantiu a ele e aos franceses Nicolas Lapierre e Pierre Thiriet o título mundial mais disputado do campeonato. Os carros da LMP1 são mais rápidos e dominem a classificação geral, mas a Toyota corre praticamente sozinha em termos ao equipamento e orçamento: somou 216 pontos contra 134 da Rebellion Racing, onde corre Bruno Senna. A equipe de Negrão chegou ao título após aculular 181 pontos, contra 166 e 138 dos seus adversários mais diretos (dois carros da equipe Jackie Chan DC Racing) e 117 da Dragon Speed.

“Foi uma temporada e, principalmente, uma corrida muito dura. Nossos adversários não deram folga e não podíamos cometer nenhum erro durante as 24 horas da prova e durante a noite o carro de segurança ficou entre nós e o protótipo da equipe G-Drive. Cheguei a pensar que isso definiria o resultado, mas conseguimos recuperar a liderança na re-largada.”

Espécie de patinho feio da família Endurance, a LMP2 deve ser suplantada em importância pelos carros das categorias GT tanto na Europa quanto na América do Norte e na Ásia, onde proliferam campeonatos e torneios que servem de eliminatórias para uma vaga em Le Mans, o Santo Graal dessa religião de pneus largos e motores a combustão. Motores híbridos, por enquanto, apenas na LMP1 e, em breve na categoria Hyper cars. É na categoria GT que mais brasileiros brilharam no circuito de Sarthe, região situada a oeste de Paris. Daniel Serra foi o vencedor entre os belos GT da classe Pro e Felipe Fraga conseguiu resultado semelhante na classe AM. Uma não-conformidade na capacidade do tanque de gasolina, porém, causou a desclassificação dos Ford GT da equipe do brasileiro (Keating Motorsports) e da Chip Ganassi.

Daniel Serra venceu na categoria LM GTE Pro a bordo de um Aston Martin Vantage em 2017 e agora repete o feito a bordo de um Ferrari. Atual bi-campeão da Stock Car brasileiro, onde seu pai Chico Serra foi tri-campeão em 1999/200/2001, ele não esconde que o resultado deste ano teve sabor especial:
“A primeira vitória é realmente uma conquista inesquecível, mas vencer a bordo de um carro vermelho tem um significado diferente, marcante.

Além de André Negrão, Bruno Senna (4o colocado na geral e na categoria LMP1), Daniel Serra e Felipe Fraga também participaram das 24 Horas de Le Mans deste ano Augusto Farfus (BMW M8 GTE, ficou em 31o), Pipo Derani (Ferrari 488 GTE, 42o) e Rodrigo Baptista (Ferrari 488 GTE, 34o). Derani é o líder da categoria principal no campeonato IMSA, disputado na América do Norte, onde faz dupla com outro brasileiro, Felipe Nasr e Hélio Castro Neves defende a equipe Honda; Bia Figueiredo, Oswaldo Negri e Victor Franzoni também participam esporadicamente. No Japão João Paulo de Oliveria disputa a categoria Super GT com um Aston Martin e ainda na Europa vários brasileiros participam de séries como a Blancpain GT, entre eles Felipe Fraga, enquanto Allam Khodair e Marcelo Hahn disputam o Europeu de GT.

No Brasil o Endurance vive uma nova fase de bonança graças ao entusiasmo de pilotos, equipes e construtores. Formada em torno da cena gaúcha da categoria, a lista de inscritos é dominada pelo piloto e construtor Juliano Moro com seus protótipos AJR, de conceito similar ao usado nos Estados Unidos, e já provocou o interesse da Ginetta, construtor ingles que tem no brasileiro Adolpho Rossi seu maior representantes nas Américas: foi ele quem lançou e consolidou a marca nos Estados Unidos. Há também propostas desenvolvidas por Luiz Fernando Cruz (MRX Lamborghini) e pelos engenheiros Evandro Flesch e Pedro Fetter (Sigma-Audi). O mecânico Adilson Asa Ayres também desenvolve uma nova proposta para a categoria. Entre os GTs as marcas Audi, Ferrari, Lamborghini, Mercedes e Porsche também participam com destaque.

quinta-feira, 22 de março de 2018

N/DUDUCH Motorsports anuncia retorno das 6 Horas de São Paulo


A etapa das 6 Horas de São Paulo está de volta ao Brasil.  A prova fará parte do calendário de 2019/2020 do Campeonato Mundial de Endurance – FIA WEC. 

N/DUDUCH Motorsports será a promotora do evento, cuja primeira edição, com data a confirmar, será realizada no Autódromo de Interlagos, em São Paulo.

O anúncio da parceria, de três anos de duração entre a N/DUDUCH Motorsports e a organização do FIA WEC, foi feito na manhã desta quinta-feira (22) no Hotel Grand Hyatt São Paulo. No local, estiveram presentes Nicholas Duduch, CEO da N/DUDUCH Motorsports, Gérard Neveu, CEO do FIA WEC, Cédric Vilatte, Gerente de Evento do FIA WEC, João Amaral, da São Paulo Turismo (SPTuris), Waldner Bernardo (Dadai), presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), Bruno Senna, um dos embaixadores da prova, além de outras autoridades e convidados especiais.

Distante do Brasil desde 2014, quando foi realizada a última de suas três edições no Autódromo de Interlagos, o campeonato conta atualmente com oito etapas ao redor do mundo. A mais famosa delas é a tradicional prova das 24 Horas de Le Mans, que em 2017 foi realizada pela 85ª vez na história. O FIA WEC também é a casa de marcas importantes do setor automotivo como: Aston Martin, BMW, Ferrari, Ford, Porsche e Toyota.

O campeonato tem a chancela da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) em parceria com o Automóvel Clube do Oeste (ACO) e possui um dos grids mais concorridos do esporte a motor. Criado em 2012, o FIA WEC atrai cada vez mais as atenções de grandes pilotos. Em 2018, a grande novidade será a participação do espanhol Fernando Alonso, bicampeão da Fórmula 1.

No ano passado, os brasileiros foram presença maciça no campeonato. Nas 24 Horas de Le Mans competiram oito pilotos do País: André Negrão, Bruno Senna, que se sagrou campeão da categoria LMP2 no ano, Nelsinho Piquet, Rubens Barrichello, Tony Kanaan, Daniel Serra, Pipo Derani e Fernando Rees. Destaque para Daniel Serra, filho do tricampeão da Stock Car, Chico Serra, que venceu a corrida na categoria GTE Pro pela equipe Aston Martin Racing.

Nicholas Duduch, CEO da N/DUDUCH Motorsports

“Estamos muito honrados em fazer parte de um projeto de tamanho impacto. Em parceria com o FIA WEC, queremos trazer uma experiência completa para os fãs do esporte a motor. A cultura do Endurance vai além da corrida em si, e o nosso desejo é fazer com que o público se acostume, entenda e viva o que de melhor o FIA WEC tem a oferecer.”
Gérard Neveu, CEO do FIA WEC

“Esta é uma ótima notícia, não só para o grande número de fãs brasileiros extremamente apaixonados e leiais ao FIA WEC, mas também para os competidores do campeonato, que amam correr no circuito lendário de Interlagos.

Nosso retorno para a América do Sul é algo com o qual temos trabalhado por muitos anos, e nossos agradecimentos vão ao Nicholas Duduch e seus sócios pelo trabalho árduo para fazer com que o evento aconteça, junto ao apoio da cidade de São Paulo. Ter Bruno Senna como nosso embaixador do FIA WEC em São Paulo é uma verdadeira honra. Ele é, sem dúvida, um dos melhores pilotos do FIA WEC.

Estamos em contato com todo o paddock do FIA WEC e nossos parceiros para voltarmos ao Brasil na temporada 2019-2020 com um grande evento.”

Bruno Senna, Piloto campeão da LMP2 em 2017 e um dos embaixadores da prova.

“É um prazer enorme voltar a correr no meu país, perto da torcida brasileira. O autódromo de Interlagos, particularmente, traz lembranças muito especiais e o automobilismo brasileiro só tem a ganhar com o retorno de um campeonato grandioso como o FIA WEC.”


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Alpine acelera mais forte

A coletiva de imprensa organizada pela ACO e a WEC para a temporada de endurance já teve clima de largada, com a apresentação das equipes para 2016. A Alpine entra para a briga com dois carros A460, participando do Campeonato Mundial de Endurance da FIA (WEC) e da 84ª edição das 24 Horas de Le Mans, que acontece dias 18 e 19 de junho.

Representando a equipe Signatech-Alpine, os novos carros Alpine A460 participam da categoria LMP2, que é caracterizada por um nível exigente e bastante concorrido.Utilizado desde 2013, desde o retorno da marca às competições, o número 36 fortalece sua presença no legado da equipe. Vencedor de cinco etapas do WEC, Nicolas Lapierre é uma das principais apostas da equipe. O francês compartilha das ambições esportivas da Alpine para a temporada de 2016. Seu companheiro será o jovem americano Gustavo Menezes, que chega da Fórmula 3 e já teve experiência com protótipos no Campeonato United Sports Car.

O segundo Alpine A460, que compete sob a bandeira da Baxi DC Racing Alpine, participará das provas com o número 35. Criada por SR-Jackie Chan e David Cheng, a DC Racing conquistou vários títulos na Le Mans Series asiática, antes de participar no WEC da FIA com a Alpine.Assim como para o carro de nº 36, dois dos três pilotos estão confirmados: David Cheng e Ho-Pin Tung, já acostumados a trabalhar juntos em várias temporadas.

O Alpine A460 e os nomes dos dois pilotos que completarão as equipes serão revelados nas próximas semanas, antes dos primeiros testes que acontecerão no Circuito Paul Ricard, em 25 e 26 de março.

Bernard Ollivier (Presidente da Alpine) comentou: “Depois de dois títulos na ELMS, um pódio nas 24 de Le Mans e uma primeira temporada na WEC, a Alpine continua acelerando, com um segundo carro e um reforço em nossa equipe de pilotos. Buscamos otimizar recursos e meios, para reunir nossos principais diferenciais. Mas nada é por acaso em nosso programa de 2016. Nicolas Lapierre é um dos melhores pilotos de endurance. Já Gustavo Menezes, David Cheng e Ho-Pin Tung nos ajudarão a levar a Alpine aos mercados americanos – principalmente latino-americanos – e asiáticos, graças ao acordo firmado com a DC Racing. Por isso, 2016 será um ano muito importante para a Alpine e as competições. Nosso objetivo é chegar ao pódio e à vitória”!

Philippe Sinault (Diretor da equipe Signatech-Alpine) comentou: “Muitas novidades estão previstas para 2016, tanto na organização e formação das equipes como em termos de carros. Estamos felizes por assinar este acordo com a DC Racing, que nos permite participar com um segundo carro. Com isso, teremos inúmeras vantagens e oportunidades estratégicas. Também estamos muito entusiasmados com nossos pilotos, principalmente com a chegada de Nicolas Lapierre, que já faz parte da família Signature, com quem vencemos juntos o Grande Prêmio de Macau, em 2003. Sua vasta experiência na categoria LMP1 nos permitirá avançar em todas as áreas. As próximas semanas serão intensas, com a apresentação de nossos carros Alpine A460 e a finalização dos acordos com dois pilotos, que completarão nossas equipes”.

PILOTOS ALPINE 2016
Alpine A460 n° 35: David Cheng / Ho-Pin Tung / TBA
Alpine A460 n° 36: Nicolas Lapierre / Gustavo Menezes / TBA

David Cheng
Nascido em 21/07/89 em Pequim (China)
Nacionalidade: chinês e americano www.dchengracing.com

Ho-Pin Tung
Nascido em 04/12/82 em Velp (Holanda)
Nacionalidade: chinês e holandês

Nicolas Lapierre
Nascido em 02/04/84 em Thonon-les-Bains (França)
Nacionalidade: francês www.nicolaslapierre.com

Gustavo Menezes
Nascido em 19/09/94 em Los Angeles (USA)
Nacionalidade: americano www.gustavomenezes.com

CALENDÁRIO 2016
25-26 março: Apresentação – Circuito Paul Ricard (França)
17 de abril: 6 Horas de Silverstone (Grã-Bretanha)
7 de maio: 6 Horas WEC de Spa-Francorchamps (Bélgica)
5 de junho: Dia de testes para as 24 Horas de le Mans (França)
18-19 de junho: 24 Horas de le Mans (França)
24 de julho: 6 Horas de Nürburgring (Alemanha)
3 de setembro: 6 Horas do México (México)
17 de setembro: 6 Horas do Circuito das Américas (EUA)
16 de outubro: 6 Horas de Fuji (Japão)
6 de novembro: 6 Horas de Shanghai (China)
19 de novembro: 6 Horas de Bahrein