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sexta-feira, 19 de junho de 2020

Edição especial 720S Le Mans comemora o 25º aniversário da vitória da McLaren nas 24 Horas


A McLaren Automotive está comemorando uma de suas maiores conquistas no automobilismo − a vitória em sua primeira tentativa nas 24 Horas de Le Mans − com uma edição especial do 720S Coupe. Apenas 50 unidades desta edição especial estarão disponíveis em todo o mundo, sendo 16 na Europa.

O 720S Le Mans foi criado para marcar 25 anos desde que o McLaren F1 GTR número 59 venceu a corrida de longa duração mais famosa corrida do mundo. Pilotado por J.J. Lehto, Yannick Dalmas e Masanori Sekiya, o carro recebeu a bandeira quadriculada em 18 de junho de 1995. Três
outros McLaren F1 GTR terminaram entre os cinco primeiros (o brasileiro Maurizio Sandro Sala fez parte do trio que terminou em quarto lugar), com a vitória em Le Mans também garantindo à McLaren um lugar na história do automobilismo como vencedora da clássica corrida francesa de 24 horas, do Campeonato Mundial de Fórmula 1 e das 500 Milhas de Indianapolis.

Levando o supercarro 720S a um novo nível de exclusividade, cada um dos carros da edição de Le Mans carrega uma placa de dedicação com o logotipo “McLaren 25 Anniversary Le Mans”. O VIN de cada carro começará com 298, em reconhecimento ao número de voltas completadas pelo F1 GTR vencedor da
corrida F1 GTR - uma a mais que o segundo colocado.

Os clientes podem escolher combinações de cores externas e internas, com todos os carros apresentando um portfólio de recursos exclusivos como padrão:
Exterior

Escolha de dois temas de pintura externa - McLaren Orange ou Cinza Sarthe
Lateral inferior da carroceria, pára-choque traseiro e pára-choque dianteiro pintados em “Ueno Grey”

Logotipo “McLaren 25 anniversary Le Mans” na parte inferior do painel lateral da carroceria

Tomada de ar no teto em preto brilhante com vigia traseira de policarbonato
Para-lamas dianteiros com lâminas de fibra de carbono

Rodas LM de 5 raios exclusivas que ecoam o design das rodas do F1 GTR número 59 e também apresentam gravura “Le Mans”

Pinças de freio douradas

Componentes da carroceria contrastantes em preto brilhante

Interior
Escolha de dois temas de Alcantara pretos sob medida com detalhes em McLaren Orange ou Cinza Dove

Bancos de corrida de fibra de carbono

Encostos de cabeça bordados com o logotipo “McLaren 25 anniversary Le Mans”

Marcador “12 horas” no volante, ligado à cor interior predominante

Placa de dedicação com o logotipo “McLaren 25 anniversary Le Mans”

Tapetes com o logotipo “McLaren 25 anniversary Le Mans”

Os proprietários do 720S Le Mans poderão experimentar o desempenho surpreendente oferecido pelo motor central McLaren M840T de 4 litros com 720 HP. O V8 biturbo leva o carro de 0 a 100 km/h em 2,9 segundos, de 0 a 200 km/h em 7,8 segundos e a uma velocidade máxima de 341 km/h. Uma estrutura central Monocage II de fibra de carbono e um sistema de suspensão Proactive Chassis Control II ajudam a garantir que o 720S seja o carro mais leve da sua classe, com uma amplitude incomparável de capacidade dinâmica.

Em comum com todos os McLaren 720S, é oferecida uma ampla gama de especificações opcionais, com tratamentos MSO Defined e MSO Bespoke também disponíveis para os requisitos dos proprietários. Pode ser especificada uma variedade de componentes visuais de fibra de carbono com acabamento brilhante, incluindo difusor, parte superior da porta externa, ponte aerodinâmica traseira, tomada de ar da capota, deck traseiro e cobertura de serviço, com três “pacotes” disponíveis adicionalmente, incluindo entradas de ar do capô, espelhos retrovisores e entradas de ar dos para-lamas traseiros com capa em visual de fibra de carbono com acabamento brilhante; separador dianteiro, pára-choque traseiro mais baixo e entradas de ar dianteiras e da capota.

Para aprimorar ainda mais a conexão entre o automobilismo esportivo e para uso em pistas, podem ser adicionados um santantônio de titânio e cintos de
segurança de 6 pontos da linha MSO Defined. Também estão disponíveis saídas de ar com visual de fibra de carbono com acabamento acetinado, borboletas de mudança de marcha maiores e guarnição de soleira prolongada com a marca McLaren da mesma linha, além de dois pacotes opcionais de componentes interiores com visual de fibra de carbono com acabamento acetinado.

As primeiras entregas do McLaren 720S Le Mans na Europa deverão acontecer em setembro. Por enquanto, não há previsão de chegada desta versão para o Brasil.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Porsche alcançou sua primeira vitória na classificação geral em Le Mans há 50 anos


Um total de 19 vitórias na classificação geral, inúmeros sucessos por categoria e emoções incríveis vinculam a Porsche às 24 Horas de Le Mans, o maior e mais tradicional evento de automobilismo do mundo, há mais de seis décadas. Em 14 de junho de 1970, a Porsche alcançou sua primeira vitória na classificação geral com o carro esporte 917 KH de 580 hp. Cinquenta anos depois, no fim de semana de 13 e 14 de junho de 2020, o Porsche Museum apresentará o carro vencedor original em sua exposição.


Desde que a Porsche participou desta clássica corrida de resistência pela primeira vez em 1951 e obteve uma vitória imediata em sua classe com o 356 SL, essa corrida se tornou indispensável para o fabricante de carros esportivos. Mas foi um longo caminho até o primeiro grande triunfo. Até o fim da década de 1960, a Porsche habilmente desempenhava o papel de oprimido e concentrou-se com sucesso nas classes para motores de menor cilindrada. Assim, a Porsche iniciou uma
mudança de estratégia no fim dos anos 1960. Em 1969, a Porsche ficou a apenas 75 metros ou um segundo da vitória, no final mais apertado da história de Le Mans. Mas já na fase de preparação para a o ano seguinte muito do que foi aprendido nos anos anteriores foi incorporado: vitória de Hans Herrmann e Richard Attwood no 917 KH, seguidos por Gérard Larrousse e Willy Kauhsen no Martini Porsche 917 LH e Rudi Lins e Helmut Marko no Porsche 908/02. Um triunfo para a Porsche.

Essa primeira vitória estabeleceu um precedente: um ano depois, 33 dos 49 participantes estavam dirigindo um carro esportivo e de corrida fabricado em
Stuttgart-Zuffenhausen - um recorde que ainda hoje é mantido. Um Porsche 917 KH também venceu a corrida em 1971. Em 1974, a Porsche anunciou a “era turbo” em Le Mans com o lançamento do 911 Carrera RSR 2.1 Turbo. A Porsche registrou a primeira vitória de um motor turbo na história da corrida com o 936 Spyder em 1976, com o mesmo carro ganhando novamente com a equipe de fábrica em 1977. Uma equipe cliente entrou pela primeira vez na lista de vencedores dois anos depois. O sucesso com o Porsche 935 K3 marcou a
primeira vitória de um carro de corrida com motor traseiro em Le Mans - e com um carro de corrida produzido em série baseado no Porsche 911.

Entre 1981 e 1987, os carros de corrida da Porsche permaneceram imbatíveis em Le Mans. A corrida mais longa da história das 24 horas começou com a terceira e última vitória do Porsche 936 Spyder. Em 1982, a equipe de fábrica lançou o novo tipo 956, ocupando todos os três lugares no pódio em sua estréia em Le Mans. O 956 apresentou o primeiro chassi monocoque de alumínio da Porsche e uma aerodinâmica
inovadora, que permitiu uma carga aerodinâmica poderosa sem nenhum aumento perceptível no arrasto. No 956 e no seu sucessor, o 962 C, o fabricante de carros esportivos impulsionou o desenvolvimento de sistemas eletrônicos de injeção e ignição, bem como a muito popular transmissão Porsche de dupla embreagem (PDK) da atualidade. A partir de 1983, clientes da Porsche também largaram nos 956 e 962 C. Nove carros Porsche 956 figuraram nos dez primeiros lugares em 1983, seguidos por oito em 1984 e 1985, respectivamente.

A década de 1990 viu quatro vitórias na classificação geral (tanto pela equipe de fábrica quando por equipes clientes da Porsche) em três tipos diferentes de carros de corrida, começando em 1994 com o Porsche 962 Dauer Le Mans GT, desenvolvido em Weissach e baseado no 962 C, seguido pelo TWR Porsche WSC Spyder desenvolvido pela Porsche (com o qual uma equipe cliente venceu em 1996 e 1997). Em 1998, o Porsche 911 GT1 98 foi o primeiro monocoque de fibra de carbono projetado pela Porsche, bem como os primeiros freios de fibra de carbono usados pela equipe de fábrica - e venceu no ano em que a Porsche comemorava o 50º aniversário do recebimento da licença de circulação de seu o primeiro carro esportivo, o 356 “Roadster Número 1 ”.

Após esse sucesso, a Porsche voltou sua atenção no automobilismo para o desenvolvimento de versões de corrida do Porsche 911 e ao apoio às equipes privadas. Em Le Mans, esse compromisso foi recompensado com onze vitórias de classe entre 1999 e 2018. Em 2014, a equipe de fábrica voltou a competir
pela vitória na classificação geral. Projetado “do zero” em Weissach, o Porsche 919 Hybrid apresentava soluções técnicas exclusivas. Somente o Porsche gerou energia elétrica para a bateria de alto desempenho, convertendo a energia cinética produzida durante a frenagem e, adicionalmente, por meio de uma unidade geradora de turbina no fluxo de gás de exaustão de um motor turbo V4. O sistema geral que compreendia o motor elétrico e o motor de combustão entregou cerca de 900 hp. Essa solução de vanguarda provou ser um sucesso: de 2015 a 2017, a Porsche marcou um hat trick em Le Mans.

Com 108 vitórias por classe e 19 vitórias na classificação geral, a Porsche é o fabricante de maior sucesso nos quase 100 anos de história de Le Mans. Em 2020, a Porsche continua a tradição única de ter um carro esportivo participando de Le Mans todos os anos desde 1951: nas 24 horas virtuais de Le Mans, a recém-criada equipe Porsche Esports largará em 13 e 14 de junho com quatro carros Porsche 911 RSR (ano modelo 2017). No canal do Twitter @PorscheRaces, informações atualizadas sobre a corrida são compartilhadas. Uma revisão histórica da corrida de 1970 pode ser seguida no fim de semana de aniversário no canal do Twitter @PorscheNewsroom.

Em 1970, depois de exatamente 4.607.811 quilômetros ou 343 voltas, Hans Herrmann e Richard Attwood cruzaram a linha de chegada em primeiro lugar com o Porsche 917 KH de Porsche Salzburg número 23. “Era uma corrida dominada pela chuva e achamos que tínhamos que ficar permanentemente trocando os pneus e se adaptando à situação de momento. Não foi o desgaste que nos forçou a trocar os pneus, mas o clima em constante mudança. O fato de termos nos harmonizado tão bem como equipe nos levou à vitória. Competir em uma corrida de resistência de 24 horas com apenas dois pilotos não é tarefa fácil”, recorda Hans Herrmann.

Muitos dos concorrentes - entre eles vários carros Porsche - abandonaram gradualmente a corrida. “Le Mans é uma corrida em que tudo dá certo ou não. Naqueles dias, as 24 horas eram mais uma prova de resistência do que uma corrida”, lembra Richard Attwood. “Vencer Le Mans com a Porsche e Hans aconteceu de maneira totalmente inesperada, porque nosso carro não tinha a configuração certa para altas velocidades. Hans e eu éramos simplesmente uma equipe dos sonhos. ”

“Trabalhamos no carro em treinamentos até o último minuto”, diz Hans Herrmann. “O 917 começou como um carro de corrida muito difícil. Isso estava nos levando a caminhos errados, até que conseguimos otimizar a aerodinâmica e transformá-lo em um carro vencedor. ” De volta para casa em Stuttgart, a vitória da Porsche foi comemorada com uma carreata pela cidade e pela praça principal. “A vitória ganhou importância ao longo dos anos. Quem pensaria que a Porsche se tornaria o detentor do título recorde nesta corrida?”, diz um satisfeito Richard Attwood. “Eu também não sabia que estava enfrentando outro desafio pessoal: não conseguia comer nada durante a corrida e só podia beber leite para ficar em forma para dirigir. O que eu não sabia era que havia contraído caxumba.”

terça-feira, 18 de junho de 2019

WAGNER GONZALEZ em Conversa de Pista

Wagner Gonzalez

Um novo eldorado para os pilotos brasileiros
A Fórmula 1 continua sendo a meca de 11 entre 10 jovens que dão seus primeiros passos no kart, não raramente por desejo maior dos pais do que dos próprios neófitos no esporte. Em tempos de ruptura com padrões pré-millenials esse objetivo vem sendo desconstruído e ganhando adeptos em ritmo de Q-3, a fase decisiva dos treinos de classificação e que define quem vai largar na pole position. 

A conquista do título de Campeão Mundial de Resistência na categoria LMP2 por André Negrão e a
segunda vitória de Daniel Serra nas 24 Horas de Le Mans, na categoria GTE Pro, certamente darão um novo estímulo ao automobilismo brasileiro, ausente da F-1 e com perspectiva de um retorno próximo pouco animadora. Esse estímulo se materializa tanto no mercado de pilotos quanto no crescimento da categoria Endurance em pistas nacionais e o resultado de tudo isso são boas possibilidades de profissionalização para os pilotos.

Para amantes de tabela Excel e chegados a analisar tudo por números frios em um esporte onde a paixão e o inesperado têm maior valor que os cálculos de engenharia tão essenciais, essa análise desemboca no tamanho do mercado de pilotos entre as duas modalidades. Some-se a isso o interesse cada vez maior das grandes fábricas de automóveis, ávidas de lucros em nichos outrora avaliados com parcimônia. Produzir e desenvolver carros de competição derivados de modelos de rua vai muito além de ganhos intangíveis com construção e consolidação da imagem de marca e passa pelos lucros puros e simples da venda e manutenção desses carros. A Lamborghini, por exemplo, já faz até leasing de carros de corrida.

Para os entusiastas de plantão, a chance de ver carros de marcas diferentes, e bastante semelhantes ao que se pode ver nas ruas em fins de semana ensolarados, justifica o interesse por corridas que reúnem Aston Martin, BMW, Corvette, Lamborghini, Mercedes, Porsche e outros dividindo pistas mundo afora com protótipos de várias cores e raças. O último fim de semana reforçou esse novo panorama em frentes tão diferentes quanto a maior prova de resistência do mundo, as 24 Horas de Le Mans, e mais uma etapa do Endurance Brasil, torneio que replica esse universo na terra brasilis e que vive uma nova fase de crescimento. Tanto um quanto outro desses dois planetas são personagens dessa fase, o primeiro por pressões políticas advindas da F-1 e o segundo pelo formato adotado e a perene instabilidade econômica do País.

Em Le Mans André Deco Negrão (filho do ex-piloto Guto Negrão) terminou a prova em sexto lugar na classificação geral e primeiro na categoria LMP2 conduzindo um Alpine,  o que garantiu a ele e aos franceses Nicolas Lapierre e Pierre Thiriet o título mundial mais disputado do campeonato. Os carros da LMP1 são mais rápidos e dominem a classificação geral, mas a Toyota corre praticamente sozinha em termos ao equipamento e orçamento: somou 216 pontos contra 134 da Rebellion Racing, onde corre Bruno Senna. A equipe de Negrão chegou ao título após aculular 181 pontos, contra 166 e 138 dos seus adversários mais diretos (dois carros da equipe Jackie Chan DC Racing) e 117 da Dragon Speed.

“Foi uma temporada e, principalmente, uma corrida muito dura. Nossos adversários não deram folga e não podíamos cometer nenhum erro durante as 24 horas da prova e durante a noite o carro de segurança ficou entre nós e o protótipo da equipe G-Drive. Cheguei a pensar que isso definiria o resultado, mas conseguimos recuperar a liderança na re-largada.”

Espécie de patinho feio da família Endurance, a LMP2 deve ser suplantada em importância pelos carros das categorias GT tanto na Europa quanto na América do Norte e na Ásia, onde proliferam campeonatos e torneios que servem de eliminatórias para uma vaga em Le Mans, o Santo Graal dessa religião de pneus largos e motores a combustão. Motores híbridos, por enquanto, apenas na LMP1 e, em breve na categoria Hyper cars. É na categoria GT que mais brasileiros brilharam no circuito de Sarthe, região situada a oeste de Paris. Daniel Serra foi o vencedor entre os belos GT da classe Pro e Felipe Fraga conseguiu resultado semelhante na classe AM. Uma não-conformidade na capacidade do tanque de gasolina, porém, causou a desclassificação dos Ford GT da equipe do brasileiro (Keating Motorsports) e da Chip Ganassi.

Daniel Serra venceu na categoria LM GTE Pro a bordo de um Aston Martin Vantage em 2017 e agora repete o feito a bordo de um Ferrari. Atual bi-campeão da Stock Car brasileiro, onde seu pai Chico Serra foi tri-campeão em 1999/200/2001, ele não esconde que o resultado deste ano teve sabor especial:
“A primeira vitória é realmente uma conquista inesquecível, mas vencer a bordo de um carro vermelho tem um significado diferente, marcante.

Além de André Negrão, Bruno Senna (4o colocado na geral e na categoria LMP1), Daniel Serra e Felipe Fraga também participaram das 24 Horas de Le Mans deste ano Augusto Farfus (BMW M8 GTE, ficou em 31o), Pipo Derani (Ferrari 488 GTE, 42o) e Rodrigo Baptista (Ferrari 488 GTE, 34o). Derani é o líder da categoria principal no campeonato IMSA, disputado na América do Norte, onde faz dupla com outro brasileiro, Felipe Nasr e Hélio Castro Neves defende a equipe Honda; Bia Figueiredo, Oswaldo Negri e Victor Franzoni também participam esporadicamente. No Japão João Paulo de Oliveria disputa a categoria Super GT com um Aston Martin e ainda na Europa vários brasileiros participam de séries como a Blancpain GT, entre eles Felipe Fraga, enquanto Allam Khodair e Marcelo Hahn disputam o Europeu de GT.

No Brasil o Endurance vive uma nova fase de bonança graças ao entusiasmo de pilotos, equipes e construtores. Formada em torno da cena gaúcha da categoria, a lista de inscritos é dominada pelo piloto e construtor Juliano Moro com seus protótipos AJR, de conceito similar ao usado nos Estados Unidos, e já provocou o interesse da Ginetta, construtor ingles que tem no brasileiro Adolpho Rossi seu maior representantes nas Américas: foi ele quem lançou e consolidou a marca nos Estados Unidos. Há também propostas desenvolvidas por Luiz Fernando Cruz (MRX Lamborghini) e pelos engenheiros Evandro Flesch e Pedro Fetter (Sigma-Audi). O mecânico Adilson Asa Ayres também desenvolve uma nova proposta para a categoria. Entre os GTs as marcas Audi, Ferrari, Lamborghini, Mercedes e Porsche também participam com destaque.

Goodyear anuncia retorno a 24 Horas de Le Mans e ao Campeonato Mundial de Endurance da FIA


A Goodyear anunciou o retorno às corridas internacionais de longa duração, desenvolvendo uma nova linha de pneus voltada ao Campeonato Mundial de Endurance da FIA (WEC), incluindo a etapa das 24 Horas de Le Mans.

O WEC é composto por corridas de longa duração, com etapas nos quatro continentes, sendo a prova final a das 24 Horas de Le Mans, etapa vencida pela Goodyear por 14 ocasiões. A Goodyear optou por retornar ao mundo do automobilismo por meio das provas de longa duração, pelo fato da categoria disponibilizar uma enorme plataforma para demonstração de suas tecnologias em pneus e por existir uma ampla gama de atuação, envolvendo protótipos e carros Grã-Turismo.

A Goodyear iniciou o desenvolvimento desta linha de pneus voltados aos protótipos de Le Mans há mais de um ano em seus centros de inovação em Hanau, na Alemanha, e em Colmar-Berg, Luxemburgo. Eles serão fabricados na mesma linha de produção dos Eagle F1 SuperSport, compostos voltados para carros de alto desempenho. A estreia dos pneus está marcada para o início da temporada 2019/2020 do WEC, na etapa de Silverstone, em agosto de 2019.

A Goodyear tem uma história orgulhosa no automobilismo. Além das 14 vitórias nas 24 Horas de Le Mans, os pneus Goodyear foram usados para vencer o 368 Grande Prêmio de Fórmula 1 - um recorde que permanece invicto. A Goodyear também tem uma experiência considerável em corridas de carros esportivos após décadas de sucesso nas corridas americanas da IMSA.

terça-feira, 21 de maio de 2019

Augusto Farfus bate no trave do pódio do WTCR em Zandvoort


A 4ª etapa do FIA WTCR, em Zandvoort, representou um importante passo adiante para Augusto Farfus no campeonato. O brasileiro conquistou neste domingo (19) seus melhores resultados até agora na categoria, com o 4º lugar na tomada de tempos, e bateu na trave do pódio na Corrida 3, terminando na 4ª posição a apenas 0.663s. Em um dia positivo, ele também garantiu um bom 6º lugar na Corrida 2.

O fim de semana foi bem intenso para Augusto. Após os treinos livres, o sábado contou com a primeira classificação e a Corrida 1 da rodada tripla, porém a sorte não esteve ao lado do curitibano. Na tomada de tempos, ele foi acertado por um adversário, num erro grosseiro enquanto esse aquecia os pneus, e assim ficou apenas com a 18ª posição no grid de largada. E, depois, logo no início da prova, também tomou um toque que danificou o extrator traseiro do carro #8,
obrigando-o a abandonar a disputa.

Logo depois da prova na Holanda, no sábado, Farfus voou de helicóptero para a Alemanha, onde marcou a pole position provisória na Qualifying Race para as 24 Horas de Nürburgring, em Nordschleife, a bordo da BMW M6 GT3 da equipe BMW Team Schnitzer.

Já de volta a Zandvoort neste domingo, Augusto teve um grande dia. O brasileiro marcou o 4º melhor tempo na classificação, definindo assim essa posição de largada para a Corrida 3 e o 7º lugar para a Corrida 2, pela regra de inversão de grid dos 10 primeiros colocados no Q2. Na primeira corrida do dia, Farfus teve boas disputas e completou as 14 voltas em 6º. Na última corrida da etapa, o piloto da equipe BRC Hyundai N LUKOIL Racing Team estava em 3º lugar - prestes a comemorar seu primeiro pódio na categoria  -, mas, por conta da estratégia da
montadora na briga pelo campeonato, teve de deixar seu companheiro Norbert Michelisz assumir a posição. Assim, Augusto cruzou a linha de chegada em 4º.

No balanço da etapa, Farfus destacou a evolução no desempenho, em uma pista onde já tinha um histórico de bons resultados. Com os 25 pontos somados, ele está em 12º na classificação geral, entre os 26 pilotos do grid. A próxima rodada do WTCR, que marca a metade do campeonato, acontece entre os dias 20 e 22 de junho, no circuito de Nordchleife - no mesmo evento que as 24 Horas de Nürburgring, em que o brasileiro também vai competir e que já venceu em 2010.

Antes disso, porém, Augusto Farfus terá foco total na disputa das 24 Horas de Le Mans, com a BMW, entre 15 e 16 de junho, na mais importante prova do ano para o brasileiro, encerrando a Super Temporada 2018-2019 do Campeonato Mundial de Endurance.

Augusto Farfus:
“Tivemos um fim de semana agitado e de evolução em Zandvoort. Os resultados e a performance na etapa comprovam a evolução do nosso conjunto. Como já vimos antes, nas pistas que eu conheço, conseguimos um desempenho muito melhor. Depois da corrida de sábado, voei para Nürburgring, onde consegui fazer a pole position provisória na prova de classificação para as 24 Horas, e depois voltei para competir no domingo no WTCR.

Na corrida 3, o pódio estava nas nossas mãos até a última curva, mas foi uma opção da equipe fazer a troca de posições no fim por conta da estratégia do campeonato para a montadora. Mas tivemos outros bons resultados na tomada e na corrida 2 e seguimos otimistas para o restante da temporada.

Agora, o foco é total durante o próximo mês para a disputa das 24 Horas de Le Mans, onde fazemos uma preparação intensa junto da BMW para a prova mais importante do ano.”

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Mundial de Endurance: Japão recebe o FIA WEC para as 6 Horas de Fuji


O Campeonato Mundial de Endurance (FIA WEC) desembarca no Japão, entre os dias 12 e 14 de outubro, para sua quarta etapa da super temporada 2018-2019. Ao todo, 34 carros alinharão no grid da pista com 4.536 metros de extensão com 16 curvas e posicionada bem no pé do ponto turístico mais famoso do país: o monte Fuji. Bruno Senna, na LMP1, e André Negrão, na LMP2, são os representantes brasileiros entre os 91 pilotos escalados para esta disputa das 6h de Fuji.

Na lista de pilotos para mais esta disputa do FIA WEC, estão nomes como Fernando Alonso, que compete pela Toyota, e Jenson Button, da SMP Racing, ambos campeões mundiais de Fórmula 1. Entre as novidades para a prova, está o retorno de Keiko Ihara, que vai acelerar um Ligier JSP217 Gibson da equipe Larbre Competition. Ausente do campeonato desde 2014, a piloto será mais um representante local no grid.

Entre os brasileiros, Bruno Senna está de volta após perder a etapa de Silverstone. O piloto fraturou o tornozelo direito como resultado de um acidente durante o primeiro treino livre para a etapa inglesa em agosto. Já André Negrão retorna na LMP2 logo após a confirmação da sua vitória nas 24h de Le Mans deste ano, homologada de forma oficial na última semana.

Brasileiros falam:
Bruno Senna, piloto da categoria LMP1 na equipe Rebellion Racing
Carro Rebellion R13 - Gibson #1 ao lado de André Lotterer e Neel Jani

“Desde a etapa de Silverstone eu tive uma ótima recuperação. Esse período de quase dois meses sem corridas me deixou ainda mais motivado para chegar para a disputa de Fuji com força. Em relação ao nosso carro, tivemos algumas evoluções em termos de acerto e, felizmente, parece que teremos tempo bom neste fim de semana. Espero, com isso, ter uma ótima briga com as equipes não-híbridas, já que a Toyota ainda está mais forte no campeonato. Estou pronto para acelerar”.

André Negrão, piloto da categoria LMP2 na equipe Signatech Alpine Matmut
Carro Alpine A470 – Gibson #36 ao lado de Nicolas Lapierre e Pierre Thiriet

“Tudo preparado para a corrida. Vamos brigar com a equipe Jackie Chan. No ano passado fomos super bem e temos tudo para conseguir ir bem novamente. Não temos ainda a confirmação do tempo, mas estamos torcendo para ter sol e poder competir na melhor condição possível. Vamos buscar manter a liderança do campeonato, principalmente após a nossa confirmação da vitória em Le Mans. Temos que continua pontuando, já pensando, inclusive, na próxima disputa em Xangai”.

PROGRAMAÇÃO (horários de Brasília):

Quinta-feira (11 de outubro)
23h00 até 00h30: Treino livre 1
03h30 até 05h00: Treino livre 2
Sexta-feira (12 de outubro)

21h00 até 22h00: Treino livre 3
02h00 até 02h20: Classificação (LMGTE Pro e LMGTE Am)
02h30 até 02h50: Classificação (LMP1 e LMP2)

Sábado (13 de outubro)
23h00: Largada das 6 Horas de Fuji (6h de duração + uma volta)

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Mundial de Endurance no Brasil: 6 Horas de São Paulo tem data confirmada


A data do retorno do Campeonato Mundial de Endurance (FIA WEC) ao Brasil foi divulgada oficialmente nesta sexta-feira (17) em Silverstone, na Inglaterra. A prova, que será realizada em Interlagos, São Paulo, acontecerá nos dias 30, 31 de janeiro e 1 de fevereiro de 2020. A corrida no território brasileiro será organizada e promovida pela N/DUDUCH Motorsports, em acordo firmado por três anos.

O retorno para a América do Sul é uma boa notícia particularmente para os pilotos Bruno Senna, Augusto Farfus, André Negrão e José Maria Lopez que estarão defendendo as cores de suas bandeiras e a honra da América do Sul.

Calendário 2019-2020 - Campeonato Mundial de Endurance (FIA WEC):
1ª etapa: 1 de setembro de 2019 – Silverstone (Inglaterra)
2ª etapa: 13 de outubro de 2019 – Fuji (Japão)
3ª etapa: 17 de novembro de 2019 – Xangai (China)
4ª etapa: 14 de dezembro de 2019 – Sakhir (Bahrein)
5ª etapa: 1 de fevereiro de 2020 – Interlagos (Brasil)
6ª etapa: XX de março de 2020 – Sebring (Estados Unidos)
7ª etapa: 3 de maio de 2020 – Spa (Bélgica)
8ª etapa: 13/14 de junho de 2020 – Le Mans (França)

terça-feira, 19 de junho de 2018

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

Wagner Gonzalez

Eric Bouiller e Zak Brown podem perder lugar para Martin Withmarsh

A possibilidade de a McLaren sofrer nova reviravolta interna ganhou corpo ontem (18) quando o nome de Martin Withmarsh começou a circular como possível substituto de Eric Bouiller e Zak Brown. De acordo com o site grandprix.com o inglês, que gerenciou a operação de F-1 na marca por cerca de 25 anos, teria sido procurado por um grupo de engenheiros da McLaren para voltar à equipe e trabalhar para recolocá-la entre as grandes. Withmarsh, que antes da McLaren foi executivo da British Aerospace, admitiu que a aproximação aconteceu e que o assunto progrediu:

"Algumas pessoas sugeriram me enviar uma carta pedindo que eu voltasse. Eu respondi que o destinatário dessa carta deveria ser Mansur Ojjeh (executivo maior do grupo McLaren), a quem já expliquei minha visão sobre a situação, onde vejo que alguns nomes devem partir. Agora cabe a ele e aos acionistas decidirem o que fazer.”

Não é necessário ler nas entrelinhas que a gestão de Eric Bouiller à frente do time e a política de Zak Brown em levar a McLaren para disputar outras categorias (como a F-Indy e a Endurance) em paralelo estão diluindo a capacidade do time, até então focado exclusivamente na F-1. 

Bouiller é considerado um homem com temperamento difícil e a recente demissão de Tim Goss teria sido a gota d’água para a rebelião interna. Zak Brwon, por seu lado, tem uma filosofia de trabalho praticamente avessa à escola de Ron Dennis, que ficou famoso pela maneira contida com que se relacionava com a imprensa e pelo seu linguajar empolado, o famoso “Ron Speak” (Discurso do Ron). Há anos a equipe não vence uma prova, não vê um piloto no pódio e está sem um patrocinador principal, algo ainda hoje inconcebível para uma das maiores vencedoras da história da F-1.

Na Red Bull sai Renault, entra Honda
No próximo fim de semana, quando o circuito de Paul Ricard e o GP da França retornam ao calendário da categoria, a decisão da Red Bull interromper 12 anos de aliança com a Renault será outro assunto bastante comentado. Com essa mudança a maior beneficiada será exatamente a McLaren, que se tornaria o principal cliente da Renault no ano que vem.

Le Mans: Toyota ganhou, Negrão herdou
A corrida dura 24 horas, mas a preparação se arrasta por cerca de um ano e o resultado da pista nem sempre resiste ao dia seguinte. Na edição 2018 das 24 Horas de Le Mans a Toyota que lhe escapou por anos a fio e a equipe G-Drive Racing foi desclassificada da vitória na classe LMP2. Com isso o brasileiro Guto Negrão foi declarado vencedor já que ele e seus companheiros Nicolas Lapierre e Pierre Thiriet terminaram em segundo na classe.

Se para a Toyota e, particularmente Fernando Alonso, foi o primeiro triunfo na clássica prova francesa, para o Brasil foi a segunda vitória: no ano passado Daniel Serra venceu na classe LMGTE Pro, com Daniel Serra (Aston Martin Vantage GTE).

O Signatech-Alpine-Gibson do brasileiro André Negrão, vencedor na categoria LMP2 (Alpine)

A conquista veio após a verificação técnica realizada ontem e que apontou alterações no sistema de reabastecimento no Oreca-Gibson do trio Roman Rusinov/Andrea Pizzitola/Jean-Eric Vergne. A equipe russa já anunciou que vai recorrer da desclassificação dentro do prazo regulamentar de 96 definido pelo Automobile Club de l’Ouest para apresentar seu apelo. Dessa forma o resultado da prova mantém o caráter provisório até a próxima quinta-feira.

Ganhador na categoria LMGTE Pro derrotou Aston Martin, BMW, Corvette, Ferrari e Ford GT (ACO)

Se a Toyota dominou a competição sem sustos ou imprevistos, a vitória da Porsche nas classes LMGT Pro (Michel Christensen/Kevin Estre/Laurens Vanthoor) e AM (Matt Campbel/Christian Ried/Julien Andlauer) foi das mais disputadas. Na classe Pro chegou a surpreender o ritmo da prova: ainda na primeira meia hora de prova um Ford GT, uma Ferrari, dois Porsches, um Corvette, um BMW M8 e um Aston Martin disputavam roda a roda como se não houvesse uma curva até a bandeirada de chegada. Sem dúvida, uma amostra do que deve e pode ser a receita para colocar o Mundial de Endurance no seu devido lugar.

O resultado completo das 24 Horas de Le Mans você encontra clicando aqui.

Enzo Fittipaldi, novo líder do Campeonato Italiano de F-1 ( Italia F4)
Depois de um fim de semana pouco produtivo e marcado por acidentes na etapa de Monza, Enzo Fittipaldi recuperou-se com categoria e simplesmente dominou a quarta rodada do Campeonato Italiano de F-4. Enzo iniciou o fim de semana em terceiro lugar e 103 pontos no torneio, atrás de Leonardo Lorandi (143) e Olli Caldwell (120) mas com três vitórias nas provas disputadas no fim de semana em Misano, deixou a pista situada à beira do mar Adriático como novo líder, um ponto à frente de Lorandi (177). Ainda restam três rodadas para definir o título, a próxima delas dua 29 de julho , em Imola.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Em Hungaroring, Augusto Farfus disputa DTM, antes de treinos em Le Mans


Augusto Farfus cumpre em 2018 uma jornada dupla, correndo pela BMW tanto no DTM quanto no Campeonato Mundial de Endurance (FIA-WEC), e é justamente por essas duas categorias os próximos compromissos do brasileiro nas pistas. Neste fim de semana (01 a 03 de junho), ele compete na 3ª etapa do DTM, na Hungria, e depois segue direto para o lendário circuito de Le Mans, onde participa de testes preparatórios para a disputa da mais tradicional prova de 24 Horas do calendário mundial. 

Famoso palco da F1, Hungaroring recebe o DTM pela quinta vez em sua história, sediando a primeira rodada dupla da temporada 2018 fora da Alemanha. O circuito de 4.381 metros de extensão é bem técnico, com curvas de baixa velocidade e trechos estreitos, o que dificulta as ultrapassagens. Em 2017, o brasileiro apresentou boa performance nesta etapa, então chega confiante para buscar bons resultados e subir na tabela. 

Nas duas etapas já realizadas até aqui, Farfus completou duas das quatro provas no top-10, mas almeja brigar pelas primeiras posições na pista localizada em Budapeste. 

Outra grande motivação para Augusto, é o fato do curitibano sair direto da Hungria para a França, onde participa na terça-feira de treinos em Le Mans. Escalado para a temporada de estreia da BMW no WEC, a bordo da nova M8 GTE, ele perdeu a etapa inaugural do campeonato, em Spa-Francorchamps, pelo conflito de datas com a abertura do DTM, em Hockenheim, e agora se prepara para correr pela terceira vez nas 24 Horas de Le Mans, que acontece no dia 16 de junho.

As duas corridas da etapa de Hungaroring estão marcada para sábado e domingo, ambas às 8h30 (horário de Brasília). As corridas podem ser acompanhadas ao vivo, através do site www.farfus.com , na aba Live Races. 

Augusto Farfus: 
“Budapeste é um lugar muito bonito, e essa foi uma pista boa para nós no ano passado. Tivemos uma performance competitiva durante todo o fim de semana, e eu era o melhor BMW na prova até ser acertado por um adversário. O circuito tem suas particularidades, é bem técnico e com poucos pontos de ultrapassagem, então temos de buscar um bom balanço do carro desde a classificação, mas estou confiante que teremos nosso melhor fim de semana até aqui. Depois, sigo para Le Mans, onde volto a pilotar a M8 GTE, me preparando para as 24 Horas, o que é muito legal”. 
Confira a programação do DTM em Hungaroring (horários de Brasília):

Sexta-feira, 01 de junho:
11:05 às 11:35 - Treino livre 1 

Sábado, 02 de junho:
3:35 às 4:05 - Treino livre 2 
6:20 às 6:40 - Classificação 1
8:30 - Corrida 1


Domingo, 03 de junho:
3:30 às 4:00 - Treino livre 3 
6:20 às 6:40 - Classificação 2
8:30 - Corrida 2

terça-feira, 8 de maio de 2018

Wagner Gonzalez em Conversa de pista


 
Wagner Gonzalez
WEC e F-1, o que rola atrás do guard-rail




O recente noticiário envolvendo a Fórmula 1 e o Mundial de Resistência deixa claro que o céu que encobre ambas tem algo a mais que aviões de carreira, como diria o Barão de Itararé. 

De um lado, a Porsche preparou seu modelo 919 da temporada WEC 2017 para andar mais rápido que um F-1 no veloz circuito de Spa e, de outro, Jean Todt advogando que as duas categorias devem adotar mais peças e sistemas em comum. 

A disputa entre ambas não é novidade, ocorre ciclicamente e sempre quando o reino dos monopostos mais caros do planeta sofrem alguém tipo de ameaça direta ou indireta.

Não custa nada lembrar que o próprio Todt, hoje presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), já foi vítima em uma dessas batalhas, mais exatamente quando chefiava a equipe Peugeot que venceu as 24 Horas de Le Mans com o modelo 908 em 2009 (Alexander Würz/David Brabham/Marc Gené) e com o modelo 905 em 1993 (Geoff Brabham/Christophe Bouchut/Éric Hélary) e 1992 (Derek Warwick/Yannick Dalmas/Mark Blundell). A marca francesa investiu pesado na categoria por vários anos mas alterações no regulamento acabaram por interromper o programa e, pior, a proposta de usar o motor na F-1 em parceria com a McLaren, em 1994, nunca funcionou. Foi mais um episódio em que os programas de grandes fabricantes de automóveis sucumbiram às mudanças políticas e desportivas.

Nos anos 1960/1970 a categoria era mais conhecida como “Protótipos” e teve nesse período marcas como Ferrari, Alfa Romeo, Porsche, construtores como a Lola e Chaparral, que foi o maior programa esportivo internacional da General Motors, ainda que a ligação entre ambas seja mantida até hoje numa aura de secretismo. Eram tempos em que os principais pilotos da F-1 eram estrelas também nos grids de Daytona, Sebring e Le Mans, para mencionar apenas três pistas; a primeira vitória da Ford no asfalto de Sarthe foi conquistada pelos neozelandeses Bruce McLaren e Chris Amon.

O inglês Graham Hill, campeão mundial de F-1 em 1962 e 1968, é o único piloto a ter conquistado tal glória e também Indy (1966) e Le Mans (1972), trilogia de conquistas que ficou conhecida como “tríplice coroa”.  Mais recentemente o título da F-1 foi substituído nessa lista pela vitória no GP de Mônaco, algo que facilitou a vida de marqueteiros e em nada afetou o retrospecto do pai de Damon Hill: o inglês faturou o GP de Mônaco em 1963/4/5/8/9.

Fernando Alonso e seus empresários na McLaren enxergara, a possibilidade de recuperar sua imagem de vencedor (e consequentemente atrair maiores patrocinadores) e passaram a investir na possibilidade de o espanhol replicar o feito de Hill. No ano passado ele disputou a Indy 500 e chegou a liderar a prova. No fim de semana ele estreou no WEC e venceu as 6 Horas de Spa, abertura do campeonato WEC, defendendo a Toyota e se preparando para Le Mans. Nos treinos para a corrida belga o brasileiro Pietro Fittipaldi bateu na curva Radillon e sofreu fraturas nas pernas. O motivo do choque foi uma falha, possivelmente elétrica, em seu carro.

Ironicamente um dos maiores opositores da categoria “Endurance” tem ligações indiretas com a recente campanha da Porsche em usar uma versão modificada do modelo 919, usado no WEC 2017, para demonstrar desempenho superior a um F-1. No primeiro capítulo de um projeto chamado “Tributo ao Porsche 919”, que você pode conferir clicando aqui, um modelo com motor de 710 hp (a versão homologada tinha 493 HP) a adoção de uma asa traseira  e um difusor dianteiro de maiores dimensões, este último com a novidade da abertura variável. Por ano a fio Bernie Ecclestone foi visceralmente contra o crescimento das provas de resistência

Indiretamente a Porsche indica que as próximas exibições – Nurbürgring (neste fim de semana), no Festival de Goodwood (julho), Festival Porsche em Brands Hatch e Laguna Seca (ambas em setembro – são uma maneira de capitalizar o desenvolvimento do programa de competição para 2018, que foi abortado. Indiretamente, o feito de ter baixado o recorde oficial de Spa (Lewis Hamilton, 2017, 1’42”553) para 1’41”770, nas mãos de Neel Jani, é uma provocação não só à Mercedes, mas à toda F-1. Ao notar que Herbie Blash, o eterno braço direito de Ecclestone, passou a trabalhar na estrutura da Porsche Cup europeia a história ganha tempero mais picante.

Se a casa do Jardim das Éguas (Stuttgart), quer mostrar tecnologia, Todt e a FIA defendem a adoção de trens de força e outros equipamentos comuns nas duas categorias envolvidas. Em princípio o discurso passa pela ladainha da economia de escala, diminuição de custos e outros que tais, algo reforçado pela campanha de diminuir o número de motores usados por temporada na F-1. Se tradicionalistas são radicalmente contra a proposta, os mais sensatos vão considerar que contra a validade de baixar custos, a essência de ambas categorias e a eterna necessidade de manter os monopostos como ápice do esporte nunca trouxeram ganhos aos esporte-protótipos.