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quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Coluna do Fernando Calmon


Fernando Calmon
Lançamentos badalados no Salão de Los Angeles

Os salões de automóveis nos Estados Unidos não são gigantescos como os europeus, a exemplo de Frankfurt (o maior do mundo) e o de Paris. Eles se espalham por algumas cidades americanas, acumulam tradição e até concorrência entre eles. Os de Detroit e Los Angeles, por coincidência, existem desde 1907. As datas eram próximas (novembro e janeiro), mas Detroit passou para junho a partir de 2020.


Este ano o Salão de Los Angeles (LAAS, na sigla em inglês), aberto até 1º de dezembro, teve estreias importantes. A principal foi o Mustang Mach-E, o SUV cupê elétrico da Ford. O desenhista Joel Piaskowski é o mesmo do cupê esportivo que completou 55 anos com prestígio em alta. A inspiração, no caso do SUV, é sutil nas lanternas traseiras e na extremidade dianteira.

A Audi também partiu para um SUV cupê, muito elegante, o e-tron Sportback. Distância livre ao solo diminuída em 1,3 cm e as linhas do teto caindo com suavidade fazem a diferença.

Marcas alemãs sempre têm presença forte no LAAS e este ano focaram no alto desempenho. A própria Audi apresentou o RS Q8, de 600 cv, enquanto a Mercedes-Benz respondeu à altura com o Mercedes-AMG GLS 63, ambos SUVs de grande porte. BMW concentrou-se em modelos menores como o BMW Série 2 Gran Coupé, de 305 cv, e a sua subsidiária MINI completou a festa com o MINI John Cooper Works GP e seu imenso aerofólio traseiro. Todos chegarão ao Brasil em 2020, em pequenos lotes.

Entre os elétricos destaques para o Porsche Taycan, sedã-cupê de alto desempenho que terá na Califórnia seu maior mercado; a station Volkswagen ID. Space Vizzion e o reformulado Toyota Mirai – agora um carro realmente bonito –, a aposta japonesa nas pilhas a hidrogênio como contraponto às baterias de íons de lítio.

Versão conversível do novo Corvette, de motor central-traseiro, também atraiu olhares. O SUV crossover Trailblazer (nada a ver com o homônimo vendido no Brasil) servirá de base para os futuros Chevrolet nacionais, inclusive o mesmo motor de três cilindros turbo de 1,2 litro.

Outro modelo para o nosso mercado é a totalmente reformulada oitava geração do Nissan Sentra, fabricado no México: tudo novo inclusive o motor (previsão der chegar ao Brasil no segundo trimestre de 2020).

Três acontecimentos chamaram a atenção fora do LAAS. Um deles o fiasco da apresentação da estrambótica picape elétrica pesada da Tesla. Em evento à parte do salão, o presidente da empresa Elon Musk teve uma surpresa desagradável. Os vidros pretensamente inquebráveis da Cybertruck não resistiram à demonstração por duas vezes.

Também teve impacto a decisão da GM de processar a FCA por supostas perdas financeiras bilionárias em relação às negociações trabalhistas, envolvendo o sindicato de dos trabalhadores da indústria automotiva UAW. Esse episódio remonta a 2009, mas teria se agravado há três anos na gestão do falecido (em 2018) executivo-chefe Sergio Marchionne com quem a empresa americana viveu às turras desde os anos 1990.

E o governo da Califórnia anunciou que não mais compraria modelos da GM, FCA, Toyota e Nissan pois estas decidiram acatar regras federais de emissões algo mais permissivas, porém válidas para os 50 estados americanos. Uma briga ridícula, de viés puramente político.


ALTA RODA

TOYOTA decidiu que próxima geração do Yaris, a exemplo do Corolla, também terá versão híbrida. Não antes de 2023 ou 2024, ao fim do ciclo de vida do modelo que estreou em 2018 no Brasil, produzido em Sorocaba (SP). Até lá será mais comum a hibridização como forma de grande economia de combustível em uso urbano, em geral 60% da quilometragem anual.

AUDI inicia pré-venda do todo novo Q3 a partir de R$ 179.990, importado da Hungria. Entregas a partir de fevereiro de 2020. A marca estuda viabilidade de produção no Brasil. SUV tem agora 2,68 m de entre-eixos, quase 8 cm a mais. Banco traseiro corrediço (5 cm) pode aumentar o espaço. Porta-malas, 530 litros, é o maior do segmento. Desenho ficou bastante atraente.

MUITO impressionante é o mínimo que se pode dizer sobre o Ford Mustang Shelby GT350R, avaliado por duas horas em Los Angeles, Califórnia. No país do câmbio automático, oferece caixa manual de seis marchas e engates extremamente precisos. Direção e freios (Brembo) são de alto nível. Suspensão firme, mas sem desconforto. Potência, 533 cv; 0 a 96 km/h em 3,9 s.

ONIX PLUS tem linhas atraentes e comportamento bastante suave no dia a dia. Acelera firmemente ao combinar um equilibrado motor 1.0 turbo, câmbio automático e baixo peso em ordem de marcha para o seu porte. Interior espaçoso, porta-malas bom com 469 litros, direção precisa e freios bem dimensionados. Tanque de combustível (44 litros) deveria ser maior.

CUIDADOS com os futuros carros autônomos chegam à pintura. Basf trabalha em nova tecnologia de cores escuras, para facilitar o reflexo de sinais infravermelhos enviados por lidar que calcula distâncias com extrema precisão. Pigmentos são específicos para esse fim e desde já estão sendo desenvolvidos.

RESSALVA: frenagem autônoma de emergência estreou no Jeep Compass. Hyundai HB20 foi o primeiro entre os compactos.

PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmofernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2                                                                                                        

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Coluna do FERNANDO CALMON

Alta Roda nº 1041/341– 18/04/2019


Fernando Calmon

Pontuação em discussão

A proposta de aumento de 20 para 40 pontos em multas que levem à suspensão temporária da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), enviada pelo Governo Federal ao Congresso, precisa ser mais bem discutida. Até quando se compara com outros países, é necessário estudar a sistemática que cada um adota. Não existe uma regra geral ou mais aplicada. No Brasil há algumas peculiaridades, entre elas uma fiscalização eletrônica rigorosa, muitas vezes em forma de armadilha, pois faz alguns anos que caiu a obrigatoriedade de sinalizar sua existência, ao contrário de vários países.

Entre as distorções está o próprio processo de atribuição de pontos, que mistura faltas administrativas e infrações de trânsito. Um exemplo é o rodízio veicular da cidade de São Paulo, onde não há indicações das ruas e dos finais de placas afetados. Outro problema é o aumento recente do período mínimo de suspensão da CNH de um para seis meses. Essa mudança foi feita sem alterar os 20 pontos para suspender a CNH e isso precisaria ser repensado. 

Fica sem sentido uma suspensão de seis meses por transgressões menores. O sistema anterior estava bem balanceado, quanto mais que as multas estão sujeitas, desde 2016, a sofrer correção de valores pela inflação, em clara oposição ao processo geral de desindexação da economia. 

O valor maior até já diminuiu o número de infrações e arrecadação das prefeituras. Estas não podem utilizar esse dinheiro fora do previsto pelo Código de Trânsito Brasileiro – educação e ações de segurança como sinalização –, mas se tornou letra-morta. Que, ao menos, se obrigue então a tapar buracos e melhorar as condições das vias. 

O critério utilizado na Itália parece o mais justo. Lá a pontuação apresenta o viés educativo de aumentar a margem para suspensão da carteira em razão do número de anos em que o motorista não recebe nenhuma multa. Nesse caso, seria aceitável aumentar o limite para até 30 pontos, por exemplo, se o motorista ficasse três ou quatro anos sem cometer infrações. Aqui cada pontuação prescreve depois de 12 meses, independentemente da gravidade: andar na contramão ou estacionar em local proibido. 

As chamadas lombadas eletrônicas, apesar de muitas vezes impingirem limites completamente abaixo da realidade, pelo menos estão à vista de todos, em totens. As aberrações aparecem quando determinado radar multa 20 ou 30 vezes mais que a média dos demais, como acontece com alguma frequência e sem estudos que embasem tal rigor. 

Países com maior número de carros por habitante que o Brasil apresentam trânsito mais seguro. Basta ver o número de mortos e feridos na Europa ou Estados Unidos em relação à frota registrada. A conscientização começa nas escolas, passa por um processo de habilitação bastante rigoroso e fiscalização justa, sem pegadinhas. 

Apesar disso, há alguma distorção, mesmo no exterior. Motoristas profissionais na França, por exemplo, podem dirigir sem cinto de segurança. Basta entrar em um táxi em Paris ou outra cidade. Se perguntados, eles confirmam, alegam o cinto incomodar, mas lembram com algum cinismo que motoristas de aplicativos são obrigados a usar.

PERFIL
TOYOTA
 acaba de confirmar que produzirá a nova geração do Corolla também na versão híbrida (pela primeira vez no mundo com motor flex), em Indaiatuba (SP). Lançamento está previsto para setembro. Haverá comercialização simultânea da versão convencional, que passa a utilizar, igualmente novos, motor de 2 litros (maior potência e torque) e câmbio CVT de melhor resposta. 

NOVO Onix sedã (produção, setembro; entregas, outubro) terá mesmo um novo motor turbo de 1 litro e três cilindros. Porte é quase o mesmo do Cobalt. Um mês depois virá o hatch que, por ser menor, oferecerá versão com motor de aspiração natural. Nome Onix, nascido no Brasil, agora se torna global. Antes, só EcoSport tinha saído daqui para o mundo. 

MOTOR 1,6 L aspirado, apesar de entregar 51 cv a menos que a versão turbo THP, deixa o Citroën C4 Cactus perfeitamente aceitável em termos de desempenho. O “segredo” é o ajuste fino do câmbio automático Aisin de seis marchas e a possibilidade de acionar o modo “S” para respostas imediatas ao acelerador. Ajudam também 46 kg a menos e 4 cv a mais que o C3 Exclusive. 

CARROS autônomos continuam em desenvolvimento, mas o presidente mundial da Ford, Jim Hackett, admitiu: “A tecnologia vai demorar mais para amadurecer do que o esperado”. Isso dentro de um programa de investimento de US$ 5 bilhões. Ele ainda tem planos de, em 2021, rodar uma frota de teste, mas dentro de limitações. “Tudo é muito complexo”, ressalvou. 

SEGUNDO estudo da Bright Consulting, o estímulo de 1 ponto percentual no IPI para fabricantes que superarem a meta obrigatória de consumo de combustível em 5,7% significa cerca de R$ 400 em um modelo com preço público de R$ 50.000. Para 10,8% de economia, ganham 2 pontos percentuais de IPI, em torno de R$ 800. Nada fácil: tecnologias envolvidas são caras. 

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Estudo da Audi: sem congestionamento na cidade do futuro


Quanto tempo nós economizaremos em uma cidade com carros autônomos, compartilhamento de carona e gestão inteligente de tráfego? As respostas são apresentadas pelo estudo  “25ª Hora – Fluxo”, feito pela Audi. Em parceria com especialistas em tráfego do Karlsruhe Institute for Technology (KIT) e da consultoria MobilityPartners, de Munique (Alemanha), a pesquisa simulou o futuro da mobilidade em Ingolstadt, Alemanha. De acordo com o estudo, uma redução duradoura nos tempos de viagem pode ser alcançada em um deslocamento comum: em um terço de tráfego completamente automatizado, mesmo se houver 10% a mais de pessoas nas ruas. O pré-requisito é que a tendência de compartilhamento seja adotada.

Frotas de carros autônomos ajudarão a resolver problemas de tráfego nas cidades a longo prazo. Esses benefícios tornam-se ainda mais evidentes quando associados a uma gestão de tráfego mais inteligente e a uma taxa de ocupação mais elevada, ou seja, aumentando o número médio de pessoas por carro. Se esse número subir moderadamente de 1,1 para 1,3 pessoas, porque mais pessoas compartilham um carro, não haverá mais congestionamento na hora do rush. Em um sistema de tráfego em rede totalmente automatizado, mais pessoas (+12%) podem ser transportadas muito mais rapidamente (-33%) em tráfego de passageiros.

Veículos conectados, autônomos e compartilhados também oferecem às cidades novas oportunidades de uso e realocação de espaço para melhorar a qualidade de vida urbana. Por exemplo, o estudo descobriu que a incorporação de veículos totalmente autônomos poderia redirecionar uma faixa de tráfego em uma rede de quatro faixas e dedicar esse novo espaço a pedestres ou a bicicletas em vez de veículos. O estudo leva em conta que, com um número crescente de carros autônomos, mais cidadãos idosos e crianças teriam acesso à mobilidade, e convenientes táxis-robôs competiriam com o transporte público local.

O estudo também examina cenários mais extremos. Por exemplo, o que aconteceria se houvesse um aumento acentuado no número de pessoas que usam transporte público, caminham ou viajam de bicicleta? Qual seria o efeito de altos níveis de tráfego de entrega como resultado de compras online? E o que aconteceria se as cidades não permitissem carros autônomos ou se fossem lentas ou relutantes em digitalizar sua infraestrutura? Os resultados variam de tempos de viagem mais curtos no tráfego de passageiros (-40%) até engarrafamentos.

No modelo de tráfego para Ingolstadt, os pesquisadores investigaram apenas um parâmetro isoladamente, sem levar em conta mudanças no comportamento do usuário ou aumento da demanda: quantos carros autônomos seriam necessários hoje para tornar o fluxo de tráfego notavelmente melhor? No mínimo, 40%! Os computadores mantêm a distância necessária para outros veículos, não dirigem muito rápido e obedecem a todos os sinais de trânsito. Entretanto, de acordo com diversos estudos acadêmicos, em uma situação de tráfego mista isso é uma desvantagem para o fluxo de veículos. Os tempos de viagem são diminuídos apenas com um número crescente de carros autônomos: se hoje as estradas de Ingolstadt fossem usadas apenas por autônomos, os tempos de viagem cairiam em um quarto.

Com seus cerca de 140 mil habitantes, Ingolstadt, a cidade onde fica a sede da Audi, é adequada como um “laboratório” para o fluxo de tráfego nas estradas, pois o tráfego é composto majoritariamente por veículos de quatro rodas: por razões históricas, há muitos automóveis e ônibus no local, mas não há metrô ou bondes. Essas condições aplicam-se em muitas cidades de tamanho médio em diferentes países.

Hoje, em média, os motoristas gastam cerca de 50 minutos por dia ao volante. No projeto “25ª Hora”, desde 2017, a Audi vem investigando como os carros autônomos mudarão nossa vida cotidiana. No futuro, continuaremos a gastar quase uma hora por dia no automóvel? Além disso, o tempo de viagem no carro autônomo pode ser bem aproveitado: os passageiros podem conversam, relaxar ou trabalhar. 

Em colaboração com o Instituto Fraunhofer de Engenharia Industrial (IAO), a Audi investiga como, por exemplo, o interior do veículo pode se tornar um local de trabalho ideal. Para os estrategistas e designers da Audi, as respostas para essas perguntas são altamente relevantes. Digitalização e urbanização transformam cidades, mobilidade e comportamento do usuário. Conceitos de automóveis, no entanto, estão sendo desenvolvidos hoje – e precisam se misturar de forma inteligente e eficiente com o desenvolvimento de sistemas de mobilidade no futuro.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

LAND ROVER TORNA AUTONOMIA TODO TERRENO EM REALIDADE


A Jaguar Land Rover está desenvolvendo carros autônomos capazes de dirigir fora de estrada em qualquer condição climática.

O primeiro projeto CORTEX do mundo levará carros autônomos fora de estrada às ruas, garantindo que eles sejam totalmente capazes de andar em qualquer condição climática: terra, chuva, gelo, neve ou neblina. Como parte do projeto, está sendo projetada uma técnica de "5D", combinando dados acústicos, de vídeo, de radar, de detecção de luz e de detecção de distância (LiDAR) em tempo real. O acesso a esses dados combinados melhora a consciência do ambiente em que o carro se encontra. O aprendizado da máquina permite que o carro autônomo se comporte de maneira cada vez mais sofisticada, fazendo com que ele lide com qualquer condição climática em qualquer terreno.

Chris Holmes, gerente de Pesquisa de Veículos Autônomos e Conectados da Jaguar Land Rover, diz: “É importante desenvolver nossos veículos autônomos com a mesma capacidade e desempenho que os clientes esperam de todos os Jaguars e Land Rovers. A autonomia é uma inevitabilidade para a indústria automotiva, e garantir que nossa oferta autônoma seja a mais agradável, capaz e segura é o que nos leva a explorar os limites da inovação. O CORTEX nos dá a oportunidade de trabalhar com alguns parceiros fantásticos, cuja expertise nos ajudará a concretizar essa visão em um futuro próximo”.   

A Jaguar Land Rover está desenvolvendo tecnologias de veículo totalmente e semiautomatizadas, oferecendo aos clientes a escolha do nível de automação, enquanto possibilita uma experiência de condução agradável e segura. Esse projeto faz parte da visão da empresa de viabilizar o automóvel autônomo na mais ampla gama de ambientes de condução e clima reais, na rodovia e fora de estrada.

O projeto CORTEX desenvolverá a tecnologia por meio do desenvolvimento de algoritmos, otimização de sensores e testes físicos em pistas off-road no Reino Unido. A Universidade de Birmingham, com sua liderança mundial em pesquisas sobre radar e sensores para plataformas autônomas e Myrtle AI, especialistas em aprendizado de máquina, participam do projeto. O CORTEX foi anunciado como parte da terceira rodada de financiamento para veículos conectados e autônomos da Innovate UK em março de 2018.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Fernando Calmon - Alta Roda - Vida dura


Alta Roda nº 982/332 30– 0114 023– 0oda nº852/0311508– 2oda nº851/2018

Fernando Calmon
A estreia do Cronos, versão sedã do Argo, é um bom exemplo do grau de sofisticação da oferta de produtos no mercado brasileiro. Os sedãs compactos, onde se enquadra o novo modelo da Fiat, representam 15% das vendas totais, praticamente a mesma importância de todos SUV somados que, no ano passado, alcançaram 16%. Só entre os produzidos no Mercosul há 13 opções com entre-eixos curto (2,49 m, Ford Fiesta), médio (2,52 m, Cronos) e longo (2,65 m, VW Virtus). E novas opções continuarão a chegar, a exemplo do Toyota Yaris sedã, no fim do ano. Portanto, as comparações apontam certa complexidade. 


O mais novo sedã compacto se diferencia da sua versão hatch pela parte frontal exclusiva. Embora Renault Sandero e Logan também sigam esse caminho, o resultado estético ficou bem harmonioso. A traseira é o seu ângulo mais bonito. Há bom espaço no porta-malas (525 litros), além de ótimo vão e grande ângulo de abertura da tampa. Mas as dobradiças longas podem amassar a bagagem, dificuldade recorrente em sedãs menores, embora o Virtus tenha solucionado, em parte, o problema. Molas a gás resolveriam, a custo maior. 

O espaço interno ficou compatível com o líder do segmento, o Prisma. Destaque para pernas e cabeças no banco traseiro. Perde, no entanto, para Nissan Versa e Virtus, em especial. Painel apresenta desenho moderno, três saídas de ar centrais, mas sistema multimídia, embora fácil de operar e bem localizado, não fica embutido no painel como em alguns concorrentes. Bancos firmam bem o corpo. Pedaleira provoca interferência com o console de assoalho. 

Dois motores estão disponíveis: 1.350 cm³ (109 cv/etanol) e 1.750 cm³ (139 cv/etanol). O primeiro se destaca por baixo consumo de combustível e pode vir com caixa automatizada de uma embreagem. Cronos pesa apenas mais 10 kg que o Argo e, assim, desempenho é razoável. O segundo, além de câmbio manual, oferece um automático convencional de seis marchas, mostra agilidade, mas consumo deixa a desejar. 

Calibragem fina das suspensões é ponto alto do carro, mesmo ao utilizar a opção de rodas de 17 pol. de diâmetro. FCA, em Betim (MG), utiliza um simulador de última geração – que chama de banco elastocinemático – para ajudar no acerto de dirigibilidade, máquina única no hemisfério sul. Na Itália, só a Ferrari possui o mesmo equipamento. 

O carro é bem equipado, inclusive com opção de câmera de ré com linhas de trajetória, em geral existentes em modelos maiores e mais caros. Controle de estabilidade está em toda a linha, menos nas duas opções mais baratas. Bolsas de ar laterais dianteiras são opcionais por R$ 2.600 e só com o motor mais potente. No total há cinco versões, três delas com motor de menor cilindrada que devem responder por dois terços das vendas. Preços básicos variam de R$ 53.990 a 69.990. 

Outra vez há conflitos dentro da gama Fiat. Grand Siena, por exemplo, teve preço rebaixado para menos de R$ 50.000, o que atrapalha o Cronos, porém deve ter vida curta. Por outro lado, uma das versões do novo automóvel é mais barata que o Argo. Para tornar a vida do novato mais dura, a Precision (de topo), passa de R$ 82.000, incluídos opcionais, sem chance de enfrentar Virtus ou Honda City. 


RODA VIVA

SALÃO de Genebra, de 8 a 18 de março, mostrará o equivalente ao VW T-Cross, no caso o SUV Skoda Vision X Concept, de mesma distância entre eixos do Virtus. Linhas terão alguns disfarces e versão definitiva estreia em outubro, no Salão de Paris, enquanto o T-Cross estará no Salão de São Paulo, em novembro. Já o Tiguan, importado do México em breve, terá versões de sete e também (a Coluna antecipa) de cinco lugares. 


INVESTIMENTO da GM em São Caetano do Sul (SP), sua unidade industrial mais antiga no Brasil, chama atenção em um momento de grande ociosidade da indústria automobilística. País pode fabricar até 5,5 milhões de veículos/ano, mas em 2018 fará, no máximo, 3,1 milhões. Com a ampliação, capacidade da GM subirá de 250.000 para 330.000/ano. 

AMAROK V-6 diesel transformou a picape média da VW em um veículo mais rápido que a maioria dos automóveis comuns. Afinal, são 225 cv, 56,1 kgfm e aceleração de 0 a 100 km/h em 8 segundos. Como desloca uma massa, em ordem de marcha, perto de 2,2 toneladas, precisa de moderação ao acelerar. Preço ajuda a pensar: R$ 184.990. 

CONSTATAÇÃO interessante: fabricantes japoneses têm infraestrutura e tecnologia de sobra para investir em carros autônomos e trabalham nisso com afinco. Entretanto, no seu mercado interno o tema parece empolgar pouco os motoristas. Na pesquisa publicada na Coluna da semana passada, Japão nem aparece entre os 20 países mais “ansiosos”. 

AVANÇO de carros elétricos nos Estados Unidos será bastante lento. Segundo Mike Jackson, presidente da AutoNation, maior rede de concessionárias do país, eles responderão por algo entre 15% e 20% das vendas totais em 2030. Participação muito inferior à projetada (sem confirmação...) na Europa. Jackson costuma acertar previsões por ouvir de perto os compradores. 


PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).

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sábado, 18 de março de 2017

Bridgestone apresenta pneus da próxima geração para o protótipo do novo Chrysler Portal

A Bridgestone Americas, Inc. (Bridgestone) acaba de anunciar o desenvolvimento de um modelo de pneu conceitual de última geração que foi apresentado no novo veículo Chrysler Portal. O automóvel representa um olhar do futuro para o transporte familiar pretendido para as próximas gerações.

O pneu conceitual da Bridgestone foi projetado especificamente para se integrar com perfeição ao design do Portal, incorporando diversos elementos de design do veículo em sua lateral e na banda de rodagem.

À medida que os automóveis incorporam tecnologias para atender a estilos de vida dinâmicos e sempre conectados, os pneus também estão sendo redesenhados. Os engenheiros de pneus da Bridgestone vêm desenvolvendo tecnologias inovadoras para atender às novas necessidades dos motoristas e fabricantes de automóveis, permitindo o monitoramento em tempo real das condições meteorológicas e da pista, um melhor desempenho e uma redução no consumo de combustível.

“A tecnologia está revolucionando rapidamente o setor automotivo, e as inovações em pneus têm um papel fundamental nesse processo”, afirma Mike Martini, Presidente de Equipamentos Originais das Divisões de Vendas de Pneus para o Consumidor nos EUA e Canadá da Bridgestone Americas Tire Operations. “Os pneus têm um impacto importante sobre a performance de um veículo. Suas características são fundamentais para proporcionar o desempenho desejado pelos fabricantes de automóveis e atender às necessidades e expectativas da próxima geração de motoristas.”

À medida que os carros autônomos oferecem aos motoristas a oportunidade de estar sempre conectados, a Bridgestone continua impulsionando a inovação com foco na eficiência, performance e segurança. A Bridgestone está à frente do desenvolvimento e da implementação de tecnologias de pneus que consigam determinar as condições superficiais da pista com base no conceito de Sensoriamento de Informações da Área de Contato (CAIS, do inglês Contact Area Information Sensing). Essa nova tecnologia utiliza a área de contato do pneu para analisar as mudanças nas condições da pista e compartilha essas informações com o motorista, ajudando a maximizar a segurança ao volante. A Bridgestone também está à frente do desenvolvimento de uma tecnologia de pneus que permite o consumo eficiente de combustível, ajudando os fabricantes de automóveis a cumprir com os padrões de Economia de Combustível Média Corporativa (CAFE, do inglês Corporate Average Fuel Economy).

Em 2016, a Bridgestone Corporation recebeu o prêmio Qualitas Foundational Principles Award da FCA US como reconhecimento pela elaboração, engenharia e fabricação dos melhores pneus do setor.

O Chrysler Portal, com pneus conceituais da Bridgestone para direção autônoma, foi apresentado no CES 2017 em Las Vegas e esteve em exibição no North American International Auto Show em Detroit, nos Estados Unidos.