Mostrando postagens com marcador ELON MUSK. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ELON MUSK. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Roberto Nasser - De carro por aí


 

Coluna 4018 - 05.10.2018 edita@rnasser.com.br

O fator
Dirigi o T-Cross em exemplar de pré-produção no circuito particular da cinematográfica Fazenda Capuava, quase lindeira ao Aeroporto de Viracopos, SP. Creio-o versão final, pois será apresentado no dia 25 e, após, no Salão do Automóvel. À venda ? Aposto final março 2019.

Passou a obrigatoriedade profissional de usar sedãs de topo, e meu carro de uns poucos anos é VW Tiguan. Admirável e honesto: arranca, acelera, freia, faz curvas, oferece segurança ímpar com a tração permanente nas quatro rodas, e seus 200 cavalos alemães pouco bebem.

O desenho da minha vida tem-me tornado semi zen, ante a consciência da pouca consistência do meio ambiente para instigar a formação de imagem e outras bobagens sociais criadas pelo mundo do consumo. O novo Tiguan cresceu e meu interesse diminuiu.

Daí, tenho visto com muita simpatia o surgimento dos imaginados dois novos donos do segmento dos utilitários esportivos compactos. Refiro-me ao Citroën Cactus e ao VW T-Cross.

Não os comparo, pois em ambos a experiência no conduzir foi fugaz.

Antes conversei um pouco com o Pablo Di Si, argentino, ex FCA, hoje presidente da Volkswagen na América Latina. Passa o entusiasmo latino de quem sabe ter em mãos o produto certo para o público certo, no momento certo. E a certeza da necessidade de conter o entusiasmo quanto a preço. Parece ter razão. Além da adequação, ao uso de motores turbo com injeção direta, de 1,0, 128 cv e 200 mkgf de torque, e 1,4, 150 cv e 250 mkgf, garantindo arrancada, velocidade e baixo consumo, há, ainda, bom acerto mecânico com câmbio automático Aisin de 6 velocidades e freios a disco nas 4 rodas.

A VW balizou o circuito do então ex-piloto Cidão Diniz – Alah cuide dele -, para evitar entusiasmos. A ideia era transmitir sensações de retas ascendentes, descendentes, curvas de amplo raio, longe do que o Cidão fazia o belo circuito completo com Ford GT 40 e Jaguar Lister.

Andei com versão 1,4 e gostei. Há torque para sair e andar com suavidade. Motor e câmbio compatíveis, bem acertados, direção precisa, pequeno raio de curva, freios superiores. Transmite segurança mesmo provocando-o para adernar. Gostei no uso contido.

No jargão da indústria automobilística é mais uma jabuticaba – ou seja, exclusivo ao Brasil, diferindo dos modelos a ser produzidos na Alemanha e China por mais 8,6 cm em distância entre eixos – 2,65 m; e 4,199 de comprimento.

Confortável aos passageiros do banco traseiro, e com espaço de bagagem também maior. É mais alto ante o Virtus, cedente da plataforma – motorista sentirá uns 9 cm entre altura livre do solo e trilho de seu banco. Altura faz parte da imagem de poder. Terá Park Assist e teto solar panorâmico, som, auxiliares de segurança de freios e estabilidade. Com ele a Volkswagen quer ser a melhor da turma. Está no bom caminho.

Fim do teste, indagado, expus minha opinião: carro de mulher – posição superior; cuidado para resistir às imperfeições de nossas vias e estradas; andar confortável; quase suave. E minha dúvida: mulheres, entre compra e influência, o maior agente no setor, se satisfazem com um rodar assemelhado a andar de mãos dadas, ou se gostariam de algo mais reativo, sensível, como um aperto com stamina e testosterona. Uma pegada viril?

É a pergunta de um milhão de dólares, disse-me um executivo. Talvez o Freud saiba… Para isto, aguardemos o ectoplasma do Freud ou a voz do mercado. Quanto a mim, esperarei test-drive de maior intimidade e preços para decidir. (RN)

Eclipse Cross, Complemento importante
HPE, nova denominação da empresa licenciada no Brasil para produzir veículos Mitsubishi, ampliou leque de produtos, fechando espaço de preços entre modelos ASX e Outlander. Fê-lo com Eclipse Cross, criado sobre o utilitário esportivo ASX.

É bem desenvolvido, sem lembrar o veículo base, o ASX. Feito no Japão, cunha para atualização tecno-mercadológica, iniciando uso de nova família de motores, reduzidos em peso, volume e cilindrada: 1,5 litro, 16 válvulas, 165 cv e 25,5 mkgf de torque.

Fábricas de automóveis tentam arrancar mais e mais potência confiável e longeva de motores pequenos – Toyota já empregou, Audi o faz, e Mitsubishi adotou a dupla injeção de combustível: de acordo com a demanda, injeção no coletor de admissão; demanda adicional de potência, sobrea cabeça dos pistões. Mercedes em outro caminho: turbo elétrico auxilia o principal. Transmissão discrepa do avanço técnico, mas é de lógica empresarial por seu baixo custo ao entregar uso assemelhado ao de uma transmissão automática. Novidade na transmissão é o exclusivo sistema Super All Wheel Control (S-AWC), de acoplamento eletromagnético – como o eram os 4x4 EcoSport da geração anterior. Há, ainda na versão de tração total, o AYC – Active Iaw Control -, otimizando o torque entre as quatro rodas. Sua tração não é para arrancar toco, mas para dirigibilidade em locais de baixa aderência.

Não é releitura do ASX, mas novo projeto. Solução feliz ou não em suas linhas com rococós de olhos puxados, é marcante. Frente ampla, sugerindo poder, insertos cromados, grade assumindo a nova identidade visual – ufa, custou! - mas dá a impressão de aproveitamento da traseira do Honda Civic, trocando vermelhos por cromados, e de ter sido desenhado em cidades distantes. A traseira invoca o antigo Citroën C4 VTR, cuja característica mais evidente era a janela posterior dividida e com uma espécie de degrau. No Eclipse parte das luzes traseiras adentram pelo degrau suspenso. À tentativa de mesclar conceitos deu-se o nome de Dynamic Coupé – papel aceita tudo ... Independentemente de opiniões sub equatoriais ganhou o Prêmio Good Design pelo Museum Athenaeum de Arquitetura e Design de Chicago.  

Deve ser visto como produto voltado a donas de casa nos EUA. A decoração é cuidada, o conforto de rolagem, a vedação termo acústica chamam atenção para o refinamento pelas peças em cinza metálico e painéis de toque amigável em Preto Piano. Conquista da categoria, faróis e luzes traseiras em LED, sensores de chuva, acendimento dos faróis, aviso de mudança de faixa, sensores frontais e posteriores para estacionamento e câmera de ré, freio de mão eletrônico.

Duas versões, tração em duas e quatro rodas: HPE-S S-AWC e  HPE-S, seguindo moda atual de pré venda. A R$ 150 mil e R$ 156 mil. Esqueça a primeira.

Mercedes melhora o Classe C
Mais vendido de seus modelos em todo o mundo, Mercedes o revitalizou para o segundo ciclo de vida da atual carroceria. Mantém-no identificado com o topo de linha Classe S, incluindo equipamento eletrônico e de segurança.

Nova grade, faróis frontais por canhões de LED, grupo óptico traseiro com idêntica tecnologia, painel mudado, controles no volante implementados. Interior solidamente modificado, com novidade de madeira porosa em 3D.

No pacote, motor 1,6 DOHC turbo ganhou adicional turbo elétrico, gerando novos 10 kW – 17,5 cv. Mantém o câmbio com nove velocidades.

Na Europa seu aumento de preço foi mínimo, e aqui ainda é assunto sob chaves, até a apresentação do produto. Antecedendo ao Salão, festa será dia 09.  

Quer um Kia Stinger GT? Corra
Marca fechou importação de lote inicial, chancelado pelo festejado Emerson Fittipaldi, de apenas 20 unidades, ao tempo do dólar cotado a 1x3,35 reais. Com isto a série inicial, como relatou Coluna semana passada, ficou restrita enquanto não houver pacificação do mercado, com unidades precificadas em R$ 350 mil.

É o mais potente dos Kia, tracionado por motor dianteiro, V6, 3,3 litros, bi turbo, 370 cv de potencia, hábil a acelerar da imobilidade aos 100 km/h em 4,9s e cravar velocidade final declarada em 270 km/h. Transmissão automática de oito velocidades e tração traseira.

Para cultuar o Deus da Performance, um pouco de promoção: as duas dezenas de unidades portam placa identificativa no painel de instrumentos contando ser parte da Launch Edition by Fittipaldi. É numerada e assinada pelo bicampeão da Fórmula 1, recepcionando convidados com José Luiz Gandini, presidente da Kia.

Roda-a-Roda
Mais – Jetta recém lançado terá próxima versão superior:  GLi, motor 2,0 TSI, 230 cv, câmbio automático DSG 6 velocidades, suspensão traseira Multilink, como nos Golf importados.

Menos – Surpresa o primeiro contato com o Jetta. P’ra barato não serve, e na versão de entrada R$ 110 mil, surpresa na ausência de  itens mandatórios na configuração: alavanquinhas para acionar a transmissão automática, as pernósticas paddle shift, e saída de ar condicionado aos passageiros do banco posterior. Economia besta, desvaloriza o cliente.

Pré-sucesso – Nem entrou em vendas e o Citroën C4 Cactus colhe dois resultados surpreendentes: 800 pré-vendas; elevado tráfego nas revendas, igual a 2002, quando, com um produto, o C3, detinha 3% do mercado. Hoje 0,8%.

Projeto - Segundo Ana Theresa Borsari, diretora geral das marcas Citroen, DS – voltará a ser importada -, e Peugeot, modelo deve ser responsável por crescimento de 50% da marca no próximo ano.

Trava – Moda bloqueia vendas. No caso, a pintura saia-e-blusa, agora chamada Bi Ton, representando 35% das vendas, gera pororoca industrial, exigindo operações lentas e manuais, detendo a velocidade de produção, limitada a 21 mil em 2019.

Exemplo – Promessa foi desdobramento de pronunciamento de Linda Jackson, inglesa, CEO Citroën, sobre os bons números mundiais da marca.

Modos - Chegou pontualmente em tailleur azul claro, gentil, deu de cara com um modelo do fim dos anos ’40, entendeu a exposição como homenagem pessoal, e não se fez de rogada: entrou e sentou-se no banco traseiro para conferir habitabilidade. Profissa, balbuciaram assessores e jornalistas.

Vida – Por ter passado tweet dizendo de seu interesse em fechar o capital da Tesla, fábrica de veículos elétricos da qual é maior acionista e era CEO, Elon Musk foi intimado por órgão federal a pagar multa pessoal de US$ 20M e se afastar do cargo por três anos. Empresa também recolherá US$ 20M em multa. O tweet foi considerado ativador do mercado de ações.

Ecologia – Seguindo exemplo do mercado VW Caminhões e Ônibus iniciou reciclar 100 componentes, operação com o nome Volks Greenline. Motores, cabeçotes, turbo compressores, injetores, etccc.

Bolso - Ideia é reduzir o custo de operação e fomentar sustentabilidade. Ao cliente redução de custo em até 40% relativamente à peça nova. Antigas devem ser entregues.

Marco – Ford Modelo T não foi o primeiro automotor útil no mundo, mas abridor do caminho para democratizar seu uso. Foi lançado há 110 anos. Era simples, de construção econômica, mas apenas mais um em nascente atividade.

Caminho – Cinco anos após, distinguiu-se com projeto de padronização de operações, a Linha de Montagem. Tornou-se a primeira marca internacional, foi largamente exportado, plantou operações de montagem mundo afora. Então, um em cada dois automóveis produzidos no mundo, era um Modelo T.

Aqui – Iniciou ser montado em 1918 na Bahia, embora a marca insista dizer ter sido em 1919 em S Paulo – na verdade fática, na capital paulista foi em 1920.

Paris – Salão do Automóvel em Paris requer a láurea de ser o mais antigo do mundo – por isto não se chama Salão, mas Mundial do Automóvel ... Para abrir a 120a edição, organizou grande carreata pela Capital francesa, com 120 veículos representando os que lá estiveram expostos.

Carona – Citroën aproveitou a ocasião, e iniciou ali comemorar seu centenário, a ocorrer em 2019. Expôs carros da marca – fácil, seu Conservatoire tem enorme acervo -, e incluiu veículos novos. Aqui fará exposição itinerante pelo país. Coisa restrita, três veículos e painéis contando a história.
  
Gente – Stefan Ketter, brasileiro, ex-presidente da FCA, implantou a fábrica Jeep em Pernambuco, e elevou qualidade dos produtos FCA, deixou a vice-presidência da empresa. OOOO Crê-se, decisão por frustrada expectativa de suceder Sergio Marchionne, CEO recentemente passado. OOOO Mudanças em cascata. OOOO Sucedido por Scott Garberding. OOOO Este, por Richard Schwardwald, carioca, 59, engenheiro, brasileiro, ex VW e ex Fca. OOOO Dirigia Qualidade da FCA para América Latina, será Diretor Global na área. OOOO Para seu posto, Geraldo Barra, 41, mineiro. OOOO Freddy Audebeau, francês, novo Vice Presidente Financeiro – CFO - no Groupe PSA. OOOO Morou na região entre 2012 e 2016. OOOO Domingos Boragina, diretor desde sempre na Citroën, responsável pela formação de rede, outros interesses. OOOO PSA está cortando os ossos para conter custos. OOOO Efervesce mercado de assessores de comunicação. OOOO Outra boa vaga abrir-se-á em breve. OOOO A da Ford ainda não foi preenchida. OOOO

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Tarcísio Dias em Mecânica Online

O que vai acontecer com o carro que foi para o espaço?

Carro parado, prejuízo dobrado. Essa frase é facilmente aplicável para qualquer veículo em nosso planeta, mas o que vai acontecer com o carro que foi lançado ao espaço no último dia 06 de fevereiro?

O carro pertencia ao empreendedor espacial, Elon Musk, que também dirige a Tesla Motors, e tinha em seu acervo o modelo da primeira geração do Tesla Roadster que ele usava para circular por Los Angeles.

Ele desejava o envio de uma carga teste no voo de demonstração do Falcon Heavy. O carro e o foguete foram ambos produzidos por empresas fundadas e dirigidas por Musk: o carro foi produzido pela Tesla Motors enquanto o foguete foi produzido pela SpaceX. O Roadster do Musk é o primeiro carro de consumo lançado ao espaço.

Dentre os objetivos do lançamento, a velocidade de saída da Terra foi suficiente para o Falcon Heavy entrar numa órbita elíptica heliocêntrica ao redor do Sol que cruza a órbita de Marte, alcançando uma distância de 1.70 UA do Sol.

O automóvel foi instalado numa posição inclinada acima do adaptador de carga com o objetivo de melhorar a distribuição de massa.

O esportivo Tesla Roadster já em sua primeira geração foi oferecido completamente elétrico. No período de fevereiro de 2008 a dezembro de 2015 foram vendidos aproximadamente 2.450 unidades em todo o mundo.

Dentro do próprio carro foram incluídos objetos engraçados como o boneco "Starman" (homem das estrelas) que está vestindo um traje espacial da SpaceX e sentado no banco do motorista, com a mão direita no volante e o braço esquerdo recostado à porta.

O nome do boneco remete à música do compositor David Bowie. O som do carro estava tocando repetidamente a música Space Oddity, também do Bowie, durante a decolagem, depois nada mais de som, pois o som não se propague no vácuo.

Também foi, literalmente para o espaço, uma cópia do livro "O Guia do Mochileiro das Galáxias" no porta-luvas, clássico da ficção científica espacial de Douglas Adams, além de toalha e uma mensagem no painel de controle escrito "Don't Panic" (não entre em pânico), ambos referências ao livro.

Outros objetos incluem uma miniatura do próprio Roadster, da Hot Wheels, uma miniatura do Starman, uma placa com os nomes dos funcionários empregados no projeto, a mensagem "Feita na Terra por humanos" gravada na placa de circuitos do carro, e uma cópia da série Fundação, de Isaac Asimov, um clássico também da literatura, armazenado em um disco de quartzo óptico à laser, feito a pedido da Arch Mission Foundation.

Nas horas seguinte ao lançamento do Falcon Heavy, câmeras instaladas no carro transmitiram sua viagem além da órbita da Terra ao vivo via Youtube, pelo canal da SpaceX. Era esperada uma duração de 12 horas de transmissão até que as baterias esgotassem, no entanto a transmissão durou apenas 4 horas.

O carro foi inicialmente colocado numa órbita de estacionamento ao redor da Terra, ainda preso ao segundo estágio do Falcon Heavy. Depois de um voo maior que o comum durando 6 horas pelo Cinturão de Van Allen, o segundo estágio fez uma nova ignição para uma trajetória de saída. O carro tinha três câmeras, que proviram "visões épicas".

Seguindo o lançamento bem sucedido, a carga foi dada com a descrição de "Tesla Roadster/Falcon SH".

O carro, a bordo do foguete, entrou numa órbita elíptica ao redor do Sol que vai além da órbita de Marte, tão longe quanto o cinturão de asteróides, mas não vai voar por Marte ou entrar em órbita ao seu redor.

Mesmo se o lançamento mirasse numa órbita de transferência marciana, nem o carro ou o estágio superior do Falcon Heavy foram projetados para funcionar em espaço profundo, faltando propulsão, manobra, potência e capacidade de comunicação requirida para operar no espaço interplanetário ou para entrar na órbita de Marte.

A proposta de lançar o Roadster em órbita heliocêntrica é para mostrar que o Falcon Heavy pode lançar cargas que alcancem Marte.

Agora, vamos ao futuro. E o que vai acontecer com esse carro pelo espaço? De acordo com Musk, o carro deve voar pelo espaço por um bilhão de anos.

"Não estou tão preocupado com o vácuo", disse William Carroll, químico da Universidade de Indiana e especialista em plásticos e moléculas orgânicas.

As forças reais que irão rasgar o carro ao longo de centenas de milhões de anos no espaço, disse Carroll, são objetos sólidos e, o mais importante, a radiação.
Mesmo que o carro evite colisões importantes, em horizontes muito longos, é improvável que o veículo possa evitar o tipo de colisões com micrometeoritos que deixam crateras ao longo do tempo, disse Carroll.

Mas, supondo que essas colisões não separem completamente o carro, a radiação irá.

Na Terra, um campo magnético poderoso e a atmosfera protegem em grande parte os seres humanos (e o próprio Tesla Roadsters) da radiação áspera do sol e dos raios cósmicos. Mas objetos espaciais não possuem tais proteções.

Organicos, neste caso, não significa os pedaços do carro que, obviamente, saiu de animais, como seus couros e tecidos. Em vez disso, inclui todos os plásticos no sport car e até mesmo o seu quadro de fibra de carbono.

"Esses materiais são constituídos em grande parte por ligações carbono-carbono e ligações carbono-hidrogênio", disse Carroll.

A energia da radiação estelar pode fazer com que esses vínculos se encaixem. E isso pode fazer com que o carro caia em pedaços de forma tão eficaz como se fosse atacado por uma faca.

"Quando você corta algo com uma faca, no final, você está cortando algumas ligações químicas", disse Carroll.

Uma faca corta essas ligações em uma linha reta. Mas a radiação irá dividi-los ao acaso.

E sob o forte brilho do sol não protegido, Carroll disse que esse processo pode acontecer rapidamente.

Os materiais com menos ligações que os mantêm unidos se desintegrarão primeiro, disse Carroll. Qualquer coisa escondida atrás de um escudo inorgânico (sem ligações de carbono) duraria mais, embora, eventualmente, mesmo o tecido de plástico nos pára-brisas de vidro do conversível vão descolorir e se separar. As peças robustas de fibra de carbono provavelmente seriam as últimas a sair, disse ele, durante um período de tempo muito mais longo.

Eventualmente, o Roadster provavelmente será reduzido apenas às suas partes inorgânicas bem seguras: o quadro de alumínio, os metais internos e quaisquer partes de vidro que não se quebram sob impactos de meteoro. (A idéia de que o vidro derrete durante longos períodos de tempo é um mito, disse ele.)

Ao longo do tempo, é esperado que o Roadster sofrerá danos estruturais de forma constante por radiação solar, radiação cósmica e por impacto de micrometeoritos.

Material orgânico, ou seja, qualquer material com ligação de carbono, incluindo as partes de fibra de carbono, vão começar a se quebrar devido o efeito da radiação. Pneus, pintura e o couro devem durar cerca de um ano. As partes de fibra de carbono devem durar consideravelmente mais. Eventualmente, apenas a estrutura de alumínio e o vidro não quebrado por meteoritos sobrará.

PERFIL
Tarcisio Dias é profissional e técnico em Mecânica, além de Engenheiro Mecânico com habilitação em Mecatrônica e Radialista, desenvolve o site Mecânica Online® (www.mecanicaonline.com.br) que apresenta o único centro de treinamento online sobre mecânica na internet (www.cursosmecanicaonline.com.br), uma oportunidade para entender como as novas tecnologias são úteis para os automóveis cada vez mais eficientes.

Coluna Mecânica Online® - Aborda aspectos de manutenção, tecnologias e inovações mecânicas nos transportes em geral. Menção honrosa na categoria internet do 7º Prêmio SAE Brasil de Jornalismo, promovido pela Sociedade de Engenheiros da Mobilidade. Distribuída gratuitamente todos os dias 10, 20 e 30 do mês.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Fernando Calmon - Alta Roda

Alta Roda nº 913/26330– 033– 0oda nº852/1108– 2oda nº851/2016

Fernando Calmon
Neste ano dificílimo para a economia brasileira e em particular para o setor automobilístico é estimulante saber que seminários e congressos conseguem atingir objetivos, agregar conhecimento, antecipar tendências e projetar o futuro. O Congresso SAE Brasil completou 25 anos com o evento da semana passada em São Paulo. Em 1991 se implantou aqui o primeiro braço fora dos EUA da secular (fundada em 1905, em Nova York) Sociedade de Engenheiros Automobilísticos. 


Hoje voltada para a engenharia da mobilidade, nos modais terrestre e aéreo, a entidade conseguiu ao longo de três dias reunir mais de 7 mil participantes, 85 palestrantes e apresentar 94 relatórios técnicos. A tradicional exposição encolheu um pouco, mas o inovador espaço tecnológico deu oportunidades para apresentações abertas e a baixo custo. 

Um tema quase onipresente foi a mobilidade inteligente e, claro, o caminho para direção semiautônoma, em um primeiro momento, e autônoma, em um futuro difícil de prever com exatidão. Entre a tecnologia estar testada, pronta e efetivamente aplicada na prática podem aparecer alguns óbices. Até implantação mais lenta que o esperado, pois toda a sociedade precisa entender os reflexos. 

O brasileiro parece estar confortável, segundo pesquisa da Cisco apresentada pela Porto Conectas, sobre o novo papel do automóvel. A população urbana aceita a direção autônoma, além da possibilidade de trocar a propriedade do carro pelo uso apenas quando necessário. Como toda pesquisa, depende de como a pergunta é feita, o público-alvo atingido e se a pessoa está disposta a pagar por custos desconhecidos que serão muito altos, pelo menos de início. Fora dos grandes centros urbanos e entre aqueles que nunca tiveram um automóvel as respostas talvez fossem outras. 

Com infraestrutura precária, tanto viária como em abrangência limitada do tráfego de dados em alta velocidade, tudo deve acontecer de forma bem mais lenta no Brasil. Ainda há espaço, porém, para inovações como o banco de motorista de ônibus que detecta a fadiga do profissional. Desenvolvido pela Marcopolo, a encarroçadora gaúcha apresentará a novidade a seus clientes no início de 2017 e inclui diferentes métodos físicos de alerta. 

Versões modernizadas de embreagem eletrônica (com ou sem pedal) foram reapresentadas pela Bosch e Schaeffler. Dispositivo mais barato do que o câmbio automatizado de uma embreagem merecia ter uma segunda chance no mercado brasileiro. Agora é possível ganhar até 5% em economia de combustível com o recurso de coasting (abertura da embreagem para aproveitar o movimento próprio do carro) e mais 5% se acoplada ao sistema start-stop (desliga-religa o motor no para-e-anda do trânsito). 

O congresso divulgou uma iniciativa meritória apoiada por Campinas (SP). Trata-se de um projeto-piloto chamado Investigação Avançada de Acidentes de Trânsito existente em 12 países. Apenas em um bairro da cidade a comissão técnica pesquisou 72 casos e promoveu 23 reconstituições, inclusive de fatalidades. Numa segunda fase este pool de empresas, universidade e instituições públicas preocupadas com a segurança quer incluir acidentes rodoviários. 

RODA VIVA

DECISÃO reafirmada pela FCA: não haverá versão Fiat de nenhum produto Jeep, embora tenha acontecido com a dupla Dodge Journey/Fiat Freemont. Descartado também o possível SUV Fiat derivado da picape Toro, como ocorre com Chevrolet Trailblazer ou Toyota SW4. Informalmente a empresa alega que o custo de um SUV médio é alto e já existe o Jeep Compass. 

SEXTA geração do Chevrolet Camaro deu belo salto em desempenho, estilo e interior todo reformulado. Começam vendas da edição especial Fifty que comemora 50 anos do modelo por R$ 297.000. Apenas 100 unidades virão para o Brasil, mas a partir de janeiro cupê e conversível estarão disponíveis. Motor V-8 de 461 cv/62,9 kgfm; 0 a 100 km/h, 4,2 s; máxima, 290 km/h. 

NISSAN KICKS no dia a dia se destaca pela boa suspensão, direção precisa e um quadro de instrumentos moderno e de fácil visualização. Na versão de topo, quatro câmeras permitem manobrar com facilidade e segurança. Apesar de sua massa ser relativamente baixa (1.142 kg), falta algum fôlego ao carro pela combinação de motor de apenas 1,6 L e câmbio CVT. 

MOTORES de 6 cilindros em linha são equilibrados por natureza, porém apenas a BMW continua fiel a eles. Com o avanço recente da modularidade de cilindros e desenho mais compacto (pode até ser colocado transversalmente) outros fabricantes estão readotando essa configuração. Mercedes-Benz já aderiu e a próxima será a Jaguar. Devem vir outros por aí. 

FABRICANTE americano de carros elétricos Tesla anunciou seu primeiro lucro líquido trimestral (simbólicos US$ 21,9 milhões) depois de 13 trimestres seguidos de prejuízo. Isso está longe de equilibrar as contas da empresa do bilionário Elon Musk. Lucro anunciado, aliás, se deve à compra de créditos fiscais para veículos de emissão zero do estado da Califórnia. 


PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmo fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2