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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Roberto Nasser - De carro por aí

Coluna 4117 - 13.10.2017 - edita@rnasser.com.br

Supresa boa. Citroën entrará no mercado de comerciais
Jornalistas  presentes à apresentação do furgão médio Citroën Jumpy se surpreenderam. Estavam preparados para ouvir usual torrente de elogios, descrição da fórmula de imbatividade, explicações sobre a superioridade do produto. Coisas usuais. Afinal, tais colocações fazem parte das repetitivas apresentações de novos produtos. Leitores da Coluna já conheciam o Jumpy, nela divulgado desde a decisão da PSA, a holding reunindo Peugeot-Citroën-Dongfeng em montá-lo e a seu espelho Peugeot Partner no Uruguai.

Ve-lo foi interessante, conduzi-lo instigante pois as sensações são automobilísticas – fácil entender, é a plataforma do Peugeot 3008 esticada, reforçada e adequada ao novo trabalho. Curiosidade estava no pacote de providências já tomadas para a holding aumentar substancialmente sua participação no mercado de comerciais. PSA e Citroën apostam no torcer do parafuso da ecologia, restringindo circulação dos atuais VUC – veículos urbanos de carga, representados por Mercedes Sprinter, Renaults Master, Kias e Hyundais – pelos VUL, veículos urbanos leves. São menores, mais baixos, mais confortáveis, mais camionetes e menos caminhões.
Razões

Pretensões elevadas no caso da Citroën – a Peugeot não exibiu seu produto. Quer passar dos atuais 1,3% de participação nas vendas a 6% em 2018 e 12% - quase 10 vezes mais – até 2021. Comerciais leves tem previsão de representar 15% das vendas no país.

Mescla das marcas Peugeot e Citroën terá produtos equivalentes: grandes Boxer e Jumper; médios Expert e Jumpy, pequenos Partner e Berlingo. Produtos fazem uma liga das nações: maiores importados da Itália – são Iveco, empresa Fiat, mudada do Brasil; médios com material importado e montados no Uruguai; leves produzidos na Argentina. Como Peugeot haverá um picape médio – como Coluna também antecipou, projeto franco-chinês previsto para 2020. Na América Latina querem saltar de 200 mil unidades vendidas para 300 mil até 2021. Crescer 50%.

Citroën
Marca montou operação continental para distribuir produtos pela América Latina, e no mercado interno acertou o Jumpy para as condições nacionais, controlando preço inicial para ser o menor do mercado; revisões com preço prévio; seguro de assistência; garantia de atendimento rápido; carro reserva. Importações iniciadas com furgão, diferenciado pelas largas portas traseiras abrindo a 180 graus; porta lateral corrediça; arte para bascular para cima o banco lateral e permitir colocar carga comprida – como tábuas, escadas ou o que tiver até 4m. Transformadoras brasileiras já criaram ambulância, carro de presos, transporte escolar. Haverá versão passageiros em seis meses.

Iniciativa continental tem base europeia, onde as marcas vendem mais de 1/5 do mercado, e garantem ótima saúde financeira – o lucro para fazer e vender os comerciais supera o de automóveis com preço assemelhado.

Mecânica moderna. Monobloco, motor diesel 4 cilindros, 8 válvulas, turbo, bloco e cabeçote em alumínio. Produz 115 cv e 30 Nm de torque, transmitindo movimento às rodas dianteiras. Diz a Citroën ser o mais econômico do mercado – deve ser pela menor cilindrada -, 11,4 km/l na estrada e autonomia de 820 km. No preço inferior, no menor consumo, na prioridade nas oficinas, quer se vender a empresários de comércio e indústria.

Não tem refinamentos construtivos para barrar os preços: iniciais R$79.990 e após lançamento R$ 83.990. Com ar condicionado, faróis de neblina e o ModuWork – o basculamento do banco -, R$ 87.990 logo evoluídos a R$ 91.990.

Mercedes constata. Fundo do poço tem mola.
O ditado do interior parece ter inspirado o alemão Phillip Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO da América Latina. Com vendas e produção caídas pela metade, funcionários sobrando, convenceu seus chefes na mesa diretora da matriz a realizar investimentos na operação brasileira. Aplicará R$ 2,4 bilhões para nova etapa de modernização de suas fábricas no país. Exceto a de Iracemápolis, SP, onde monta automóveis, a grande operação de São Bernardo do Campo, SP, base produtora de caminhões, e de Juiz de Fora, fabricante de cabines, merecerão investimentos para aumento de produtividade e incremento de operações automatizadas, incluindo o novo patamar operacional para indústrias, o revolucionário Indústria 4.0. Dedicar-se-á, também, a desenvolver novos veículos, tecnologia de serviços e conectividade.

Houvesse apenas visão do presente, Schiemer teria comprado caixas de lenços para enxugar as lágrimas advindas dos maus números. Atualmente os da Mercedes são desanimadores: queda de vendas e ociosidade de 50%; excesso de mão de obra. Na prática tem o operacional entre gente e máquinas, mas com produção contida para evitar fazer estoques.

Cruzamento de números de fim da queda econômica, expansão das exportações, crença no crescimento do mercado interno deram a chave para preparar-se a atender as novas demandas dos clientes. O investimento se incorpora aos atuais R$ 730M para modernizar as usinas de São Bernardo e, como lá se pronuncia, J’iz difora. Outros R$ 70M estão direcionados a construir um campo de provas para caminhões e ônibus no antigo canavial integrando a área de Iracemápolis, para ser o maior e mais completo do Hemistério Sul.

Roda-a-Roda
Espaço – Volkswagen iniciou homeopática divulgação de seu próximo sedã, o Virtus. Sobre plataforma multi dimensionável, bons traços, terá vendas iniciadas em janeiro, com apresentação à imprensa nos próximos dias.


Mercado – Mercado dá sinais de recuperação – 24% de aumento relativamente a setembro de 2016. Motivos, melhora conjuntural da economia, queda de juros. JAC deu salto pontual. Dobrou vendas em setembro com vendas do SUV T40.

Fusão – Patrocinadora da carioca escola de samba Unidos de Vila Isabel, a Renault-Nissan-Mitsubishi levou o carnavalesco Paulo Barros a conhecer a área de design avançado da Renault, e direito a papo com o holandês Laurens Van Den Acker, seu designer maior.

Futuro – Foi no Technocentre, o centro de pesquisa e desenvolvimento da marca, perto de Paris. Ideia foi ajudar o carioca a moldar o desfile de Carnaval neste ano sob o tema Corra que o futuro vem aí.

Herança – Poucas motocicletas são tão referencias quanto as quase cinquentenárias Honda quadricilíndricas. Com base na CB 750 surgida em 1969 e derivações, retocou geração atual, CB e CBR 650F. Numeral indica cilindrada.

Ganhos – Potência ganhou 1,5 cv, passando a 88,5 cv, câmbio de seis velocidades encurtou 2a, 3a 4a privilegiando aceleração nas arrancadas e enfatizando característica auditiva: marcante som dos quatro cilindros DOHC.

Quanto - Duas versões: CB 650 F (R$ 33.900) e CBR 650 F (R$ 35.500); postos São Paulo, + frete e seguro. Diferença decorativa, com a versão R com carenagem sugerindo motos de corrida. Cores vermelho e azul metálicos.

Enfim – Ipiranga de Petróleo tem nova gasolina, a Octapro. Mantém a oxigenação pela adição de álcool, e série de aditivos para elevar a octanagem a 96 e outros para ajudar a limpar os resíduos e a porcariada provocada pela queima da mistura ar/gasálcool. Agora as maiores distribuidoras já tem a gasolina adequada aos veículos com elevadas taxas de compressão.

Direcionada – Não é para o motorista cuidadoso, mas a donos de automóveis com elevada taxa de compressão, de 10:1, por exemplo e, especial uso de turbo alimentador. Motores com reduzida taxa de compressão não aproveitarão sua capacidade anti detonante. Octapro suprimiu produção da Premium.

Lei – Subcomissão de Regulamentação do Recall, da Câmara dos Deputados redige Projeto de Lei para unificar chamadas de recall, as responsabilidades dos fabricantes de veículos, e as omissões legais.

Quem - Deputada Christiane Yared (PR-Pr) autora do requerimento, tem 29 propostas de legislação de trânsito, lidera o esforço. Desde 2015 4,5M de veículos foram chamados a correções, e em 2016, dentre os 130 havidos para produtos industrializados, 105 – 3/4 - eram de veículos.


Carona – Deputado Alexandre Valle (PR-RJ) propôs suspender a comercialização de veículos com re call anunciado. Entende ser a maneira de evitar a consequência das falhas motivadoras do re call.

Cheiro – Mercedes-Benz Parfums trouxe ao Brasil versão de sua água de colônia, marcada por cítricos – toronja, tangerina e laranja brasileira, mais pimenta rosa, gengibre, madeiras louras, vetiver e almíscar. Eau de Toilette vaporizador de 120 ml. Preço ? R$ 363,00. Coerente.

Pretensão – Empresários goianos liderados pelo deputado Alexandre Baldy (PODE), foram ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, sensibilizá-lo à proposta de implantar em Anápolis um polo industrial para materiais de Defesa Nacional. 

Razão - Ancoram o pedido pela cidade ser a base aérea de apoio à Capital; de receber os futuros caças Gripen; de ter estrutura e mão de obra a atividades de metal mecânica; oferecer incentivos fiscais. Lá opera uma das fábricas Hyundai.

Remédio – Quem imagina o passar do tempo induzindo serenidade, Gazet Van Antwerpe relata multa aplicada a octogenária senhora belga. Para acabar com a insônia, em vez de chá e sessão da madrugada, foi dar uma volta em seu Porsche. Apreendida a 236 km/h, Juíza não relevou: US$ 4 mil de multa e suspensão do direito de dirigir por três meses.

Polo Jeep festeja 30 meses de produção, liderança e exportação
Trinta meses após ter transformado um canavial em fábrica de veículos, o Polo Automotivo Jeep festeja produção de 300 mil veículos – destes, 40 mil exportados desde Goiana, Pe, para a América Latina.

Fábrica introduziu o topo dos sistemas de administração e produção, o World Class Manufacturing (WCM), uma das especialidades de Stefan Ketter, presidente da FCA no Brasil e América Latina. Operação festeja a implantação em local de mão de obra despreparada; colocar três produtos na linha de produção – picape Fiat Toro, Jeeps Renegade e Compass; conseguir liderança setorial com o Toro, e alternância através dos produtos Jeep. Um recorde industrial.

Chamá-lo Polo indica o fato de reunir, além do negócio FCA, 16 fornecedores de auto peças em torno da operação industrial para obter rapidez e produtividade, melhor indicativo do sucesso do projeto.

O Polo não é apenas uma fábrica no meio do nada no nordeste de Pernambuco, mais próximo a João Pessoa, na Paraíba, que da capital pernambucana. Pela localização é uma usina para fornecimento mundial, iniciando com a América Latina, iniciando suprir o mercado mexicano, recém lançando o Compass na Argentina, maior mercado de exportações no Continente. Os negócios para venda a outros países coloca os veículos construídos em Goiana como os três produtos com maior volume de exportação pelo porto de Suape no primeiro semestre deste ano


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Fernando Calmon - Alta Roda - Pesadelo Acabou

Alta Roda nº 962/312 30– 1214 023– 0oda nº852/1011508– 2oda nº851/2017

Fernando Calmon
A recuperação chegou e se consolidará em 2018. As razões derivam da mudança de humor e de confiança – para melhor – tanto por parte dos consumidores como dos empresários. E é respaldada pelo aumento do volume de crédito, queda dos juros (ainda lenta no caso do financiamento de automóveis), diminuição da inadimplência (no caso há apenas uma tendência ainda não muito firme, segundo as projeções da Ford) e recuperação paulatina do nível de emprego (ver abaixo em Roda Viva).


Coube ao novo presidente da Volkswagen, o argentino Pablo Di Si, divulgar uma projeção mais ousada não apenas para 2018 e sim para os próximos quatro anos. Em sua opinião, estão dadas as condições econômicas para um crescimento acumulado de 40% até 2021, considerando também a baixa base comparativa atual. Para tanto o mercado interno de veículos deveria crescer uma média de 8,8% ao ano nesse quadriênio e voltar a romper a barreira de três milhões de unidades anuais. Durante evento com executivos do setor realizado em São Paulo liberou um teaser (foto provocativa) do sedã Virtus e anunciou seu lançamento em janeiro próximo, algo raro de acontecer em eventos desse tipo. 

Outro argentino, Carlos Zarlenga, presidente da GM Mercosul, também previu recuperação entre 8% e 10% nos próximos quatro anos. A empresa anunciou mais uma rodada de investimento na região, dessa vez no país vizinho, com a produção local do Equinox. O executivo defende a unificação das normas de segurança, emissões e combustíveis de Brasil e Argentina. E anunciou para 2018 um modelo que será exatamente igual nos dois países. Provavelmente terá um motor flex, considerando aumento esperado do teor de etanol na gasolina argentina nos próximos anos. 

Rogelio Golfarb, vice-presidente da Ford, apontou a queda substancial na venda de compactos e subcompactos nos últimos três anos como o aspecto mais impactante nos resultados das empresas e no nível de emprego do setor de veículos. Por outro lado, as vendas diretas para frotistas tornou-se realidade de mercado e continuará a dar suporte ao avanço dos próximos anos. 

O português Miguel Fonseca, vice-presidente da Toyota, chamou a atenção do rápido crescimento dos SUVs, que respondem hoje por 15% das vendas de veículos leves e continuará a subir na preferência dos consumidores. O porcentual de participação, no entanto, crescerá mais lentamente porque os compactos estão se recuperando e são mais baratos. Prevê um salto de 11% do mercado interno em 2018. Ele concorda que os carros puramente elétricos ainda vão demorar muito para se universalizar e a opção híbrida é mais racional. 

Ponto de consenso no evento foi sobre o programa Rota 2030. O anúncio está atrasado, mas sairá antes do fim do ano. Trará previsibilidade, visão de longo prazo e flexibilidade para se adaptar ao que acontece no mundo. Chega no momento em que o grande acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia deve sair do papel, depois de mais de uma década de negociações. Levará a uma convergência tecnológica dos veículos com foco na competitividade real, sem subsídios ou barreiras protecionistas expressivas. 

RODA VIVA

TRAJETÓRIA de recuperação da indústria continua firme. Maior nível do ano foi atingido em setembro: vendidas 9.960 unidades diárias (veículos leves e pesados). Acumulado dos nove primeiros meses está 7,4% acima do mesmo período de 2016 e o nível de estoque total de 34 dias é normal. Segundo a Fenabrave, bancos começam a aprovar mais crédito ao consumidor. 

EXPORTAÇÕES continuam a bater recordes (56% de aumento) e, assim, alavancam a produção que cresceu 39% sobre o ano passado. Esse conjunto de bons resultados implicou redução de 90% do número de funcionários afastados provisoriamente do trabalho. Apenas o setor de caminhões e ônibus ainda mantém números negativos (menos 9% em 2017). 

BOM pacote de itens de série oferece a versão Pulse Plus do Hyundai Creta. Motor de 1,6 L e câmbio automático de seis marchas formam um conjunto competente. Central de multimídia (compatível com Android/Waze) tem tela de 7 pol., mas sujeita a reflexos. Faz falta freio de estacionamento elétrico automático, algo bastante útil em uso no para-e-anda do trânsito. 

IPIRANGA desbancou a Petrobrás ao lançar gasolina premium de maior octanagem no mercado brasileiro. Chamada de Octapro, tem índice RON 102, um dos maiores do mundo como combustível comercial. Indicada para garantir potência nominal em motores de altíssimo desempenho. É um mercado minúsculo: apenas 2% do volume total da venda de gasolina. 

RECENTE pesquisa da BB Mapfre, em São Paulo, demonstra que segurados entre 27 e 36 anos lideraram a estatística de acidentes, com 30%. Depois estão os condutores de 37 a 46 anos, detendo 25% dos números, e de 47 a 56 anos, com 16%. Surpresa: os mais jovens, de até 26 anos, respondem por 15% dos registros. Não são, portanto, o maior grupo de risco. 


PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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