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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Fernando Calmon - Alta Roda - 60 anos de indústria automobilística no Brasil

Alta Roda nº 916/26630– 253– 0oda nº852/1108– 2oda nº851/2016

Fernando Calmon
Poucos atentaram, pelo fato de o Salão do Automóvel de São Paulo ter drenado muito da atenção de todos. Mas no penúltimo dia da exposição, em 19 de novembro, completaram-se seis décadas do primeiro carro fabricado no Brasil sob as regras de nacionalização (por peso) anunciadas em 16 de maio de 1956. Era uma DKW F91 Universal, station de origem alemã, duas portas, ainda com índice quase simbólico de componentes produzidos em São Paulo pela Vemag, empresa de capital nacional. Batizada depois de DKW Vemaguet, teve apenas 156 unidades montadas até o fim daquele ano. 

Sempre existirá a polêmica sobre se o Romi-Isetta foi o primeiro automóvel de produção brasileira. Modelo revolucionário para a época, com apenas uma porta e sem espaço para bagagem, transportava só dois passageiros e esta limitação (não o número de portas) o deixou de fora dos incentivos do governo federal. O microcarro não convencional, de fato, saiu na frente, em 5 de setembro do mesmo ano. Sua relevância histórica, porém, continua relativa. 

O crescimento da indústria automobilística foi lento, pois dependia do poder aquisitivo dos compradores e das condições econômicas do País, entre elas a dificuldade com o processo inflacionário e a opção governamental de taxar os automóveis em nível inexistente no mundo. Apenas em 1978 conseguiu romper a barreira de um milhão de veículos produzidos por ano. 

Como costuma ocorrer, houve ciclos bons e ruins do mercado. A década de 1990, porém, foi marcada por uma segunda fase de expansão, pois até então o mercado de veículos era dividido pelas três marcas pioneiras – Ford, Chevrolet e Volkswagen –, além da Fiat, estabelecida em 1976. 

Por problemas gerados pela crise do petróleo de 1973 e falta de divisas, o governo lançou o Proálcool em 1975 e no ano seguinte suspendeu a importação de qualquer veículo. Somente em 1990 automóveis importados voltaram ao País. Existe a tendência de apontar esse marco com mais importância do que realmente teve. 

Outras três decisões, somadas, alcançaram peso bem maior: fim da superprotecionista lei de informática e do controle de preços, além do programa do carro popular de 1993 e das câmaras setoriais que destravaram o mercado interno. Um programa de atração de novos investimentos na Argentina levou o Brasil a criar também incentivos. Chegaram Renault, Honda, Toyota, Mercedes-Benz e Peugeot-Citroën. 

O país precisou de 26 anos para ultrapassar a barreira de 2 milhões de veículos produzidos anualmente, em 2004, sem contabilizar unidades desmontadas para exportação. Apenas quatro anos depois, já passávamos dos três milhões. Havia sinalização de que este ano deixariam as linhas de montagem mais de 4 milhões, mas com sorte vamos retornar ao patamar de 2004. 

A crise atual é a terceira de alta gravidade pela qual passa a agora sexagenária indústria automobilística. Ao longo desse período, marcas saíram e voltaram, produzindo ou importando, e as nacionais não sobreviveram. O potencial de crescimento, no entanto, continua intacto. Com a quinta maior população mundial, voltaremos em ano ainda incerto a ser o quarto mercado mundial e, quem sabe, quinto ou sexto produtor. 

RODA VIVA

NOVO EcoSport finalmente chegará aos Estados Unidos no fim de 2017, depois de mais de uma década de negativas. Modelo apresentado agora no Salão de Los Angeles é igual ao que será fabricado aqui no segundo trimestre do próximo ano, mas manterá estepe externo. Voltará o câmbio automático convencional no lugar do atual, automatizado de duas embreagens. 

ORGANIZAÇÃO Internacional de Construtores de Automóveis (Oica) revelou pesquisa indicando que 67% dos entrevistados entendem o primeiro carro como uma das principais conquistas da vida. Assim, sugeriu certa imprecisão de outras pesquisas sobre o aparente desinteresse dos jovens em dirigir. Haveria um momento em que a necessidade ou o desejo falaria mais alto. 

IMPRESSIONA ao volante como carro, tem estilo de station com maior altura de rodagem (21 cm), motor de seis cilindros horizontais opostos de 260 cv e tração 4x4 permanente. Subaru Outback acrescenta espaço interno e para bagagem que deixa alguns SUVs com inveja. Desenho se apresenta conservador e algo generalista. Precisaria também perder algum peso. 

PREVISTO desde o lançamento, Renegade 2017 recebe agora o mesmo motor de 1,8 litro flex da picape Toro. O ganho foi de 7 cv – agora 139 cv – e o torque teve acréscimo simbólico de 0,2 kgf.m. Só agora dispensou auxílio de gasolina em partida com etanol em dias frios. Há ainda modo Sport por meio de botão no painel. Preços subiram: R$ 79.490 a 136.990 (diesel).


MAIOR parte da cota de importações da JAC será de agora em diante do T5. O crossover chinês recebeu câmbio automático CVT de seis marchas virtuais e, por tempo indeterminado, terá o mesmo preço da versão de câmbio manual: R$ 69.990. Este é o modelo previsto para montagem em Camaçari (BA). 


PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmo fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2


sábado, 12 de dezembro de 2015

Roberto Nasser - De carro por aí

Coluna 5015 - 12.12.2015 - edita@rnasser.com.br 

A Era Nader. Vez do consumidor começou há 50 anos. 
Nenhum previsor do futuro intuiu a mudança das relações de consumo baseada no determinismo de apenas um homem, o norte americano Ralph Nader, 81. Sempre advogado dos consumidores, deu base à grande mudança nas relações de consumo a partir de exigências de segurança.

Se seu carro tem cintos de segurança, suspensões seguras, almofadas de ar, ABS e outros itens de segurança, agradeça ao Nader.

Postura de cidadão, sua primeira ação questionando sua Harvard School of Law do porquê de uso do inseticida DDD em suas árvores, seu trabalho evoluiu, expandiu-se, deu frutos em ramos diferentes como mudanças em veículos, tratamento de água, carnes, pesticidas. As ações de Nader permearam mundo a fora. No tema da Coluna, comparados os níveis de segurança dos veículos do final dos anos ’60 e os atuais, incluindo os brasileiros, é de se reverenciar o filho de libaneses e sua vida dedicada à cidadania.

Reverso
Curiosamente, quem construiu o pedestal para a fama foi a poderosa General Motors. Era dela o Chevrolet Corvair, ponto de vista da marca para combater o Fusca nos EUA. Nader fez artigo no jornal de Harvard mostrando a insegurança do Chevrolet Corvair por sua suspensão traseira – como no Fusca -, ao fazer o semi eixo mudar o ângulo de contato da roda com o chão por buracos, inclinação das curvas, freadas fortes. Comportamento fazia perder estabilidade, com risco de capotamento, danos materiais, ferimentos, mortes.

Um editor propôs-lhe escrever um livro – Unsafe at any speed, algo como inseguro em qualquer velocidade -, e a GM, embotada por magnitude, embriagada por empáfia, mostrou como as grandes corporações não sabem tratar de crises e surpresas externas. Em vez de corrigir o produto, mandou investigar a vida privada de Nader, violência inimaginada nos conceitos de liberdade individual nos EUA. A divulgação do mal feito transformou o desconhecido Nader em sucesso, e seu livro em Best Seller não-ficção, superando Truman Capote e seu A Sangue Frio.

Respeitasse o oponente, analisasse seu perfil de filho de imigrantes da frutífera Zahle, no vale do rio Bekah, Líbano, saberia, mais honesto, mais barato, menos danoso, corrigir a característica do Corvair – como fez no ano seguinte, quando a imagem do carro estava borrada. Desprezou o denodo dos imigrantes bem sucedidos – seu pai fugira da diáspora que matara mais de um milhão de pessoas e espalhara armênios, turcos, sírios e libaneses mundo afora. Trabalhara na Maxwell, fábrica de automóveis depois Chrysler, juntara dinheiro, fora ao Líbano, casara-se com a professora Rose e voltando aos EUA montou o básico dos imigrantes: café/restaurante/empório.

Ali se debatiam temas de cidadania, influenciando a carreira do autor, focada, cheia de graus, laudas universitárias, e o diploma de Harvard sempre grande aval de qualidade individual.

A indução pela GM transformou-o em formador de advogados do contribuinte e, no setor, fez criar a National Highway Safety Administration, agência de segurança veicular dos EUA, e de similares e regulamentos mundo a fora – e, no varejo, freios melhores, e direções colapsíveis, frentes e grades frontais mais limpas, e adornos não agressivos, como estrela da Mercedes e da estatueta da Rolls com molas para permitir flexão – Jaguar não conseguiu e suprimiu o felino do capô de seus produtos.

Nader processou a GM, ganhou, à época, num acordo, US$ 425 mil – valor de 200 Chevrolets Corvair Monza, o mais caro da lista - e não mudou de vida, aplicando-os no projeto de difundir cidadania. James Roche, presidente da GM, então a maior do mundo, foi renunciado.

Uma das consequências de seu trabalho é a redução de mortes no trânsito. Pela regra norte americana de mortes x 100 mil milhas – 160 mil km rodados, o número de 1964 era 5. Em 2014, caiu para 1.

No âmbito das curiosidades, países árabes não produzem veículos – exceto Turquia – mas dois descendentes traçam a linha de mudança desenho e projeto dos veículos. Antes de Nader, outro de nome parecido, o egípcio coronel Gamal Abdel Nasser, ao bloquear o Canal de Suez no inverno europeu de 1957, fez mudar a morfologia em nome da redução de consumo. Nader evoluiu no tema: instrumentou a defesa do consumidor, em todas as áreas.

Roda-a-Roda

Land Rover – Encerrando neste ano a produção do jipe Defender, evolução do mítico produto com a imagem de Land Rover, empresa resolveu re-editá-lo. Encomendou estudos e tem três pontos já definidos: voltará em 2019; com cinco versões; nos EUA, onde o Defender não era vendido desde 1997. Pretensiosa, quer vender 100 mil unidades/ano. Neste venderá 10 mil…

Dieselgate – Segundo fonte, holding Volkswagen pode vender algumas de suas 12 marcas diferentes para fazer caixa às demandas dos negócios e das confusões das emissões poluentes. Na relação citam a MAN, de caminhões. Caso nacional inclui a VW de caminhões e ônibus, e automóveis especiais.

E ? – Diretor da filial local da MAN não acredita na possibilidade, ante a recente ajustada legal da área de transportes MAN, VWCO e Scania. Mas não descarta a possibilidade de a MAN Diesel Turbo, especializada em grandes motores – para geradores monumentais, navios, etccc, não atuante no Brasil – seja opção.

Mais – Caminho de transferir marcas de prestígio, parece ínvio, de pouca liquidez vender a Bugatti, e caro fazê-lo com a Lamborghini, agora em projeto de duplicar a produção. Ambos negócios a compradores muito personalistas.

Argentinidad – Colecionadores argentinos de automóveis antigos fizeram carreata Auto Presidencial Argentino, partir de Luján, cidade histórica, berço da resistência ao invasor inglês. Abriu-a com Ramblers Ambassador, sedãs então lá produzidos e anteriormente destinados ao transporte presidencial.

Razão – Fundo nacionalista: querem que Mauricio Macri, recém empossado na Presidência da República abra mão dos importados Audi e use carro argentino.

Opções – No vizinho país se produzem alguns exemplares com plataformas B: Citroën C4, Peugeot 408, Ford Focus – mais votado em pesquisa -, Renault Fluence. Correndo por fora Toyota SW4, Mercedes Vito. Macri é do ramo, tendo dirigido a Sevel, montadora de Peugeots e Chevrolets.


Lembra um dos meus editores, o atento Fábio Amorim, de Alagoas: A Pátria está metida no gosto da cobiça e da rudeza, de uma austera, apagada e vil tristeza – Luis de Camões ...

2 – Não sei quem ganhará o embate que se trava entre o Executivo e o Legislativo, com o Judiciário se contorcendo. Sei quem perderá com a simples mudança de seis por meia dúzia, de PT por seu aliado PMDB: Nós. Teremos perdido a oportunidade de recomeçar o país.

Gasolina – Wall Street Journal previu despecada no preço da gasolina. Hoje, na média norte americana, US$ 2,02 por galão, 3,6 litros, a grosso modo em torno de R$ 2/litro. Previsão é queda pela metade.

Aqui – Nossa gasolina é calculada como se fosse comprada aos árabes, desprezando custos locais, como não fossemos produtores. Espera-se a manutenção do critério com baixa de preço ao consumidor.

Série – Fiat apresenta edição especial do Novo Uno e Novo Palio: Blue Edition. Retoques externos e internos, rodas em liga leve, detalhes azuis em faixas, parte da grade, iluminação do painel, costura no couro do volante, maçanetas internas, e mais amplo leque de itens. Cores externas em branco, prata e preto.

Vantagem – Cálculo entre agregação dos itens e preço há vantagem média de 27,5%. Novo Uno Sporting a R$ 46.550 e Novo Palio Sporting por R$ 55.140.

Personalização – Môpar, como pronunciam, área de equipamentos da Fiat Chrysler Jeep, lançou programa especial: cliente escolhe acessórios para seu veículo novo, e tal agregação é feita na fábrica. É uma garantia total de serviço e qualidade, diz Norberto Klein, diretor da área.

Goiana - Vale para os FCA feitos na nova fábrica norte pernambucano, como os Jeeps Renegade, sucesso em vendas, e os picapes Toro, em produção mas com vendas em fevereiro. Depois, Betim, MG. Nos EUA opera em nove fábricas à média mensal de 20 mil unidades.

Síntese – Corre solta a capacidade de rotular veículos e criar classificações. Mais recentes, Subaru chama o Outback de CrosSuv, mistura de um com outro. Renault ao apresentar o picape Oroch disse ter criado nova classe, a Sport Utility Pick Up. Fiat, preparando lançamento do picape Toro, nestes dias repetiu a classificação, requerendo criação de tal rótulo.

Evolução - Fila anda e S Paulo terá área expositiva à altura. O São Paulo Expo, o antigo Espaço Imigrantes, reformado. Boa notícia, tem ar condicionado! Dois pavilhões, 90 mil m2 de área, centro de convenções com 10 mil m2, 4.500 vagas cobertas. Maior novidade do Salão do Automóvel 2016 será falta de suor.

Festa – Grupo de amigos formou o Autoentusiastas, que virou blog e hoje evoluiu: é o mais denso e sólido portal para aficionados em automóveis, com os leitores de ótima base de conhecimento e instigação pelo tema. Ao atingir 500 mil acessos mensais, resolveu fazer festa para integrar editores e leitores.

Box 54 – Foi nesta garagem elegante, à margem da Rodovia Castelo Branco, SP. Quase 200 participantes, viva integração, muita conversa, entrosamento, satisfação de parte a parte, com automóvel e experiências automobilísticas perpassando o ambiente. Grande festa. Renault e Hella fizeram pequeno apoio.

Leilão – Marco nos leilões de veículos antigos nos EUA, o Arizona Auction Week, em Scottsdale, uma semana de correr do martelo e mais de 1.000 unidades vendidas, inicia informar veículos à venda.

Muitos – Ilhas de Porsches em modelos raros, tipo 356 Carrera 2 GS Coupé, BMW 3.0 CSI, Mercedes 300 SL Roadster, Alfas, Lamborghinis, Ferraris, Maserati, e o ex patinho feio, o Fiat Otto Vu, 8V, em rara carroceria Zagato Elaborata, uma entre cinco unidades produzidas.

Mito – O Otto Vu era mágico em formulação, construção quase artesanal por um braço da Fiat, carrocerias por vários fornecedores, motor primoroso – V8, 2.000 cm3 e à época valorosos 127 cv. Era brutalmente estável e fazia viagens a 200 km/h, coisa pouco imaginável ao início dos anos ’50.Tal engenho quase veio para o Brasil. Acabou com 114 unidades construídas. Era muito avançado para a época. Desprezado, agora reapareceu como raridade a ser preservada.

Gente – Arturo Piñero, 49, executivo, transferência. OOOO Da presidência da BMW no Brasil para a filial de varejo da marca nos EUA. OOOO É um dos CEO deixando o negócio, como a Coluna anunciou edição passada. OOOO Helder Boavida, português, 50, presidente da BMW México, no lugar. Fevereiro. OOOO Dr. Boavida vem com primeiro desafio: retomar a posição perdida pela BMW. Era líder de mercado, fez fábrica, caiu para terceira. OOOO Terá que esquecer o sobrenome e trabalhar muito. OOOO Terry Hill, 54, inglês, presidente da operação latino americana da Land Rover Jaguar, mudança. OOOO Deixa a companhia onde está há 30 anos e tocará novo negócio na China. OOOO Marcondes Viana, 69, jornalista, festa: 50 anos de coluna de automóveis – e outras. OOOO Sua revista CHIC, em primeira década, comemorará o feito.OOOO Francisco Javier Garcia-Sanz, espanhol, 58, diretor na matriz VW, desafio. 0000 Supervisor do Dieselgate, a questão da hiper emissão de poluentes pelos motores diesel da marca. 0000

Dando exemplo, a Cooperárvore da Fiat
Quando Iracema Salgado, presidente da Cooperárvore, cooperativa de moda sustentável, parte do programa social Árvore da Vida – desenvolvido pela Fiat Chrysler Automobiles (FCA) em Betim (MG) -, recebeu o prêmio Mulheres Notáveis, como empreendedorismo social, pelo Conselho da Mulher Empreendedora da Associação Comercial e Empresariam de Minas, eventuais e remotas dúvidas sobre a efetividade do programa se dissiparam.

A Cooperárvore surgiu em decorrência do trabalho de investimento nos residentes no Jardim Teresópolis, bairro de baixa renda e altos problemas surgido em frente à imponente montadora. Em 2004 Marco Antônio Lage, diretor corporativo da Fiat resolveu concentrar os projetos sociais em algo com princípio, meio e fim. E que não se resumisse a ajudar pontual e fugazmente, mas apoio, referência, corrigir o curso, oferecer perspectivas de futuro, convivência familiar, em especial motivando os jovens a trabalho, tirando-os do risco de vender o breve futuro ao tráfico de drogas.

Projeto vencedor ao ter influenciado mais de 20 mil pessoas, viu na formação da cooperativa forma de associar as residentes em torno de trabalho e renda com moda, a partir de aparas de cintos de segurança e tecidos automotivos.

Premiada Iracema Pereira Costa Salgado é exemplo vivo. Foi aluna de corte e costura da primeira turma do programa Árvore da Vida, em 2004. Dois anos depois participou da formação da Cooperárvore, e em 2007 retomou um curso supletivo, e fez outros: relações humanas, cooperativismo, informática, empreendedorismo, oferecidos em parceria com o Sebrae. Em seu desenvolvimento em 2011 foi uma das cooperadas escolhidas a ir e expor os produtos da Cooperárvore no encontro para amizade entre os povos, em Rimini, Itália. Seu exemplo foi fundamental para a formação de seus três filhos, participando de oficinas, cursos e aprendizagem industrial. Interessantemente, apesar da breve existência, o Árvore da Vida atinge a segunda geração.

Nova linha de acessórios de moda e decoração, a Vista-se de Flores, é feita artesanalmente por pessoas da comunidade do Jardim Teresópolis, em Betim (MG). Em sua existência já vender 233 mil peças, como bolsas, malas, mochilas, almofadas, bandejas de pipoca, entre outros, e preços de R$ 8 a R$ 95. Comprar? www.cooperarvore.com.br  e tel (31) 3591-5896

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Fernando Calmon - Alta Roda - DESCONFIANÇA CONTAGIOSA

Alta Roda nº782 /132 – 02/05/2014

Fernando Calmon
Diagnósticos da atual situação do mercado brasileiro de veículos continuam sem apontar saídas viáveis de curto prazo, depois de um dia inteiro de conferências e debates no V Fórum da Indústria Automobilística, organizado pela Automotive Business, essa semana em São Paulo.Novamente, o regime criado pelo programa Inovar-Auto recebeu mais críticas que elogios. Sem chegar a constituir condenação, mas algo na direção de ruim com ele, pior sem ele. E agora há um complicador chamado Argentina, problema cujo desfecho já se esperava. Seria injusto “culpar” apenas os vizinhos, que compraram veículos brasileiros acima do potencial como forma de se defender da inflação escamoteada pelo governo deles.

O Brasil, no entanto, perdeu tanta competitividade interna e externa nos últimos anos que concentrou 75% de suas vendas ao exterior justamente onde não deveria, no atribulado sócio maior do Mercosul. Grande parte dos pátios de fabricantes cheios de veículos, em cenas áreas reportadas por jornais e TVs, retratam exatamente a queda brutal de exportações de 33% do primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2013.

A isso se adiciona a preocupação com outros milhares de automóveis, no momento, acumulando poeira em cerca de 5.000 concessionárias do País. De imediato se espera, em 1º de julho, adiamento da volta de alíquotas cheias do IPI. A carga fiscal brasileira sobre carros é tão alta que essa estratégia “salvadora” de vendas funciona bem melhor aqui do que em outras partes do mundo. Sem falar na derrama indireta do IPVA, imposto estadual pós-venda irremovível de até 4%, que representa sozinho metade da carga tributária nominal total dos EUA.

Durante o Fórum pouco se detectou sobre mergulho definitivo nas vendas em 2014. À exceção dos mais pessimistas que preveem até menos 5%, a maioria dos palestrantes aposta entre crescimento zero e 1%. Falou-se em ano de três Carnavais: além do tradicional, as paradas previstas na Copa do Mundo e o fraco ritmo pré-eleitoral. No entanto, se o comprador desejar mesmo gastar e se sentir mais seguro vai procurar as lojas em outros dias.

Ponto de consenso, o financiamento de 60 meses sem entrada acaba por trazer problemas de inadimplência futura, nada aconselhável no cenário atual de recuperação desse indicador. Destravar o crédito por meio de criação de uma espécie de fundo garantidor contra calotes pareceu ter angariado poucos defensores.

Estudo apresentado pela consultoria Carcon prevê que, somados Brasil e Argentina, a segmentação de autos e comerciais leves deve se manter entre 2013 e 2018: subcompactos, 15%; compactos, 62%; médios,15% e grandes/luxo, 8%. Assim, veículos menores continuarão a representar 77% do mercado e representariam oportunidade para o Brasil tentar melhorar sua competitividade externa, assim como a Tailândia se especializou em picapes, SUVs e furgões médios, conforme lembrou David Wong, da AT Kearney.

De qualquer forma, 2014 e 2015 refletirão “desconfiança muito contagiosa”, como comentou Arturo Piñeiro, presidente da BMW do Brasil, em tom conciliador. Entretanto, as causas se originam de erros graves de política econômica interna que não podem simplesmente se atribuir ao panorama do exterior.

RODA VIVA

ESTA semana a coluna completa 15 anos sempre à procura dos acontecimentos de mercado que refletem nas decisões de quem já tem ou deseja um automóvel. Sem descuidar de análises técnicas de novos produtos, tecnologia, legislação, segurança e respeito ao consumidor. Agradecimentos aos leitores e aos 104 meios digitais e impressos que reproduzem semanalmente Alta Roda.

CONFIRMADO o Renegade na nova fábrica de Goiana, no segundo trimestre de 2015, a coluna antecipa que a picape média Fiat terá início de produção no primeiro trimestre de 2016 juntamente com o SUV derivado que também levará a marca Jeep. Outros dois produtos serão automóveis Fiat: um deles a nova versão do Viaggio, em 2017 ou 2018; o segundo, ainda a definir.

POR sua vocação urbana e pelo trânsito pesado o câmbio automatizado do VW up! a R$ 2.700 chega na hora certa. Opção disponível pela primeira vez em motor de um litro, ajuda como antiestresse desde que não se busque desempenho rápido na troca de marchas. Leve alívio no acelerador é suficiente. Versão 2-portas por R$ 26.990 completa o leque de oferta do modelo.

QUEM não se preocupa em pagar R$ 20.000 extras pela versão diesel do Grand Cherokee (R$ 239.900) encontrará interação entre motor (241 cv), novo câmbio automático de oito marchas, capacidade razoável em estrada e muito boa fora dela, apesar de exagerados 2.400 kg de massa. Interior espaçoso, bem equipado, mas plásticos duros lembram se tratar de um Jeep.

CORREÇÕES: taxa atual de motorização no Brasil é de 200 veículos por 1.000 habitantes ou, que dá no mesmo, 5 habitantes por veículo. Na relação das marcas centenárias entra a Dodge (produziu apenas 249 unidades em 1914), sai a Maserati  (fundada em 1914, mas com carro próprio só em 1926) e, a pedidos, inclusão da Morgan fabricante de triciclos a partir de 1910 (quatro rodas em 1936).

PERFIL
   
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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