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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Roberto Nasser - De carro por aí


Coluna 4716 - 18.11.2016 - edita@rnasser.com.br  
Há sessenta anos, a Vemaguet
Seis décadas passadas, no 19 de novembro, foram apresentadas as primeiras das 126 unidades do Auto Union F 91 Universal Sonderklasse construídas naquele 1956 com peças enviadas da Alemanha. No Brasil, logo em seguida foi dita Vemaguet. Junto com Romi Isetta, exibido meses antes, deram corpo ao projeto de implantação de uma indústria automobilística brasileira.

Autora da façanha, a repetir-se mais de 110 mil vezes nos próximos 11 anos e 11 meses, foi a Vemag, conhecida por montar automóveis e caminhões  norte-americanos Studebaker, caminhões Scania e Kenworth, tratores Massey-Harris. Tinha toda a estrutura industrial e de vendas, e a soma de dois fatores, o declínio da Studebaker no país de origem, e a implantação de política de industrialização de veículos no Brasil, proibindo importações fê-la agir: fez acordo com a alemã Auto Union/ DKW. Deixou uma, assumiu outra.

Auto Union era empresa poderosa, ex-maior produtora mundial de motocicletas, e seus automóveis diferenciavam-se pelo uso de motores com ciclo 2 Tempos, por um chassis resistente, com X reforçando o centro. Simples, prático, ideal a país com ruas e estradas entre o ausente e o em mal estado. 

No arranjo, como nas demais marcas aqui se instalando, trouxeram modelo saindo de produção – logo em seguida sucedido pela linha F 94, de melhor desenho, proporções, espaços, chegando aqui em 1958 e, melhorado com soluções brasileiras, como portas dianteiras abrindo em sentido correto, instalação elétrica com 12v, nova grade frontal com 4 faróis.

Dentre produtos, a Universal foi rebatizada Vemaguet; o Grand Limousine virou Belcar. E houve o jipe F94/4 conhecido como Candango – brilhante projeto barrado no baile de nacionalização. E adotou projeto revolucionário, o luxuoso cupê duas portas Fissore. 

A meu ver o grande erro a partir da decisão por quem não era do ramo ou gostava intrinsecamente de automóveis. Foi desenvolvido sobre chassis alemão, mais potente; o carro pesava 100 kg a mais ante o Belcar – era lento; e seu original projeto de artesanato não contemplava produção industrial. Era elegante, porém vagaroso, gastador – e caro!

Vemag teve caminho de recordes, em especial nas corridas: criou pioneira equipe de competição por seu funcionário e modesto gênio Jorge Lettry, servindo como laboratório para desenvolver resistência às condições nacionais, e a equipe Vemag superou a matriz alemã em número de vitórias; obteve potência recorde nos motores tri cilíndricos elevados a 1.100 cm3 – 106 cavalos imortalizados; e nos estertores, com o Carcará, veículo aerodinâmico, cravou recorde: 212 km/hora, hoje inimaginados na Avenida das Américas, Barra, RJ.

O fim
Não era do ramo. Era de negócios. Domingos Alonso, espanhol, fundador, fizera fortuna com loteria, incorporação, banco, financeira. E entendeu a mudança de óptica mundial ao final da II Guerra, dentre elas o intenso desejo dos consumidores em ter automóveis, e sua larga margem de lucro. Foi aos EUA e obteve a representação. Com operação quase industrial montada para Studebaker, outras marcas foram decorrência.

Meados de 1967 vendeu ações à Volkswagen do Brasil, por apatia financeira em investir para ter modelia a suceder os Belcar, as Vemaguet e o Fissore. À época o país passava por onda econômica traçada pelo governo revolucionário, e empresas de capital nacional, como a Vemag, a Willys, a Fábrica Nacional de Motores foram instadas a fundir-se, vender-se ao capital estrangeiro: Willys absorvida pela Ford; Simca pela Chrysler; FNM pela Alfa Romeo.

Salão, ainda
Alfa
Ausência nem sempre significa falta, ao contrário pode indicar caminho. Exemplo, ao fato de a Alfa Romeo não estar no Salão do Automóvel indica postergar trazer nova linha Giulia para o Brasil. Projeto estava sendo tecido; diretor de área trabalhando; realizando pesquisas e levantamentos; unidade importada para submissão a testes, desenvolvimentos, ajustes.

Mudou tudo. A FCA travou novos investimentos para centrar recursos, tempos e pessoas nos muitos projetos atualmente enfocados – e neles não há a importação de Alfas. Sem o a fazer, diretor Lélio Ramos – festejado por levar e manter a empresa líder 13 anos – demitiu-se. Processo de avaliação do Giulia foi suspenso. Crê-se, Alfa no Brasil a partir do Salão de 2018.

Volks
Em período educacional, perda de liderança, queda ao 3º lugar em vendas, investimentos para família substituta do Gol, e insólita situação de ter sofreado e detido produção por falha do fornecedor de bancos, VW mantém planos.

Aplicará US$ 2B – quantos R$ na corcoveante cotação Trumpística? - para implantar família sobre plataforma MQDA0 – menor relativamente à do Golf já construída na fábrica paranaense. Dela, hatch substituindo o Gol; sedã com idêntica função sobre o inexpressivo Voyage; picape e utilitário esportivo.

José Carlos Pavone, 39, gaúcho, cria da casa, gerente de design, recém trazido da Alemanha para chefiar a área, perguntado sobre o pouco a fazer sobre projeto desenvolvido na matriz, disse o utilitário esportivo foi traçado por grupo de brasileiros. E será terminado aqui por brasileiros.

Não falou mais, mas tudo indica a base conceitual está no Breeze, apresentado como Conceito T Cross, do qual seccionaram o teto  para a mostra.

Quanto custará o Renault Captur ?
O SAV já em produção, terá preços de R$ 79.000 a R$ 95.000. Está de bom tamanho? Segue linha europeia mas na América do Sul mudou, sendo construído sobre a polivalente plataforma Dacia, servindo a Logan, Oroch, Sandero e Duster, coincidindo em tamanho e distância entre eixos. 

Apresentado no Salão, será lançado na Argentina. Pelo insólito perguntei a Caíque Ferreira, diretor da Renault, e ouvi escolha definida por característica de mercado: na Argentina meses de novembro, dezembro e janeiro são os mais fortes do ano. No Brasil, fracos.

Produtos diferem. Para exportação apenas motor 2.0 ECO, 143 cv e caixa mecânica de seis velocidades e automática com quatro. Versões Zen e Intens a equivalentes R$ 91.000 e R$ 100 mil. Domesticamente versões várias – 1,6 mecânica; 1,6 CVT; 2,0 mecânica, 6 marchas; automática de apenas quatro, em versões Zen, Intense e mais duas.

Mais cara em duas cores, luzes LEDs e maior conteúdo de infodiversão. 
Lançamento na Argentina dia 22 deste mês. Aqui, fevereiro.
Anote aí: por preço, conteúdo, plataforma resistente, sem problemas, manutenção barata, será um dos queridinhos do mercado. (RN)

Novos motores
Antecipados pela Coluna  (3116, 3.agosto) a Renault, instada pelos compromissos de economia de combustível; forçada pela solução mundial do downsizing, a redução de cilindrada, tamanho e peso dos motores; e pelos ganhos obtidos pela aplicação de turbo alimentador, substituiu os motores de 1,0 e 1,6 L antes produzidos no Paraná. Manteve as cilindradas, mudou configuração. O 1,0 SCe, 3 cilindros, produz até 84 cv, e porta pacote de modernidade, como a gestão de energia, controlando a bateria e o alternador. 

Em relação ao Clio 1,0 é até 19% mais econômico. O 1,6L com quatro cilindros em linha fornece até 130 cv, tem tecnologia Stop&Start, desligando automaticamente nas paradas. Nova formulação mostrou até 21% de economia Duster 1,6 de geração anterior. Agora aspirados, turbo a médio prazo.

Pré apresentação Citroën
Focada em unificar plataformas, hoje em versões para China, Europa e América Latina, única forma de reduzir custos e permitir expansão de vendas em projetos 30%, Citroën terá novas versões sobre plataformas C3 e C4 existentes no Brasil e Argentina.

Mais próxima será o Cactus, assinalado por largas proteções laterais, construído sobre a plataforma do C3. No Brasil marca expôs versão de topo no Salão, chamando-a Concept Aircros. Parte do conceito estará no novo produto. 

Roda-a-Roda

Mercado – Jaguar Land Rover aproveitou presença no Salão do Automóvel de Bogotá e anunciou instalação de escritório com operação de vendas, coordenação, responsabilidade de serviços e ante o governo.

Colômbia – Operação Brasil esclarece o porquê de não ter ido para a Argentina, segundo mercado do continente: Colômbia vende mais. Apesar da montagem no Brasil fornecimento será pela Inglaterra.

Trava – Enquanto identificava novidades no Salão do Automóvel como resultado dos incentivos adotados pelo programa Inovar-Auto, governo federal levou trombada da Organização Mundial do Comércio, OMC. União Europeia e Japão representaram no órgão alegando ser o programa de subsídio.

Oposição – Brasil deve contestar em longa discussão, a exemplo do ocorrido com aviões entre a nacional Embraer e a canadense Bombardier. Entretanto como a presente etapa do Inovar Auto se encerra ao final de 2017, há chance da decisão da OMC ser base para mudar atuais regras – ou aproveitar a oportunidade política e fazer reforma tributária, reduzindo o número de impostos, acabando com a vigente colcha de retalhos.

Concorrente – Querendo aumentar vendas e ascender em preferências, Nissan terá novo picape Frontier. Inicialmente importado do México e, em 2017 fabricado na Argentina, na pioneira fábrica Jeep.

Razões – Base do projeto está no chassis, mais leve e reforçado, com longarinas em Duplo C, formando caixa comprida, leve e resistente a torções. Conjunto chassis + carroceria pesam bem menos ante modelo atual.

Mais uma – Mahindra e Mahindra, marca indiana de largo portfólio de veículos assumiu a Bramont a operação de montagem de tratores em Dois Irmãos, RS. Representante também montou picapes e utilitários na Zona Franca de Manaus.

Negócio – Capital estrangeiro pretende ampliar a produção atual de 1,2 mil unidades/ano e a rede de revendedores, de 11 para 20 pontos. Pouco conhecida Mahindra é a maior fabricante mundial de tratores.

Motosport – Bosch e a Fórmula Inter, nova categoria no automobilismo nacional, abriram inscrições para curso de Técnicos Especializados em Competições Automobilísticas. Cursos regulares, palestras, trabalhos e acompanhamento das corridas da categoria a profissionais, estudantes, engenheiros e entusiastas das corridas.

Conteúdo – Temas do ramo: tecnologia de motores de competição, conceitos aerodinâmicos, análises de softwares, gestão de equipes. Mais? www.boschtreinamentoautomotivo.com.br e www.formulainter.com.br

Especialidade – Para ocupar espaço ocioso no Salão do Automóvel, 10 a 20 de novembro, S Paulo, Federação Brasileira de Veículos Antigos providenciou alguns exemplares com mais de 30 anos de produção.

Olhar – Desprezou a história.  2016 marca 60 anos do início da indústria automobilística no Brasil. Ao 19 de novembro exibição da camioneta Universal DKW Vemag. Poderia ter levado exemplares de 1956, o Romi Isetta e a Vemag.

Gente – Ademar Canteiro, jornalista, 71, ex Scania e Anfavea, passou. OOOO Geraldo Santa Catharina, diretor financeiro da Randon S.A., vencedor do Troféu O Equilibrista a executivos de finanças. OOOO Em exercício encolhendo 60% nas vendas, montou plano de sobrevivência e lucros na empresa. OOOO Heiner Lanze, alemão, ex vice presidente da suprimentos da Scania, transferência. OOOO Mesma área, empresa mãe, área e volumes maiores na Volkswagen. OOOO Consequência da trapalhada armada pelo ex fornecedor de bancos, minguando, sustando entrega, parando a produção. OOOO Angel Javier Martinez, espanhol, bom currículo acadêmico, ex Mercedes-Benz, mudança. OOOO Diretor na Hyundai nas áreas de vendas, pós vendas, desenvolvimento de rede e marketing para linhas HB20 e Creta. OOOO Só? OOOO

Ecologia, outro produto Toyota
Um dos projetos ecológicos da Toyota, o Centro de Distribuição no porto de Suape, Pe, festeja ter evitado emissões de 1.600 toneladas de gases poluentes.

Significa 24% das emissões da operação e, na prática, à capacidade oxigenadora de 142 mil árvores.

Por via marítima o Centro recebe os picapes Hilux e utilitários esportivos SW vindos da Argentina. Para o ano fiscal 2015-2016 marca assumiu posicionamento baseado no Desafio Ambiental 2050 buscando reduzir os impactos nocivos do automóvel – de produção a uso – sobre o meio ambiente. 

Neste caminho Toyota foca o nível zero de emissões para atingi-lo no ciclo de produção, nos processos industriais, nos produtos. Na amplitude de tal projeto reduziu as emissões pelos veículos em 22% relativamente ao exercício anterior, e  aplica-se à identificação e aquisição de recursos de fontes renováveis. No processo elegeu dado normalmente desconsiderado pelo grande público: reduziu em 16% o consumo d’água por carro produzido – 1.670 litros. Em economia de água, mais de 25 mil metros cúbicos.

Dos pontos focados pela empresa no Brasil está o inaugurar Centro de Pesquisa Aplicada na unidade fabril pioneira de São Bernardo do Campo, SP, equipado para exame de emissões, análise de matérias primas, estudos sobre novos acessórios. Em acordo com a matriz no Japão empresa tem trabalhado junto à indústria de auto peças de modo a estruturar uma cadeia de reciclagem – re aproveitar todas as peças de um carro descartado. Hoje, na lista de produtos da empresa, o Corolla cumpre a meta.

Uma das metas do Desafio Ambiental, reduzir em 90% até 2050 as emissões de CO2 originadas de veículos novos, definiu o carro do futuro. Até tal data todos os Toyota serão híbridos, elétricos ou alimentados por célula de combustível.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Roberto Nasser - De carro por aí

Coluna 1216 - 19.03.2016 - edita@rnasser.com.br

E o Espírito Santo já fabrica veículos. Amém
Deus escreve certo pelas linhas tortas, pregam textos católicos, neles constando a figura do Espírito Santo, a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Homenageado por pequeno estado espremido entre Bahia, Minas e Rio de Janeiro, muito se esforçou no último quarto de século para entrar na seleta relação de estados puxadores de atividade metal mecânica. Oferecia facilidades de logística, a boa estrutura portuária, o projeto de incentivos Fundap, para reter ou trazer para o Estado as variadas marcas de veículos por ele importadas. 

Tentou atrair muitas operações, ouviu muitas promessas, incluindo a russa Lada na virada do século e, mais recentemente, navegou ante acenos de representantes da Fabral, para montar coreanos SsangYang e chineses Chana e Haima em Linhares; da nacional CN Auto prometendo produzir chineses Haifei na mesma cidade; e mais recentemente Zotye em Colatina. Festivas e vãs alegorias.

Mantendo a fé, seguindo os parâmetros do catolicismo, reconhecendo haver  hora de plantar e hora para colher, a longa, tentada, esperada vontade de viabilizar-se como fabricante de veículos tomou forma física. Nada de produtos estrangeiros, nada de automóveis, mas pequena e pioneira marca nacional de caminhões leves, a gaúcha Agrale. Neste mês a empresa, já operando no município de São Mateus com montagem de chassis para pequenos ônibus da marca Volare, e para os W109, ônibus urbano, ampliou operações iniciando fazer caminhões modelos A10000 e A8700, para vendas às regiões Sudeste e Nordeste.

A definição pela operação espiritossantense, segundo Hugo Zattera, CEO da Agrale, está na redução dos custos de frete. Anteriormente tal operação se resumia a Caxias do Sul, RS, no extremo do país. A nova localização permitirá ganhos operacionais, de custos, de logística. Sul e Centro-Oeste são atendidos pela produção na matriz gaúcha.

Produto novo, lançado em novembro de 2015, foca nas necessidades atuais e tendências futuras do mercado e segmento. Sempre caracterizados pelas cabines em fibra de vidro, os novos Agrale empregam-nas em chapa de aço estampada.

La Cúpula
A Amélia americana
No imaginário da cultura popular brasileira, a menção Amélia significará a mulher sem a menor vaidade, a mulher de verdade, cantada no samba de Mario Lago. Porém no universo antigomobilista, tal menção – ou como dita Amília – indica o Amelia Island Concours d’Élegance realizada nas dependências do faustoso Ritz-Carlton Hotel e entre os buracos 10 e 18 do Golf Club, nordeste da Flórida, quase Georgia. É tido como o mais equilibrado dentre os grandes eventos da especialidade sediados nos EUA, mediando a cultivada falsa finura californiana, e acima dos eventos descompromissados, como os de Hershey e Carlisle. Meio termo agradável, elegante, sem se perder na exigência de uso de blaser e gravata masculina e produções femininas. Moças bonitas haviam. 

Além das participantes e acompanhantes, time de modelos bem produzidas, voluntárias para enfeitar o evento, de faturamento em parte destinado à filantropia. Em descontração e presença supera o sempre considerado topo desta ascensão, o concurso de Pebble Beach, na Califórnia. Neste ano reuniu 315 veículos, dobro dos admitidos na festa da praia de cascalho.

É miscela de conceitos. Mão firme de Bill Warner, o organizador, para criar temas e convencer proprietários de marcas a expor. Preciosista, nesta 21a edição quis superar o recorde de presenças dos raros esportivos espanhóis Pegaso antes assinalado na parisiense Rétromobile, com 13 unidades.Amelia enfileirou 14, incluindo o Best of Show, politicamente controvertido La Dominicana. Carroceria especial, teto arrematado por plástico, mais conhecido como La Cúpula por conta do tal pedúnculo. 

Quando encomendado pelo então ditador dominicano Rafael Trujillo para competir na Carrera Pan Americana, custou US$ 29 mil, o equivalente a uns 12 Cadillacs, então referencia de preço + conforto. Para arrematar o preciosismo, convidou ao júri o jornalista espanhol Mario Laguna, residente em Luxemburgo, maior especialista na marca.

Fiat 8V
Outra referencia em estilo foi o Fiat 8V – otto vu, como diz-se na Itália -, primeiro da marca a portar suspensão independente nas 4 rodas e motor criativo: V8, 2,0 litros, comando central, válvulas na cabeça, fazia 127 cv a 6.500 rpm. Superava os 200 km/h. Poucos sobreviveram. Ganhou como Best of The Show – Sport.

Warner deu ênfase a produtos importantes como Cord, Auburn e Duesenberg, além de miríade de esportivos, chamando atenção da dezena de brasileiros presentes, como Sunbeam Tiger – misto do esportivo inglês com motor V8 Ford aplicado pelo lendário Carroll Shelby, e Cunningham, estadunidense. Primeiros desconhecidos no Brasil. Do último, meia dúzia de três ou quatro. 

Ferraris, muitas, mas apenas uma GTO, mito maior. Mas re creation – carroceria sobre outro rolling chassis -, e Porsches, Maseratis, Alfas e BMWs em quantidade industrial. Dessa, raro esportivo, o 700, com motor de motocicleta. Pacote paralelo, carros de corrida, liderados pelos conduzidos pelo homenageado Hans-Joachin Stuck, piloto de várias categorias, vencedor de Le Mans. 

Amelia a cada ano reverencia um vencedor das corridas. Coração apertava quando os carros de corrida andavam em baixa velocidade ou manobravam tentando conciliar os motores com marcha irregular, câmbio longo e baixa velocidade. O cheiro de embreagem queimada perpassava as aléias de Palmettos, palmácea local. De cheiros, o da gasolina forte com mínimo de álcool evocava lembranças de tempos mais felizes no convívio com o bicho automóvel.

Cunningham 
O evento, democrático, não se cinge apenas aos convidados, absorvendo veículos de colecionadores na Flórida e da Georgia. Visitantes estrangeiros, muitos. E se enfeita perifericamente, como com a exposição dos troféus das grandes categorias de automobilismo – alguns com 1,80m de altura – e tomaram o hall do Ritz. 

Na parte hotel, lojas de artigos do evento, automobilia, gravuras, literatura, miniaturas, roupas, e um corredor para lançamentos de livros. Ponto elevado, exposição de veículos novos de estirpe e test-drives em Jaguar, Porsche, Mercedes, BMW, Infinity. Ford GT e McLaren presentes – imóveis. Alfa, com 4C para test drive, e estático o ainda não lançado Giulia. Estande humilhou. Havia um 8C - oito cilindros e compressor, década de ’30, e Giulia Pininfarina aplicada às corridas nos anos ‘60.

Brasileiros presentes, poucos e do ramo, colecionadores de Brasília e Belo Horizonte, migrando de Pebble Beach para Amelia. E Mariozinho Leão, alagoano, membro brasileiro do conselho de clássicos da Federação Internacional do Automóvel. Foram beneficiados pelo sol forte, adiando a chuva, desabada após o evento. A todos avultava a qualidade das restaurações, o preparo e recuperação das carrocerias, alinhamento das partes, pinturas excepcionais, detalhes cuidados no interior, painel, cromagem e compartimento do motor.

Festa grande e, como PB, o maior evento da cidade. A prefeitura local informou incremento de US$ 15M em circulação de moeda no comércio. A organização destina parte do faturamento a hospital especializado em câncer, e toda a estrutura de pessoal é constituída por voluntários.

Auto Union Munga - Candango no Brasil
Amília é um termo genérico. Não se resume à exposição no gramado, mas a série de eventos, como leilões de casas importantes disseminados em outros espaços, e leiloeiros com circuitos menores no território dos EUA, como o Motostalgia. Dentre eles há nítida separação de classes de veículos, qualidade na restauração – e preços. Num, importante, o Gooding, comediante Jerry Seinfeld vendeu 16 unidades de sua coleção de Porsches. Pico de valor, spyder 550 Wendler a U$$ 5.335,000, e dentre eles o pouco conhecido 597 Jagdwagen, jipe para concurso vencido pela Auto Union com o Munga, no Brasil produzido pela Vemag como Candango. Alcançou US$ 330 mil – já é um alento aos donos de Candango ...

Outro, da RM, exibiu preciosidades como Alfa GTA – um GTV com partes em liga leve e com o grupo moto propulsor, liderado pelo motor 4 cilindros e 8 velas, rebaixado e recuado - as então existentes no Brasil foram exportadas por brasileiros que se acham muito sabidos – uns lesa pátria.

Enfim, turístico, didático, cultural, divertido. Gosta de antigos? Participa de clube? És dirigente? Vá a Amelia aprender para evoluir nosso antigomobilismo. É a melhor relação custo x tempo x benefício. (RN)

Roda-a-Roda

Menor – Porsche reduziu o motor de seu SUV Macan para baixar preços. Nova versão de entrada terá 2,0 litros, 16V, injeção direta, turbo, 252 cv e 370 Nm – uns 37 m.kgf de torque -, válvulas com aberturas variáveis, o VarioCam Plus.

Familiar - É motor básico Volkswagen, com temperos próprios de cada marca, equipando VW Tiguan, Audi Q3, e agora Porsche Macan. Câmbio automático PDK 7 velocidades. Não passa vergonha: vai de 0 a 100 km/h em 7,2s. Vendas no Salão do Automóvel, outubro. Preços incalculáveis neste país atolado, politica econômica e criminalmente, mas na Europa significa 10% a menos ante antiga versão inicial com 340 cv.

Complicação – Problema das emissões dos motores diesel VW acima do parâmetro legal; providências internas e externas tomadas pela empresa para resolver; aparência de ter o caminho da resolução, minguaram semana passada.

E - O chefe da operação do órgão de meio ambiente da Califórnia, o estado mais jogo-duro na matéria, declarou achar difícil a VW dar solução eficiente e em prazo legal, as 82 mil unidades fora do padrão, ali circulando.

Mais – A VW não perdoou a erupção do assunto depois de tantos gastos para resolver, e demitiu o presidente da operação EUA – é o terceiro a perder o posto. Em sua gestão, centrada em fazer lobbyem várias instâncias do governo, propôs pagar bônus de compensação aos compradores dos VW/Porsche/Audi diesel, e sua saída provocou protestos da associação de revendedores.

Outro – Audi iniciou produzir o suv Q3 no Brasil. Pequenos passos de nacionalização, incluindo nova linha exclusiva para o modelo, dentro da fábrica da VW em São José dos Pinhais, PR. Motor 1,4, injeção direta, turbo, flex, fazendo 150 cv. Audi mais vendido em 2015.

Especial – Nas festividades para marcar seu patrocínio aos Jogos Olímpicos Rio 2016, Nissan faz milhar da versão March Rio 2016. Motor 1.600, aplicações externas, plaqueta numerada, cuidados em infodiversão, a R$ 54 mil.

Solução – Atrasada no projeto para montar caminhões e vans chineses localmente, Foton Aumark do Brasil tomou R$ 65M emprestados ao BNDES, e foi ao óbvio: comprará tais serviços à gaúcha Agrale, em Caxias do Sul, RS. É do ramo e aplicará expertise e espaço antes destinados à feitura dos caminhões International, recém e novamente escafedida do país.

Paralelo – Projeto Foton em Guaíba, RS, continua hoje apenas terraplanado e cercado. A partir de junho Agrale montará caminhões para 3,5 e 10 t. Em comunicado à imprensa, a Foton omitiu o nome do parceiro. Curioso. No Brasil a Agrale tem imagem e credibilidade, ante a desconhecida chinesa chegante.

Negócio – MWM de motores diesel fechou acordo comercial com a Doosan coreana: fornecerá unidades de 4,8 litros para equipar geradores. Coisa boa, 2.500 anuais em contrato inicial de 5 anos.

Ampliação – Ante a obviedade que o passar do tempo reduz a presença de clientes nas revendas dos fabricantes, Mitsubishi criou o sítio Reparador Mit (www.reparadormit.com.br) para oficinas independentes.Dá acesso à literatura técnica e catálogos de peças originais, melhorando o padrão de manutenção e reduzindo índice de erros nos produtos.

Caminho – Volkswagen propõe casamento de longo prazo aos clientes com Plano da VW Financial Services: entrada entre 30 a 50% do valor, prestações menores 25% relativamente a financiamentos comuns e, ao final de 35 meses, cliente dá-lo de entrada no valor de 30% de outro Volkswagen igual, O Km. Vale para Gol, Voyage e Saveiro. Mais? (http://www.volkswagensemprenovo.com.br).

Velocidade – Outra edição do Velocult, evento histórico-cultural pilotado pelo artista Paulo Solariz:Interlagos, a faculdade do automobilismo, aberto ao público desde 13 de março a 02 de abril, em seu tradicional porto, o Espaço Cultural do Conjunto Nacional – av Paulista, 2073, S Paulo, SP.

Atualidade – FCA deu destino à mítica fábrica de Arese, perto de Milão, de onde saíram gerações de Alfa Romeo: será o Arese Shopping Center, com 200 lojas e 25 restaurantes. O agora pequeno Museu Alfa Romeo estará no local.

Araxá – Mais famoso e elegante dos encontros de automóveis antigos no país, o Brazil Classic Show, XXII edição em maio, 25 a 29, não terá patrocínio da Fiat, tradicional apoiadora. Cortes nos gastos institucionais. A mineradora CBMN continua. Inscrições abertas em www.brazilclassics.com.br



sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

CARREATA MARCA AS COMEMORAÇÕES DOS 33 ANOS DO CLUBE DO DKW



O sábado promete ser um dia especial para os amantes de carros antigos e história da indústria automobilística. Para comemorar o 33º aniversário do Auto Union DKW Club do Brasil, a Audi e os sócios do clube estão organizando o 1º Raid São Paulo-Jundiaí, que será realizado no próximo sábado, 15, a partir das 8:30 horas. 

Cerca de 20 modelos da marca DKW, fabricados no Brasil entre 1956 e 1967, vão seguir em comboio até o Centro de Peças e Competência Tecnológica da Audi Brasil, em Jundiaí. O ponto de encontro inicial é na Praça Panamericana, na Zona Oeste da capital paulista, com saída marcada entre 8:30 e 9:00 horas.

A segunda saída está agendada para as 10 horas, no primeiro posto da Rodovia dos Bandeirantes, altura do Km 28 (bandeira Petrobras). A carreata segue até Jundiaí, onde os participantes serão recebidos no centro tecnológico da Audi. Ali, haverá um café de boas-vindas e visitação às instalações do local.

Para alegria dos participantes apaixonados por automóveis, a Audi irá montar uma exposição com modelos especiais. Os associados do clube e familiares vão poder ver de perto o Audi RS3, o Audi RS5, o Audi A5 e o Audi A1. O consultor da Audi, Luis Bouças fará uma palestra técnica sobre as novidades tecnológicas da marca nas salas de treinamento. O passeio promete ser imperdível para quem quer saber mais sobre inovação e tecnologia de ponta.

O Auto Union DKW Club do Brasil, que completa 33 anos no dia 20 de dezembro, faz parte de uma legião de fãs da marca alemã em todo mundo. “A paixão não é só nossa. É mundial. Na Inglaterra, o clube do DKW tem 70 anos. Existem entidades também nos Estados Unidos, Japão, Argentina, entre outros países”, destaca Eduardo Pessoa de Mello, fundador e presidente do clube no Brasil. Entre as qualidades da marca destacadas por Mello estão: ótimo desempenho nas pistas de corrida, agilidade e leveza dos automóveis. “Em 1999, na pista de Laguna Seca, nos Estados Unidos, os DKW Malzoni integraram o time Auto Union, da Audi, e andavam mais rápido que Ferrari”, conta.

A história do DKW está ligada à instalação da indústria automotiva no Brasil. O modelo começou a ser produzido no País em 1956 e pode ser considerado o primeiro automóvel de passeio fabricado em território nacional.

Curiosidades

O nome DKW apareceu em 1916, quando J.S. Ramussen construiu um carro a vapor. Daí o nome Dampf Kraft Wagen (DKW) ou Carro de Propulsão a Vapor. Mas por que o DKW tem no seu símbolo as quatro argolas como os Audi modernos?

Em 1932, os reflexos da depressão dos Estados Unidos alcançaram a Europa e, mais fortemente, a Alemanha. Tentando se salvar de sérios problemas financeiros, quatro das mais proeminentes fabricantes de automóveis da época uniram-se, formando a Auto Union.

Estas empresas – DKW, Audi, Horsh e Wanderer -, juntas, dispunham de 134 anos de experiência e escolheram como símbolo desta união as quatro argolas entrelaçadas, onde cada elo representa uma das companhias do grupo.

No Brasil, com o apoio do então presidente Juscelino Kubitscheck, a empresa Vemag começou a fabricar o seu automóvel tipo caminhoneta DKW, em 30 de julho de 1956. Em 19 de novembro do mesmo ano, a Vemag lançou o DKW no Brasil, com uma nacionalização de 60% do seu peso final. Considera-se este realmente o primeiro automóvel de passeio fabricado no Brasil.

Durante os anos seguintes, os veículos DKW foram sempre evoluindo, de 900 cc para 1000 cc e depois motores mais potentes. Os modelos ficaram famosos no Brasil pelo motor de dois tempos e ruído característico, mas também pela confiabilidade, desempenho e grande sucesso nas pistas de corrida.

A produção destes veículos no Brasil foi encerrada em 1967.