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sexta-feira, 2 de março de 2018

Roberto Nasser - De carro por aí


 

Coluna 0918 – 02.03.2018 edita@rnasser.com.br
Amarok V6: mais potência, mais freios, mais clientes.

Volkswagen lançou comercialmente versão com motor V6 de seu picape Amarok. 3,0 litros de deslocamento, 225 cv e 550 Nm em torque – 56,1 kgmf pela medida antiga e mais conhecida. Se a anterior, mantida em linha, L4, 2,0 e 180 cv oferecia bom comportamento dinâmico, expandir o motor em 50% abre distância, e a união de características aproximam-no dos automóveis, distanciando dos caminhões. Para acelerar, 0 a 100 km/h em 8s – medida de automóvel de respeito; para frear, idem, em freios a disco nas 4 rodas, com exclusivo ABS off road.

Tração total automática, transmissão hidráulica com 8 velocidades. O sistema de direção, mais preciso, adequa-se ao conjunto de performance.

Não é para arrancar toco; levar mudas de café às beiradas das matas ciliares no Espirito Santo; carregar transformador para reparar linha de transmissão elétrica nas grimpas de algum morro; ou trabalhar em garimpo. Não há impedimento mecânico, mas o há pela configuração e preço: a versão V6 é apenas encontrada padrão elevado de decoração e conteúdo, bancos com regulagem elétrica, revestidos em couro, o sistema de infodivertimento mais completo do segmento, liderado por tela com 16 cm, câmera de ré, traçam seu destino. Não é para peão, mas para fazendeiro ou seu herdeiro agroboy. Este, alias, deve ser o maior usuário de outra habilidade do Amarok: ao premer um botão muda-se a pressão dos turbo compressores, obtendo-se 10 % adicional em potência. Dura apenas 10s, bastante para superar dificuldades imprevistas. Sistema foi pioneiramente aplicado nos picapes Mitsubishi L200 feitos no Brasil, e Fiats com motor 1,4 turbo, mas faz a maior presença.

Motor apresenta características modernas, com injeção direta de diesel sob elevada pressão e turbos com geometria variável. Nele, comandos acionados por corrente, afastando o pesadelo das quebras das correias dentadas nos motores L4.

É produto curioso, desafiando a lei da obsolescência do estilo, segundo a qual veículos devem mudar de carroceria a cada 8 anos. O Amarok tem mais e apenas passou por sutil mudança estética. A versão V6 não motivou alterações, e mesmo assim o picape VW levou, pela segunda vez, e com exclusividade, o IPUA 2018 – prêmio de picape internacional do ano. Fundiu a cuca dos formuladores de produto dos concorrentes, em especial os líderes de mercado neste segmento médio, Toyota Hilux, Chevrolet S10 e Ford Ranger.

Empresa fez pré série com 450 unidades vendidas num dia, acertando em formulação e preço – R$ 185 mil, considerado excepcional se comparado com líder no mesmo padrão de decoração: Toyota HiLux a R$ 192 mil.

O argumento de ter força, rapidez e velocidade; aparato eletrônico de segurança, incluindo freios para descidas; volume de equipamentos e acessórios; excelentes bancos dianteiros, deve ser ouvido pelos interessados.

Do Amarok 7 versões, incluindo chassis, cabine simples, dupla, motores com 140 cv e 340 Nm, 180 cv e 42,8 kgfm, e o V6 com 225 cv de potência.

Não é produto para volume, versão V6 tem vendas projetadas de 30% do mix, mas Pablo Di Si presidente da VW na América Latina, crê num puxador de vendas pela exclusividade do V6, da potência e torque superiores aos concorrentes. Hoje o Amarok está em 4° lugar.

O bom Salão de Genebra
Quem conhece, reconhece: Genebra tem o melhor Salão de Automóveis da Europa. Contido, bem dividido, permite ser observado em dois dias sem maior sacrifício. Frankfurt ou Paris, em alternância, exigem fôlego para percorrer, em media, 14 km de alamedas.

Nesta edição, aberta ‘a imprensa na terça-feira 6, e a público de 8 a 18 de março, são esperados 10 mil jornalistas nos dois primeiros dias, e 700 mil visitantes interessados nos 180 exibidores, 900 veículos expostos, 110 em apresentação européia ou mundial, com ênfase à crescente onda de Super Carros. No dia de abertura, entrevistas com CEOs a cada 30 minutos, e as mais aguardadas são as do sempre novidadeiro Sergio Marchionne, da FCA; do presidente da Volkswagen sobre os efeitos do Dieselgate em sua companhia e, nesta edição, do número 1 da Mercedes, para explicar a venda de quase 10% da empresa a um chinês.

Dia 5, os 60 jornalistas integrantes do Car of the Year, mais prestigiosa láurea na indústria automobilística europeia, escolherão o veículo mais representativo do ano. Dos 37 veículos listados e aprovados na primeira semana de testes de estrada, numerosas avaliações, e a última bateria de avaliações nas proximidades de Paris, contando com os fabricantes para aclarar dúvidas – e fazer lobby -, depuraram-se sete finalistas: Alfa Romeo Stelvio; Audi A8; BMW Series 5; Citroën C# Aircross; Kia Stinger; Seat Ibiza; Volvo XC40. Resultado incógnito, mas a julgar pelos prêmios recentemente recolhidos, chances há de o SUV Alfa ser o vencedor.

Em outubro os elétricos Zotye
Prometida operação comércio/industrial da chinesa Zotye terá início em outubro com venda de dois modelos: o urbano E200 e o sedã 4 portas Z500 EV. Picape Stark, produzido pela catarino/cearense TAC, quase comprada pela Zotye, e motonetas elétricas como divulgado anteriormente, foram descartados. Aquisição da TAC não se viabilizou, e o projeto solitário tomou outro caminho.

Negócio principia com a homologação dos veículos junto ao governo brasileiro e pequena importação de lote completamente montado, à espera da definição conceitual do governo federal em nova legislação hoje gestada sob o carimbo de Rota 2030. Ali estarão os parâmetros para a indústria, desenvolvimento tecnológico, incentivos para alcançá-los, incluindo tributação sobre híbridos e elétricos. Após, incremento em volumes e, acredita, até o final de 2019 te-los-á montados no Brasil em crescente agregação de partes nacionais. Segundo Cadu Barbosa, diretor da Zotye para relacionamento governamental, tal índice deverá atingir 70% em 5 anos.

A fábrica em instalação em Goianésia, GO – a 180 km ao nordeste de Goiânia – galvaniza um processo industrial atraindo instalação de fornecedores de auto partes – baterias, eletrônicos, pneus, etcccc - e a formação do Parque Industrial Automotivo de Goianésia.

Os produtos
O E200 é um sub compacto – veja-o como o Smart Fortwo da Mercedes : 2,73 m de comprimento; 1,60m de largura; 1,81m entre eixos. Motor elétrico com 81 cv, velocidade final de 120 km/h, autonomia de 180km/carga, interior refinado em decoração e conectividade.

Quanto ao Z500, está em outro oposto do mercado. Grande para os padrões nacionais em 4,75m e 2,75m de entre eixos, tem motor com 128 cv, e autonomia de 250 km/carga.

Os chineses, quem diria, sócios da Mercedes
Notícia surpreendente, um chinês comprou 9,69% das ações da Daimler, controladora da Mercedes. É Li Shufu, comandante e principal acionista da China Zhejiagn Geely Holding Group, proprietário de, por enquanto, quatro marcas de veículos: Geely; London Taxi; Volvo; Lotus. Com US$ 9 Bi tornou-se o maior acionista individual do fabricante de Mercedes automóveis, caminhões e vans. Em segundo lugar no controle acionário da empresa está Kwait Investment Authority, com 6,8%.

Na prática conseguiu seu objetivo – ter acesso à tecnologia de carros elétricos Mercedes. Indelineável separação entre pessoa física, holding, e empresas controladas, quer lançar marca própria nos EUA, carro luxuoso, sob a marca Lynk&Co, e produzir veículos autônomos com base Volvo.

Os Xing-Ling, com insuspeitado poder, vem-se espraiando pelo mundo. Há dois anos propuseram assumir 30% da PSA – Peugeot Citroën DS -, forçando o governo francês a associar-se para evitar o controle estrangeiro sobre a pioneira marca. E neste turvo mundo das finanças empresariais, dizem-nos aptos a adquirir a FCA – Fiat Chrysler Automobiles, empresa assumindo feição financeira e controladora de dezena de marcas, nas quais a cada dia se percebe o fazer automóveis apenas como negócio sem causa.

Mas vale o registro da surpresa, de alguém preencher o cheque de US$ 9 Bi de sua conta pessoal. Não foi associação, fusão, troca de ações, mas negócio de compra, um saque da conta bancária.

Roda-a-Roda
SIM ? – Luca de Meo, executivo, carreira rápida na Fiat e atualmente na VW, onde preside a espanhola Seat, declarou ao jornal Expansión, estudos da marca para vender e produzir carros na América Latina. Seat vende no México e esteve na Argentina e Brasil ao início dos anos ’90, deixando os dois mercados sem maiores explicações e clientes pouco felizes.

Não – André Senador, diretor de assuntos corporativos na VW Brasil, consultado, desconhece a pretensão. Marca pertencente ao conglomerado VW, para produzir localmente seria em instalação industrial Volkswagen.

Difícil - Seat não está no radar de produtos da VW do Brasil, às voltas com muitos lançamentos. Importador independente não parece opção.

Começou – Citroën iniciou produzir na Argentina seu sedã C4 Lounge. Lançamento dia 14, vendas em seguida.

Dúvida – Renault inaugurará fábrica de peças e motores à base de alumínio. Até agora não conseguiu confirmar presença do Presidente Temer.

Mimo – Compradores da pré venda de Fords Mustang levarão brinde adicional: capacete cópia do utilizado pelo piloto Dan Gurney à apresentação do modelo em 1964. 

Opção – Décima quarta iniciativa de divulgar veículos e serviços elétricos entre 18 e 20 de setembro, no Transamérica Expo Center, S Paulo, SP.

Mercado - É o Salão Latino Americano do Veículo Elétrico, agora organizado pela NürbergMesse, mais uma empresa alemã de organização de eventos chegada ao Brasil.

Jogo duro – Nissan avisou produzir nova geração do utilitário esportivo Terra sobre chassis tradicional, de longarinas e travessas. Parece retrocesso, em especial pelas ásperas sensações de condução, mas empresa quer faze-lo a partir da China e suas descompromissadas condições. Com ele inicia nova divisão de negócios, de comerciais leves.

Melhor – Pirelli foi escolhida Fabricante de Pneus do Ano, na Expo Tecnologia de Pneus em Hannover, Alemanha. Pesaram para a depuração o foco nos pneus Prestige, para veículos de alto valor; maior número de homologações –circa 2.000 -; parcerias com 28 universidades; e o lançamento do Connesso.

Novidade – O Connesso é um pneu transmissor para celular ou nuvem, de informações com análise de dados de pressão, temperatura e desgaste.

Democradura – Parece descrição do fim do governo revolucionário, mas é apenas apreciação sobre as cores mais vendidas de automóveis em 2017. A ditadura do Preto e do Prata deu abertura ao Branco, agora líder. 78% dos veículos de 2017 foram pintados nestas cores.

Como é - Branco liderou com 40%; preto e prata em segunda posição, seguidos por marrom, verde e vermelho, segundo análise da fabricante BASF.

Verdade – Resumo do negócio, quanto menor o automóvel, mais viva a cor.

Mais luz - Phillips inicia vender lâmpadas com até 3 mil horas de vida – usuais oferecem apenas 700h. É a LongLife EcoVision, boa para veículos com larga rodagem diária. Há nos tipos H1, H4, H7 e H11, aplicáveis à grande maioria da frota nacional. Custa uns R$ 25, e as comuns em torno de R$ 17.

Negócio – BP/Castrol e Renault firmaram entendimento através da Renault Sport Racing, departamento esportivo da marca, incluindo Fórmula 1 e Alpine. Patrocínio, fornecimento de combustível e lubrificantes, desenvolvimento.

De cá – Óleos BP/Castrol serão primeiro abastecimento, como equipamento de fábrica, e recomendados nas trocas em todos os Renault, Nissan, Mitsubishi. Tremendo mercado, ano passado venderam 11 milhões de unidades.

E ? – Capital não tem coração ou patriotismo. A Renault é das mais antigas marcas francesas, mas o patrocínio é britânico…

Gente – Rodrigo Soares, executivo, desafio. OOOO De gerente de vendas a nº 1 em comunicação e imprensa Porsche. OOOO Boa base acadêmica, era da Mercedes-Benz onde implantou MB Challenge – as corridas com carros da marca. OOOO Do ramo, conhece o produto, exigências nem sempre consideradas na contratação de executivos como interface a público interessado, como o é o de jornalistas especializados. OOOO

Factory 56, o automóvel recomeça
Uma proposta com cunho histórico e atualização industrial iniciou ser tocada pela Mercedes-Benz Cars, a divisão de automóveis da corporação Daimler. Empresa fixou a pedra fundamental e em paralelo á construção principia moldar métodos e equipamentos direcionados ás novas exigências mundiais de ecologia e informatização no projeto e construção de automóveis. Pretende a Mercedes repetir fato gravado na história, a produção do primeiro veículo auto móvel o Patent Wagen, de 1886. Markus Schäfer, membro do Conselho da Mercedes-Benz Cars, Produção e Suprimentos, sintetizou a importância da empreita: Como inventora do automóvel, estamos reinventando a produção.

Vista como apta a ser a mais moderna do mundo, a Factory 56 engloba a síntese de três conceitos: Digital, Flexível, Verde, e com foco sobre as pessoas. O rótulo pretende identificar um novo conceito de construção dentro das exigências para a futuro, em meio á atual demanda por enormes mudanças quanto aos métodos de projeto e fabricação. Quer corporificar as três tendências, ser consistentemente digital, flexível, e com processos rotulados de verdes, criados e implantados com proteção à ecologia e meio ambiente.

A iniciativa recebeu, à cerimônia de fixação da pedra fundamental, importante manifestação de reconhecimento oficial. A Dra. Nicole Hoffmeister-Kraut, ministra da Economia, Trabalho e Construção Habitacional de Baden-Württenberg, estado no sudoeste alemão, a 35 km de Sindelfingen, onde está a sede da Mercedes, comemorou a entronização da pedra fundamental e a construção da nova usina no estado, como local privilegiado para a indústria a longo prazo, garantir a prosperidade do país através da função das indústrias em produção e mobilidade do futuro, ressaltando a tarefa do Estado em apoiar tal inovação.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Roberto Nasser De carro por aí

Coluna 0118 - 05.01.2018 - edita@rnasser.com.br 
Novidades na retomada do mercado

Benvindos ao novo ano os apreciadores de novidades automobilísticas. Serão muitas, em período  movimentado, com o fim da queda das vendas, a estabilização, e a retomada do crescimento no setor. Estabilidade no país, seriedade na gestão econômica, queda da inflação e confiança nas ações governamentais auxiliaram deter e reverter a espiral negativa. O ano findo, relativamente a 2016, apesar de números ainda não consolidados, mostrou resultado positivo – aumento de 25% nas exportações, e vendas internas crescendo a grosso modo em 10 %. Melhores expectativas para 2018: 15%.

Nada é unanimidade. Assim, apesar das projeções otimistas, dado importante a considerar, no varejo do varejo, é o número de dias úteis para venda dos veículos novos. E o exercício de 2018, aos descompromissados com o trabalho, é um porto de ociosidade num oceano de maré mansa. Serão 12 feriados federais, quatro deles em datas separadas do fim de semana, induzindo uma ponte de ausências, fora outros, inexplicáveis, criados pelas igualmente sem explicação Assembléias Legislativas estaduais.

Também, eventos importantes, subtraindo atenções, como a Copa do Mundo de futebol e jogos com jornada de trabalho reduzido, e eleições.

O que
Mercado brasileiro não é exceção e preferências vem moldando o segmento dos utilitários esportivos, carros atléticos e crossovers – rótulos difíceis de classificar, porém percebidos como dotados de cara valente e elevada posição para dirigir. Foi a fatia de maior expansão em 2017 e deverá manter velocidade ascensional.
Ano se inicia com apresentação do Virtus, menor sedã VW. Logo a seguir, o Fiat Cronos com direcionamento idêntico, e a revisão estética do Honda City, com agregação de itens internos e mais ESP – o programa de estabilidade sempre adiado pelas autoridades brasileiras e argentinas. 

No campo dos sedãs de maior porte Mitsubishi manteve o Lancer em produção ao menor preço do segmento, e Volkswagen terá o Jetta sobre a plataforma dita MQB, comum ao Golf. No formato sedã Ford suprimirá tal versão para o Focus, e encontrar o Renault Fluence nas revendas será caso para unidade remanescentes. Marca desistiu do produto, perdeu a oportunidade de fazê-lo atrativo aos serviços de Uber e que-tais. Sem atrações novas Ford apenas terá iniciativa com a volta da opção 4x4 para o EcoSport. 

Dentre as marcas tradicionalmente líderes do mercado, houve perda de liderança pela Fiat, alternando entre 3º e 2º lugares com a VW. GM foi a mais comprada, Ford se equilibrou precariamente em 4ª posição, com Renault em crescimento cadenciado enchendo a quinta posição.

Novidades deverão marcar a chinesa Chery, única com tal origem a viabilizar-se no país. Agora comandada pela CAOA dos Hyundai, assumindo gestão operacional, e compatibilizará estrutura industrial. Na prática significa democratizar o espaço da fábrica de Anápolis onde até agora são montados apenas os utilitários da sul coreana Hyundai. Negocialmente a CAOA comprou a solução de manter-se no mercado quando encerrar seus negócios industriais com a Hyundai, e no varejo solver o problema maior da Chery: garantir produção independentemente das vontades e constantes problemas e interrupções comandadas pelo sindicato dos metalúrgicos na área de Jacareí, SP, onde é a fábrica da empresa chinesa. Corre com adaptações para utilizar a base do Celer, criando novo SUV.

Esta morfologia, a de maior interesse do público, será adotada pela Toyota, importando versão atualizada do Prado, maior ante o SW4; pela Peugeot com o 5008; Renault representada pelo Koleos.

Volkswagen acordou de sonho letárgico e entrará com vontade em tal segmento com o T-Cross, SAV sobre plataforma do sedã Virtus, a ser feito na Argentina, substituindo o CrossFox. Também, do México importará o Tiguan ampliando opções no setor.

Domesticamente novos concorrentes com o Citroën C4 Cactus. Da marca traços e mudanças de conteúdo caracterizando meio ciclo do C4 Lounge, mudando a frente, seguindo o modelo chinês. Toyota fará o Yaris, meio termo entre o Etios e o Corolla.

Em picapes, novidades. Fiat prepara substituir o líder Strada a partir da cabine com detalhes assemelhados ao Argo, e Volkswagen gesta versão maior do Saveiro para estar presente no segmento superior aberto por Renault Oroch e Fiat Toro. Renault distribuirá no Brasil o Alaskan, sua versão sobre o primo Nissan Frontier, a ser feito na Argentina. VW iniciou vender experimental e promocionalmente o também argentino Amarok com motor diesel V6, e terá presença consistente no setor em 2018 aproveitando a maior disposição distintiva concedida pelo aumento de cilindrada.

Veículos importados sofrerão queda nos primeiros meses, por reposição de estoque ou permitirão limpar o pátio de modelos antigos, consequência do não entendimento entre os ministérios da Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio quanto ao novo parâmetro à indústria automobilística, incluindo a importação. Até o final do ano vigiram regras do Inovar-Auto, alegoria lulo-petista protetora da falta de competição e da baixa produtividade. Seriam substituídas pelas constantes do programa Rota 2030, mas sem acordo quanto a incentivos e ônus pelas regras não baixadas. Assim, sem saber o futuro – e o quantum de imposto a pagar -, garrotearam-se as importações. No mesmo terreno pantanoso está o futuro das linhas de montagem brasileiras para Mercedes, BMW e Mini, Jaguar/Land Rover, Audi, considerando se terão preço menor e lucros superiores mantendo a atividade da montagem superficial no país – ou se apenas importarão os veículos prontos. Audi pré definiu-se e enfatizará novos produtos, como o A2, de menor preço – e maior demanda.

Não se exclua a reduzida probabilidade de formalização e implementação dos acordos entre Mercosul e União Europeia auxiliar inflar o mercado fomentando presença de novos produtos, de importação facilitada pela isenção de impostos alfandegários, base do acordo.

Em 2018 inexistirão novos fabricantes de veículos leves. Planos e projetos foram atropelados pela economia, pela retração do mercado, pela aceleração de custos. Daí não se aguardar os JAC T40 e T50 com os quais o grupo nacional SHC intenta abrir e manter caminho no mercado com tentativas anunciadas na Bahia e em Goiás. Geely, também chinesa, representada pelos acionistas da operação nacional da KIA, talvez retorne a conta gotas com montagem no Uruguai e complementação de conteúdo regional. 

Sempre prometida, a fábrica da Zotye em Goianésia, Go, promete acelerar a partir da montagem de motos elétricas em março e picape com a mesma tração antes do final do ano.


Caso viabilizado o crescimento previsto para o exercício de 2018, número final deverá arranhar os 2,4 milhões de unidades. Número e comportamento indicarão a consolidação da retomada do retorno para a expansão

Provocar vizinhos, cunhados, contar histórias? É com o Audi RS3

Audi inicia vender versões Sportback (hatch) e inesperada configuração sedã do competente RS3. Trata-o como a bandeira maior da marca hasteada para marcar o espaço dos compactos Premium. Harmonizou mecânica, aplicou equipamentos para compatibilizar estamina, performance, segurança e exigências de conforto e infodiversão aos clientes.

Motor de cinco cilindros, o mais potente do mundo na configuração de 2,5 litros de deslocamento, dois sistemas de injeção – um na cabeça do pistões -, outra no coletor de admissão, mais turbo alimentador e sistema de abertura das válvulas obtém 400 cv de potência e 480 Nm de torque a partir de 1700 rpm. Na prática tal conjunto oferece consistente aceleração, indo da imobilidade aos 100 km/h em 4,1 segundos. O dimensionamento mecânico para permitir tal proeza inclui tração integral nas 4 rodas, transmissão automática S Tronic, e um enlace operacional entre direção, câmbio, gerenciamento do motor, ESC – o sistema eletrônico de estabilidade.

Como comparativo com o Audi A3, é rebaixado 25 mm; a bitola dianteira mais larga em 20 mm. No desenho, grade frontal preta brilhante, grandes tomadas de ar, faróis em LEDs com a assinatura luminosa da marca, uma das líderes neste componente. Internamente, o Virtual Cockpit permite adequar instrumentos à vontade do condutor, como deslocar o conta giros para o centro da tela. Nela, dentre informações, cores indicam momento da troca de marchas.
Estofamento em Napa Fina, comando de luzes do sistema de infodiversão no volante, som Bang&Olufsen 705 watts.

Preço ? Inicia em R$ 329.990.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Roberto Nasser - De carro por aí

Coluna 1816 - 29.04.2016 - edita@rnasser.com.br   

Zotye outra marca goiana
Chinesa Zotye aparentemente fincou pé no Brasil. Após adquirir a TAC, fabricante dos jipes Stark no Ceará, acertou-se com o governo de Goiás e assinou termo de implantação em Goianésia, a 170 km de distância de Goiânia e 200 km de Brasília. Instalação seria em Colatina, ES, ou Sobral, Ce, e Carlos Eduardo Barbosa, diretor, justificou mudança: governo de Goiás foi mais rápido.
A ideia é implantar fábrica em terreno de 120 mil m2, com 28 mil m2 cobertos, acreditando iniciar operações em 2018. Junto, outra fábrica das partes para os modelos elétricos. Até lá, alugar grandes galpões para iniciar o processo de montagem CKD, formando veículos a partir da importação de conjuntos desmontados. Projeto para 2018, em instalações próprias, é de quantidade próxima a 20 mil/ano, com sonhos de exportação à América Latina – mas é coisa lenta, exigindo atingir o percentual de 60% em peças Mercosul.

Processo assemelhado ao prometido pelo empresário Sergio Habib para viabilizar a tormentosa JAC: rompida a sociedade com os chineses, tocar o negócio sozinho e, enquanto constrói, aluga instalações para montar veículos trazidos em partes da China.

Mescla
Segundo Cadu Barbosa os primeiros produtos serão o compacto Z100, em versões com motor por combustão interna, tri cilíndrico 1,0, e elétrico. Junto, utilitário esportivo T600, com motor 1,5 litro e turbo. Concorrentes indicam preços de R$ 35 mil para o compacto com motor Otto; R$ 40 mil tração elétrica; e de R$ 50 mil pelo utilitário esportivo.

Paralelamente, definição sobre a TAC, de produção suspensa para mudanças no jipe Stark, aplicação de sistema ABS nos freios e alterações visuais marcando modelia e a nova controladora acionária. É indefinida a permanência em Sobral, Ce, ou a transferência para Goianésia. A TAC – Tecnologia Automotiva Catarinense - iniciou em Santa Catarina, mudou-se para o Ceará e, indo para Goiás, corre o risco de alterar o nome para TAG.

Se a Zoyte efetivamente se implantar em Goiás, será a quarta marca no estado. Hoje há Mitsubishi e Suzuki em Catalão, e CAOA/Hyundai em Anápolis. Outras duas outras marcas chinesas dizem, irão para Hidrolândia, próxima à capital e para Luziânia, a 50 km de Brasília.

Megale preside Anfavea
Engenheiro mecânico, mineiro, maneiroso, experiente em montadoras de várias nacionalidades e diretor de assuntos governamentais da Volkswagen, Antonio Megale sentar-se-á por três anos na cadeira de presidente da Associação e do Sindicato dos fabricantes de veículos – Anfavea e Sinfavea.

A habilidade de tato em mesclar o raciocínio cartesiano de engenheiro, com o conduzir o relacionamento da marca junto ao diversificado público governamental será muito exigida. A atividade de fazer e vender veículos é, ao lado da extinção de empregos, e da disparada da dívida pública, a de maiores perdas. Experiência importante, momento desafiante, em instigar, sugerir, participar das propostas para deter queda de vendas e de emprego, em abrir novos mercados estrangeiros, fomentar o crescimento. No Brasil a indústria automobilística é a face econômica.

Mineiramente modesto, Megale simplifica a principal agenda da Anfavea: garantir com o governo um mínimo de previsibilidade para o setor.
Luiz Moan, economista, antecessor, houve-se bem no período de crise para a qual se espera deter a queda e estabilizar números.

Roda-a-Roda

Petróleo – Caça aos automotores como entes poluidores e o surgimento de veículos híbridos e elétricos, instaram Shell a reagir por seu Carro Conceito.

Time – Focou aerodinâmica e baixo atrito no motor, comandado por Gordon Murray, ex-projetista da MacLaren e Osamu Goto, ex-engenheiro chefe da equipe Honda em Fórmula 1. Pesa 540 kg, leva três pessoas – motorista à frente, dois atrás -, e a frente bascula. Parece a evolução do Isetta feito pela Romi no Brasíl entre 1956 e 1961.

Recorde – Motor 3 cilindros, 660 cm3, cravou 47,2 km/litro a 70 km/h de média. Não entrará em produção, servindo para mostrar o desenvolvimento de tecnologia de construção e lubrificantes para motores com ignição a centelha.

Mais uma – Matriz japonesa Mitsubishi Motors Corporation admitiu ter manipulado dados de consumo de seus produtos. Coisa antiga, multas novas.

Ocasião – No grupo operação automóveis é pequena, e o problema e seus custos podem pavimentar o caminho para ligar-se à interessada FCA – Fiat e Chrysler. Última tentativa, com a Ford, foi rechaçada.

Dieselgate – Parte da solução das emissões poluentes de seus motores diesel acima das normas legais, Volkswagen anunciou disposição de comprar quase meio milhão de unidades circulando nos EUA.

Mais - Integra acordo em tribunal da Califórnia. Donos pretendendo ficar com os carros, te-los-ão corrigidos nas regras de emissões. Acordo inclui recursos
para pesquisas em tecnologia automotiva. Marca informou, projeta custos no processo de adequação às normas legais, até agora, 18,2B de euros.

Embalo – Na questão, governo alemão determinou a VW, Opel, Audi, Porsche e Mercedes-Benz façam re-callpara 630 mil veículos para conferir e consertar eventuais emissões acima do padrão. BMW foi excetuada.

Autoridade – Enrique Alemañy, presidente da Ford Argentina, tomou posse na presidência da ADEFA, associação dos fabricantes de veículos no vizinho país. 

Conta própria – Confirmou queda do mercado interno e não ver perspectivas para recuperação do Brasil, estimando nossa produção 2016 em 2,2M de veículos. Discurso bolivariano, mesmo de Da. Dilma, Da. Kirchner e do Sr Maduro: problemas internos tem causas externas.

Sine die – Jaguar Land Rover adiou inauguração de instalações industriais em Itaiaia, RJ, antes prevista para estes dias. Rótulo oficial, compatibilizar agendas. Na prática não sabem a quem do governo federal convidar.

Cruze – Vestido para confundir, unidade do Cruze, próximo lançamento da GM, circula em São Caetano do Sul, SP, sede da GM. Será lançado de 3 a 5 de maio na Argentina, onde produzido. Depois, Brasil, mercado maior.

Disputa – Última semana do mês com briga afiada entre Hyundai e GM para ter o carro mais vendido no mercado. Pré feriado HB20 liderava com 6.500 unidades, 5% sobre GM Onix.

Negócio – FCA, de Fiat, Chrysler e Jeep, através de sua marca de peças Mopar distribuirá óleos lubrificantes Shell. Terão marca diversa: MaxPro.

Festa – DAF, de caminhões, festeja milésima unidade, o XF105, na fábrica de Ponta Grossa, Pr. Velocidade reduzida, montagem começou em 2013. Não é chinesa, mas original da Holanda e ora controlada dos EUA pela Paccar, detentora das marcas Kenworth e Peterbilt.

Caminhos – BMW de motos trata com delicadeza construção de fábrica própria na Zona Franca de Manaus. Assunto surgiu no EICMA, o salão da moto em Milão. Hoje as BMW locais são montadas pela empreendedora Dafra, junto a italianas Ducati e MV Agusta, holandesa KTM.

Nome – Anúncio não é da marca, mas da Suframa, Superintendência da Zona Franca. Não adota nome mundial BMW Motorrad, mas curioso e extenso BMW Manufacturing Indústria de Motos da Amazônia Ltda; aplicará R$ 28,5M para 185 empregos. Valor indica números contidos em área, processos e produção.

Sem cão ... – Mercado interno despencando, marcas nacionais atiram-se às exportações. Irã é novo e potente mercado, apto a absorver 140 mil automóveis, 17 mil ônibus e 35 mil caminhões.

Leque - No mundo há espaço a peculiares veículos nacionais, como o picape Toro. Fiat estuda enviá-lo aos EUA – tão logo haja capacidade de produção.

Com gato – Passo mais atrevido e sólido é da MAN Caminhões: montar filiais ou fazer acordos extra fronteiras para exportá-los em partes, montando-os nos mercados de destino. Articula com Marrocos, Argélia, Nigéria, Quênia e Irã.

BMW – Como informou Coluna passada, BMW vendeu 10.000 unidades de seu modelo X1 para os EUA. Supre demanda e incapacidade produtiva alemã. Valor USD$ x R$ também ajudou. Segue o caminho de Voyage, Mercedes Classe A, Golf. Há uma década não se vendiam automóveis brasileiros aos EUA.

Amenidades – Mercedes-Benz revelou conceito de lancha, a Arrow 460 Granturismo. DNA de automóvel na proporção de volumes, no nome, Silver Arrow of The Seas, para lembrar os Flechas de Prata, vitoriosos carros das corridas pré II Guerra, na cor prateada, parabrisas e vidros laterais baixam.

Como - 46 pés de comprimento - +- 14m -, mono motor, 960 cv de potência, confortos para 10 passageiros – com menos carga pode cruzar a 46 milhas náuticas, uns 90 km/h!

Autódromo – Deputado Distrital Júlio César (PRB) realizou audiência pública buscando solução para reativar o Autódromo de Brasília, com obras paradas por decisão do Tribunal de Contas do DF. No encontro, Carlos Leal, diretor da Terracap, estatal dona da área, anunciou ter R$ 12M para concluir a pista.

Recomeço – Ideia é completar circuito e reativar arquibancadas. Para funcionar ainda este ano, boxes e sanitários em tendas. Parlamentar crê ser o primeiro passo para reativá-lo. Esporte em Brasília não é o futebol do estádio inexplicável em existência, volumetria e custos, mas corridas de automóveis.

Fama – Leitor Luiz Felipe Figueiredo, aparentemente incontido Democrata, foi atrás do Oldsmobile Cutlass Ciera 1986 ex Hillary Clinton, noticiado pela Coluna, à venda. Não cumpriu intento. Leilão no E.Bay, com 145 lances atingiu inimaginados US$ 60,100 – uns R$ 216.116.


Gente – Evaristo Nascimento, empresário, passou. OOOO Era a cara das mostras e salões pela Alcântara Machado. OOOO Pós controle da Reed Exhibitions, abriu empresa própria e realizava o Salão dos VUC. OOOO Soma de complicações de saúde. OOOOWolfgang Nänle, VP de Operações Mercedes Brasil, aposentadoria. OOOO Cuidou da produção de ônibus na AL e recentemente organizou a fabricação de caminhões em São Bernardo, SP e Juiz de Fora, MG. OOOO Substituto Carlos Santiago, engenheiro ex Fiat e ex Ford, atual diretor de produção da marca no Brasil. OOOO Luiz Moan, 62, economista, deixou a presidência da Anfavea, associação dos fabricantes de veículos. OOOO E aposentou-se como diretor da General Motors. OOOO

No Brasil Toyota começou em 1952
Marca líder no mundo, operação sul americana com liderança em produtos, a Toyota tem história diferenciada no Brasil. Não recebeu visita de prospectores brasileiros em 1952, em périplo para atrair fabricantes de veículos, nem apelos do GEIA, em 1956 para instalar-se no Brasil.

Apresentou seus produtos em grande esforço de renascimento e abertura internacional ao início dos anos ’50, fazendo périplo mundial, um show em navio. No Brasil atraiu atenções do patrício Itiro Nisitani nomeando-o representante, importando caminhões em partes para montá-los. Entre os chassis transformados em caminhões e ônibus, maior atenção para o picape FLX, com cabine avançada. Nisitani montou aproximadamente 800 unidades, instigando a matriz a prospectar o mercado nacional.

Três representantes de uma certa Toyota Motor Company Koromo – era a cidade sede e se incorporara à razão social – procuraram o governador mineiro Juscelino Kubitschek. Estava ao final de gestão, preparando-se à campanha que o levou à Presidência da República em 1956. JK se entusiasmou com o interesse e ofereceu área no polo industrial da vizinha Contagem. Por razões desconhecidas a oferta não prosperou.

Voltaram, táteis, em 1958, e adquiriram a MBA/Rover, com projeto aprovado para produzir jipes Land Rover. Era pequena linha de montagem no bairro paulistano do Ipiranga, de onde saíram poucas centenas de unidades. Adquirir as facilidades acelerou planos de fincar pé no país como primeira filial internacional, e deu base para instalação de usina em São Bernardo do Campo, SP para a montagem dos jipes e picapes Land Cruiser, logo em seguida adotando motor Mercedes-Benz e o nome Bandeirante.



sábado, 31 de outubro de 2015

Roberto Nasser - De carro por aí

Coluna 4415 - 31.10.2015 - edita@rnasser.com.br

Fábrica de automóveis em seu estado ? Fale com a Zotye

Negócio pequeno, apalavrado, com vigor em 2016, a compra da TAC, fábrica do jipe Stark, pela chinesa Zoyte, pode gerar desdobramentos maiores. A compradora quer manter o bom jipe, mas pretende ações mais amplas e para isto considera e estuda propostas de mudança da operação atual, na cearense Sobral, para outro estado com maior pacote de vantagens, incentivos e benefícios. Neimar Braga, ainda executivo maior da TAC confirma o negócio, informa do aumento de produção para 4 unidades mensais. Não comenta valores e diz ser período de gestão compartilhada e de due diligence – análise criteriosa da operação, antecedente à gestão pelo comprador. Tudo certo, ocorrerá em 1º de janeiro de 2016, início do exercício fiscal.

Por valor não divulgado pela partes, a Zoyte Brasil (pronunciam Zoytê) adquiriu a TAC para aproveitar a oportunidade, o fato de ter produto ímpar, dar velocidade ao seu projeto local. Aqui chegou em 2014, e no Salão do Automóvel anunciou planos de importação seguida de produção local de pequeno utilitário T200 e automóvel Z100 com vendas anunciadas para maio 2016.

Produtos, explica Luiz Eduardo Barbosa, executivo da Zotye em Brasília, em homologação federal, e o projeto de implantação industrial em Linhares, ES, está bem encaminhado, porém moroso. Com a TAC exige passos mais rápidos.
Neste caminho, além de oferecer as informações do novo desenho empresarial ao governo do Espírito Santo, também o fez ao de Mato Grosso, onde o governador Pedro Taques se interessa por receber a indústria, em adquirir o jipe para serviços oficiais, estado de ampla demanda por este tipo de produto – o estado pode ser a conexão com a América do Sul e Central.

Nada fechado com relação a novo local, empresa está aberta a propostas.

Mais 
A sinergia entre as duas marcas permitirá elevar volumes de produção – 10/u/m – em janeiro; lançar a linha Stark 2016; picape; versões com motor Otto em versão Flex e transmissão automatizada de fornecedor nacional; importação e início de montagem dos produtos chineses. Atrativo à rede de revendedores.

Por registrar, o Brasil se distancia cada vez mais da postura de ter pelo menos uma marca nacional. No ranking dos maiores países em produção e vendas de veículos, o único sem tê-la. Últimas tentativas inviabilizaram-se: Gurgel, única com motor próprio, fechou; Troller, projeto nacional, foi comprado pela Ford. Remanescente TAC agora é chinesa.

Em novembro, o Golf nacional
Volkswagen aperta os parafusos finais para lançar o Golf ainda em novembro. Processo demorou, tornou-se paralelo ao do Audi A3 sedan, com a mesma plataforma e produzido na mesma linha.

Informações desencontradas variam desde dificuldades para acertar agenda de executivos estrangeiros, providências internas e, até, findar o estoque das unidades importadas do México.

Automóvel não será igual às versões em circulação, alemãs ou mexicanas, em especial na suspensão traseira, substituída, simplificada. Saiu o eixo traseiro multi link e em seu lugar, solução barata, sistema assemelhado aos utilizados nos Gol, eixo de torção chamado eufemisticamente de inter independente.

No primoroso motor 1,4 TSI, duplo comando, 16 válvulas, injeção direta, turbo, um ganho: retrabalhado para operar como Flex, a potência a álcool será de 150 cv – atuais 140 cv na versão a gasálcool. A transmissão não será DSG, automatizada com duas embreagens, mas efetivamente hidráulica. O susto tomado pela Ford e seus clientes e os problemas da transmissão PowerShift fizeram optar pelo sistema mais antigo, com seis velocidades, entretanto menos problemático em países com piso irregular.

Borgward renasce. Agora Xing-Ling
Segunda maior marca alemã de automóveis ao início dos anos 1960, a criativa e brilhante Borgward voltará ao mercado.

Há uma década seu neto Christian investe e aplica-se no renascer. Ano passado, ameaçou – mas frustrou a apresentação no Salão de Paris, como a Coluna relatou. Voltou em grande estilo em idêntica mostra em Frankfurt, e com novo desenho de negócio factibilizando a produção.

Vendeu todas as ações da nova Borgward à chinesa de caminhões Foton – tem operação no Brasil -, e a nova controladora absorveu tudo, inclusive a equipe, experiente em produto, planejamento, estratégia, comunicação, veteranos contratados à Daimler, GM, Saab, Mitsubishi.

SUV
Para o primeiro produto tomaram o caminho mundial do Sport Utility Vehicle, moda da década, e apesar da mesmice no segmento – confortos, tração permanente nas quatro rodas, eletrônica – diz diferenciar-se por linhas com traços lembrando aeronáutica, e elevado conteúdo de infodiversão, incluindo tela de toque com 30 cm.

Produção será iniciada em 2016, destinada ao mercado doméstico, o maior do mundo e, posteriormente, Europa e USA. Diz o grupo gestor da marca, apesar do refinamento terá preço competitivo com Audi Q5.
Origem
A Borgward foi das marcas mais carismáticas na história. Seu fundador, Carl Borgward, engenheiro, fazia de tudo. Do desenho da mecânica ao estilo, condução da fábrica, mercado...

Fez coisas marcantes, como ser o primeiro automóvel alemão lançado após a II Guerra Mundial; o primeiro com a definição de espaços em três volumes, ditos Ponton; nos anos ‘50 a mágica dos Isabella sedan 2 portas e Coupé; a elevada potência específica dos motores – em 1957 seu 1.5 fazia 75 hp, idêntica medida do VW Passat quase 20 anos após; e um projeto de internacionalização, focando produção durante o inverno europeu – quando as vendas caem – para os países abaixo do Equador.

O fim, inexplicado pela lógica, somou queda nas exportações com noticiário informando dificuldades financeiras, provocando corrida de credores e nunca esclarecida posição da cidade de Bremen, onde instalada, e sócia da empresa, em destituir Borgward da gestão, substituindo-o por uma comissão. Este desenho todo mundo entende, e a empresa foi fechada. Feito o balanço, os haveres em muito superavam os débitos. As instalações industriais hoje pertencem à Daimler.

Registro do óbvio, o brilho de Borgward e seu comportamento autocrático não lhe permitiram criar uma rede de sustentação e proteção, e esta ausência se somou aos fatores ou ações contra sua empresa. Ou seja, amigos são acervo.
Como registro, junto ao último Isabella produzido, os operários colocaram uma placa: Você é muito superior a este mundo. Referiam-se ao produto e ao Patron.

Roda-a-Roda
Líder – Fim do terceiro trimestre do ano, Toyota retomou a liderança mundial em vendas. Volkswagen antecedeu, perdendo pelo atual quadro institucional traçado pela emissão de seus motores diesel. Diferença pouca. Toyota 7.498 mil e VW aproximadamente 50 mil unidades menos, 7.430 mil. GM atrás, 7.200 mil.

No ar – Previsões impossíveis. Toyota sofre com problemas de re call; GM idem e ainda com queda de vendas na China; VW caiu muito menos ante o projetado como danos pelo Dieselgate, o escândalo das emissões.

Dieselgate – Com as complicações geradas pelas emissões dos motores diesel VW, e no desvario mundial de ameaças e ações contra a fabricante, a PSA – Peugeot-Citroën prepara dossiê para exibir comportamento de seus motores. Receia medidas midiáticas criminalizando os diesel, independentemente de marca ou origem. Burocrata atemorizado ou midiático pode custar muito caro.

Futuro – Toyota divulgou diretrizes para os próximos anos: fábricas 40% mais baratas, 25% menores; redução de custos operacionais; maior autonomia nas operações regionais; mais pesquisa em motores alternativos.

Carro – Em produtos, design mais eficiente e emocional, centro de gravidade mais baixo, melhor sensação de condução, direcionamento para uso de turbo, injeção direta e diesel. Quer deixar a fama de carros confiáveis porém sem graça.

Caminho – Em meio ao processo de catarse onde mergulhou para se reinventar, solucionar o problema com as emissões de diesel, e retocar os arranhões em sua imagem, Volkswagen foi ao mercado. Contratou Thomas Sedran, 51, ex presidente da concorrente Opel, como líder de estratégia. Foi responsável pela virada do Opel, quase fechando em razão de prejuízos.

Mais - Junto recrutou Christine Hohmann-Dennhardt, chefe do jurídico e compliance da Daimler – é o limite de comportamento entre o lucro e a ética social. Negociações de hora em diante não envolverão apenas clientes e países, mas líderes de outras marcas.

Materialização – Mexicanos irmãos Iker e Guillermo Echeverria concretizaram o sonho: desenvolveram o VUHL 05 – na origem Vehicles of Ultra-Lightweight and High Performance. Numeral homenageia pai.

Razão – Projeto segue a lógica do inglês Colin Chapman em seus Lotus: pouco peso. Assim, plataforma em alumínio em chapa, tubos, e colmeias, juntos por adesivos aeronáuticos, pesa apenas 78 kg. Pronto, vazio, 655 kg.

Força – Projeto racional, sem firulas do tipo construir motor próprio, mas aproveitar máquina disponível. No caso, motor Ford EcoBoost, 2.000 cm3 de cilindrada, 280 cv de potência. Posição entre eixos traseiro, transmissão de seis velocidades. A relação peso-potência permite acelerar 0 a 100 km/h em 3,7s e final em 245 km/h.

Produção – Não são estreantes. Iker ganhou prêmio em design e ambos tem empresa fornecedora destes trabalhos para fábricas estadunidenses. Fábrica, processo industrial, fornecedores e assistência técnica montados em plataforma de software FileMaker e gestão empresarial ERP. As 1.500 peças de fornecedores mundiais, tem número para permitir gestão. FileMaker empresa Apple.

Griffe – Strasse, empresa paulistana de veículos personalizados, ampliou mercado. Agora, além dos Mercedes-Benz com aplicação de kit da preparadora Brabus, incorporou serviços da também alemã Oettinger a VW Golf.

Golf - Por R$ 9.900 aumenta a potência em 20 cv, e em troca reduz 0.3 segundos na aceleração da imobilidade aos 100 km/h. Por adicionais R$ 26.900, rodas Oettinger e pneus 235/35/19. Carro O Km, versão Comfort Line, básica, com alguns equipamentos, a partir de R$ 85.900.

Novo ciclo – Honda e Nissan levaram jornalistas brasileiros ao Salão de Tóquio. Caso Honda, anunciar nova geração de motores no Brasil: 1,5 litro, quatro cilindros, comandos variáveis, injeção direta, turbo, projetados 180 cv versão álcool. Demais, 1,0 três cilindros; 2,0 com quatro. No novo Civic, 2016.

Uber – Senador brasiliense José Antonio Reguffe relatará projeto sobre o Uber como variedade de transporte. Pelo perfil liberal deve ter opinião favorável ao consumidor – ou seja, à nova opção.

Investimento – Levantamento anual pelas agências Auto Informe e a Molicar Listam três Fiat como de menor depreciação: Strada na categoria de picape pequena; 500 entre os hatch Premium; e Weekend como camioneta.

Maior – Fechadas as contas das vendas de veículos O Km em todos os 25 países de América do Sul e Central, apesar da queda de comercialização de 21% no Brasil, mantemos liderança numérica: 1.370.000 vendas. Somados, os outros 24 países indicam no mesmo período 970 mil unidades.

– A fim de caminhão Scania ? Avie-se. Preço aumentou 3% em outubro, e outros 7% em novembro. Aumentos tem sido mensais em todos os nacionais para repassar inflação e preços dos componentes pagos em dólar.

Gente – Confusão na prorrogação de incentivos fiscais regionais, envolvendo Ford, Mitsubishi e CAOA surpreende o setor. OOOO Participação da fórmula pela antiga família real não estranha por sua aura de perfeição, onisciência e o gravitar acima do bem e do mal. OOOO Pessoalmente não imagino o Eduardo Souza Ramos, de sua MMC, envolvido com subornos e afins. OOOO Não é de seu perfil de esportista, ex representante olímpico, ganhar fora das regras. E quem o conhece, sabe e aplaude a condução de sua vida e negócios. OOOO