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terça-feira, 28 de março de 2017

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

Zona de (des) conforto


Abertura do Mundial de F-1 não empolgou

Ultrapassagens foram poucas
Transmissão foi falha


Mudanças são inevitáveis, porém quando demoram quatro décadas para acontecer podem ser mais traumáticas ou complicadas e, se envolvem culturas tão diferentes quanto a inglesa de outrora e a americana do futuro, muito contundentes. Para quem estava habituado ao funcionamento perfeito da transmissão de TV e, principalmente, esperava mais ultrapassagens durante a prova, o que se viu no GP da Austrália foi decepcionante, exceto para os tifosi, que celebraram a volta da Scuderia Ferrari à vitória, com Sebastian Vettel (Ferrari SF70 H), e mostrar certa superioridade sobre a Mercedes, que completou o pódio com Lewis Hamilton e Valtteri Bottas (ambos com AMG-Mercedes W08), nesta ordem.

Desde o início do ano os engenheiros da categoria já deixavam claro que os novos pneus e as novas asas, todos mais largos e aderentes, encurtariam a zona de frenagem, consequentemente diminuindo a possibilidade de ultrapassagem nessas manobras. Para piorar, vários pilotos confirmaram, após a prova, que um outro problema complicou ainda mais a situação: os pneus mais largos amplificaram a zona de turbulência, fenômeno que deturpa a estabilidade num momento que este coeficiente deve ser o maior possível.

Pneus e freios também contribuíram para algum suspense no plano técnico: ambos os itens foram bastante alterados para esta temporada. O que se destaca com relação aos primeiros é o fato de 83% dos jogos disponibilizados terem sido os de composto ultramacio, e nada menos de 8 dos dos 13 pilotos que receberam a bandeira estivessem rodando com pneus macios, os mais duros do fim de semana. O conhecimento dos engenheiros sobre a exploração plena dos novos compostos de 2017 – que a Pirelli admitiu serem mais resistentes ao desgaste -, pode justificar o resultado da corrida: a Ferrari (Vettel deu 23 voltas, e Räikkönen 26) soube aproveitar melhor que a Mercedes (Hamilton deu 17 e Bottas 25) a durabilidade dos pneus usados na primeira parte da corrida, os mais aderentes disponibilizados para o traçado de Albert Park, considerado um circuito de rua..

Outras novidades importantes vieram com os novos discos de freio Brembo, que fornece para a maior parte do grid. No caso do fabricante italiano a maior massa desse componente, que agora tem 32 mm de espessura (quatro a mais que em 2016), permitiu aumentar de 1.000 para 1.200 os dutos de refrigeração. A mudança ajudou a melhorar a dissipação de calor gerada nas frenagens, índice que pode ultrapassar os 1.00ooC. Nem por isso o franco-suíço Romain Grosjean está mais tranquilo. Quando ele parou nos boxes por causa de um vazamento de água, na oitava volta, os freios traseiros do seu Haas VF17-Ferrari entraram em combustão. Quem sabe a causa dos males que o acompanha desde 2016 esteja na combinação do seu estilo de frenagem, na aerodinâmica do seu carro em torno do freios e suspensão e na instalação do sistema brake-by-wire que compõe o pacote do fabricante italiano. Além de Grosjean, Jolyon Palmer (Renault RS17) e o estreante Lance Stroll (Williams FW40-Mercedes) também tiveram problemas com os freios de seus carros.

Uma queixa generalizada dos pilotos foi a maior turbulência gerada pelos carros 2017, algo que afeta a estabilidade de quem vem atrás: a carga aerodinâmica de um F-1 é gerada principalmente pela asa dianteira. Segundo Max Verstappen (RB13-Tag Heuer), “quando você fica a dois segundos ou menos de quem está à sua frente isso fica muito claro. Além disso, a instabilidade acaba destruindo os pneus”. Para Nico Hulkenberg (Renault RS17) ficou “praticamente impossível ultrapassar. Eu era quase um segundo mais rápido que o Estebán Ocón (Force India VJ10-Mercedes) mas não havia jeito de ultrapassa-lo”. Lewis Hamilton foi ainda mais fundo e declarou que “os problemas para ultrapassar nunca foram tão graves.”

Entre os que evitaram o pânico estão Kimi Räikkönen e Christian Horner. O finlandês (Ferrari SF70 H) lembrou que “nunca foi fácil ultrapassar na F-1, por isso precisamos ter paciência e esperar uma prova em um circuito normal para ver o que acontece. Melbourne nunca foi o melhor lugar para ultrapassar.” Horner, ex-piloto e atual bam-bam-bam da Red Bull Racing foi mais além:
“Vamos esperar pelos GPs da China (9/4) e do Bahrain (16/4), que acontecem em duas pistas mais propícias a essas manobras.”

No lado da organização não foram poucas as falhas notadas até mesmo durante a transmissão das provas. Um antigo recurso desenvolvido para monitorar, principalmente, o ritmo de cada piloto a cada volta para ajudar os comissários desportivos a checar quem obedecia às ordens de bandeira amarela foi posteriormente explorado no aplicativo da F-1. Este ano o mesmo sistema foi implementado nas transmissões de TV, aparentemente sem que as devidas orientações fossem passadas aos locutores e comentaristas. Isso gerou dificuldades para que muitos soubessem explorar a informação, situação que piorou quando as inserções com classificação por tempo e as comunicações por rádio desapareceram parcial ou completamente. Não fica difícil imaginar a possibilidade de um boicote por parte de quem perdeu companheiros de trabalho.

Visualmente a qualidade do show também foi afetada: ao final das provas de classificação e da corrida os pilotos foram direcionados a uma área comum onde não havia espaço para destacar os três primeiros colocados. No sábado, Hamilton, Vettel e Bottas foram transportados pelo pit-lane em um carro de apoio, mo qual o inglês passeou com metade do corpo para fora. A cena não condiz com a campanha de segurança de trânsito promovida pela FIA, não importa o quanto de politicamente correto seja aplicado nesse julgamento. Além disso, não havia mais Herbie Blash para convencer os pilotos a ir direto para a pesagem e, no caso dos três primeiros, para as entrevistas de praxe. Chegou a ser cômico ver Vettel analisando carro por carro enquanto as TVs do mundo esperavam por sua presença após a prova de classificação.

Diante desse quadro certamente é mais sensato apoiar as propostas de Räikkönen e Horner. Afinal, o campeonato está começando e mudanças, por melhores que sejam, Alteram a zona de conforto de todos os envolvidos.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

Wagner Gonzalez
O MÍNIMO QUE PEDEM É ACALMAR MAX


A disputa do Grande Prêmio da Bélgica ressaltou o arrojo de Max Verstappen, que dividiu a primeira fila com o pole position e vencedor da prova Nico Rosberg: nem mesmo o sempre frio Kimi Räikkönen ficou imune ao estilo abusado do jovem holandês de 18 anos. 


Não é a primeira vez que um novato interfere na zona de conforto de nomes consolidados na F-1, tampouco nem todos que causaram desconforto aos vencedores de plantão entregaram o que suas atuações prometiam.Por enquanto, o mínimo que pedem é acalmar Max.  Com oito corridas ainda por se realizar, certamente o assunto ainda vai render manchetes até o final da temporada, temporada que prossegue domingo, com o GP da Itália, em Monza.

O final de semana em Spa-Francorchamps, porém, teve muito mais que as estrepolias do menino holandês: teve a Mercedes demonstrando como se explora as falhas do regulamento ao trocar vários motores no carro de Lewis Hamilton; teve muito boato e nenhuma confirmação de mudança de pilotos para 2017 e a Force India passando a Williams na classificação entre os construtores. De quebra, a estreia de Esteban Ocon, esperada com um verdadeiro duelo de futuros gigantes com seu companheiro de equipe Pascal Wehrlein, passou quase que despercebida.

A F-1 tem vários casos de pilotos novatos que se destacaram pela rapidez com que passaram a disputar posições com nomes consagrados: Jody Scheckter, Riccardo Patrese, Ayrton Senna, Michael Schumacher, Romain Grosjean e Sebastian Vettel são alguns desses nomes. Nélson Piquet poderia ser incluído nessa lista, não fosse sua primeira temporada completa ter sido disputada a bordo de um Brabham-Alfa Romeo em fase de desenvolvimento. Alguns chegara ao estrelato, outros não ultrapassaram a barreira que marca o posto de segundo piloto. Todos eles causaram alvoroço naquilo que anos atrás eram comum chamar de “establishment”. O sul-africano Scheckter, o italiano Patrese e o franco-suíço Grosjean quase foram banidos da categoria pelas tantas as confusões que criaram e outras que lhes foram imputadas com certa injustiça.

Max Verstappen ainda está em período de descobertas. Marrento, nem por isso deixa de dar seu recado de forma clara e sempre diz que a culpa nunca é dele, quem sabe por sentir-se mega protegido por Helmut Marko e os deuses da equipe Red Bull. Aqui cabe muito lembrar o histórico da equipe: no confronto direto entre Sebastian Vettel e Max Webber o australiano saiu perdendo, e o russo Daniil Kvyat amarga até hoje ter perdido seu posto para ninguém menos que… Verstappen.

O que gera mais espanto é que o holandês começa a ficar conhecido pela maneira como defende sua posição na pista. Quando descreve “que estava apenas defendendo minha posição” não hesita em mudar seu traçado ou alterar seus pontos de frenagem para deixar seu adversário em uma situação crítica, como aconteceu, por exemplo, em Mônaco e Spa. Até agora ninguém se machucou e os prejuízos podem ser considerados, no máximo, materiais, ainda que na Bélgica o moral da equipe Ferrari tenha saído bastante chamuscado. Foi de dentro da Scuderia, na voz de um Räikkönen perto de derreter, que saiu o comentário mais veemente:
“Se ele (Verstappen) continuar assim, vai acabar batendo muito forte. (…) Ter que frear no meio da reta para não bater não me parece correto.” Vindo de alguém conhecido como homem de gelo, responder no calor da disputa tem um peso considerável. Max Verstappen é rápido? Sim. Arrojado? Sem dúvida. Será campeão?… Quem viver, será. Sim, será, com “S” de “se”. Você pode ver o acidente em detalhes, e os comentários de Kimi Räikkönen, Max Verstappen e Sebastian Vettel clicando aqui.

O regulamento atual da F-1 determina um número máximo de unidades para vários itens, como por exemplo, cinco motores durante toda a temporada e uma caixa e câmbio a cada seis corridas. Violar essas regras significa perder posições no grid. Como no GP da Áustria Lewis Hamilton usou o quinto motor do ano a Mercedes mostrou que a FIA não contava com a astúcia dos dos alemães: em Spa, instalaram mais motores do que o necessário, assim como novos recuperadores de energia térmica e cinética, colecionando penalidades que significaram perder inúmeras posições no grid. Para se ter uma ideia de como funcionam as penalidades: o sexto motor significa perder cinco posições no grid, o sétimo dez e assim por diante.

Para cada elemento extra que ultrapasse o limite aplica-se a mesma proporção. Como em Spa as longas retas favorecem a potência do motor alemão, o prejuízo saiu barato, aliás, o terceiro lugar na corrida foi um tremendo lucro: manteve o inglês na liderança do campeonato, agora com nove pontos sobre Rosberg. Se você quiser saber como anda o campeonato ou o resultado completo da corrida,  aqui você encontra tudo.

Com as três principais equipes (Mercedes, Ferrari e Red Bull) mantendo-se inalteradas para 2017, os comentários e boatos sobre quem fica, que sai, quem chega ganharam intensidade. Já se fala fala numa Williams com Sérgio Pérez e Felipe Nasr, numa Renault com Valteri Bottas e sabe-se lá quem, em Felipe Massa e Jenson Button mudando de ares, de categoria e de vida, e no belga Stofel Vandoorne assumindo, finalmente, um lugar na McLaren. 

Se o mexicano se arrisca a sair de uma equipe em ascensão para entrar em uma em franca decadência, o belga parece estar com muito cartaz no paddock, a julgar pela declaração de Toto Wolff:“O Ron Dennis seria louco em não promover Vandoorne. Se ele não fizer isso eu mesmo arrumo um lugar para ele andar de F-1 no ano que vem”.

Voltando à Renault, a marca teve altos e baixos neste fim de semana. Num circuito onde o motor tem mostrar o que vale, o segundo lugar de Daniel Ricciardo confirmou o progresso da máquina. Já o acidente de Kevin Magnussen criou uma situação inusitada, ainda que o dinamarquês garanta que estará de volta em Monza, no próximo fim de semana. Com a promoção de Esteban Ocon, então piloto-reserva, à condição de piloto oficial da Manor a equipe francesa decidiu não anunciar um substituto…


WG

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Wagner Gonzalez em Conversa de pista

Wagner Gonzalez
ESTEBAN OCON, QUEM SABE, UM REPLAY…


Em 1991, nesta época da temporada de F-1, o belga Bertrand Gachot cumpria pena em um presídio inglês por ter discutido com um motorista de táxi londrino e deixou disponível o cockpit de um dos mais bonitos carros da F-1 moderna, o Jordan 191, obra do polivalente Gary Anderson. 

Os satélites gravitando em torno do planeta Mercedes-Benz, as conexões de Willy Weber e o observatório de Eddie Jordan se alinharam para permitir ao mundo ver mais nitidamente o potencial de uma estrela que começava a brilhar, um certo Michael Schumacher. Quinze anos mais tarde a história se repete e poderemos ver, quem sabe, um replay desse episódio no mesmo Spa-Francorchamps, circuito que separa homens de meninos tanto quanto serve de rito de passagem para novatos de fina estirpe.

Quem poderá nos brindar com esse repeteco é Esteban Ocon, que nasceu cinco anos depois dessa data e nos últimos anos causou sensação na F-3. Desde antes do seu nascimento, em 17 de setembro de 1996, seus pais imigraram de Málaga, Espanha para Evreux, cidade situada a cerca de 100 km de Paris e onde até hoje mantém uma oficina mecânica. 

O currículo iniciado no kart em 2001 inclui dois títulos na F-3: o Europeu, em 2014, e a GPS Series, em 2015, quando sua carreira esteve perto de naufragar por falta de patrocínio. O contrato com a Gravity, empresa do grupo Genii, virou abóbora e das sementes brotaram um contrato com a Lotus, lance de sorte que floresceu em sua ligação com a Lotus, atual Renault, onde é piloto de testes.

Salvou-o da morte certa não o Rhum Creosotado (os que andaram de bonde em São Paulo e no Rio de Janeiro lembrarão do anúncio), mas a Mercedes-Benz, que o adotou em seu programa de jovens promessas. Este ano, por exemplo, ele foi inscrito no DTM, com um carro entregue à equipe ART Grand Prix, praticamente substituindo o alemão Pascal Wehrlein, nesta temporada promovido à F-1. E aqui o destino apresenta um dos seus famosos caprichos: é contra Wehrlein que Ocon será comparado ao estrear como seu companheiro na equipe Manor, estreia que acontece muito antes do que o próprio Ocon sonhava:

“Os testes e treinos que eu fiz na F-1 até agora (Barcelona, Silverstone, Hockenheim e Hungria) me ajudaram a amadurecer, mas, sinceramente, eu não esperava ter a oportunidade de estrear na categoria tão rápido assim. Na verdade, estou até chateado de não completar minha temporada na DTM, mas precisei escolher uma das duas categorias e optei pela F-1.”

O que mais chama atenção na estreia de Ocon na F-1 não é sua chegada, mas a possibilidade de ser comparado a Pascal Wehrlein, outro jovem da academia de pilotos da Mercedes-Benz e que até agora ainda não correspondeu ao que se esperava dele. Poucos acreditavam que sua performance na pequena equipe inglesa seria tão semelhante ao rendimento de Rio Haryanto. Será, sem dúvida, uma disputa interessante e que poderá revelar mais um integrante da nova geração de astros da categoria.

Falha no pit stop prejudica Castro Neves
As paradas nos boxes são um dos momentos mais críticos em qualquer competição e em categorias como a F-1 e a F-Indy ganham contornos ainda mais dramáticos e perigosos. Um erro de avaliação de uma equipe de boxe acabou causando um acidente envolvendo três pilotos na disputa da 500 Milhas de Pocono, prova válida como 13a etapa da Verizon Indycar Series; prevista para se realizar no domingo, a competição foi adiada para ontem por causa das chuvas que caíram sobre o traçado do estado da Pensilvânia.

O brasileiro Hélio Castro Neves e o americano Alexander Rossi entraram nos boxes juntos e a equipe do último liberou o piloto para sair sem se dar conta que Charlie Kimball se aproximava. O choque foi inevitável e Rossi acabou passando por cima do cockpit do brasileiro, que foi obrigado a abandonar. Veja aqui o vídeo que mostra o acidente.  A vitória foi de Will Power, atual vice-líder da temporada com 477 pontos, 20 atrás de Simon Pagenaud; Castro Neves está em quinto (384) à frente de Tony Kanaan (380), que terminou em nono a corrida de ontem.

Brasileiros tentam lugar na Indy Light
Em Interlagos, kartistas brasileiros disputam, sábado, vaga na seletiva da Mazda Road to Indy 2017 (Foto Mazda Road to Indy)

O kartódromo de Interlagos recebe neste sábado um evento que vai selecionar um brasileiro para disputar, em Laguna Seca, na Califórnia, a seletiva para uma bolsa no valor de US$ 200 mil que garante um lugar na temporada 2017 da categoria de acesso à F-Indy. O evento é aberto para kartistas de 15 a 24 anos, que podem usar qualquer chassi homologado pela Comissão Nacional de Kart, equipamento que receberá motores e pneus sorteados pelo promotor Paulo Carcasci. A programação vai das 8h45 às 13h40 e inclui uma prova para a categoria parakart, aberta a pilotos com deficiência de locomoção. Mais informações em www.mazdaroadtoindy.com.br.

WG