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quinta-feira, 17 de maio de 2018

Fernando Calmon - Alta Roda - Um novo consumidor



Alta Roda nº 993/343 – 17/05/2018


Fernando Calmon
Quem achava que leis de mercado são pouco efetivas para aumentar a competição e baixar preços de automóveis no Brasil, pode colocar as barbas de molho. O cenário atual de rápida recuperação das vendas, que acumularam 21% de crescimento no primeiro quadrimestre de 2018 frente ao mesmo período de 2017, não impediu a expansão de promoções. Bônus e outras vantagens indiretas (gratuidade de despesas obrigatórias e primeiras revisões; períodos adicionais de garantia) também responderam pelo menor desembolso direto ou indireto ao comprar um modelo novo. 


Como houve drástica queda de vendas de quase 50%, entre 2013 e 2016, carros vendidos no período e hoje considerados seminovos estão escassos. Por esse motivo as concessionárias vêm dando preferência em descontos para quem coloca na negociação um veículo seminovo. A situação atual se deu pelo acirramento de concorrência entre as marcas, chegada de novos modelos e urgência em diminuir a capacidade instalada ociosa. Este cenário veio para ficar e nada indica mudanças nos próximos anos.

O prejuízo financeiro acumulado por quase todas as marcas só não foi maior porque o preço médio de modelos comercializados subiu de patamar. Quem continuou a comprar nos anos de recessão tinha bom poder aquisitivo para escolher modelos mais caros e completos, às vezes com todos os opcionais possíveis.

Um dos fenômenos de mudança de comportamento foi o avanço dos SUVs, mas nada se compara à contínua aceitação dos câmbios automáticos e automatizados. Em modelos na faixa de R$ 80.000 a participação supera, hoje, 70% e chega quase a 100% acima de R$ 100.000.

Estudo da FCA projeta que, em quatro anos, no máximo 45% da totalidade de modelos comercializados internamente continuarão com câmbio manual. Isso em período de aceleração de vendas e da volta de compradores de menor renda sem condições aparentes de pagar R$ 6.000, em média, por um automático.

Levantamento, por parte da filial brasileira da consultoria inglesa Jato Dynamics, revelou avanços surpreendentes, de 2008 a 2018, de vários equipamentos antes considerados caros ou sofisticados. A evolução no período apontou as diferenças entre os 10 modelos mais vendidos no Brasil ao longo daquele período:

Controle de estabilidade (ESC) de 0% para 40%; direção assistida, 52%/100%; travas elétricas, 23%/100%; ar-condicionado, 17%/100%; vidros elétricos, 20%/99%; conexão USB, 8%/89%; Bluetooth, 3%/88%; espelhamento para celulares, 0%/46%; rodas de liga leve, 20%/55%; rodas de aro 15 pol., 15%/55%; controle de velocidade de cruzeiro, 0%/30%; revestimento em couro (legítimo ou imitação), 0%/25%, GPS, 0%/20%.

Fenômeno ainda mais impressionante: em 2008 nenhum modelo entre os 10 mais comercializados no Brasil saía de fábrica com câmbio automático ou automatizado. Hoje, o manual alcança apenas 55%.

Em suma, o mercado mudou, porém haverá espaço para todos os segmentos de compradores, inclusive de automóveis mais básicos. Com a diferença que o básico de hoje é mais equipado que o do passado recente e o seu preço médio continuará inferior ao de variação da inflação. 

RODA VIVA 
AMÉRICA Latina terá capítulo mais aprofundado no plano de negócios mundiais 2018-2022, da FCA, a ser anunciado em 1º de junho próximo, em Balocco, Itália. Será o último planejamento antes da aposentadoria de Sergio Marchionne, em março de 2019. Seu sucessor, apesar das especulações sobre nomes, não será anunciado neste evento.

ANTONIO Filosa, novo CEO da FCA para América Latina, mostrou entusiasmo sobre o programa Rota 2030. Para ele, o melhor conjunto de diretrizes governamentais do mundo, quando aprovado. Quanto à Fiat, prevê atualização do Uno, possível versão aventureira do Argo e motores de 1 litro só com três cilindros. Picape RAM 1500 é estudada também. Sobre Alfa Romeo, improvável a volta ao Brasil. 

FONTES da coluna preveem que o Grupo CAOA, até o final do ano, chegará a um acordo para a própria Hyundai assumir importações da sua marca. Produção em Anápolis (GO) do novo Tucson e ix35 também deve parar em prazo mais longo, a definir. Nova fábrica da sul-coreana seria construída na Argentina para equilibrar seu comércio bilateral dentro do Mercosul.

VIRTUS, sedã compacto anabolizado da VW, tem estilo discreto e acabamento com materiais simples. Em troca oferece amplo espaço para pernas no banco traseiro e alto nível de segurança. Acelerações do motor 1-litro turbo são convincentes, porém saída em baixa velocidade do câmbio automático é brusca demais. Motor 1,6 L (câmbio manual), silencioso em cidade; na estrada, há ruído de aspiração ao acelerar.

ESTAMOS em pleno Maio Amarelo, mês focado no trânsito seguro, e o Contran decidiu interromper – provisoriamente, acredita-se – obrigatoriedade do mecanismo adicional para evitar levantamento da caçamba de caminhões basculantes com veículo em movimento. Atendeu pleito absurdo de alguns caminhoneiros: eles dizem não encontrar o equipamento.


PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmo fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Fernando Calmon - Alta Roda - Em busca de rumos corretos

Alta Roda nº 956/306 30– 31 023– 0oda nº852/0811508– 2oda nº851/2017

Fernando Calmon
O Brasil parece estar deixando de pensar só no curto prazo e planeja estratégias de crescimento e inserção mundial mais em longo prazo. Embora a instabilidade política atrapalhe, até novembro se esperam as diretrizes governamentais que orientarão para onde e em que ritmo a indústria automobilística instalada no País deve chegar. O programa Rota 2030 estabelece, pela primeira vez, um prazo de 13 anos, incluído o ano de 2018, para que metas de eficiência energética, segurança veicular e novas tecnologias agreguem valor ao veículo brasileiro. Isso sem escalada descontrolada de aumento de custos, que poderia elevar demais o preço final ao consumidor. 


Conciliar curto, médio e longo prazos foi o principal escopo do workshop Planejamento Automotivo 2018, organizado em São Paulo por Automotive Business. O humor dos compradores de veículos leves começa a melhorar, porém nem todos os palestrantes mostraram-se otimistas. Sindipeças, por exemplo, preferiu manter posição cautelosa até mesmo sobre a recuperação deste ano. Anfavea espera crescimento de 4% sobre 2016, mas pode revisar a projeção para cima, em breve. 

A consultoria IHS Markit, representada pelo francês Carlos da Silva, projetou que não antes de 2024 o mercado brasileiro voltará aos mesmos 3,6 milhões de veículos leves (mais 200.000 de veículos pesados) registrados em 2013. Apesar de o País este ano prever um novo recorde de exportação de produtos montados, Silva afirmou não acreditar em vendas externas crescentes além do patamar atual de 700.000 unidades. Uma conclusão algo incoerente, pois ele mesmo imagina que a moeda continuará a se desvalorizar – o que em geral impulsiona exportações – até passar de R$ 4,00 por dólar em 2020. 

Vitor Klizas, da Jato Dynamics, detectou uma série de mudanças no mercado brasileiro. A escolha de câmbio automático, por exemplo, subiu de 9% para 40% das vendas de automóveis novos em 11 anos. Ar-condicionado estava em 32% dos modelos e cresceu para 91% ao longo de 10 anos. Na opinião da coluna, parte desse avanço se deu por queda de poder aquisitivo que alijou uma grande leva de compradores da base da pirâmide social brasileira pelos equívocos de política econômica entre 2011 e 2015. Quem continuou no mercado manteve sua capacidade financeira e, naturalmente, pôde gastar mais em equipamentos. 

Quanto ao comportamento futuro do comprador de automóveis no Brasil, o mexicano Alberto Torrijos, da Deloitte Consulting, o identificou como receptivo a tecnologias de automação ao volante e de segurança veicular, mas nem tanto aos apelos ecológicos. Quanto ao automóvel compartilhado, as gerações de pessoas mais velhas não aderem muito à ideia, ao contrário dos jovens. 

Apesar de ainda se desconhecerem pormenores da Rota 2030, sabe-se que haverá metas severas tanto para consumo como para itens de segurança com prazos pertinentes. Também algum estímulo se concederá a propulsões alternativas como veículos híbridos – solução mais racional – e até elétricos. Nada que não tenha sido debatido com todos os atores, nem que possa se corrigir caso os objetivos de médio e longo prazos não sejam alcançados ou enfrentem dificuldades de implantação. 

RODA VIVA 

PICAPE que a VW lançará no início de 2019, fabricada no Paraná, será maior que a Saveiro, mas não concorrente direta da Fiat Toro. Esta pode carregar até uma tonelada e para isso a VW já tem Amarok. Porte da nova opção com arquitetura MQB do Polo/Virtus/T-Cross estará mais próximo ao da Renault Duster Oroch. Nome ainda sem definição. Conviverá com a Saveiro. 

MITSUBISHI acaba de entrar no clube de marcas centenárias e hoje ativas. Em ordem alfabética: Alfa Romeo, Aston Martin, Audi, BMW, Buick, Cadillac, Chevrolet, Daihatsu, Dodge, Fiat, Ford, Lancia, Mercedes-Benz, Opel, Peugeot, Renault, Rolls-Royce, Skoda e Vauxhall. Maserati só produziu carros a partir de 1926. Spyker, de 1898, permaneceu 70 anos inativa. 

MAIS recente entre as picapes médias renovadas, Nissan Frontier se destaca pela dirigibilidade. Afinal, é a única de chassi convencional (tipo escada) com molas helicoidais nos dois eixos. Podia ir melhor se tivesse direção eletroassistida e não hidráulica. Visibilidade, também muito boa, pelo banco alto do motorista e capô de desenho côncavo. 

PARA se enquadrar na redução de consumo médio da frota à venda, exigência do Inovar-Auto a partir de 1º setembro (último prazo), Renault teve de segurar a venda de motores de 2 litros. Compensação é pelo menor consumo do Kwid, mas este modelo ainda está em curva de aceleração de produção. Em outubro, entregas começam a atender demanda reprimida. 

PNEU do futuro poderá ser esférico, capaz de manter pressão sempre correta e banda de rodagem se regenerar em caso de cortes ou furos. Apresentado em março, no recente no Salão de Genebra, o Eagle 360 Urban foi trazido pela Goodyear. Exigirá carro e pavimentação específicos, em cidades (ou trechos) futurísticas, que a empresa ainda não ousa prever. 


PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Emplacamentos globais apontam Brasil com pior resultado em 2016

Com o emplacamento de 1.986.436 unidades, entre automóveis e comerciais leves, o Brasil encerrou 2016 com o pior desempenho no ranking dos 10 maiores mercados internos do mundo. A queda foi de 19,8% em relação ao total de 2.476.965 unidades em 2015. O Brasil ainda amargou queda na posição do ranking ficando na 9ª posição, caindo 2 posições em relação ao ano anterior. Os dados são da JATO Dynamics do Brasil, líder em fornecimento de informações automotivas.

Esses resultados mostram que o Brasil perdeu duas posições. De 7º mais importante mercado interno em 2015, encerrou o ano passado em 9º colocado. Sem novidades para os primeiros colocados, a China segue na liderança com alta acumulada de 14,2%. Os EUA mantiveram-se na segunda colocação, também com alta de 0,4%. O Japão, por sua vez, mesmo diante da queda de 1,6%, continua na terceira posição. 

É importante destacar que os dados chineses incluem apenas veículos de passeio. Para o restante dos países os números englobam automóveis e comerciais leves.

País
2014
2015
2016
China
20.971.769
22.358.140
25.523.313
EUA
16.519.826
17.475.066
17.553.448
Japão
5.495.939
4.975.791
4.897.072
Alemanha
3.261.376
3.439.767
3.604.581
Índia
2.920.298
3.061.541
3.317.572
Grã Bretanha
2.798.121
3.005.333
3.068.473
França
2.165.185
2.294.265
2.420.820
Itália
1.479.461
1.709.396
2.019.887
Brasil
3.328.982
2.476.965
1.986.436
Canadá
1.853.182
1.901.536
1.951.007
Outros
13.461.579
13.129.797
13.121.161
TOTAL
74.255.718
75.827.597
79.463.770

* Os números incluem comerciais leves e carros de passeio, com exceção da China – apenas carros

** A pesquisa contempla os seguintes países: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Croácia, Espanha, EUA, França, Grã Bretanha, Grécia, Holanda, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Malásia, Portugal, Rússia, Suécia, Suíça, Tailândia, Taiwan e Turquia.


Desempenho dos grupos
Em um ano de recuperação com altas acumuladas de 3,3%, 1,7% e 0,8%, Volkswagen, Toyota e GM Company mantiveram-se nas três primeiras colocações, respectivamente, com volumes de 9.087.193 unidades, 8.517.294  e 6.987.939 veículos. No ranking do Top 13, apenas o grupo PSA amargou queda de 2,7%, com total de 2.552.913 unidades emplacadas.

Todos os demais nove grupos automotivos do Top 13 obtiveram taxas de crescimento. O Grupo Hyundai (3,0%), Ford (1,5%), Honda (5,7%), FCA (1,5%), Nissan (2,0%), Suzuki (2,4%), Renault (12%), Daimler (8,2%) e BMW (4,9%).

GRUPOS MARCAS
2014
2015
2016
VOLKSWAGEN
9.018.446
8.800.688
9.087.193
TOYOTA
8.489.827
8.378.831
8.517.294
GM
7.063.826
6.933.798
6.987.939
HYUNDAI
6.457.959
6.493.043
6.684.828
FORD
5.517.759
5.746.998
5.832.572
HONDA
4.195.990
4.436.111
4.690.027
FCA
4.445.557
4.400.727
4.467.306
NISSAN
4.198.602
4.317.511
4.405.086
PSA
2.588.683
2.622.560
2.552.913
SUZUKI
2.575.766
2.437.971
2.496.561
RENAULT
2.166.407
2.191.477
2.454.233
DAIMLER
1.828.730
2.109.818
2.283.049
BMW
1.958.567
2.088.191
2.190.246
OUTROS
13.749.599
14.869.873
16.775.545
TOTAL
74.255.718
75.827.597
79.424.792


* Carros e comerciais leves

** A pesquisa contempla os seguintes países: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Croácia, Espanha, EUA, França, Grã Bretanha, Grécia, Holanda, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Malásia, Portugal, Rússia, Suécia, Suíça, Tailândia, Taiwan e Turquia.

sábado, 9 de julho de 2016

JATO completa 20 anos no mercado automotivo brasileiro

Uma das consultorias mais reconhecidas do setor automotivo internacional, a JATO Dynamics, com matriz na Inglaterra, completa este mês 20 anos de atuação no mercado automotivo brasileiro. A subsidiária se estabeleceu no Brasil em 1996, ano em que o setor automobilístico iniciava um novo ciclo de crescimento.   

No Brasil, como no mundo, as soluções da JATO atendem a vários segmentos da economia, como todas as montadoras de automóveis, portais, concessionárias, frotistas/locadoras, bancos, indústria de autopeças, assim como o Governo, por meio de soluções inteligentes baseadas nas plataformas digitais Analysis&Reporting, Carspecs, Datafeed, eGuide, Event-Driving Learning, Incentives, Net, News, Specifications, Total Cost of Ownership, V4 e Volumes. 

A história da JATO no mundo começa em 1984. Naquela época, a indústria automotiva tinha atingido uma fase crucial no seu desenvolvimento. A ideia de globalização havia atingido seu ponto máximo e as montadoras estavam trabalhando ativamente para estabelecer sua presença em novos territórios internacionais. A necessidade de informações sobre o mercado global, sobre veículos concorrentes, suas especificações e preços, tornou-se cada vez mais essencial. Seu fundador, Jake Shafran, foi um dos primeiros a reconhecer o poder de transformação da informação e as perspectivas neste novo ambiente. 

Hoje, a JATO é a líder mundial de seu ramo, presente em 56 mercados ao redor do mundo. Seu alcance global e conhecimento são os pontos fortes desta empresa. 

Proporcionar informações transparentes, comunicação instantânea e soluções personalizadas a seus clientes são os desafios permanentes da JATO que norteiam a direção da empresa e o seu sucesso nos próximos anos. 

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Fernando Calmon - Alta Roda - Estatísticas furadas atrapalham estimativas

Alta Roda nº 890/24030– 263– 0oda nº852/0508– 2oda nº851/2016

Ferrando Calmon
No momento em que o Brasil se volta, finalmente, a investir em parcerias público-privadas para desatar o nó de uma infraestrutura de altíssima deficiência cabe analisar alguns aspectos. Nada menos de 80% das estradas brasileiras (cerca de 1,3 milhão de quilômetros no total) não são pavimentadas. Essa proporção só se encontra em países muito pobres.


Trata-se de referência bastante desfavorável para uma nação que tem a quarta a maior superfície terrestre contínua do planeta (quinta, com Alasca incluído como área descontínua dos Estados Unidos), a quinta população, um Produto Interno Bruto (PIB) que o coloca em sétimo (tendência de cair) e um mercado interno de veículos que já foi o quarto do mundo (hoje em sétimo e em queda).

Nada justifica uma rede asfaltada tão ridiculamente baixa dentro do conceito “rodoviarista” de transporte de bens. Cerca de 60% das cargas viajam por caminhão e esse porcentual não está muito acima de alguns países europeus e mesmo dos Estados Unidos. 

Só mais recentemente se abriu a possibilidade de, além de conservação do piso, as concessionárias duplicarem as pistas e mesmo construírem novas vias. Outra realidade é a incapacidade do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) de controlar a frota real circulante. Se esse número fosse pelo menos próximo do real, os interessados em infraestrutura estariam em condições de estimar o crescimento do tráfego ao longo do tempo, pois os contratos estabelecem, em geral, 30 ou mais anos de concessão.

Essa falha de planejamento ocorre por exigências exageradas para que motoristas deem baixa no veículo ao fim de sua vida. Então são abandonados nas ruas (há multa de R$ 16 mil na cidade de São Paulo, mas provavelmente ninguém a pagou até hoje), em galpões, deixados ao relento no campo ou mesmo jogados em rios e represas.

Saber, porém, quantos modelos, de que marca e tipo ainda circulam são tarefas essenciais para produção de componentes de reposição. Por isso tanto o Sindipeças quanto a Anfavea publicam estudos há mais de dez anos. Em 2015, a primeira entidade estimou a frota brasileira (sem contar motos) em 42.587.250 unidades. A segunda chegou a números bem próximos. Algo como 35% abaixo do total divulgado pelo Contran e Detrans. Refletem apenas emplacamentos originais (via Renavam) e um número quase irrelevante de baixas espontâneas de registros: apenas 1,8 milhão de unidades entre 1990 e 2015. A maioria, certamente, de seguradoras com Perda Total (PT) em acidentes. 

Agora uma terceira fonte também estuda a frota. A filial brasileira da consultoria Jato Dynamics desenvolveu processo para cálculo de veículos em circulação dividindo o mercado em 15 segmentos e analisando, caso a caso, cada um deles. Estabeleceu curvas específicas de descarte de produtos por impossibilidade mecânica de rodar ou consertar, roubos (com desmanches) e PT. A empresa estima, em 2014, 38.564.843 veículos, uns 9% abaixo das referências Sindipeças e Anfavea. 

Em razão dos maus resultados de vendas desde 2015 é provável a frota brasileira real diminuir, pois entrariam no mercado menos carros e veículos pesados do que os que deixam de circular. As futuras concessionárias de estradas que fiquem de olhos abertos. 

RODA VIVA 

NISSAN deu boa arrumada no meio ciclo de vida do Sentra 2017. Frente modernizada e adição de itens de conforto e conveniência já na versão de entrada somam-se a comando elétrico no banco de motorista e alto-falantes Bose. Agora deixou de existir câmbio manual: todos têm o automático CVT. Melhorou economia de combustível e a 120 km/h motor sussurra a 2.000 rpm. 

QUANDO se exige mais do acelerador, mesmo na posição “L” do CVT, resposta é um pouco lenta: rotação de torque máximo (20 kgfm) fica apenas 300 rpm abaixo da de potência máxima (140 cv, pouco para um 2-litros aspirado). Turbo seria ideal. Os preços aumentaram 7%, justificados por mais equipamentos, e são competitivos: R$ 79.990 a R$ 95.990. 

SOFISTICAÇÃO e equipamentos exclusivos estão no novo BMW 740 Li M Sport, sedã de alta gama e referencial da marca alemã. Pretende vender até 100 unidades/ano ao preço único de R$ 709.950. Nível de conforto para o passageiro do lado direito do banco traseiro é ímpar. Alguns itens, de tão avançados, exigem homologação específica no Brasil e não vêm agora. 

VOYAGE 2017 não arrancou tão bem como o Gol em vendas. Mas a repaginada na parte frontal e o novo painel interno (laterais continuam iguais e também a parte traseira do sedã compacto) podem lhe dar mais fôlego. Impressiona bem o desempenho do motor 3-cilindros/1 litro. No uso em cidade o deixa bem próximo ao 4-cilindros e com vantagem em economia. 

OBSTÁCULOS no asfalto para sinalizar vias, como os temidos tachões ou “tartarugas” e mesmo inocentes “sonorizadores”, estão proibidos por resolução do Contran desde 2009. Mas ainda se podem ver nas cidades e estradas em desacordo com a lei. Afora os danos em pneus e suspensões dos veículos, essas protuberâncias são muitas vezes causas de acidentes e danos no asfalto. 


PERFIL

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).

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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Desempenho global do setor automotivo Agosto 2015

A JATO Dynamics do Brasil, líder em fornecimento de informações automotivas, divulga seu release mensal com os dados de veículos vendidos mundialmente até agosto de 2015. Ao apresentar pequena queda nas vendas se comparadas ao mesmo periodo do ano passado, a China retoma a 1ª colocação no ranking mensal e mostra que é o maior mercado de forma absoluta, já que lidera também o acumulado do ano. Ocupando a 2ª colocação em ambos os rankings, os EUA mostram uma variação mensal negativa de 0,6% em relação ao ano anterior. Mesmo com queda e volume muito abaixo dos dois primeiros mercados, o Japão variou 2% para baixo em agosto e ocupa a 3ª posição nos rankings mensal e acumulado.

Mesmo perdendo a recente e curta liderança mensal, os EUA continuam entre os 3 primeiros. No entanto, é importante destacar que os dados chineses incluem apenas veículos de passeio. Para o restante dos países os números englobam carros e comerciais leves.

Após subir uma posição em ambos os rankings, o mercado indiano mostra crescimento constante. O país, que antes ocupava a 5ª e 6ª colocações no mensal e acumulado, respectivamente, superou a Alemanha em agosto e já está entre os 5 maiores mercados de 2015. A Alemanha mostra um crescimento de 4,8% se comparado ao mesmo período do ano anterior e está em 5º no mensal e 4º no acumulado.

Seguindo o mesmo cenário do mês anterior, a Turquia se destaca como o mercado com maior variação positiva, cerca de 37,2% ante o mesmo mês do ano passado. O país ocupa a 14ª posição no mensal e a 15ª no acumulado.

Assim como nos meses anteriores, o Brasil teve resultados negativos em ambas as apurações. Uma queda de 22,9% no índice mensal fez com que o país, agora 6º colocado, perdesse 2 posições se comparado a agosto de 2014. Na apuração acumulada de 2015, o mercado brasileiro está na 7ª colocação geral e carrega uma perda de 20,4%.


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* Os números incluem comerciais leves e carros de passeio, com exceção da China – apenas carros 
** A pesquisa contempla os seguintes países: África do Sul, Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Croácia, Espanha, EUA, França, Grã Bretanha, Grécia, Holanda, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Portugal, Rússia, Suécia, Suíça, Taiwan e Turquia

Desempenho dos grupos
Com uma pequena variação positiva de 0,1%, o Grupo Toyota superou a Volkswagen na apuração mensal e lidera este ranking. Similar ao mês passado, seis entre os dez primeiros colocados do ranking dos grupos automotivos apresentaram retração nas vendas em agosto deste ano em relação ao mesmo período de 2014. Fugindo do comportamento na comparação mensal. Apenas Toyota, Ford, Honda e PSA apresentaram taxas de crescimento de 0,1%, 3,3%, 3,1% e 3,6%, respectivamente.


No entanto, mesmo com queda de 2%, o Grupo Volkswagen segue na liderança acumulada de 2015 seguido por Toyota, GM Company, Hyundai e Ford.

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* Carros e comerciais leves
** A pesquisa contempla os seguintes países: África do Sul, Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Croácia, Espanha, EUA, França, Grã Bretanha, Grécia, Holanda, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Portugal, Rússia, Suécia, Suíça, Taiwan e Turquia



Os dados acima são fornecidos pela JATO Consult, empresa de consultoria da JATO Dynamics que fornece soluções e consultoria para atender a uma ampla gama de empresas ligadas ao setor automotivo. Para mais informações visite www.jato.com/brazil/.


quarta-feira, 8 de julho de 2015

DESEMPENHO GLOBAL DA INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA - MAIO 2015

- China cresce apenas 1,6% em vendas de veículos em maio

- Brasil cai para a 7ª colocação no ranking mensal mas continua em 7º no acumulado

- Grupo Volkswagen fica na liderança

A JATO Dynamics do Brasil  divulga seu release mensal com os dados de veículos vendidos mundialmente até maio de 2015. A China já apresenta sinais de desaquecimento com apenas 1,6% de crescimento em maio de 2015 se comparado ao mesmo período de 2014, um aumento relativamente baixo se comparado aos meses anteriores. Os EUA ocuparam o 2º lugar com alta nas vendas de 1,5% ante maio do ano anterior. O Japão, na 3ª colocação, apresentou a mesma queda do mês anterior de 7,9% para maio, e no acumulado de 12,7% em relação ao ano anterior.

Os dados chineses incluem apenas veículos de passeio. Para o restante dos países os números englobam carros e comerciais leves.

A Alemanha mantém como o quarto maior mercado no ranking mensal e no acumulado, mas apresentando queda de 6,9% nas vendas do mês, mas no acumulado dos cinco primeiros meses do ano com alta de 3,7% em relação ao ano anterior. A Índia e a Grã Bretanha seguem logo atrás, ambos oa países apresentando números positivos de 2,8% e 3,8% em maio de 2015 se comparado ao ano anterior, respectivamente.

Em meio à crise econômica, o Brasil caiu mais uma posição no ranking mensal e agora está na 7ª colocação e com retração de 26,2% no mês em maio se compararmos ao mesmo mês de 2014, a segunda maior queda do ranking no quadro abaixo, ficando atrás somente da Rússia que apresentou queda de 38% no mês de referência influenciada pela desvalorização da moeda russa.
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* Os números incluem comerciais leves e carros de passeio, com exceção da China – apenas carros
** a pesquisa contempla os seguintes países: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Croácia, França, Espanha, EUA, Grã Bretanha, Grécia, Holanda, Índia, Itália, Japão, Malásia, México, Portugal, Rússia, Suécia, Suíça, Tailândia, Taiwan e Turquia
Desempenho dos grupos
Nove entre os dez primeiros colocados do ranking dos grupos automotivos apresentaram retração nas vendas em maio deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior. Apenas a Honda apresentou 4,1% de crescimento nas vendas do mês. Entretanto, se analisados os dados no acumulado do ano, os números apresentam resultados menos negativos se comparado aos números do mês.
 
*carros e comerciais leves
** a pesquisa contempla os seguintes países: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Croácia, França, Espanha, EUA, Grã Bretanha, Grécia, Holanda, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Malásia, Portugal, Rússia Suécia, Suíça, Tailândia, Taiwan e Turquia

Os dados acima são fornecidos pela JATO Consult, empresa de consultoria da JATO Dynamics que fornece soluções e consultoria para atender a uma ampla gama de empresas ligadas ao setor automotivo. Para mais informações visite www.jato.com/brazil/.



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