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quinta-feira, 24 de maio de 2018

Fernando Calmon - Alta Roda - Pneus evoluem tanto quanto os carros

Alta Roda nº 994/344 – 24/05/2018

Fernando Calmon
O futuro da indústria automobilística aponta, ninguém sabe com certeza em que ritmo, para a tração elétrica e avanço das tecnologias de condução autônoma. É uma aposta industrial e de infraestrutura caríssima, sujeita a altos riscos econômicos e de difícil implantação fora de países ricos ou superpopulosos como a China e, eventualmente, a Índia. Pular a etapa racional dos híbridos pode se tornar um erro grave, talvez tarde demais para reverter.


No entanto, automóveis continuarão a existir e para rodar vão continuar precisando de pneus. Esses são o único e estreito vínculo entre o veículo e o solo. Os fabricantes desses produtos de borracha estão longe de atuar com indiferença sobre os cenários que se apresentam nas próximas décadas. 

Uma das apostas mais ousadas é o pneu esférico da americana Goodyear, Eagle 360 Urban, que dispensa rodas. Um exercício de ficção científica com uma espécie de pele biônica na superfície de rodagem, nunca fura, utiliza inteligência artificial e pode levitar magneticamente em uma estrada especialmente construída para ele. Nem a empresa consegue fazer previsão de quando se tornará realidade. 

Os desafios para carros elétricos também não são poucos. Os pneus precisam de um rodar silencioso. Mesmo com dimensões mais estreitas devem compensar o desgaste extra pelo peso das baterias e torque instantâneo do motor que proporciona acelerações fortes. 

De qualquer forma a evolução terá de vir também para os carros atuais. O tema foi motivo de análise aprofundada pelo site inglês www.just-auto.com, do qual este colunista é correspondente. Primeira preocupação é diminuir peso. A japonesa Yokohama trabalha para reduzir massa em 25%.

Cada pneu de automóvel exige 40 litros de petróleo para ser produzido. É possível economizar ao usar de óleo de soja na composição da borracha. A francesa Michelin desenvolve com DNA brasileiro uma roda flexível capaz de se deformar e evitar que o pneu esvazie ao passar por buracos, sonho de consumo por aqui. 

Muito interessante é a proposta da alemã Continental. Câmeras rastreiam o spray de água em pista molhada e, com ajuda de outros parâmetros, antecipa o risco de aquaplanagem. Interage, então, com controles eletrônicos para diminuir a velocidade, resolvendo um dos maiores problemas de um veículo com direção autônoma e mesmo de motoristas comuns. 

A italiana Pirelli promete, no fim deste ano, introduzir a troca de informações em tempo real entre pneus e a eletrônica de bordo, em particular com Sistemas de Assistência Avançada ao Motorista (ADAS, na sigla em inglês). 

E que tal um pneu que “respira” e limpa o ar em torno dele? Pois a Goodyear propõe exatamente isso. Desenvolveu um protótipo de um não-pneumático com estrutura aberta que aumenta a aderência ao absorver água da pavimentação molhada. Na lateral existem musgos capazes de utilizar umidade e iniciar um processo de fotossíntese absorvendo CO2 e devolvendo oxigênio para a atmosfera. 

Portanto, de onde menos se espera, brota alta tecnologia. Mesmo de uma estrutura circular, de cor negra e que aparentemente nada agrega. Quem pensava assim estava redondamente enganado, nos dois sentidos do termo.


RODA VIVA

HONDA
 abriu a “porteira” para crossovers derivados de hatches com o WR-V, em março de 2017. Fórmula simples: maior altura de rodagem, mudanças estéticas na frente e traseira, penduricalhos de sempre. Primeiro seguidor, Ka Freestyle, chega em julho. Volkswagen não confirma, mas deve lançar no próximo ano o T-Track (nome provisório) com base no Polo. 


OUTRO sinal positivo de recuperação sustentável do mercado interno de veículos veio da ampliação em 27,6% do crédito liberado para financiamentos (incluído leasing), em relação ao primeiro trimestre do ano passado. O dado ruim: apesar de nível da inadimplência perto da mínima histórica os bancos ainda estão bem seletivos. Mais de 40% das propostas são recusadas. 

FIM do Inovar-Auto e do super-IPI voltou a viabilizar importações desde 1º de janeiro. McLaren aproveitou. Seu representante Eurobike acumula grande experiência em automóveis caros. Já em 2019 espera vender 24 unidades. A marca inglesa, claro, enfrenta Ferrari e Lamborghini. Cupê 570S começa em R$ 1,9 milhão e o 720S vai a R$ 3,1 milhões. 

NOVAS placas de veículos do Mercosul adiadas, de novo, para dezembro próximo. Planejamento agora está correto: carros novos e os que trocam de proprietário ou cidade. Identificação mais segura; conjunto de quatro letras e três números permite mais de 200 milhões de combinações. Fabricantes de veículos se queixam de dimensões impróprias: não foram consultados. 

TESLA continua a enfrentar grandes dificuldades industriais para deslanchar seu modelo elétrico de porte médio, em Fremont, Califórnia. O dono e bilionário, Elon Musk, pensava que fábrica de automóveis era mina de ouro e descobriu mina de problemas. Mais fácil produzir foguetes. Parafraseando o ditado, está comendo o pão que o diabo, ou melhor, o carro amassou... 

PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmo fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Roberto Nasser - De carro por aí


Coluna 1818 - 04.05.2018 edita@rnasser.com.br  


VW Virtus 1,0 TSI
É o atual queridinho da Volkswagen, apesar do segmento de sedãs compactos não ser o de maior expressão no mercado. Nele, em expansão, impõe-se por formulação: estética, maior distância entre eixos, porta malas. É bom para transportar gentes e bagagens. Mecanicamente brilha o distintivo farol da tecnologia eletrônica/turbo/injeção direta, mudando conceitos sobre veículos, cilindrada, potência e torque. Uma revolução, um separador de classes.

Faz parte da família com a plataforma MQB, base flexível para Volkswagens diversos. Sobre ela nasceu o Polo. Levemente esticada, 8,5 cm, atingindo 2,651m entre eixos, produz o Virtus. Dela virá os próximos SAV T-Cross, o picape da marca, e o novo Gol. Esteticamente comparado aos líderes Chevrolet Ônix e Hyundai HB20S, envelheceu-os.

Na mão
Andei uns 2 mil quilômetros entre cidade e estradas com o Virtus. Experiência agradável, não tive pressa em devolve-lo. Você não imagina, mas há carros cujo projeto e construção parecem pensados para testar a paciência do testador … Dirigi-los faz parte do apostolado pela causa, e geram enorme pressa para encerrar a experiência.

Há uns meses relatei aqui almoço com o então presidente da Volkswagen, David Powels. À mesa, jornalistas do ramo foram sabatinados por ele, querendo entender, sem comentar, porque um produto de segunda linha, como o Chevrolet Ônix lidera as vendas no Brasil, frente a outros de melhores características e construção. Resposta unânime: o sistema de comunicações, ou, o carro cada vez menos carro e cada vez mais um IPhone sobre rodas. Isto provocou agregar ao Polo de sistema interativo, capaz de oferecer, por consulta verbal, todas informações contidas no Manual do Proprietário. Segundo produto, o Virtus trouxe-o evoluído. Visível, o painel de instrumentos, bem equipado, elaborado, mutante, digital, personalizável, oferecendo informações em diferentes proporções, diminuindo uns mostradores, aumentando outros.

É opcional caro, a R$ 3.300, entretanto foi o item mais questionado nas abordagens com perguntas sobre o Virtus. Eletrônica e conectividade são os novos queridinhos do mercado.

Conjunto
Há várias versões do Virtus. Highline, de topo, diferencia-se pelo motor turbo. É 1,0 litro, produzido em São Carlos, SP, três cilindros, 12 válvulas, injeção direta. A soma destas tecnologias permite produzir cerca de 116 cv de potência e, medida agora muito mais importante, 20,4 m.gfm de torque entre 2.000 rpm e 5.000 rpm, responsável por invejável disposição, em especial nas baixas rotações. Na prática viaja-se bem com consumo reduzido – em estrada, orografia variada, arranhou 14 km/litro com gasálcool. Câmbio automático com seis velocidades, com possibilidade de acioná-lo por pequenas aletas atrás do volante. Nesta configuração, consequência e limitação mecânica, o freio motor é de pouco eficiência. Ótimos freios a disco nas 4 rodas com os sistemas de anti bloqueio e correção de derrapagens.

Suspensão convencional para a marca, torres McPherson frontais e barra de torção no eixo traseiro. Conjunto bem acertado, mescla rolagem confortável e estabilidade. Direção com assistência elétrica.

Conforto em uso para os dois ocupantes dos bancos frontais e dos traseiros. Este, em especial, ficarão surpreendidos com o espaço para pernas. Três passageiros atrás, como se diz no Goiás, força a amizade. O banco tem pouca largura, mas há confortos como difusores de ar condicionado e saída USB.

A decoração, dita larga e erroneamente como acabamento, poderia ser proporcional ao preço e à clientela do carro, em especial por desequilíbrio na combinação entre plástico rígido e apliques nas portas. Boa vedação termo-acústica.

Versão Highline, superior, é a mais completa e de maior preço. Bem composta por ar condicionado digital, chave presencial e botão de partida, computador de bordo. Revestimento em plástico imitando couro, boba mania em país quente, também é opcional, assim como rodas leves aro 17”. Como o painel cheio de artes custa R$ 3.300, para ter a versão completa prepare-se para contra argumentar ou preencher um cheque de R$ 87 mil.

A improvável conta para destravar o Rota 2030
Mais de centena de reuniões entre estamentos do Governo Federal, indústria de auto-peças, automobilística e importadores não chegou ao nó final para amarrar as questões e liberar as regras de produção e importação de veículos. O projeto sucede ao trapalhão Inovar-Auto, patrocinado pelo então Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o processado governador mineiro Fernando Pimentel.

Na essência busca-se abatimento fiscal de aproximados 1/3 do calculado investimento de US$ 5B em pesquisa e desenvolvimento. Indústria automobilística diz, se não houver tal compensação, país perderá em tecnologia, produtividade e competitividade, e tais investimentos irão a outras praças. Governo tem respostas pragmáticas, entendendo o desenvolvimento tecnológico como passo dado pelas matrizes e a permear por gravidade aos carros fabricados no Brasil, sem nada a compensar. Outras fontes dizem com pragmatismo ser desnecessário um programa incentivado para obter conquistas tecnológicas, em especial quanto a consumo e emissões: basta um instrumento juridicamente inferior, como Resolução, para determinar números a ser obtidos – sem abater investimentos.

Num infindável balé propôs raciocínio lógico: fazer tal acerto por dedução no Imposto de Renda a pagar – ou seja, de quem tiver operação lucrativa. Mas indústria alega não saber quando terá lucro para ser taxada, propondo reduzir tal parcela do IPI ou Imposto de Importação. Como neste país ninguém sabe a verdade numérica dos balanços, o tema é amorfo.
A solução, dizem as partes, é reduzir o percentual da compensação, fazendo uma conta-de-chegar.

Entretanto, a cada dia parece difícil atingi-la. O país entra na reta final de dois assuntos capitais: a Copa do Mundo e a campanha eleitoral para Congresso e Presidência. No segundo, muitos candidatos, pouca definição, e o argumento de tirar dos pobres para dar as ricos sempre encontra eco junto a eleitores objetivos em sua pouca leitura. Panorama não é bom para justificar a dedução, à vista do déficit nas contas públicas; do pagamento em igual valor, honrando compromissos não pagos por Venezuela e Moçambique, amiguinhos do governo Lula/Dilma; do anúncio que os funcionários públicos, incluindo os negociadores oficiais do Rota 2030 não terão correção de salário pelo menos até 2021.

Roda-a-Roda
Vitrine – New Holland, de tratores, aproveitou o Agrishow, surpreendente salão do trator e implementos, em Ribeirão Preto, SP, para mostrar seu modelo T6, findando testes. Presença serviu como balão de ensaio à produção no Brasil.

Questão – É um pacote de tecnologia e economia, ao apresentar-se como capaz de usar como combustível o bio metano, gás proveniente da decomposição aeróbica de resíduos de produção. Na prática, em vez de diesel, estrume de animais e restos de cultura são capazes de produzir o combustível.

Caminho – Empresa focou no estilo para individualizá-lo, no conforto operacional, e no apelo econômico. É ideal para o agro negócio, embora a produção do gás combustível, operação logística, é viabilizável por cooperativas de pequenos produtores.

Operacional – Reduz até 30% em custos, poluição, mas o principal é fazer a independência energética do produtor rural. O rejeito de produção é colocado num bio digestor e o biogas se transforma em bio metano. Serve para produzir energia para as fazendas, vende-la às distribuidoras de energia, aproveitar o resíduo de produção como adubo.

Ciclo – Não é ideia nova. Ao criar o Modelo T, em 1908, Henry Ford pregava o mesmo: seu motor era capaz de produzir o álcool decorrente das sobras de colheita. Ao vir para o Brasil a Fiat fez projeto para usar o motor do pioneiro 147 para consumir o gás gerado por bio digestores, e até a Marinha desenvolveu projeto para estes.

Futuro – Espera-se seja viabilizado. Na experiência com Fords falhou porquanto as empresas distribuidoras de combustível foram mais rápidas em ridicularizar a distribuição. No caso Fiat/Marinha, usuários acharam dar muito trabalho.

Referência – China Auto Show mostrou verdade ainda pouco palatável: é o maior do mundo em área – 220.000 m² ou, como se adotou como referência no Brasil, 22 campos de futebol emendados. Neste ano, para o também maior mercado mundial, fez demonstração: o caminho, mandatório para a China, está nos carros elétricos e nos SUVs e outros morfologicamente assemelhados.

Foco – Única mulher CEO de uma fábrica chinesa de veículos, Madam Wang, como se apresenta, conduz a Haval, braço da Great Wall Motors, e maior fabricante de SUVs da China. Tenaz, intenta objetivo aparentemente disparatado: superar os EUA no segmento.

Passado – Parece bravata a olhos ocidentais, mas é de boa cautela não duvidar. Há poucos anos o mercado chinês estava mais para Riquixá e bicicletas, e hoje tem qualidade, produtos e design próprios, e é o maior do mundo.

Foco, 2 – Jack Wey, presidente – e dono - da Great Wall, mais antiga das fabricantes de veículos na China e pioneiramente independente, sem ter o Estado como acionista, criou outra empresa e carimbou seu nome: Wey.

Direção – Posicionamento Premium, quer concorrer com SUVs de marcas poderosas, como Bentley, Rolls, Mercedes-Benz, Maserati, Alfa Romeo, e vender mais barato. Na prática numérica, um Wey custa 50% acima de um Haval – e entre 33 e 50% de um Mercedes.

Aqui – Poucas consequências entre mostrar e ter resultados no Brasil, pois as muitas marcas falam em vir, e a única a fazê-lo industrialmente, a Chery, capitulou ante a oposição do sindicato de metalúrgicos da área de Jacareí, SP, e vendeu-se à nacional CAOA.

Terra – Uma, factível, não é chinesa, mas do Japão: o utilitário esportivo Terra, construído sobre chassis de longarinas do picape Nssan Frontier, ora em inicio de produção na Argentina. Pode ser o primeiro produto do segundo movimento.

Picapes – Depois da Mitsubishi mostrar seus picapes L200 2019, foi a vez da Ford. Mudou posicionamento, exumando a versão XL de entrada, linha paralela com cabines simples ou dupla, e chassis, motor menor: diesel, 2,2 litros e 160 cv.

Pacote – Quer se diferenciar das concorrentes por superior aplicação de tecnologia embarcada nos Ranger: maior capacidade de carga; controle de estabilidade e tração; anti capotamento, e bloqueio eletrônico para o diferencial traseiro. Cabine simples R$ 129.300.

Amarelo – Uso de cores sinalizando ações ligadas a segmentos da população – rosa para mulheres, azul para homens, - escolheu o Amarelo para ações destinadas a reduzir acidentalidade e morte no trânsito.

União – Problema mundial, determinação de Assembleia-Geral da ONU, decretou o período de 2011-2020 como a Década de Ações para Segurança do Trânsito. 

Meio - Entidade criada, o Observatório Nacional de Segurança Viária, criou o Maio Amarelo, movimento de conscientização da sociedade para o elevado número de mortes, danos e absenteísmo causado pelos acidentes de trânsito.

Caminho – Neste ano o rótulo Nós somos o trânsito, aprovado pelo Conselho Nacional de Trânsito, o Observatório, e a Anfavea, associação dos fabricantes de veículos, é veiculado em vídeo, radio, impressos, redes sociais.

E ? - Na prática poucos resultados, exceto estatísticas pouco confiáveis. Enquanto ônibus avançar sinal e motoqueiro não tiver sanção, não haverá campanha com resultados. Como todas as mazelas deste país, o caminho da excelência só se atingirá pela educação e pela sanção – e sem estrutura de polícia e justiça, difícil atingi-lo.

Bico – Para a Volkswagen, recepcionista para o Salão do Automóvel não deve ser apenas bonita e sorridente. Mas universitária e submeter-se a curso com palestras e treinamento sobre produtos. A fim? 
contratando.com.br/ volkswagen.

Festa – Sorrisos e foguetes na MAN Latin America, dona da marca Volkswagen Ônibus: empresa vendeu 3.400 chassis para encaroçar ônibus escolares no Programa Caminho da Escola. Tipo Meu ônibus, meu lucro ...

Eficiência – Pesquisa do Ministério dos Transportes com 20 mil passageiros deu à Azul liderança em operações: menor tempo de check in; embarque mais rápido; menor tempo para receber a bagagem. Curiosamente é considerada como companhia Low-Cost, quando seus bilhetes estão entre os mais caros.

Tempo – Por contrato com marca alemã de automóveis Premium – Audi? BMW? Mercedes? – Universidade de Hohenheim conduz pesquisa entre formadores de opinião para saber a percepção sobre estas marcas no mercado brasileiro. Daí, afeir observações, sanar eventuais falhas indicadas, focar campanhas de vendas.

Mudou – Há pouco tempo a noção de percepção ficava restrita ao fabricante/montadora e, no máximo, a sua agencia de propaganda. Fiat mudou a escrita, e para errar menos na formatação do Novo Uno, modelo exclusivo ao mercado nacional da marca então líder, contratou à PUC Rio de Janeiro pesquisa sobre a óptica de antropologia e sociologia quanto a produto e clientela. 

Gente – Samuel Marcantônio, mecânico, larga história incluindo ter sido dos primeiros funcionários da Simca, festa. OOOO Dia 19, 88 anos. OOOO Coisa importante. Amigos irão em automóveis antigos e Prefeitura de Campinas bloqueou rua fronteira à sua casa para as comemorações. OOOO Merecido. OOOO Philip Koehn, doutor em engenharia, novo diretor técnico da Borgward. OOOO Marca alemã em renascimento, instala fábrica em critérios Indústria 4.0. contratação é aval importante. OOOO Koehn tem carreira na BMW e foi diretor da Rolls-Royce. OOOO

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Fernando Calmon - Alta Roda - Ineficiência será castigada

Alta Roda nº 990/340 30– 2614 023– 0oda nº852/0411508– 2oda nº851/2018
Fernando Calmon
Falta pouco, depois de muitas incertezas, para o início do programa Rota 2030. Trata-se de um conjunto de regulamentações técnicas – segurança, economia de combustível e emissões – em três períodos de cinco anos, que indicará caminhos para produzir e/ou importar veículos no mercado brasileiro.


É possível, depois de quatro adiamentos, que seja anunciado no próximo mês de maio. Na realidade, depois de mais 100 reuniões entre governo federal e representantes do setor em 2017, há consenso em todos os temas técnicos. A discussão continua sobre custo dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). O Governo Federal alega que a situação fiscal do País dificulta qualquer incentivo no momento, embora a indústria alegue que desembolsos futuros sobre P&D podem ser redirecionados do Brasil para outros países. 



Durante o IX Fórum da Indústria Automobilística, realizado por Automotive Business, as peculiaridades do Rota 2030, sucessor do Inovar-Auto (2013-2017), tomaram boa parte das apresentações e debates. O novo programa exigirá investimentos de US$ 5 bilhões especificamente em P&D. 

“A contrapartida é que 30%, ou US$ 1,5 bilhão, possam ser compensados, a posteriori, com crédito de impostos diretos como IPI ou de importação”, lembrou Antônio Megale, presidente da Anfavea. O governo quer compensação no imposto de renda, mas as empresas alegam que precisam ter lucro e isso não acontecerá tão cedo depois de uma crise de vendas atroz nos últimos quatro anos. 

Mais provável é uma conta de chegar para destravar o impasse, possivelmente um nível de incentivo menor que o proposto. Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, afirmou que “o Rota 2030 não é panaceia, mas alinhamento com os avanços atuais no exterior e possibilidade de planejar em longo prazo”. Já o consultor Octavio de Barros, da Quantum4, parafraseou o dramaturgo Nélson Rodrigues, mas adaptou à situação econômica: “Toda ineficiência será castigada.” Para ele não há mais tempo a perder. 

Na segunda-feira, 23, o tema continuou quente em outro evento para o setor automobilístico. Pablo di Si, presidente da VW América do Sul e Caribe, enfatizou a necessidade de não ficar para trás. “Precisamos decidir se vamos apenas dobrar chapas metálicas ou avançar em direção à modernidade”, disparou. Ele acredita que Brasil e Argentina devem perseguir grau de integração ainda maior e continuar uma adaptação do nível de comércio até alcançar a livre troca de produtos. 

Um dos facilitadores é ter um “carro único” nos dois lados da fronteira, que possa ser produzido e vendido sem adaptações em um mercado ou outro. A GM Mercosul, segundo declarou seu presidente Carlos Zarlenga, está bem próxima disso. Ele não adiantou qual seria o primeiro modelo, mas a coluna apurou que se trata do Spin em sua evolução de meia vida, em meados deste ano. 

“Temos um plano muito robusto de evolução de todo o nosso portfólio nos dois países até 2021/22. Vamos anunciá-lo em breve”, afirmou. Por enquanto, não revela quantos produtos serão, estratégia diferente da VW, que pretende fazer 20 lançamentos até 2020: 13 produzidos aqui, dois na Argentina e cinco importados.


RODA VIVA

NOVO presidente da FCA para América Latina (menos México), Antonio Filosa, confirmou que a empresa deseja aumentar a presença de seu portfolio de marcas na região. Estuda a viabilidade de produzir no Brasil, sem especificar Betim ou Goiana, a picape americana Ram (antes conhecida como Dodge Ram). Decisão não ocorrerá em curto prazo, segundo fonte da coluna. 


ESTUDO dos mais confiáveis, executado pelo Sindipeças, sobre a frota brasileira de veículos (automóveis, comerciais leves e pesados) apontou crescimento de apenas 1,2% em 2017 sobre 2016. São 43,4 milhões de unidades que se somam a 13,2 milhões de motos, totalizando 57 milhões. Essa é a frota efetiva e não os 80 milhões do Denatran, que não controla o sucateamento. 



HONDA City 2018 recebeu pequenas alterações de estilo e acabamento, mas na essência não mudou muito. Atmosfera a bordo ficou melhor. Mecanicamente, tudo igual, inclusive o câmbio automático que, como em todo CVT, fica só um pouco menos “estranho” na posição S. Faróis de LED estão na versão superior, mas pelo preço deveria oferecer controle de estabilidade (ESC). 

CAIXA de registro de dados está incluída nos Tesla elétricos semiautônomos, mas são acessíveis apenas com colaboração do fabricante do carro. Autoridades de segurança de trânsito dos Estados Unidos não gostaram dessa “blindagem”, no curso de inquérito sobre acidente fatal com um Tesla X, na Califórnia. Ao contrário dos aviões, onde essas caixas permitem livre acesso aos investigadores. 

RESSALVA: Sistema híbrido do Lexus LS500h com motor convencional a combustão e mais dois elétricos utiliza tração puramente traseira. O par de motores elétricos ajuda no aumento de desempenho e redução de consumo de combustível, mas não se trata de tração 4x4 como em concorrentes Audi A8 e Mercedes-Benz Classe S. 

PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Fernando Calmon - Alta Roda - Que prevaleça o bom senso

Alta Roda nº 979/329 30– 0814 023– 0oda nº852/0211508– 2oda nº851/2018 

Fernando Calmon
O programa Inovar-Auto vigorou entre 2012 e 2017. Teve um viés protecionista e outro indutor de melhorias técnicas para diminuir consumo de combustíveis. Mesmo tendo dificultado as importações de veículos, há considerações a fazer. 


Quando se planejou aquele regime, o mercado brasileiro havia passado a quarto maior do mundo e, assim, altamente atraente. O real tão valorizado em relação ao dólar quase anulava a “proteção” de 35% do imposto de importação, alíquota máxima acordada na OMC (Organização Mundial do Comércio). 


Apesar de protestos justos dos importadores sem fábrica aqui, curiosamente apenas quase quatro anos depois houve iniciativas de alguns países de questionar o Inovar-Auto na OMC. Na prática, de pouco adiantou, pois o programa já chegava ao fim. Em outras palavras, a demora em reagir representou apenas vista grossa consentida. 

Enquanto a burocracia interna também atrapalhava, sobraram como pontos positivos os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, além de um muito bem-sucedido esforço induzido para reduzir o consumo de combustíveis de todos os veículos comercializados no País. Introduziu-se o conceito bem interessante de aumento de eficiência energética, medido em megajoules/km por modelo, que compatibilizou diferenças entre gasolina e etanol. 

Os resultados foram muito bons. Na média entre 40 marcas comercializadas no País, o ganho no consumo médio ponderado foi de 15,4%. Segundo cálculos do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), os compradores de veículos leves passaram a economizar R$ 7 bilhões por ano em combustíveis e evitaram emitir 1 milhão de toneladas por ano de gás carbônico (CO2). 

Houve também estímulo fiscal: redução de 1 ponto porcentual do IPI (até 2022) para os fabricantes que chegassem a até 18,8% de economia. Sete alcançaram a meta-desafio: Audi, Honda, PSA, Mercedes-Benz, Renault, Toyota e VW. Duas, Chevrolet e Ford, superaram os 18,8% e ganharam 2 pontos porcentuais de IPI. 

A General Motors informou à Coluna que, na média, os carros de todas as marcas produzidos no Brasil evoluíram, em cinco anos, mais do que nos últimos 20 anos quanto à economia de combustível. No caso específico do Onix, modelo mais vendido no País, a evolução em cinco anos foi de quase o dobro em relação ao seu antecessor, o Corsa, produzido de 1994 a 2016 (23 anos). 

Esse cenário deveria servir de base ao Rota 2030, novo programa esperado para o fim de fevereiro. A indústria automobilística representa em torno de 4% do PIB brasileiro e recolhe 10% de todos os impostos. Só este dado representa uma distorção marcante. O que se discute, ainda, é um incentivo de R$ 1,5 bilhão por ano dentro de um universo de renúncia fiscal na economia brasileira que alcançou R$ 277 bilhões em 2015. O Governo Federal já diminuiu, de forma acertada, aquele montante. 

Precisaria prevalecer, agora, o bom senso. Nova rodada de melhoria de eficiência energética será exigida dos fabricantes por mais dez anos, em dois períodos quinquenais. É preciso continuar a investir em pesquisa e desenvolvimento. Sem nenhum incentivo, esse esforço sai do Brasil para o exterior. Simples assim. 


RODA VIVA

FORD
 mostrou novo aventureiro Ka Freestyle com cinco meses de antecedência de sua chegada ao mercado. É um hatch de visual mais arrojado que a atual versão Trail e altura de rodagem um pouco maior. A fábrica não informou o trem de força, porém a coluna adianta: motor 1,5 L tricilindro (nacionalizado já a partir de março) e câmbio automático de seis marchas. 



ANO de 2018 começou com crescimento acima do esperado. Sobre janeiro de 2017 subiram vendas (23,1%), produção (24,6%) e exportações (23,6%). Os estoques, por motivos sazonais, ficaram no mês passado em 38 dias, pouco acima do ideal (30 dias) e do considerado normal (35 dias). Algumas previsões de vendas em 2018 subiram para mais 15%.



MOTOR V-6 turbo (dupla voluta) de 354 cv e nada menos que 51 kgfm de torque garante ao SUV Audi SQ5 acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 5,4 s. Preço também é desafiador – R$ 397.400 –, mas inclui sistema de som 3D, projeção de informações no para-brisa, tração 4x4 permanente, rodas de 20 polegadas, recursos de condução semiautônoma e até porta-copos climatizado. 

PRIMEIRA impressão é a que fica. Toyota não aceitou o adágio popular e melhorou níveis de acabamento e equipamentos do Etios. Tanto hatch quanto sedã começam a superar a fase inicial ruim. Parte mecânica nunca sofreu críticas. Ainda assim, os dois modelos receberam opção de caixa automática de quatro marchas, a preço competitivo e uso convincente no dia a dia. 

HONDA tratou de repaginar o City, na versão 2018, para enfrentar tempos de concorrência com Virtus e Cronos. Para-choques dianteiro e traseiro, grade, lanternas e faróis de LED, airbags laterais de série e nova central multimídia para Android Auto e Apple CarPlay são as principais mudanças. Preços vão de R$ 60.900 (câmbio manual) a R$ 83.400 (câmbio CVT). 


PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmo fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2
                                                                                                                              


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Venda mensal de importados ainda se mantém em queda

As dezessete marcas filiadas à Abeifa – Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores, com licenciamento de 23.813 unidades, anotaram nos primeiros dez meses do ano baixa de 20,3% ante igual período de 2016, quando foram vendidas 29.866 unidades.

No comparativo mensal, outubro de 2017 ainda registra queda de 1% em relação a igual período de 2016. Foram comercializadas 2.612 unidades contra 2.639 licenciamentos em outubro do ano passado. O desempenho de vendas no mês de outubro, porém, significou alta de 9,8%, comparado ao mês imediatamente anterior. Foram 2.612 unidades contra 2.379 unidades em setembro último.

“A menos de 60 dias do fim do Inovar-Auto, é um alento para o setor de veículos importados, que poderá vislumbrar a possibilidade de retomar suas vendas, sem os 30 pontos percentuais do IPI e sem a cota-limite de 4.800 unidades/ano. Chegamos ao auge de 199 mil veículos licenciados em 2011, caímos para 35 mil no ano passado e nossa previsão é fechar o ano com 27 mil unidades. Agora, em 2018, podemos chegar a 40 mil unidades”, explica José Luiz Gandini, presidente da Abeifa.

Gandini voltou a reafirmar que, com o fim do programa Inovar-Auto no dia 31 de dezembro e a instituição do programa Rota 2030 a partir de 1º de janeiro de 2018, os preços de veículos importados não vão cair. “Ao contrário, uma vez habilitadas ao Rota 2030, empresas que não conseguirem cumprir metas a serem estabelecidas pela nova política industrial poderão ter seus produtos com preços majorados”.

Participações – Em outubro último, com 4.441 unidades licenciadas (importados + produção nacional), a participação das associadas à Abeifa foi de 2,26% do mercado total de autos e comerciais leves (196.635 unidades). No acumulado, o market share foi de 2,19% (38.712 unidades, do total de 1.770.513 unidades).

Se for considerado o total de veículos importados, ou seja aqueles trazidos também pelas montadoras, as associadas à Abeifa responderam, em outubro, por 12,74% (2.612 unidades, do total de 20.500 unidades importadas). No acumulado, 12,35% (23.813unidades, do total de 192.836 veículos importados).

Produção local – Entre as associadas à Abeifa, que também têm produção nacional, BMW, Chery, Land Rover, Mini e Suzuki fecharam o mês de outubro com 1.829 unidades emplacadas, total que representou aumento de 8,8% em relação ao mês anterior. Comparado a outubro de 2016, o aumento de 77,1%, quando foram emplacadas 1.033 unidades nacionais. Enquanto, no acumulado, as cinco associadas à Abeifa totalizaram 14.899 unidades emplacadas, alta de 53,6% ante as 9.702 unidades.

sábado, 21 de outubro de 2017

FCA INAUGURA PRIMEIRO CENTRO DE SIMULAÇÃO DE DINÂMICA VEICULAR DA AMÉRICA LATINA


A Fiat Chrysler Automobiles (FCA), em parceria com a PUC Minas, inaugurou hoje (18) o SIMCenter, primeiro Centro de Simulação de Dinâmica Veicular da América Latina. Localizado no Campus Coração Eucarístico da PUC Minas, em Belo Horizonte, o SIMCenter oferece o que há de mais avançado na tecnologia mundial de simulação e tem como objetivo gerar inovações e pesquisas com foco na segurança de veículos, pessoas e sistemas viários.

Os investimentos da FCA superaram R$ 18 milhões, resultado da política de incentivo do Inovar-Auto e apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O sistema, primeiro do gênero da FCA no mundo, é formado por uma plataforma que realiza todos os movimentos de um veículo real através de nove atuadores; um cockpit equipado com sistema de áudio que reproduz os sons do motor e as reações dos pneus com o piso; e uma tela curva com ângulo de visão de 230°. Os movimentos do cockpit são integrados às imagens da tela e alinhados com os comandos realizados pelo motorista, guiados em tempo real pelos instrumentos da sala de controle.

Por meio das simulações, é possível definir as características técnicas e funcionais de cada componente do veículo que determinam a sua dinâmica, como os amortecedores, molas, pneus, direção, freios e barras estabilizadoras. Uma vez definidas nas simulações, essas características tornam-se especificações técnicas para a construção de peças físicas que irão compor o veículo. No SIMCenter, é possível avaliar, por exemplo, diferentes geometrias da suspensão em tempo real, num ambiente totalmente controlado, sem ter que ir a uma pista de teste.

Com tecnologia de ponta, o SIMCenter possibilita uma imersão total do motorista com o máximo de realismo da sensação de dirigir. Dentro de um Jeep Renegade ou qualquer outro veículo, o piloto pode ser “teletransportado” para qualquer circuito do mundo, como o campo de provas da FCA em Balocco na Itália, em um dia de neve. Basta configurar essa realidade e pronto! Já é possível ter nos computadores uma variedade de dados do comportamento do veículo e do condutor nesse ambiente.

O grande diferencial é a interação do motorista. Grande parte das simulações é feita em “ambiente offline”, isto é, no computador, sem a presença do piloto real. Já no SIMCenter, o conceito aplicado é do driver-in-the-loop, que permite ao condutor, em tempo real, avaliar o comportamento do veículo à medida que as variáveis são ajustadas.

No SIMCenter, o foco não é apenas a simulação de sistemas automotivos. Por meio dos sinais de telemetria como velocidade, aceleração, ângulo do volante, marcha inserida, torque e potência do motor, além das reações do motorista, é possível realizar uma análise completa do automóvel e do ecossistema onde ele está inserido. Dessa forma, a tecnologia aplicada no Centro permite gerar dados sobre o comportamento dos condutores em diferentes estímulos, como distração por cansaço e efeito de bebidas alcoólicas; interação homem-máquina e ergonomia; infraestrutura viária com avaliação de sinalizações e traçados de rodovias que ainda não foram construídas, sempre em ambiente controlado e seguro.


Criado em um ambiente colaborativo e multidisciplinar, o SIMCenter será utilizado em parceria por profissionais do grupo FCA, alunos e pesquisadores de diferentes disciplinas da PUC Minas, como Engenharia, Arquitetura, Medicina, Psicologia, Ambientes Virtuais, entre outras.

sábado, 7 de outubro de 2017

Vendas mensais de importados voltam a cair em setembro

As dezessete marcas filiadas à Abeifa – Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores, com licenciamento de 21.201 unidades, anotaram nos primeiros nove meses do ano baixa de 22,1% ante igual período de 2016, quando foram vendidas 27.227 unidades.

No comparativo mensal, setembro de 2017 ainda registra queda de 13,6% em relação a igual período de 2016. Foram comercializadas 2.379 unidades contra 2.754 licenciamentos em setembro do ano passado. O desempenho de vendas no mês de setembro também significou queda, de 15,7%, comparado ao mês imediatamente anterior. Foram 2.379 unidades contra 2.821 unidades em agosto último.

“A menos de 90 dias do programa, o fim do Inovar-Auto é um alento para o setor de veículos importados, que poderá vislumbrar a possibilidade de retomar suas vendas. Chegamos ao auge de 199 mil veículos licenciados em 2011, caímos para 35 mil no ano passado e nossa previsão é fechar o ano com 27 mil unidades. Com o fim dos 30 pontos percentuais extras do IPI, o setor projeta recuperação lenta. Podemos chegar a 40 mil unidades em 2018”, explica José Luiz Gandini, presidente da Abeifa.

Gandini voltou a reafirmar que, com o fim do programa Inovar-Auto no dia 31 de dezembro e a instituição do programa Rota 2030 a partir de 1º de janeiro de 2018, os preços de veículos importados não vão cair. “Ao contrário, uma vez habilitadas ao Rota 2030, empresas que não conseguirem cumprir metas a serem estabelecidas pela nova política industrial poderão ter seus produtos com preços majorados”.

Durante o período de vigência do Inovar-Auto – de 3 de outubro de 2012 a 31 de dezembro de 2017 –, no caso da maioria das associadas à Abeifa, as empresas importadoras não comercializaram seus veículos fora cota de 4.800 unidades/ano, o que teria a incidência de 30 pontos percentuais extras no IPI. Assim, o setor não praticou preços com o super IPI, fato que explica a queda consecutiva de vendas, de 199 mil unidades em 2011 para 27 mil unidades este ano.

O presidente da Abeifa esclarece ainda que, com o fim dos 30 pontos percentuais extras no IPI, o setor de veículos importados passa a ter isonomia em relação aos produtos aqui fabricados. “Sem a limitação por cota de até 4.800 unidades/ano e sem os 30 pontos adicionais, as associadas à Abeifa preveem alcançar vendas de 40 mil unidades em 2018, algo em torno de 1,9% se confirmado mercado interno de 2,1 milhões de unidades. Este percentual de participação é bastante salutar à cadeia automotiva brasileira. Além de balizar preços finais ao consumidor, os veículos importados podem e devem contribuir com a atualização de tecnologias, design, lembrando sempre que podemos contribuir com o processo de retomada de utilização de mão de obra”, finaliza Gandini.

Participações – Em setembro último, com 4.060 unidades licenciadas (importados + produção nacional), a participação das associadas à Abeifa foi de 2,10% do mercado total de autos e comerciais leves (193.580 unidades). No acumulado, o market share foi de 2,18% (34.271 unidades, do total de 1.573.878 unidades).

Se for considerado o total de veículos importados, ou seja aqueles trazidos também pelas montadoras, as associadas à Abeifa responderam, em setembro, por 11,94% (2.379 unidades, do total de 19.931 unidades importadas). No acumulado, 12,30% (21.201 unidades, do total de 172.336 veículos importados).

Produção local – Entre as associadas à Abeifa, que também têm produção nacional, BMW, Chery, Land Rover, Mini e Suzuki fecharam o mês de setembro com 1.681 unidades emplacadas, total que representou queda de 13,9% em relação ao mês anterior. Comparado a setembro de 2016, o aumento de 55,1%, quando foram emplacadas 1.084 unidades nacionais. Enquanto, no acumulado, as cinco associadas à Abeifa totalizaram 13.070 unidades emplacadas, alta de 50,8% ante as 8.669 unidades (agora, já com a produção da Jaguar Land Rover).