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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Roberto Nasser - De carro por aí

Coluna 3716 - 09.09.2016 - edita@rnasser.com.br  

Novidades pré Salão
Mercado em queda instiga formas de provocar os consumidores. Vão desde os programas de fidelidade na compra, formulas de financiamento, reformatação dos veículos baixando preço, novidades em produto.

Realização do Salão do Automóvel sempre balizou ocasião para antecipar apresentação de modelos, e neste exercício, combinando mudanças de local para a mostra, e sua data de realização – 10 a 20 de novembro, para coincidir com o GP da Fórmula 1 -, indústrias correm para antecipar novidades.

Quem é quem
Fiat exibirá novo Uno com novos motores 1,0 e 1,3 de três e quatro cilindros, base para os próximos anos. Mudou a frente do automóvel e incrementou o conteúdo para separá-lo do urbano Mobi. Em faze de pré apresentação aos concessionários treinando argumentação para vendas, compara-o diretamente com o GM Ônix, atualmente o mais vendido no país, mas prejudicado em eventual comparação entre motores. O do Fiat, atualizado, inicia um caminho; o do GM, motor da década de ’70, já passou da época de encerrar o ciclo – como se diz no mercado, novo já é Placa Preta, expressão do ramo indicando ter mais de 30 anos. Comparação estática e dinâmica também é feita com o Ford Ka, de motor novo, mas de preço elevado e de menor conteúdo.

Mitsubishi, com novo picape L 200 Triton ao final de setembro. O dito All New Triton é produto novo, de chassis, motor e carroceria – quem entende ? O carro é de origem japonesa, finalizado em Goiás, e a denominação em inglês.

Volkswagen, em processo de construção de fórmulas para conquistar vendas e deixar o incômodo terceiro lugar em vendas, avia novidades em esforço para reduzir preços pelo aplicar motores TSI, de injeção direta, 1,0 e 1,4. Setembro.

Picape Amarok com frente re estilizada, motor V6 3.0 diesel, 220 cv e 55 m-kgf de torque – será a mais poderosa do mercado, e conteúdo implementado, incluindo o Park Assist, adjutório eletrônico para estacionar – mas somente ao Salão. Neste mês, entre 19 e 21 do corrente, Ford exibirá retoques no Fiesta produzido em Camaçari, Ba. Seguindo vertente adotada há alguns anos, elevará os preços. Versões de topo, Titanium, projeta-se arranhando R$ 108 mil.

Fecha a dupla de efetivas novidades ao lado do Mitsubishi Triton, novidade da Jeep, o Compass – já descrito na Coluna 3516. Maior e mais luxuoso ante o Renegade, e a novidade na motorização. Além da versão superior, diesel 2,0, terá motor flex de 2,0, o Tigershark, também importado, atracado a transmissão mecânica ou automática com seis velocidades. Aplicar o motor 2,0 importado da América do Norte sinaliza, tal opção deve chegar ao picape Toro também no Salão do Automóvel. Quem compra estes veículos tem a pretensão de se achar – e aí a exigência de melhores respostas ao acelerador – os dois quilos adicionais em torque em muito auxiliam a complementação da imagem.

Roda-a-Roda
Xing Ling – Porsche Cayenne – o utilitário esportivo grande da premium marca alemã – sairá de fábrica com pneus coreanos, da Nexen Tire. Anuncia estabilidade inigualável. Marca está em marketing agressivo para conquistar fabricantes. Desconhecida no Brasil, última pesquisa de satisfação pela JD Powers mostrou-a em 4o. lugar.

Mais – Matriz Volkswagen comprou 1/6 das ações da norte-americana Navistar, dona da marca de caminhões International e e da fábrica MWM de motores diesel existente no Brasil. Companhia passava por agruras com problemas de emissões de família de motores. Com a participação, VW fornecerá os motores – não se sabe se MAN ou Scania, marcas por ela controladas.

Diferença – Ford iniciou vender o Mustang na Argentina. Automóvel bem formulado, mesclando conceitos mecânicos da Europa e EUA, está em consistente projeto de internacionalização. Custa US$ 95 mil.

Aqui – Operação local baixou a velocidade de planos e providências, e o projeto Mustang está no fim da fila. Possivelmente daqui a dois anos, quando da primeira re estilização.

Situação - Hoje Ford local se dedica a equilibrar preços, lucros e participação no mercado.  Tsumani de pessoas e jeitos. Trocou presidente, inverteu diretores, deu descontos para aumentar vendas.

Mais – Mercedes agregou o GLA, mais festivo da família, como novo produto em sua operação de montagem na fábrica de Iracemápolis, SP. Inova industrialmente ao permitir veículos com tração traseira, como o Classe C, e dianteira, caso do GLA, montados na mesma linha de produção. Ambos lideram nas vendas Premium da marca.

Festa – Mercedes-Benz comemora 65 anos de produção na Argentina. Das instalações nas beiradas de Buenos Aires já saíram mais de meio milhão de veículos. De lá Brasil importa Sprinter e Vito.

Duas Rodas – Harley-Davidson plena em atrações nas famílias Sportster, Softail e CVO. Agregam atualizações em suspensão, cruise control, confortos como alarme, travamento, monitoramento da pressão dos pneus, luzes em LEDs. Mudanças determinadas pelos consumidores, ressalta Flávio Vilaça, gerente de marketing, produto e RP da empresa.

Dúvida – Juiz Renato Borelli da Justiça Federal em Brasília concedeu liminar sustando aplicação de multas a veículos transitando em estradas sem faróis acesos. Entendeu não haver a sinalização adequada, obrigatória por lei.

Mais – Ministério das Cidades – onde, curiosamente, estão pendurados Contran e Denatran -, avisa, recorrerá. Entende, a liminar não considera o bem coletivo e a segurança do trânsito.

E ? – Será? Contribuinte desconfia das medidas ligadas ao trânsito, muitas com inafastável odor de dúvidas. Será para aumentar a segurança do trânsito ou apenas fomentar o faturamento oficial ? País com passado em cintos de segurança sem obrigatoriedade de uso; de estojos de primeiros socorros de uso cancelado; de troca de extintores igualmente sustada após prazo final para compra; de nunca implantada inspeção de segurança veiculos, não navega no mar da credibilidade. Ao contrário. Segurança é conceito incontroverso, mas honestidade do estado com o cidadão, também.

Elétrico – Aderindo a projeto da Universidade Federal de Santa Catarina, para viabilização de ônibus elétrico, fabricante de ônibus Marcopolo diz ter capacidade industrial para produzi-lo. Coletivo tem 37 lugares, ar condicionado, wi-fi, pontos USB e autonomia de 200 km com 4 cargas de 6 minutos.

Soma – Financiamento pelo Ministério da Tecnologia e junção de conhecimentos por empresas interessadas em viabilizá-lo: Eletra, Marcopolo, chassis Mercedes-Benz e WEG.

Nobreza – Contrariando conceito de ver motores como coisas de ferro bruto, FPT está agregando materiais nobres em seus produtos. Aplica DLC – carbono quase tão duro quanto diamante, ligas de titânio e de silício molibdênio. Busca reduzir peso nas massas internas, ganhar melhor operação e durabilidade.

Brinde – Quem comprar seguros para automóveis BMW e Mini, e motos BMW, leva presentinho. Nos automóveis, miniatura 1:18 do veículo segurado. Nas motos, R$ 400 para aquisição de roupas da marca. Seguro inclui vidros e faróis de xênon ou LED, lanternas e retrovisores. É pouco.

Utilidade – Para lembrar: em caso de Perda Total de veículo, a seguradora é obrigada a devolver o saldo entre o valor pago e os dozeavos calculados entre a data do evento de perda e o fim do período segurado.

Cautela - Editora Escala com novo produto na praça: A História Carros. Nada das confiáveis edições sobre modelos nacionais e suas características, mas inexata história do automóvel em fatos e cronologia. Diz, primeiro carro de Henry Ford como sendo a vapor – era a gasolina; Karl Benz e Gottlieb Daimler decidiram juntar as companhias em 1926 – Daimler faleceu em 1900 -, por aí.

Negócio – Quem gosta de Fórmula 1 sabe, não é esporte, mas simplesmente negócio - grande. E o detentor dos poderes de fazer e desfazer, incluir e abduzir provas, é o inglês Bernie Ecclestone, 85, controlador da empresa CVC, dona dos direitos de organização e transmissão dos Grande Prêmios.

$ ? – Cifras e condições em desconhecida exatidão, mas crê-se, o norte americano John Malone, controlador da Liberty Media, teria oferecido US$ 8,5B – uns R$ 26B – pelas ações – ou parte – delas, e o concurso de Ecclestone – por prazo inexato - para administrar e re-desenhar as regras de participação na categoria.

História – Governo de Maurício Macri, na Argentina, irá restaurar o Cadillac cabriolet, de 1955, presente da General Motors ao Tenente General Juan Domingo Peron num dos seus exercícios de Presidente da República. Automóvel integra a frota histórica do Museu da Casa Rosada – o palácio presidencial.Usado em festividades oficiais, em 60 anos rodou apenas 15 mil quilômetros. Frota inclui outro, de 1973. Macri não conseguiu ir à posse neles, daí a decisão de tê-los operacionais.

Experiência – Embaixador argentino no Brasil poderia consultar os mecânicos do Palácio do Planalto, mantenedores de seu Rolls-Royce 1953 Formal Cabriolet sempre em ótimas condições.

Data – 67ª edição do Pebble Beach Concours d’Élegance 2016 será realizada no terceiro domingo de agosto, dia 20. Marcas homenageadas, Isotta Fraschini, Lincoln, em centenário, Dream Cars dos anos ’60. Antes, múltiplos exemplos de colecionismo, capazes de rotular o período como Semana Santa.

GenteParis Pavlou, australiano, 45, engenheiro mecânico e de manufatura, promoção. OOOO Novo presidente da GM para Argentina, Uruguai e Paraguai. OOOO Substitui Carlos Zarlenga, mandado à presidência da operação brasileira. OOOO Está na antiga corporação há 22 anos, os últimos na GM em São Paulo, na área de compras. OOOO


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Roberto Nasser - De carro por aí

edita@rnasser.com.br - 61.3225.5511 Coluna 3713  11.09.2013


Alemanha, Salão, futuro elétrico
O IAA, abreviatura em alemão, salão de automóveis com amplitude international, bi anual, em Frankfurt, e 65ª edição, cruza referências: menor venda de espaços nos últimos anos; maior distribuição de credenciais: no dia da imprensa haviam mais não jornalistas; e, se não deu o tom definitivo, mostrou o caminho, aparentemente mais prático e incontestado, a ser tomado pela indústria automotiva nos próximos anos: tração elétrica por conjugação híbrida, ou exclusiva e do tipo Plug In – reabastecimento na parede.Presença contida de expositores está no fato de a indústria de automóveis na Europa vir em retração de vendas, ainda consequente à crise do Sub Prime e pela irresponsável falta de controle pelo governo estadunidense sobre o sistema de hipotecas e financiamentos. Os EUA começaram a se recuperar, mas a Europa, exceto as poderosas alemãs Audi, BMW, Mercedes, mostra queda de vendas incluindo a GM Opel, redução de mercado, porte, fechamento de fábricas. Martin Winterkorn, CEO da VW, disse, atrevidamente, que a Europa pode fechar 10 fábricas de automóveis, pela redução de vendas em 3,5M desde 2007.

Esta condição talvez explique os espaços aparentemente maiores que as necessidades dos expositores e sua mistura – Mitsubushi e Jaguar cercados de empresas de auto peças, por exemplo. De chineses, apenas a Changan. Área, limpa, hígida, meros quatro veículos, instigando críticas, em especial o C 5, de maior expressão. Todos safadas cópias de outros. Dito C5 do Range Rover Evoque. E C 5 é veículo Citroën.

No definir-se pelos elétricos, a Volkswagen bancou larga aplicação, desde os híbridos – anuncia produzirá o recordista XL1, mais de 100 km com um litro de diesel – até os puramente elétricos com vocação urbana, como um furgãozinho sobre o recém apresentado UP!, idem Golf 7.
Para mostrar-se comprometida ao tema, referenciou seu Audi e.Tron, vencedor nas24 Horas de Le Mans, e mostrou sedã Porsche Panamera e SUV Cayenne em versão híbrida.

Não deixa ser curioso a Volkswagen, grupo de 10 marcas perseguindo com solidez a liderança mundial para 2018, invista em desenvolvimento de carros elétricos. À Alemanha falta esta etérea commodity. Sem orografia variada para ter geração hidroelétrica, o faz por usinas atômicas, geradores a petróleo e eólicos. Mas parece momento atrelado ao futuro, e o articulado discurso do CEO Winterkorn fala de compromissos, sobrevivência, mudança de interesse dos jovens a outros bens, e bem define o atual patamar ao dizer que oferecer o carro elétrico não deve ser uma renúncia sobre rodas, mas um caminho atual.



 E nós ?
Apesar da distância há novos produtos com previsível reflexo no mercado nacional. Por exemplo, carros elétricos, como o e.Golf e o e.UP!. A Volkswagen te-los-á no Brasil caso aceito pedido da Anfavea, associação dos fabricantes, ao Ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e do Comércio, de isenção de impostos para veículos ou partes de tração elétrica. Casco e chassi rolante prontos, basta importar motor, câmbio e eletrônica e promover o casamento local, criando produto e desenvolvendo tecnologia.
Se este é um bonde mundial, o Brasil, mesmo sem consciência do peso que pode representar, não pode deixar passar, enquanto discute a quadratura do círculo ou o sexo dos anjos.

Do grupo VW, aos brasileiros chamou atenções o anúncio de lançamento do Audi A3 Cabriolet, cópia integral da peça de apresentação local do Citroën AirCross.

Produção por tração acadêmica de motor endotérmico, Philipp Schiemer, novo presidente da Mercedes-Benz no Brasil, superou dúvidas e encaminha o fazer da nova família A, anunciada em exclusividade mundial pela Coluna. Degrau de entrada, abaixo da Série C, tração dianteira, sedã CLA e SUV/Crossover GLA, lançado em Frankfurt. Em entrevista sobre local da nova fábrica, cortou Paraná, focando São Paulo e Santa Catarina. Produção em 2015.

De produto, Mercedes E 500 Híbrido, apto a uso como carro de representação, em circuitos urbanos, e usufruir de maior autonomia pelo sistema híbrido.

Mais
Especulações não confirmadas sobre a Renault produzir o pequeno SUV Captur – de importação suspensa há dias por elevação dos custos pela valorização do dólar. De certo, mudará a frente do Fluence, dando-lhe cara da marca, dissimulando a origem da coreana Samsung.Com possibilidades, o Sportsvan, misto de crossover + utilitário esportivo + perua construído pela VW sobre o novo Golf 7, factível para o Brasil, produzindo sua base.Curioso observar, a ascensão do Brasil no cenário mundial, rentável como produção e consumo, não mudou a imagem do país. Aos envolvidos com a indústria continua sendo Rio de Janeiro, carnaval, futebol, aventura tropical. Executivos da BMW e da Audi, perguntados sobre produção das marcas no país – confirmadas para Santa Catarina e Paraná -, fazem cara de paisagem ante o assunto. De produto, então, de lâmpada fitando a paisagem.

Em paralelo
Nem elétricos, nem produção local, alguns importados trarão reflexos ao mercado interno. Ford, inicialmente, versões chamadas Vignale, no mercado de produtos Premium, tentada pela Lincoln, marca de topo, sem êxito. Invisível linha separa rótulos de Luxo e Premium. Sua área jurídica exumou a marca Vignale, recebida ao comprar a De Tomaso, sua detentora. Agora, aplicará o sobrenome do famoso carrozziere turinês, para versões superiores, como o faz a popular Citroën com seus DS sobre os modelos 3 e 5. O primeiro a ter versão refinada será o Fusion.

Novos Audi e Peugeot 308, lançados em Frankfurt, este diferente do produzido no Mercosul, mostram crise de identificação. A frente dos Audi, por Walter De Silva com nítida inspiração nos Alfa, para quem desenhou 145, 146, 147, 156 e 166, ficou tão impregnada em proporções e grade alfísticas, que o carro muda mas sugere alguma coisa antiga. Peugeot, caminho inverso. O novo 308 cortou a fórmula anterior, grande tomada de ar frontal e faróis integrados – bocão e olhões às linhas do estilo. Adotou grade horizontal cromada, coquetel de Mercedes, Ssangyong, Hyundai, Infinity ... Mudou o frontal, perdeu identidade. O 308 não tem cara Peugeot ...


De fora
Algumas novidades serão importadas, apesar do elitismo dos preços elevados pelos impostos altos. Mas sempre existirão interessados nos novos Mercedes S Coupé, elegante cupezão sobre a comprida plataforma do maior sedã.





Ou nos Porsche 911/50, edição de formas limpas e autênticas, com tentativa visual do 911 inicial, mítico automóvel a festejar meio século.




Também, que algum brasileiro, de lastro antigo ou enriquecimento recente se encante com o Porsche 918, considerado pela marca o início do caminho do esportivo híbrido. Somando motores a gasolina e elétrico, gera 887 cv, acelera de 0 a 100 km/h em estupefantes 2,8s, e consome entre 30 e 33 km/litro.


A
udi exibiu veículo a caminho de produção, o Nanuk. Nada a ver com a cidade mineira, mas indicando Urso em esquimó. É esquisito como um urso em Nanuque, quatro por quatro de plataforma Porsche Cayenne/VW Touareg/Audi Q7, vestida por carroceria esportiva descombinando linhas e a elevada altura do solo. Nos anos ’60 as inglesas Jensen – carros, e Ferguson – tratores e tração, criaram o Jensen FF, esportivo com tração total. Dito ironicamente esportivo utilitário, atolou pelo caminho.

Assim,
Considere mais o espírito que os tropeços. O IAA 2013 ficará marcado pelo caminho da eletricidade como factível para o início do re encontro do automóvel com os consumidores e suas demandas pelo respeito ao meio ambiente. Nestes tempos eleitorais pergunte-se porque o Brasil, de imensurável potencial de geração – hidráulica, eólica, mares, carvão, turfa, biomassa -, não se liga nos elétricos como parte da matriz energética. Talvez o tempo de planejamento seja gasto para explicar os inexplicáveis apagões.