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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

TARCÍSIO DIAS em Mecânica Online

Sistema híbrido flex faz estreia mundial no Brasil

O inédito sistema híbrido que combina três motores, dois elétricos e um a combustão com tecnologia flex e transmissão hybrid transaxle é o primeiro híbrido flex do mundo, novidade apresentada pela Toyota no lançamento da 12ª geração do Corolla no mercado brasileiro.

O sistema híbrido combina um motor a gasolina de 1.8L VVT-i 16V de ciclo Atkinson flex, com 101 cv de potência a 5.200 giros quando abastecido com etanol, e 98 cv também a 5.200 rpm, quando abastecido com gasolina, e 14,5 kgfm de torque a 3.600 rpm (abastecido com etanol ou gasolina).

Esse motor funciona em conjunto com dois motores elétricos (MG1 e MG2) de 72 cv de potência e 16,6 kgfm de torque, garantindo aceleração suave e excelente conforto ao rodar em qualquer tipo de condução.
A bateria híbrida de níquel-hidreto metálico, responsável por alimentar o motor elétrico do Corolla, está localizada embaixo do banco traseiro, contribuindo para a redução do centro de gravidade e aprimorando a estabilidade na condução do veículo.

A transmissão Hybrid Transaxle funciona através de planetária com engrenagem, praticamente eliminando perdas e atritos. Este tipo de transmissão entrega uma aceleração mais linear, que reduz ou aumenta continuamente as marchas de acordo com a demanda do motor, sem desperdiçar energia, contribuindo para a eficiência de combustível.

O Novo Corolla possui sistema de freios regenerativos, que acumula a energia cinética gerada pelas frenagens e a transforma em energia elétrica, alimentando a bateria híbrida. Isso garante maior autonomia ao modelo no modo elétrico, também contribuindo para economia de combustível.

Sobre esse tema, segundo o INMETRO, o Corolla híbrido é capaz de rodar 14,5 km/l na estrada e 16,3 km/l na cidade quando abastecido com gasolina. Com etanol, o modelo roda 9,9 km/l na estrada e 10,9 km/l na cidade. Além disso, ele é o carro movido a etanol mais eficiente do Brasil com 1,38 MJ/km.

No que se refere à suspensão, todas as versões do Novo Corolla 2020 incorporam uma suspensão dianteira independente tipo McPherson com molas helicoidais e barra estabilizadora. A posição da suspensão foi otimizada para obter uma resposta linear da direção ao dirigir em velocidades médias ou altas.
A nova suspensão traseira é independente, double-wishbone, com molas
helicoidais e barra estabilizadora. Desenvolvida para oferecer excelente estabilidade e maior conforto de condução.

Além do Mercosul, o Corolla produzido em Indaiatuba seguirá para o Chile, Colômbia, Peru e Bolívia. Seu preço de lançamento na versão Altis é de R$ 124.990.

O cliente terá seu primeiro contato com o Novo Corolla no próximo dia 12 de outubro, quando acontece o
Vip Day, ação nacional nas concessionárias da marca que também vai lançar o Toyota Mobility Service, TMS, serviço que vai funcionar por meio de aplicativo onde o interessado terá a disposição toda a linha da marca para aluguel, que pode ocorrer em prazo máximo de 90 dias.

Inicialmente serão 10 concessionários participando do projeto piloto, que contemplará a capital paulista, o interior do Estado de São Paulo, Salvador, Brasília, Distrito Federal e Porto Alegre.

Mecânica Online
AEA - Besaliel Soares Botelho, CEO da Robert Bosch Latin America, é o novo presidente da AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, para a continuidade do biênio 2019/2020, em substituição a Flavio Henrique Sakai. Na vice-presidência permanece Edson Orikassa (Toyota).

Novo veículo - O Grupo CAOA produzirá um automóvel de uma nova marca no Brasil. A empresa comandada pelo empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade já produz modelos Hyundai e CAOA Chery em Anápolis (GO) e Jacareí (SP). O novo veículo e marca serão conhecidos em cerca de 45 dias, prazo em que também deverá estar concluída a compra pela montadora brasileira da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) da Ford, onde o novo produto será fabricado.

Elétrico - O MINI Cooper SE, o primeiro modelo puramente elétrico concebido pela fabricante britânica, já tem data para sair da linha de produção: novembro deste ano. Com design baseado no MINI Hatch de 3 portas e equipado com um motor elétrico capaz de entregar 184 cv de potência e 270 Nm de torque instantâneos, o inédito MINI Cooper SE será produzido na lendária fábrica de Oxford, no Reino Unido, a casa da MINI.

Segurança experimental Mercedes-Benz - Sistemas de acionamento elétrico e direção totalmente automatizada são as principais tecnologias para a mobilidade do futuro. Isso leva a mudanças nos requisitos da tecnologia de segurança para automóveis: em primeiro lugar, posições de assento muito mais flexíveis no interior desses veículos exigem uma forma diferente de proteção dos ocupantes.

GNV - Demonstração entre Scania, Citrosuco e Morada do Sol comprovam viabilidade no custo do transporte do caminhão movido a GNV. Modelo de 410 cavalos faz rota de 800 km desde dezembro; resultados comprovam uma redução de 15% na comparação com o diesel nas características desta aplicação. O veículo rodou apenas com gás natural, e nesta aplicação, em relação a um modelo diesel, houve uma diminuição de 15% no custo do km rodado proveniente da redução do combustível, comprovando a viabilidade do transporte.

PERFIL
Tarcisio Dias – Profissional e Técnico em Mecânica, além de Engenheiro Mecatrônico e Radialista, é gerente de conteúdo do Portal Mecânica Online® (www.mecanicaonline.com.br) e desenvolve a Coleção AutoMecânica.

Gerente de conteúdo do Mecânica Online®, Tarcisio Dias é responsável também pela área de cursos e CDs interativos. Possui formação em engenharia Mecânica com habilitação em Mecatrônica pela Universidade de Pernambuco, formação técnica em mecânica pela Escola Técnica Federal de Pernambuco (CEFET/PE) e profissional em Mecânica Automotiva de Motores Diesel no Centro de Formação Profissional de Jaboatão dos Guararapes – RFFSA acordo SENAI. Também possui formação como Radialista – Locutor/entrevistador.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Coluna do FERNANDO CALMON


Alta Roda nº 1050/350– 20/06/2019

Fernando Calmon

Exportar é fundamental
Apesar de todos os fatores de desestímulo, a indústria de veículos instalada no Brasil, incluindo veículos leves e pesados, tem programado investimentos de aproximadamente R$ 50 bilhões no período 2016-2024, segundo levantamento da Automotive Business. Isso, por si, não garante que todo esse capital será mesmo despendido. O mercado interno vem se recuperando mês a mês, porém as exportações vão cair este ano, um dado preocupante.

O impacto da queda de vendas à Argentina agravou o quadro. Basta lembrar que em 2005 fabricantes nacionais exportaram quase 900.000 unidades, cerca de 40% da produção daquele ano. Em 2019 o País venderá ao exterior pouco mais de 500.000 veículos, algo em torno de apenas 16% da produção. Situação insustentável porque haverá necessidade de aumentar importações de componentes caros nos próximos anos, sem o contrabalanço de faturamento externo. 

No Fórum Estadão Think, da semana passada, surgiu ideia de melhorar, em curto prazo, o volume de exportações em mais 1 milhão de unidades anuais. Seria por meio de aumento do porcentual de reembolso do programa Reintegra, criado pelo Governo Federal para compensar impostos embutidos nos veículos vendidos ao exterior. Sim, o Brasil exporta impostos, algo surreal. Hoje o Reintegra é de apenas 0,1% e há proposta de aumentar para 10%.

O problema está no orçamento deficitário do governo. Entretanto, estudo preliminar da consultoria AT Kearney estima 120.000 novos empregos para 1 milhão a mais de veículos. A geração indireta de impostos e encargos compensaria a aparente perda de receita fiscal. Nada fácil de convencer o Ministério da Economia. Porém, houve aceno do superintendente da Receita Federal, presente no evento, para estudar o assunto com foco apenas no volume adicional a exportar. Não resolve, porém, o reembolso do imposto estadual previsto em lei e não cumprido. 

No mesmo dia do fórum, a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva organizou o Simpósio de Eficiência Energética e Emissões. O mundo está às voltas com um dilema: a demanda de energia crescerá 30% até 2040 e só depois desta década o petróleo dará sinais de recuo. Até lá, emissões de CO2 terão de ser reduzidas pelo Acordo Mundial do Clima. Se o cálculo for feito “do poço à roda” (da produção primária ao que sai pelo escapamento dos veículos), ficará ainda mais difícil fechar a conta. 

O Brasil está bem nesse cenário graças aos biocombustíveis: etanol (principalmente) e biodiesel. A meta de emissões de 91 g/km de CO2 para veículos leves é rigorosa, mas deve ser atendida. Haverá aumento da produção de etanol para 49 bilhões de litros, quase o dobro do nível atual. E com o programa RenovaBio poderemos vender créditos de carbono para outros países, em especial europeus. 

No mesmo seminário foi apresentada a próxima especificação da gasolina. Entre outras mudanças, finalmente se adotará a octanagem RON, de maior difusão no mundo, e manutenção de 27% de etanol. Dessa forma haverá maior transparência no processo de produção. Além disso, a referência RON é mais significativa para motores modernos, inclusive os que utilizam turbocompressores.

ALTA RODA

VOLKSWAGEN ainda não confirma, mas picape Tarok (concorrente da Toro) será produzida mesmo em General Pacheco, Argentina. Dividirá instalações com SUV Tarek (maior que T-Cross, menor que Tiguan). Ambos os projetos, no entanto, devem atrasar em razão da situação econômica do país vizinho. Início de produção do Tarek: 1º de janeiro de 2021. Picape fica para um ano depois. 

SEGUNDA geração do Range Rover Evoque estreia na versão topo de linha: R$ 312.900. Sem mudanças radicais no estilo, tem entre-eixos 2,1 cm maior, mas externamente não aumentou. Dos recursos eletrônicos destaca-se o "capô transparente", na verdade um conjunto de câmeras que forma imagem do solo e a transfere para a tela do console central. Útil em terrenos difíceis e vagas apertadas. 

MATERIAIS de acabamento, equipamento e espaço interno são pontos fortes do SUV grande JAC T80, para sete passageiros. Há seis saídas de ar no painel, mas multimídia não aceita pareamento Android Auto/Car Play. Suspensão e câmbio estão bem acertados, mas, sem injeção direta, o motor turbo tem consumo relativamente alto. Falta regulagem de distância do volante. 

CITROËN comemora centenário com edição especial Origins 100, de 550 unidades, distribuídas entre C3, Aircross, C4 Lounge e C4 Cactus. Evento em São Paulo deu chance de dar uma voltinha ao volante de um Citroën 11 B Normale, 1956. Carro de colecionador muito bem conservado, fácil de conduzir e com características quase intactas de boa relação conforto-estabilidade. 

JOINVILLE (SC) conseguiu melhorar o trânsito por meio de uma rotatória, especialmente construída, que teve origem na análise de dados armazenados em nuvem do aplicativo de rotas Waze. É possível estudar pontos críticos de congestionamentos e implantar obras dentro de custos razoáveis. Atualmente, 70 cidades brasileiras estão aptas a usar a ferramenta. 


PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmo fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2


quinta-feira, 13 de junho de 2019

Coluna do FERNANDO CALMON

Alta Roda nº 1049/349– 13/06/2019

Fernando Calmon
Intervencionismo atrapalha
Governos, com certa frequência, mais prejudicam do que ajudam em assuntos envolvendo a indústria automobilística, por si só bastante complexa por sua extensa cadeia produtiva e os próprios riscos do negócio. Há exemplos agora na França – fusão FCA-Renault – e no Brasil – mudanças no Código de Trânsito.

O bem articulado plano de fusão dos grupos ítalo-americano e francês esbarrou em exigências nada racionais do governo francês, como previsto nessa Coluna. FCA simplesmente retirou sua oferta e deixou os políticos falando sozinhos, após exigências descabidas como manter a sede na França ou garantia absoluta de empregos. Nissan, por sua vez, defendeu maior influência sobre decisões dentro da aliança de duas décadas com a Renault. 

A posição brusca da FCA não significa que tudo terminou. O governo da França baixou o tom. Admite diminuir de 15% para 7,5% sua participação (com poder de veto) na Renault e também acena para um papel maior da Nissan que se diz prejudicada por ser, ultimamente, maior que a Renault em produção e resultados. O imbróglio não está fácil de resolver. O negócio ainda pode sair, sem se tornar uma novela por meses. 

Aqui, mudanças por projeto de lei do Código de Trânsito Brasileiro provocam muita polêmica. Quem decidirá é o Congresso, sem prazo. Ninguém desconhece a importância dos banquinhos infantis para segurança das crianças. O Governo Federal sugere trocar a multa por advertência escrita, porém os pontos continuariam a ser lançados no prontuário do motorista. Essa advertência, se bem redigida e com fotos de teste de colisão para maior dramaticidade, tem grande efeito educativo. No entanto, deveria valer, quando muito, apenas para a primeira infração. Mesmo a multa deveria vir acompanhada da advertência. 

Hoje, táxis, veículos escolares e carros de aplicativos registrados (considerados de aluguel) não são multados na ausência de dispositivos de retenção. Em outros países isso também levou a grandes discussões. A fiscalização enfrenta percalços por envolver a idade das crianças e até certidões de nascimento. 

Quanto ao aumento de 20 para 40 pontos na apreensão da carteira, o meio-termo talvez fosse ideal: 30 pontos. Recentemente, o tempo mínimo de suspensão foi aumentado de um mês para seis meses. Então não parece descabido elevar o limite de pontos, já que também o valor das multas sofreu forte correção. É pouco válida a comparação entre países sem saber o critério utilizado de graduação de pontos. O sistema alemão parece racional ao estabelecer advertência por escrito, quando a pontuação do motorista está próxima ao limite. 

Essa discussão estéril sobre “indústria da multa” parece ignorar que a arrecadação é tão elevada que já faz parte do orçamento de muitas prefeituras. Há quem defenda fiscalizar a fiscalização para evitar abusos, argumento risível. 

Em um ponto, porém, o governo acertou: faróis acesos de dia só em rodovias de pista dupla, se aprovado pelos congressistas. Mesmo neste caso é um equívoco, com mais desvantagens do que vantagens. Os Estados Unidos têm a maior frota do mundo e lá nunca foi obrigatório, depois de vários estudos. O correto, como previsto agora, são luzes de uso diurno (DLR, em inglês) e um prazo de instalação nas fábricas. Aumentar a validade da CNH de cinco para dez anos também é adequado.
ALTA RODA

ANFAVEA revisará para baixo sua previsão de exportações (em razão da forte queda de vendas na Argentina), o que também atingirá a produção em 2019. Fabricantes cortaram vagas ou deram férias, mas o crescimento do mercado interno continua firme: 12,5%. Isso ainda garantirá números de produção maiores em relação a 2018. 

QUEM ainda duvidava do acerto do programa Rota 2030, melhor ficar mudo. Já se habilitaram 32 empresas entre fabricantes de veículos e de autopeças. Agrale, PSA e VW foram as primeiras, ainda em dezembro de 2018. FCA, GM e Renault mais recentemente. Todas investirão aqui em pesquisa e desenvolvimento. Nenhuma marca oriental aderiu até o momento. 

JETTA GLI com mesmo motor do Volkswagen Golf GTI, 230 cv/35,7 kgfm, foi lançado agora por R$ 144.490. O mexicano tem preço inferior ao hatch produzido no Paraná; surpreende por também ser fracionalmente mais rápido e veloz, apesar de maior massa. Trata-se de um sedã muito prazeroso de dirigir, com ótimo porta-malas (510 litros) e bem equipado. 

DEPOIS de pequenos ajustes de preço, o Honda WR-V tornou-se razoavelmente competitivo. Derivação aventureira mais extensa do Fit, ele se destaca pela suspensão robusta e reações previsíveis mesmo com altura de rodagem maior. Estilo na parte traseira é algo exagerado. O câmbio CVT precisa ser usado na posição “S” frequentemente para diminuir a letargia de respostas. 

ASSOCIAÇÃO Brasileira de Engenharia Automotiva (sigla AEA) acaba de completar 35 anos. Por meio de seminários e premiações (este ano organizou a 13ª edição dedicada ao meio ambiente), colaborou para vários avanços tecnológicos do País. É mantida por 81 empresas, instituições governamentais e universidades, sempre em equilíbrio. 

PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Coluna do Fernando Calmon - Fascínio da mobilidade

Alta Roda nº 1005/355 – 09/08/2018
Fernando Calmon
Discutir o futuro nunca foi tão fascinante como nos tempos atuais. E a indústria automobilística faz parte ao ter sob sua responsabilidade produzir os meios de mobilidade terrestre. Tudo passa por longas discussões e apostas cautelosas ou até radicais. O 26º Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva (Simea), organizado pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), semana passada em São Paulo, destacou muitas facetas e soluções. 


Sobre carro elétrico, espera-se um grande fosso entre o que pode acontecer no Hemisfério Norte e no Hemisfério Sul. O Brasil e países de renda média e baixa terão enormes dificuldades para avançar. Aqui, a frota de elétricos a bateria é estimada em cerca de 300 unidades. Em 2016, a China emplacou 350.000 elétricos e híbridos ou 1,4% das vendas totais de 25 milhões de unidades. Já na Noruega os 25.000 elétricos e híbridos comercializados representaram 25% do total. Na Alemanha, França e Japão os alternativos atingiram 1% das vendas. Portanto, não existe ainda cenário claro. Mesmo países ricos deverão eletrificar-se em ritmo heterogêneo. 

No entanto, motores a combustão interna ainda receberão várias melhorias em especial com ajuda de assistência elétrica. E também poderão atuar apenas como gerador para carregar baterias mais baratas e aumentar a autonomia. O potencial dessas aplicações mistas é bem razoável, sem contar novos ciclos de combustão (Mazda) ou motores com taxa de compressão variável (Nissan). 

Luciano Driemeier, da Ford, chamou a atenção para o caminho dos veículos autônomos. Ao mesmo tempo em que as pessoas se estressarão menos e usarão melhor o seu tempo em deslocamentos, em países como o nosso as preocupações decorrentes da violência urbana devem ser levadas em conta. Também fazem parte das incertezas as mudanças de legislação e os dilemas éticos em caso de acidentes (matar ou morrer?). Porém, a tecnologia avançará tanto que, tudo indica, nunca se chegaria a uma situação na qual a colisão é a única opção. Em teoria, possível. 

O engenheiro admite que custos muito altos ainda precisam baixar, sem contar investimentos em infraestrutura e os de interação total veículo-veículo, além destes com as vias. Deu exemplo do Lidar, espécie de radar que usa raios laser para detecção e distância com altíssima precisão. No início custava US$ 70.000. Em 2016 já havia abaixado para US$ 250 e pode chegar a apenas US$ 90, além da rápida miniaturização. 

Especificamente sobre carros autônomos no Brasil, ele traça um primeiro cenário otimista de cinco anos para as primeiras aplicações práticas. Mas não descarta que esse prazo se estenda por até 20 anos. “As pessoas estão abertas para a ideia de possuir um produto autônomo. Aqui até acima da média mundial, à frente de países que receberão a tecnologia primeiro”, acrescentou. 

Na opinião desta Coluna, só após se saber o preço efetivo do “carro à prova de acidente”, algo ainda meio escondido pela indústria, poderiam-se fazer previsões mais acuradas de aceitação no mercado. 

Leimar Mafort, da Bosch, acredita na alta redundância de sistemas e assim se conseguiriam evitar falhas. Desastres envolvendo veículos que dispensam o motorista tenderiam a zero. 

ALTA RODA 

VENDAS no mercado interno voltaram, no mês passado, ao mesmo bom ritmo de antes da greve dos caminhoneiros: em torno de 10.000 unidades/dia. No acumulado do ano estão 15% superiores a 2017. Estoque total em julho diminuiu para 34 dias contra 36 em junho. Forte queda de exportações para Argentina e México fez produção recuar 4% no mês, mas se mantém 13% acima no ano. 

ANFAVEA espera resultados bons este mês na comercialização interna. Mas como o segundo semestre do ano passado foi de recuperação muito forte, trará efeitos estatísticos nos números comparativos de 2018. A entidade mantém sua previsão do início do ano de crescer 11,7% para 2,5 milhões de unidades. Recorde anual é de 2012: 3,8 milhões de veículos. 

GOLF GTI é caro, mas deixa o motorista apreciador do prazer de dirigir realmente sem palavras. Muito difícil achar pontos fracos, apesar de puristas preferirem o inexistente, no Brasil, câmbio manual. Conjunto transborda alto desempenho e sensações sonoras e de solidez, sem deixar de lado conforto e itens de segurança. Pena que hatches médios, como este, estejam em declínio. 

FALECIMENTO aos 66 anos de Sergio Marchionne, presidente da FCA, não foi o primeiro de um alto executivo da indústria automobilística em atuação. Heinrich Nordhoff, que construiu a Volkswagen a partir de ruínas da II Guerra Mundial, comandou a empresa de 1948 a 1968. Faleceu pouco meses antes de se aposentar, com sucessor já escolhido, aos 69 anos. 

PROJETO em tramitação no Congresso Nacional cria carteira de habilitação específica para quem utiliza apenas veículos com câmbio automático. O interessado não poderia dirigir com câmbio manual. Há temor de formar maus motoristas, porém isso depende mais de bom treinamento e disciplina. Observar regras de trânsito independe do tipo de câmbio usado. 

PERFIL

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Roberto Nasser - De carro por aí


Coluna 5117 -22.12.2017 - edita@rnasser.com.br

Volkswagen define o futuro
Razões desconhecidas, talvez a liderança no mercado doméstico local, talvez o fato de o novo Presidente Pablo Di Si ser argentino, levaram a Volkswagen a anunciar seus projetos brasileiros no vizinho país. Atrelado à performance do Brasil, seu maior cliente, este ano, em crescimento, arranhará 900 mil unidades – pouco mais de um terço das vendas no Brasil.

Anúncio foi feito durante a festa de fim de ano da empresa, quando o executivo maior para o hemisfério sul e ex da empresa argentina, exibiu imagens num painel em inglês – explicou ter sido o mesmo empregado para defende-los junto aos superiores da Alemanha -, e contou projetos de produtos a 400 executivos, concessionários da marca e fornecedores. Injeção de entusiasmo, entre exibição de produtos com dados físicos, e promessas de configuração imprecisa, porém importante para motivar rede e fornecedores.

Em resumo
Pretensão de Di Si, disse-me em almoço semana passada, é recuperar a liderança de vendas e participação de mercado no Brasil. Aparentemente intenta somá-lo com o da Argentina e a recente e agressiva penetração nos demais países continentais para conseguir solidificar sua posição, disputando a liderança.

No geral anunciou, a marca terá 18 produtos novos e releituras até 2020.

Por tamanho, o que vem por aí:

Brasil
Mercado maior, lidera a lista das 11 novidades informadas. Por tamanho serão:
Up! – Versões, evoluções, como a mudança estética frontal criando espaço para receber outro radiador para o turbo maior da evolução do motor 1,0 TSI.

Taigun – Nome não será este, de protótipo apresentado em Salão do Automóvel e para ser construído sobre plataforma do up!. Mas a certeza dos prejuízos causados por ausência ao setor, e a disposição Renault, célere, constante e consistente em sua ascensão no mercado no qual participa com quatro SUVs, incluindo e assim chamado Kwid, acicatou a VW a fazer – ou cometer – concorrente. Não o classifica utilitário esportivo, mas rótulo aparentemente criado pelo cinquentenário ectoplasma do diplomata e escritor Guimarães Rosa. Chama-o Crossover Utility Vehicle, e o trata pelas iniciais CUV – que sigla Alah! Crê-se faze-lo sobre o up!, de plataforma mais adequada e barata ante as multi dimensões MQB e variações.

Gol – Tema em dois atos. Primeiro, versão dita AQ – Adeus, querido? – extensiva ao Voyage, preparatória para substituição. Bom sítio argentino Autoblog especula sobre uso da caixa automática Tiptronic.  Ato de coragem.
Questão – Dificuldade com o Gol é o fato de ter sido o mais vendido do país – hoje anda na 4ª posição, exigindo substituição -, e para conter custos simplificou a plataforma, chamando-a MQB-A00. A00 indica o sucessor do Gol.

Desafio – Criado no Brasil por brasileiros, Gol Sucessor, como chamado, sequer tem a garantia de empregar a mesma denominação. Mantém o velho parâmetro de ter comprimento igual ao do Fusquinha, 4m, e o trabalho foi para oferecer mais habitabilidade e porta malas, duas carências.

Fox – Passeando a ainda segura distância da beira do telhado, tem inexorável atração pelo vazio, para lá se encaminha. Terá versões Connect e Xtreme, de óbvio conteúdo buscando tecnologia e info diversão, e sugestão de valentia.

Polo – Com seu meio irmão de três volumes terão versões GTS – decoração sugerindo esportividade.

Saveiro – Outro carro, sobre moderna plataforma do Virtus para ser maior, concorrente do Fiat Toro e do Renault Oroch, mirando a morfologia de 4 portas.
T-Cross – Utilitário esportivo – veja abaixo

Golf – Boa notícia, não sairá de produção, como insistentemente comentado pela discrepância entre conteúdo e vendas. Internamente referido como PA, e referência maior será trato estético.

Argentina
Tarek – Designação como projeto do Tharu, compacto utilitário esportivo do segmento C. Volkswagen corre atrás do lucro após omitir-se por mais de década sem participar deste segmento, o de maior expansão. Investirá US$ 650M para adequar a fábrica de Pacheco para faze-lo no espaço industrial hoje utilizado pelo CrossFox, lá chamado Suran. Novidade do Tharu será a plataforma, informada como sendo a MQB-A, mesma do Golf VII, e não sua evolução MQB A0 aqui aplicada ao Polo, Virtus, e ao futuro picape médio. 2019. 

Amarok – Não sofrerá mudanças, como os concorrentes. Apenas ênfase no uso do motor V6, atualização tecnológica em info diversão e conforto, com ênfase em característica pouco explorada – ter o rodar mais próximo de automóvel.

T-Cross está pronto
A Volkswagen não tomou cautelas maiores para o teste de inverno – no Hemisfério Norte -, e foi-se à Lapônia com o T-Cross para últimas validações de engenharia e reações sob temperaturas externas extremamente baixas. O sítio inglês Carbuyer registrou e divulgou.

No mercado será mais um dos utilitários esportivos VW, e no caso uma variação da nova família Polo e Virtus, com lançamento previsto para o próximo ano. Estilo conhecido, com rasgos de liberdade, alguma escola de design permitindo ser chamada Sóbria Faceira. Foto exibe rodas em aço, faróis de halogênio, mas a crença é ter versões elevadas com mais acessórios, tipo rodas em liga leve e luzes em LEDs. Em motorização deve empregar os coringas da marca, 1,0 três cilindros, com turbo, e 1,6 quatro cilindros, aspirado.

Roda-a-Roda
Caminho ? – Fábricas japonesas de motocicleta evoluíram para a produção de automóveis – com estrelismo para Honda e Suzuki. Yamaha não se aventurou, apesar de, há duas décadas ter revolucionado ao desenvolver novos motores em alumínio e ligas leves para a Ford.

Será ? – Empresa anunciou picape tipo carro de sonho. Chama-o Cross Hub Concept, e é curiosa evolução dos representantes no setor: duas portas, cabine suavemente estendida, quatro lugares, santantônio incorporado à caçamba, facilidade de uso. Não teve indicativo industrial, mas parece balão de ensaio. 

Revisto – Jeep apresentou imagens do Cherokee 2018, com mudanças estéticas na frente, traseira, para choques e de motorização. Dedicar-se-á enfrentar o novo VW Tiguan 7 passageiros. Dados maiores no Salão de Detroit, janeiro.

Garantia – Quase 40 dias de antecedência, VW convida ao lançamento do Virtus, sedã inspirado no novo Polo. Ante a quantidade de marcas e novidades a apresentar, ultimamente se sobrepondo e arrasando agendas dos jornalistas, resolveu se antecipar, marcando espaço, evitando atropelamentos.

Curiosidades – JAC Motors distribuiu comunicado de imprensa basicamente repetindo as informações oferecidas pela Coluna com anterioridade sobre montagem em Goiás. Mas, curiosamente, não indicou a cidade para a operação, mas declarou produção de 35.000 unidades anuais.

Mais - Nas curiosidades informou iniciar montagem em 24 meses e cumprir, no primeiro ano, as oito etapas industriais previstas no programa Inovar-Auto – mas a se encerrar neste mês, dois anos antes da operação da JAC ...

Caminho – FCA, Fiat Chrysler, iniciou aplicar exoesqueleto na produção de motores. Trata-se de espécie de colete biomecânico vestido pelos operadores, e para absorver pesos, poupando o operador de maiores esforços.

O 4.0 - Cinco conjuntos para pernas, braços e tronco serão utilizados na fábrica de motores em Campo Largo, Pr, e os demais em Córdoba, Argentina, onde fará o sedã Cronos. O artefato faz parte do grande e rápido processo de mudanças industriais genericamente chamadas Indústria 4.0.

Fornecedor – Diesel Shell será combustível do primeiro abastecimento dos caminhões Mercedes-Benz. Raízen, representante da Shell, instalou posto dentro da fábrica Mercedes em São Bernardo do Campo, SP.

Troca-troca – Negócio amplo. O diesel Shell será o combustível recomendado pela fábrica de caminhões, e a Raízen sugere a seus fornecedores em logística e transporte usem caminhões MB.

Dura Lex – Antigo brocardo de juridiquês, Dura Lex, Sed Lex, alguma coisa como A lei é dura, mas é lei, será muito lembrada neste país leniente: o Diário Oficial da União publicou Lei 13.456, alterando o Código de Trânsito Brasileiro, definindo:

Cana e cana – Dirigir sob efeito de álcool ou qualquer outra substância psicoativa determinante de dependência, gerará prisão imediata e pena de 5 a 8 anos de reclusão. Sem papo, bebeu, dançou.

Análise – AEA, associação de engenharia automotiva, fez cálculo indicando positividade para o polêmico programa Inovar-Auto. No item redução de consumo, traduzida como eficiência energética, Pesquisa e Desenvolvimento, gerou melhoria de consumo em 15,4% contra um objetivo de 12%. No tema, diz a entidade, houve inversão de R$ 85B.

Questão – Quem disse, meta de consumo deve integrar projeto de incentivo industrial? Seu lugar deve ser juntas regras de emissões. O Inovar-Auto é marcha a ré industrial, com índices de nacionalização (sic) iguais aos praticados durante o Governo Getúlio, com ânimo de proteger a falta de produtividade nacional pelo elevar de barreiras contra os concorrentes estrangeiros.

Crown – Excelente série Netflix sobre realeza e foco na Rainha Elizabeth II, em sua segunda temporada exibiu a tomada do Canal de Suez pelo coronel egípcio Gamal Abdel Nasser – e o desgaste do governo inglês em trapalhada para, junto com franceses e israelenses, tentar retomar a passagem, sendo exemplados pelo restante do mundo.

Consequência – Expôs más consequências para os ingleses, mas esqueceu item importante na história do automóvel: o fechamento de Suez, cessando o abastecimento de petróleo à Europa durante o inverno, motivou a mudança radical no projeto dos automóveis ao final dos anos ’50 e início dos ’60.

Motivo – A falta do petróleo provocou excessiva taxação sobre carros com motores e consumo maiores, instigando novos projetos para carros menores, mais leves, grupo moto propulsor na dianteira ou traseira. Foi o responsável, por exemplo, pelos marcantes Simca 1.000 e pelos míticos Morris Mini. Nasser nada entendia de automóveis, mas fez a tomada de Suez os redefiniu.

Mecânicos – Apesar da dúvida quanto a data de comemoração do Dia do Mecânico – 1 ou 20 de dezembro? -, atividade se torna atrativa a quem quer pensar acima das porcas e parafusos. Frota cresce exponencialmente e há poucos especialistas para a manutenção exigindo conhecimento de férrea mecânica e etérea eletrônica.

Expansão – Projeto de crescimento da TAP no Brasil indica mais quatro voos semanais para S Paulo, um para Brasília, outro para Belo Horizonte, e fomento ligações com Florença, Itália, e Londres, Inglaterra, usando Lisboa como hub.

Retífica RN – Nota sobre o livro Picapes Chevrolet – Robustez que conquistou o Brasil -, citado na Coluna  4917, derrapou. Coautor com Fábio Pagotto é Rogério De Simoni.

Futuro – Sem representante na Fórmula 1, resultado da falta de projeto nacional para ter um piloto brasileiro na disputa do espetáculo mais televisado do Planeta, o surgimento de novos nomes dá esperanças. Alberto César Otazú, apoiado por Braspress/Instituto Desenvolve/Alpie Escola de Pilotagem e HT Pro Nutrition conquistou a 50ª vitória em apenas 10 meses no primeiro degrau do automobilismo.

Gente – Tatiana Carvalho, jornalista, volta. OOOO À FCA para atender a área de imprensa da Fiat em S Paulo. OOOO Adão Moreira da Silva, artífice de frisos para veículos antigo, passou. OOOO Era o conhecido Adão dos Frisos, de Viamão, RS, impecável em seu serviço perfeito. OOOO Será sucedido pela nora. OOOO 

Novo Jeep Wrangler. O melhor melhorou

Desafio para a FCA – Fiat Chrysler Automobiles -, melhorar seu mítico produto, o Jeep, sem perder a identificação visual e implementar sua capacidade de vencer dificuldades fora de estrada, cumprir sua missão atávica: ser capaz de abrir seu próprio caminho. Tudo indica, conseguiu, de acordo com o exposto para a nova linha recém apresentada no Salão de Los Angeles, e com vendas ao mercado norte-americano a partir de janeiro.

Manter a história do mais mítico produto da história do automóvel começou por manter a fabricação na fábrica original, em Toledo, Ohio, muito distante de Detroit, meca do automóvel nos EUA. Mas há um grande pacote de inovações, desde o intenso uso de alumínio na carroceria e mecânica, como grande implemento nos sistemas de transmissão para aumentar habilidades de vencer obstáculos. As três versões do Wrangler, Sport, Sport S e Rubicon, e a Sahara, com quatro portas, tem sistemas específicos de transmissão praticamente definindo a capacidade de vencer dificuldades. Aos passageiros, melhor conforto interno e de rolagem, segurança e tecnologia.

Motores EcoDiesel V6, 3,0 litros de cilindrada, V6 3,6 litros PentaStar, L4 2,0 com turbo compressor, injeção direta e 270 cv. Este com transmissão automática deverá ser o mais vendido.

Para desafios, transmissão mecânica com seis velocidades na versão Rubicon oferece redução de transmissão em 84,2:1!