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quinta-feira, 27 de junho de 2019

Coluna do FERNANDO CALMON

Alta Roda nº 1051/351– 27/06/2019

Fernando Calmon
A aposta certa
Na próxima semana a Fiat vai relembrar os 40 anos da homologação do primeiro carro brasileiro 100% a etanol. Em julho de 1979 o compacto 147 foi apresentado à então Secretaria de Tecnologia Industrial. Começou, assim, o período superior a 10 anos de participação ativa do combustível renovável no mercado brasileiro. Hoje, o mundo está às voltas com mudanças nos meios de propulsão veicular e o vilão da vez passa a ser o CO2, um dos gases de efeito estufa.


Passadas quatro décadas, o protagonismo do etanol volta graças ao conceito chamado em inglês “from well-to-wheel”, que alguns leitores pedem para explicar melhor. Em tradução livre, “do poço à roda”. Significa medir emissões de CO2 desde a obtenção do combustível (em sua forma bruta), transporte e refino até a combustão nos motores e escapamento do veículo. É o chamado ciclo de vida fechado. O biocombustível da cana-de-açúcar consegue “capturar” de 70% a 80% do CO2 por meio da fotossíntese no processo de crescimento da planta. Alcançará até 100% de captura com etanol de segunda geração. 

Esses aspectos e outros foram realçados na Ethanol Summit 2019, semana passada, conferência bienal e internacional organizada em São Paulo pela Única (União da Indústria de Cana-de-açúcar). Neste ano, o mais importante foi a assinatura, no evento, do programa Renovabio do Ministério de Minas e Energia. Estimulará novos investimentos no setor por meio de compra de créditos de carbono para autossustentar a produção de bioetanol, biodiesel e até biometano. 

Várias propostas estão em pauta: nova especificação do etanol, preços mais competitivos e motores específicos. Em curto prazo, a mais promissora está nos veículos híbridos flex. A Toyota sairá na frente, já em outubro, quando lançará o Corolla nessa configuração, primeira do tipo no mundo. 

Países europeus vêm forçando solução puramente elétrica em grande escala. Há razões estratégicas para isso ao depender menos do petróleo, mas esquecendo de conseguir lítio de poucas fontes para fabricar baterias. Deverão enfrentar, ainda, processos caros de geração de energia elétrica de fontes de baixa emissão de CO2. 

Para ter ideia da encrenca, em 2030, um típico carro elétrico europeu poderá emitir 82 gramas de CO2/km, quando se avalia pelo critério correto “do poço à roda”. Exigirá grande esforço financeiro para recarregar baterias a partir de fontes “limpas” como vento, sol e termonuclear. 

No mesmo ano, final da próxima década, com avanços do Rota 2030 um automóvel brasileiro híbrido a etanol que exigirá apenas uma bateria pequena, não necessariamente de íons de lítio, mais barata e fácil de reciclar, emitirá somente 14 g CO2/km. Um típico burocrata europeu, desses que querem impingir uma solução a qualquer custo, pode fingir que não entendeu. Ele acha que, um dia, não se sabe quando, toda a energia elétrica no continente não dependerá mais do petróleo. Não importa o custo dessa aposta e outros problemas por resolver. 

O Brasil tem extensão territorial, terras férteis, água e sol em abundância como nenhum outro país. Portanto, cada um faça suas escolhas. O tempo demonstrará quem está certo.

ALTA RODA

EMBORA a Renault nunca tenha confirmado oficialmente, o mercado considerava como certa a produção no Brasil do crossover-cupê Arkana em 2020. Houve estudo, de fato, mas a marca francesa desistiu. O planejamento concluiu que seria inviável, entre outros motivos pelo preço não competitivo. Arkana será produzido na Rússia e na Coreia do Sul. 


INFORMAÇÕES mais recentes dão conta de que não foi só o governo francês a atrapalhar proposta de fusão da FCA com a Renault. No Japão a ideia também descontentou o governo, mesmo sem este ter nenhuma participação no grupo Nissan-Mitsubishi. A FCA anteriormente havia conversado com a Ford, sem sucesso, como acaba de admitir o chefão Bill Ford. 

PEUGEOT 2008 recebeu leve atualização frontal, ganhou 1 grau no ângulo de entrada (passou a 23°) e acabamento interno melhorado. Com motor 1,6 de aspiração natural e câmbio automático de seis marchas, tem desempenho e consumo apenas regulares. Ótimos o teto solar panorâmico e o volante ovalado de diâmetro reduzido, que permite visualizar melhor os instrumentos. 

ASSOCIAÇÃO Brasileira de Bebidas (Abrabe) se encarregou de lembrar que no último dia 19 a chamada Lei Seca completou 11 anos e ajudou a reduzir em 14% o número de mortes no trânsito. O porcentual pode parecer baixo, mas, segundo dados do Sindipeças, a frota de veículos leves e pesados (sem incluir motos) cresceu no período quase 60%. Resultado muito bom. 

SEGURADORA Zurich anunciou semana passada produtos específicos para veículos híbridos e elétricos, incluindo opção de cobertura de cabos de carregamento e oficinas especializadas. Esta semana, o Itaú Unibanco lançará financiamento a juros reduzidos para essa categoria. Operações do tipo começaram com Jaguar i-Pace e agora se aplicam a todas as outras marcas nesses nichos. 

PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmo fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Coluna do FERNANDO CALMON


Alta Roda nº 1022/372 – 06/12/2018


Fernando Calmon
Convergência tecnológica
A maneira de comprar carros vem mudando no mundo e o Brasil acompanhará de perto esse cenário. Por isso, não foi surpresa duas marcas iniciarem aqui, de forma quase simultânea, a introdução da assim chamada concessionária digital. Fiat e Volkswagen protagonizaram entre o fim de novembro e este começo de dezembro uma espécie de corrida tecnológica para anunciar a primazia. No exterior, em particular na Europa, onde tudo começou há mais de dois anos, esse modelo de negócio se consolidou.

A Fiat saiu na frente com a concessionária Amazonas, na capital paulista. O ambiente foi especialmente projetado para incluir uma interação de forma digitalizada por meio de telões de alta definição, totens e tabletes. Mesmo que o comprador não seja especialista ou extremamente ligado em tecnologia, vai apreciar todas as opções que o sistema oferece. Óculos de realidade virtual complementam a nova experiência de compra ao simular a atmosfera interna do veículo e noção de dimensões. Este recurso, em particular, já vinha sendo utilizado aqui pela Audi em suas lojas. 

Por outro lado, a Volkswagen atuará de forma mais ampla. Este mês o mesmo sistema estará disponível em 10 concessionárias em todo o País e no primeiro trimestre de 2019 até 30 outras serão abertas na América Latina. Mais do que demonstração de tecnologia, esses recursos permitem grande ganho de tempo e de qualidade de venda. As variedades de equipamentos e de acabamento podem se comparar de forma mais eficiente, no ritmo e disponibilidade do interessado. 

Mesmo com a possibilidade de montar “ilhas” digitais em lojas já existentes, a vantagem mais expressiva é a abertura de novos pontos de venda a partir de 90 m², com apenas um ou dois carros em exposição e aumento de eficiência no atendimento. Nas grandes cidades ficou muito caro ou até mesmo impossível encontrar áreas bem localizadas para abrigar um arranjo tradicional de showroom. 

A concessionária digital também se enquadra como complemento ideal ao chamado comércio eletrônico que avança no País. Iniciativas mais aprofundadas hoje existentes, da Renault e da Citroën, tendem a se expandir. É até possível um cliente dessas duas marcas completar todo o processo de pesquisa e compra pela internet e ter seu carro novo entregue em casa, mas são casos raros. O interessado estar limitado ao tamanho e resolução de uma tela de celular ou de computador agora deixa de existir. Ele poderá se integrar a uma loja física com todos os recursos modernos. 

Sites independentes de compra e venda de veículos usados pela internet também anunciam a possibilidade de atender quem deseja comprar um zero-quilômetro a partir de 2019, encaminhando interessados às concessionárias. Esses clientes, digamos mais “tecnológicos”, vão apreciar um ponto de venda convergente com suas preferências.


ALTA RODA

NISSAN prepara uma surpresa para o SUV compacto Kicks. De olho no acirramento da concorrência com a chegada do T-Cross, terá opção e-Power que tornou o Note o carro mais vendido no Japão. Trata-se de versão elétrica de baixo custo: motor convencional atua apenas como gerador para uma bateria pequena. Sem problemas de autonomia e tempo de recarga. 

SÃO onze os lançamentos anunciados para 2019 pela GM. Quatro já revelados: Bolt, Equinox Midnight e os Camaro cupê e conversível. Dos sete que faltam, probabilidades maiores são: novos Onix e Prisma, novos motores de três cilindros para estes dois compactos, Cruze hatch e sedã Midnight (ou versões esportivas RS) e estreia de internet 4G e Wi-Fi a bordo (no Cruze). 

RENAULT comemora 20 anos da fábrica paranaense com meta de ampliar a participação no mercado de 8,7% para 10% até 2022. Ao confirmar produção do SUV de teto baixo Arkana, o presidente da empresa Luiz Pedrucci previu a necessidade de outro SUV no segmento C. Esse produto (porte do Jeep Compass) ainda está sendo projetado. A Coluna estima lançamento em 2023. 

DESTAQUES visuais do novo Camaro são frente, lanternas traseiras e rodas de 20 polegadas. Há ainda controle de largada (melhor combinação para aceleração máxima), “aquecimento de pneus traseiros” (freia as rodas dianteiras e as traseiras patinam à vontade) e câmbio automático de 10 marchas. Retrovisor interno por câmera, herdado do Bolt, é um avanço notável. 

FINALMENTE, o Governo Federal desistiu de “enfeitar” as novas placas no padrão Mercosul com bandeiras dos 26 Estados e brasões dos 5.570 municípios brasileiros. Esses penduricalhos obrigariam o motorista a comprar outro par de placas ao adquirir um veículo registrado antes em outra cidade. Haverá atraso na implantação do programa, mas no caso por boa causa. 

APÓS comemorar cinco milhões de turbocompressores produzidos no Brasil, quase 80% para motores pesados a diesel, a BorgWarner espera que a sua linha mais recente para motores leves flex poderá ser impulsionada pelo programa Rota 2030, visando a diminuir o consumo de combustível. Este é um dos objetivos centrais e exigirá grande esforço adicional em pesquisa. 


PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Coluna do FERNANDO CALMON

Alta Roda nº 1012/362 – 27/09/2018


Fernando Calmon

Jetta ganha empuxo

O mercado de sedãs médio-compactos sofre forte concorrência dos SUVs, perde fôlego, mas ainda atrai um público fiel e menos afetado por modismos. Pelo menos 17 marcas já ofereceram esses modelos; restaram 14, mas só oito têm algum peso nas vendas. Corolla é o dono do segmento, seguido por Civic, Cruze, Focus e Jetta. 
O sedã da Volkswagen chega agora à sétima geração e é todo novo. Registrou antes um ciclo de vida da sexta geração (a primeira descolada do Golf) demasiadamente estendido: oito anos. Seu perfil se amolda à tendência atual de estilo, com balanço dianteiro mais curto e o traseiro mais longo. A solução para a coluna traseira é elegante. O ganho na distância entre eixos de 3,7 cm garante espaço adicional para pernas no banco de trás. A carroceria 2,1 cm mais larga ampliou a folga para os ombros. O porta-malas manteve bons 510 litros. 

O interior inclui atmosfera aconchegante e iluminação ambiente em dez cores elegíveis. Tela multimídia de 8 polegadas forma conjunto de visual contínuo com o quadro de instrumentos virtual na versão de topo. Jetta não dispõe de certos itens existentes em modelos recentes da marca (Polo e Virtus) como saída de ar-condicionado para o banco traseiro e borboletas no volante para troca de marchas do câmbio automático (presentes até no Gol e Voyage). Mas o freio de estacionamento é eletromecânico. 

Em compensação, oferece conjunto de itens de segurança dos mais respeitáveis: frenagem automática pós-colisão, controle de cruzeiro adaptativo, freio automático para evitar colisões em baixa velocidade (até ao dar ré), alerta de distância do veículo à frente, seis airbags, luzes de rodagem diurna e faróis de LED, entre outros. 

Há duas entradas USB (sem iluminação) e opção de carregador de celular por indução. Manual do proprietário é integrado ao aplicativo de celular, que responde até 11.000 perguntas sobre características do carro. Central multimídia aceita espelhamento do Android Auto e Apple Car Play. Teto solar panorâmico (R$ 4.990) é opcional. 

Rodando com o Jetta, o destaque é o silêncio a bordo. Rivaliza até com Passat e outros modelos de segmento superior. Único motor disponível, de 1,4-L, turboflex de 150 cv e 25,5 kgfm, assegura agilidade tanto em cidade como nas ultrapassagens de estrada, embora nada arrebatador. Freios e direção eletroassistida seguem o bom padrão da marca. 

São apenas duas versões, dentro da estratégia da marca de simplificar o portfólio: Comfortline (R$ 109.990) e R-Line (119.990). Na realidade, o preço real é até um pouco mais considerando as três primeiras revisões gratuitas (preço estimado em torno de R$ 1.400). Volkswagen não confirma, mas certamente haverá mais adiante uma versão de entrada e um motor mais potente. O posicionamento de preço é bem competitivo, em especial ante o Corolla, ao se considerar a diferença de equipamentos de série em favor do sedã importado do México. 

O Jetta chega às lojas em outubro. Por suas qualidades intrínsecas e por se tratar de um modelo inteiramente novo, aspira chegar ao pódio mesmo que em posição inferior aos dois japoneses. Estes, somados, dominam hoje dois terços do segmento.

ALTA RODA

RENAULT nem se esforçou em negar o lançamento no Brasil do seu primeiro SUV com traços de cupê, onda iniciada pelo BMW X6, em 2014, e seus seguidores. Arkana estará à venda primeiro na Rússia, já em 2019. Terá versão evoluída e maior da arquitetura Duster/Captur. A Coluna adianta início de produção nacional: previsto para setembro de 2020 com motor turbo. 

OUTRA informação antecipada pela Coluna foi confirmada por mais uma fonte. A fabricação em São José dos Pinhais (PR) do VW T-Cross começará em abril de 2019, embora haja esforços para iniciar em março. Chega ao mercado no fim de maio. Primeiro SUV da marca produzido no Brasil estará no Salão do Automóvel em novembro a fim de criar expectativas aos interessados. 

TOYOTA YARIS, nas versões hatch e sedã, sobressai pelo silêncio de rodagem e suspensões muito bem calibradas. Sistema de direção é preciso, mas tem retorno à posição central algo lento. Desenho do painel e assoalho traseiro plano destacam-se. Algumas falhas de acabamento interno, revestimento do porta-malas e tanque de apenas 45 litros são pontos fracos. 

PORSCHE confirmou retirada de produção de motores a diesel no Macan e Panamera (no novo Cayenne já estavam descartados). Décima fabricante a desistir desse tipo de motor, substituindo-o por híbridos plugáveis a gasolina. Marcas europeias cometeram esse erro estratégico por tempo demais, sem avaliar bem os altos custos das “muletas” exigidas pelo diesel. 

SALÃO do Automóvel de São Paulo exibirá o sensacional McLaren Senna, supercarro de R$ 8 milhões. Apenas três unidades serão vendidas no Brasil de uma série limitada de 500. Pesa apenas 1.198 kg, para 800 cv. Entre outras curiosidades do salão, o Oxygen, da Goodyear: usa fotossíntese para captar CO2 e devolver oxigênio por meio de musgos vivos nas laterais do pneu. 

PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
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domingo, 2 de setembro de 2018

Roberto Nasser - De carro por aí


Coluna 3518 - 02.09.2018 edita@rnasser.com.br  
Hora do bom gosto e da elegância. 
Citroën C4 Cactus

Citroën apresentou no Brasil o novo Cactus. Produto interessante, dito utilitário esportivo. Mescla conceitos visuais de Kia Soul, de Mercedes GLA, e sai-se muito bem. Para o público desejoso de sentir-se superior pela posição de dirigir, ou para os conscientes da necessidade de utilizar veículo melhor dimensionado às emoções do piso desnivelado, esburacado. Linhas se integram à proposta, mecânica foi ajustada para enfrentar as agruras nacionais.

Na prática exuda orgulho brasileiro, pois o produto foi desenvolvido aqui, como evolução da geração anterior, sob o comando do diretor de design para a América Latina, quase jovem Daniel Nozaki. Executivos franceses, incluindo o chefe da área, viram, se surpreenderam, palpitaram com superioridade colonizadora – mas aprovaram: projeto nacional é hoje produzido na Espanha abastecendo a Europa.

É bem inspirado e responde ao usuário deste tipo de veículo em linhas, cuidados interiores, habitabilidade. A regra brasileira de enquadramento como utilitário esportivo exige altura mínima e ângulos de entrada e saída dos obstáculos, obtidas com o elevar da distância livre do solo, no caso 22,5 cm – mais ou menos a oferecida pela Velha Senhora, a Kombi. Agradável por fora, bem cuidado por dentro, ótimo espaço frontal e entre bancos, oferece uso confortável.

Divisão
Peugeot e especialmente Citroën perderam muitas vendas, tem bons produtos sem conquistar clientes, desenvolveram o Cactus para ser tratado como evento, degrau, novo patamar de atração para a marca. Por isto não é apenas mais um produto, mas o produto, para obter muitas vendas, fazer lucros e bem participar no mercado; remunerar e garantir a sobrevivência da centena de revendedores. É o a justificar produto, detalhes cuidadosos, itens de segurança e sistemas ativos, inusuais em carros neste segmento.

Conteúdo
Muito cuidado para sobressair nas comparações com outros veículos desta frequentada fatia de mercado. Nozaki conseguiu ótimo resultado, ao fugir do barroco automobilístico, a interpretação coreana sobre traços de Chris Bangle para a BMW, optando por linhas limpas. Detalhes, muitos, desde os três níveis de elementos ópticos no painel frontal, ao bagageiro de teto, elegante, bem formulado.

Houve trabalho primoroso para acertar suspensão, direção, freios, a disco nas 4 rodas. Coisa de profissional sensível. Na transmissão mudaram semi eixos e juntas, agora com maior contato, encerraram as más sensações oferecidas por seu primo Peugeot 2008. Nele, quando se arranca com disposição, juntas e semi eixos fazem um ângulo de envergonhar engenheiro. Adotará o novo sistema.
Há muitos adereços eletrônicos pró-segurança, incluindo regulagens para a tração frontal, aviso de mudança de faixa, freio que opera sozinho quando o motorista não o aciona próximo ao veículo da frente. Itens encontráveis em carros de preço superior.

Cores
Seguindo tendência mundial há opção bi tonal – ou, no popular, saia-e-blusa. A fábrica se dimensionou para pintar o teto em Branco, Preto ou Azul Esmeralda, harmônicas com a do corpo do Cactus: branco, cinzas e o mesmo azul. São caretas, ou assim o são os consumidores brasileiros. A limitação não se harmoniza com o conceito de atrevimento oferecido pelo dito SUV. Se você está interessado e não é careta, vite, vite, como dizem os franceses. Aja rápido pois farão limitadíssima oferta de apenas 100 unidades pintadas em vermelho.
Citroën surfa na onda com outros fabricantes de fazer pré-inscrição de vendas – já aberta -, com atrativos para vencer inércia e dúvidas, como graciosidade nas três primeiras revisões e, a donos de Citroën, valorização adicional de R$ 3.000 sobre o usado.

Mais
Há consciência de as marcas da PSA, Peugeot e Citroën descuraram dos clientes demos as costas, reconhece Ana Thereza Borsari, líder regional. Para reaproximação, ambas tem oferecido, desde o ano passado, atrativos como graciosa verificação de líquidos durante a vida do veículo; revisões a preço fixo; descontos para carros fora de linha; oito anos de reboque para enguiços e acidentes; re compra garantida; seguro a preço menor; entrega de serviços para o mesmo dia; empréstimo de carro da marca para serviços tomando mais de 4 dias. Na ponta do lápis, digo dos botões da calculadora, fazem presença, custam pouco, vendem simpatia. Jogam garatéias para fidelizar os clientes.

Quanto
Preços bem administrados para concorrer com a renca de assemelhados. De R$ 69 mil a 99 mil para as versões elevadas, com transmissão automática de seis velocidades – coisa efetiva, e não o sistema de polias variáveis. Motores L4, flex, frontais e transversais, 1,6 litro. Um aspirado, 122 cv, outro turbo, 172 cv a álcool.
Tem tudo – formas, conteúdo, acertos, preços – para ser queridinho do mercado.

Montadora ou fabricante? Quem é quem?
Há uns anos houve a generalização do uso do termo Montadora para caracterizar a atividade de fazer veículos. Jornalistas, consumidores, até executivos das fábricas de automóveis, sem maior pensar, adotaram-no para rotular sua operação.

Leitor atento já percebeu, Coluna trata o negócio do fazer veículos sob dois rótulos: Montadora é a empresa sem atividade de produção de componentes. Encomenda-os a terceiros, manda as especificações, recebe as peças e faz a montagem sob sua responsabilidade. É atividade superficial, como a já realizada no Brasil desde o início do século passado, com Ford, Chevrolet, Fiat, Chrysler, International, FNM, Willys, Nash, Nissan, Studebaker, VW, até o final dos anos ’50 quando o projeto de implantação da indústria automobilística exigiu altíssimo percentual de partes nacionais. Por processos e custos, as de maior valor agregado foram produzidas pela marca do veículo. Chassis ou monobloco, motores, transmissões, estamparia de chapas, às vezes até estofamento, em boa parte feitas em casa, complementada com auto peças fornecidas por empresas especializadas. Como negócio, implantar tal estrutura demonstrava seriedade de propósitos. Diferença sensível:para montar, bastam galpões e linhas de agregação de partes fornecidas por terceiros. É o praticado no Uruguai, onde se especializaram na montagem – hoje nos fornecem Kia Bongo, Peugeot Expert e Citroën Jumpy. Para fabricar, praticar o ofício da transformação, o uso da química e da física, como fabricar motor e transmissão, exigem-se investimentos muito maiores, e é este o denominador a separar quem veio para ficar, e os que podem ter vida fugaz.e é este o denominador a separar quem veio para ficar, e os que podem ter vida fugaz.e é este o denominador a separar quem veio para ficar, e os que podem ter vida fugaz.

Na prática e no entendimento: Montadora é quem junta partes fornecidas por terceiros e monta um veículo. Fabricante é degrau superior: produz componentes, e agrega-as para formá-lo.

Roda-a-Roda
Arkana – Curiosamente Renault escolheu o Salão de Moscou para exibir seu futuro produto, o Arkana. Coerente, nome indica alguma coisa enigmática – Oroch, de seu picape, é da turma. Rússia é mercado menor que Brasil.

CuSUV ? – Renault aposta no futuro do caminho aberto pelos SUV da família 6 BMW, utilitário luxuoso com a extremidade posterior do teto garroteada para aproximar-se da cintura. Um trubuçu estilístico, SUV, cinco portas acupezado.

Mais – Será veículo global, iniciando no Brasil nova plataforma CMF-B – abandonando a velha e honesta BO, base de Logan, Duster, Oroch, Captur. Motorização possivelmente da família TCe, L4, 1,3 litro, turbo, injeção direta, uns 150 cv, iniciando novo ciclo. Para 2020.

Também – Para aumentar o poder de competição do City, Honda caracterizou modelia 2019 com apelo à conectividade: sua central multi media é compatível com Apple CarPlay e Android, e aplicada à versão EX.

Como – Produto é oferecido em cinco versões, de R$ 62.500, por curioso DX e seu pouco demandado câmbio manual; Personal – projetado para crescente segmento de mercado, o de Pessoas com Deficiência, a R$ 68.700; e LX, EX e EXL, entre R$ 74,200 a 85.400. Tempos difíceis, equipamento eletrônico caracteriza modelo. Nissan cometeu o mesmo.

No olho – Citroën apresentou o Cactus, Volkswagen, no outro dia, distribuiu texto e fotos do T-Cross, uma espécie de Tiguan menor. São concorrentes.

Como só o terá próximo ano, tenta colocar clientes em dúvida, entre receber um agora ou esperar pelo outro. Copiou até a cor do lançamento, o azul esmeralda.
Encontro – Brasil e Argentina assinaram acordo para Convergência Regulatória. Em tese unificar equipamentos de segurança e data de obrigatoriedade de aplicação nos dois países.

Freio – Quando países do terceiro mundo, tão sensíveis a argumentos sensibilizantes de fabricantes de veículos, se valem de firulas para explicar coisa séria, é para tomar doses industriais de cautela. O ESP, equipamento de estabilidade, vem tendo uso adiado exatamente por conta de encontrar uma data comum. Dizem, 2020.

O outro lado – Toyota festeja ter participado, com Projeto Ambientação, da economia de 698M de litros d’água medidos em oito anos em cidades do interior paulista. Parceira da Fundação Espaço ECO, propõe soluções sustentáveis para reduzir consumo de água, energia, e gerir resíduos. 

Resgate – Há 30 anos, cineasta Francis Coppola fez filme sobre o coerente, criativo, corajoso e romântico Preston Tucker, criador de carro revolucionário, abatido pelas então três grandes, Ford, GM e Chrysler. Aqui foi chamado Tucker, um homem e seu sonho.

Prática - O Pebble Beach Concours d’Élegance, em Carmel, California, passado fim de semana, melhor exemplo de qualidade de veículos expostos e competência para organizar, remasterizou o filme em Blu-Ray+Digital +Digital 4K Ultra HD, e o apresentou como introdutório a palestras sobre a marca.

Foco – Rasa a visão dos organizadores de eventos de automóveis antigos no Brasil: contentam-se com a plasticidade dos veículos imóveis, e deixam de resgatar e contar histórias. Exceção honrosa para o Carro do Brasil, limitado aos automóveis nacionais e então organizado em Brasília.

O Mais – Famoso leilão em Monterey, durante a semana santa do automóvel, cravou novo recorde mundial para veículos antigos: um Ferrari 250 GTO com carroceria moldada pela Scaglietti. Disse a leiloeira RM Sotheby’s ser “o carro mais importante, desejado e lendário da história do automóvel’’.

Surto – Leilão iniciou-se com preço base de US$ 35M – avaliações anteriores discrepavam entre US$ 20M e US$ 60M. A diferença mostra o desvario. Foi a 44M ! Comissão do leiloeiro gerou cheque de US$ 48,4M. Comprador não identificado. É a terceira da série de 36; uma das sete carroçadas por Sergio Scaglietti – o Toni Bianco deles -, e considerada uma das mais originais.

Detalhes – Motor V12 3,0; 286 cv de potência, 342 Nm em torque, dianteiro, caixa manual de 5 velocidades, tração traseira. Pesa apenas 880 kg, e é uma alegria para dirigir ao chegar aos 100 km/h em 4,4s e 280 km/h – dados de 1962!

Finor – Verbete criado por ex de diretor do Veteran Car de MG, organizador do mais elegante evento de veículos antigos no Brasil, bem descreve o majestático cenário do Grande Hotel, sua volumetria, jardins de Burle Marx. Ali reúne-se a essência da qualidade dos antigos no Brasil.

De novo – Neste ano, pela greve dos caminhoneiros, a grande praga do ano, festa foi abortada na véspera do longo feriado de Corpus Christi, e adiado para o entorno do 7 de setembro. Será a partir da próxima quinta feira, de 5 a 9, com patrocínio da Renault.

Leilão – Um dos diferenciais do evento é realizar pioneiro e tradicional leilão. Inscrições para participar se encerraram pela capacidade máxima e catálogo digital com os veículos disponibilizados à venda está em
www.issuu.com/leilaoaraxa/docs/catalogo-digital. Há opção de lances on line. Sobre o evento acesse: www.brazilclassics.com.br

Gente – Bruce McLaren, neo zelandês, piloto e construtor, lembrança. OOOO McLaren São Paulo, representante da marca por ele criada e produtora de esportivos nunca imaginados, festeja data com número áspero. OOOO 79 anos de seu nascimento. McLaren passou há 48 anos, em coerente pancada num protótipo. OOOO Dele há um documentário: McLaren – O homem por trás do volante – dvd com legendas em português. OOOO Laura Schwab, inglesa, novidade. OOOO Primeira mulher a presidir a Aston Martin em 105 anos de história. OOOO João Batista Mattosinho Filho, brasileiro, engenheiro, prêmio. OOOO Era diretor de produção de 80 mil unidades/ano em planta Jaguar em Castle Bromwich, Inglaterra. OOOO Resgatado aos trópicos, será diretor de manufatura da Jaguar Land Rover em Itatiaia, RJ. OOOO Não é fábrica, mas linha de montagem de poucas intervenções e números. OOOO Aparentemente quase férias bem remuneradas à sombra do pico das Agulhas Negras; do Parque de Itatiaia; ao lado das agradáveis Penedo e Visconde de Mauá. OOOO 

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

ARKANA, O NOVÍSSIMO CROSSOVER DA RENAULT


O nome Arkana tem como origem a palavra latina Arcanum (“segredo”), que há séculos é associada a eventos e fenômenos misteriosos. Ele destaca tanto a personalidade única como a atração exercida pelo futuro modelo.

Original, o novo crossover faz uma releitura do estilo já consagrado pelo mercado de SUVs, graças ao seu design exclusivo. O Renault Arkana terá sua estreia mundial neste terceiro trimestre na Rússia, devendo ser comercializado naquele país a partir de 2019. 

Apresentado como show car, o veículo fornece pistas de como será o novo crossover global que a Renault deverá lançar em diferentes países.

Para saber mais sobre o Renault Arkana, não deixe de conferir o Salão do Automóvel de Moscou, no dia 29 de agosto.