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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Fernando Calmon - Alta Roda - Salão com apelo otimista

Alta Roda nº 915/26530– 173– 0oda nº852/1108– 2oda nº851/2016

Fernando Calmon
O Salão do Automóvel de São Paulo, que vai até o próximo dia 20, será marcado não apenas pelas novas instalações amplas, modernas e pelo conforto do ar-condicionado (apenas nos primeiros dois dias, para imprensa, houve pane). É uma das edições com maior número de lançamentos, reestilizações, exercícios de criatividade e marcação de tendências. Houve um esforço dos expositores em levantar o moral dos compradores abatidos pela situação política, econômica e do desemprego no País. A mensagem subliminar era que o pior já passou e chegou a hora de levantar a cabeça. 

Entre os modelos de grande série, destaque para o primeiro SUV compacto da Hyundai. A produção do Creta, em Piracicaba (SP), já começou (vendas, em janeiro de 2017). Surpreendeu pelo espaço interno, pois sua base estrutural é a do médio-compacto Elantra. A sul-coreana não revelou pormenores mecânicos do modelo nem faixa de preço. O novo Renault Captur (produto refinado, a partir do Duster) e os Chevrolet Tracker (repaginado) e Cruze hatch ainda não tinham sido exibidos ao público. 

Também houve uma das raras estreias mundiais da história desta exposição bienal. O Honda WR-V, desenhado no Brasil na plataforma do Fit, é um crossover cuja distância entre eixos é 2,5 cm maior que a do monovolume compacto. O fabricante escondeu o interior e outras características até o lançamento entre março e abril próximos. 

Kwid, o inteiramente novo compacto de teto alto da Renault, pôde ser analisado por dentro e por fora. Previsto para chegar no primeiro semestre de 2017, terá motor de 1 litro e três cilindros da geração SCe, que estreia em dezembro no Logan e Sandero. Para estes estará disponível um novo quatro-cilindros de 1,6 litro-16V. 

Nova picape média Nissan Frontier é outro lançamento que chega primeiro do México em março com tudo novo, inclusive motor. Surpresa, a picape conceitual Hyundai STC, desenhada na Coreia do Sul e no Brasil, tem porte da Strada e Saveiro de cabine dupla. A fábrica desconversou, mas é certa sua produção. 

A Volkswagen disfarçou na forma de conversível conceitual, T-Cross Breeze, as linhas que adotará no seu primeiro crossover compacto. É o segundo produto, depois do novo Gol em 2018, com a mesma arquitetura do novo Polo alemão a estrear na Europa no próximo ano. Depois virão Saveiro e Voyage. 

De modo geral chamou atenção a criatividade dos estúdios de desenho que várias marcas instalaram no Brasil. A própria VW com a releitura moderna do Gol GT, além de Citroën (C3 City Ryder), Peugeot (208 Pyrit), Nissan (March Midnight), Renault (Duster Extreme) e Ford (Ka Trail), entre outras. 

O Levante, primeiro SUV da Maserati que estreou no Salão de Genebra em março deste ano, demonstra que, à exceção da Ferrari, essa onda não para de crescer. A Kia não exibiu o esperado compacto Rio, cuja produção começa agora no México, focando seus holofotes no Cerato. 

BMW X2 voou direto do Salão de Paris para os 90.000 m² do São Paulo Expo. Em forma de modelo-conceito, o crossover igualmente impressionou o público. Reúne as condições de se tornar o sétimo modelo do grupo alemão feito no País a partir de 2018. 

RODA VIVA

FIAT continua a enxugar sua linha de produtos no Brasil. Parte pela queda de mercado que inviabiliza a continuidade de modelos com vendas baixas e outra como reflexo das exigências de motores com maior eficiência energética. Freemont não é mais importado e o Punto para de ser produzido em janeiro. Mas haverá estoques para vendas por até seis meses. 

JUNHO de 2017 marcará a chegada do substituto do Punto, novo representante entre os compactos de faixa mais alta de preço produzido em Betim (MG). Nome está sob sigilo, mesmo porque também tomará o lugar do descontinuado Bravo. Versão sedã será feita na Argentina, mas é improvável estrear no próximo ano. Por lá o projeto está um pouco atrasado. 

PASSAT, importado da Alemanha, fica pouco a dever em relação a modelos premium do segmento de médios-grandes. O preço, de fato, não ajuda, mas o carro passa sensação de alta solidez, tem câmbio automatizado de duas embreagens de funcionamento rápido, mas suave nas trocas e motor elástico com sonoridade instigante. Quadro de instrumentos é 100% digital. 

NOTÍCIA ruim nesses tempos difíceis. Governo paulista aumentou de forma indireta o ICMS na venda de veículos usados, único segmento a mostrar resistência em meio ao desânimo. A partir de fevereiro, numa operação de R$ 50.000, como referência, o imposto sobe de R$ 450 para R$ 900. Outros Estados, ávidos por receitas, podem seguir o (mau) exemplo. 

DISPUTAS acirradas entre 36 equipes de 22 universidades de vários Estados marcaram os três dias da primeira Shell Eco-Marathon realizada no Brasil. Os vencedores no kartódromo da Granja Viana, na Grande São Paulo, conseguiram ótimas marcas: categoria gasolina (equipe Pé Vermelho), 190,2 km/l; etanol (Feng Eco Racing), 102,9 km/l; elétrico (EcoVeículo), 139,4 km/kWh. 



PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).
Siga também através do twitter:  www.twitter.com/fernandocalmo fernando@calmon.jor.br e www.facebook.com/fernando.calmon2
                                                                                                                              


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Fernando Calmon - Alta Roda - Caminho aberto ao 1.0 turbinado

Alta Roda nº 896/246– 073– 0oda nº852/0708– 2oda nº851/2016

Fernando Calmon
A combinação de turbocompressor e motor de 1 litro é uma tendência e, tudo indica, vai se expandir. Na realidade, não chega a ser uma novidade pois o Gol, em 2001, tinha uma versão com esse arranjo que desenvolvia 112 cv, mais voltada para desempenho do que economia de combustível. Em julho do ano passado, a Volkswagen lançou o Up! TSI de 1-litro, três- cilindros, turbo e injeção direta (etanol/gasolina) para buscar desempenho e, ao mesmo tempo, menor consumo. 


Hyundai deu sua resposta em abril último com o HB20. Seu tricilíndrico turbo também é flex e a potência de 105 cv iguala-se à do Up!, mas perde em torque. Ao adotar a injeção no duto (na Coreia do Sul a injeção é direta na câmara de combustão), teve de manter a partida auxiliar a gasolina em dias frios. 

Solução harmoniosa entre desempenho e consumo acaba de estrear no Fiesta. Motor EcoBoost de três cilindros alcança 125 cv e 17,3 kgfm. Em relação ao motor aspirado de 4 cilindros de 1,6 L (que continua em linha), ao utilizar gasolina, a potência é igual, mas o EcoBoost ganha não apenas 1,5 kgfm de torque. Sua curva de torque máximo começa bem antes, às 1.400 rpm, e continua constante até 4.000 rpm. Na prática, é mais rápido que o seu irmão de maior cilindrada em todas as situações. 

Duas características impressionantes são silêncio na marcha-lenta e baixo nível de vibrações. O compacto da Ford supera nesses quesitos todos os três-cilindros no mercado, embora ao se acelerar a fundo seja fácil de notar a sonoridade típica. A fábrica indica aceleração de 0 a 100 km/h em 9,6 s. Sua desvantagem é ter apenas versão a gasolina. O motor vem da Romênia e a Ford, por ora, não pretende aumentar a oferta para outros modelos. 

No consumo de combustível, como esperado, destaca-se em relação ao motor de 1,6 litro. O EcoBoost faz, de acordo com o fabricante, 10,2 km/l em cidade e 15,3 km/l na estrada. O motor só está disponível na nova versão superequipada Titanium Plus. Único câmbio, comum nessa faixa de mercado, é o automatizado de duas embreagens e seis marchas, um pouco mais lento nas trocas do que outros do mesmo tipo. 

Um ponto de discussão é o preço. O Fiesta 2017, nesta versão de topo e motor de 1,6 L, custa R$ 70.690. Inclui equipamentos como chave com sensor de presença, bancos de couro, rodas de 16 pol., acendimento automático dos faróis, espelho retrovisor eletrocrômico, sensor de chuva, e ar-condicionado digital. 

O EcoBoost vai a R$ 71.990 ou cerca de R$ 1.300 a mais. No entanto, se beneficia de 4 p.p. a menos de IPI, em relação ao 1,6 L flex, por se tratar de motor de 1 litro. Uma parte pequena dessa vantagem tributária se perderia, pois o motor vem do exterior, porém o governo reduziu a taxa de importação, em março último, no caso de “inexistência de capacidade de produção nacional equivalente”. 

Assim, mesmo ao considerar aumento de custo de um motor turbo, o preço está dentro dos parâmetros de outros de mesmo nível tecnológico e, em parte, pode ser compensando pela economia de combustível. Estima-se que 10% dos compradores do Fiesta optem pelo EcoBoost. 

Motores turbo de 3 cilindros devem aparecer em breve no Golf e, provavelmente, também no Focus. O caminho está aberto. 

RODA VIVA

CITROËN Cactus, crossover que utiliza mesma arquitetura do C3, está em fase final de desenvolvimento. A fábrica não confirma, mas pode ser exibido no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro próximo. Modelo nacional será mais “enfeitado” que o francês. Vendas só em 2017. Já o C4 Lounge argentino receberá reestilização e novo interior. 

FORTE queda do mercado brasileiro inviabiliza modelos de baixo volume de vendas. No mês passado, estatísticas da Fenabrave apontam Linea, Bravo e Idea com apenas 79, 58 e 165 unidades vendidas, respectivamente. Ou seja, fim de linha para os três. Até o Punto, com apenas 510 unidades comercializadas, não se sustenta, conforme fontes de fornecedores. 

TOYOTA investiu no Etios para melhorar seu aspecto interno. Mostrador central agora tem ótima visibilidade e até se diferencia pelo ponteiro do conta-giros deixar uma sombra ao se movimentar. Hatch compacto continua a oferecer motores de 1,3 e 1,5 L que estão mais potentes, têm torque superior e consumo médio de combustível menor. Estreante câmbio automático de quatro marchas vai muito bem, até na versão de menor cilindrada. 

ETIOS sedã, apenas com motor de 1,5 L, se destaca pelo porta-malas entre os maiores do segmento. Estilo externo pode não agradar tanto, mas suspensões são um ponto alto. E o pequeno diâmetro de giro facilita muito manobras de retorno e estacionamento. 

SEMPRE é bom lembrar-se de ligar o ar-condicionado no modo frio, mesmo em temperaturas baixas de inverno. Esse cuidado evita ressecamento das mangueiras e ajuda na lubrificação do compressor. Causa algum desconforto, mas bastam 10 minutos de funcionamento de 15 em 15 dias. Termostato não precisa estar na posição de menor temperatura. 


PERFIL
Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Fernando Calmon - Alta Roda - Falta de confiança

Alta Roda nº831/181– 09/04/2015

Fernando Calmon
A grande indagação durante o VI Fórum da Indústria Automobilística, organizado pelo grupo de comunicação Automotive Business em São Paulo, foi por quanto tempo o cenário atual de retração persistirá. Apesar do primeiro trimestre desastroso, sem dúvida haverá uma reação no restante do ano que servirá apenas para mitigar a projeção de queda anual.

No primeiro trimestre as vendas acumuladas de veículos leves e pesados recuaram 17%, enquanto as projeções mais pessimistas apontam que o ano fecharia com recuo de 12%. O grande problema de curto prazo são estoques altos demais, o que aumenta o índice de ociosidade da indústria e as perspectivas de desemprego. 

A produção pode ser um pouco menos afetada por uma conjugação de fatores: leve aumento nas exportações em razão da desvalorização do real e, pelo mesmo motivo, a perda de competitividade de veículos importados a serem substituídos pelos de fabricação nacional. Este é um ano com muitos lançamentos, em especial no segmento de SUVs. Mesmo em 2014 houve um balanço positivo: 431 lançamentos e 225 descontinuações ao se somarem todos os modelos e versões disponíveis no mercado interno.

Para a consultoria Carcon, no entanto, a produção poderá preservar o único número positivo em 2015: crescimento de 1,7%, ou seja, 3,05 milhões de unidades. E os fatores acima citados se repetiriam até 2019, quando o Brasil alcançaria 3,82 milhões de veículos produzidos. Seria ainda um nível desconfortável, pois a capacidade instalada anunciada pelas antigas e novas empresas ficará acima de cinco milhões de unidades. Ideal é utilizar ao menos 75% desta capacidade para que investimentos em novos produtos se justifiquem e não se crie a espiral negativa do passado.

Pesquisa eletrônica durante o Fórum indicou que os participantes acreditam que só em 2017 o mercado interno voltará a apresentar números positivos, indicando três anos consecutivos de vendas em retração. É provável a Índia ultrapassar o Brasil, que cairia para a quinta posição no ranking mundial.

Ainda que condições econômicas e políticas atuais expliquem grande parte do mau momento do setor, essa crise demonstra que artificialismos atrapalham mais que ajudam. Reduções temporárias de imposto induzem movimentos de antecipação de compras e se usados por períodos longos criam vícios. Ideal seria reforma tributária, pois a indústria de veículos representa 5% do PIB, porém recolhe 10% de todos os impostos.

Na realidade, enquanto perdurar o atual clima de falta de confiança dos entes da economia as vendas de veículos não se recuperarão. As correções estão no rumo correto, mas ainda há incertezas de como os políticos se conduzirão.

Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco, citou dois exemplos positivos na Índia e nos EUA. O primeiro ministro indiano, Narenda Modri, preconiza menos governo e mais governança. Já o ex-secretário de Tesouro americano, Lawrence Summers, construiu a frase lapidar: “Confiança é o estímulo mais barato”. Nos EUA, com carga fiscal bastante baixa para consumidores, a política econômica deve focar nas causas, não nos efeitos. Sem experimentalismos do Brasil e sua conta pesada em forma de pessimismo generalizado. 

RODA VIVA

CONFORME a Coluna adiantou, reestilização de meia-geração do Gol ficou para o primeiro trimestre de 2016 e a nova geração (arquitetura MQB do futuro Polo alemão) só no final de 2017. Volkswagen espera vender (somando Audi) cerca de um milhão de unidades no Brasil em 2018. Ou seja, confia em recuperação do mercado interno e também aumento de participação.

RENAULT Duster 2016 ganhou atualização visual: grade, grupo ótico, para-choques dianteiro e traseiro, rodas e lanternas traseiras com LEDs. No interior, costura dupla no estofamento, novo painel e tela com GPS. Motor 2-litros ganhou 6 cv (agora 148 cv), porém torque caiu um pouco para 20,7 kgfm. No 1,6 L só mudou curva de torque. Preços: R$ 62.990 a R$ 78.490 (4x4).

MOTOR turbo do Fiat Bravo T-Jet 2016 é ponto alto no carro, em especial ao se apertar o botão de Overboost (sobrepressão). Potência se mantém em 152 cv, mas o torque de 23 kgfm faz nítida diferença. Retoques estilísticos são modestos. Relevante é a monitoração de pressão dos pneus. Pena que a caixa manual de seis marchas tenha curso de engate longo.

GANHOU outra vida o Mercedes-Benz GLA 250 com motor turbo de 2 L/211 cv. Faltava essa versão no crossover (SUV de teto baixo) alemão que será produzido no Brasil, logo no início de 2016. Apenas o motor de 1,6 L turboflex será nacionalizado. São duas versões: Vision por R$ 171.900 e Sport, R$ 189.900. Ambas se destacam por materiais de ótima qualidade.

HONDA lançará em 2016 novo Twist, pseudo-aventureiro baseado no Fit. Desta vez, a mudança é mais radical e não superficial como na geração passada do monovolume compacto (ou hatch de teto alto) da marca japonesa. Filão de modelos que remetem a “aventuras” no asfalto mesmo ou em (boas) estradas de terra não parece ter fim.


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Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Fernando Calmon - Alta Roda - Soluções verdadeiras para a mobilidade


Alta Roda nº823/173– 12/02/2015

Fernando Calmon
Mobilidade é a palavra do momento e preocupa a todos: fabricantes de veículos, motoristas, pedestres, governos e os mundos acadêmico e científico. Nesse contexto, ideias surgem de todos os lados, mas é preciso separar soluções verdadeiras daquelas sem eficácia ou ganho prático limitado. 

Um exemplo: faixas de pedestres em “X”, em São Paulo, implantadas experimentalmente pela prefeitura em alguns cruzamentos. Trata-se de mera cópia piorada do que foi feito em um bairro de Tóquio. Segundo o engenheiro Paulo Guimarães, do Observatório Nacional de Segurança Viária, a solução japonesa existe em um cruzamento onde o fluxo de pedestres supera a capacidade do passeio público. Usam apenas uma faixa diagonal larga, mas em São Paulo são duas. “No cruzamento das faixas há risco de esbarrões entre os próprios pedestres ao se cruzarem”, destaca Guimarães. 

Quanto ao cenário por parte da indústria, a tendência é produzir, além de carros, soluções de mobilidade por todos os meios. Foi o recado de Erica Klampfl, gerente de Mobilidade Global no Futuro, da matriz da Ford, em palestra na feira de tecnologia Campus Party, em São Paulo. Megacidades com mais de 10 milhões de habitantes serão pelo menos 41 até 2030. A classe média, que aspira ter um automóvel, passará de 2 bilhões para 4 bilhões de pessoas, a maioria na Ásia. Tudo isso traz riscos de congestionamento permanente e de deterioração da qualidade do ar. 

No entanto, a executiva confia que o consumidor está mudando suas atitudes e até de prioridade, pelo menos nos EUA. Em pesquisa com múltiplas respostas, 47% gostam de usar seus smartphones para planejar seus deslocamentos, 39% utilizam mais de um meio de transporte e 34% já admitem o transporte solidário em seus carros, se houvesse chance. 

Assim, o trio conectividade, mobilidade e direção autônoma – ou semiautônoma, no primeiro momento – está nos planos dos grandes fabricantes. Com a eletrônica de bordo de hoje geram-se 25 GB de informações por hora e tal enorme massa de dados pode ser aplicada em soluções alternativas. “Seria muito bom combinar os dados de tráfego em tempo real de aplicativos como o Waze com a velocidade em que o limpador de para-brisa atua. Indicaria chuva pesada e a rota poderia evitar pontos de alagamento catalogados”, exemplificou a executiva. 

Klampfl acrescentou que o tempo gasto ao volante pode ser mais bem aproveitado, além de ouvir música ou noticiário. Com informações armazenadas em agendas telefônicas, a capacidade de computação de um automóvel pode organizar uma reunião de negócios ou adiantar o atendimento de triagem em um consultório médico. 

Também não descartou a possibilidade de um operador guiar um veículo a distância usando câmera de vídeo, sensores e a rede de telefonia celular de alta velocidade. Seria a versão terrestre de um VANT (veículo aéreo não tripulado) ou drone. Experiências já são feitas em baixa velocidade, com carros de golfe adaptados, em um campus universitário em Atlanta, nos EUA. 

No total, a Ford monitora 25 experimentos globais de mobilidade, sendo 14 de sua iniciativa e 11 de desafios de inovações em oito países. A partir de agora, o Brasil é o nono a participar desse esforço mundial. 

RODA VIVA

NÚMERO de dias – 38 – de estoque nas fábricas e concessionárias em janeiro último continua preocupante, mesmo com novo critério de contagem da Anfavea. Vendas caíram 31% sobre dezembro de 2014. Parte do tombaço se explica por emplacamentos sem venda no fim do ano passado, na briga entre Fiat e VW pelo modelo mais vendido. Por isso, o Gol caiu de 2º para 7º lugar, em janeiro, além da greve que afetou 10 dias de produção da VW em S. Bernardo do Campo. 

ESSA estratégia, chamada de rapel e aplicada em geral no último mês do ano para fins de marketing, também fez o Onix encostar no Palio/Palio Fire na classificação de janeiro. Há um custo financeiro para a fábrica e concessionárias, mas em dezembro é um pouco menor por adiantar o pagamento de apenas 1/12 do IPVA. No fim, não é boa tática. 

FIAT já lançou o Bravo 2016, sem alterações mecânicas, mas com retoques frontais (para-choque e grade) e nas lanternas traseiras. Maior novidade é a tela multimídia de 5 pol, de série em todas as versões, que estreou no Freemont, mas com GPS opcional. Outras novidades: câmera de ré e versão BlackMotion. Preços são competitivos: de R$ 61.990 a 78.490 (T-Jet turbo a gasolina). 

CITROËN aposta no C4 Lounge com motor turboflex THP. A fábrica aumentou a potência de 165 cv para 173 cv com etanol – gasolina apenas 1 cv a mais (166). A relação final de transmissão, alongada em 11,4%, teve objetivo de economizar combustível, em especial etanol. Dessa forma o bom desempenho de antes ficou marginalmente menor, porém imperceptível no dia a dia. 

CORREÇÃO: Inmetro homologou bancos infantis com fixação Isofix em outubro do ano passado, resolvendo uma situação incomum. Vários carros já possuem o dispositivo de encaixe. No entanto, os bancos mais seguros dependiam ainda de aprovação oficial e não podiam ser vendidos nas lojas e concessionárias. 


PERFIL
   

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1999. É publicada em uma rede nacional de 85 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Roberto Nasser - De carro por aí

Coluna 0615 - 04.02.2015 - edita@rnasser.com.br

Bravo 2016 muda e aumenta conteúdo
Fiat já vende o Bravo em versão 2016. Fácil identificá-lo: o visual foi aprimorado, com ênfase em soluções de estética para valorizar esportividade e implementação de conteúdo. São quatro versões em decoração - Essence, Sporting, Black Motion e TJet. Três versões de suspensão, incluindo troca de molas, amortecedores, rodas e pneus, para melhor aproveitar a dinâmica ou a exigência de condução prazerosa; dois tipos de motores, 1.8, 16 válvulas, aspirado, flex, 130/132 cv de potência gasálcool e álcool, e o 1.4 16 v, injetado, turbo, a gasolina 152 cv. Dois tipos de câmbio, 5 velocidades com acionamento mecânico ou automatizado Dualogic, e 6 velocidades, exclusivo no TJet.

Busca atingir amplo leque de clientes esclarecidos, tanto os apreciadores de automóveis, acomodação e rendimento, quanto os exigentes pelas atuais modas periféricas, os sistemas eletrônicos. O motor turbo mantém um adjutório extra performance por alteração de regulagem eletrônica. Tal sistema, dito Overboosting, implementa o Turbo e faz gerar adicionais 2 kg de torque, com imediata resposta em aceleração. 

Caminho
O novo visual frontal adotou novos para-choques, molduras de lanternas e faróis, a moda mundial da barra cromada em V no para-choque, e detalhes como rodas para cada uma das versões. No posterior, idem: para choques redesenhado com defletores de ar, lanternas, spoiler. Ajustes enfatizaram o estilo, realçando a forma de cunha. Na versão Sporting o adesivo lateral é longitudinal, traço elegante, ajuda com tal sensação. No conjunto liderado por Peter Fassbinder, obteve-se bom resultado.

Interior marca-se pela preocupação de aconchego, boa receptividade, e aplicação de materiais com jeito de refinamento visual e ao toque, mudanças na grafia do painel de instrumentos, apoia braço rebatível com porta copos.

A tecnologia embarcada fez progressão em conectividade, largo conteúdo com ênfase ao sistema Uconnect Touch, mundialmente utilizado pela FCA - novo nome de Fiat e Chrysler -, em Jeep, Chrysler, RAM, Alfa Romeo e Fiat. A nova central multi mídia aumenta a conectividade, inclui câmera de ré, e o coloca à frente dos concorrentes principais, GM Cruze, Peugeot 308 e VW Golf, ao permitir opção com GPS atualizado fornecido pela Tom Tom. Apesar do conteúdo extra o Bravo 2016 tem menor preço ante concorrentes.

Mercado
No mercado desde 2010, já vendeu 24 mil unidades, e a Lélio Ramos o experimentado diretor comercial da Fiat imagina as demandas por versões sejam 50% Essence, 30% Sporting e restantes entre Black Motion e TJet.
Quanto custam    R$
Essence
  61.990
Sporting
67.990
Black Motion
 68.990
TJet
78.490


Roda-a-Roda
Freio – Após desvalorização de 20% a GM suspendeu produção de Opel Astra e Chevrolet Cruise na Rússia, informa Automotive News Europe. Suas vendas caíram 26% ano passado – mercado encolheu 10% -, e projeta-se redução de 30% neste exercício. Ford e VW também escrituraram perdas.

Retorno – Para mostrar ter tomado a estrada de volta aos bons resultados, Mitsubishi japonesa aproveitará Salão de Genebra, para exibir nova geração do crossover ASX. Na mostra, o conceito será plug in – elétrico de recarregar na tomada. Vendas em 2017.



Marca - Renault resolveu fazer carro esportivo, o RS.01, sem o simplório caminho de vestir a base mecânica do GT-R da sócia Nissan. Quer aproveitar a imagem da Alpine, que adquiriu e fechou. Mágica em rendimento por aerodinâmica e baixo peso.

Junta - Associou-se com britânica Caterham, produtora do Lotus 7  atualizado, e rápida capacidade de desenvolver soluções e peças para  performance. Não deu certo, assumiu tudo, sobrou para o designer chefe Laurens van der Acker acertar as linhas do ex projeto comum.

Alpine - Grosso modo, conceito de peso mínimo com motor forte. Assim, muita fibra de carbono na estrutura leve, motor Nissan GT-R com imaginados 550 cv, entre eixos e transmissão de sete velocidades.

Corridas - Quer integrá-lo à Renault sport em nova categoria de  automobilismo. Talvez seja amenizado, ganhe confortos e vendido a público, re editando a dupla personalidade dos míticos Alpine da era do criador Jean Rédélé.

Q da Questão – Não está bem parada a questão de a Audi batizar como Q1 seu próximo SAV. O registro é da Alfa Romeo. O Q1 ou nome a ter, é um Audi mini, baseado na boa plataforma do VW Polo.

Confiança – PSA, holding Peugeot Citroën, em dificuldade de caixa e esforço  para retornar à competitividade no mercado, abriu subscrição de ações da empresa aos funcionários. Ótimas respostas, superando expectativas.
Muda – Toyota marcou data para o novo Etios: início de 2016, quando terá aumentada a capacidade industrial de 74.000 a 108.000 unidades/ano e atualizará o produto, inicialmente repelido pelo mercado. 

De novo – Etios foi lançado para competir com Gol, Palio, Onix, na base do mercado, mas ficou distante em vendas em 2014. Nova versão, lançada na Indonésia como Etios Valco retocou grade e detalhes. Aqui deve mudar por dentro, especialmente pela ventilação errada, para carros com direção à direita.

Fugaz – Nissan anunciou, quando iniciar as vendas do March com novo motor 1.0 de três cilindros, terá deixado fazer o Active, modelo antigo, recém exumado e ora descontinuado. Terá sido o produto com a vida mais curta no mercado.

Costume – Tradição besta este caminho de ter os veículos de menor vida no mercado. Foi assim com o primeiro picape Frontier feito no Brasil, e com o SUV X-Terra. Mal costume, deixa o cliente em suspenso. Quem comprou o Active com financiamento ficou órfão em prazo curto e pagará por amplo período. 

Início – Volkswagen inicia vender ainda neste mês o novo Jetta vindo do México, motores 2.0 comum, atmosférico, e 16V, injeção direta, Turbo. Se a  fim, adiante-se. Será produzido no Brasil, porém com motorização 1.4.

Pílula – Boa medida do acirramento da competição na faixa dos SAV, os Sport Activity Vehicles, onde estão EcoSport, Duster, Trakker, Peugeot 3008, Honda  iniciou divulgação homeopática de seu HR-V, da especialidade. Não o tem à  venda, mas quer atrapalhar os outros.

+ - Para sanção presidencial o aumento da adição de álcool à gasolina simples. De 25% para 27%, mais 2% de variação, pode arranhar 30%. 

Bom ? – Acima de 25% de álcool na gasolina o motor não o aproveita como aditivo oxigenador. Apenas aumenta o consumo. É bom - para os usineiros. Anfavea, associação dos fabricantes de veículos, não endossa tecnicamente e recomenda uso da gasolina Premium, sem o adicional.

Será ? - Conselho Nacional de Trânsito (Contran) exigirá, a partir de 01.maio, exame toxicológico aos motoristas das categorias C, D e E, na renovação ou ascensão na CNH. É Resolução 517/15 e pelo exame quer saber quem usou substâncias psicoativas, maiores causadoras de acidentes de caminhões e ônibus.

Ocasião – A fim de Ford EcoSport ou Renauld Duster ? Bons negócios no horizonte. Para peitar a novidade do Jeep Renegade prometendo assumir liderança do segmento Eco e Duster, atuais líderes, terão atualizações. Antes, redução de preços e oferecimento de vantagens.

Topo - Revenda apenas para motos de elevada cilindrada. É a Hiuri, no Alto de Pinheiros, S. Paulo, vendedora acima de 500 cm3 e scooters. É o conceito Dream, projeto da Honda em implantar no país inteiro, separando classes por endereço, instalações e especialização. Sub rede chic já tem 82 revendas.

Ocasião – Feira profissional para aproximar fornecedores de fabricantes de componentes, concessionários, oficinas, enfim todo o segmento, Automec será realizada em S Paulo, no Pavilhão do Anhembi, de 7 a 11 abril. Atração, oficina de alta qualidade, tipo modelo a seguir. Mais ? www.automecfeira.com.br

Turbo – Mercado em baixa exige criatividade. Ford estendeu facilidades do Plano Sazonal, para produtores rurais, a interessados em adquirir o Ranger diesel. Entrada de 54%, 6 pagamentos semestrais, juros de 6% a.a.

De fora – Em meio à polêmica sobre a real utilidade de portar extintor de incêndio e o adiar da fiscalização sobre novo modelo, um aviso: pela Resolução do Contran Nº 157, de 22 de abril 2004, veículos antigos, de Coleção, identificados pela placa preta, estão dispensados do equipamento.

Precaução – Se do seu caso, copie e tenha em mãos a Resolução nº 157/04 para evitar conversinhas de guardas mal informados.

Furto – Larápio subtraiu picape F 75 de colecionador paulistano. Fácil identificar. Se parado, cor laranja avermelhado e placas BLG 4663/SP. Se em movimento, anda muito com motor Ford 2.3 turbo. Viu, avise o dono: Toni (11) 99609-0765.

Gente – Rodrigo Tramontina, jornalista, outro ladoOOOO Bom de serviço na Peugeot por largo período, integra edição do programa especializado Auto+, no portal Terra e na BandSport. OOOO Chico Lellis, jornalista ex GM e ex Diário do Comércio, idem. OOOO Empresta talento à editora Motorpress. OOOO Frédéric Sebbagh, francês tropicalizado, diretorda Continental de pneus, promoção. OOOO Presidente Brasil e Argentina. OOOO Michael Kuester, estadunidense, executivo da DAF Caminhões, promoçãoOOOO Era diretor e agora presidente da empresa no Brasil. OOOO Marco D´Ávila, brasileiro, ex presidente da DAF local, ascensãoOOOO Vice Presidente da Paccar para operação latino americana. É a holding que abriga a DAF.


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Eqmax lança tapetes originais do Bravo Wolverine


Enquanto o filme Wolverine – Imortal faz sucesso nas telas do cinema, a Eqmax amplia seu portifólio de acessórios automotivos fornecendo exclusivamente à Fiat os tapetes originais da série especial do Fiat Bravo Wolverine, lançado em parceria com a Fox Film.A maior fabricante nacional de racks e bagageiros, tapetes, suporte de bicicletas/caiaque para automóveis oferece para a edição especial da Fiat o jogo de tapetes personalizado, com excelente acabamento, alta durabilidade que se encaixa perfeitamente no piso do Bravo Wolverine.Tão estilizado quanto o automóvel, o novo acessório da Eqmax é acarpetado e vem com o bordado Wolverine nas peças dianteiras. A empresa é a única do setor que possui o certificação ISO 9001/2000 no Brasil. O tapete do novo Bravo Wolverine só pode ser encontrado nas concessionárias Fiat.


sexta-feira, 22 de março de 2013

Fiat Lança ovo de Páscoa Fiat Collection



A Fiat e a Top Cau se unem pelo segundo ano consecutivo para lançar um ovo de Páscoa inspirado em modelos da marca italiana. O ovo Fiat Collection integra a plataforma Fiat Toys, que busca estabelecer um relacionamento de forma lúdica e inovadora com o cliente final.

A edição especial de Páscoa é composta por um ovo de chocolate de 270g e uma miniatura de carro. Os consumidores poderão escolher entre os carros Bravo, Cinquecento, Novo Uno e Novo Punto, disponíveis em várias cores, incluindo amarelo, vermelho, verde e azul.



Produzido com chocolate ao leite, o ovo é recheado com bombons de cereja negra e é distribuído pela Top Cau. O produto está disponível nas lojas Americanas de todo o país e no portal Americanas.com.
Preço sugerido de venda: R$ 29,99-